Ela não tem vontade de viver. O que posso fazer? Precisa de descobrir o que estava a dar força para ela antes. O Eduardo sabe exatamente o que era. Marina. Doutor, se eu trouxer uma pessoa específica para a ver, pode ajudar muito. Quem é? A ama anterior. Isabela tem muito apego por ela, por isso traga urgente. Cada hora conta.

 Eduardo sai do hospital desesperado. Precisa de encontrar Marina, mas não faz ideia de onde ela está. Ele liga à Conceição. Você sabe onde está a Marina? Não sei, senhor. Ela saiu e não deixou morada. Eduardo inicia uma busca frenética, liga para as agências de emprego, posta nas redes sociais, contrata um investigador particular. Nada.

 A Marina parece ter desaparecido da face da Terra. Na terceira noite, doutor Fernando da Ultimato. Eduardo. A Isabela tem no máximo 48 horas. Se não houver melhoria nesse período, Eduardo não o deixa terminar. Ela vai melhorar. Tem de melhorar. Mas por lá dentro está desesperado. Como encontrar Marina em 48 horas numa cidade de 12 milhões de habitantes.

 Enquanto isso, Marina está numa pensão no centro da cidade, completamente sem saber que Isabela está internada. Ela passou os últimos dias a tentar arranjar emprego, mas ninguém a contrata sem referências. Nessa noite, ela vai ao centro espírita procurar a mãe Conceição. Minha filha, está muito triste. Estou, mãe. Perdi tudo o que amava.

 Não perdeu não. O amor verdadeiro volta sempre. Como pode ter a certeza? Mãe Conceição fecha os olhos e concentra-se. Estou vendo uma criança em sofrimento, uma menina loira. Marina arrepia-se. Isabela, ela está a chamar por si. Está muito doente. Onde está ela? Hospital de São José. Mas cuidado, a minha filha, há gente a querer prejudicar-te.

A Marina não pensa duas vezes, pega nas suas poucas coisas e corre para o hospital. No hospital, tenta entrar na UCI pediátrica, mas é barrada. Só família pode entrar. Por favor, é urgente. A menina está a chamar-me. Senhora, sem autorização não posso deixar. Marina fica desesperada. Está tão perto de Isabela, mas não consegue chegar até ela.

 É quando vê Eduardo no corredor abatido, com cara de quem não dorme há dias. Eduardo. Ele vira-se e fica em choque. Marina, como soube? Soube que a Isabela está mal. Como é que ela está? Muito mal. Os médicos disseram que ela tem 48 horas. A Marina sente o mundo girar. 48 horas? Ela não está respondendo ao tratamento. Fica chamando por si o tempo todo. Deixa-me vê-la.

Eduardo hesita. Ainda tem dúvidas sobre Marina. Eduardo, se tem amor por sua filha, deixa-me entrar. Marina ainda há a questão do colar. Que se dane o colar. A Isabela está a morrer. A urgência na voz de Marina desperta Eduardo. Ele a leva até ao quarto da UCI. Quando a Marina vê Isabela, quase desmaia.

 A menina está magra, pálida, cheia de aparelhos. Meu Deus, o que te fizeram, princesa? Marina aproxima-se da cama e pega no mãozinha da Isabela. Isabela, mamã A Marina está aqui. A menina abre os olhos devagar. Quando vê Marina, um sorriso fraco aparece no rostinho. Mamãe, Marina, estou aqui, meu amor. Mamãe voltou.

 Não foi embora? Nunca mais Vou-me embora, prometo. Eduardo observa emocionado. A mudança na Isabela é imediata. Os seus sinais vitais melhoram só com a presença de Marina. Marina, ele sussurra. Obrigado por ter voltado. Eu Amo-a, Eduardo, mais do que a minha própria vida. Nessa noite, Marina fica ao lado de Isabela, segurando-lhe a mão, cantando canções de Ninar, tal como tinha feito meses atrás.

 Ela coloca as mãos sobre o peito da menina e concentra-se em transmitir energia positiva. A avó, ela sussurra. Se está aí, ajuda a minha menina mais uma vez. Eduardo observa sem compreender completamente o que a Marina está a fazer, mas vê que está a funcionar. A A respiração de Isabela vai-se normalizando. Às 6 horas da manhã, o Dr.

 Fernando chega para o de serviço e fica surpreendido. Os sinais vitais dela melhoraram drasticamente durante a noite. A Marina ficou com ela, explica Eduardo. Então a A Marina fica. Qualquer coisa que esteja a funcionar, vamos manter. Durante três dias, Marina não sai de perto de Isabela. Ela come no hospital, dorme na poltrona do quarto, dedica cada minuto à recuperação da menina.

 No terceiro dia, A Isabela está bem o suficiente para conversar. Mamã Marina, por que razão você foi-se embora? Marina olha para Eduardo, que está no quarto, porque o papá achou que era melhor, mas não era melhor. Eu Fiquei muito triste. Eu também fiquei triste, princesa. Não vai embora de novo? Marina hesita, ainda não falou com Eduardo sobre o regresso.

 Não sei, o meu amor. Isabela olha para o pai. Papa, a a mamã Marina pode ficar. O Eduardo se aproxima-se da cama. Isabela, o papá precisa falar primeiro com a Marina, mas ela pode ficar se ela quiser. Marina e Eduardo olham-se por cima da cabeça de Isabela. Há muito que precisa de ser esclarecido entre eles.

 Naquela tarde, enquanto Isabela dorme, vão para o corredor conversar. Marina, preciso pedir-te desculpas. Por quê? Por ter duvidado de si, por o ter deixado ir embora. Eduardo, eu compreendo a sua posição. As evidências estavam contra mim, mas devia ter confiado em você. Deveria ter conhecido o seu carácter. Marina suspira.

 E sobre o colar? Marina, eu sei que não levou o colar. Como sabe? Porque sei quem o apanhou. Marina fica surpresa. Quem? A minha mãe. Como assim? Eduardo conta que começou a desconfiar da mãe quando se apercebeu como ela estava ansiosa para que Marina se fosse embora. Eu vasculhei as coisas dela e encontrei o colar escondido no cofre.

 Marina fica chocada. Ela armou tudo isto. Tudo. O colar, a pulseira, os boatos. Ela queria te afastar a qualquer custo. Por quê? Porque ela percebeu que eu me estava a apaixonando por si. O coração de Marina acelera. Estava. Estou. Estou. Apaixonado por ti, Marina. Marina sente lágrimas nos olhos. Eduardo, eu Sei que somos de mundos diferentes, mas Eduardo, para.

 Por quê? Porque eu também estou apaixonada por ti. Eles se beijam ali no corredor do hospital com toda a intensidade do amor que tentaram negar. Uma semana depois, Isabela recebe alta. Eduardo leva Marina e a filha de regressa a casa. Na mansão, Helena está à espera com cara de poucos amigos. O que ela está aqui a fazer? Voltando a casa. Eduardo responde firme.

 Eduardo, enlouqueceu? Não, mãe. Acordei. Esta mulher, esta mulher salvou a sua neta duas vezes. Helena tenta argumentar, mas O Eduardo não deixa. Mãe, eu sei tudo. Sei que pegaste no colar, que espalhaste boatos, que tentou destruir a Marina. Helena fica pálida. Eu só queria protegê-lo. Quase matou a minha filha com os seus preconceitos.

 Eduardo, chega, mãe. A partir de hoje, a Marina é parte desta família. Se não consegue aceitar isso, o problema é seu. Helena sai da mansão furiosa, mas derrotada. Nessa noite, o Eduardo, Marina e Isabela jantam juntas como uma família verdadeira. Papa, agora a mamã A Marina vai ficar para sempre? Vai sim, princesa.

 E vocês vão casar? Eduardo e Marina entreolham-se e riem. Um dia talvez Eduardo responde: “Posso ser senhora de honra?” Claro que pode. Três meses depois, numa manhã de domingo, Eduardo chama a Marina para conversarem no jardim. “Marina, há uma coisa que te quero falar.” O que foi? Eduardo ajoelha-se na frente dela com uma pequena caixa na mão.

Marina Santos, aceitas casar comigo? Marina fica em choque. Eduardo, sei que é cedo, mas quase te perdi uma vez. Não quero correr esse risco outra vez. E a Isabela? Foi ideia dela. Marina ri-se através das lágrimas. Então aceito. Eduardo coloca o anel e beijam-se enquanto Isabela aparece a correr no jardim. Ela disse que sim.

 Ela disse que sim. O casamento acontece seis meses depois, numa cerimónia íntima no jardim da mansão. Isabela é dama de honor e fica radiante ao ver os pais casarem. Helena não comparece, mas envia um presente caro como forma de fazer as pazes. Vai aceitá-la na família outra vez? Marina pergunta a Eduardo. Vou dar uma oportunidade, mas ela vai ter de mudar.

 E se ela não mudar? Então ela perde a neta e o filho. Dois anos depois, Marina e Eduardo estão no jardim a ver a Isabela brincar com o irmãozinho Miguel de se meses. Você arrepende-se de alguma coisa? pergunta o Eduardo. De nada. E você? Só de uma coisa. O quê? De ter demorado a perceber que era a mulher da minha vida.

 Marina sorri e se aninha no marido. Valeu a pena esperar. E agora vai contar-me como curou realmente a Isabela no hospital? Marina ri-se. Um dia conto. É algum segredo místico? É o segredo do amor de mãe. Eduardo beija-a enquanto observam os filhos a brincar. Isabela ensina Miguel a fazer castelos de areia. Mamãe Marina! Isabela grita.

 Vem brincar com o gente. Já vou, princesa. A Marina se levanta-se e corre para brincar com as crianças. Eduardo observa emocionado. A sua família está completa. Do portão da mansão, Helena observa a cena. Depois de dois anos afastada, ela finalmente entendeu que o preconceito quase destruiu a sua família. Ela aproxima-se devagar. Eduardo. Ele vira-se surpreso.

Mãe, posso posso falar convosco? Marina pega em Miguel ao colo e aproxima-se, ainda desconfiada. Helena, Marina, eu eu vim pedir desculpa. Desculpas por tudo o que fiz, por ter tentado separar-vos. Eduardo e Marina entreolham-se. Mãe, tu quase matou a Isabela com as suas manipulações. Eu sei e arrependo-me todos os dias.

Helena ajoelha-se em frente a Marina. Marina, perdoa-me. Marina olha para Eduardo, depois para Isabela, que está observando tudo. Helena, eu perdoo-te, mas isso não se pode repetir. Não vai se repetir, prometo. Avó. Isabela corre para abraçar a Helena. Você voltou? Voltei, sim, minha netinha, e nunca mais vou embora.

 A Helena apanha a Isabela no colo e olha para o Miguel. E este é o meu netinho? É, Miguel. Posso pegar nele? Marina hesita, mas entrega o bebé a Helena. Olá, Miguel. A avó está aqui. Eduardo observa a mãe com os netos e se emociona. Talvez as pessoas realmente possam mudar. Mãe, quer jantar com o gente hoje? Posso, pode, mas com uma condição.

 Qual? Respeito total pela Marina. É minha esposa e mãe dos meus filhos, prometo. Naquela noite, pela primeira vez em três anos, a família Albuquerque jantar completo. Helena conta histórias a Isabela, ajuda a Marina na cozinha, brinca com Miguel. Ela mudou mesmo, comenta Marina para o Eduardo na cozinha. Acho que quase perder a família fez com que ela repensasse as prioridades.

 Acha que devemos confiar? Vamos dar uma oportunidade. Mas ficando de olho. Depois do jantar, Helena despede-se. Obrigada por me receberem. Obrigada por ter pedido desculpas. A Marina responde. Helena abraça Marina pela primeira vez. Obrigada por ter salvo a minha família. Não salvei família nenhuma, apenas amei. Foi isso que salvou.

 5 anos depois, Marina está no Jardim da Mansão, a organizar a festa de aniversário dos 7 anos de Isabela. Miguel, agora com 5 anos, ajuda a decorar. Mamã, quando a Isa vai chegar? O Miguel pergunta logo, meu amor. Ela foi buscar os amiguinhos. Eduardo aparece a carregar Sofia, a mais nova de do anos.

 Como estão a correr os preparativos? Quase prontos. Onde está a aniversariante? Chegada, Isabela aparece a correr com cinco amiguinhas da escola. Mamãe, chegámos. Marina abraça a filha. Isabela é agora uma menina linda, inteligente, cheia de vida. Feliz aniversário, princesa. Obrigada, mamã. A festa é animada. Crianças a correr pelo jardim, rindo, brincando.

 A Helena ajuda a servir o bolo. Marina, chama ela. Posso falar contigo? Claro. Ela afasta-se um pouco. Quero agradecer-te mais uma vez. Pelo quê? Por me ter dado uma segunda oportunidade, por me ter deixado fazer parte da vida dos meus netos. Família, é isso, Helena. A gente erra, aprende e segue em frente. Tornaste-te minha filha de verdade, A Marina sorri.

 E tu tornaste-te a minha mãe de coração. Elas abraçam-se enquanto observam Eduardo a brincar com as crianças. Marina. Isabela aproxima-se. Que foi, princesa? Posso fazer um pedido de aniversário? Claro. Quero que a nossa família fique sempre junta. Marina pega a filha ao colo. Sempre, meu amor. Para sempre. Eduardo junta-se ao abraço, seguido de Miguel e Sofia.

 A Helena também se aproxima. Grupo familiar! Grita Miguel, fazendo rir toda a gente. E assim, no jardim da mansão, onde tudo começou, a família Albuquerque Santos celebra não apenas um aniversário, mas o triunfo do amor sobre o preconceito, da verdade sobre a mentira, da união sobre a separação.

 Marina olha em redor para o marido que ama, para os filhos que criou com tanto carinho, para a sogra que aprendeu a respeitar e sorri. A sua vida pode ter começado simples, mas tornou-se extraordinária pelo poder do amor verdadeiro. “Obrigada, Deus”, ela sussurra, “poado a família que sempre sonhei. E no céu uma estrela brilha mais forte, como se a mãe da Marina estivesse sorridente, orgulhosa da filha que soube transformar a dor em amor, a rejeição em aceitação e diferenças na união.

 Fim gostou desta história?” A Marina mereceu o final feliz depois de tanto sofrimento. Diga-me nos comentários o que você achou desta reviravolta.

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