Todas enfermeiras que cuidavam desse paciente em coma Engravidavam Misteriosamente, então 1 detalhe. 

Todas as enfermeiras que cuidavam de doente em coma há mais de 10 anos começam a engravidar uma a uma, deixando o médico responsável intrigado. Mas quando decide instalar uma câmara secreta no quarto do hospital e se dá conta do que estava a acontecer com as enfermeiras e o homem em coma, cada vez que não estava por perto, chama a polícia desesperado.

Corram já para o hospital. Corram que é uma emergência. Doutor, eu acho, eu acho que estou a passar mal. O meu estômago está embrulhado e estou enjoada. Dá-me licença, por favor. Disse a enfermeira Jéssica, levando a mão à boca. A sua respiração estava curta, como se estivesse prestes a vomitar. Num impulso quase desesperado, ela saiu correndo pelo corredor do hospital em direção à casa de banho, deixando para trás apenas o eco apressado dos seus passos.

O Dr. Emanuel acompanhou a cena com os olhos arregalados, carregados de tensão. O médico permaneceu parado durante alguns instantes e depois desviou o olhar para o lado. Lá estava a cama do quarto 208, onde repousava Ricardo, um homem que permanecia em coma há mais de 10 anos.

 O silêncio do quarto parecia ainda mais pesado perante aquela situação estranha. “Meu Deus, que não seja o que estou a pensar”, murmurou Emanuel para si mesmo, quase sem se aperceber que tinha falado em voz alta. Respirou fundo e ali permaneceu sozinho ao lado do doente adormecido. Enquanto aguardava o regresso da enfermeira, continuou atento aos aparelhos, aos cabos e ao ligeiro som do monitor cardíaco, como se procurasse naquela rotina algum alívio para a sensação incómoda que começava a invadir os seus pensamentos.

Alguns minutos depois, Jéssica reapareceu. A sua expressão estava mais serena, mas os seus olhos denunciavam que algo ainda não estava bem. Estás melhor, Jéssica? Perguntou o médico em tom de preocupação sincera. A jovem enfermeira aproximou-se lentamente, ajeitando o casaco amarrotado, e respondeu: “Deu-me um pouco de tontura e um enjoo forte.

 Tive de correr para a casa de banho, mas já estou um bocadinho melhor, sim, doutor, podemos prosseguir, não foi nada de mais. Emanuel assentiu com a cabeça, mas o desconforto na sua mente continuava. Ainda assim, preferiu seguir com os procedimentos, aproximou-se do doente e anunciou em voz firme para que o seu equipa mantivesse a ordem. Agora vamos mudar o soro.

Jéssica adiantou-se. obediente às ordens do seu superior hierárquico. Mas assim que ergueu a mão para mexer no suporte do soro que alimentava Ricardo, uma fisgada aguda atravessou-lhe o estômago. A enfermeira se curvou-se subitamente, levando as mãos ao abdómen. Sem conseguir controlar-se, vomitou ali mesmo no chão frio e branco do quarto hospitalar.

Desculpa, doutor. Veio de repente”, disse ela envergonhada, limpando as pressas a boca na manga da bata. O médico assustou-se e logo se aproximou, assegurando com os braços, dando apoio. “Jéssica, por amor de Deus, não pode trabalhar assim. O que realmente está a sentir? Fala-me agora”. A sua voz soava firme, mas também cheia de afeto e de uma preocupação que tentava não demonstrar em excesso.

 A enfermeira abanou a cabeça e, ainda fraca, tentou explicar. Eu estou bem, Dr. Emanuel. Foi apenas um enjoo, mas já passou. Eu própria limpo isso. Tentando afastar-se, Jéssica procurou se soltar, mas Emanuel segurou-lhe os braços com firmeza, evitando que esta caísse. Percebeu que as suas pernas tremiam ligeiramente e que o seu equilíbrio estava por um fio.

Não, Jéssica, não estás nada bem. Eu vou levar-te agora para o meu consultório e vou examiná-lo. Enquanto isso, peço a alguém para limpar aqui. A enfermeira, ainda preocupada com as suas responsabilidades, tentou argumentar com a voz trémula. Mas e o doente, doutor? E o Ricardo? Precisamos de cuidar dele.

 Está na hora da medicação. Emanuel suspirou fundo, mas respondeu com firmeza. Nesse momento, deve preocupar-se apenas consigo mesma. Eu já vou pedir para a enfermeira Tamires dar a medicação e acompanhar tudo. Concentre-se em si. Precisamos compreender a causa deste malestar repentino. Enquanto ele a ajudava a manter-se de pé, um funcionário da limpeza entrou rapidamente no quarto para cuidar do estrago no chão.

 Poucos minutos depois, apareceu Tamires. A enfermeira, que já era conhecida pela sua doçura e dedicação, trazia no rosto um sorriso amável, mas o pormenor que chamava mais atenção era a sua barriga, já saliente com cerca de 5 meses de gestação, bem visível sob o uniforme claro. “Mandou-me chamar, Dr. Emanuel?”, perguntou a Tamires, sempre prestável.

 O médico, apoiando ainda a Jéssica pelo ombro, explicou num tom sério. A enfermeira Jéssica sentiu-se mal. Preciso que termine de dar a medicação ao paciente e fique de olho nele enquanto a levo para fazer alguns exames. Nesse instante, algo silencioso aconteceu. Tamires olhou diretamente para Jéssica.

 Foi um olhar rápido, quase imperceptível, mas intenso. Havia ali um segredo, algo que não necessitava de palavras a ser transmitido. Logo depois, desviou os olhos para Ricardo, deitado na cama, imóvel há tantos anos. finalmente voltou a encarar o médico e respondeu com voz firme. Claro, doutor, pode ficar descansado. Eu trato de tudo por aqui.

Emanuel agradeceu com um aceno e conduziu Jéssica para fora do quarto. Pouco tempo depois, já no seu consultório, o médico pediu que o enfermeira se sentasse. Com os instrumentos prontos sobre a mesa, ele começou a examiná-la. Jéssica, porém, não parecia nada satisfeita com aquela decisão. Doutor, tem a certeza que precisa disto? Foi apenas um malestar. Eu juro.

Eu estou bem, disse ela, tentando minimizar a situação. Emanuel suspirou, apoiando as mãos no balcão, e respondeu: “Jéssica, peço desculpa, mas como médico Tenho um lema. Não posso fingir que não vi alguém passar mal. E, além disso, não é a primeira vez. Já há dias que noto-te a ficar enjoada, com tonturas.

 Precisamos de investigar isso a fundo. A enfermeira tentou insistir com um olhar quase suplicante. Eu sei que não é nada, doutor, é só stress. Estou passando por alguns problemas pessoais e isso acabou por mexer com o meu corpo, mas não é nada de grave. Eu só quero voltar a trabalhar de verdade. Eu estou bem. O médico, no entanto, encarou-a com crescente seriedade.

 O seu tom ficou mais baixo, mas carregado de um peso que fazia o ar do consultório parecer ainda mais denso. Acontece, Jéssica, que parece que estou vendo a mesma história repetir-se. O mesmo que aconteceu com Tamires e com Violeta, todas as enfermeiras que se aproximaram do doente do quarto 208. As palavras pairaram no ar, envoltas de mistério, como se abrissem uma porta para um segredo sombrio.

Antes mesmo de o médico terminar a sua frase, Jéssica interrompeu-o com a voz embargada e carregada de medo. O senhor está a dizer que eu que eu estou grávida. É isso? O silêncio pairou por um instante no consultório. Emanuel respirou fundo, apoiando-se na mesa, como se procurasse forças antes de pronunciar aquelas palavras.

São muitos anos de profissão, a minha cara. Conheço muito bem os sinais de uma gestação, mesmo nas fases iniciais. As palavras do médico atravessaram a mente de Jéssica como um raio. A enfermeira ficou quieta, encarando-o seriamente, com os olhos marejados, sem conseguir formular uma resposta imediata.

 Entretanto, Emanuel prosseguiu com convicção. Precisamos de confirmar. Vamos ter de fazer um teste de gravidez. A reação da Jéssica surgiu quase automática. Ela negou de imediato. Doutor, não precisa. Eu juro que não. Eu nem tenho namorado, nem me envolvi amorosamente com ninguém. Não existe a menor probabilidade de eu estar grávida.

 Não tem como. Emanuel escutou-a em silêncio, mas o seu semblante continuava desconfiado. Passados ​​alguns segundos, respondeu firme: “Excelente. Se tem tanta certeza, então não há que temer o exame. Vamos fazê-lo apenas para desencargo de consciência. Tudo bem?” A jovem mordeu os lábios, nervosa. Sua vontade era gritar um não e sair dali a correr, mas sabia que nunca conseguiria escapar daquele consultório sem que o médico realizasse os testes.

Sem alternativa, apenas a sentiu com a cabeça, rendida à determinação de Emanuel. Sem perder tempo, o Dr. pegou no pequeno aparelho portátil de testes rápidos, pediu a mão da enfermeira e com cuidado fez um pequeno orifício num de seus dedos. Uma gota de sangue foi colhida e colocada no leitor.

 O médico ajustou o aparelho e murmurou: “Agora só precisamos de esperar alguns minutos.” O consultório mergulhou num silêncio inquietante. Enquanto observava o dispositivo, Emanuel não conseguia controlar o turbilhão de pensamentos em a sua mente. Os seus olhos, fixos na tela, ainda apagada do exame, reflectiam a dúvida que lhe corroía o íntimo.

Mais uma não, por favor, que eu esteja errado desta vez. Meu Deus, que eu esteja errado. Os minutos arrastaram-se como uma eternidade, até que finalmente o resultado surgiu. Emanuel estremeceu ao ver as palavras no visor. Ficou paralisado, sem conseguir articular nada, enquanto o coração batia acelerado no seu peito.

 Ansiosa, Jéssica partiu o silêncio. Portanto, doutor, eu não estou grávida. Estou. Sem conseguir formular uma resposta, Emanuel virou o visor para a enfermeira. Ela engoliu em seco. Não não precisava de nenhuma explicação. Conhecia bem aquele aparelho. Até marcava, sem sombra de dúvida, positivo. Não, não. Isto só pode estar errado.

 Eu não posso estar grávida. Não tem como? exclamou Jéssica, levando as mãos à cabeça, sentindo as pernas fraquejarem. O Emanuel aproximou-se devagar. Os seus olhos fixaram-nos dela, como se quisessem atravessar a sua alma. Jéssica, és a terceira enfermeira que coloco para cuidar do doente do quarto 208. Um homem que está em coma há quase 10 anos.

 E todas vós, todas eram solteiras, sem envolvimento amoroso com nenhum homem. E todas, todas ficaram grávidas. Diz-me a verdade, o que está a acontecer naquele quarto quando eu não estou a olhar? Por que razão todas as as enfermeiras engravidam ao entrar ali? Assustada, Jéssica recuou na cadeira, afastando-se dele como se precisasse de ar.

 Eu não sei. Eu nem sequer deveria estar grávida, doutor. Este exame ele ele tem que estar errado. Eu preciso de ir embora. Eu não posso ficar aqui. Tomada pelo desespero, a enfermeira se levantou-se à pressa. Emanuel tentou segurá-la, estendendo o braço, mas ela escapou rapidamente e saiu do consultório, deixando apenas o som de os seus passos apressados ​​eando pelo corredor.

 O médico permaneceu durante alguns instantes parado, mergulhado em pensamentos sombrios. Assim, como que atraído por um impulso incontrolável, caminhou lentamente até ao quarto 208. Ao entrar, deparou-se com uma cena inquietante. Não só Tamires estava ali, mas também Violeta, outra enfermeira do hospital. Ambas trabalhavam próximas do cama do doente Ricardo.

 E assim como Tamires, Violeta também exibia a barriga de grávida sob o uniforme. Noel ficou estático na porta, observando. Finalmente, Tamires ergueu os olhos e o notou. Aconteceu alguma coisa, doutor? O senhor parece assustado com alguma coisa”, disse ela enquanto mexia no suporte do soro.

 O médico aproximou-se lentamente, olhou primeiro para Ricardo, imóvel na cama, respirando apenas com a ajuda dos aparelhos. Depois desviou o olhar para as barrigas salientes das enfermeiras. A tensão era insuportável. Tamires, Violeta, já não aguento mais essa dúvida. Preciso de saber a verdade. Me digam quem é o pai destes bebés? Quem ajudou-vos a gerar essas crianças? As duas enfermeiras congelaram, ficaram imóveis, trocando um olhar carregado.

As suas mãos instintivamente se apoiaram em as suas barrigas, como se quisessem protegê-las. Mas nenhuma respondeu. O O silêncio era mais ensurdecedor do que qualquer grito. Mas para compreender aquele mistério, porque todas as enfermeiras que entravam no quarto, 208 engravidavam, era necessário voltar no tempo, voltar uns meses antes.

Nessa altura, o Dr. Manuel, renomado médico e referência nacional no tratamento de doentes em coma, estava no seu consultório no Hospital Nacional de Traumas Neurológicos. O ambiente, repleto de livros médicos e registos médicos, transpirava a rotina de alguém habituado a lidar com casos extremos. O telefone sobre a sua secretária tocou, interrompendo a concentração.

Uma transferência doente em coma há quase 10 anos. Certo. Pode enviá-lo para aqui, doutora Eponina. Eu ficarei a aguardar. Obrigado. Respondeu antes de desligar. Logo depois ouviu batidas suaves à porta. Pode entrar, disse o Emanuel. A porta abriu-se e revelou a figura de Tamires. Jovem com pouco mais de 30 anos, já era conhecida pela sua eficiência e pela sua lealdade.

Havia quase uma década que trabalhava ao lado dele no hospital. Nas mãos trazia uma chávena fumegante de café. Licença, doutor. Fiz um café e como sei que o senhor gosta, trouxe. Emanuel ergueu um leve sorriso cansado e agradeceu. Obrigado, Tamires, sempre tão prestativa. Ela sorriu timidamente e respondeu: “O que é isso, doutor? Eu já ia preparar para mim.

 Não custava fazer para o senhor também.” A mulher fez uma breve pausa, respirando fundo e depois mudou de assunto. Aproveitar que o hospital está mais tranquilo esta semana, porque nem sempre é assim. O Dr. Emanuel levou a chávena de café aos lábios e deu um pequeno gole, deixando o calor do líquido a descer pela garganta. Logo a seguir falou em tom sério.

Mas por pouco tempo, Tamires, acabei de receber uma chamada da Dra. Eponina. Teremos uma transferência em breve. Trata-se de um doente em coma. Parece que está neste estado há quase 10 anos. Estão a enviar para cá para ver se algum dos métodos de tratamento que temos no hospital surjam efeito. Mas, sinceramente, acho difícil.

 sabe que quanto mais tempo se passa, mais difícil é acordar um doente de um coma. E o mais triste é que se trata de um rapaz jovem. A médica disse que tem pouco mais de 30 anos. E estar em coma por tanto tempo, parece que a própria família já nem o visita. Suspirou fundo, encarando o nada por alguns segundos antes de concluir.

Bom, vamos ver o que podemos fazer. Tamires observou o médico com atenção e esboçou um sorriso confiante. Tenho a certeza de que ele será bem tratado, doutor. Não há neurologista como o Sr. O senhor é o melhor quando o assunto é doentes em coma. Já vimos vários acordarem sob os seus cuidados.

 Quem sabe se este, mesmo depois dos 10 anos, também não desperte. O médico, embora apegado à ciência, tinha a fé como parte indissociável da sua vida. Com um olhar sereno, respondeu: “É, para Deus nada é impossível, mas é isso. Amanhã teremos um novo doente.” A enfermeira concordou firme. “E pode contar comigo para ajudar nos cuidados dele, doutor?” O dia decorreu normalmente.

 Emanuel seguiu com a sua rotina no hospital, atendendo consultas, passando visitas e acompanhando outros casos, mas em paralelo já tinha solicitado à equipa de enfermagem a preparação do quarto 208, o espaço que receberia o novo doente. O médico não fazia ideia de que aquele simples quarto, em poucos meses, se transformaria no epicentro de um mistério que mudaria a sua vida e a de muitas enfermeiras para sempre.

 Na manhã seguinte, Emanuel estava no seu consultório revendo alguns prontuários quando ouviu bater à porta. Ao abrir, lá estava novamente Tamires, um tanto apressada. Dr. Emanuel, Venho avisar que a ambulância com o doente acabou de chegar. O médico ergueu as sobrancelhas, ajeitou o casaco e respondeu: “Excelente. Será colocado no quarto 208.

Acompanhe o processo por mim, Tamires. Preciso de passar primeiro no quarto da dona Conceição e de seguida irei até ao 208.” Com um sorriso de prontidão, a enfermeira respondeu: “Claro, doutor”. Emanuel seguiu depois pelos corredores até ao quarto da Dona Conceição, uma senhora que lutava contra a síndrome de Guilambarre, uma doença autoimune, rara, em que o sistema imunitário ataca os nervos periféricos.

 Ela tinha chegado a ficar em coma nas fases iniciais da doença, mas graças ao tratamento vinha recuperando lentamente. Ao entrar no quarto, o médico perguntou com um tom gentil e animador: “Como está hoje, Dona Conceição?” A doente, uma senhora de olhar doce e voz firme, respondeu: “Estou bem, doutor. Já estou a conseguir mexer um pouco os pés.

 Estou a fazer a fisioterapia direitinho, como o Sr. mandou. Emanuel sorriu satisfeito com o progresso. Ótimo. Continue assim que em breve terá alta. Depois poderá prosseguir o tratamento em casa, perto da família. Após verificar os exames e prescrever a medicação adequada, Emanuel despediu-se e seguiu em direção ao quarto 208.

Enquanto caminhava pelos corredores do hospital, refletia. 10 anos em coma. Se não fez fisioterapia frequente, este doente deve estar completamente atrofeado. Musculatura frágil, corpo enfraquecido. Preciso estar preparado para um quadro delicado. Mas assim que entrou no quarto, a cena diante dos seus olhos fê-lo quase perder o equilíbrio. O choque deixou-o sem ar.

Mas como? Como é possível?”, murmurou incrédulo, aproximando-se lentamente da cama. Deitado ali estava o novo paciente, um homem de aparência jovem, pouco mais de 30 anos, pele corada, músculos definidos, como se tivesse acabado de sair de um ginásio. O corpo estava forte, saudável, vigoroso. Nada lembrava alguém em coma há uma década.

 Na verdade, parecia apenas um atleta em repouso, a dormir uma sesta tranquila. Emanuel levou a mão à boca, estupefacto. Este este é o doente em coma há 10 anos? Perguntou ainda sem acreditar no que via. Tamires, que acompanhava a cena de perto, confirmou com um ligeiro aceno de cabeça. Sim, doutor, esse mesmo. Pelo que vi na documentação, o seu nome é Ricardo.

Atónito, Emanuel aproximou-se da cama, estendeu a mão e passou os dedos cuidadosamente pelo braço do doente, depois pelo abdómen firme. Mas isto isto é inacreditável. Um doente em coma há tanto tempo deveria estar com a barriga inchada, os músculos atrofiados, braços finos. Como pode, depois de todos estes anos, apresentar esse porte físico? Como? Tamires também observava Ricardo igualmente impressionada.

Realmente, doutor, eu também fiquei surpresa. Nós estamos habituados a lidar com pessoas debilitadas. enfraquecidas. Mas este homem, ele parece apenas estar dormindo. Fez uma pequena pausa, respirou fundo e continuou com os olhos fixos no paciente. É como o Senhor mesmo disse, há coisas que só podem ser milagre de Deus.

 Talvez esse homem seja um desses milagres. E agora com o seu tratamento, quem sabe ele não acorde. O médico permaneceu completamente boque aberto, observava cada detalhe do corpo do doente e quanto mais analisava, mais crescia a sensação de estar perante de algo fora do comum. Não conseguia associar aquele homem à imagem de alguém em coma durante 10 longos anos.

Tamires, quero acompanhar este caso de perto, muito de perto. Quero todos os exames possíveis, tomografias computorizadas, análises completas. Este é um caso raríssimo. Há algo de diferente neste doente, algo que precisamos de compreender. Determinada, a enfermeira respondeu sem hesitar. Tudo bem, doutor.

 Eu mesma prepararei todos os exames e desde já me Prontifico a ser a enfermeira responsável pelo Ricardo. Se o Sr. permitir, claro. Quero ajudar em tudo que for necessário. Emanuel olhou-a pensativo e finalmente concordou. Claro. Vou deixar registado que será a enfermeira responsável por Ricardo. Não imaginava que aquela decisão, aparentemente simples e prática, se tornaria um dos maiores erros da sua carreira.

 em poucos meses se arrepender-se-ia amargamente de ter concedido tamanha responsabilidade. Nesse mesmo dia, já sozinho no seu consultório, o Dr. Emanuel permanecia inquieto. O choque perante o paciente em come há tanto tempo, mas com aquele porte físico tão invulgar, não saía de a sua mente. Enquanto separava os prontuários e preparava pedidos de exames, falava para si próprio em voz baixa, como se procurasse convencer-se de algo.

Ainda não entendo como alguém pode estar em coma há tanto tempo e mesmo assim ter aquele corpo. Isso não faz sentido. Não faz sentido nenhum. passou a mão pelos cabelos, inquieto, como quem tenta encontrar explicações no vazio. Passados ​​alguns segundos, decidiu: “Preciso de ligar à doutora Eponina. Tenho de compreender melhor a história de Ricardo, o que lhe aconteceu, como vinha sendo cuidado todos estes anos.

 Só isto pode justificar este estado físico em comum.” estendeu o braço em direção ao telefone sobre a mesa, mas antes que pudesse marcar o número, ouviu batidas suaves na porta. “Entre”, disse sem esconder uma certa impaciência. A porta abriu-se lentamente e Tamires surgiu com o seu jeito atencioso de sempre. “Doutor, interrompi alguma coisa? Ia fazer uma chamada?” Emanuel endireitou-se na cadeira, ajustando a expressão.

 Estava prestes a telefonar para a doutora Eponina. Preciso tirar algumas dúvidas sobre o Ricardo. Confesso que ainda estou surpreendido com o estado dele. Não é possível que alguém em coma há tanto tempo mantenha músculos, pele e vitalidade daquele forma. Tamires avançou alguns passos e colocou em cima da mesa um caderno repleto de anotações.

 O seu olhar era sério, mas também demonstrava orgulho pelo que havia preparado. Pois foi exatamente sobre isso que eu estava a pensar e vim aqui mostrar isso para o senhor. Emanuel franziu o sobrolho curioso. A enfermeira, por sua vez, abriu o caderno revelando páginas preenchidas com questões organizadas em tópicos. Aproveitei o tempo que estive sozinha no quarto observando o doente e fiz uma lista de perguntas, todas relacionadas ao estado físico do Ricardo. Se o Sr.

quiser, pode acrescentar mais. Pensei que talvez fosse melhor eu própria conversar com a Dra. Eponina. Sei o quanto o senhor está ocupado. Quantos os doentes dependem dos seus cuidados aqui no hospital? Posso inclusive ir pessoalmente até ao hospital de onde ele veio, perguntar tudo e trazer as respostas. Enquanto isso, o Sr.

continua a preparar as solicitações dos exames. Imagino que sejam muitas. Emanuel coçou o queixo, pensativo. Ele preferia resolver pessoalmente, mas tinha de admitir. Estava sobrecarregado de trabalho. A sugestão de Tamires parecia prática. Respirou fundo e disse: “Tu sempre a pensar em tudo, Tamires.” Escreveu no caderno as suas próprias perguntas adicionais e entregou de volta à enfermeira.

Pouco tempo depois, Tamires partiu em direção ao hospital de origem do paciente. Cerca de 1 hora e meia mais tarde, regressou ao consultório, trazendo as respostas anotadas com capricho. Colocou o caderno sobre a mesa e falou: “Ainda ofegante, doutor, conversei com a doutora Eponina.

” Ela confirmou: “Trata-se mesmo de um coma profundo. Quanto ao estado físico, ela não soube explicar. disse que realizaram diversos testes ao longo dos anos, mas não encontraram respostas. Foi precisamente por isso que decidiram transferi-lo para aqui, na esperança de que o senhor conseguisse compreender melhor esse caso. Emanuel foliou as páginas, lendo atentamente, abanou a cabeça e murmurou: “Bem, então vamos começar da estaca zero.

Não há problema. Já solicitei todos os exames possíveis. Vamos ver o que a tomografia e os restantes testes nos revelam. Mostrou a lista de exames para a enfermeira. Mas para sua surpresa, pouco tempo depois, Tamires voltou, já trazendo alguns resultados preliminares. Emanuel debruçou-se sobre os relatórios e falou num tom grave.

 Aqui está mostrando que a atividade cerebral é quase nula, o que confirma o coma. Mas nenhum dos outros exames explica a condição física dele. Nada justifica esse corpo saudável. A enfermeira cruzou os braços, ainda observando as folhas. Bom, doutor, parece que este será um caso que precisará de ser muito bem estudado. Talvez demore tempo.

Ele apenas a sentiu frustrado. A dúvida permanecia como uma sombra que não saía da sua mente. Durante todo o primeiro mês, a rotina manteve-se neste ciclo enigmático. Emanuel realizava testes, acompanhava relatórios, comparava resultados. Mas em cada novo exame, a constatação era a mesma. Ricardo permanecia em coma profundo.

 Nada indicava qualquer alteração neurológica. E ainda mais estranho, nada explicava como aquele corpo parecia cada vez mais forte, mais torneado, quase como se estivesse a desenvolver-se naturalmente. Este mistério, no entanto, logo deu lugar a algo ainda mais perturbador. Certa manhã, enquanto cuidava de Ricardo, a Tamires começou a sentir-se mal.

Emanuel, que estava no quarto, apercebeu-se de imediato a sua palidez e o suor frio que lhe escorria pela testa. A enfermeira segurava a barriga, assustada. Preocupado, o médico levou-a imediatamente para o consultório e realizou os exames necessários. Minutos depois, com os resultados em mãos, Emanuel anunciou surpreendido.

Tamires, está grávida. Parabéns. Mas me diga, quem é o Felizardo? Não sabia que estava comprometida. As palavras do médico foram recebidas com um silêncio desconcertante. A enfermeira, depois de respirar fundo, respondeu em voz baixa, mas firme. Eu não sou comprometida, doutor. Sou solteira e não faço ideia de como é que este filho foi gerado no meu ventre.

 Faz muito tempo que não me relaciono com ninguém. Eu realmente não sei como é que aconteceu. Emanuel olhou-a em silêncio, tentando absorver o que ouvira. Mas antes que pudesse questionar mais, Tamires completou emocionada. Mas se realmente é verdade, então só posso aceitar. Para mim, este bebé é um presente de Deus, um presente que recebo com gratidão.

O médico ficou intrigado, perturbado, mas decidiu não insistir. Preferiu acreditar que Tamires poderia ter-se envolveu-se discretamente com alguém e não queria falar sobre o assunto. Ainda assim, a estranheza permanecia como um peso no seu coração. Bom, seja como for, Tamires, desejo que tenha uma gestação tranquila, mas também preciso de pensar em quem poderá substituí-la quando chegar a hora do afastamento, principalmente nos cuidados ao doente do quarto 208.

Foi nesse instante que a enfermeira, ainda segurando a barriga discretamente, encheu-se de coragem e falou com firmeza: “Mas não pretendo afastar-me tão cedo, doutor. Eu vou continuar a cuidar de tudo aqui até quando puder.” Emanuel, sentado atrás da mesa, atravessou as mãos e assentiu, embora não estivesse totalmente convencido.

Ainda assim, Tamires, a gravidez é algo imprevisível. Num momento pode estar bem e no outro não. Precisamos de ter outra enfermeira habilitada para substituí-la caso seja necessário, seja no início da gestação, quando os enjoos são mais frequentes, ou depois quando o bebé nascer. Tamires respirou fundo, reconhecendo a preocupação do médico e respondeu: “Está certo, doutor? Se o senhor julga necessário, o que pensa da enfermeira Violeta? Ela tem-se mostrado muito prestativa.

 Se quiser, eu própria posso treiná-la”. Emanuel ergueu as sobrancelhas, demonstrando receio imediato. A enfermeira Violeta, mas ela não é aquela que começou a trabalhar aqui há apenas alguns meses? Não sei se seria correcto colocar uma profissional tão nova na área como responsável por um doente que necessita de tanta atenção e estuda como o do quarto 208.

Tamire adiantou-se tentando convencer o médico. Sim, doutor, mas mesmo nesse pouco tempo, tive várias oportunidades de conversar e trabalhar com ela. Violeta realmente se mostrou uma enfermeira exemplar e muitas vezes os profissionais mais novos querem mostrar dedicação, querem provar-se.

 Além disso, será por pouco tempo. Quando me afastar, sei que será algo breve, não muito longo. O médico respirou fundo mais uma vez. avaliando a proposta. Finalmente decidiu. Tem razão, Tamires. Se está dizendo, eu confio em ti. Vamos chamar a enfermeira Violeta para ajudar a cuidar do Ricardo. E assim aconteceu.

 A nova enfermeira começou a desempenhar as mesmas funções de Tamires sob a sua supervisão direta. Sempre que os enjoos da gestação impediam Tamires de permanecer no quarto, era Violeta quem assumia, mas nunca sozinha. As duas revesavam-se num esquema que aos poucos chamou a atenção do Dr. Emanuel. Enquanto isso, a mente do médico tornava-se um turbilhão de dúvidas.

 Não era apenas o estado físico inexplicável de Ricardo que o perturbava. A gravidez de Tamires, tão súbita e rodeada de estranheza, também o deixava inquieto. O Emanuel não sabia exatamente porquê, mas aquela situação causava-lhe arrepios. O tempo passou e ele reparou noutro pormenor inquietante. Sempre que aparecia no quarto 208, lá estavam Tamires e Violeta.

 Não importava a hora, o dia ou a tarefa. Podia ser algo simples, como medir a pressão ou apenas ajustar um lençol, mas as duas estavam sempre presentes. Um dia, ao aproximar-se do quarto, Emanuel anunciou em voz alta: “Preciso de fazer uma colheita no paciente 208 para análise”. Mas antes mesmo que se pudesse mexer, Tamires rapidamente se ofereceu.

Eu faço isso, doutor, e já mando a amostra para o laboratório. Pode descansar. A princípio, Emanuel acreditou que se tratava apenas de zelo e dedicação profissional, mas conforme os dias passavam, a insistência das duas em permanecer naquele quarto parecia-lhe exagerada, quase obsecada. Era como se houvesse ali algo que as atraísse de forma inexplicável.

Foi então que um certo dia, ao aproximar-se sem fazer barulho, escutou uma conversa que o deixou gelado. Do lado de lá dentro, Tamires falava em tom aflito: “Eu não acredito que também ficou violeta, mas e agora? Como nós duas vamos afastar-nos juntas? O que vamos explicar? E quem quem vai cuidar de tudo? Violeta, pálida, levou a mão à barriga e respondeu em voz embargada.

Eu não tive culpa, Tamires. Simplesmente aconteceu assim como aconteceu consigo. Tamires retorquiu com a voz carregada de desespero. Aconteceu que vão estranhar, principalmente o médico. Ele sabe que somos as duas solteiras, que não temos ninguém. Como vamos explicar mais um bebé? E pior, se ele quiser que o parto ser feito aqui no hospital, quando as crianças nascerem, eles vão descobrir.

Emanuel, que permanecia escondido atrás da porta, sentiu o coração acelerar. Pensava consigo mesmo em choque. Outra enfermeira grávida e também solteira? Isso não é possível. E o que querem dizer com quando as crianças nascerem, vão descobrir que segredo é esse? Antes que pudesse ouvir mais, um acidente revelou a sua presença.

 O seu telemóvel escorregou da mão e caiu no chão, produzindo um ruído seco. Sem ter como recuar, Emanuel empurrou a porta e entrou no quarto tentando disfarçar. Na mesma altura, as enfermeiras interromperam a conversa. Fingindo naturalidade, Tamire adiantou-se com um sorriso forçado e pegou numa prancheta sobre a mesinha. Dr.

 Emanuel, que bom ver o senhor. Já fizemos todos os exames diários do doente. Violeta completou, ajeitando a bata e evitando encarar diretamente o médico. Continua estável, mas não há sinal algum de melhoria cerebral, infelizmente. Emanuel respirou fundo, tentando disfarçar a tensão que sentia. Certo? respondeu e, de seguida, com um olhar fixo em Violeta, perguntou: “E tu, Violeta, estás a gostar de trabalhar nesta ala do hospital?” Ele esperava que ela, nervosa, deixasse escapar algo sobre a gravidez, mas a enfermeira foi breve e controlada.

“Sim, doutor, sim, estou”. Logo de seguida, arranjou uma desculpa qualquer e deixou o médico sozinho com Tamires no quarto. Emanuel ficou ali em silêncio, observando Ricardo, mas o seu mente estava noutro lugar. A conversa que ouvira não lhe saía da cabeça. Nos dias que se seguiram, a rotina parecia igual, mas para o médico tudo havia mudado.

 Ele observava cada gesto de Violeta, cada olhar de Tamires, tentando decifrar o que escondiam. estava determinado a descobrir se de facto, Violeta também estava grávida, mas não queria confrontá-la diretamente. Temia que uma pergunta brusca a fizesse mentir. Assim, preferiu agir em silêncio, observando, analisando e aguardando o momento certo para revelar o segredo que aquelas mulheres guardavam com tanto afinco.

Não demorou muito para que a verdade viesse à tona. Os primeiros sintomas começaram a aparecer sem piedade, tonturas, enjoos, mal-estar constante. E com eles a realidade impossível se confirmou. Violeta também estava grávida. Abalada, procurou o médico e falou com os olhos cheios de lágrimas. Doutor, não sei como isso aconteceu.

Eu realmente não sei. De seguida, respirou fundo, tentando se recompor e acrescentou com determinação. Mas pode deixar que eu vou continuar a trabalhar normalmente. Tudo vai continuar como está. Pode ficar tranquilo. Eu não vou dar trabalho. Emanuel, no entanto, não deixou passar. A sua expressão séria fez a voz soar mais dura do que ele gostaria.

Violeta, não é esse o problema. O problema está no facto de ser a segunda enfermeira que engravida de repente. Tal como a Tamires, você afirma que não sabe como este filho foi concebido. Não te parece estranho? A jovem enfermeira baixou a cabeça, murmurando explicações vagas, mas nada convencia.

 Nenhuma palavra dela acalmava o coração aflito do médico. Emanuel sentia no fundo do peito que havia algo sombrio, algo sinistro por detrás daquelas gravidezes inexplicáveis. Ainda assim, de tanto ouvir as duas insistirem que tudo estava normal e após dizerem que não queriam comentar nada sobre os pais das crianças, decidiu tentar deixar o assunto de lado, mas não havia como fugir.

 O tema martelava sem descanso na sua mente. E, por algum motivo, cada vez que pensava nas gravidezes misteriosas, a imagem que surgia era sempre a mesma. O doente do quarto, 208, Ricardo. Foi então que uma terceira bomba caiu sobre ele meses depois. Outra enfermeira, Jéssica, a mesma que tinha se desesperado ao vomitar perante o doente, também recebeu um resultado positivo no seu exame de gravidez.

 O choque foi imediato. Emanuel sentiu o estômago revirar. Não, isto não é coincidência. Não pode ser. Três enfermeiras, três mulheres solteiras e todas grávidas. Alguma coisa está a acontecer de algum jeito. O doente do 208 está envolvido nesta loucura. Olhou para Ricardo, deitado na cama, imóvel e sereno, e murmurou em voz baixa, quase como um desabafo.

Alguma coisa estas enfermeiras estão fazendo, alguma coisa que não me contam e meu Deus, que não seja o que eu estou pensando. Os seus olhos percorreram os músculos definidos do homem, o corpo robusto e sem sinais de atrofia. O contraste entre a aparência saudável e o coma profundo era perturbador. Emanuel cerrou os punhos e decidiu.

 Não podia mais suportar o peso da dúvida. Preciso tirar essa dúvida. Eu não aguento mais segurar isto dentro de mim. No dia seguinte, reuniu coragem, pediu que as três enfermeiras fossem até ao quarto 208. Lá estavam a Tamires com a barriga já bem visível, Violeta a tentar esconder os enjos e Jessica ainda assustada com o próprio exame positivo.

 Tamires, sempre prestável, se adiantou: “Doutor, o senhor está a precisar de alguma coisa?” Mas a resposta que veio não foi nada do que ela esperava. Emanuel, firme levantou a voz. Está a acontecer que todas as enfermeiras que entram neste quarto, que cuidam do doente 208, engravidam misteriosamente. Vocês as três estão grávidas e eu sei muito bem que todas são solteiras.

 Então, me falem, quem são os pais destas crianças? O silêncio dominou o ambiente. As três enfermeiras trocaram olhares rápidos, como se procurassem uma saída em comum. Foi Tamires quem quebrou o silêncio, tentando soar convincente. Tá certo. Vamos contar. A verdade é que nós os três decidimos fazer produção independente.

 Eu fui a primeira, fui até uma clínica de fertilidade e quando contei a novidade, as meninas também quiseram. Foram depois de mim. Só não esperávamos que fosse tão rápido assim para engravidarmos. Violeta, com a voz trémula, entrou na mentira, apoiando a colega. Foi isso mesmo que aconteceu, Dr. Emanuel? O médico ficou em silêncio durante alguns segundos, olhando para cada uma delas fixamente.

 Por fora, fingiu aceitar a explicação, mas por dentro a certeza só aumentava. Aquilo não era verdade. Algo muito maior estava escondido. Tudo bem, mas a próxima pessoa a trabalhar com o doente do 208 será um homem”, disse com firmeza. As três enfermeiras entreolharam-se, hesitaram, mas a sentiram-se quase em uníssono. Tamires foi quem respondeu: “Está bem, doutor.

 Quando este enfermeiro chegar, nós próprias o ensinaremos tudo o que precisa de saber. Emanuel, porém, não estava convencido. Algo dentro dele gritava que aquelas As gravidezes tinham uma relação direta com Ricardo. Ele sentia que cada palavra dita por elas era apenas uma cortina de fumo para esconder a verdade. Assim, num impulso que não era do seu feitio, fez algo arriscado.

Aproveitou-se de um momento em que Tamires tinha deixado a mala no quarto enquanto resolvia assuntos noutra ala do hospital. O médico respirou fundo, olhou para os lados e decidiu. A Tamires anda muito estranha nos últimos tempos. Eu não comprei esta história de produção independente. Eu preciso descobrir o que ela esconde.

Com as mãos ligeiramente trémulas, abriu a bolsa da enfermeira. vasculhou com cautela até que os seus dedos tocaram em algo inesperado, uma fotografia. Puxou o papel e quando os seus olhos se fixaram na imagem, a sua respiração tornou-se pesada, quase parando. Era uma foto simples, mas devastadora. Nele, Tamiri sorria e ao seu lado estava um homem, um homem que Emanuel conhecia muito bem.

Ergueu os olhos lentamente, voltando-os para a cama do quarto 208. Lá estava Ricardo, imóvel em coma profundo, mas não havia como negar. Ele era o mesmo homem da fotografia. O médico sentiu o coração acelerar, o corpo estremecer. Meu Deus! Tamire sorrindo ao lado de Ricardo. Como é possível? Mas antes de revelar a ligação da enfermeira com aquele homem misterioso e o motivo pelo qual tantas enfermeiras do hospital engravidavam de forma inexplicável, ao aproximar-se do doente em coma, aproveite já para clicar no botão gosto, subscrever

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No hospital, o Dr. Emanuel ainda estava em choque. A fotografia encontrada dentro da mala de Tamires tinha mexido com ele de uma forma que não conseguia explicar. Tentando disfarçar a ansiedade, pegou rapidamente no telemóvel e tirou uma fotografia da imagem, guardando o registo na galeria antes de colocar a foto de volta, no mesmo local onde a encontrara.

 Não queria levantar nenhuma suspeita. Instantes depois, já ouvia os passos da enfermeira pelo corredor. Fechou a bolsa, respirou fundo e tentou recuperar a calma. Tamires entrou no consultório e encontrou o médico pálido com a expressão dura. Aconteceu alguma coisa, doutor? Algo de errado com o Ricardo? Perguntou, colocando a mão sobre o barriga de grávida, como se já se preparasse para receber uma má notícia.

Mas Emanuel não queria confrontá-la de imediato. Negou com a cabeça e respondeu de forma controlada: “Não, nada de errado.” Fez uma pequena pausa, pigarreou e completou. Tamires, tenho algumas coisas para resolver fora do hospital hoje. Vou necessidade de passar o dia inteiro ausente. Tu e as outras meninas conseguem cuidar de tudo? A enfermeira sorriu com tranquilidade, como se aquela fosse a situação mais simples do mundo.

Mas é claro, doutor, pode ficar despreocupado. Eu, a Violeta e a Jéssica cuidaremos de tudo. Não precisa de se preocupar com nada. Emanuel apenas a sentiu, mas por dentro sentia o coração apertado. Saiu dali e foi até à sua sala. sentou-se na cadeira, pegou no telemóvel e abriu a fotografia que havia registado.

 Fixou os olhos no ecrã e murmurou para si próprio em voz baixa. Nada disto faz sentido. A Tamires não parece tão mais nova nessa foto. Ela está exatamente como hoje e a imagem parece ter sido tirada há pouco tempo. Como pode ela ter uma foto com um doente que está em coma há mais de 10 anos? Como pode aparecer aqui tão saudável? As mãos do médico tremiam ligeiramente.

 Foi então que uma recordação lhe cortou a mente como uma lâmina. Quem tinha organizado toda a transferência do doente do quarto, 208 tinha sido precisamente Tamires. Ela e só ela havia conversado diretamente com a médica Eponina. Emanuel levantou-se num salto decidido. Preciso de falar com a doutora Eponina. Só ela me pode dar uma resposta.

Sem perder tempo, pegou nas chaves, atravessou os corredores e saiu apressado em direção ao hospital onde a médica trabalhava. O coração batia acelerado, como se já pressentisse que algo muito maior estava prestes a ser revelado. Quando finalmente encontrou a médica, mostrou a foto no seu telemóvel. Doutora Eponina, este aqui é o doente que vocês transferiram para o meu hospital, certo? O Ricardo? A médica olhou para o ecrã, franziu a testa e abanou a cabeça negativamente.

Sim, lembro-me dessa enfermeira. Ela esteve aqui no dia da transferência, mas, doutor, este doente não foi enviado para o seu hospital. Ele foi transferido para outro estado. Inclusive, foi a própria enfermeira que sugeriu que não fosse para o seu hospital, dizendo que vocês estavam muito sobrecarregados. Emanuel sentiu o chão desaparecer debaixo dos pés.

Como assim? Transferido para outro hospital. Mas o doente não é este aqui da foto? Questionou quase sem ar. Eponina olhou mais uma vez para a imagem e respondeu rapidamente: “Este da foto? Não, mas claro que não. Eu nunca vi este homem antes. O paciente que seria enviado ao senhor estava debilitado, enfraquecido, músculos atrofiados.

 De forma alguma tinha esse porte físico. O médico arregalou os olhos. Cada palavra da colega confirmava o pior dos os seus pressentimentos. Ele estava perante uma fraude. Respirando fundo, falou num tom firme: “Doutora Eponina, por favor, não comente nada do que falamos com ninguém. Está a acontecer algo muito grave no hospital onde trabalho.

 Antes de qualquer coisa, preciso investigar. Só lhe peço uma coisa. Se a Tamires aparecer por aqui, avise-me imediatamente. A médica, amiga de longa data de Emanuel, assentiu prontamente. Pode ficar descansado, Dr. Emanuel, o que necessitar, estarei à disposição. De volta ao carro, a mente do médico não parava.

 Ele já tinha descoberto que todos os papéis da hospitalização do paciente 208 tinham sido assinados por Tamires. Toda a sua entrada no hospital estava sob a responsabilidade dela. Caminhando apressado pelos corredores do próprio hospital mais tarde, murmurava para si próprio, como se cada frase fosse um murro de realidade. Ela colocou outra pessoa no lugar.

 Mas porquê? O que realmente está a acontecer? Quem é este homem que está deitado no quarto 208? Parou diante da porta do quarto e respirou fundo, olhando para dentro. Lá estava Ricardo, imóvel, tão sereno, com O corpo inexplicavelmente forte. Talvez isso explique o motivo pelo qual ele tenha esse físico.

 Talvez, talvez não está em coma há 10 anos, como pensei, mas mesmo assim, já lá vão meses que está aqui. Os seus músculos deveriam estar a atrofiar e, em vez disso, parecem cada vez mais definidos. E estas gravidezes, preciso de perceber o que está a acontecer antes que eu enlouqueça. A decisão foi imediata. O Emanuel não podia mais permitir que as enfermeiras controlassem o acesso ao doente.

 Se queria respostas, teria de agir sozinho. Preciso de fazer novos exames. Exames que eu próprio administre do início ao fim, sem interferência da Tamires nem das outras enfermeiras. Não se pode confiar em nenhuma delas. Numa altura em que Tamires e as outras enfermeiras estavam a almoçar, o Dr. Emanuel aproveitou a rara oportunidade.

Sozinho, preparou o doente do quarto 208 e realizou uma TAC completa, além de uma bateria de novos exames. Quando os resultados apareceram no ecrã, o seu coração disparou. eram completamente diferentes dos anteriores. Os gráficos mostravam que o doente não estava em coma profundo, mas sim num estado semelhante a um sono pesado.

 Havia sinais cerebrais claros, pulsantes, ativos. Mais do que isso, os relatórios exibiam marcas compatíveis com exercícios físicos, como se aquele homem estivesse a movimentar-se e mantendo a vitalidade de forma constante. Emanuel levou as mãos à cabeça. Incrédulo. Mas como é isso possível? Eu próprio sei que está em coma aqui há meses.

 Como pode haver sinais tão claros de que ele tem uma vida ativa? Isso não faz sentido. A cada descoberta, a história ficava mais estranha, mais bizarra. Emanuel respirou fundo, fechou os exames e decidiu que precisava de manter aquilo em segredo até ter a certeza. Mais tarde, no seu consultório, recebeu uma visita inesperada.

 Tamires apareceu acompanhada por Violeta. As duas estavam sorridentes, apesar das barrigas de grávidas já evidentes. Doutor, vamos sair mais cedo hoje. Tínhamos comentado com o senhor ontem, lembra-se? Disse Tamires. A Jéssica vai assumir o turno e cuidar do Ricardo. Nós vamos até à cidade vizinha comprar algumas coisas para o enxoval.

 Estamos a apoiar-nos muito nesse momento de gravidezes inesperadas. Emanuel forçou um sorriso tentando disfarçar a atenção. Claro, podem ir. Fiquem tranquilas. As duas agradeceram e saíram. Entretanto, assim que as viu dobrar o corredor, Emanuel pegou nas chaves do carro e murmurou para si mesmo: “Talvez eu esteja à procura da verdade no lugar errado.

 Se eu seguir estas duas, talvez consiga descobrir o que realmente está a acontecer.” Rapidamente explicou a um colega médico que precisaria de se ausentar por algumas horas e pediu-lhe que assumisse a sua ala. saiu de seguida entrando no carro e mantendo distância suficiente para não ser notado. Vamos ver o que estas duas estão aprontando.

 Se vão mesmo comprar enxoval? Eu aposto que não”, resmungou enquanto rodava o volante. A perseguição foi longa. Dirigiu por vários minutos, mantendo sempre a tensão redobrada para não chamar a atenção dos enfermeiras. Até que finalmente o carro delas deixou a auto-estrada principal e entrou numa estrada de terra batida mais afastada da cidade.

 Emanuel franziu a testa ao ver o destino. O veículo estacionou em frente a uma casa de campo isolada, rodeada por árvores. “Mas o que é que estas duas estão a fazer aqui?”, murmurou, mantendo o carro escondido a uma distância segura. Do lado de fora, observou quando Tamires e Violeta desceram sorridentes, conversavam animadamente, trocavam olhares cúmplices, como se estivessem aliviadas por ali chegarem.

 Seguiram até à porta da casa, abriram-na com naturalidade e entraram. Eu sabia. Não tem nada a ver com enxoval. Estas duas estão escondendo alguma coisa e algo me diz que tem a ver com o doente do quarto 208. Durante alguns minutos, pensou em esperar do lado de fora, observando até que elas saíssem, mas logo abanou a cabeça decidido.

Se eu ficar aqui parado, talvez não descobrir nada. E pode ser que eu nunca mais ter outra oportunidade como esta. Tenho que chegar mais perto. Desceu do carro lentamente, sentindo o coração bater com força dentro do peito. Cada passo em direção à casa parecia ecoar na sua cabeça.

 Aproximou-se da parede lateral com cuidado, até que um som o atingiu em cheio. Risadas. Algumas eram facilmente reconhecíveis, como as de Tamires e Violeta, mas no meio delas havia outras vozes masculinas, fortes, descontraídas. Emanuel arrepiou-se. Será que é aqui que estão os pais das crianças? Será que tudo o que pensei sobre o doente do 208 estava errado? Com cautela, foi até à janela mais próxima.

 A cortina estava apenas semi-aberta, deixando uma pequena fresta por onde pôde espreitar. E o que viu quase o fez cair para trás. Dentro da sala, Tamires e Violeta estavam sentadas rindo enquanto conversavam com dois homens. Mas não eram homens comuns, eram gémeos, dois homens idênticos. E mais assustador ainda, eram cópias exatas do doente do quarto 208.

Emanuel levou a mão à boca, sufocando um grito. Mas como? Como é possível? Quem? Quem são estas pessoas? Recuou um pouco, tentando perceber o que os seus olhos viam, mas as vozes do lado de dentro prenderam-no ao chão. Um dos homens, o que estava mais próximo de Tamires, falava num tom irritado. A gente precisa de arranjar um jeito de acabar logo com isso.

 Não aguento mais esta vida de ficar a revesar assim. É perigoso. Logo vamos ser apanhados. O outro, sentado mais ao fundo, concordou com a mesma voz forte. e semelhante. Isso mesmo. Não dá mais para sustentar essa farça. Estas entradas e saídas no hospital estão a tornar-se insustentáveis. Como disse o meu irmão, mais cedo ou mais tarde seremos apanhados. E depois quero ver.

Tamires, tentando manter a calma, respondeu rapidamente. Calma. A gente está cuidando de tudo. Eu, a Violeta e a Jéssica. Não tem hipótese de alguém descobrir o que estamos a fazer. É isso? Ou acabamos todos presos? Emanuel sentiu um arrepio percorrer o seu espinha. Estava certo. Havia algo de ilegal sendo ali tramado.

 Foi nesse momento que o primeiro homem, o mais agitado, ergueu a voz com raiva. O problema é continuar e no fim ir nós seis presos. Foi exatamente nesse momento que o Dr. Emanuel percebeu que estava prestes a descobrir tudo aquilo que martelava em sua mente há tantos meses. Tamire aproximou-se do homem de semblante cansado e colocou a mão no ombro dele, dizendo em tom firme: “Arthur, não há nada a fazer.

 A gente não teve outra hipótese. Se não tivéssemos feito isso, nós todos já estaríamos presos de qualquer maneira. Artur deu um passo atrás, afastando-se de Tamires. Caminhava de um lado para o outro, como alguém exausto de carregar um peso insuportável. Eu sei, Tamires, eu sei. Mas olha, eu não aguento mais dormir naquela cama de hospital. Aquilo é um inferno.

 Está destruindo a minha vida. O outro homem também se exaltou, cruzando os braços e falando com voz firme. É verdade, o mano tem razão. Aquela cama é horrível. Nesse momento, a Violeta aproximou-se do segundo homem, passou-lhe a mão no rosto e acariciou-o com ternura. Ah, Afonso, meu amor, sabes que cama de hospital é mesmo assim, mas nós também nos estamos a sacrificar, trabalhando dia e noite naquele lugar para garantir que ninguém descobre que vocês não estão em coma coisa nenhuma.

A cada palavra, Emanuel ficava mais confuso. Observava escondido, com o coração a bater forte. Vocês? Mas como assim? O doente do 208 está lá. Eu vi antes de sair. Ele ficou com a Jéssica. Como estão a falar como se fossem o doente do 208, isto não faz qualquer sentido. Pensou quase sem ar. Foi então que Tamires, com voz baixa, mas firme, completou.

Calma, é só por mais umas semanas. Eu já estou a planear tudo. Vou conseguir o medicamento para fingir a morte do Ricardo. Assim poderemos todos mudar para o estrangeiro e recomeçar do zero. Sem mais ameaças, sem mais farças. O médico sentia as pernas fraquejarem, mas não ousava mexer-se. As conversas continuaram.

 Algumas falas eram pormenores corriqueiros, como a rotina no hospital. Outras, porém, eram revelações tão chocantes que deixavam Emanuel Zonzo. Passado um tempo, Tamires bateu palmas ligeiramente e disse: “Está na hora de ir. Um de vós precisa voltar connosco e trocar com o Ricardo. Quem vai ser?” Artur respirou fundo, resignado. “Podeixar que eu vou.

 Eu vou junto de vocês. Percebendo que estavam prestes a sair, Emanuel correu de volta até ao carro, entrou rapidamente e se baixou-se, mantendo os olhos fixos na porta da casa. Viu quando Tamires, Violeta e Artur abandonaram o local e seguiram em direção ao hospital. Dentro do carro, Emanuel começava a juntar as peças. Se estão a fazer esse revesamento, então não são apenas gémeos.

 São trigémeos. Mas porquê? Por que razão estão fazendo isso? Apertou o volante com força, respirando fundo. Bem, ainda não sei o motivo, mas seja qual for, isto precisa de parar agora. Vou voltar ao hospital e acabar com toda a essa farça. Tamires, as outras enfermeiras e estes rapazes, todos terão que se explicar. Ah, se terão.

Sem perder tempo, ligou o carro e acelerou, seguindo em direção ao hospital. Pouco depois, pelos fundos do prédio, a Tamires, a Violeta e o Artur já se aproximavam, entrando discretamente por um corredor de acesso restrito. No mesmo instante, no interior do quarto 208, Jéssica olhou para o telemóvel e leu uma mensagem curta. Os seus olhos brilharam.

Está na hora”, murmurou. Voltou o olhar para Ricardo, que estava deitado na cama imóvel. Aproximou-se, deu dois passos até ao porta, olhou pelo corredor para se certificar-se de que ninguém vinha e, em seguida, trancou a porta por dentro. Em questão de segundos, começou a agir com a destreza de quem já tinha feito aquilo antes.

 Retirou os aparelhos que supostamente mantinham Ricardo vivo, desligando-os um a um. Pegou numa seringa e encheu-a com um líquido transparente, adrenalina. sem hesitação, aplicou no braço do doente. O corpo de Ricardo reagiu quase de imediato. Os seus olhos se abriram lentamente. A respiração acelerou e ele começou a despertar. Ainda grogue.

 Do lado de fora, Tamires, Violeta e Artur caminhavam apressados pelo corredor das traseiras. Vamos depressa. A Jéssica já começou o procedimento”, – disse Tamires com o tom de voz urgente. Não perceberam que alguns metros atrás Emanuel seguia-o silenciosamente, escondendo-se nas sombras, atento a cada passo.

 Ao chegarem ao fim do túnel de serviço, bateram algumas vezes numa porta discreta, quase camuflada na parede. A porta abriu-se e revelou Jéssica com Ricardo já de pé. ainda vestindo roupa de hospital e um pouco atordoado pelo efeito da injeção. De longe, Emanuel observava a cena e murmurava em choque. Então, são mesmo trigémeos. O Artur não perdeu tempo.

Vamos trocar logo de roupa e ponham-me para dormir rapidamente. Quanto mais cedo isto acabar, melhor. Entraram no quarto pela passagem secreta, organizando tudo para a troca. Ricardo vestia agora a roupa de Artur, enquanto Artur, com a roupa hospitalar preparava-se para se deitar no lugar dele e receber uma nova dose.

 A Jéssica já segurava a seringa, pronta a aplicar a injeção, mas antes que pudesse atuar, o porta foi escancarada. O Emanuel entrou com tudo, com a voz firme e carregada de fúria. Parem já com isso, quietos. Ninguém vai dormir antes de eu saber exatamente o que está a acontecer aqui. O quarto congelou.

 Tanto as enfermeiras grávidas como os dois homens misteriosos ficaram pálidos de susto. O ar pareceu parar. O segredo que vinham guardando com tanto afinco durante tantos meses acabava de ser desmascarado. Andem, contem-me o que está a acontecer aqui. Digam-me agora se não quiserem que eu chame a polícia. Soltou o médico Emanuel com a voz cortante, enquanto cruzava os braços e fitava os cinco na sala, exigindo respostas.

 Durante alguns segundos, houve apenas o silêncio pesado do quarto. Assim, para surpresa do médico, Tamires desabou aos pés dele e se ajoelhou, puxando as mãos para o rosto e implorando com tudo o que tinha. Por favor, não chame a polícia. Por tudo o que é mais sagrado, não deixa que sejamos presos, doutor”, disse ela, tremendo os olhos suplicantes.

Nesse momento, a Violeta, a Jéssica, o Artur e até o Ricardo, ainda meio grog por ter sido acordado, também se ajoelharam. As mãos de todos se entrelaçavam, gestos de súplica que deixavam a cena ainda mais desconcertante. As vozes uníssonas pediam piedade. Mas Emanuel, com a paciência no limite, levantou a voz com autoridade.

Levantem-se todos. Eu quero saber o que está a acontecer aqui e quero saber imediatamente, falou ele sem hesitar. Tamires respirou fundo, conteve o choro e, finalmente recomeçou a falar, como se um filme voltasse à sua mente e cenas voltassem a projetar-se. “Está certo, doutor, vamos-lhe contar”, disse ela num fio de voz.

 E como num flashback que lhe invadia a cabeça, as as memórias começaram a cair como peças de um puzzle. Tamires viu novamente a cena de meses antes. Eles todos juntos no carro naquela madrugada. Ela lembrava-se do barulho do motor, do riso alto dos amigos e da estrada estreita que cortava a mata. lembrou-se de estar sentada atrás ao lado de Artur com Violeta e Afonso por perto.

 Ricardo conduzia e Jéssica estava no banco do boleia com a voz estridente brincando sobre a música. De repente, a memória prendeu-se em ruído e num grito. Ricardo, cuidado! Gritou Tamires e o pânico instalou-se. Todos na memória voltaram o olhar para a frente. Tarde demais. Um estalido seco, o impacto, o corpo lançado.

 Ricardo travou com força. O carro chiou. Todos saíram do veículo apavorados e correram para ver o que tinha acontecido. O que é que eu fiz? O que fiz? Repetia Ricardo, as mãos na cabeça, o rosto pálido de pavor. Artur, com a respiração curta, tentou consolar. “Não foi só culpa sua. Todos nós tivemos culpa”, disse ele.

 Tamires e Violeta, que já tinham formação de enfermagem, correram imediatamente para verificar a vítima caída. Encontraram um homem com uma máscara de bandido e uma bolsa, sinais de que tinha acabado de cometer um roubo. Afonso, apreensivo, perguntou: “Então, como é que ele está?” Com a voz trémula, Tamires, conferindo sinais vitais, sentiu o mundo girar ao responder.

Ele está morto. Morto? Disse ela. O desespero tomou conta. Ricardo começou a repetir que seria preso, que aquilo acabaria com as suas vidas. A Jéssica tentou aliviar o medo com uma explicação. Calma lá, nem tudo está perdido. Foi um acidente. Ele passou a correr na frente do carro. falou ela, tentando encontrar uma saída plausível.

 Ricardo, sem saber como provar a versão que Jéssica sugeria, perguntou aflito: “Mas como vamos provar isso?” E foi então que uma ideia surgida na cabeça de Tamires fez com que o grupo prendesse a respiração. Ela falou tensa, mas objetiva. Malta, este gajo é um criminoso. Nós não podemos ir presos por isso. Vamos ocultar o corpo.

 Estamos numa estrada deserta. Ninguém vai passar por aqui. É o único jeito”, disse ela com os olhos a flamejar com a decisão fria. Violeta, tomada pelo mesmo medo e sentimento de proteção do grupo, concordou com firmeza. “Também acho que é a única saída. Estamos todos nisto juntos. Não podemos ser presos, nem deixar que o Ricardo pagar tudo sozinho, afirmou ela. E assim fizeram.

 Com passos trémulos e mãos sujas, ocultaram o corpo na mata próxima, enterrando o que podia mandar todos para a cadeia. Por mais de uma semana viveram acreditando que tinham escapado, mas logo a notícia veio pela televisão. O corpo fora encontrado. A polícia iniciou uma investigação e provas começaram a apontar cada vez mais para perto deles.

 O o medo cresceu, as noites tornaram-se pesadelos. Neste clima de pânico, O Ricardo tomou uma decisão drástica. reuniu a namorada, os irmãos e as namoradas dos irmãos e falou com voz firme: “Não é justo que seis vidas sejam estragadas. Eu estava ao volante. Vou assumir a culpa. Refleti muito e não vou deixar-vos serem presos”, disse com a voz cheia de decisão.

 Tentaram debater, insistiram, mas Ricardo manteve-se irredutível. Dizia que sofreria o tempo necessário para proteger os outros. E assim, por um tempo, o acordo parecia selado. Foi então que Tamires, ainda antes da transferência do doente em coma da doutora Eponina e da prisão definitiva de Ricardo, encontrou documentos que pediam a sua realocação.

 Ali enxergou uma oportunidade e num impulso que misturava desespero e frieza calculista, concebeu a ideia mais ousada e também a mais sombria de todas. Se revesarmos o corpo, se os trigmeos fingirem que é o doente, talvez ninguém vá preso. Podemos continuar a nossa vida normal até dar um maneira de desaparecer.

 A polícia não vai prender um homem em coma. É uma hipótese de não só o Ricardo, mas todos nós ficarmos livres. pensou ela, articulando mentalmente o plano. Naquela noite de conspiração, a ideia tornou-se plano, fazer com que o doente da doutora Eponina fosse para outro lado, enquanto Ricardo assumiria o seu lugar.

 O plano era louco, mas tinha funcionado até ali. Tamires tinha conseguido que o doente da doutora Eponina fosse transferido para outro hospital, enquanto Ricardo simulava um acidente. Com a ajuda de medicamentos surrupados por Tamires, ele parecia estar em coma. Assim, ao invés de ir para a cadeia, ficaria internado. Como Tamires e Violeta já trabalhavam no hospital, bastava incluir a Jéssica, que também estava a terminar a formação.

Juntas, as três tornaram-se cúmplices, revesando os trigémeos no leito e ocupando-se de toda a encenação. A papelada, os relatórios, toda a burocracia ficava nas mãos de Tamires. Assim, o Dr. Emanuel nunca suspeitaria. Mas havia um pormenor que nenhuma delas prevra. Ao ficarem tão próximas dos namorados, acabaram por engravidar todas as três. E isso, isso levaria o Dr.

Emanuel a investigar. De volta ao presente, ao ouvir toda a verdade, Emanuel arregalou ainda mais os olhos. Mas isto, isto é tudo uma loucura? É um absurdo”, exclamou a voz embargada. Ricardo, já se recuperando da sedação, ergueu o rosto e respondeu com firmeza. Uma loucura, mas é a verdade. A gente se ama, doutor, todos nós.

Tamires, com lágrimas nos olhos e a mão sobre a barriga, acrescentou: “Nós amamos-nos e acabamos por cometer um erro atrás do outro até virar esta bola de neve, mas não podemos ser todos presos. Isso acabaria com as nossas vidas. Além do mais, agora somos nove. Ela acariciava a própria barriga de grávida, lembrando que três novas vidas estavam prestes a nascer.

 Emanuel respirou fundo e abanou a cabeça. O que não pode é continuar com esta farsa. Isto compromete a integridade do hospital. Com decisão, pegou nas chaves de Tamires, trancou a saída secreta e depois rodou a chave na porta do quarto, deixando todos os apavorados. “O que é que o senhor vai fazer?”, perguntou a Jéssica, apavorada.

 O doutor respondeu firme: “Vou buscar uma pessoa e fazer o que está certo. Enquanto isso, vocês ficam aqui. Não sair ou será pior.” O silêncio tomou conta da sala quando Emanuel abandonou o local. Eles acreditavam que dali a instantes voltaria com a polícia. O coração de cada um batia acelerado, quase saltando do peito.

Pouco depois, a porta abriu-se. Os cinco sustiveram a respiração, mas para surpresa geral, o Emanuel não estava acompanhado de polícias. Ao lado dele, surgiu um homem idêntico a ele, mas trajando um fato elegante. Os olhos dos presentes se arregalaram. Emanuel falou: “Solene. Este é o meu irmão gémeo, Eustácio.

É advogado, um dos melhores do país e vai tratar do vosso caso. Vamos resolver esta história de uma vez por todas.” O choque deu lugar ao alívio. O doutor não os entregaria. Ele não concordava com o que tinham feito, mas também não queria destruí-los. Eustácio ouviu cada pormenor da história, estudou o caso com calma e chegou a uma conclusão.

 O melhor caminho seria manter Ricardo como o único responsável. O que havia acontecido depois, a farça no hospital deveria ser esquecido. No tribunal, a narrativa mudou. Alegaram que Ricardo não tinha visto o criminoso se aproximar, que o homem passou a correr em frente ao automóvel. O desespero fê-lo esconder o corpo sozinho, mas pouco depois confessou com bons antecedentes, residência fixa e sendo réu primário, Ricardo, acusado apenas de ocultação de cadáver, foi condenado a 2 anos de prisão. Mas graças ao talento de

Eustácio, a pena foi convertida em serviços comunitários. No final, os trigémeos e as enfermeiras ficaram eternamente gratos ao médico e ao seu irmão advogado. O Emanuel olhou para eles e disse com firmeza: “Lido todos os dias com pessoas presas nos seus próprios corpos, presas a uma cama.

 Eu podia evitar que vocês ficassem presos numa cadeia e foi isso que fiz. Mas aproveitem bem esta segunda-feira acaso, vivam de forma correta e cuidem muito bem destas crianças que estão para nascer. As palavras do médico ecoaram como um alerta e, ao mesmo tempo, como um conselho paternal. Meses depois, as três enfermeiras deram à luz.

 Uma grande festa foi organizada para celebrar a chegada dos bebés. O salão estava cheio de sorrisos, lágrimas de emoção e promessas de um futuro melhor. Emanuel e A Eustácio participaram na comemoração como parte da família que, de forma torta e improvável se tinha formado. E assim, redimidas, as enfermeiras e os trigmeos construíram um novo capítulo de as suas vidas.

 O passado não podia ser apagado, mas o futuro estava diante deles, repleto de responsabilidades, mas também de esperança. Comente, Dr. Emanuel, e diga-me achou a decisão dele correta ou não, para eu saber que chegou até ao final desse vídeo e marcar o seu comentário com um lindo coração. E se gostou desta história, tenho a certeza que vai gostar ainda mais da próxima que está aparecendo agora no seu ecrã.

 Não se esqueça de deixar o seu gosto, hypar o vídeo e também comentar. Um grande beijinho e até à próxima história emocionante.