Ronaldinho Gaúcho fica em choque ao ver vendedora idêntica à sua ex-esposa!

Ronaldinho Gaúcho fica em choque ao ver vendedora idêntica à sua ex-esposa! 

Ronaldinho Gaúcho fica em choque ao ver vendedora idêntica à sua ex-mulher. Essa história começa num lugar onde ninguém imaginaria encontrar uma ligação tão profunda com o passado. Um vilarejo escondido entre montanhas, onde o tempo parece passar mais devagar, e as pessoas ainda vivem da terra, dos costumes simples e do olhar direto nos olhos.

Ronaldinho Gaúcho, famoso no mundo inteiro, decidiu passar ali uns dias longe dos holofotes. Ele precisava respirar longe da fama, longe da pressão. Não contou a ninguém, pegou o carro e simplesmente conduziu. Queria silêncio, queria paz, mas encontrou muito mais do que isso. A estrada de terra estava molhada da chuva que tinha caído no dia anterior.

 As nuvens ainda cobriam o céu, deixando o ar pesado e húmido. Ronaldinho vestia um fato escuro e elegante. Mesmo assim, caminhava com passos tranquilos pelo chão lamacento da feira do povoado. O seu olhar curioso passeava entre as bancas de fruta, legumes e hortícolas. Mulheres sorridentes ofereciam os seus produtos com carinho.

 Era um forte contraste com tudo o que ele estava habituado a ver. Mas naquele momento era exatamente o que ele precisava. E então aconteceu. Ele parou, o tempo pareceu gelar. Ali, sentada atrás de uma simples banca de madeira, uma mulher organizava folhas verdes dentro de uma bacia azul. Ela usava uma blusa roxa de tecido artesanal.

 Seus cabelos eram longos, pretos e soltos, caindo pelos ombros com naturalidade. Mas o que mais chamou a atenção dos Ronaldinho foi o rosto dela, um rosto que conhecia muito bem. O seu coração disparou. Os seus olhos não conseguiam acreditar. Aquela mulher era a cópia exata de Priscila, a mulher com quem foi casado há quase 20 anos, a mulher por quem chorou, por quem sofreu calado e que um dia desapareceu da sua vida sem explicações claras.

 A mesma mulher que nunca conseguiu esquecer. A mesma que povoava os seus sonhos em silêncio. Ronaldinho ficou imóvel, não conseguiu dar mais um passo. As suas mãos suavam. Ele tentou sorrir, mas a sua expressão estava completamente tomada pelo choque. Ele olhava para ela e a sensação era de que o passado tinha regressado de repente, sem avisar.

 E o mais estranho de tudo, ela não pareceu reconhecer. Lô continuou organizando os legumes com calma, como se fosse apenas mais um cliente a passar por ali. Outras pessoas ao redor começaram a notar a sua presença, mas respeitavam o seu espaço. Apenas o observavam de longe, mas havia uma mulher mais velha parada na banca ao lado, que o fitava com um olhar carregado de tensão, como se ela soubesse quem ele era, como se ela soubesse exatamente o que estava acontecendo.

 Ronaldinho não conseguia pensar direito. Uma mistura de confusão, a saudade e a ansiedade invadiam-no por dentro. Respirou fundo e, sem saber o que iria dizer, começou a caminhar lentamente até à mesa onde aquela mulher estava. Ele precisava de saber, precisava compreender, precisava de descobrir quem era ela e por ela era idêntica, a única mulher que ele amou verdadeiramente.

Ronaldinho aproximava-se lentamente, cada passo mais pesado que o anterior. Não era medo, era outra coisa. Era como se o tempo o puxasse para trás, para memórias que pensava já terem sido enterradas. E à medida que se aproximava da banca, o som em redor parecia desaparecer. O burburinho do mercado, os gritos das vendedoras chamando os clientes, até ao barulho do vento entre as montanhas, tudo desaparecia.

 Restava apenas ela, aquela mulher sentada com um ramo de coentros nas mãos, com os olhos serenos e a expressão de quem nunca viveu nada fora dali. Parou mesmo em frente à banca, o olhar fixo no dela e só então ela o notou de verdade. Bom dia. Desejo alguma coisa? A voz, aquela voz era suave, baixa, mas com o mesmo timbre que ele lembrava-se tão bem. Não havia dúvida.

Ronaldinho sentiu um arrepio subir pela espinha. O seu estômago se revirou. Ele queria perguntar, queria dizer: “Priscila, és tu?” Mas algo impediu. Talvez o medo de estar errado, ou talvez o medo de ter razão. “Bom dia,” respondeu tentando manter a calma. Só estou a olhar. Ela sorriu gentil, mas distante, como se ele fosse apenas mais um dos muitos rostos que passavam por ali todos os dias.

 Isso confundiu ainda mais, porque aquele sorriso era igualzinho ao que via depois dos jogos, quando ela o esperava em casa, quando a vida parecia simples. Antes da fama o engolir por completo, olhou em redor, tentando perceber onde estava. as montanhas, os rostos em redor, tudo era tão diferente do mundo que conhecia. E, ao mesmo tempo, ali diante dele estava algo ou alguém que representava tudo o que perdeu.

 “És daqui?”, ele arriscou num tom casual, mas com o coração disparado. “Nasci aqui mesmo”, respondeu ela, ainda com aquele sorriso tranquilo. “Nunca saí destas montanhas”. A resposta foi como uma faca. Priscila era de Porto Alegre, era urbana, não conhecia a vida no campo. Mas e se tivesse mudado tudo? E se tivesse recomeçado aí com outro nome, com outra história? Era possível.

 Qual o seu nome? Ela hesitou um segundo. O meu nome é Lúcia. Ronaldinho franziu o sobrolho. Não era o nome dela, mas os olhos, os gestos, até a forma de mexer no cabelo. Era impossível não ver ali Priscila. Atrás dela, uma mulher mais velha observava tudo com atenção, a mesma que já estava de olho desde que ele chegou.

 E quando Ronaldinho olhou para ela, ela desviou o olhar rapidamente, como quem guarda um segredo. Ronaldinho voltou o olhar para Lúcia e depois, com a voz mais sincera que conseguiu tirar do peito, perguntou: “Já nos vimos antes?” A Lúcia segurou o sorriso. Os seus olhos brilharam por um instante, mas não respondeu de imediato.

A Lúcia não respondeu de imediato. Seus olhos mantiveram-se fixos nos dele por alguns segundos, como se procurasse algo, um rasto de recordação, talvez, ou uma confirmação silenciosa de que aquele momento estava realmente a acontecer. Ronaldinho manteve o olhar firme, mas por dentro tudo tremia.

 Ele não era o mesmo homem de antes, nem ela parecia a mesma mulher, mas algo entre ainda estava viva. Não sei acho que não respondeu ela, baixando os olhos para o molho de coentros nas suas mãos. Atendo aqui tanta gente, os rostos vão e vem. Mas aquela resposta não foi convincente. Ronaldinho sentiu. Não era apenas um não, era um escudo, uma barreira colocada com cuidado, como quem tenta proteger algo que não quer que seja descoberto.

 Ele conhecia aquele tipo de silêncio e, mais do que isso, conhecia aquele brilho nos olhos. Você tem um ar familiar”, insistiu com a voz mais baixa, quase como se estivesse falando consigo mesmo. “Faz-me lembrar alguém que conhecia há muito tempo.” A Lúcia não respondeu, apenas continuou a organizar os vegetais, mas com movimentos mais lentos agora, como se cada folha tocada fosse uma forma de ganhar tempo, evitar um passado que talvez não estivesse pronta para revisitar.

 O clima em redor mudou. A mulher mais velha da banca ao lado, que antes apenas observava discretamente, franzia agora o senho, inquieta, e Ronaldinho reparou. Sentiu que havia ali algo, algo não dito, mas muito presente. Aquela mulher sabia de alguma coisa e não era coisa pouca. “Você mora aqui há muito tempo?”, perguntou, tentando juntar peças.

 A Lúcia levantou os olhos. Desde sempre que aqui nasci e cresci. Esta feira é a minha vida. Mentira. Ele sabia ou queria acreditar que era mentira. Priscila nunca falava com sotaque do interior, nunca cortava o final das palavras. Mas agora ali na frente dele, aquela mulher que dizia se chamar Lúcia era a cópia exata daquela que ele amou.

 Até o modo de inclinar a cabeça quando tentava desconversar era igual. Tem filhos? Perguntou de forma direta, sem pensar. A Lúcia travou. A pergunta apanhou-a desprevenida. Seus olhos piscaram duas vezes. Respirou fundo antes de responder. Tenho sim um filho. Por quê? Ronaldinho engoliu em seco. A respiração ficou presa no peito.

 A mente acelerava, mas o corpo estava paralisado. Ele sentiu que algo estava prestes a explodir por dentro. A última vez que viu Priscila, esta estava grávida, mas nunca soube se aquele filho era dele. Ela desapareceu antes de contar e agora diante dele, uma mulher idêntica com um filho e um passado escondido entre montanhas.

 O mundo ao redor parecia ter parado. A feira continuava viva. É verdade. As pessoas compravam, vendiam, conversavam, mas O Ronaldinho só conseguia ouvir uma coisa dentro de si. O som da própria dúvida a martelar com força no peito. “Um filho, ela disse que tinha um filho.” A palavra ecoava como um raio partindo a sua memória ao meio.

A Lúcia notou o impacto que a sua resposta causou. Por um segundo, os seus olhos se suavizaram, como se ela também sentisse o peso do que acabara de dizer. Mas não recuou. continuou ali, com as mãos pousadas sobre os legumes, como se aquele simples gesto pudesse segurar tudo no lugar, o presente, o segredo, a verdade que ainda não queria ou não podia revelar.

 “Quantos anos tem?”, perguntou Ronaldinho, tentando disfarçar a tensão na sua voz. A Lúcia olhou para -lhe com calma, mas não respondeu logo. Parecia fazer cálculos em silêncio. Ou talvez recordar algo que nunca esqueceu. “Vai fazer 16”, disse ela. Enfim, sem piscar. Ronaldinho gelou. 16 anos. Era exatamente o tempo desde a última vez que viu Priscila, desde essa noite em que discutiram, desde que ela saiu pela porta e nunca mais voltou, desde que desapareceu do mapa.

 Sem deixar um bilhete, um aviso, uma pista, o seu coração disparou e o pai arriscou. A pergunta saiu quase como um sussurro. A Lúcia mordeu o lábio inferior. O seu corpo moveu-se ligeiramente para trás, como se tivesse levado um empurrão invisível, e depois desviou o olhar. Ele não faz parte da vida do menino, respondeu com frieza.

Nunca o fez. Aquilo foi como um tiro em câmara lenta. Ronaldinho teve de se apoiar-se discretamente na beira da banca. Os seus joelhos vacilaram. O peito ardia com um misto de dor, indignação e esperança, porque no fundo sabia o que aquilo significava e essa certeza aterrorizava-o mais do que qualquer outra coisa.

 Talvez, sem o saber, ele tivesse um filho. Um filho que cresceu longe dele, um filho que não sabia quem era, ou pior ainda, um filho que sabia, mas foi ensinado a esquecê-lo. Como é que ele se chama? Continuou, a voz mais baixa do que nunca. A Lúcia olhou-o nos olhos. Dessa vez demorou mais tempo a responder. O seu rosto já não escondia tanto.

 Havia dor ali. Havia história. Mateus. O nome suou familiar. Era o nome que ele e Priscila tinham escolhido uma vez quando sonharam com o futuro, quando ainda acreditavam que o amor podia sobreviver a tudo. E nesse momento, Ronaldinho teve certeza. Aquela mulher não era uma estranha. Aquela mulher era a Priscila. O nome Mateus martelava na cabeça de Ronaldinho como um trovão abafado, ecuando entre as recordações que ele sempre tentou guardar trancadas.

 Não era coincidência. Não podia ser. Aquela mulher, aquela voz, aquele olhar e agora o nome. Era como se as peças de um puzzle antigo estivessem finalmente encaixando, mas de forma lenta, dolorosa e quase cruel. Lúcia desviava o olhar, mas os seus dedos tremiam ligeiramente enquanto fingia limpar uma cebola já limpa.

 A fachada de tranquilidade começava a desmoronar-se. Ronaldinho percebeu. Havia ali algo que ela queria esconder, mas que já não conseguia controlar. O passado, quando decide voltar, não pede licença. Ele respirou fundo e, com os olhos fixos nela, soltou as palavras que guardava há anos. Você é a Priscila, não é? O silêncio que veio depois parecia pesar mais de mil respostas.

 O tempo parou de novo. O vento soprou lentamente entre as tendas, levantando ligeiramente o pano que cobria a banca dela. A Lúcia não se mexeu, não confirmou, mas também não negou. Ronaldinho deu um passo em frente. Estava mais próximo dela do que em qualquer outro momento nos últimos 16 anos.

 Os seus olhos estavam marejados, mas não deixava as lágrimas caírem. Era como se todo o sofrimento, todo o amor, toda a saudade estivessem prensados ​​na sua garganta. Eu procurei-te, Priscila. Durante anos desapareceu, desapareceu. Ninguém sabia onde estavas. Eu pensei que tivesse morrido. Aquelas palavras, ditas em voz baixa, mas com firmeza, atravessaram Lúcia como uma flecha.

 Ela semicerrou os olhos com força, respirou fundo e depois, pela primeira vez, deixou cair a fachada. “Eu precisava de desaparecer”, disse ela com a voz embargada. “Eu não tinha escolha”. Ronaldinho fechou os olhos. O peso daquelas palavras era como um murro no estômago. “Não tinha escolha?” “Eu tinha o direito a saber, Priscila. o direito de saber que estava viva, que estava grávida, que existia um filho meu no mundo.

 Ela encarou-o então com os olhos cheios de água. Não disse nada de imediato, mas a sua expressão era de dor, não de raiva, não de orgulho, mas de alguém que carregava um fardo por tempo demais. Fiz o que achei que era certo naquele momento, mas nunca foi fácil, nunca. Os dois ficaram em silêncio. Os sons da feira voltaram pouco a pouco ao fundo da cena.

 As pessoas que passavam os olhavam curiosos, sem compreender o que estava a acontecer entre aquele homem de fato e aquela mulher simples, com cheiro a terra e a verdura fresca. Mas nesse instante a Ronaldinho e Priscila, o mundo em redor era apenas ruído. A única coisa que importava era o que vinha a seguir, a verdade completa. Ronaldinho já não conseguia esconder o que sentia.

 A sua voz tremia, mas ele se mantinha de pé, firme perante aquela mulher que, durante tanto tempo, viveu apenas nas recordações. Agora ela estava ali de carne e osso, com os mesmos olhos que o tinham conquistado no passado, mas com uma história completamente diferente, escondida por trás. Você teve meu filho e não me disse nada.

 Porquê, Priscila? A voz dele saiu carregada de mágoa. Eu era jovem, sim, mas teria feito o que fosse necessário. Eu teria cuidado de vocês os dois. Eu teria enfrentado o mundo, se fosse necessário. Ela baixou o olhar. Sabia que aquele momento um dia chegaria. E sabia também que não havia desculpa que o acalmasse por completo, mas mesmo assim precisava explicar. Você não compreende.

 Naquela altura em que estava no auge. Era o Brasil inteiro em cima de si. O mundo, as festas, os contratos, a pressão dos imprensa. Não sabia se havia mais espaço para mim na sua vida, muito menos para um filho. Sentia-me invisível, O Dinho, como se eu estivesse sempre em segundo plano. Ele fechou os olhos ao ouvir aquele apelido.

 Ninguém o chamava assim havia anos. A última vez foi ela. Eu nunca te deixei de lado”, disse com firmeza. Era difícil, sim. Eu era novo e maturo, mas eu amava-te. Isso nunca mudou. Ela olhou-o com os olhos marejados. Respirou fundo. Eu sei. Mas eu não queria criar o meu filho entre flashes, aeroportos e escândalos. Eu queria dar-lhe uma vida simples, tranquila, onde pudesse correr no barro, brincar com os vizinhos, crescer com liberdade, não num mundo onde cada passo seria vigiado, onde teria de carregar o seu apelido antes mesmo de

saber o que queria ser. Ronaldinho escutava em silêncio. As palavras dela o atingiam como flechas. Parte dele compreendia, outra parte queria gritar. Era injusto. Era tarde demais para recuperar o tempo perdido. Mas ao mesmo tempo era agora ou nunca. Era ali naquele instante que tudo poderia mudar.

 “Sabe que ele tem o direito de conhecer a verdade, não é?”, perguntou com voz baixa, mas intensa. Ela sentiu com um ligeiro movimento da cabeça. Uma lágrima escorreu lentamente pelo seu rosto. “Eu sei e é por isso que precisa de ver, Lô. Hoje o coração de Ronaldinho bateu mais forte. O ar ficou retido na sua garganta. Ele está aqui? Perguntou.

 Ela apontou com o queixo para o outro lado da feira. Ronaldinho virou-se lentamente e ali, entre fruta e sacos, um jovem empilhava mangas numa caixa de madeira, alto, magro, cabelo encaracolado e um sorriso que fez o tempo parar. Era como ver-se a si próprio anos atrás, refletido no espelho. Ronaldinho ficou paralisado durante alguns segundos, com os olhos cravados naquele jovem.

 Era como ver um reflexo do passado, como se o tempo lhe tivesse devolvido uma parte roubada da sua própria história. O miúdo ria com os colegas de banca, brincava enquanto carregava caixas de frutas. tinha uma forma leve de andar, uma confiança natural no olhar e aquele sorriso, o mesmo sorriso que via nas próprias fotos dos tempos do Grêmio, do PSG, do Barcelona.

 Lúcia aproximou-se de Ronaldinho e sussurrou: “Ele não sabe quem é. Só conhece a sua história pelo que ouve dos outros, mas nunca soube a verdade.” Ronaldinho sentiu um aperto no peito. O filho dele estava ali a poucos passos e, ao mesmo tempo era um estranho, um jovem criado com outros valores, outros sonhos, longe da sombra da fama.

 Não sabia o que dizer, nem por onde começar. O medo de estragar tudo trava. E se o menino rejeitasse? E se sentisse raiva, ou pior, se fosse indiferente. Ele ele é parecido comigo? Perguntou com a voz quase embargada. Mais do que você imagina, respondeu a Lúcia com um pequeno sorriso. Mas ele também tem muito de mim.

 É teimoso, sensível, curioso e adora futebol. Ronaldinho sorriu. Um sorriso tímido, contido. Aquilo doeu. Doeu porque ele não esteve lá para ver o primeiro remate, o primeiro golo, o primeiro hematoma no joelho. Não esteve nos aniversários, nas febres de madrugada, nos boletins da escola. Era como se tivesse perdido uma vida inteira em câmara lenta.

 “Como é que eu falo com ele?”, perguntou quase num sussurro. “Como é que eu olho para os olhos dele e digo que sou o pai?” A Lúcia colocou a mão no ombro dele. Era um gesto silencioso, mas cheio de sentimento. Come. Só isso. Não precisa de se explicar de uma vez. Só se apresente. Ele é inteligente. Vai compreender com o tempo, mas precisa de te ver.

 precisa de sentir que está aqui de verdade. Ronaldinho assentiu com um ligeiro movimento de cabeça. Limpou as mãos nos bolsos do casaco como se quisesse limpar também a ansiedade. Deu um passo, depois outro. O chão parecia mais pesado a cada passada. Cada metro entre ele e Mateus parecia uma travessia. O miúdo, de costas, ainda não o tinha visto, continuava a organizar as frutas com leveza, trauteando uma melodia que Ronaldinho não reconhecia, mas que soava como infância.

 E depois, quando ele estava a menos de 2 m, o Mateus virou-se. Os olhos cruzaram-se. Por um segundo, nenhum dos dois se mexeu. Mateus ficou paralisado ao ver aquele homem bem vestido, parado mesmo à sua frente. O olhar curioso, quase desconfiado, examinava Ronaldinho de alto a baixo. Não era todos os dias que um estranho tão elegante surgia no meio da feira, ainda mais alguém com uma presença tão marcante, mas havia algo naquele rosto que lhe parecia estranhamente familiar, como um djau distante, um eco de fotografias antigas ou recortes de

jornal que por vezes via esquecidos em uma gaveta da mãe. Ronaldinho sentiu a respiração falhar. Por um instante, todo o o barulho da feira desapareceu outra vez. Só existia ele e o menino. Queria sorrir, queria dizer alguma coisa, mas as palavras não vinham. O mundo inteiro cabia naquele olhar.

 E mesmo sem nunca terem-se encontrado, havia algo de magnético entre os dois. Olá. Mateus quebrou o silêncio. Educado, mas cauteloso. Precisa de alguma coisa? A voz do miúdo so forte, com um sotaque local marcado, mas havia também uma doçura ali. Ronaldinho respirou fundo, tentando recompor-se. Sabia que não podia simplesmente despejar tudo.

 O momento era demasiado delicado para palavras irrefletidas. Olá, campeão. Desculpa parecer assim do nada. É que de certa forma vim para te conhecer. Mateus ficou surpreendido, arqueou as sobrancelhas, confuso. Conhecer-me? Mas já nos vimos antes? Ronaldinho abanou a cabeça com um sorriso tímido, quase envergonhado.

 Não quer dizer, nunca assim, de verdade. Mas eu conheço muito sobre si. Eu ouvi falar de -lo a vida toda. O menino ficou ainda mais intrigado. Olhou paraa mãe, que se aproximava-se lentamente, observando a cena com o coração apertado. A minha mãe conhece o senhor? Ronaldinho olhou rapidamente para a Lúcia, procurando apoio nos olhos dela.

 Ela sentiu-se silenciosa, mas com o rosto pálido de tensão. “Conhece? Sim”, respondeu Ronaldinho, quase num sussurro, “Mais do que tu pode imaginar.” Mateus franziu o senho, olhou para Ronaldinho, depois para Lúcia. Começava a sentir que havia alguma coisa grande a acontecer ali, mas ainda não sabia o quê. O silêncio pesou entre os três.

 Era como se todo o passado estivesse suspenso no ar, esperando-o pelo momento certo para cair. E foi quando a Lúcia, respirando fundo, decidiu intervir, aproximando-se do filho e do homem que nunca esqueceu. Lúcia parou junto do filho, colocando delicadamente a mão no seu ombro. O gesto era protetor, mas também cheio de amor e de culpa.

 Ela sabia que aquele instante era inevitável, que cedo ou tarde teria de encarar a verdade junto com Mateus. O olhar do miúdo ia da mãe para Ronaldinho e voltava tentando decifrar o mistério. “Mãe, o que está a acontecer?”, perguntou Mateus, sentindo que havia algo muito importante sendo escondido. A Lúcia fechou os olhos por um segundo, procurando coragem.

 O seu rosto revelava um conflito antigo, como se finalmente estivesse pronta para abrir a porta do passado. Ronaldinho manteve-se em silêncio, respeitando o tempo dela, mas sem conseguir disfarçar o nervosismo. “Filho”, começou ela com a voz embargada. “Eu sei que tu sempre perguntou-me sobre o seu pai e eu nunca soube como te contar. Eu tive medo.

 Medo de te magoar, medo do passado, medo de não conseguir protegê-lo de”. Mateus abriu bem os olhos. O ar parecia mais pesado, quase difícil de respirar. Ronaldinho deu um passo em frente, com o coração disparado, sentindo que aquele era o momento pelo qual esperou toda a vida. “O senhor é meu pai?”, Mateus perguntou de repente, quase sem voz, como quem prefere ouvir logo a verdade, mesmo sabendo o quanto pode doer.

 O instalou-se o silêncio, cortante. Ronaldinho não hesitou, os olhos cheios d’água, um sorriso triste nos lábios. Ele sentiu-o lentamente. Sou sim. Eu sou seu pai, Mateus. O Mateus não disse nada no início. O rosto ficou sério, quase incrédulo. Olhou para a Lúcia esperando uma confirmação.

 Ela a chorar baixinho, abanou a cabeça em sinal de sim, acariciando o rosto do filho. A feira continuava em redor, mas para eles tudo parecia ter desaparecido. O tempo parou. O reencontro que nunca aconteceu finalmente estava ali diante dos três, mas juntamente com a verdade vieram o medo, a raiva, a confusão e uma enorme vontade de compreender tudo o que havia ficado para trás.

 Mateus, ainda sem conseguir sorrir, apenas olhou para Ronaldinho com um olhar carregado de perguntas. Ele não sabia se abraçava o pai ou se fugia dali. Tudo o que sentia era uma mistura de vazio e esperança, como se uma porta se tivesse aberto a um novo mundo, um mundo que nunca ousou sonhar. Por um instante, Mateus não conseguia dizer nada.

 O seu peito estava apertado, os olhos marejados, a cabeça a girar em perguntas que se atropelavam umas nas outras. Ronaldinho sentiu o peso do silêncio do filho, mas não desviou o olhar. Ele sabia que para o Mateus aquilo era muito mais do que um encontro casual. Era como se o mundo inteiro tivesse mudado de lugar em poucos segundos.

 Lúcia, com as mãos ainda tremendo, olhava para os dois homens de a sua vida, um fruto de um amor antigo, o outro, a razão da sua coragem silenciosa todos aqueles anos. O passado e o presente se encontravam ali em carne e osso, e já não havia espaço para mentiras, para segredos, para meias verdades. Porque é que nunca me procurou? Mateus perguntou finalmente.

 A voz rouca, quebrada pelo choro contido. Eu sonhei tantas vezes em conhecer meu pai. Por que razão não esteve aqui? A pergunta foi como uma facada para Ronaldinho. Ele sentiu cada sílaba como um golpe. Respirou fundo, lutando para encontrar as palavras certas. Eu procurei o Mateus. Procurei a sua mãe por anos.

 Tentei de tudo, mas ela ela quis proteger-te deste mundo louco em que eu vivia. Eu também errei, perdi-me e Mantive-me longe, mas nunca, nunca deixei de pensar em ti, nem por um só dia. Mateus escutava em silêncio, tentando entender. As lágrimas escorriam pelo rosto, mas ele não as limpava. Era como se finalmente permitisse a si próprio sentir tudo de uma vez.

 Raiva, tristeza, alívio, curiosidade, medo, esperança. A Lúcia tocou suavemente a mão do filho. Eu fiz o que achei melhor. Meu amor, sussurrou ela com a voz embargada. Quis dar-te uma vida tranquila, longe da confusão, mas eu sabia que este dia ia chegar. E agora tem o direito de escolher como quer seguir.

 O silêncio que se seguiu foi diferente. Já não era um silêncio de dor, mas de transformação. Um silêncio em que as feridas começavam finalmente a cicatrizar. Ronaldinho, com a voz baixa, completou: “Eu estou aqui agora e não Vou-me embora mais, se não quiser.” Mateus olhou para ele, o olhar ainda desconfiado, mas com uma pontinha de esperança nascendo ali no fundo dos olhos.

 Era um recomeço possível, um primeiro passo, mesmo entre tantos escombros. Mateus ficou ali parado entre os dois, respirando fundo, tentando reorganizar tudo dentro de si. Era estranho, quase surreal ver aquele homem que conhecia só pelas notícias, pelos vídeos antigos, agora ali, a dizer que era seu pai. Ele tinha um milhão de perguntas, mas nenhuma conseguia sair.

Era como se as palavras estivessem presas na garganta. Ronaldinho percebeu isso. A experiência do futebol tinha-lhe ensinado que há momentos em que o o silêncio vale mais do que qualquer explicação. Então ele apenas se baixou ligeiramente, ficando à altura dos olhos do filho, e disse com uma sinceridade que não se via nos palcos da fama: “Eu não espero que me perdoe de uma hora para a outra, Mateus, nem que nós seja família só porque o sangue manda.

Mas quero do fundo do coração poder começar de novo, conhecer-te de verdade. E se deixar, quero fazer parte da a sua vida. Mateus sentiu o peito apertar. Olhou de novo para a mãe, procurando ali um sinal, uma segurança. Lúcia sorria com lágrimas, apertando-lhe a mão como quem pede coragem.

 Ela também sabia que aquele momento não tinha retorno. Ao redor, a feira seguia o seu ritmo, vozes, risos, cheiro a fruta madura no ar. Mas para eles era como se tudo estivesse suspenso, como se só existissem três pessoas no mundo. Mateus respirou fundo, limpou as lágrimas com o dorso da mão e tentou sorrir. Eu nem sei o que dizer. É muita coisa de uma só vez.

Sempre quis saber quem era o meu pai, mas nunca imaginei que fosse assim. Ronaldinho sorriu. Um pequeno sorriso, mas cheio de alívio. Eu também nunca imaginei, filho. Mas, às vezes, a vida atira gente para um campo que a gente não conhece e o importante é não desistir do jogo. O menino riu baixinho pela primeira vez, sentindo que aquela barreira de dor começava a desfazer-se mesmo que fosse devagar.

 “Você joga bola, Mateus?”, perguntou Ronaldinho, tentando tornar o clima mais leve. O miúdo assentiu. Jogo sim. E até que não sou mau, não. Os três sorriram juntos e, pela primeira vez, o peso do passado deu espaço a uma esperança silenciosa. O futuro incerto e novo começava a desenhar ali no meio da feira, entre sacos de fruta e folhas frescas.

 A conversa entre Ronaldinho, Mateus e Lúcia tornou-se mais suave, quase tímida, como se cada palavra fosse uma pequena ponte lançada entre mundos que durante tantos anos estiveram separados. Ronaldinho, emocionado, olhava para o filho com o orgulho contido, reparando nos detalhes. O modo como segurava a fruta, a forma de gesticular, a postura descontraída.

 Cada detalhe fazia o coração do escraque bater mais forte, trazendo flashes de um passado que ele acreditava perdido. A Lúcia, sentindo a leveza do momento, pegou num pequeno banco de madeira e ofereceu-o para Ronaldinho. Ele aceitou e sentou-se ali ao lado do filho. Por um instante, todos os calaram-se, ouvindo apenas o som distante das outras barracas e o canto de um passarinho que pousava no fio de eletricidade.

 Sabes, Mateus, quando eu era pequeno, começou Ronaldinho a tentar criar um laço. Eu também ajudava a minha mãe na feira. A gente acordava cedo, transportava caixa, apanhava fruta do pé. Às vezes não gostava, queria só jogar bola, mas hoje compreendo o valor da tudo isso. Mateus ouvia atentamente, os olhos brilhando de curiosidade.

 Era como descobrir uma nova versão de si mesmo, como se de repente tudo ganhasse sentido. Ele sorriu, um sorriso tímido, mas genuíno. E tu, mãe, nunca me contou que já conhecia pessoas famosas brincou, tentando aliviar o ambiente. Lúcia riu. Desta vez de verdade. O peso da verdade parecia mais leve agora. dividida entre todos os que ali estavam.

 Ronaldinho se aproximou-se um pouco mais, sentindo que pouco a pouco o filho baixava a guarda. “Eu sei que é tudo muito rápido, Mateus. Não te quero assustar, mas queria te convidar para, sei lá, darmos uma volta, conversar mais. Pode ser aqui mesmo. Não tem de ser nada grandioso. Só eu, tu e a tua mãe. Mateus hesitou por um momento, mas depois assentiu, sentindo que dentro dele crescia uma curiosidade incontrolável sobre aquele homem que até ontem era apenas um rosto na televisão.

 Era hipótese de reconstruir a própria história e talvez de iniciar uma nova. Os três levantaram-se, ainda meio sem jeito, e começaram a caminhar juntos pelo mercado. As pessoas olhavam, algumas reconheciam Ronaldinho e coxixavam, mas ele não ligava. Pela primeira vez em muito tempo, ele se sentia parte de algo real, de um lar. Enquanto caminhavam, Mateus começou a fazer perguntas sobre o passado, sobre as equipas, sobre os momentos bons e ruins.

 O Ronaldinho respondia a tudo, olhando para a Lúcia de vez em quando, como quem agradece silenciosamente a oportunidade de viver aquilo. O sol começou a sair por entre as nuvens, iluminando os rostos dos três enquanto caminhavam lado a lado, prontos para enfrentar o que viesse em conjunto. Enquanto caminhavam lentamente pela feira, Ronaldinho, Lúcia e Mateus foram se soltando, deixando as palavras fluírem com mais naturalidade.

 O trio parou em frente a uma banca de fruta vermelhas, onde o Mateus apanhou uma mora e ofereceu ao pai quase como um gesto de paz, um símbolo silencioso de aceitação. Ronaldinho aceitou sorrindo, sentindo aquele pequeno gesto como a primeira vitória do dia. O craque começou a contar histórias engraçadas da infância, de quando sonhava ser jogador, mas era apenas mais um menino a correr descalço nas ruas.

 Falou das travessuras, das ralhetes da mãe, do primeiro par de chuteiras que ganhou. Lúcia tudo em silêncio, emocionada ao ver pai e filho construindo pontes de memórias, mesmo que tardias. Mateus então tomou coragem e fez uma pergunta que estava a guardar desde o início da conversa. Você se arrepende-se, pai, de tudo o que aconteceu, de não ter ficado connosco? Ronaldinho respirou fundo, olhou para os olhos do filho, querendo que ele sentisse toda a sinceridade na sua resposta.

 Arrependo-me de não ter estado presente na sua vida, Mateus. Eu daria tudo para voltar atrás no tempo e fazer diferente, mas nunca deixei de amar você, nem um dia e agora tudo o que mais quero é recuperar o tempo perdido do forma que for possível. Mateus sentiu-a sentindo a dor e o carinho nas palavras do pai.

 Era uma mistura confusa de tristeza pelo que passou e esperança pelo que ainda poderia viver. Lúcia também se emocionou, tocou levemente no braço de Ronaldinho, num gesto de reconciliação, deixando claro que estava pronta para, pelo menos, tentar perdoar o passado. Os três continuaram a caminhar, falando sobre futebol, escola, sonhos e até sobre receitas de feira.

Com o passar dos minutos, a atenção foi dando lugar a uma leveza quase inédita. O Mateus começou a brincar mais. Lucriscou uma piada. Ronaldinho até ensaiou um drible com uma laranja, arrancando risos do filho. Aos poucos, a sensação era de que uma nova família estava nascendo ali entre sacos, frutas e muita história para contar.

 Não seria fácil, mas houve pela primeira vez uma verdadeira vontade de recomeçar e que mudava tudo. O tempo foi passando quase sem que se apercebessem. Ronaldinho, Lúcia e Mateus encontraram uma sombra perto do fim da feira, onde se sentaram juntos em um banco de madeira. Ali, longe dos olhares curiosos, puderam relaxar de verdade pela primeira vez.

 O ex-jogador permitiu-se tirar o casaco, ficando só com a camisa social aberta ao pescoço, como se quisesse mostrar que não era mais uma estrela distante, mas alguém comum como eles. Lúcia, aliviada, se encostou-se ao lado do filho, que, por sua vez, aproximou-se um pouco mais do pai. Era como se a distância física, tão pequena naquele momento, representasse também o princípio do fim da distância emocional que o separava há anos.

A conversa ganhou um tom mais profundo. O Mateus, ainda tímido, perguntou sobre as dificuldades do futebol, sobre as as derrotas, os dias maus, os medos que nem sempre apareciam na televisão. Ronaldinho abriu o coração, falou dos momentos de solidão na Europa, da saudades de casa, dos erros cometidos e dos sonhos que, mesmo realizados, não preenchiam todos os vazios.

 Eu sempre pensei que ser famoso resolveria tudo, confessou Ronaldinho com a voz baixa. Mas hoje vejo que o que mais importa são estes momentos aqui, simples, verdadeiros. Ter-vos por perto vale mais do que qualquer troféu. Luc apertou a mão do filho e sorriu para Ronaldinho, mostrando que também senti o mesmo. O passado não seria apagado, mas poderia ser transformado.

 O sol já começava a pôr. Tingindo o céu de laranja e dourado. Quando Mateus sugeriu algo inusitado, “E se a gente tirasse uma foto juntos? Só para guardar esse dia?” Ronaldinho sorriu largamente, o sorriso de menino que o mundo inteiro aprendeu a reconhecer. Os três juntaram-se, riram e Mateus tirou uma selfie com o telemóvel velho, captando aquele instante único um retrato de recomeço, de perdão e de esperança.

 Ali, sentados naquele banco de madeira, prometeram a si próprios nunca mais deixar o tempo passar sem dizer o que sentem, sem viver verdadeiramente. Porque às vezes o amor só precisa de uma segunda oportunidade para florescer. Depois da foto, o Mateus olhou para o pai com uma curiosidade sincera, quase infantil, e perguntou baixinho.

 Você vai voltar paraa grande cidade ou vai ficar mais um pouco? Ronaldinho sorriu e, pela primeira vez em muito tempo, sentiu que podia escolher não pelo dever, mas pelo desejo do coração. Eu vim aqui para fugir do barulho, Mateus, mas acabei encontrando o que mais procurava, vocês os dois. Se você e a sua mãe deixarem, Quero ficar um tempo, aprender sobre a vida daqui, quem sabe até ajudar na feira.

 A Lúcia riu, desta vez com alegria genuína. A ideia de Ronaldinho ajudar nas bancas de fruta parecia engraçada, mas também trouxe um conforto que ela nem sabia que tinha saudades. O trio começou a imaginar situações engraçadas. Ronaldinho a tentar negociar o preço das bananas, aprendendo a escolher a melancia mais doce, recebendo conselhos das senhoras do mercado.

 Mateus, animado, sugeriu que no dia seguinte ensinaria o pai a preparar o melhor sumo de manga da feira. Ronaldinho topou na hora, dizendo que talvez finalmente descobrisse um talento fora dos gramados. O clima entre eles era leve, cheio de pequenas promessas, como se juntos pudessem de verdade recuperar parte do tempo perdido.

 Enquanto o céu escurecia, a Lúcia chamou os dois para irem para casa. Eles seguiram juntos pela pequena estrada de terra batida, conversando sobre a música, sobre a escola, sobre os pequenos detalhes que formam a rotina de uma verdadeira família. Antes de chegar em casa, Ronaldinho parou, olhou para Mateus e Lúcia e disse: “Sei que não posso mudar o que ficou para trás, mas posso prometer que daqui para a frente Vou estar convosco, não mais como uma sombra do passado, mas como alguém de verdade presente do vosso lado.

 Se vocês me aceitarem assim, a Lúcia sentiu-a emocionada e Mateus, num impulso, abraçou o pai. Foi um abraço forte, silencioso, cheio de tudo o que nunca foi dito. Ronaldinho fechou os olhos, sentindo que finalmente aquele vazio antigo começava a preencher-se. A noite caiu, mas o sentimento de esperança era mais forte do que qualquer escuridão.

 A noite era silenciosa, cortada apenas pelo som longínquo dos grilos e pelo suave farfalhar das árvores em redor da casa simples. dentro. A Lúcia preparava um café forte enquanto Ronaldinho e Mateus, sentados à mesa, conversavam baixinho sobre futebol, sonhos e planos para os próximos dias.

 Não havia pressa, nem medo de acabar. Havia apenas o prazer raro de estar juntos, de poder viver o presente com verdade. Ronaldinho olhou para o filho, reparando no quanto já tinha crescido, nas marcas de uma vida sem luxos, mas cheia de dignidade. Mateus, por sua vez, olhava para o pai com uma mistura de admiração e curiosidade, apercebendo-se aos poucos que aquele homem, antes tão distante, também tinha os seus próprios medos, saudades e arrependimentos.

 A Lúcia juntou-se aos dois à mesa. O clima era de paz, de começo, de promessa silenciosa. As feridas do passado não tinham desaparecido, mas estavam a cicatrizar pouco a pouco, transformadas agora em pontes para o futuro. O silêncio que se instalou entre eles não era incómodo. Era um silêncio cheio de significado, de conforto.

 Antes de dormir, o Mateus fez uma última questão, olhando para os pais. Será que conseguimos mesmo ser uma verdadeira família daqui paraa frente? Ronaldinho sorriu, pegou na mão do filho e olhou para Lúcia. O que faz uma família não é o tempo nem o sangue, Mateus, é o amor que decidimos viver todos os dias. É não desistir, mesmo depois de tudo.

 E se vocês me aceitarem, quero construir essa família convosco, passo a passo, dia após dia. A Lúcia sentiu-se emocionada. Pela primeira vez em muitos anos, sentiu-se leve. Pronta para recomeçar. Mateus sorriu, abraçando os dois. Naquele momento, no pequeno silêncio de uma casa simples perdida nas montanhas, três corações decidiram dar uma nova oportunidade à felicidade.

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