RONALDINHO GAÚCHO Cala Jornalista Ateu — Sua Resposta Deixou o Brasil Sem Palavras!

Ronaldinho Gaúcho. Cala jornalista ateu. A sua resposta deixou o Brasil sem palavras. Naquela manhã de quarta-feira, o produção do programa mais visto das manhãs brasileiras preparava-se para o que parecia ser apenas mais uma entrevista a uma celebridade. O convidado do dia era Ronaldinho Gaúcho, o eterno craque que encantou o mundo com o seu sorriso, os seus dribles e o seu humildade.
O cenário era moderno, com luzes azuis suaves, iluminando o estúdio e uma plateia silenciosa, aguardando o início da transmissão em direto. Mas ninguém ali imaginava o que estava prestes a acontecer. A apresentadora principal, conhecida pelas suas opiniões fortes e a sua postura crítica perante temas religiosos, ajeitava os seus papéis enquanto olhava discretamente para o convidado que já estava sentado.
Usava um blazer azul e uma blusa clara com um colar de cruz pendurado ao pescoço, o que chamava a atenção, uma vez que nas suas falas públicas ela costumava declarar-se céptica e até mesmo provocadora quando o assunto era a fé. Com tudo pronto, as câmaras se ligaram, a vinheta de abertura rolou e em poucos segundos milhões de brasileiros estavam ligados ao vivo, prontos para ouvir Ronaldinho.
O programa começou com um tom leve. Perguntas sobre futebol, momentos marcantes da carreira, recordações do Barcelona, da seleção brasileira, da infância no sul do Brasil. Ronaldinho respondia com naturalidade, com aquele jeito tranquilo que sempre cativa. Mas após 20 minutos de conversa descontraída, algo mudou. A jornalista, com um leve sorriso, mudou o rumo da entrevista.
Sem aviso, lançou uma frase que congelou o estúdio. Você acredita mesmo em Deus, Ronaldinho? Porque para mim Deus não existe? É uma fantasia que as pessoas inventaram para se sentirem menos sozinhas. O ar ficou denso. A plateia remexeu-se nas cadeiras. Os técnicos entreolharam-se atrás das câmaras. Era como se ninguém soubesse exatamente o que fazer.
Ronaldinho, no entanto, não alterou a sua expressão. Apenas respirou fundo, manteve o sorriso no rosto e encarou a apresentadora com calma. Os seus olhos, porém, diziam tudo. Ali, naquele exato momento, algo dentro dele tinha sido tocado. Ele sabia que a resposta precisava de ir além do simples debate. Precisava de falar com o coração.
Ronaldinho permaneceu em silêncio durante alguns segundos. Não foi o tipo de silêncio constrangedor. Pelo contrário, era um silêncio firme, cheio de significado, como se estivesse escolhendo cuidadosamente cada palavra que viria a seguir. O estúdio parecia ter parado no tempo. Nem mesmo os membros da equipa técnica ousavam mover-se.
Os olhos de todos estavam fixos naquele homem, que, mesmo fora dos campos, ainda conseguia comandar o momento com presença e serenidade. Ele então se inclinou-se ligeiramente para a frente, pousou os cotovelos sobre a mesa e disse com uma voz baixa, mas cheia de convicção: “Respeito a sua opinião, mas quando diz que Deus não existe, estás a falar com alguém que deve tudo na vida a ele.
Tudo”, a apresentadora levantou as sobrancelhas, um pouco surpreendida com a firmeza da resposta. tentou interrompê-lo, mas Ronaldinho levantou a mão com gentileza, pedindo para continuar. O público respeitou. Quando eu era criança, a minha família mal, tinha o que comer. Vi a minha mãe desdobrar-se em três empregos.
Viu o pai partir cedo demais. A fé foi o que nos manteve em pé. Era ela que nos alimentava quando o prato estava vazio, o que nos dava coragem quando o mundo parecia fechado paraa gente. Depois fui crescendo e graças a Deus consegui chegar onde cheguei, mas nunca me esqueci de onde vim e nunca deixei de agradecer. Ele fez uma pausa breve, respirou fundo e prosseguiu.
Pode não acreditar, mas vi coisas na minha vida que a ciência não explica. Vi a minha mãe curar-se quando os médicos já não davam esperança. Vi portas abrirem-se do nada quando tudo parecia perdido. E mais importante, vi crianças de todo o mundo sorrirem só por causa de um golo. Isso não é só futebol, isto é propósito. E eu não acredito que isto venha só de nós.
A plateia, até então calada, começou a reagir com suspiros e olhares emocionados. A apresentadora mordeu ligeiramente o lábio, como se estivesse repensar a própria provocação. Mesmo quem a admirava percebeu que aquela pergunta tinha saído com arrogância e que Ronaldinho estava a responder não zangado, mas com a verdade que vivia no seu coração.
O craque olhou em redor e, com os olhos marejados terminou: “Tem o direito de não acreditar. Mas eu, se hoje posso sentar-me aqui com vós, é porque Deus esteve comigo em cada passo. Mesmo quando mais ninguém acreditava em mim, acreditava. E só isso já chega. A reação foi imediata. Assim que Ronaldinho terminou de falar, todo o estúdio permaneceu em silêncio por alguns instantes.
Um silêncio pesado, não de constrangimento, mas de respeito profundo. Aquelas palavras tinham tocado algo muito para além do esperado. Até mesmo a equipa técnica habituada a lidar com entrevistas todos os dias estava paralisada. Os olhos de muitos estavam cheios de lágrimas e até mesmo alguns membros da audiência se levantaram-se discretamente para aplaudir, mesmo sem saber se era adequado naquele momento.
Era como se todos os soubessem que algo de especial acabava de acontecer. “Ah, a apresentadora respirou fundo. Durante alguns segundos, pareceu procurar algo para dizer, mas não encontrava as palavras certas. Ela sempre foi vista como uma profissional firme, segura, até mesmo arrogante por alguns.” Mas naquele instante o seu expressão mudou.
Havia um ligeiro tremor em a sua voz quando respondeu: “Eu eu Respeito isso, Ronaldinho, de verdade. Eu só não esperava que falasse com tanta sinceridade.” Ronaldinho sorriu com humildade, como quem não queria vencer uma discussão, mas apenas expressar o que sente. Fez um gesto com a mão, como quem diz que estava tudo bem. “Eu não estou aqui para convencer ninguém”, respondeu ele com calma.
Só estou a falar o que vivi. A fé não se impõe. Ela nasce no coração de cada um. Mas, por vezes, a as pessoas precisam de ouvir a história do outro para lembrar que há mais coisa entre o céu e a terra do que imaginamos. Nesse momento, a apresentadora olhou para o próprio colar de cruz pendurado no pescoço.
Tocou no pendente com os dedos, como se pela primeira vez realmente o estivesse a sentir ali. Talvez fosse apenas um acessório para ela até àquele dia. Mas agora tinha outro peso. Engraçado disse ela num tom quase de confissão. Este colar aqui ganhei da minha avó. Ela dizia que Deus me ia proteger sempre, mas com o tempo eu deixei de acreditar.
Fui vendo tanta coisa errada no mundo, tanta dor, tanta mentira e comecei a achar que tudo isto era uma ilusão. Ronaldinho ouviu em silêncio com o olhar compreensivo. Não havia julgamento na sua expressão. Apenas escuta, e isso, mais do que qualquer argumento, desarmou a jornalista completamente. Ela sorriu meio sem graça e admitiu.
Mas ouvindo-te agora, percebo que talvez me tenha demasiado fechado. Talvez tenha parado de procurar. Ronaldinho respondeu então com uma das frases mais marcantes de toda na entrevista. Uma frase que dias depois se tornaria viral nas redes sociais, sendo partilhada por milhões de brasileiros. Deus nunca deixou de te procurar.
Às vezes é só a gente que se esconde. Esta frase foi como uma flecha certeira no seio da audiência. As redes sociais explodiram minutos depois da fala, com vídeos, montagens, textos emocionados e milhares de comentários de pessoas que diziam ter sentido algo inexplicável naquele momento. A partir daquele instante, o clima no estúdio tornou-se transformou completamente.
O programa, que antes era apenas mais uma entrevista descontraída com um ídolo do futebol, tornara-se um momento íntimo e profundamente humano. Não era mais sobre fama, nem sobre desporto. era sobre a vida, sobre a fé, sobre as perdas e os reencontros e, principalmente sobre aquilo que as As câmaras muitas vezes não conseguem captar, a verdade que vive dentro de cada pessoa.
A jornalista, que até então era vista como uma figura distante, quase inalcançável, desceu do seu postura fria e começou a falar de um jeito que nunca tinha feito perante o público. Ela contou com a voz ainda embargada que perdera a fé depois que o seu pai morreu num acidente de viação quando esta era ainda adolescente. Disse que se sentia traída, abandonada e que a dor que sentiu foi tão grande que prometeu nunca mais acreditar em nada que não podia ver com os próprios olhos.
Ronaldinho ouviu-a atentamente, sem interromper. Apenas a sentia com a cabeça, mostrando empatia. Quando ela terminou, o ex-jogador fez um gesto de compreensão e disse: “Eu também perdi meu pai muito cedo. Foi uma das maiores dores da minha vida. Ele era tudo para mim. E durante algum tempo eu também me revoltei.
Perguntei-me porque aquilo tinha de acontecer, porque precisamente com a pessoas, mas com o tempo fui compreendendo que algumas respostas não vêm na hora. Às vezes a vida mostra as coisas só ali à frente e quando olhamos para trás, tudo começa a fazer sentido. A jornalista observava-o em silêncio. Ela não esperava encontrar alguém com uma história tão parecida com a sua.
E menos esperava ainda que fosse justamente Ronaldinho, o alegre, o brincalhão, que mostrasse tamanha profundidade. Ronaldinho virou-se então ligeiramente paraa plateia e continuou. Há gente que pensa que só porque somos famosos, rico ou conhecido, não sofremos. Mas toda a gente sofre. Todo o mundo carrega alguma dor que ninguém vê.
E é por isso que nunca deixei de acreditar, porque se fosse só por mim, não teria conseguido nada disso. Foi Deus que me sustentou, não com dinheiro, não com fama, mas com força para continuar quando o mundo parecia desabar. Um murmúrio emocionado percorreu o estúdio. Muitos na plateia enxugavam discretamente os olhos.
Alguns apertavam as mãos dos colegas do lado. Era impossível não se conectar com aquela fala. Não importava se era religioso ou não, o que dizia Ronaldinho vinha de um lugar verdadeiro. E era exatamente isso que fazia toda a diferença. A jornalista, agora visivelmente tocada, respirou fundo e disse com sinceridade: “Fizeste-me pensar em coisas que não pensava há muito tempo.
Talvez precise de conversar com essa parte. De mim que escondi. Talvez ainda tenha fé.” Mas ela só estava adormecida. Ronaldinho sorriu de leve, sem dizer uma palavra. Não era preciso. Aquela batalha não era de argumentos, era de almas. A entrevista seguiu num tom que ninguém teria previsto. A jornalista, que antes se mostrava dura, quase desafiante, agora falava com um brilho diferente nos olhos. Algo nela tinha mudado.
Não era visível apenas para quem estava no estúdio, mas também para os milhões de brasileiros que assistiam em direto, ligados pela televisão e pelas redes sociais. Era como se Ronaldinho tivesse aberto uma fresta numa porta que ela mesma tinha trancado durante anos. Enquanto os minutos passavam, a conversa tornava-se tornava cada vez mais profunda.
Já não havia guião. As perguntas que vinham da apresentadora já não eram lidas no papel, eram espontâneas, sentidas. E Ronaldinho respondia não como um ídolo, mas como um irmão mais velho, como um amigo que já passou pela dor e encontrou uma forma de continuar. Ela perguntou. Nunca se sentiu sozinho, mesmo com tanta gente a aplaudir-te? Ronaldinho baixou a cabeça pensativo.
Demorou alguns segundos, depois levantou os olhos e disse: “Já, muitas vezes. Às vezes a solidão mais forte é quando há todos ao redor, mas ninguém realmente te conhece. Ninguém sabe o que sentes por dentro.” Eu já joguei para 100.000 pessoas e fui dormir a chorar sozinho no hotel. E é aí que entra a fé.
Porque quando está toda a gente aplaudindo-te, mas sentes-te vazio, só há uma coisa que te preenche de verdade. E não é dinheiro, não é sucesso. É saber que existe algo maior, que há alguém lá em cima que conhece cada lágrima tua, mesmo as que ninguém viu. O silêncio que se formou depois destas palavras foi denso. A apresentadora não conseguiu responder.
As suas mãos tremiam levemente. Ela tentou falar, mas a voz falhou. Era evidente que estava emocionada. A câmara por alguns segundos focou-se no seu rosto. Havia lágrimas contidas. Lágrimas que não eram de fraqueza, mas de reconhecimento, de algo que ela já tinha sentido um dia, mas tinha escondido dentro de si.
A plateia, em silêncio absoluto, acompanhava tudo como se fosse uma peça de teatro intimista e reveladora. Uma senhora na primeira fila levou a mão ao peito. Um jovem na terceira fila segurava o telemóvel com a câmara ligada, sem conseguir tirar os olhos do palco. Ronaldinho, percebendo a emoção no ar, não tentou impor-se, não usou palavras difíceis.
Ele apenas estendeu a mão e disse: “Não estou aqui para te converter. Estou aqui para lembrar que não tá sozinha. Ninguém está, mesmo quando parece.” Estas palavras desceram como um abraço invisível sobre todos os que ali estavam. A jornalista, agora com os olhos marejados, assentiu com a cabeça. Não precisava mais de argumentos.
Não havia mais confronto. Havia entrega. A emoção já tinha tomado conta do estúdio por completo, o que era para ser apenas mais uma entrevista. Com uma celebridade do desporto, era agora um momento íntimo, quase espiritual, partilhado entre milhões de brasileiros que assistiam em tempo real. As redes sociais já fervilhavam.
Excertos da fala de Ronaldinho estavam a ser recortados e publicados como vídeos curtos. Hashtag sobre a fé, a superação e até o perdão subiram para os temas mais comentados do dia. E tudo isto sem que ele levantasse a voz sem que usasse palavras demasiado bonitas. Apenas verdade. A jornalista, ainda visivelmente tocada, enxugou discretamente os olhos com um lenço que tirou da manga.
Tentou voltar ao formato tradicional do programa falando sobre a carreira de Ronaldinho, os seus títulos, a sua vida fora do futebol, mas a entrevista já não cabia na ordem do dia. Ela disse: “Ronaldinho, sempre foste conhecido pelo seu sorriso, pelo seu jeito leve, mas hoje mostrou um lado que muita gente não conhecia.
Você acredita que esta fé que tem foi o que lhe manteve-se assim, de pé, mesmo nos piores momentos? Ronaldinho assentiu lentamente e respondeu calmamente: “Foi tudo. A fé é como aquela luz que fica acesa quando apagam todas as outras. Quando o mundo vira costas, quando até você começa a duvidar de si próprio, é ela que sussurra.
Continua. Mesmo quando não vê saída, ela está ali firme. Há dia que eu acordo e pergunto-me: “Será que ainda tem propósito?” E depois, do nada recebo uma mensagem de um menino dizendo que se tornou jogador por minha causa, que saiu das drogas porque viu em mim um exemplo. Isso, isso não sou eu. Isto é Deus a trabalhar.
A jornalista fez que sim com a cabeça. Os seus olhos estavam fixos em Ronaldinho, mas agora não como jornalista em frente ao entrevistado. Era como se estivesse ouvindo um velho amigo, como se tudo ao redor tivesse desaparecido. E então ela fez uma confissão inesperada. Eu fui criada num lar religioso.
Quando criança, rezava todas as noites com minha avó. A gente ia à missa, acendia velas, fazia novena, mas depois de ela morreu, tudo isso ficou para trás. Eu me fechei, tornei-me mais dura, como se sentir menos fosse uma forma de me proteger. Mas ouvindo-o agora, deu-me vontade de reencontrar aquela parte de mim.
Ronaldinho sorriu, não com vaidade, mas com um afeto sincero. Ele não precisava de aplausos. A verdadeira vitória dele estava ali em ver que com palavras simples conseguiu tocar uma alma. “Às vezes a fé não desaparece”, disse ele. “Ela só se esconde dentro de nós, esperando a hora certa para acordar de novo. A câmara captou um plano fechado dos dois, a apresentadora com os olhos húmidos.
Ronaldinho sereno! Aquele momento sem banda sonora, sem efeitos, ficou marcado como um dos mais humanos da televisão brasileira nesse ano. A intensidade do momento seguia como uma corrente invisível que unia todos ali dentro e fora do estúdio. Não havia mais pressa, já não havia vaidade. Apenas dois seres humanos perante uma verdade que não se mede pela audiência, mas pelo que se sente no fundo do peito.
E o Brasil inteiro sentia. Cada palavra de Ronaldinho parecia ecoar na casa de quem assistia, atravessando os ecrãs e alcançando corações que talvez, como o da própria apresentadora, estivessem adormecidos há muito tempo. Ela respirou fundo, já não escondia a emoção. O tom da sua voz havia mudado completamente.
Já não era a comunicadora segura, firme, provocadora. Agora era apenas uma mulher vulnerável e honesta, tentando reconectar-se com algo que julgava perdido. “Ronaldinho, me desculpa se te ofendi lá no início”, disse ela com sinceridade. “Eu vim para cá pronta a picar, a desafiar, como sempre faço com os meus convidados.
Mas hoje calaste-me, não com raiva, não com orgulho, mas com algo que nem sequer lembrava-se que existia.” “Paz!” Ronaldinho não hesitou em responder e a sua resposta mais uma vez deixou todos tocados. Não precisa de pedir desculpa. Às vezes é preciso provocar para tirar o que está guardado. E vejam o que saiu hoje daqui.
Saiu verdade e isso é raro. Ela então sorriu agora com o rosto mais leve. Uma lágrima caiu e ela não tentou disfarçar. Deixou-o escorrer livremente, como quem já não tem vergonha de sentir. Nesse momento, uma das produtoras do programa sinalizou do fundo do estúdio que o tempo da entrevista tinha terminado, mas ninguém se mexeu, nem a apresentadora, nem Ronaldinho, nem o público.
O silêncio foi interrompido apenas pela A própria jornalista, que levantou a mão e disse: “Hoje não vou terminar com guião. Não vou fingir que isto aqui foi só mais um bate-papo, porque não foi. Foi uma conversa que eu precisava ter e, provavelmente muita gente aí em casa também.” Ela virou-se para a câmara, enfrentando milhões de brasileiros com uma sinceridade rara na televisão ao vivo.
“Talvez a fé não esteja nos dogmas, nos discursos prontos. Talvez ela esteja na simplicidade, no exemplo, no gesto. E hoje, Ronaldinho, tu me deu um exemplo. Obrigada por isso. O público que tinha passado o programa inteiro contido se levantou de forma espontânea e aplaudiu de pé. Os aplausos não eram barulhentos, mas prolongados, não eram forçados, mas profundos.
Aqueles aplausos não eram pelo jogador, eram pelo homem, pela alma que se mostrou. Ronaldinho apenas colocou a mão no coração, como fazia nos velhos tempos de seleção. Baixou a cabeça em sinal de respeito e murmurou: “Obrigado a Deus e a vocês.” Do lado de fora do estúdio, o impacto da entrevista já se alastrava como fogo em palha seca.
Milhares de mensagens começavam a inundar as redes sociais da estação do programa e de Ronaldinho. Comentários como: “Chorei com esta entrevista. Nunca vi algo tão verdadeiro na TV”. E este homem tem uma luz diferente, apareciam a cada segundo. Pessoas de todas as idades, religiões e crenças diziam ter sido tocadas por aquilo que presenciaram.
Não foi apenas uma conversa, foi um reencontro coletivo com algo que muitos se tinham esquecido. O poder da fé vivida não imposta. Enquanto isso, dentro do camarim, Ronaldinho tirava o microfone preso à camisa com a ajuda de um assistente. Estava tranquilo, como se nada tivesse acontecido de extraordinário, mas os seus olhos ainda carregavam à profundidade do que acabara de viver.
Ele sabia que não tinha ido ali para promover nada. Não estava lançando livro nem documentário. Tinha aceitou o convite apenas para conversar. Mas algo maior aconteceu. A apresentadora, ainda visivelmente abalada, dirigiu-se ao camarim. Não havia equipa de filmagem, nem câmaras escondidas. Era um momento fora do ar. Ela bateu levemente à porta e Ronaldinho abriu com um sorriso discreto.
“Posso?”, perguntou ela hesitante. “Claro que pode”, respondeu ele, como se estivesse a receber uma velha amiga. Ela entrou e sentou-se no pequeno sofá do camarim. Fez uma pausa, cruzou as mãos no colo e falou, olhando para o chão. “Sabe que mudou alguma coisa em mim hoje, não é?” Ronaldinho assentiu com um ligeiro movimento da cabeça.
Não precisava de dizer nada. Passo a vida a falar com pessoas, entrevistando pessoas importantes, políticos, artistas, especialistas. Mas hoje foste o primeiro que me fez ouvir de verdade. Eu sempre fui boa a perguntar, mas ouvir de verdade, ouvir com o coração. Isso eu tinha-me esquecido como se fazia. Aproximou-se, colocou a mão no ombro dela e disse-lhe algo simples, mas que parecia ter sido guardado para aquele momento.
A vida fala connosco o tempo todo. A gente só precisa de fazer silêncio por dentro para escutar. Ela sorriu. Um sorriso de gratidão, de libertação. Ficaram ali por alguns minutos em silêncio. E foi nesse silêncio que ela compreendeu tudo. Não era sobre religião, não era sobre quem tem razão, era sobre a humanidade, sobre presença, sobre a fé como ponte, não como muro.
À saída da estação, já fora das câmaras, Ronaldinho foi surpreendido por adeptos que aguardavam no estacionamento. Muitos não queriam apenas uma foto, queriam abraçá-lo, quiseram agradecer-lhe e vários repetiam as mesmas palavras. Obrigado, irmão. Hoje lembraste-me que Deus ainda fala connosco. Ronaldinho permaneceu ali durante quase uma hora depois do fim do programa, rodeado de pessoas que não estavam ali apenas por idolatria ao jogador lendário, mas por algo mais profundo.
Aqueles fãs não vinham pedir autógrafos com camisolas de futebol. Muitos seguravam bilhetes, fotos de família, objetos simples e diziam coisas como: “Esta entrevista salvou-me o dia”. Ou fizeste-me lembrar do que eu acreditava quando era criança. Era como se com a sua presença e palavras ele se tivesse tornado um canal de reconexão com aquilo que muita gente já tinha enterrado dentro de si. A fé.
Um senhor de cabelos brancos, com os olhos vermelhos de emoção, aproximou-se lentamente, com um rosário antigo nas mãos, apertou a mão a Ronaldinho e disse com a voz embargada: “O meu filho morreu há dois anos. Desde então nunca mais Consegui rezar. Hoje, pela primeira vez, senti vontade de fazer de novo. E foi por sua causa. Obrigado, menino.
” Ronaldinho segurou-lhe a mão com firmeza. Não disse nada. apenas olhou nos olhos do homem e sentiu-a em silêncio. Aquela troca era mais do que mil discursos. Era verdade, trocada por verdade. Do outro lado, uma adolescente com uniforme escolar aproximou-se. Tremia um pouco. Ela não conseguia esconder a timidez.
Tio, a minha mãe estava a ver o programa comigo. Ela chorou muito. A gente estava brigada há semanas. E hoje, depois do seu discurso, ela veio abraçar-me. Eu nem sei como te agradecer. Ronaldinho sorriu e mostrou-se baixou-se para ficar à altura da menina. Agradece-lhe e agradece a Deus. Eu só fui um instrumento.
A menina abraçou-o com força. Aquilo ficou gravado em vários telemóveis ao redor, mas mais importante do que as imagens era o sentimento partilhado. Ronaldinho, sem sequer planear, havia se transformado naquela manhã em algo para além do craque dos relvados. Havia-se tornado um mensageiro da paz, um catalisador de reconciliações, de recomeços.
Enquanto isso, dentro da estação, a produção do programa revia os números de audiência e não acreditavam no que viam. Os índices estavam disparados. Havia superado todas as expectativas. Mas mais do que a audiência eram os comentários, as mensagens, as cartas digitais, os e-mails. Milhares deles que surpreendiam.
Pessoas de todas as partes do Brasil relatavam que tinham parado tudo para assistir até ao fim, que cancelaram reuniões, atrasaram compromissos, porque algo em que conversa prendia, tocava, despertava. E foi então que o diretor do programa, um homem experiente e habituado com o mundo frio da televisão, disse baixinho para a sua equipa: “Hoje não fizemos só TV, fizemos história.
Enquanto Ronaldinho deixava o parque de estacionamento da emissora, acompanhado apenas por um segurança e o seu assessor mais próximo, caminhava em silêncio. Não parecia o mesmo homem que saía sempre sorridente de qualquer evento. Estava sereno, sim, mas também visivelmente tocado, como se ele próprio ainda estivesse a processar o que tinha acontecido.
Aquilo não tinha sido planeado, não tinha sido ensaiado. Tudo foi real, espontâneo e profundo. Dentro do carro, o assessor comentou: “Mano, não fazes ideia do que fez hoje?” Foi: “Foi outra coisa. Tá toda a gente falando. Jornal, internet, até político a republicar vídeo seu. Tão dizendo que a sua resposta calou o Brasil inteiro.” Ronaldinho olhou pela janela.
A cidade seguia o seu ritmo, com carros, buzinas, pessoas a atravessar as ruas apressadas, mas naquele momento para ele tudo parecia abrandado. “Não foi a minha resposta que calou ninguém”, disse -lhe com a voz calma. “Foi o silêncio que ela deixou depois.” Silêncio. Às vezes fala mais alto que qualquer grito.
O seu assessor não disse nada, apenas sorriu e olhou para o frente. Sabia que não. Era tempo de continuar a falar. Ronaldinho estava entregue ao momento, como se ainda estivesse ligado com tudo o que sentiu no estúdio. Pouco depois, ao chegar a casa, Ronaldinho foi recebido pela sua mãe, a dona Miguelina, uma mulher forte e doce, que sempre foi a sua base.
Ela abraçou-o sem dizer palavra. já sabia antes mesmo de ele abrir a porta o que tinha acontecido. Ela também assistira à entrevista e, como tantas outras pessoas nesse dia, havia chorado. “Falou com o coração, filho. Foi bonito”, disse ela enquanto preparava. “Um café”. Ronaldinho, com os olhos marejados, respondeu baixinho.
Falei por nós, mãe, por tudo o que a gente viveu, pelas noites que a senhora chorava para Deus não nos deixar passar fome por cada vela acesa em silêncio. Tudo isto estava aqui dentro e saiu. Ela pousou o café sobre a mesa e sentou-se ao lado dele. segurou as suas mãos com carinho e disse: “É por isso que é especial, porque nunca esqueceu-se de onde veio e nunca teve vergonha de dizer que acredita.
Naquele momento não havia fama, nem contratos, nem holofotes. Só uma mãe e um filho, unidos pela fé que lhes sustentou a vida inteira. E o Brasil, mesmo sem estar presente fisicamente naquela cozinha, parecia sentir tudo isso, porque a história que nasceu naquele programa ao vivo tinha saído da televisão e entrado diretamente no coração das pessoas.
Naquela noite, os noticiários de todo o país abriram com a mesma manchete, algo até então impensável para uma entrevista matinal. Ronaldinho Gaúcho emociona o Brasil com resposta sobre fé no programa ao vivo. As imagens repetiam-se em todos os os canais. O ex-jogador a falar com a alma, a apresentadora com os olhos marejados, o público em silêncio reverente.
Era como se o Brasil inteiro tivesse parado para assistir não a um jogo, não a um espectáculo, mas a um momento de verdade. Os comentadores debatiam o episódio como se fosse um acontecimento histórico. Uns diziam que o Ronaldinho mostrou uma maturidade que poucos sabiam que ele tinha. Outros destacavam a coragem da jornalista em se abrir perante de milhões, mas todos concordavam numa coisa.
Ali não se tratava de religião, e sim de humanidade. Enquanto isso, nas redes sociais, os excertos da entrevista viralizavam a velocidades impressionantes. Canais de espiritualidade, páginas de frases motivacionais, perfis de ex-jogadores, padres, pastores e até ateus estavam partilhando o mesmo vídeo. O momento em que Ronaldinho diz: “Deus nunca parou de te procurar”.
Às vezes somos só nós que se esconde. Já tinha ultrapassado os 10 milhões de visualizações em menos de 12 horas. Em muitos comentários, as pessoas contavam como aquela frase tinha sido como uma flecha no peito. Gente que estava em depressão, pessoas que tinham perdido alguém, gente que tinha deixado de rezar há anos.
De repente, todas as estas pessoas se viam refletidas naquele diálogo, não como meros espectadores, mas como parte viva daquilo. No dia seguinte, Ronaldinho foi surpreendido ao acordar. O seu telemóvel estava cheio de mensagens, algumas de amigos próximos, outras de desconhecidos, mas uma em especial o fez parar.
Era da própria apresentadora. Ela escreveu: “Obrigada por não terme julgado. Hoje rezei pela primeira vez em muitos anos e lembrei-me da minha avó. Ela dizia que Deus utilizava pessoas simples para falar com a gente. Ontem ele usou-o a si. Obrigada por ser esse instrumento.” Ronaldinho sorriu, não respondeu com palavras, apenas enviou de volta uma foto.
Um céu alaranjado visto da janela do quarto com uma legenda curta. Ele fala o tempo todo. A gente só precisa de olhar. Enquanto o mundo seguia girando, enquanto os programas de TV discutiam os pormenores e a imprensa especulava se ele se tornaria orador, Ronaldinho seguia igual, com o mesmo jeito sereno, o mesmo sorriso tranquilo.
Só que agora mais gente sabia que por detrás daquele sorriso havia um homem de fé. Um homem que, mesmo depois de sair dos relvados ainda sabia tocar multidões, não com os pés, mas com o coração. Enquanto os dias passavam, o impacto daquela entrevista não diminuía, antes pelo contrário, crescia. O vídeo completo tinha sido repostado por emissoras internacionais.
Sites de notícias da Argentina, da Colômbia, da Itália e até dos Estados Unidos destacavam a manchete com expressões como um dos momentos mais humanos da televisão recente e Ronaldinho mostra porque é amado fora dos relvados. Não era só o Brasil que estava comovido. O mundo inteiro parecia ter parado para escutar aquele homem que com poucas palavras e muita alma tinha silenciado uma jornalista ateia e tocado milhões.
E o mais surpreendente de tudo era que Ronaldinho não estava à procura disso. Não não tinha feito nenhuma preparação especial, nem procurado transformar a sua imagem. O que aconteceu foi genuíno e, por isso mesmo, tão poderoso. Em sua casa, ele tentava seguir a rotina, atendia chamadas de amigos, recusava entrevistas, evitava prestar declarações públicas sobre o episódio.
Não queria transformar algo tão íntimo em espetáculo, mas algo dentro dele também havia mudado. Ele sentia que não podia simplesmente deixar tudo como estava. Algo tinha sido despertado, algo antigo, profundo, como se o menino de fé que cresceu nas ruas de Porto Alegre estivesse finalmente a falar alto de novo.
A Dona Miguelina percebeu que mudança no filho. Durante o café da manhã, observou o seu silêncio, os olhos voltados para a janela, o pensamento longe. “Estás a pensar no que aconteceu?”, – perguntou ela com carinho. Ronaldinho. Olhou para ela, sorriu e respondeu: “Estou pensando que talvez precise de fazer mais, falar mais, não como pregador, nem como santo, mas como alguém que já caiu e levantou-se muitas vezes.
Há muita gente lá fora a sentir-se sozinha, mãe. E se eu puder ser voz para recordar estas pessoas que Deus não se esqueceu delas, então talvez seja esse o meu novo campo.” Ela segurou-lhe a mão com ternura. Filho, já é luz, só precisa de continuar brilhando à sua maneira. Naquele mesmo dia, recebeu um convite especial. Uma instituição que cuida de jovens em situação de sem-abrigo em Belo Horizonte pediu que ele fizesse uma visita.
Não era evento, não era mediatismo, era apenas um pedido. Que passasse uma tarde com os rapazes a conversar, Ronaldinho aceitou sem pensar duas vezes e quando chegou ali, o que viu foi um reflexo do que ele mesmo foi um dia. Rapazes descalços, com os olhos carregados de sonhos e dores. Não levou presentes, nem bolas, nem câmaras.
levou presença, sentou-se no chão com eles, contou histórias, ouviu, abraçou e num momento de silêncio entre risos e conversas, um dos meninos perguntou: “Tio, acha que Deus ainda olha para nós aqui?” Ronaldinho segurou o ombro do miúdo, olhou-o firme nos olhos dele e respondeu: “Ele nunca parou. Às vezes somos só nós que precisamos lembrar como olhar para ele.
Aquela resposta ecoou como oração. Notícia da visita de Ronaldinho à instituição de jovens em situação de sem-abrigo espalhou-se de forma discreta, mas poderosa. Não houve repórteres, não houve flashes, apenas algumas imagens feitas por funcionários do local, publicadas com legendas emocionadas.
Numa delas, Ronaldinho aparecia sentado no chão de cimento, rindo com três miúdos, todos descalços, como ele também já foi. Noutra, estava abraçado a um jovem que chorava, enquanto ele apenas o segurava com força, como quem dizia: “Eu sei exactamente como se sente.” Estas imagens tornaram-se virais, mas não pela fama, e sim pela verdade que transportavam.
A verdade de alguém que, mesmo tendo conquistado o mundo, nunca deixou de se lembrar quem era. E mais do que isso, nunca deixou de olhar para os outros como iguais. Foi então que uma onda inesperada começou a formar-se nas redes sociais. Pessoas comuns de todas as idades e regiões do Brasil começaram a utilizar a frase dita por Ronaldinho na entrevista como um símbolo de recomeço.
Deus nunca deixou de te procurar. Às vezes é só a gente que se esconde. Ela apareceu em t-shirts, tatuagens, murais de escolas, cartazes de igrejas, até em paredes de ruas pintadas por artistas urbanos. Sem querer, Ronaldinho lançara uma semente que florescia por si só. E quanto mais tentava manter-se discreto, mais as pessoas queriam escutá-lo.
Durante uma entrevista num programa de domingo, a apresentadora original, aquela que tinha feito a questão polémica, reapareceu, mas agora era diferente. Ela começou o programa agradecendo publicamente tudo o que tinha vivido naquele dia. Recebi milhares de mensagens, algumas me criticando, outras megradecendo. Mas o que mais me tocou foram as pessoas que disseram que, tal como eu, tinham perdido a fé e que depois dessa entrevista começaram a procurá-la de novo.
Se foi por causa do Ronaldinho ou do Deus, não sei, mas sei que nunca mais fui a mesma. Ela fez então um convite público. Queria reencontrá-lo não como jornalista, mas como alguém que desejava continuar aquela conversa. E Ronaldinho, fiel ao seu jeito simples, aceitou, mas com uma condição, que não fosse num estúdio, nem com maquilhagem, nem com guião.
Queria falar com ela do forma como a fé se manifesta, de forma verdadeira, onde as máscaras não entram. O reencontro aconteceu dias depois num humilde centro cultural na periferia de São Paulo, onde crianças e jovens se reuniam para oficinas de música e dança. Aí, sentados num banco de madeira, rodeados por crianças que tocavam tambores e ensaiavam capoeira, os dois voltaram a olhar-se.
Agora, como velhos conhecidos, ela sorriu e disse: “Vim ouvir-te de novo, porque entendi que a a fé não se aprende num livro.” “Se sente?” Ronaldinho abanou a cabeça, olhou em redor e respondeu: “Fé que aqui é gente viva, é esperança em movimento. Não precisa de estar num templo para ser sagrado.” Naquele centro cultural humilde, rodeado de crianças que brincavam e jovens que procuravam no desporto e na arte uma saída para a dureza da vida, Ronaldinho e a apresentadora viveram o reencontro mais inesperado e mais belo das suas vidas.
Já não havia formalidade. Ela estava vestida com roupas simples, cabelo apanhado, sem maquilhagem. Ele de t-shirt larga e chinelos. Nenhum dos dois transportava a imagem que o público costumava ver. Estavam ali como pessoas reais, sem personagens, sem escudos. As crianças corriam à volta, algumas reconhecendo Ronaldinho e pedindo fotos.
Sorria, tirava uma ou duas, mas voltava o olhar para ela como quem queria continuar aquela conversa do estúdio agora, num cenário ainda mais humano. Ela puxou o assunto com sinceridade. Sabes o que mais me marcou nesse dia, para além da sua resposta? Foi o forma como não me combateu. Eu te provoquei e você acolheu-me.
Eu te desafiei e tu abraçaste-me. Nunca ninguém me fez isso. Ronaldinho, com aquele olhar calmo e firme respondeu: “Talvez porque não precisava de uma resposta. Precisava de escuta. Muita as pessoas falam com dor, mas o mundo aprendeu a responder com raiva. E aí a gente vira inimigo quando na verdade está toda a gente tentando curar-se”.
Ela baixou então a cabeça emocionada e confessou: “Depois desse dia comecei a rezar de novo. No início, era apenas um sussurro, meio envergonhada, mas fui sentindo que não estava a falar sozinha. A dor que eu carregava começou a ficar mais leve. E não porque ela desapareceu, mas porque pela primeira vez em anos senti que alguém ouvia.
” Ronaldinho olhou para o céu, que naquele fim de tarde se pintava de laranja e dourado, e disse quase num sussurro: “Ele sempre ouviu, mesmo quando gritávamos contra ele, mesmo quando a gente se calava. Deus não se ofende com a nossa revolta, ele compreende, ele espera.” Chorou, desta vez sem esconder. Não era vergonha, era libertação e talvez gratidão.
Assim, um miúdo de mais ou menos 10 anos se aproximou-se tímido, segurando uma bola. Parou entre os dois, olhou para Ronaldinho e perguntou: “Achas que eu também posso chegar onde tu chegaste, tio?” Ronaldinho sorriu, pegou na bola das mãos do menino, levantou-se e disse: “Já chegou, sabia?” “Chegou aqui com coragem para sonhar.
O resto é treino e fé.” Entregou a bola de volta, despenteou o cabelo do miúdo e se sentou-se de novo. A apresentadora observava tudo em silêncio. Ali, diante dela, já não restavam dúvidas. Aquele homem que encantou o mundo com os pés estava agora a tocar o coração de um país inteiro com a alma. O sol já começava a esconder-se atrás dos telhados simples da comunidade.
A luz dourada entrava pelas fras centro cultural, iluminando aquele reencontro como se o próprio céu estivesse assistindo em silêncio. Ronaldinho e a apresentadora permaneciam ali, sentados no mesmo banco de madeira, mas agora não era mais uma entrevista, nem uma continuação. Era um fim simbólico. Um ciclo que se encerrava com paz.
As crianças voltavam a brincar à volta, mas o ambiente transportava uma energia diferente. Aquelas conversas, os silêncios partilhados, os olhares trocados, tudo ali tinha peso e leveza. Ao mesmo tempo, um rapaz tocava um berimbau desajeitadamente no fundo, enquanto outros dançavam uma capoeira improvisada.
Era vida a pulsar, era fé em movimento. A apresentadora então respirou fundo como quem se preparava para dizer algo guardado há anos. Eu passei a vida à procura de sentido nas coisas, na carreira, nas conquistas, na razão, mas tudo me escapava sempre. Hoje aqui consigo, com estas crianças, com este céu, percebo que o sentido nunca esteve nas respostas.
Mas no caminho, na presença, Ronaldinho escutou-a em silêncio, com os olhos fixos no pô do sol, e respondeu: “O sentido está em seguir, mesmo sem compreender tudo. Porque fé não é ter a certeza. Fé andar no escuro confiando que tem luz no fim. E quando a as pessoas encontram essa luz, não quer dizer que tudo se torna fácil, mas passamos a não estar mais sozinho.
Ela olhou-o com carinho, com gratidão. Era visível no seu rosto que uma verdadeira transformação havia acontecido. E não era apenas espiritual, era humana, profunda. De repente, uma senhora idosa aproximou-se devagar com uma bengala e um terço nas mãos. disse que tinha escutado pela janela que Ronaldinho estava ali.
Ela morava ao lado do centro cultural e ao vê-lo sorriu como se visse um filho querido que não via há anos. Eu rezei tanto por -lhe quando jogava. Sempre pedia paraa Nossa Senhora te proteger. E agora vejo que foi Deus que te colocou aqui hoje, porque há muita gente a esquecer-se da fé. E você? Lembrou para todos que ainda vale a pena acreditar.
Ronaldinho levantou-se emocionado, segurou-lhe as mãos com carinho e respondeu: “Obrigado, minha senhora. Se alguém ainda acredita, é porque pessoas como a senhora nunca deixaram de rezar. Ela o abençoou com o sinal da cruz ali mesmo no meio da roda de crianças. E naquele momento, sem grandes discursos, sem câmaras, sem público, algo sagrado aconteceu.
Era como se aquele pequeno lugar se tivesse transformado num templo vivo. A jornalista, observando tudo, entendeu? Não era mais sobre a entrevista, nem sobre ela, era sobre o que Ronaldinho se tornara. Horas depois, já de regresso a sua casa, Ronaldinho se sentou-se sozinho na varanda, observando o céu escuro salpicado de estrelas.
O silêncio da noite parecia conversar com ele. Era um silêncio diferente, não vazio, mas cheio de sentido. Tudo o que tinha vivido nos últimos dias estava fresco na sua memória. Entrevista, o reencontro com a apresentadora, os rapazes da instituição, a senhora com o terço, as mensagens de desconhecidos. Era como se Deus estivesse a coser, com mãos invisíveis todos estes encontros numa só mensagem.
Ele pegou o telemóvel, abriu o bloco de notas e começou a escrever: “Não para postar”. Não para mostrar, mas apenas para não esquecer. Escreveu: “Nunca pensei que a minha fé fosse ser notícia, mas talvez seja isso que o mundo precisa agora. Menos opinião, mais escuta. Menos julgamento, mais presença. A fé não é sobre convencer, trata-se de viver de um forma que lembre os outros que Deus ainda está por aqui.
No abraço, no perdão, na palavra simples. Guardou o telemóvel, respirou fundo e sorriu. Não o sorriso de craque que o mundo conhecia, mas aquele sorriso leve de quem sabe que fez o que tinha de ser feito. Na manhã seguinte, foi deixado um bilhete na portaria da sua casa, sem nome, apenas com caligrafia simples de alguém comum.
Dizia: “Ontem ia desistir da vida, mas vi a sua entrevista e fez-me lembrar que Deus ainda me procura. Obrigado. Ronaldinho segurou aquele papel como se fosse um troféu, mas não era um prémio, era um lembrete de que até o silêncio pode salvar, de que uma palavra pode reacender uma alma e de que por vezes não é preciso bola, estádio ou multidão para ser gigante.
Porque nesse momento o menino que saiu das ruas de Porto Alegre, que encantou o mundo com a bola nos pés, tinha feito o que poucos conseguem. Calar o orgulho com humildade, tocar o coração com verdade e reacender a fé num país inteiro com uma resposta. Caros amigos, se esta história vos tocado, subscreve o canal e ativa a campaninha para mais relatos que emocionam de verdade.
Deja tu comentário. Tu também has sentido que la fe estava dormida algum momento. Ronaldo, vemo-nos en el próximo















