OS GÊMEOS DO MILIONÁRIO PEDIRAM A FAXINEIRA QUE FOSSE A MÃE DELES… O QUE ACONTECE É DE CHORAR

OS GÊMEOS DO MILIONÁRIO PEDIRAM A FAXINEIRA QUE FOSSE A MÃE DELES… O QUE ACONTECE É DE CHORAR 

Até onde pode chegar uma mentira para destruir uma família? Uma ama dedicada, duas crianças ansiando pelo amor de uma mãe e um pai ausente, cujo está prestes a mudar. O que parece um simples favor escolar desencadeará uma rede de ciúmes e enganos com consequências devastadoras. A festa da família estava a ser celebrado no colégio São Bento em Perdizes.

 Crianças a correr de um lado para outro com os seus pais, aquela alegria gostosa de família reunida. Valéria, de 25 anos, estava ali a ajudar os gémeos Martim e Gabriel, de 8 anos, com o seu apresentação sobre o sistema solar. Levava um ano a cuidar destas crianças. Conhecia cada birra, cada sorriso, cada medo deles.

 Os dois estavam nervosos, olhando para os lados, vendo as outras famílias. “O que é, meus lindos? Fizeram um trabalho lindo”, disse Valéria. Martin engoliu em seco, deu uma cotovelada no irmão. “Tia Vale”, disse o pequeno, “vo podia fingir que é nossa mãe hoje?” O mundo parou para Valéria. O coração disparou. O Gabriel completou baixinho com os olhinhos cheios de lágrimas.

 Toda a gente aqui tem mãe, só nós que não temos. Mas vocês têm o papá de vocês. Martim abanou a cabeça indignado. O papá nunca vem, tem sempre uma reunião, há trabalho, há não sei o quê. Só você se preocupa connosco de verdade, tia Vale. Gabriel sussurrou. É você quem ajuda com a lição, quem brinca, quem dá beijinhos quando a gente se machuca.

 Quando temos pesadelo, chamamos o papá e ele nem ouve. Mas vens sempre correndo. Valéria sentiu uma opressão no peito. Essas crianças se haviam tornado a sua vida. Por favor, só por hoje, suplicou o Martim. Ela se ajoelhou, abraçou os dois. Está bem, meus amores. Hoje sou a vossa mamã. As crianças abraçaram-na forte, aliviadas. Nesse momento, a porta abriu-se e entrou Sebastião Almeida, 34 anos, fato impecável, telemóvel na mão, sempre correndo. Não, Vittor, a reunião é às 3.

Como assim cancelaram? Parou procurando os filhos e depois viu-os. Viu as crianças coladas à babá. a ouviu dizer: “Vamos, campeões, vamos mostrar para todos como vocês são inteligentes. A mamã está orgulhosa.” Sebastião ficou paralisado. O telemóvel escorregou da mão. “Papá!” Martinho levantou a cabeça assustado.

 “Olá, campeões”, disse Sebastião sem voz. Gabriel soltou-se de Valéria envergonhado. A gente estava sozinho. Eu ouvi um silêncio pesado. Valéria se levantou-se sem saber onde se meter. Sebastião aproximou-se devagar, se ajoelhou à altura dos filhos. Me desculpem, meninos. Desculpem-me por nunca ter vindo.

 Tudo bem, papá, mentiu Martinho, olhando para o chão. Não, não está. Vocês pediram à tia Vale para ser a vossa mamã, porque eu nunca estou aqui, não é? Os meninos não responderam. Não era preciso. Sebastião olhou para Valéria. Ela estava ali, simplesmente ali, a ser a mãe que os seus filhos necessitavam e o pai que nunca foi.

 E pela primeira vez em 8 anos desde que Tatiana morreu no parto, Sebastião chorou, lágrimas rebolando em frente dos filhos da ama de todo mundo. “Meu Deus”, sussurrou. Abandonei os meus próprios filhos. Do estacionamento do colégio dentro de um carro escuro. Lorena Ferreira, de 33 anos, personal trainer e ex de Sebastião, observava tudo com uma raiva crescente no peito.

 Viera espiar como vinha fazendo há meses e agora via o homem que amava a chorar por uma ama qualquer. Se não te posso ter, Sebastião rosnou baixinho. Ninguém vai ter. Nessa noite, Sebastião chegou a casa diferente. Pela primeira vez em anos, cancelou tudo para jantar com os filhos. Vittor, cancela tudo. Vou para casa.

 Sebastião, tem uma reunião com os investidores. Reagenda e a videoconferência passa para o César. Estou a tornar-me pai, Víor. Finalmente estou a tornar-me pai. Na mesa, Sebastião fez mil perguntas. Como foi o dia? O que aprenderam? Quem são os amigos de vocês? Os meninos respondiam animados, sem acreditar que o pai estava ali. Valéria observava tudo emocionada.

Era a primeira vez que via esta família junta de verdade. “Pai, vais trabalhar depois do jantar?”, perguntou Martim. “Não. E amanhã?” “Hoje? Não. Amanhã só até às 5. Depois venho jantar convosco todos os dias.” O Gabriel não acreditava. Todos os dias. Todos os dias. Depois de as crianças irem dormir, O Sebastião ficou na sala com a Valéria.

“Obrigado”, disse de coração, por cuidar deles quando eu não cuidei. “Eu os Adoro, Sebastião. São meninos incríveis. Conhece-os melhor que eu. Você também os vai conhecer. Só precisa de estar presente.” Sebastião olhou-a. Era a primeira vez que se apercebeu de como era bonita, não só fisicamente, mas por dentro.

 A sua forma carinhosa, dedicada. Valéria, posso fazer-lhe uma pergunta? Claro. Porque cuida tão bem deles? É só trabalho ou Ela sorriu. Eles se tornaram a minha família. Quando perdi os meus pais aos 18 anos, pensava que nunca mais teria uma família. E então conheci Martim e Gabriel. E eles adotaram-te. Nós adotamo-nos mutuamente.

Sebastião sentiu algo mexer-se no peito. Não era só gratidão, era outra coisa. O telefone tocou, quebrando o momento. Olá, Sebastião, sou eu, a Lorena. Preciso falar consigo, urgente. Sebastião olhou para a Valéria, que estava a secar uns pratos. Lorena, agora não. É sobre os meninos de Sebastião.

 Descobri algo grave sobre esta ama. Que ama? A Valéria, Sebastião, ela não é quem tu pensa que é. Sebastião irritou-se. Lorena, que história esta? Não posso falar por telefone. Encontra-me na ginásio amanhã cedo. Confia em mim, Sebastião. É pela segurança dos seus filhos. Ela desligou. Valéria notou a sua cara de preocupação.

 Tudo bem? Sim”, mentiu Sebastião. “Só trabalho.” Mas uma sementinha de dúvida tinha sido plantada e Lorena sabia exatamente o que estava fazendo. No dia seguinte, Sebastião foi ao ginásio. Lorena estava à espera muito arranjada. “Sebastião, que bom que veio. Fala logo, Lorena. O que descobriu?” Lorena fingiu hesitar. “É difícil dizer isto, mas precisa saber.

 Saber o quê? Ontem via a Valéria no shopping com os rapazes. Sebastião esteve o tempo todo ao telemóvel, nem prestava-lhes atenção. Tem a certeza? Tenho. Martim quase caiu das escadas rolante e ela nem se apercebeu. Sebastião se preocupou. Será? E há mais. Continuou Lorena, vendo que conseguira plantar a dúvida.

 Uma amiga minha mora perto da sua casa e diz que a vê a fumar na varanda toda a noite. Fumando? Sim. E sabe como faz mal fumo para a criança? Sebastião estava confuso. Não parecia-se com a Valéria que ele conhecia. Sebastião, só estou a falar porque me preocupo consigo, com os meninos. Lorena aproximou-se, pôs a mão no braço dele.

 Você merece alguém que cuide bem da tua família, alguém que te ame de verdade. Sebastião afastou-se. Obrigado pela preocupação, Lorena, mas confio na Valéria. Tudo bem. Só fica de olho, certo? À tarde, o Sebastião chegou a casa mais cedo para observar. Encontrou Valéria brincando à plasticina com os gémeos, os três concentrados, a rir, a divertir-se.

O telemóvel dela estava longe, guardado. Sem cheiro a cigarro no ar. “Valéria, fuma?” Ela fez cara de nojo. Ea, detesto o cigarro. E fica no telemóvel quando está com eles. Jamais. Quando estou a cuidar deles, o telemóvel fica guardado. Sebastião percebeu que Lorena tinha mentido. Mas porquê? Nessa noite, a Lorena ligou de novo.

Sebastião, preciso de te contar mais uma coisa. Lorena, chega. Você mentiu sobre a Valéria. Eu não menti. Talvez ela se comportou de forma diferente porque sabia que estava em casa. Lorena. Sebastião, eu amo-te. Sempre te amei. Não suporto ver-te a ser enganado. Lorena, o nosso caso terminou há anos.

 Para mim nunca acabou. E não vou deixar uma oportunista destruir-te. Sebastião desligou irritado. Lorena estava claramente obsecada. Isso ia dar problemas. No dia seguinte, Lorena decidiu atacar por outro lado. Ligou para o colégio dos meninos. Olá, falo com a diretora. Quem fala? Lorena Ferreira, sou da família Almeida. A senora Benites atendeu.

 Diga, senora Benites. Estou preocupada com Martim e Gabriel. Por quê? É sobre a ama Valéria. Vi-a chegando ao colégio meio alterada ontem, alterada conforme talvez embriagada. Os meninos estavam agitados, nervosos. A senora Benites ficou em choque. Ui, vou falar com o senor Sebastião. Por favor, não fale que fui eu. Só a observa.

 Lorena desligou satisfeita. A primeira semente plantada. À tarde, a senora Benites ligou para Sebastião. Senr. Sebastião, recebi uma denúncia sobre a Valéria. Que tipo de denúncia? Disseram que ela chegou aqui alterada, possivelmente alcoolizada. Sebastião ficou surpreendido. Isso é ridículo. A Valéria mal bebe água. Não quero causar problema, mas preciso de zelar pelas crianças. Entendo.

 Vou conversar com ela. Sebastião chegou a casa preocupado. Será que não conhecia Valéria tão bem como pensava? Encontrou Valéria a ajudar os meninos com a lição. Valéria, posso falar com você? Claro. Foram para a cozinha. Sebastião estava nervoso. A diretora me ligou, disse que chegou alterada ao colégio ontem. Valéria ficou em choque.

Como assim? Bêbada. Ela explodiu. Sebastião. Eu nem sequer bebo. Eu sei, eu sei. Mas alguém lhe disse isso. Quem? Não sei. Foi uma denúncia anónima. Valéria sentiu-se arrasada. Sebastião, num ano a trabalhar aqui, alguma vez fizesse motivo para duvidar de mim? Não. Então, porque é que está duvidando agora? Sebastião viu as lágrimas nos olhos dela e sentiu-se um idiota. Desculpa. Desculpa nada.

 Ou você confia em mim ou não confia. Os gémeos apareceram na cozinha notando atenção. O que está a acontecer? Perguntou o Martim. Nada, amor. Valéria forçou um sorriso. Só estamos a conversar. Mas Gabriel percebeu que ela estava a chorar. Tia Vale, estás bem? Estou bem, o meu anjo. Sebastião sentiu uma opressão no peito.

 Viu como os filhos se preocupavam com ela, como ela os protegia, mesmo estando ferida. Meninos, vão acabar a lição. Já vou. Quando as crianças saíram, aproximou-se de Valéria. Me perdoa, eu confio em ti. sempre confiei. Então, porque duvidou? Porque alguém quer que eu duvide e preciso descobrir quem. A Valéria secou as lágrimas.

 Sebastião, se não tem certeza de mim, é melhor procurar outro emprego. Não disse ele depressa demais. Por favor, os meninos precisam de si. Eu preciso de ti. Se olharam. Algo passou entre eles. Uma ligação. Valéria, disse ele baixinho. Você para mim, para os meninos, és especial. Ela sentiu-se envergonhada. Sebastião, estou a apaixonar-me por você.

 As palavras saíram antes que pudesse segurá-las. Sebastião arregalou os olhos. O quê? Desculpa, não devia ter falado. Sebastião soua a ama dos seus filhos. Eu sei, é complicado, muito complicado. Mas ela não disse que não não sentia nada por ele também. Naquela noite, a Lorena ligou mais uma vez. Sebastião, preciso de te ver. Lorena, para.

É a última vez, prometo. Sebastião, Tenho provas sobre a Valéria. Coisas que vão chocar-te. Sebastião hesitou. Que provas? Não posso falar por telefone. Vem ao ginásio amanhã de manhã. Lorena, se ama os seus filhos, venha. Ela desligou. Sebastião estava dividido. Não queria ouvir mais mentiras sobre Valéria.

 Mas e se desta vez fosse verdade? Na manhã seguinte, Sebastião foi ao ginásio. Lorena estava à espera com um envelope na mão. O que é? Fotos. Sebastião abriu o envelope. Eram fotos de Valéria a falar com um homem num bar. Quem é este gajo? Ex-namorado, casado, Sebastião. Sebastião sentiu o estômago revirar. De onde tiraram essas fotos? Detetive particular que contratei.

 Você contratou um detetive para seguir a Valéria, Sebastião, ela está a enganar-te. Esse homem é casado, tem filhos e ela está saindo com ele. Sebastião olhou para as fotos de novo. A Valéria estava sorridente, conversando animadamente com o rapaz. Quando foram tiradas? Na semana passada, quinta-feira. Sebastião lembrou.

 Na quinta-feira, a Valéria saiu mais cedo, disse que ia ter com uma amiga. Sebastião, peço desculpa, sei que você gosta dela. Lorena aproximou-se, pôs a mão no rosto dele. Mas você merece alguém honesto, alguém que te ame de verdade. Sebastião estava confuso, machucado. Será que Valéria realmente estava envolvida com outro? Lorena, preciso pensar.

 Claro, mas não demora muito para a confrontar. Precisa proteger os rapazes. Sebastião voltou para casa perturbado. Encontrou Valéria a brincar com os gémeos no jardim. Olá, Sebastião. Chegou cedo hoje. Ele olhou-a e só conseguia pensar nas fotos. Preciso de trabalhar em casa. Ah, tudo bem. Mas não estava tudo bem. E Valéria percebeu.

 A noite depois que as crianças dormiram, Sebastião não conseguiu conter-se. Valéria, onde é que foi na quinta-feira passada? Quinta-feira? Ah, fui ter com uma amiga. Por quê? Que amiga? Valéria achou estranha a pergunta. A Carla, que trabalha na creche, Sebastião, o que se passa? Sebastião tirou as fotografias do bolso.

 Quem é este homem? A Valéria viu as fotos e ficou branca. De onde é que tirou isso? Responde à pergunta. Quem é? É o meu ex-namorado. André. O coração de Sebastião despenhou-se. O seu ex-namorado casado. Sebastião, deixa eu explicar. Explicar o quê? Que está mentindo-me? Que está a sair com um homem casado enquanto cuida dos meus filhos? Não é isso.

 Então, o que é? A Valéria estava agora a chorar. Ele me ligou desesperado. A filha dele está doente. Precisava de falar com alguém. E porquê com você? Porque somos amigos. Sebastião. Só lhe fui dar apoio. Apoio? repetiu Sebastião, sarcástico. É verdade. Olhar para as fotos de novo. Estou consolando-o, não saindo com ele. Sebastião voltou a olhar para as fotos.

Realmente, a Valéria não tinha cara de estar num encontro. Tinha cara de estar consolando alguém. Por que razão mentiu? Disse que ia haver uma amiga? Porque sabia que ias interpretar errado. Como está a interpretar agora? Sebastião sentiu-se um idiota outra vez. Desculpa. Para de pedir desculpa e deixa de duvidar de mim, Sebastião.

 Ou confia em mim ou não confia. Decide. Ela tinha razão. Ele precisava de decidir. Eu confio em ti. De verdade? De verdade? Se olharam. A tensão passou a ser outra coisa. Proximidade. Desejo. Sebastião aproximou-se. Valéria. Sebastião. Isto não pode ser. Por que não? Porque é complicado. E se não fosse complicado? Ela não respondeu.

 Não precisava. Os olhos dela responderam por ela. Sebastião aproximou-se mais, ia beijá-la. Nesse momento, o telefone tocou. Ele atendeu irritado. Alô, Sebastião. Sou eu outra vez. Lorena, o que quer agora? Confrontou-a sobre as fotos. Sebastião olhou para Valéria. Confrontei. E não era nada, eram apenas amigos. Silêncio do outro lado.

 Lorena, deixa de me ligar. Deixa de seguir a Valéria. Pára com isso tudo. Sebastião, eu te Ele desligou com força. Valéria estava a olhar assustada. Quem é a Lorena? Sebastião suspirou. Chegar a hora de contar a verdade. A minha ex personal treinador. Tivemos um caso há dois anos. E foi ela que tirou as fotos. Sim.

 Por quê? Porque está obsecada comigo e agora está com ciúmes de si. Valéria ficou gelada. Ciúme de mim? Sim. Percebeu que eu estou que gosto de ti, Sebastião. Valéria, esta mulher é perigosa. Não vai parar até te destruir. O que fazemos? Sebastião olhou-a, corajosa, dedicada, apaixonada pelos filhos, e ele estava apaixonado por ela.

 Ficamos juntos e enfrentá-la juntos. Valéria sorriu pela primeira vez na noite, juntos, juntos aproximaram-se de novo. Desta vez ninguém interrompeu. O primeiro beijo foi suave, cheio de carinho, de promessas. Mas lá fora, no carro estacionado em frente à casa, A Lorena viu tudo pela janela e o que viu deixou-a louca de raiva.

 Agora vocês vão ver do que sou capaz. Capítulo dois. A guerra declarada. Sebastião chegou a casa ao fim da tarde e encontrou Valéria a ajudar os gémeos com a lição na mesa da cozinha. Olá, pessoal. Pai. Os meninos correram para o abraçar. Como foi hoje? A tia Vale ensinou-nos a fazer conta da multiplicação brincando, contou Martin entusiasmado.

 Sebastião olhou para a Valéria a brincar com feijão. Aprenderam toda a tabuada? Em uma hora sorriu ela. Sério? Disse o Gabriel. Quanto é 7 x 8? 56 respondeu Gabriel de imediato. Sebastião ficou impressionado. Caramba, você é boa nisso. Valéria sentiu-se meio sem graça com o elogio. Ainda estavam naquela fase de descobrir o que estava rolando entre eles.

 “Pai, pode jantar connosco hoje?”, perguntou Martim. “Claro, campeão.” No dia seguinte, Sebastião estava a trabalhar quando o telemóvel tocou. “Filho.” Sebastião estranhou. A Dona Marta morava em Ribeirão Preto, só ligava emergências. “Mãe, aconteceu alguma coisa? Preciso de falar consigo pessoalmente. Aconteceu o quê? Recebi uma chamada muito preocupante em si.

 De quem? Uma rapariga que se diz sua amiga, Lorena. Sebastião sentiu o estômago revirar. O que ela te disse? Não posso falar por telefone. Estou a apanhar o voo das duas. Vai buscar-me ao aeroporto. Mãe, que história é essa? Depois conversamos. É urgente, Sebastião. Ela desligou. Sebastião se preocupou. Lorena, de novo a fazer das suas.

No aeroporto, a dona Marta desceu do avião tensa. Uma senhora de 58 anos, sempre elegante, mas hoje com cara de poucos amigos. Mãe, o que é que a Lorena te disse? No automóvel durante o percurso, Marta foi direto ao assunto. Sebastião, é verdade que namora com a babá? É verdade. Como pode cometer uma burrice destas? Que burrice? Me envolver com uma funcionária. Mãe, não é assim.

 É sim, Sebastião. Você é um homem rico, viúvo, pai de duas crianças. Você é um alvo. Alvo de quê? De interesseiras. E esta rapariga claramente está se aproveitando. Sebastião parou o carro num semáforo, olhou para a mãe. Mãe, a A Valéria não é interesseira. Como você pode ter tanta certeza? Porque eu a conheço. Não conhece nada.

 Lorena contou-me coisas. Que coisas? Que ela já foi despedida de outros trabalhos por se envolver com os patrões. Sebastião explodiu. A Lorena está a mentir. Por que mentiria? Porque está doida. Sebastião, esta menina só quer te proteger. Ela não me quer proteger, quer destruir-me. Chegaram a casa ainda discutindo.

 Os gémeos correram receber a avó. Avó Marta, meus netinhos. Ela abraçou os dois. mas olhou com desconfiança para Valéria. Avó, essa é a tia Vale. O Martim puxou à avó. Prazer, dona Marta. Valéria estendeu a mão educadamente. A Marta cumprimentou friamente. Hum. Valéria notou a frieza na hora. O Sebastião também. Mãe, vou-te mostrar o seu quarto.

 Prefiro ficar num hotel. Por quê? Tem quarto de sobra aqui. Não quero perturbar a rotina da casa. A indireta era clara. Valéria se sentiu-se constrangida. Dona Marta, a senhora não atrapalha nada. Fique à vontade. Obrigada, mas prefiro um hotel. Sebastião irritou-se. Mãe, para com isso. Com o quê? Com esta grosseria. Os gémeos notaram atenção.

 O Gabriel puxou a saia de Valéria preocupado. Tia Vale, a a avó não gosta de si. Valéria forçou um sorriso. Claro que gosta, amor. A a avó só está cansada da viagem. Mas a guerra já tinha começado. No hotel, a dona A Marta ligou à Lorena. Olá, Lorena. Conhecia a tal Valéria. E o que achou? É esperta, muito esperta. Te avisei.

 Meu filho está completamente enfeitiçado por ela. Marta chocou. O seu filho. Desculpe, dona Marta. É que adoro o Sebastião há tanto tempo. É como um filho para mim. Lorena sabia exatamente que dizer para conquistar a sogra. Entendo. E o que sugere? Você precisa ser estratégica. Se atacar ela diretamente, Sebastião vai defender.

Então, como? Deixa comigo. Amanhã vou almoçar. Aí apresenta-me como uma amiga preocupada. Vou ganhar a confiança dela e depois depois mostramos quem a A Valéria realmente é. Ma dia seguinte, A Lorena chegou à casa muito arranjada. Roupa social discreta, cabelo perfeito, ar de pessoa de confiança.

 Sebastião, que casa linda. Obrigado, Lorena. Essa é a Valéria. Valéria cumprimentou educadamente, mas algo nela ficou em alerta. Instinto feminino. Durante o almoço, a Lorena foi encantadora, elogiou tudo, brincou com as crianças, contou histórias. “Lorena, como se conheceram?”, perguntou Valéria. Na academia.

 Eu era personal trainer do Sebastião. Era ainda sou, não é, Sebastião? Sebastião sentiu-se desconfortável. A gente já não treina junto. Que pena, estava em ótima forma. Lorena sorriu provocadora. Valéria sentiu uma pontada de ciúme. Essa mulher era bonita. Tinha história com Sebastião. E você, Valéria, sempre trabalhou com criança? Sempre. Que bom.

 Deve ser gratificante. Algo no tom incomodou Valéria. Parecia ter duplo sentido. Depois do almoço, A Lorena pediu para ir à casa de banho. Subiu ao segundo andar e deu uma vista de olhos rápida no quarto da Valéria. Um quarto simples, roupas baratas, sem luxo. Perfeito. De volta à sala, despediu-se carinhosamente. Foi um prazer conhecer a família.

 Vocês parecem muito felizes. Estamos, confirmou Sebastião. Valéria, espero que sejamos amigas. Claro. Valéria forçou um sorriso. Assim que A Lorena foi-se embora, a Valéria perguntou: “Sebastião, ainda tens alguma coisa com ela?” “O ​​quê?” “Claro que não. Ela disse que ainda é sua personal. Não é mais? Acabámos há tempos.

” “Já acabaram? Vocês namoraram?” Sebastião hesitou. Tivemos um caso, mas foi há anos. Valéria sentiu-se incomodada. E não me contou? Porque não interessa. Importa sim. Ela ainda gosta de si, Sebastião. Como sabe? Instinto feminino. A mulher ficou a medir-me o tempo todo. Sebastião percebeu que A Valéria tinha razão.

 A Lorena realmente estava estranha. Valéria, relaxa. Não não tenho nada com ela. Eu sei, mas ela não sabe. À noite, a Marta ligou à Lorena. Então, como foi? Perfeito. Plantei a primeira semente de ciúme. Como? Fiz-me passar por personal dele ainda. Valéria ficou incomodada. E agora? Agora vamos para a segunda fase.

 Tem alguma joia valiosa? No dia seguinte, Lorena e A Marta encontraram-se num café. Então trouxe isso. A Marta mostrou uma pulseira de ouro. Perfeita. Era do seu marido. Era. Vale muito. Ótimo. Agora escuta o plano. A Lorena explicou tudo detalhadamente. A Marta ficou inquieta. Não sei. Parece muito. Marta. Se não não fizermos nada, esta mulher vai destruir sua família.

 Como assim? Vai casar com Sebastião, ter acesso ao dinheiro dele? E quando se cansar, vai pedir o divórcio e levar metade. Marta aterrorizou-se. Você acha? Tenho a certeza. Já vi isso acontecer. E os meninos vão crescer, achando que uma interesseira é a mãe deles. Marta abanou a cabeça. Não posso permitir. Então ajuda-me? O que preciso de fazer? Convida-me para jantar na casa.

 Durante o jantar, vai aperceber que a pulseira desapareceu. E aí? Aí procurámos e encontrámos no quarto dela. Marta engoliu em seco. Isso não vai dar problema nenhum. Vai ser a nossa palavra contra a dela. E se Sebastião não acreditar em nós, vai acreditar. Mãe, é mãe. A Marta concordou a contragosto. Nessa tarde ligou para o Sebastião.

Filho, quero convidar a Lorena para jantar hoje. Por quê? Quero conhecer melhor as pessoas importantes para si. Sebastião ficou surpreendido, mas ficou feliz. Sério? Claro que pode. Tenho certeza que a Valéria também vai ficar feliz. Espero que sim. A noite, Lorena chegou a horas, muito simpática, carinhosa, com as crianças.

 Valéria observava tudo com desconfiança. A mulher estava a ser demasiado simpática. Durante o jantar, Lorena elogiou tudo. Valéria, que comida deliciosa. Obrigada. Cozinha muito bem. Onde aprendeu? Com a minha mãe. Que saudades ela deve sentir de si. Morreu quando eu tinha 15 anos. Ai, desculpem, que pena. Mas Lorena não parecia sentir nem um pouco. Valéria percebeu.

 E o seu pai também morreu. Acidente de viação. Nossa, não tem família nenhuma? A pergunta parecia inocente, mas tinha veneno. Lorena estava a mostrar que Valéria não não tinha ninguém. As crianças são a minha família agora”, respondeu Valéria com firmeza. “Que fofo, a Lorena sorriu falsamente.

 Durante a sobremesa, Marta fingiu que procurava algo. Que estranho. O que é, mãe? Minha pulseira? Não encontro. Que pulseira? A de ouro, a que o seu pai me deu. Todo mundo se preocupou. A senhora usou hoje?”, perguntou a Valéria. Usei. No almoço ainda estava. Vamos procurar. Sebastião levantou-se. Procuraram por toda a casa, sala, cozinha, casa de banho, quartos.

 “Mais alguém esteve aqui hoje?”, perguntou a Marta, fingindo inocência. “Só nós”, disse Sebastião. Marta olhou para Valéria com desconfiança. Valéria percebeu. “Valéria, viste a minha pulseira durante o dia?” “Vi. A senhora estava a usar quando serviu o almoço. Depois não reparei mais. Que estranho desaparecer assim. Sebastião percebeu o que a mãe estava a insinuar.

Mãe, não. O quê? Não vai começar a suspeitar da Valéria? Não estou suspeitando de ninguém. Está sim. Valéria levantou-se. Pode revistar o meu quarto se quiser, dona Marta. Não precisa, protestou Sebastião. Precisa sim. Vou subir convosco. Subiram todos. A Marta foi direta onde tinha plantado a pulseira. Deixa-me olhar aqui na cama.

Levantou o colchão e encontrou a pulseira. Achei. Estava aqui. Sebastião ficou em choque. Como assim aqui? Valéria ficou branca. Não sei como chegou aí. Claro que sb, explodiu a Marta. Dona Marta, juro que não apanhei. Então, como explica? Alguém plantou. Quem plantaria? A Lorena. Lorena fingiu indignação. Eu por que razão o faria? Valéria olhou-a com ódio.

 Sabe porquê? Não, não sei. Sabe sim, porque ainda está apaixonada pelo Sebastião. Que absurdo. Sebastião estava dividido. Valéria, jura que não pegou? Juro-te, Sebastião, por Deus, pelas crianças. Ele olhou-a nos olhos, viu desespero, honestidade. Eu acredito, Sebastião! Gritou a Marta. A prova está aí. A prova foi plantada.

 Por quem? Por ela. Sebastião apontou para Lorena. Lorena fingiu estar em choque. Sebastião, como pode pensar isso de mim? Porque te conheço. Você não me conhece nada. Sou sua amiga. Amiga, não faças isso. A Marta interferiu. Sebastião, para de acusar coitada da Lorena. A prova está aí.

 Que prova? Qualquer um pode plantar uma pulseira. Filho, abre os olhos. A Valéria não aguentou mais. Chega, não aguento mais isto. Saiu a correr do quarto. Sebastião foi atrás, deixando a mãe e a Lorena sozinhas. Funcionou, sussurrou a Lorena. Ele ainda defendeu ela, mas a semente da dúvida está plantada. Lá fora, Sebastião encontrou Valéria a chorar no jardim.

 Valéria, Sebastião, a tua mãe odeia-me. É problema dela. Não é só problema dela, é nosso. Ela vai estar sempre entre nós. Não, não vai. Vai sim. E vejam o que fez. Me armou uma cilada. Eu sei. E duvidou? Não duvidei. Duvidou sim. Por um segundo duvidou de mim. Sebastião não podia negar.

 Durante uma fração de segundo, o dúvida passou-lhe pela cabeça. Desculpa, Sebastião, se não confias em mim a 100%. Eu confio. Então prova. Como? Expulsa sua mãe de casa. Sebastião ficou sem resposta. Viu? Não consegue escolher entre a sua mãe e eu. Valéria. Não é assim. Sebastião. Eu compreendo. É a sua mãe. E você é a minha mulher? Ainda não sou, mas vai ser. Não sei mais.

 Valéria entrou em casa, deixando Sebastião sozinho no jardim. Lá dentro, Marta e Lorena conversavam baixinho. Ele ainda a está a defender! Reclamou Marta. Calma, isto foi só o início. Agora apertamos mais. No dia seguinte, Lorena decidiu atacar por outro lado. Ligou para o colégio dos rapazes. Bom dia.

 Posso falar com a diretora? Do que se trata? Sou a Marta Almeida, avó dos gémeos Martim e Gabriel. A senora Benites atendeu. A Dona Marta, que surpresa. Senora Benites, estou preocupada com os meus netos. Por quê? Eles estão ótimos. É sobre a ama Valéria. Notei comportamentos estranhos. Que tipo de comportamento? Ontem chegou a casa alterada, penso que bêbada.

 A senora Benites ficou em choque. Tem a certeza? Quase de certeza. E os meninos estavam agitados, nervosos. Meu Deus, vou falar com o Senr. Sebastião. Por favor, não mencione que fui eu. Só observe-a mais de perto. Pode deixar. Lorena desligou satisfeita. Agora atacou também pelo colégio. Nessa tarde, a senora Benites ligou a Sebastião.

Senr. Sebastião, preciso de falar sobre a Valéria. O que aconteceu? Recebi uma denúncia. Dizem que chegou aqui alterada ontem. Alterada como possivelmente alcoolizada. Sebastião ficou muito bravo. Quem disse isso? Não posso revelar. Foi anónimo. Anónimo. Claro, senhor Sebastião. Não quero causar problema, mas deixa comigo, senora Benites. Sebastião desligou furioso.

Chegou a casa como um furacão. Valéria, o que foi? A diretora ligou-me. Alguém disse que chegaste bêbada ao colégio ontem. Valéria indignou-se. Que quê, Sebastião? Eu nem bebo e ontem nem fui no colégio. Como assim não foi? Não fui. Os meninos ficaram ontem em casa porque o Martim estava com dores de barriga.

Sebastião parou. Era verdade. Martim se sentiu-se mal e não foi ao colégio. Então, quem foi? A sua mãe ou a Lorena? Nesse momento apareceram os gémeos. Pai, por que vocês estão a lutar?”, perguntou Gabriel preocupado. “Não estamos a lutar, amor.” Valéria forçou um sorriso. “Estão, sim”, insistiu Martim. “A tia Vale está a chorar.

” Sebastião olhou para os filhos. Estavam assustados, confusos. Meninos, vão brincar lá fora só um minutinho. Quando saíram, Sebastião aproximou-se de Valéria. Desculpa, sei que não bebeu. Então, porque me acusou? Porque estou confuso. A minha mãe, a Lorena, o colégio, toda a gente a falar de você e acredita-se em todos menos em mim. Não é isso? É isso, Sebastião.

 Sua mãe está a destruir-me e você está deixando. Não estou a deixar. Está sim. Ontem ela plantou uma pulseira no meu quarto e duvidou? Não duvidei. Duvidou. E hoje alguém inventa que estou bêbada e tu vens acusar-me. Sebastião passou a mão pelo cabelo desesperado. Valéria, já não sei em quem acreditar. Aí está o problema.

 Se você não sabe, é porque não me conhece. Te conheço. Não me conhece nada. Se me conhecesse, nunca duvidaria de mim. Valéria, não. Sebastião, chega. Não aguento mais. O que está a dizer? Estou a dizer que talvez a sua mãe tenha razão. Somos de mundos diferentes. Não fala isso. É a verdade. Você é rico. Eu sou pobre. Tem família.

 Eu não tenho ninguém. Tem nós de verdade, porque parece que duvidam de mim o tempo todo. Os gémeos voltaram a correr, assustados com os gritos. Parem de lutar, gritou o Martim, chorando. Não queremos que briguem. O Gabriel abraçou Valéria. Ela olhou para as crianças, depois para Sebastião. Vocês merecem uma família em paz. Não, esta guerra.

Valéria. Não vou embora. Não! Gritaram os gémeos juntos. Tia Vale, não vai. Martin agarrou-se nela. Por favor, chorou o Gabriel. Valéria abraçou-os chorando também. Vocês são os amores da minha vida. Sempre vão ser. Então não vai. Preciso de ir para vocês ficarem em paz com a avó. Sebastião tentou intervir.

 Valéria, podemos resolver isso? Não, não podemos, Sebastião. A tua mãe nunca me vai aceitar e nunca vai conseguir escolher. Te escolho. Não escolhe. E está tudo bem. É sua mãe. Valéria soltou-se dos meninos e subiu para o quarto fazer as malas. Os gémeos ficaram a chorar nos braços do pai.

 “Pai, faz com que ela fique”, suplicou Martim. “Por favor”, soluçou Gabriel. Sebastião estava despedaçado. Como chegaram a este ponto? Uma hora depois, Valéria desceu com uma mala pequena. Valéria, por favor”, tentou Sebastião mais uma vez. “Sebastião, te amo e amo estas crianças mais do que a minha própria vida. Então fica.” “Não posso.” Ajoelhou-se na altura dos gémeos.

 “Vocês são os meninos mais especiais do mundo. Nunca se esqueçam, tia Vale”, chorou Martim. “Amo-vos para sempre”. Beijou as testas deles e saiu porta fora. Sebastião ficou parado a ver a mulher que adorava ir embora. Os gémeos correram para a janela vendo-a subir para um táxi. “Volta”, gritaram, mas o táxi já estava desaparecendo pela rua.

 Nessa noite, a dona Marta e Lorena encontraram-se para celebrar. “Funcionou”, disse Marta, mas não parecia feliz. “Disse-te que funcionaria”. Os meninos estão devastados. Vão superar. E o Sebastião está destruído, também vai superar. E agora posso consolá-lo. A Marta olhou para a Lorena e percebeu que cometeu o maior erro da vida, mas já era tarde demais. Capítulo 3.

 O arrependimento. Uma semana depois de Valéria ter ido embora, a mansão dos Almeida estivesse em silêncio total. Os gémeos não comiam, não brincavam, só choravam. Martim ficou colado à janela, esperando a tia Vale voltar. O Gabriel nem saía do quarto. Sebastião estava ainda pior. Não dormia, não comia, só trabalhava que nem um louco para esquecer a dor.

 A Dona Marta aparecia todos os dias, mas os netos nem olhavam para ela. Avó, porque é que a tia Vale foi embora? Perguntou o Martim a chorar. Porque era o melhor. Melhor para quem? Queremos-na de volta. A Marta viu o estrago que fez e começou a arrepender. Os netinhos que queria proteger estavam destruídos por culpa dela.

 Sebastião chegou a casa e encontrou os meninos a chorar na sala. “Pai, traz a tia Vale de volta”, suplicou Gabriel. “Não é fácil, filho.” “É, sim, deixaste a avó falar mal dela. Acreditaram que era ladra”, explodiu o Martim. Sebastião não tinha o que dizer. Era verdade. Naquela noite ficou sozinho no quarto, a olhar para uma foto da Valéria com as crianças, todos sorridentes, felizes.

 “Que burro que eu fui”, sussurrou. No dia seguinte, a diretora do colégio ligou ao Sebastião. “Senhor Sebastião, preciso de falar sobre uma denúncia que recebi.” “Qual denúncia? Alguém ligou a dizer que a Valéria chegou bêbada ao colégio. Sebastião ficou muito zangado. Quem disse isso?” A pessoa identificou-se como Marta Almeida, avó dos meninos.

 A minha mãe? Sim, mas, o Senr. Sebastião, depois ela ligou de novo para se retratar. Disse que foi influenciada por uma tal Lorena e que mentiu. Sebastião sentiu o sangue ferver. Obrigado por me avisar. O Sebastião desligou e foi procurar a mãe no hotel. Mãe, plantaste aquela pulseira? A Marta baixou a cabeça. Plantei e ligou para o colégio a mentir. Liguei.

Por quê? Porque a Lorena convenceu-me. Mostrou documentos falsos. Disse que a A Valéria era interesseira. E você acreditou numa doida destas? Marta começou a chorar. Filho, estraguei tudo. Os meninos estão destruídos. Você está destruído. E a Valéria, coitada da Valéria que não fez nada. Eu sei. Quero pedir perdão para ela.

 Primeiro preciso encontrá-la. Sebastião ligou para o amigo Víor. Precisa de encontrar a Valéria Santos para mim. Deve estar a trabalhar em alguma creche. Duas horas depois, achei. Creche municipal do bairro da Esperança. O Sebastião chegou à creche e observou de longe um lugar simples, mas cheio de vida.

 Entrou e viu Valéria brincar com um grupo de crianças pequenas. estava mais magra, com olheiras, mas sorrindo para os mais pequenos. “Tia vale, tia Vale!”, gritavam as crianças. Sebastião sentiu uma opressão no peito. Mesmo destruída, continuava cuidar de uma criança com amor. Valéria o viu e parou logo. “Sebastião, o que está a fazer aqui? Vim buscar-te.

 Não não tenho nada para falar consigo.” “Eu tenho.” A minha mãe confessou tudo. Confessou o quê? que plantou a pulseira que ligou para o colégio que a Lorena convenceu-a. E daí arrependo-me. Valéria, regressa a casa. Não volto. Por quê? Porque a sua família vai estar sempre entre nós. Não, não vai. Tentamos.

 Não deu certo. Deu certo. Os meninos estão destruídos sem ti. Valéria sentiu o coração apertar. Como estão? Péssimos. O Martim não pára de chorar. Gabriel não fala mais para Sebastião. É verdade. Eles precisam de si. Eu preciso de ti. Não, Valéria, eu perdoa. Dá-me uma chance. Não confio mais em si.

 Vai voltar a confiar, prometo. Sebastião aproximou-se. Não vou desistir. Vou voltar aqui todos os dias até perdoas-me, Sebastião. Todos os dias, Valéria, até aceitar voltar. saiu da creche com o coração em pedaços, mas decidido. Sebastião cumpriu a promessa, voltou à creche todos os dias com doações, brinquedos, fraldas, alimentos.

 A primeira semana a Valéria nem falava com ele. A segunda semana ficava a observá-lo brincar com as crianças. A terceira semana começou a dizer oi e tchau tia Vale, o tio Sebastião é porreiro, comentou uma criança. É sim, respondeu ela baixinho. A diretora da creche apercebeu-se tudo. Vale, este homem ama-te de verdade. É complicado, dona Conceição.

Complicado como vem aqui todas as semanas, traz presente e brinca com as crianças. Só faz isso quem ama de verdade. Valéria sabia que ela tinha razão. No final da terceira semana, conversou finalmente com ele. Por que razão está a fazer isso? Porque te amo. E a empresa? A empresa pode esperar. Você é mais importante.

Valéria ficou surpreendida, o viciado em trabalho Sebastião, colocando-a em primeiro lugar. Como estão os meninos? Péssimos. Perguntam por si todos os dias e a sua mãe arrependida quer pedir-te perdão. E a A Lorena desapareceu. Quando descobri a verdade, ela mandou-se. Olharam-se em silêncio. Magoou-me muito. Eu sei.

 E vou passar o resto da vida a tentar compensar. Não sei se consigo confiar de novo. Tenta. Dá-me uma chance. Valéria suspirou. Preciso de tempo para pensar. O tempo que precisar, eu espero. Uma semana depois, a Valéria estava a trabalhar quando recebeu uma visita. Dona Marta, olá, Valéria, o que faz aqui? Vim pedir-te perdão.

 A Marta parecia pequena, frágil, arrependida. Sei que te fiz coisas terríveis. Plantei a pulseira, liguei para o colégio, deixei que a Lorena me enganasse. Por quê? Porque tinha medo de perder o meu filho. Ciúme de o fazeres feliz quando não conseguia. A Marta tirou um envelope da bolsa. Valéria, trouxe uma coisa para si.

 O que é? Cartas dos meninos. Escrevem todos os dias pedindo para você voltar. A Valéria leu as cartinhas chorando. Tia Vale, volta, por favor. Te adorámos, tia Vale. O papá chora toda a noite. Perdoa a avó e volta para casa. Escrevem todos os dias disse a Marta. chorando. Suplicam-me para trazer as cartas. Dona Marta, a senhora magoou-me muito.

 Eu sei, mas agora também sei que és a melhor coisa que aconteceu na nossa família. É tarde demais. Não, não é. O Sebastião ama-te, os meninos amam-te. E eu eu quero pedir-te desculpa e te aceitar como filha. Valéria se surpreendeu. Volta para casa, Valéria. A família está desfeita sem si. Naquela tarde, a Valéria tomou uma decisão, ligou para Sebastião. Sebastião, sou eu.

 Ele ficou eufórico. Valéria, quero conversar. Pode vir cá. Vou a correr. Chegou a correr à creche. Decidi, disse ela. Vou dar-te uma chance. Sério, mas com condições. Que condições? Primeira, a tua mãe vai respeitar-me sempre. Vai. Segunda-feira, se voltar a duvidar de mim, acabou para sempre. Não vou duvidar. Terceira, quero saber onde está a Lorena.

 Por quê? Porque quase destruiu nossa família. Não pode ficar impune. Sebastião concordou. Vou encontrá-la. Então, está bem. Vou voltar. Sebastião a abraçou com força. Amo-te tanto. Eu também. Mas, enquanto se abraçavam, nenhum dos dois viram a figura escondida atrás do árvore. A Lorena nunca foi embora. Estava seguindo Sebastião há semanas, planeando o próximo ataque.

 Acharam que iam ser felizes? Rosnou baixinho. Pois não vão. Capítulo 4, o confronto final. No dia seguinte, Sebastião foi buscar Valéria à creche para a levar para casa. Os dois estavam felizes, animados. Quando chegaram à mansão, os gémeos explodiram de alegria. A Tia Vale correram para a abraçar, chorando de felicidade.

Cresceram, disse emocionada. Voltou para sempre? Perguntou o Martim. Voltei. Vai ser a nossa mãe? Quis saber o Gabriel. Valéria olhou para Sebastião. Se vocês quiserem. Queremos. A Dona Marta se aproximou-se envergonhada. Valéria, me perdoa. Perdoa a Marta, mas nunca mais. Nunca mais, prometo.

 A família estava se abraçando-se quando tocou a campainha. Sebastião foi abrir. Era um entregador com um ramo de flores para a Valéria Santos. Quem manda? Não sei. Só veio com esse bilhete. Sebastião leu o bilhete e ficou branco. O que foi? Perguntou Valéria. É da Lorena. O que diz? Parabéns pelo regresso, mas a felicidade de vocês não vai durar muito tempo. Beijinhos, L.

Todo o mundo ficou tenso. Está nos ameaçando? Perguntou a Valéria. Parece que sim. Nesse momento, o telefone tocou. Sebastião atendeu. Alô. Olá, Sebastião. Saudades. Lorena, onde estás? Perto, vendo-vos aí todos felizes. Sebastião olhou pela janela. O que você quer? Quero que expulse essa interesseira e fique comigo. Nunca.

Então vão arrepender-se. Está me ameaçando. Estou a prometer. A ligação cortou. Sebastião virou-se para a família. Vamos sair daqui. Para onde? Perguntou a Valéria. Qualquer lugar até ao polícia prendê-la. Não disse Valéria decidida. Chega de fugir, Valéria. Não, Sebastião. Esta mulher já destruiu a nossa família uma vez. não vai voltar a fazer.

E o que sugere? Que a enfrentemos juntos. Sebastião olhou para a mulher corajosa que amava e sorriu. Então vamos enfrentar. Lá fora, Lorena observava a casa com ódio no olhar. Se não posso ter tu, Sebastião, ninguém vai ter. Tirou uma lata de gasolina da bagageira. A guerra final ia começar. Depois de receberem as flores com a ameaça de Lorena, Sebastião não perdeu tempo, ligou diretamente para a polícia.

 Alô, inspetor, a minha ex-funcionária está a me ameaçando. Enviou flores com bilhete. Que tipo de ameaça, Senor Almeida? Disse que a nossa felicidade não vai durar muito. Só isso não é crime, Senr. Almeida. Mas ela já fez outras coisas. Plantou provas, mentiu, conspirou contra à minha família.

 Tem provas? Sebastião se frustrou. Tenho testemunhas. Olha, vou mandar uma viatura dar uma volta na sua rua, mas sem provas concretas não posso prender ninguém. Sebastião desligou irritado. Disseram que vão dar uma volta aqui. Só isso? Perguntou Valéria preocupada. Sem provas não podem fazer nada. A Dona Marta estava nervosa. Filho, e se saíssemos da cidade uns dias? Fugir? Não vou fugir da minha própria casa.

 Estou a pensar nos meninos”, insistiu Valéria. “Não posso viver com medo dela para o resto da vida”. Os gémeos que estavam a escutar tudo se aproximaram. “Pai, a tia doida vai fazer mal para nós?”, perguntou Martin assustado. “Não, não vai, filho. O papá não vai deixar.” “Mas e se ela vier aqui?” “Quis saber, Gabriel.

 Se vier, chamámos a polícia na hora.” Naquela noite, Sebastião contratou dois seguranças para vigiar a casa. Qualquer movimento estranho acordam-me”, instruiu. “Pode deixar, Senr. Almeida. A família foi dormir, mas ninguém conseguiu relaxar completamente. Duas da manhã, um dos seguranças bateu à porta do quarto.

 “Senhor Almeida, tem uma mulher lá fora.” Sebastião saltou da cama. “Onde?” “Do outro lado da rua. Está parada debaixo do poste, a olhar para o casa. Sebastião foi até à janela. Era Lorena ali parada, encarando a casa como um fantasma. “Liga para a polícia”, disse ao segurança. “Já liguei. Disseram que vão enviar uma viatura.

 E o que ela está a fazer?” Só olhando. Não fez nada ainda. Sebastião desceu e foi até ao portão. Lorena, ela não se mexeu. “O que quer?”, gritou de volta. “Quero falar consigo. Não temos nada para conversar.” “Temos, sim. Vem cá. Não vou sair daqui. Então vou eu. Está doida? Há segurança aqui. Lorena riu-se. Uma gargalhada meio louca.

 A segurança não me assusta. Nesse momento chegou a viatura da polícia. O que está a acontecer aqui? Perguntou o agente policial. Esta mulher está ameaçando-me explicou o Sebastião. O polícia aproximou-se de Lorena. Senhora, precisa de se retirar daqui. Por que a rua é pública, minha senhora? está causando perturbação.

 Não estou a fazer nada. Só estou aqui parada. Senhora, se retire ou vou ter de levá-la para a esquadra. Lorena olhou para Sebastião uma última vez. Isso não acabou, Sebastião. Não acabou. Subiu para o carro e foi-se embora. O polícia aproximou-se de Sebastião. Senhor Almeida, a senhora tem razão.

 Não fez nada de ilegal, mas está a me ameaçando. Infelizmente, só posso agir se invadir sua propriedade ou agredir alguém. E se voltar? Ligue-nos de novo. Os polícias foram embora. Sebastião ficou frustrado, mas pelo menos Lorena tinha desaparecido. No dia seguinte, Sebastião decidiu tomar providências. ligou para o advogado. O Dr. Mendes, quer uma medida de proteção contra Lorena Ferreira.

 Com base em quê? Ameaça, perseguição. Plantou provas contra a minha noiva. Tenho testemunhas da ameaça. Tenho. E das provas plantadas também. Então vamos dar entrada hoje mesmo. Sebastião saiu animado. Finalmente ia resolver isso legalmente, mas Lorena estava um passo à frente. Seguiu Sebastião até ao gabinete do advogado e ouviu tudo.

 Medida protetiva rosnou sozinha no carro. Vamos ver. A Lorena foi a casa e pegou numa mala. Encheu de roupa, documentos, dinheiro. Se a coisa ia aquecer, mais valia estar preparada. A noite voltou na rua da casa de Sebastião, mas desta vez não ficou do outro lado. Estacionou o carro três quarteirões antes e foi a pé. Passou pelo quintal dos vizinhos, saltou algumas vedações e chegou à casa pelos fundos.

 Os seguranças estavam à frente, não a viram aproximar-se. Lorena conhecia a casa. Sabia que tinha uma porta das traseiras que dava para a área de serviço. Tentou abrir, estava trancada, mas a janela do lado estava entreaberta. Lorena era atlética, forte. Conseguiu abrir a janela e entrar na casa sem fazer barulho. Estava dentro.

 O coração batia forte, mas estava decidida. Subiu a escada devagar. Sabia onde ficava o quarto de Sebastião. Chegou à porta e escutou. Ele estava a dormir. Lorena empurrou a porta muito devagar e viu Sebastião e Valéria a dormir abraçados. Aquela cena deixou-a louca de ciúmes. Duas pessoas que deviam ser ela e Sebastião.

 Lorena tirou o telemóvel e fotografou-os a dormir. Depois saiu do quarto e foi para o quarto das crianças. Martinho e Gabriel a dormir como anjinhos. Ficou ali parada a olhar para os meninos. Por um momento, sentiu uma pontada de remorço. São crianças, pensou, mas depois lembrou-se de Sebastião abraçado com Valéria. E a raiva voltou.

 Lorena desceu para o primeiro andar e foi para o cozinha. Pegou numa faca grande da gaveta. Não ia matar ninguém, só assustar, mostrar que podia chegar perto quando quisesse. Deixou a faca mesmo no meio da mesa da cozinha com um bilhete embaixo. Posso chegar até vós quando quiser. Da próxima vez não vou ser tão gentil, saiu de casa da mesma forma que entrou.

De manhã, Sebastião desceu para tomar café e viu a faca em cima da mesa. Que raio é isso? O grito acordou toda a casa. Valéria desceu a correr. O que foi? Olha isso. Sebastião mostrou a faca e o bilhete. A Valéria ficou branca. Ela entrou aqui. Entrou enquanto dormíamos. A Dona Marta apareceu na cozinha.

 O que é essa gritaria? Meu Deus. Os gémeos desceram de pijama. O que aconteceu? Perguntou o Martim. Nada de importante mentiu Sebastião. Vão brincar lá para fora, meninos. Sebastião pegou no telefone. Agora a coisa mudou. Invadiu a minha propriedade. Ligou para a polícia. Inspetor, ela invadiu a minha casa.

 Tem provas? Deixou uma faca na minha cozinha com um bilhete de ameaça. Mando lá uma equipa agora. Em 20 minutos, a casa estava cheia de polícia, peritos e investigação. Tudo uma confusão. Senr Almeida, agora sim podemos prendê-la, confirmou o inspetor. Invasão de domicílio, ameaça por escrito. E agora saímos para procurar ela.

 Mas quando a polícia chegou ao apartamento de Lorena, já não estava mais lá. O apartamento estava vazio, mas com sinais de que saiu apressadamente. Fugiu, informou o inspetor, mas deixou rastos. Não vai conseguir esconder-se durante muito tempo. Sebastião não ficou satisfeito. E, enquanto isso, a minha família está em perigo.

 Vou deixar uma viatura de serviço na sua rua 24 horas. Sebastião respirou de alívio. Pelo menos tinha agora proteção real. Mas Lorena não tinha desistido. Alugou um quarto numa pensão barata e estava a planear o próximo passo. Se não posso ter o Sebastião, vou destruir o que ele mais ama, decidiu.

 A Lorena não ia atrás dele, ia atrás da Valéria. Seguiu Valéria até a creche onde trabalhava e observou a rotina dela. Todos os dias Valéria saía da creche às 5 da tarde e caminhava dois quarteirões até à paragem de ônibus. Dois quarteirões pouco movimentados, meio desertos. No dia seguinte, Lorena estava esperando.

 Quando a Valéria passou pela rua vazia, Lorena saiu de trás de uma árvore. Olá, Valéria. Valéria se aterrorizada. Lorena, o que está aqui a fazer? Vim conversar consigo. A polícia está a te procurando. Eu sei. Por isso tem de ser rápido. Lorena aproximou-se. Valéria recuou. Sai de perto de mim. Calma, não vou fazer-te mal.

 Invadiu a nossa casa, deixou uma faca. Foi só para chamar atenção. Estás louca, Lorena. Sai de cena, Valéria. Vou fazer-te uma proposta. Não quero ouvir. Some da vida do Sebastião e deixo-vos em paz. Está doida? Pega nos seus filhos e vai para o interior, para outro estado, para qualquer lugar. Não vou a lado nenhum. Vai sim, porque senão vou transformar a vida de vocês num inferno.

 Valéria tentou ir embora, mas Lorena segurou o braço dela. Solta-me. Primeiro, promete que vai embora. Nunca. Lorena apertou mais forte. Valéria, não me obriga a fazer uma asneira. Solta-me ou grito? Não grita. Ninguém te vai ouvir aqui. Valéria apercebeu-se que estava numa situação perigosa, rua vazia. Uma mulher desequilibrada segurando-a.

 Lorena, vamos conversar com calma. Não tem nada para conversar. Ou desapareces ou eu te Faço-o desaparecer. O que significa? Significa que posso fazer acontecer um acidente, um atropelamento, um assalto que correu mal. Valéria aterrorizou-se. Está a ameaçar-me de morte? Estou prometendo. Nesse momento, um carro parou ao lado delas. Era o Sebastião.

O Sebastião tinha ligado para a creche, procurando por ela. Soube que já tinha saído e decidiu ir buscá-la. “Lorena, solta-a.” Lorena largou Valéria na hora. “Sebastião, sai de perto dela.” Sebastião pegou na Valéria e pôs-lhe atrás dele. “Lorena, isto tem de parar só para quando ela sair da sua vida. Isso nunca vai acontecer.

 Então vão-se arrepender. Lorena, a polícia está a te procurando. Se entrega. Entregar-me para quê? Para vocês serem felizes? Para si receber ajuda. Está doente? Lorena riu. Doente. Doente está você que não vê que esta mulher só quer o seu dinheiro. Pára com isso. Nunca vou parar. Enquanto eu tiver vida, vou destruir-vos.

Sebastião tirou o telemóvel. Vou ligar para a polícia. Liga. Quando chegarem, já me fui. Lorena entrou no carro e saiu em disparada. Sebastião abraçou Valéria. Está bem? Magoou-te? Não. Mas, Sebastião, ela ameaçou matar-me. Ela não vai chegar perto de si nunca mais. Como pode garantir isso? Sebastião não tinha resposta para isso.

 Sebastião decidiu que não ia esperar mais pela polícia. Contratou um detetive particular. Quero que encontre a Lorena Ferreira por qualquer meio necessário. Vai custar caro, não interessa. Em três dias, o detetive tinha informação. Está numa pensão na zona oriental, quarto sete, primeiro andar. Tem a certeza? Absoluta.

Tenho fotos dela a entrar e a sair. Sebastião pegou na informação e foi diretamente para a esquadra. Ah, inspetor, sei onde está a Lorena. Onde? Sebastião deu o endereço. Mando uma equipa. Posso ir convosco? Melhor não. Deixa com a gente. Uma hora depois, Lorena estava presa, nem tentou resistir.

 Quando viu os polícias, se entregou. Lorena Ferreira está presa por invasão de domicílio, ameaça e perseguição. Tudo bem, já estava à espera. No julgamento, trs meses depois, Lorena foi condenada a do anos de prisão e medida de segurança. A arguida demonstrou sinais de transtorno obsessivo e deve cumprir a pena em regime fechado com o acompanhamento psiquiátrico decidiu o juiz.

 Sebastião e Valéria saíram do tribunal aliviados. Acabou”, disse Sebastião. “Acabou mesmo. Dois anos presa. Depois não pode aproximar-se de nós. Ordem de afastamento permanente e se não melhorar, renova a medida”. Valéria abraçou lágrimas de alívio. Finalmente podiam viver em paz. Capítulo 5.º O final feliz. Seis meses depois da detenção de Lorena, a casa dos Almeida, no domingo de manhã, a família estava mais unida do que nunca.

 O trauma da perseguição fez com que perceberem o que realmente importava. Sebastião desceu para a cozinha e encontrou a Valéria a fazer panquecas, os gémeos a ajudar, ou melhor, a desarrumar. Bom dia, família linda. Pai. Os meninos correram para abraçá-lo. Como dormiu?, perguntou a Valéria. A melhor noite de sono em meses era verdade.

 Desde que Lorena foi presa, Sebastião conseguia dormir tranquilo. “Pai, hoje há futebol no clube”, avisou Martim. “E quero ir na biblioteca”, acrescentou Gabriel. Ótimo. Vamos todos juntos. Uma família feliz a fazer planos simples de domingo. Depois do café, Sebastião chamou Valéria para conversar no jardim.

 O que foi? Tem cara de quem quer dizer algo a sério? Tenho. Sebastião ajoelhou-se ali no meio do jardim e tirou uma caixinha do bolso. Sebastião, o que está a fazer? Valéria Santos queres casar comigo? Ela se emocionou, mas também se preocupou. Sebastião, passámos por tanta coisa. Passamos. E isso mostrou-me que não Quero viver sem ti.

 Mas e se der errado outra vez? Não vai correr mal. Aprendi que o importante é nos apoiarmos, confiarmos um no outro. E a sua mãe? A minha mãe ama-te, os meninos te amam. E eu não consigo imaginar a minha vida sem ti. Valéria olhou para o anel simples, delicado, cheio de significado. Aceito.

 Sebastião colocou o anel no dedo dela e beijou-a. Os gémeos apareceram correndo. O papá pediu-a em casamento! Gritou o Martim. A tia Vale vai ser a nossa mãe”, saltou o Gabriel. A Dona Marta saiu de casa a sorrir. Parabéns, filhos. Já era hora. Obrigada sogra, por tudo. De nada. Agora vão-me dar mais netinhos. Todo mundo riu.

 Algumas semanas depois, uma pequena igreja no Parque Ibirapuera. Cerimónia simples, só família e amigos próximos. Valéria entrou com um vestido branco simples, acompanhada pelos gêmeos. “Quem entrega a noiva?”, perguntou o padre. “Nós”, responderam Martim e Gabriel juntos. “Os nossos filhos”, sorriu Sebastião, emocionado. A cerimónia foi bonita, emocionante.

 Quando o padre perguntou se aceitavam um ao outro, os dois responderam com convicção: “Aceito, aceito. Eu os declaro marido e mulher. Um beijo longo, aplausos de todos, festa simples no salão da igreja. Sebastião fez um discurso. Há três anos eu era um homem vazio. Só trabalhava, não vivia. Valéria chegou à nossa vida e mudou tudo.

 Me ensinou a ser pai, ensinou-me a amar. Passámos por momentos difíceis, mas eles nos fortaleceram. Hoje prometo que vou amar-te a ti e aos nossos filhos pelo resto da vida. Todos aplaudiram. A Valéria pegou no microfone. Quando cheguei a casa deles, estava sozinha no mundo. Vocês deram-me uma família, deram-me amor.

 Martim e Gabriel, vocês ensinaram-me a ser mãe. Sebastião, ensinaste-me a confiar no amor de novo. Dona Marta, obrigada por aceitar-me como filha. Prometo cuidar de vós sempre. Os gémeos subiram no palco. Mãe, foi a primeira vez que a chamaram assim oficialmente. Fala, meu amor. Amamos-te. Eu também vos amo muito. Abraço coletivo em palco.

 Dois anos depois, a mesma casa, agora com um quartinho cor-de-rosa a mais. Valéria estava grávida de 8 meses, uma barriga enorme, mas radiante. Martim e Gabriel, agora com 12 anos, ajudavam a preparar o quarto da irmã. “Mãe, quando a Aurora vai nascer?”, perguntou Martim. “Qualquer dia destes?” “E vai chorar muito”, quis saber Gabriel.

 Bebés choram sim, mas vocês vão ajudar a cuidar dela. “Claro, somos os irmãos mais velhos”. O Sebastião chegou do trabalho com flores para Valéria. Como estão as minhas princesas hoje? A sua filha está se mexendo muito. Acho que quer sair logo. Sebastião levou a mão à barriga. Aurora deu um pontapé. Olá, filha.

 O papá está aqui. Uma cena lindíssima. Família completa, feliz à espera de mais um membro. Dona Marta apareceu com roupa de bebé. Fiz um macacãozinho para a aurora. Ficou lindo, avó. Não vejo a hora de conhecer minha netinha. Nessa noite, deitados na cama, Sebastião e Valéria conversavam baixinho. “Está feliz?”, perguntou.

“Muito feliz. E tu?” Nunca pensei que podia voltar a ser tão feliz, mesmo depois de tudo o que passámos, especialmente por isso. Por quê? Porque provou que o nosso amor é forte. Resistiu a tudo. Resistiu mesmo. Sebastião acariciou a barriga. A nossa família vai ser perfeita. Já é perfeita.

 Se beijaram enquanto A Aurora mexia-se na barriga, como se quisesse participar no momento. Lá fora, a vida continuava, mas dentro da casa dos Almeida, o amor venceu e desta vez para sempre. 5 anos depois, era um sábado de manhã soalheiro em São Paulo. Na casa dos Almeida, no Morumbi, a vida fluía com a alegria simples de uma família que aprendeu a valorizar cada momento juntos.

 Aurora, agora com 5 anos, corria pelo jardim perseguindo borboletas, enquanto o Martim e o Gabriel, já adolescentes de 17 anos, observavam-na com carinho. “Aurora, não corre muito longe”, gritou Gabriel. “Deixa-a brincar”, disse Martin sorrindo. Sebastião estava na varanda a tomar café e a ler o jornal, mas sempre de olho na família.

 Aos 41 anos, tinha o cabelo grisalhos nas têmporas, mas o sorriso no rosto era permanente. A Valéria saiu da cozinha secando as mãos no avental. Alguém viu as minhas chaves? Estão em cima da mesa da sala, mãe? Respondeu o Gabriel. Obrigada, amor. A Dona Marta, agora com 65 anos, chegou para o almoço dominical que se tornara tradição.

 Onde está a minha netinha mais nova? Avó Marta. A Aurora correu para os braços da avó. Como está a minha princesa? Estou bem. Ontem aprendi a escrever o meu nome todo. Sério? Que inteligente. Durante o almoço, o Sebastião fez um anúncio. Família, tenho uma novidade. O que é, pai? Perguntou o Martim. Decidi me aposentar no próximo ano.

 Sério? Disse Valéria surpresa. Sério? Quero aproveitar mais vocês. Viajar, ver a aurora crescer, estar presente para os rapazes na faculdade. Que bom, pai, disse o Gabriel. Você merece descansar e mereço ter o meu marido mais em casa, sorriu a Valéria. Após o almoço, quando todos estavam na sala, Aurora se aproximou-se de Sebastião.

 Papá, posso te fazer uma pergunta? Claro, princesa. Por que tenho dois irmãos grandes e eles amam-me tanto? Sebastião pegou-lhe ao colo e olhou para Martim e Gabriel. Porque a família não é só quem nasce junto, Aurora. Família é quem escolhe amar-se e cuidar um do outro. E a mamã escolheu amar-vos antes de eu nascer? Escolheu.

 E por isso tens a melhor mãe do mundo. Aurora olhou para Valéria. Mamã, você sempre vai ser a nossa mãe. Para sempre, o meu amor. Mesmo quando for grande, especialmente quando crescer. Enquanto a tarde passava com brincadeiras e conversas, Sebastião olhou em redor e viu o que havia construído.

 Não era só uma família, era um lar cheio de amor, gargalhadas e cumplicidade. Nessa noite, depois de a Aurora ter dormido e os gémeos foram para os quartos estudar, Sebastião e Valéria ficaram na varanda a olhar as estrelas. “Sabe do que mais tem o orgulho”, disse Sebastião. “De quê?” de como os meninos tornaram-se homens bons.

 Martim quer ser professor, o Gabriel quer ser médico e a Aurora? A Aurora vai ser o que ela quiser, completou Valéria. É, mas acima de tudo serão pessoas que sabem amar como aprendemos, como ensinamos uns aos outros. Sebastião abraçou a esposa. Obrigado. Por quê? Por não ter desistido de nós, por ter lutado pela nossa família.

 Lutamos juntos e ganhamos. Ganhamos uma vida inteira de amor lá dentro. A Aurora falava a dormir: “Mamã, papá, amo-te”. Sebastião e Valéria olharam-se e sorriram. Tinham construído mais do que uma família. tinham construiu um legado de amor que passaria para as gerações seguintes. E enquanto São Paulo dormia lá fora, dentro da casa dos Almeida, o amor continuava a escrever a sua história.

 Uma história que começou com uma mentira, passou por tempestades, mas terminou com a verdade mais bela de todas, que o o amor verdadeiro vence sempre. Algumas famílias nascem do sangue, outras nascem do coração. As mais fortes nascem da escolha de amar incondicionalmente todos os dias para o resto da vida. Se gostou desta história, deixe o seu like e diga-nos nos comentários de onde é e a que horas nos acompanha.

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