O Milionário não sabia mais o que fazer com suas Gêmeas… a Babá fez algo que ninguém esperava 
Dia 23 de outubro. Vanessa Santos sobe às escadas de mármore da mansão Vilarim, respirando fundo para se preparar para mais um dia de guerra. Aos 26 anos, ela enfrenta o maior desafio da sua carreira. Sofia e Valentina Vilarim, gémeas idênticas de 7 anos que transformaram a ida à escola numa batalha campal que já durava dois anos inteiros.
A mansão dos Vilarim é um moderno palácio de três pisos no Jardim Europa com cinco suites master, piscina olímpica aquecida, campo de ténis privado, um jardim de 2000 m² que parece saído de revista de decoração e uma garagem para 12 automóveis importados. Ezequiel Vilarim, de 42 anos, é proprietário da rede hoteleira Vilarim International, com 47 hotéis de luxo espalhados pelo Brasil e América Latina, e pai solteiro desde que a esposa Carolina faleceu num acidente de viação no túnel Rebolsas 2 anos e 4 meses atrás, exatamente no dia
em que as gémeas completaram 5 anos. Desde essa data maldita, Sofia e Valentina recusam-se categoricamente a ir à escola. Não importa se é o colégio mais caro de São Paulo, se tem professoras bilingues, se oferece aulas de ballet e equitação, as meninas simplesmente não vão. Ponto final. Bom dia, Vanessa.
Cumprimenta a dona Lúcia Pereira, a governanta da casa há 15 anos. Uma mulher de 58 anos, com cabelo grisalhos, sempre apanhados num coque impecável e uniforme azul marinho engomado na perfeição. Preparada para mais um episódio da Guerra Mundial? Vamos ver como estão hoje. Trancadas no quarto desde as 5:30 da manhã.
Já derrubaram duas amas escada baixo, fingindo que eram fantasmas. Deitaram tinta guache no uniforme da terceira e convenceram a quarta, que a casa é assombrada pela alma da mãe delas. Vanessa suspira pesadamente. É a sua segunda semana na casa dos Vilarim e ela já presenciou cenas dignas de filme de terror psicológico. As meninas são demasiado inteligentes para o próprio bem, com quei de 140 cada uma, segundo os testes psicológicos e utilizam toda esta inteligência privilegiada para criar estratégias militares de guerra contra qualquer tentativa de as levar à
escola. A primeira ama, Júlia Santos, durou exatamente três dias. No primeiro dia, as gémeas fingiram estar doentes. No segundo, esconderam-se no sótam durante 6 horas. No terceiro, a Sofia fingiu desmaiar à porta da escola enquanto Valentina gritava que a irmã estava morrendo igual à mãe. A Júlia teve um ataque de nervos e nunca mais voltou.
A segunda ama, Fernanda Costa, aguentou uma semana. As meninas convencem a cozinheira que estava a roubar joias da casa. Quando Ezequiel descobriu a mentira, Fernanda já tinha sido humilhada publicamente e preferiu sair. A terceira ama, Patrícia Oliveira, durou exatamente 5 dias. As gémeas criaram um sistema de comunicação por códigos e passaram a semana toda a falar numa linguagem inventada que só elas entendiam.
A Patrícia achou que elas tinham algum distúrbio psicológico e recomendou internamento psiquiátrico. A quarta ama, Mariana Silva partiu o recorde duas semanas. Mas saiu depois que as meninas colocaram uma cobra de borracha realística na sua cama e ela teve de ser levada para o hospital com taquicardia. Vanessa é a quinta ama em dois meses.
Tem formação em pedagogia infantil pela USP. Especialização em psicologia educativo, fala três línguas e tem 10 anos de experiência com crianças difíceis, mas nunca enfrentou nada como Sofia e Valentina Vilarim. Ela bate delicadamente à porta do quarto das gêmeas. O quarto é maior que a maioria dos apartamentos de São Paulo.
70 m quadrados de puro luxo infantil, com duas camas de princesa com docel, um closet cheio de roupas de marca, uma biblioteca particular com 500 livros, uma área de brinquedos que parece uma loja da F Schwartz e duas secretárias de Mógno com computadores Apple da última geração. Sofia, Valentina, sou a Vanessa. Silêncio total.
Meninas, sei que estão acordadas. Uma vozinha fantasmagórica fala do outro lado da porta. A Vanessa foi-se embora para o cemitério. Só há fantasmas aqui agora. Fantasmas que precisam de ir para a escola. Fantasmas não vão paraa escola responde outra voz igualmente assombrada. Fantasmas assombram as amas até elas ficarem loucas e serem internadas no hospício.
A Vanessa sorri apesar da tensão. Pelo menos têm sentido de humor negro bem desenvolvido. Posso entrar para falar com os fantasmas? Depois de alguns sussurros conspiradores, a porta abre-se uma fresta. Sofia espia com um lençol branco da cama, cobrindo toda a cabeça, deixando apenas os olhos verdes brilhantes amostra.
Não tem medo de fantasmas malvados? Tenho medo de fantasmas que chegam atrasadas à escola e perdem aulas de matemática. As duas aparecem completamente cobertas por lençóis brancos com furos toscos para os olhos, parecendo fantasmas de filme de comédia dos anos 80. “Nós não somos a Sofia e Valentina”, diz uma delas com voz teatralmente grave.
“Somos espíritos vingativos de crianças que morreram. de O Tédio Moralus é na escola mais aborrecida do universo. Vanessa ajoelha-se na altura delas, prestando total atenção à encenação. Ui, que história terrível e assombrada. E o que é que vocês faziam antes de morrer de tédio escolar? Éramos crianças normais e felizes.
Valentina entra na brincadeira com talento dramático, impressionante. Mas depois a nossa querida mãe morreu num acidente horrível e o nosso pai ficou muito triste e distante e a escola ficou um lugar assombrado de tristeza. E nós tornamo-nos fantasmas para sempre e eternamente. O coração de Vanessa aperta-se dolorosamente.
Por baixo de toda a rebeldia teatral e criatividade destrutiva, há duas meninas pequenas sofrendo profundamente pela perda da mãe. E vocês querem continuar sendo fantasmas para todo o sempre. É melhor que ir para a escola chata. Sofia responde com absoluta convicção. Por que a escola é tão espantosamente má assim? As duas entreolham-se por baixo dos lençóis improvisados, hesitando pela primeira vez.
Porque lá toda a gente fica perguntando pela nossa mãe o tempo todo? Valentina sussurra com voz pequena. E a professora fica com cara de pena da gente, completa Sofia. A gente detesta quando fazem cara de coitadinha orfan. E os outros meninos ficam a falar baixinho quando a gente passa”, acrescenta Valentina.
“E toda a gente trata a gente como se fosse de vidro e pudesse quebrar.” Sofia termina. Vanessa compreende perfeitamente. As raparigas não querem ser tratadas como coitadinhas órfãs, que perderam a mãe. Querem ser tratadas como crianças normais, mas não sabem comunicar isso. E se eu disser que conheço uma escola fantasmagórica onde ninguém faz cara de pena? Não existe nenhuma escola assim.
Sofia contrapõe imediatamente. Existe sim. É uma escola invisível, super secreta. Como assim invisível? Pergunta a Valentina. A curiosidade vencendo a resistência. É uma escola que possamos frequentar sendo mesmo fantasma, sem ninguém ver quem vocês realmente são, sem que ninguém fazer pergunta inconveniente, sem ninguém ter cara de pena, sem ninguém sussurrar pelas costas.
As gémeas tiram os lençóis da cabeça pela primeira vez, revelando rostos idênticos de boneca. Cabelo loiro encaracolado, olhos verdes grandes, bochechas rosadas, expressões de inteligência aguçada, misturada com tristeza profunda. Onde fica essa escola fantasma super secreta? A Vanessa sorri misteriosamente. Vou mostrar-vos.
Mas primeiro precisam de tomar banho de fantasma. Fantasma não toma banho. Sofia protesta testando a lógica da brincadeira. Este tipo especial de fantasma toma banho mágico. É para ficar invisível de verdade para as pessoas comuns. E como a gente se transforma em fantasma invisível? Com uniforme de fantasma especial.
45 minutos depois, após uma operação complexa de negociação e preparação, as gémeas estão vestidas com os uniformes azul marinho e branco do colégio Montessóri Internacional, mas cada uma usando óculos de sol gigantescos estilo aviador, bonés de beisebol puxados para baixo cobrindo metade do rosto e cachecóis enrolados ao pescoço, apesar do calor de outubro.
Pronto, Vanessa anuncia solenemente, agora sois oficialmente invisíveis para todas as pessoas comuns do mundo. Mas a gente ainda está a ver uma a outra. Valentina queixa-se, examinando a irmã. Porque vocês são fantasmas da mesma família assombrada. Só gente viva comum não consegue ver-vos direito. As meninas olham-se ao espelho de corpo inteiro e gostam do aspeto misterioso e dramático.
Estamos a parecer espiãs secretas internacionais, Sofia comenta entusiasmada pela primeira vez em semanas. Fantasmas espiãs super secretas. Vanessa confirma. A vossa missão ultra confidencial é descobrir todos os segredos da escola sem que ninguém se aperceba que vocês estão lá. Que tipo de segredos misteriosos? Ah, isso vocês vão descobrir quando chegarem ao local da missão.
Fantasmas espiãs descobrem segredos sozinhas. Pela primeira vez em exatamente do anos, dois meses e três dias, Sofia e Valentina entram no carro da escola sem fazer drama, sem chorar. sem gritar, sem fingir estar doentes, sem tentar fugir, estão entusiasmadas com a missão secreta ultra confidencial, que vai durar o dia inteiro.
No colégio Montessóri Internacional, a diretora Regina Andrade e a professora Márcia Silva esperam as meninas com apreensão misturada com curiosidade mórbida. Regina Andrade tem 52 anos, é licenciada em pedagogia pela PUC, tem mestrado em educação de infância e 30 anos de experiência a lidar com crianças desafiadoras da elite paulistana.
Mas Sofia e Valentina Vilarim são um caso único em toda a sua carreira. Como vai ser hoje? Regina pergunta a Vanessa com evidente ceticismo. Ontem elas esconderam-se no banheiro feminino durante seis horas consecutivas e só saíram quando prometemos que não precisariam permanecer na sala de aula.
Hoje vai ser completamente diferente. Elas estão em missão militar especial ultra secreta. Missão: Márcia Silva, de 35 anos, professora do segundo ano há 8 anos, franze a testa confusa. A Vanessa explica rapidamente o plano elaborado. As as meninas vão fingir ser fantasmas invisíveis em missão de espionagem e toda a escola vai entrar na brincadeira teatral, tratando-as normalmente, sem fazer alarido sobre a presença delas ou demonstrar pena pela situação familiar.
É uma abordagem pedagógica pouco ortodoxa, Regina comenta diplomaticamente. Mas pode funcionar perfeitamente, Márcia concorda, animando-se com a ideia criativa. São crianças extremamente criativas e inteligentes. Só precisam de uma estratégia que faça sentido para elas. E se não funcionar? Regina questão sempre prática.
Aí tentamos outra abordagem, mas vale a pena tentar algo diferente. Sofia e Valentina entram na sala de aula do segundo ano com os óculos escuros gigantescos, bonés puxados e misteriosos cachicóis, completamente convencidas de que ninguém pode vê-las de verdade. Bom dia, turma querida.
A Márcia cumprimenta alegremente, ignorando propositadamente a entrada teatral das gémeas. Bom dia, tia Márcia”, respondem as outras 22 crianças em couro. Sofia e Valentina sentam-se silenciosamente nas carteiras do fundo da sala e sussurram entre elas: “Funcionou na perfeição. Ela realmente não nos viu. Somos fantasmas invisíveis de verdade mesmo.
Missão ultra secreta ativada. A aula de matemática começa normalmente. Márcia ensina sobre a adição e a subtração com números de dois dígitos. usando o quadro branco e materiais coloridos. As gémeas ficam fascinadas, sussurrando comentários matemáticos entre elas. 17 + 25 = 42. A Sofia comenta baixinho, calculando mentalmente.
E se fosse 1017 + 2025, seria 3042. Valentina responde, mostrando capacidade matemática muito acima da idade. Aos poucos, começam a participar na aula indiretamente, ainda convencidas de que são completamente invisíveis para a professora e colegas. Tia Márcia. Sofia levanta a mão tímidamente depois de 20 minutos.
Os fantasmas matemáticos podem fazer perguntas ultra secretas. Márcia disfarça o sorriso de Vitória. Claro que podem fazer todas as perguntas que quiserem. Que pergunta matemática ultra secreta têm? Se a gente tivesse 100 fantasmas e cada fantasma assombrasse três pessoas diferentes, quantas pessoas no total seriam assombradas? Excelente pergunta de fantasma matemático.
Alguém sabe resolver? As outras crianças da turma entram no brincar naturalmente, como se fosse a coisa mais normal do mundo ter fantasmas invisíveis a fazer perguntas na aula de matemática. Durante o intervalo de 15 minutos, algo mágico acontece. As crianças brincam com os fantasmas invisíveis, como se fosse absolutamente natural.
Fantasma Sofia, quer brincar à apanhada assombrado? pergunta João Mendes, de 8 anos, filho de empresários proprietários de uma empresa de construção. Os fantasmas correm muito mais rápido que pessoas normais, a Sofia responde, entrando completamente na brincadeira. E os fantasmas podem atravessar paredes? Pergunta Maria Fernanda, filha de médicos. Só quando ninguém está a ver.
Valentina explica com seriedade absoluta. Que giro. Eu queria ser fantasma também. Primeiro precisa aprender a tornar-se invisível. Sofia ensina. É muito difícil. As gémeas passam o recreio todo a explicar aos os colegas como funciona o mundo dos fantasmas, criando uma mitologia complexa e divertida que prende a atenção de todas as crianças.
Por duas semanas completas, o plano funciona com perfeição absoluta. As gémeas vão à escola todos os dias, entusiasmadas com a missão de serem fantasmas invisíveis em operação secreta. Elas participam ativamente das aulas de matemática, português, ciências e inglês. Fazem todos os trabalhos de casa, brincam animadamente com os colegas durante os recreios, tudo mantendo religiosamente a fantasia da invisibilidade fantasmagórica.
Em casa, Ezequiel Vilarim não consegue acreditar na transformação radical das filhas. “Como raio conseguiu esse milagre?”, pergunta a Vanessa numa tarde de quinta-feira, observando as meninas a fazer os trabalhos de casa na mesa da sala de jantar, sussurrando entre elas sobre as descobertas ultra secretas do dia.
Dei-lhes exatamente o que necessitavam, a sensação de controlo total sobre a situação e uma identidade que as protege emocionalmente. Usam ainda óculos escuros e bonés todos os dias? usam religiosamente, faz parte fundamental da identidade fantasma delas. É como um escudo protetor psicológico. E quando acha que vão parar com esta história? Quando estiverem completamente prontas emocionalmente, não podemos nem devemos obrigar a esse processo.
Ezequiel observa as filhas a trabalhar concentradamente nas lições de matemática, as suas cabecinhas loiras curvadas sobre os cadernos, lápis a correr rapidamente sobre o papel. Vanessa, és literalmente um anjo caído do céu. Só sou alguém que compreende como funciona a mente infantil em situações de trauma. Como aprendeu a lidar com crianças assim? Vanessa hesita um momento antes de responder.
Experiência pessoal. Você também perdeu os pais, pequena? A minha mãe morreu quando tinha 8 anos. Câncer. Passei dois anos recusando-me a falar com qualquer adulto. Só me comunicava através da minha boneca. Ezequiel sente uma pontada de reconhecimento e gratidão. Por isso entende-as tão bem.
Por isso e porque estudei muito sobre o trauma infantil na faculdade. A perda parental é uma das experiências mais devastadoras para uma criança. E como o superou? Com ajuda, paciência e muito tempo. E principalmente com adultos que respeitaram o meu processo de luto em vez de tentar forçar-me a ser normal? Ezequiel olha para Vanessa com um misto de admiração e algo mais profundo que ele não quer nomear ainda.
Salvou as minhas filhas. As suas filhas salvaram-se sozinhas. Eu só ofereci uma ferramenta, mas nem tudo são flores no paraíso recém- descoberto. Helena Vilarim, avó paterna das meninas e mãe de Ezequiel, fica sabendo da história dos fantasmas invisíveis através de Márcia Bitencur, uma amiga do clube cujo neto estuda na mesma escola.
Helena Vilarim é uma mulher de 65 anos, viúva do empresário António Vilarim, que morreu de ataque cardíaco há cinco anos, dona de uma das maiores fortunas imobiliárias de São Paulo, antigo presidente da Liga das Senhoras Católicas e atual membro do Conselho de Seis Instituições de Caridade da Elite Paulista. É uma mulher elegante, inteligente, generosa com os pobres, mas inflexível quanto à regras sociais e comportamento adequado para pessoas de boa família.
“Que palhaçada ridícula é esta?”, queixa-se para o filho numa chamada telefónica na quarta-feira à tarde. As meninas estão ir à escola regularmente, mãe. Qual é exatamente o problema? O problema é que estão a fazer papel de palhaças circenses. Vilarin não brinca de fantasma em lugar público. Elas são crianças de 7 anos, mãe.
Podem brincar do que acharem divertido. Podem não. Têm responsabilidades sociais enormes. São herdeiras de um império empresarial. A Helena tem ideias muito específicas sobre como as pessoas importantes devem comportar-se em sociedade. Para ela, o estatuto social vem com obrigações rígidas de postura e aparência.
A ama está a permitir comportamento completamente inadequado para a posição social das mesmas. A babá resolveu brilhantemente um problema que durava dois anos completos e estava destruindo a sanidade mental das minhas filhas. Resolveu criando um problema social muito maior. As pessoas estão a rir da nossa família inteira no clube.
Ezequiel suspira pesadamente. A mãe preocupa-se sempre mais com a opinião dos outros do que com a felicidade real das netas. Que pessoas específicas estão a rir, mãe? Todos no clube ípico paulista. Márcia Bitencur disse que as as meninas parecem bandidas de rua com estes óculos escuros ridículos. As as meninas estão emocionalmente estáveis e academicamente produtivas pela primeira vez em do anos.
Mãe, é isso que realmente importa. Felicidade temporária não é tudo na vida, filho. Educação social e a postura adequada também contam muito. Têm 7 anos, mãe. Educação de verdade começa no berço. Você deveria saber isso. Na terça-feira da semana seguinte, Helena decide intervir pessoalmente na situação. Ela chega à mansão às 7h15 da manhã, exatamente na hora do pequeno-almoço, e encontra as gémeas preparando-se metodicamente para mais um dia de missão fantasma ultra secreta.
Que roupas esquisitas são essas? Sofia e Valentina deixam de ajustar os óculos de sol gigantescos e bonés de beisebol. Bom dia, avó Helena. Cumprimentam educadamente, mas sem muito entusiasmo visível. Tirem esses óculos ridículos imediatamente. Mas a avó são óculos de fantasma invisível. Valentina explica pacientemente como se falasse com uma pessoa que não compreende conceitos básicos. Fantasma não existe, queridas.
E as meninas Vilarim definitivamente não fingem ser fantasmas em lugar público. A a tia Vanessa disse que podemos ser tudo o que quiser. Sofia contrapõe com uma lógica inabalável. A tia Vanessa está completamente errada. Vocês são As meninas de família extremamente importante. Tem de se comportar de acordo com essa posição social.
Vanessa aparece na cozinha nesse momento exato, carregando as mochilas escolares das gêmeas. Bom dia, Dona Helena. Você precisa de parar imediatamente com esta palhaçada dos fantasmas. Dona Helena, as as meninas estão a frequentar a escola normalmente e com entusiasmo pela primeira vez em do anos. Não estão a frequentar normalmente, estão a fazer papel de palhaças de circo.
Elas estão a processar o luto materno através da brincadeira criativa. É extremamente saudável psicologicamente. Helena está visivelmente irritada com o resposta técnica. Saudável é se comportarem como crianças bem educadas de boa família, não como vagabundas de rua que não receberam educação adequada. As gémeas ficam visivelmente perturbadas e ofendidas com o comentário cruel da avó.
A gente não é vagabunda de rua, Sofia protesta com os olhos começando a amarejear. Claro que não são. Vanessa as defende de imediato. Vocês são As crianças extraordinariamente inteligentes e criativas. São demasiado criativas para o seu próprio bem. Precisam de muito mais disciplina rígida e muito menos fantasia.
Helena insiste inflexivelmente. Ezequiel aparece na cozinha neste momento, atraído pelas vozes alteradas e tensas. Que está a acontecer aqui exatamente? A sua mãe não aprova o método pedagógico que uso com as meninas. A Vanessa explica diplomaticamente. Que método específico? Helena adianta-se antes que a Vanessa possa responder.
A palhaçada ridícula dos fantasmas. Está na hora de parar definitivamente com isso. Por que motivo? As meninas estão emocionalmente bem pela primeira vez desde a morte da mãe. Estão a ser motivo de piada e comentários maldosos no colégio e em todo o lugar que frequentamos. Quem é que especificamente disse isso? Todo mundo sabe e comenta, filho.
Crianças vilarim não podem tornar-se chacota social. Ezequiel olha carinhosamente para as filhas que estão visivelmente perturbadas com a discussão dos adultos. Meninas, estão a ser maltratadas ou humilhadas na escola? Não, papá. A Valentina responde honestamente. Os os amiguinhos adoram brincar com fantasmas invisíveis.
E as professoras tratam-vos bem? Muito bem. Ontem a tia Márcia disse que Os fantasmas matemáticos são os melhores alunos de toda a escola. Helena bufa indignada com a resposta. É exatamente isso o principal problema. Elas estão sendo tratadas como palhaças de circo, não como alunas sérias. Têm 7 anos, mãe.
Não precisam de ser sérias como executivos da bolsa de valores. Precisam sim. Educação para as responsabilidades sociais começa muito cedo. Vanessa intervém cuidadosamente na discussão familiar. Dona Helena, posso explicar exatamente o que realmente está a acontecer no processo pedagógico? Pode tentar. Sofia e Valentina associavam a escola a momentos extremamente dolorosos relacionados com a perda da mãe.
A fantasia dos fantasmas invisíveis criou uma nova identidade protetora que lhes permite frequentem a escola sem trauma emocional. Isto é psicologia de quinta categoria de manual barato. É pedagogia baseada em evidência científica sólidas e está a funcionar perfeitamente. Helena abana a cabeça com total desaprovação. Ezequiel, você precisa de decidir imediatamente.
Ou você educa as suas filhas como crianças de família extremamente importante, ou elas vão tornar-se a escória desajustada da sociedade. Mãe, isso é um exagero dramático absurdo. Não é exagero nenhum, é crua realidade social. E se não tomar medidas imediatas, eu própria vou tomar. Helena sai da cozinha a pisar firmemente no chão de mármore, deixando toda a gente tensa e desconfortável.
Papa! Sofia puxa delicadamente a manga da camisa social do pai. A gente vai ter que deixar de ser fantasma? Não sei ainda, pequena. Mas a gente gosta muito de ser fantasma. Faz-nos sentir especial e protegida. E quando somos fantasmas, ninguém fica com cara de pena da gente. Valentina acrescenta Ezequiel olha para Vanessa, procurando orientação profissional.
O que honestamente acha? Acho que as meninas ainda precisam muito da proteção emocional que a fantasia oferece. Mas a sua mãe vai criar problemas graves. Que tipo de problemas específicos? Pressão política na escola? Comentários sociais maldosos, tentativas diretas de sabotar o método pedagógico. E o que podemos fazer para nos proteger? Proteger as raparigas de qualquer forma necessária e esperar que logo elas se sintam emocionalmente seguras o suficiente para abdicar gradualmente dos óculos.
Nessa mesma tarde, Helena liga diretamente para Regina Andrade, a diretora da escola. Regina, querida, preciso falar urgentemente sobre as minhas netas. Claro, a dona Helena, quer marcar uma reunião oficial? Prefiro resolver isso imediatamente por telefone. É sobre esta palhaçada inaceitável de fantasmas. Ah, sim.
A estratégia pedagógica tem sido uma experiência extremamente positiva. Positiva? As meninas estão a virar chacota social em toda a cidade. Pelo contrário, dona Helena, nunca estiveram tão academicamente produtivas e socialmente integradas. Regina, conheço-a pessoalmente há 15 anos. Preciso que pare imediatamente de incentivar este comportamento completamente inadequado.
Dona Helena, pedagogicamente falando, seria extremamente prejudicial interromper o processo agora. Pedagogicamente, nada. Quero que trate as minhas netas exatamente como crianças normais de boa família. São tratadas como crianças normais. A fantasia é apenas um facilitador pedagógico temporário que termina agora mesmo.
Não posso tomar essa decisão unilateral sem conversar oficialmente com o pai delas. Ezequiel está a ser completamente enganado pela ama incompetente. Alguém com responsabilidade precisa de ter bom senso. Dona Helena, as meninas melhoraram dramaticamente em todos os aspetos. Seria pedagogicamente cruel interromper bruscamente o processo.
O que é cruel é permitir que virem palhaças de circo em instituição educativa séria. Regina suspira profundamente. Helena Vilarim é uma doadora financeira muito importante da escola. A sua família contribui com 200.000$ anuais, mas isso não lhe dá o direito legal de Interferir nos métodos pedagógicos aprovados pelos pais.
Vou conversar oficialmente com Ezequiel sobre as suas preocupações e vou falar com outras mães influentes. Muitas estão extremamente incomodadas com a situação. Helena desliga e liga imediatamente para Márcia Bitencur, a sua melhor amiga do clube ípico de São Paulo. Márcia querida, é a Helena. Preciso urgentemente da sua ajuda. Olá, querida.
O que aconteceu? As minhas netas estão a ser extremamente prejudicadas por uma ama irresponsável e incompetente. Como assim? Que está a acontecer? Helena conta a história dos fantasmas, exagerando dramaticamente nos detalhes para fazer com que a situação pareça muito pior do que realmente é. Elas vão à escola todos os dias vestidas como vagabundas de rua, usando óculos escuros gigantescos e fingindo ser fantasmas.
É uma vergonha social inaceitável. Que absurdo terrível. E o Ezequiel permite isso? Está a ser completamente manipulado pela ama. Preciso que as outras mães influentes queixam-se diretamente na escola. Pode deixar comigo. Vou divulgar a informação para todas as mães do nosso círculo social. Em exatamente dois dias, o telefone da escola não pára de tocar com reclamações.
Regina, aqui fala a Silvana Martins, mãe do Pedro. Estou extremamente preocupada com que está a acontecer na sua escola. O que especificamente a preocupa? Essas crianças fantasmas ridículas. Meu filho está a querer imitar o comportamento inadequado delas. Entendo a sua preocupação, mas é apenas uma situação específica de duas alunas que passaram por trauma que pode contaminar negativamente outras crianças impressionáveis.
Não acredito que seja realmente o caso, dona Silvana. Outras mães também estão muito preocupadas. Vamos reunir para discutir medidas. Regina percebe imediatamente que Helena mobilizou sistematicamente uma campanha organizada contra as gémeas. Na quinta-feira da semana seguinte, 15 mães influentes se reúnem-se oficialmente na sala de reuniões da escola para protestar coletivamente.
Os nossos filhos estão a ser negativamente influenciados pelo comportamento inadequado”, declara Márcia Bitencur, porta-voz do grupo. “Como exatamente?” Regina pergunta diplomaticamente. Querem usar óculos escuros durante as aulas, fingirem ser fantasmas, fazer exatamente igual às meninas Vilarim. E qual seria o problema pedagógico nisso? O problema é que estamos a pagar mensalidades elevadíssimas para os nossos filhos aprenderem conteúdo académico sério, não para brincarem aos fantasmas no horário escolar. Elas estão a aprender
todo o conteúdo curricular normalmente, mas criando exemplo inadequado para os outros alunos. Regina sente-se pressionada. São 15 famílias economicamente importantes, ameaçando diretamente tirar os filhos da escola, o que representaria perda de receitas de quase R 2 milhões de reais anuais.
O que é que exatamente vocês propõem? que as meninas Vilarim se comportem como crianças normais adequadas ou sejam transferidas para outra instituição. Isso é pedagogicamente muito drástico. É necessário. Não podemos permitir que duas crianças problemáticas afetam negativamente toda a turma. Regina promete considerar oficialmente a situação, mas por dentro fica completamente revoltada.
As gémeas não são nem remotamente problemáticas. São apenas crianças, processando um trauma profundo da única forma que conseguem. Nessa mesma noite, ela liga diretamente para Ezequiel. Precisamos conversar urgentemente sobre as suas filhas. O que aconteceu? A sua mãe organizou uma campanha política contra elas.
Como assim? Regina conta detalhadamente sobre a reunião das mães e a pressão económica para normalizar forçadamente as gémeas. E o que você pretende fazer? Ezequiel pergunta com voz tensa. Sinceramente, não sei. São 15 famílias muito importantes. Se elas retirarem os filhos, a escola pode ter graves problemas financeiros. Ezequiel sente uma raiva profunda subir pelo peito.
Vai sacrificar as minhas filhas pelo dinheiro. Não é exatamente isso, mas preciso de encontrar uma solução que satisfaça todas as partes envolvidas. A única solução que me interessa é a felicidade e estabilidade emocional dos as minhas filhas. Entendo perfeitamente, mas talvez seja o momento pedagógico de fazer a transição gradual para a normalidade.
Elas não estão emocionalmente prontas para isso ainda. Ezequiel, se as outras famílias saírem da escola, a sua mãe vai conseguir o que quer de qualquer forma. Ezequiel desliga completamente frustrado e vai imediatamente à procura de Vanessa. Estamos a enfrentar problemas políticos sérios.
A Vanessa ouve tudo atentamente e fica profundamente indignada. Estas mulheres não têm qualquer direito moral de decidir como as suas filhas devem lidar com o processo de luto, mas estão decidindo através de pressão económica e a escola está a ceder. O que vamos fazer? Não sei. Se eu insistir no método atual, a escola pode expulsar os meninas.
Se eu ceder à pressão, elas podem ter uma recaída emocional devastadora. E se conversemos diretamente com os outras crianças? Como assim? Talvez elas não vejam as gémeas como um problema nenhum. Talvez sejam apenas as mães que estão a criar uma situação artificial. Pode ser uma excelente ideia. Na manhã seguinte, a Vanessa vai diretamente à escola e pede autorização para conversar informalmente com toda a turma.
Crianças, posso fazer algumas perguntas importantes? Pode, tia Vanessa, respondem em couro entusiástico. Vocês gostam de ter as fantasmas Sofia e Valentina na vossa turma? Gostamos muito! Gritam entusiasmados e unânimes. Por que gostam? O João levanta a mão energicamente porque inventam brincadeiras.
super fixes que ninguém nunca pensou. “Eas são muito engraçadas e inteligentes”, acrescenta Maria Fernanda. “E ajudam-nos quando não percebe a matéria”, diz Pedro. “E elas sabem um montão de coisas sobre fantasmas”, completa Ana. “Acham que perturbam as aulas de alguma forma?” “Não”, respondem em couro absoluto.
“São as melhores alunas de toda a escola”. Vanessa sorri internamente. As crianças adoram as gémeas. O problema são exclusivamente as mães preconceituosas. E se elas deixassem de ser fantasmas? As crianças estão visivelmente tristes e desapontadas. Não queremos que parem nunca, diz Ana com absoluta sinceridade. Elas podem ser fantasmas para sempre.
Por que razão vocês acham que as vossas mães não gostam das fantasmas? Porque os adultos não compreendem brincadeiras giras, responde João com a sabedoria natural da infância. E porque os adultos querem que todos sejam iguais, acrescenta Maria. Mas ser igual é aborrecido, conclui Pedro. A Vanessa tem uma ideia brilhante.
E se as As próprias crianças defendessem publicamente as gémeas? Que tal vocês contarem às suas mães? Como é divertido e giro ter fantasmas amigas? Podemos fazer isso? Eles empolgam-se imediatamente. E explicar que não atrapalham nada. Vamos explicar tudo. Nessa tarde, 22 crianças chegam a casa falando apaixonadamente sobre as suas amigas fantasmas.
Mamã, porque é que a Sofia e a Valentina não podem continuar a ser fantasmas? João pergunta a Márcia Bitencurt durante o jantar: “Porque os fantasmas não existem de verdade, querido? Mas elas existem sim e são as mais giras da escola. João, estas meninas estão confusas emocionalmente, perderam a mãe e por isso elas tornaram-se fantasmas protetores.
Os fantasmas cuidam de crianças que perderam pessoas queridas. A inocência pura da resposta deixa Márcia completamente sem palavras. Mamã, se eu te perdesse, eu também ia querer ser fantasma para me proteger. Outras mães passam pela mesma experiência reveladora. Os seus filhos defendem apaixonada e inteligentemente as amigas fantasmas, explicando com a sabedoria emocional infantil porque a brincadeira é fundamental e importante.
Mãe, a A Valentina explicou-me que quando se transforma-se em fantasma, a sua mãe que está no céu, consegue ver-te melhor. A Maria conta para a mãe. E a Sofia ensinou-me que os fantasmas não ficam tristes, porque elas são muito fortes e corajosas. Pedro explica seriamente. E elas ajudaram-me quando estava com medo da prova de matemática.
Disseram que os fantasmas são super boas em números. A Ana relata. Aos poucos, algumas mães começam a compreender genuinamente que a fantasia das gémeas não é falta de educação ou de comportamento inadequado, mas sim uma estratégia emocional inteligente de sobrevivência psicológica. Mas Helena não desiste facilmente da campanha. Na sexta-feira, ela aparece pessoalmente na escola exatamente à hora da saída, determinada a confrontar a situação diretamente.
“Onde estão as minhas netas?”, pergunta ela para Regina com autoridade. “Brincando no pátio com as outras crianças?”, Regina responde. Helena marcha determinadamente até ao pátio e encontra Sofia e Valentina a correr alegremente com os amigos, usando ainda orgulhosamente os óculos escuros e os bonés de beisebol.
“Meninas, venham cá imediatamente.” Aproximam-se relutantes, percebendo o tom autoritário da avó. Tirem esses óculos ridículos agora mesmo. Mas avó, sem discussão. Chega de palhaçada. Helena arranca violentamente os óculos escuros dos rostos das duas e quebra-os deliberadamente no chão de betão. Agora voltaram a ser meninas normais de boa família.
Sofia e Valentina começam a chorar desesperadamente, como se tivessem perdido algo precioso. Os nossos óculos de fantasma, Sofia soluça inconsolavelmente. Sem eles, voltamos a ser crianças triste de novo. Valentina geme. As outras 22 crianças no pátio ficam completamente chocadas, presenciando a cena cruel.
Algumas começam a chorar solidariamente. Avó má, o João grita corajosamente. Você quebrou os poderes mágicos delas. Helena fica vermelha de vergonha e de raiva com o reação das crianças. Vocês não entendem coisa nenhuma. É para o bem delas. Não é para o bem, não. Maria rebate corajosamente. És malvada igual madrasta de filme de terror. Você fê-las chorar.
Pedro acusa. Os fantasmas não merecem ser machucadas. Nesse momento crucial, Vanessa chega a correr, alertada pelo tumulto. O que aconteceu aqui? A avó partiu os nossos óculos mágicos de fantasma. Sofia soluça desesperadamente. Agora já não conseguimos ficar invisíveis para as pessoas más. Vanessa abraça protetoramente as duas meninas e olha para Helena com raiva controlada, mas evidente.
A Dona Helena, a senhora não tinha qualquer direito de fazer isso. Tenho todos os direitos. São as minhas netas. Não quando isso prejudica profundamente o bem-estar emocional delas. Bem-estar emocional é balela moderna. A educação tradicional é que realmente importa. Ezequiel aparece correndo nesse momento, atraído pelo tumulto e gritos.
Papa, a avó destruiu os nossos poderes especiais. As gémeas correm desesperadamente para ele. Ezequiel vê os óculos partidos no chão e compreende imediatamente o que aconteceu. Mãe, como é que a senhora pôde fazer uma coisa dessas? Alguém com responsabilidade tinha que ter coragem para parar com esta palhaçada.
A senhora traumatizou deliberadamente as raparigas. Elas que estavam traumatizadas com esta história ridícula de fantasma. Ezequiel pega nas filhas a chorar no colo e olha para Helena com profunda desilusão. Mãe, a senhora ultrapassou completamente todos os os limites. Quem ultrapassou limites foi si, permitindo que as suas filhas se tornassem chacota social.
Elas não eram chacota, eram crianças emocionalmente estáveis e felizes. Felizes fazendo papel de ridículas. Vanessa aproxima-se diplomaticamente de Ezequiel. Posso levar as meninas para casa? Elas necessitam de se acalmar em ambiente seguro. Pode sim. No carro, Sofia e Valentina estão absolutamente inconsoláveis. A tia Vanessa, sem os óculos mágicos a gente já não consegue ser fantasma.
Valentina chora. Conseguem sim, os meus amores. Ser fantasma corajosa não depende de óculos. Depende sim. Sem eles, toda a gente vai ver que somos crianças órfãs, tristes. E qual exatamente o problema de serem vistas? Porque quando as pessoas nos veem de verdade, ficam com cara de pena porque a nossa mãe morreu.
Vanessa para o carro cuidadosamente e vira-se para elas. Meninas, vocês sabem o que eu penso? O quê? Penso que vocês já cresceram. e ficaram suficientemente fortes para serem vistas sem medo. Ficamos? Ficaram sim. Vocês passaram dois meses inteiros sendo fantasmas super corajosas. Aprenderam que conseguem enfrentar qualquer situação difícil.
Mas e se as pessoas tiverem pena de nós outra vez? Aí vocês mostram com orgulho que são fortes e corajosas e não precisam de pena de ninguém. Sofia e Valentina ficam pensativas por alguns minutos. Tia Vanessa, ser forte e corajosa significa que a gente não precisa mais de ser fantasma. Significa que podem escolher livremente.
Podem ser fantasmas quando se quiserem sentir protegidas ou podem ser raparigas corajosas quando quiserem mostrar como são fortes. E se quisermos ser os dois ao mesmo tempo, Vanessa sorri com carinho. Podem ser tudo o que quiserem. Sempre. Em casa, Ezequiel tem uma conversa definitiva e séria com Helena. Mãe, a senhora magoou profunda e desnecessariamente as meninas hoje.
Fiz exatamente o que era necessário fazer. O que era necessário era respeitar completamente o processo emocional delas. Processo de quê? De virarem desequilibradas mentais? De se curarem emocionalmente da perda traumática da mãe. Helena fica em silêncio durante um longo momento. Ezequiel. Eu também perdi minha querida nora.
Também sofri profundamente com a morte da Carolina. Eu sei disso, mãe, mas a vida continua para os vivos. As meninas precisam avançar de forma adequada. E estavam a seguir em frente à maneira própria delas, mas de forma completamente errada e desadequada. Quem tem autoridade para decidir o que é certo ou errado no processo de luto dos uma criança órfã? A Helena não consegue responder à questão.
Mãe, as meninas iam à escola felizes e produtivas pela primeira vez em dois anos completos. A senhora destruiu-o deliberadamente. Elas vão ultrapassar rapidamente. E se não superarem? E se voltarem a recusar completamente a ir à escola? Helena fica genuinamente preocupada. Não tinha considerado essa possibilidade real.
No fim de semana, Sofia e Valentina ficam completamente apáticas e deprimidas. Não querem brincar, não querem sair do quarto, não querem falar com ninguém. Meninas, que tal irmos ao shopping comprar roupa nova? Ezequiel sugere esperançosamente. Não queremos, respondem em uníssono apático.
Por quê? Porque sem óculos de fantasma todas as pessoas vão ver que somos órfãs tristes e infelizes. Vocês não são órfãs tristes. São crianças fortes, inteligentes e corajosas. Não somos, não somos apenas crianças sem mãe que ficam tristes. Ezequiel sente o coração completamente destroçado. As palavras cruéis da mãe destruíram sistematicamente a autoestima reconstruída das meninas.
Na segunda-feira seguinte, chegou o momento crucial da verdade. As gémeas precisam ir à escola sem a proteção emocional da fantasia dos fantasmas. Não queremos ir de modo algum, Sofia declara categoricamente. Por favor, meninas, vamos tentar pelo menos. Vanessa implora. Toda a gente vai ver que não somos mais especiais e protegidas.
Valentina protesta. Vocês sempre foram especiais. Com óculos ou sem óculos? Mentira. Sem óculos mágicos. Somos apenas crianças órfã sem mãe. Vanessa tem uma ideia desesperada de último recurso. Ela sai a correr da casa e volta 15 minutos depois com duas tiaras douradas cintilantes. O que é? Pergunta a Sofia com curiosidade.
São coroas de princesas guerreiras corajosas. Princesas guerreiras? Sim, princesas que enfrentaram dragões terríveis e salvaram reinos inteiros. As gémeas interessam-se pela primeira vez em dias. Que tipo de dragões? Dragões da tristeza profunda, dragões do medo paralisante, dragões da saudade dolorosa, dragões da solidão.
E elas conseguiram vencer todos? Venceram, sim. E agora são as princesas guerreiras mais poderosas e respeitadas do mundo inteiro. Sofia e Valentina tocam delicadamente as tiaras douradas com curiosidade crescente. Se usarmos estas coroas mágicas, vamos virar corajosas princesas guerreiras. Vocês já são princesas guerreiras corajosas.
As coroas só vão lembrar todo mundo disso. As meninas colocam cuidadosamente as tiaras e olham-se no espelho de corpo inteiro. Estamos diferentes e mais poderosas, Valentina observa. Estamos mais bonitas e mais fortes, Sofia concorda, e muito mais poderosas, acrescenta Vanessa. Princesas As guerreiras corajosas não têm medo de absolutamente nada, nem de ir para escola, principalmente de ir à escola, porque a escola é onde elas mostram aos todos como são inteligentes e corajosas.
Pela primeira vez desde sexta-feira, as gémeas sorriem genuinamente. Ok, vamos experimentar ser princesas guerreiras hoje. Na escola, as crianças ficam absolutamente encantadas com as novas identidades das amigas. Que lindas e poderosas, Maria exclama. Vocês tornaram-se princesas de verdade. Somos princesas guerreiras super corajosas.
Sofia explica com orgulho crescente. Vencemos dragões malvados. Que dragões? João pergunta fascinado. Dragões da tristeza? A Valentina responde. Eram gigantes e assustadores, mas a gente conseguiu derrotar todos. A A professora Márcia observa a interação e fica profundamente emocionada. As meninas encontraram organicamente uma nova forma de processar e ultrapassar o luto.
Durante a aula de matemática, elas participam ativamente, mantendo ainda orgulhosamente a nova identidade de corajosas princesas guerreiras. Princesa Sofia, Márcia chama carinhosamente. Pode ajudar-me com esta conta difícil? Claro, tia Márcia. Princesas guerreiras são ótimas em matemática de combate. As outras mães que organizaram a revolta ficam a observar discretamente da janela.
Parecem normais hoje, Márcia Bitencurt comenta. E estão a usar tiaras agora, observa Silvana. Pelo menos é mais elegante e adequado que óculos escuros. Mas a Helena não está sequer remotamente satisfeita. Para ela, qualquer tipo de fantasia é completamente inaceitável. Agora são princesas. Daqui a pouco vão querer ser fadas, depois sereias, depois extraterrestres.
Onde é que isto vai parar exatamente? Na quarta-feira, ela decide agir novamente com determinação total. chega à escola exatamente na hora do intervalo e encontra as gémeas brincando alegremente com as tiaras cintilantes. Tirem essas coisas ridículas da cabeça imediatamente. Mas a avó são coroas de corajosas princesas guerreiras.
Sofia protesta. As princesas não existem na vida real. Tirem isso agora mesmo. A tia A Vanessa disse que podemos ser tudo o que quiser. Valentina rebate corajosamente. A tia Vanessa está completamente enganada sobre tudo. Vocês são crianças normais de boa família. Helena tenta arrancar as tiaras com força, mas desta vez as as raparigas resistem ativamente.
Não são as nossas coroas mágicas. Avó má, quer destruir os nossos poderes de novo? Outras crianças juntam-se rapidamente para defender as amigas. Deixa-as ser princesas, João grita corajosamente. Avó malvada. Ana acusa publicamente. As princesas guerreiras não podem perder as coroas. Pedro protesta. Helena fica completamente cercada por 22 crianças furiosas defendendo apaixonadamente às gémeas.
Nesse momento tenso, algo completamente inesperado acontece. Carolina Mendes, mãe do João, aparece no pátio. Que confusão é esta toda? A avó delas quer tirar as coroas de princesas guerreiras. O João explica indignado para a mãe. A Carolina olha para Helena com evidente desaprovação. Dona Helena, as meninas não estão a fazer absolutamente nada de errado. Estão sim.
Estão a brincar inadequadamente de faz conta em horário escolar. Todas as as crianças brincam ao faz de conta. é completamente normal e saudável. Normal para crianças comuns. As minhas netas são especiais e têm responsabilidades. Exato. E exatamente por isso merecem viver a infância delas em total paz. Outras mães começam a chegar gradualmente e presenciam a discussão tensa.
“O que está a acontecer aqui?”, pergunta Fernanda. A avó das gémeas está tentando proibi-las de usar tiaras de princesa. Carolina explica por que motivo? Porque acha que a brincadeira criativa é inadequada para as crianças ricas. As mães entreolham-se significativamente. Nos últimos dias, os seus filhos contaram tanto sobre as amigas fantasmas e depois princesas guerreiras que começaram a compreender genuinamente a situação real.
A Dona Helena Fernanda aproxima-se diplomaticamente. A minha filha adora brincar com as netas e o meu filho fala delas entusiasticamente o tempo todo. Acrescenta Patrícia. Diz que são as mais criativas e giras da turma. Isso não interessa minimamente. O que interessa é a educação social adequada.
A educação adequada inclui permitir que as crianças sejam genuinamente crianças. Carolina contrapõe firmemente. Helena percebe que está rapidamente perdendo o apoio das outras mães influentes. A campanha política que ela organizou está a virar-se completamente contra ela. Vocês não compreendem as implicações. Estas fantasias são psicologicamente prejudiciais.
Prejudiciais para quem especificamente? Pergunta a Fernanda. Para o desenvolvimento psicológico saudável delas. Quem disse isso? Algum psicólogo profissional? Helena não tem resposta técnica. Foi ela que inventou completamente esta teoria. Naquela tarde, cinco mães que anteriormente apoiavam Helena procuram diretamente Ezequiel em casa.
Queremos pedir desculpas sinceras. Carolina começa. Desculpas porquê? Por termos acreditado nos boatos enfundados sobre as suas filhas. Os nossos filhos fizeram-nos entender que são crianças. excepcionalmente especiais. Fernanda explica. E que a A fantasia criativa delas é linda e tocante, não problemática. Patrícia acrescenta.
Ezequiel fica genuinamente surpreendido com a mudança radical de atitude. O que é que exatamente vos fez mudarem de opinião? Conversar honestamente com os nossos filhos? Carolina responde. Eles explicaram detalhadamente porque as fantasias são importantes e necessárias. e presenciar a sua mãe tentando deliberadamente destruir a autoestima das crianças órfãs.
Fernanda completa com evidente indignação. Ao foi absolutamente revoltante. Patrícia concorda. Ezequiel sente um alívio profundo. Finalmente alguém compreende a situação real. Muito obrigado pelo apoio. Na verdade, queremos ativamente ajudar. Carolina diz. Se a sua mãe continuar a criar problemas, vamos defender as suas filhas publicamente.
Estão a falar a sério? Completamente. Os nossos filhos adoram-nas. E crianças felizes são infinitamente mais importantes do que protocolo social rígido. Naquela noite, Ezequiel tem uma conversa definitiva e final com Helena. Mãe, preciso que pares completamente de interferir na vida emocional das raparigas.
Elas são as minhas netas. Tem o direito de dar a sua opinião sobre a educação. Tem direito a amar, não a prejudicar deliberadamente. Não estou prejudicando nada. Estou a tentar educar adequadamente. Está a traumatizar sistematicamente. As meninas ficaram severamente deprimidas depois de ter partido os óculos. Helena fica em silêncio defensivo.
Mãe, as outras mães mudaram completamente de opinião. Apoiam as meninas. Agora apoiam por motivo? Porque conversaram genuinamente com os filhos e compreenderam que as fantasias são emocionalmente saudáveis. E você acredita na opinião das crianças de 7 anos? Acredito na opinião de quem ama as minhas filhas de verdade e quero o bem delas.
Helena sente-se atacada pessoalmente. Eu amo-as profundamente. Ama? Assim, pare de tentar moldá-las no que acha que devem ser e aceite genuinamente quem elas realmente são. E se quiserem ser princesas para sempre, depois vão ser princesas para sempre. Isto é absolutamente ridículo. É amor incondicional, mãe. Coisa que você parece ter-se esquecido completamente.
Helena sai da casa profundamente magoada, mas também genuinamente reflexiva pela primeira vez. Na semana seguinte, algo verdadeiramente mágico acontece. As gémeas começam a alternar naturalmente entre as fantasias. Às vezes são princesas guerreiras corajosas. Por vezes são meninas normais. Às vezes inventam identidades completamente novas.
Hoje somos exploradoras espaciais, Sofia anuncia na segunda-feira. Amanhã vamos ser veterinárias de animais selvagens. Valentina planeia. E depois podemos ser arquitetas que constroem casas para fantasmas. Sofia acrescenta Vanessa percebe que elas encontraram finalmente um equilíbrio emocional saudável. Não dependem mais rigidamente das fantasias para funcionar, mas usam-nas criativamente como ferramentas de autoexpressão e confiança.
“Como se sente observando esta evolução natural?”, Ezequiel pergunta a Vanessa numa tarde extremamente orgulhosa. Elas aprenderam que podem ser absolutamente qualquer coisa. E quanto tempo pensa que vão manter as fantasias criativas? Não importa minimamente. O importante é que agora sabem profundamente que são especiais e valiosas, com fantasia ou sem fantasia.
Um mês depois, Helena aparece na mansão carregando discretamente um presente especial. O que é isto, avó? A Sofia pergunta com desconfiança justificável. São óculos escuros novos para vocês as duas. As gémeas ficam genuinamente surpreendidas. Mas disseste que os óculos de fantasma eram ridículos. Eu estava completamente enganada.
Se vocês querem ser fantasmas, por vezes podem ser. A Valentina pega cuidadosamente nos óculos e examina. Muito obrigada, avó. Mas hoje somos cientistas espaciais. Amanhã talvez sejamos novamente fantasmas. A Helena sorri genuinamente pela primeira vez em semanas. Podem ser exatamente o que quiserem.
Mesmo princesas guerreiras. Mesmo princesas guerreiras. As meninas abraçam carinhosamente a avó, felizes por terem ganho não só óculos novos, mas principalmente aceitação incondicional. Avó, queres brincar de cientista espacial connosco? Posso? Claro que pode. Mas vai ser a assistente júnior. A gente é que manda no laboratório. A Helena ri-se genuinamente.
Tudo bem, vocês é que mandam completamente. Seis meses depois, Sofia e Valentina são unanimemente as crianças mais populares e admiradas da escola. Elas lideram brincadeiras criativas, ajudam os colegas tímidos a participar ativamente e transformaram toda a turma numa comunidade muito mais imaginativa e inclusiva.
“As meninas estão absolutamente ótimas”, Dr. Marcos, o psicólogo escolar, comenta oficialmente para Ezequiel: “Processaram o luto de forma extremamente saudável e criativa e ainda usam fatos ocasionalmente. ocasionalmente, mas agora por pura diversão e autoexpressão, não por necessidade emocional defensiva. Isto é considerado normal.
É maravilhoso. As crianças criativas se tornam adultos emocionalmente resilientes e bem ajustados. Na festa de aniversário dos 8 anos das gémeas, realizada no Jardim da Mansão, toda a turma da escola vem fantasiada conforme as suas próprias escolhas. Que tema é esse? Pergunta-te tia Márcia, irmã de Ezequiel.
Tema livre total, Sofia explica radiante. Cada pessoa vem exatamente do que quiser ser, porque ser diferente e único é a coisa mais gira do mundo. Valentina completa com sabedoria. A festa tem fantasmas, princesas, superheróis, astronautas, médicos, bombeiros, fadas, piratas e até uma avó Helena, orgulhosamente fantasiada de cientista espacial.
Não acredito que esteja a usar isso. Ezequiel brinca carinhosamente com a mãe. Suas filhas extraordinárias ensinaram-me que nunca é tarde para descobrir a magia interior. Vanessa observa a festa de longe, profundamente emocionada ao contemplar o seu trabalho pedagógico florescendo completamente. Vanessa Ezequiel aproxima-se dela com uma expressão especial. Oi.
Festa absolutamente linda, certo? Linda demais e tudo exclusivamente graças a si. Não Fui eu sozinha, foram elas que encontraram a força interior. Você que mostrou o caminho possível. Ezequiel fica a olhar para ela com uma expressão diferente e intensa. Vanessa, posso-te fazer uma pergunta muito importante? Claro que pode.
Você já pensou seriamente em ser mais do que uma ama pedagógica das meninas? A Vanessa sente o coração acelerar perigosamente. Como assim? Mais já pensou em ser mãe oficial delas? O coração da Vanessa dispara. Ezequiel, sei que pode parecer uma completa loucura, mas as raparigas amam-no profundamente e eu também me apaixonei-me perdidamente por ti.
Você está a falar completamente a sério? Nunca falei tão a sério em toda a minha vida. Sofia e Valentina aparecem a correr nesse momento exato. A Tia Vanessa, vem brincar à dança maluca das princesas espaciais. Já vou, meninas queridas. Elas saem correndo alegremente e Vanessa olha profundamente para Ezequiel.
Preciso pensar com muito cuidado. Eu entendo perfeitamente, mas quero que saiba uma coisa. Você transformou completamente a nossa família, ensinou-nos a ser genuinamente felizes de novo. Vocês me ensinaram a amar incondicionalmente de novo. Assim, pensa com muito carinho no que falei. Duas semanas depois, Vanessa dá a sua resposta durante um jantar familiar especial.
Meninas, posso falar uma coisa muito importante convosco? Pode, tia Vanessa. O papá de vocês me fez um pedido muito especial. Que pedido? Sofia pergunta curiosíssima. Ele quer oficialmente que eu me torne mamã de verdade de vocês as duas. As gémeas ficam em choque absoluto durante alguns segundos, depois explodem simultaneamente de alegria. “A sério, Valentina? Grita.
Vais ser a nossa mãe de verdade?” Sofia confirma estasiada. “Se vocês realmente quiserem.” “Queremos, queremos, queremos.” Gritam em perfeito unísono, saltando das cadeiras para abraçar a Vanessa com toda a força. Ezequiel sorri profundamente emocionado, observando a cena. Então, está oficialmente decidido.
Vamos ser uma família completa de verdade. Já éramos família, Sofia diz com sabedoria natural. Agora só vai ser oficialmente legal. Um ano inteiro depois, no dia do casamento de Ezequiel e Vanessa, realizado na Igreja do Sagrado Coração, no Jardim Europa, as gémeas entram solenemente como damas de honor principais.
A Sofia usa orgulhosamente uma tiara princesa guerreira. Valentina prefere óculos de sol estilo fantasma elegante. Elas representam perfeitamente a filosofia fundamental da família. Cada pessoa pode ser autenticamente quem quiser ser. Ezequiel, o padre pergunta solenemente: “Aceita a Vanessa como esposa amada e aceita que ela seja mãe dedicada das suas filhas? Aceito com todo o meu coração.
” Vanessa, aceita o Ezequiel como marido amado e aceita Sofia e Valentina como filhas eternas do coração. Aceito com todo o amor que possuo. E vocês, meninas queridas, aceitam oficialmente Vanessa como mãe? Aceitamos completamente. Elas gritam em couro absoluto, fazendo rir toda a igreja emocionada. Assim, declaro-os oficialmente marido, esposa e família unida.
5 anos depois, Sofia e Valentina, agora com 12 anos, são adolescentes extremamente confiantes, criativas e bem ajustadas. Elas ainda usam fantasias ocasionalmente, mas agora para peças teatrais, festas temáticas e projetos escolares criativos. Mãe, Sofia chama Vanessa. Ela chama-lhe mãe oficialmente há anos. Muito obrigada.
Porquê, meu amor? Por termos ensinado que podemos ser absolutamente qualquer coisa. Vocês sempre o souberam, naturalmente. Só precisavam de se lembrar e acreditar. E obrigada por ter ficado corajosamente quando todos queriam que você fosse embora. Valentina acrescenta: “Eu nunca teria ido embora. Vocês são as minhas filhas do coração desde o primeiro dia.
” Helena, agora uma avó muito mais flexível e compreensiva, surge na cozinha. Meninas, que tal irmos ao cinema? Há um novo filme da Marvel. Só se usar tiara de superheroína também, avó. Sofia negoceia. Tudo bem, mas escolho qual superheroína? Pode escolher livremente. As superheroínas podem ter qualquer poder.
Valentina concorda generosamente. Ezequiel observa a cena da porta da cozinha, ainda constantemente impressionado com a transformação completa da família. Vanessa aproxima-se carinhosamente dele. No que está pensando? Em como você literalmente salvou esta família. Nós salvamo-nos juntos como equipa. Acha que elas ainda precisam dos fatos criativos? Já não precisam por necessidade emocional, mas gostam por diversão.
E isso é perfeitamente saudável. E você ainda acredita em fantasias? Vanessa sorri radiante, olhando para as filhas, conversando animadamente com a avó sobre qual a superheroína que cada uma quer representar. Acredito que algumas fantasias maravilhosas tornaram-se realidade concreta, como a fantasia de ter uma família absolutamente perfeita.
Nossa família é realmente perfeita, perfeitamente imperfeita e perfeitamente nossa. Do lado de fora da mansão, a vida continua o seu curso. As outras crianças da turma cresceram a admirar profundamente a criatividade e a autenticidade das gémeas. Muitas As famílias da elite aprenderam gradualmente a ser mais tolerantes e respeitosas com as diferenças individuais.
A escola desenvolveu um programa inovador de apoio emocional a crianças em luto, inspirado diretamente na história transformadora de Sofia e Valentina. E algures na cidade de São Paulo, uma nova ama está a chegar nervosa numa casa onde crianças órfãs se recusam terminantemente a sorrir, transportando discretamente na bolsa um par de óculos escuros e uma tiara dourada cintilante, porque aprendeu através de Vanessa que por vezes a cura emocional mais profunda vem disfarçada de brincadeira aparentemente simples. As
gémeas do milionário descobriram finalmente que não tinham de fugir da escola. Precisavam apenas de encontrar uma forma mágica e corajosa de a encarar. E no processo transformador ensinaram a todos à volta que ser diferente não é problema a ser desesperadamente corrigido, mas presente único a ser genuinamente celebrado.
Porque no final das contas toda a criança precisa de um pouco de magia para crescer emocionalmente forte. E toda a família precisa de alguém corajosa o suficiente para acreditar nesta magia, mesmo quando o mundo inteiro diz categoricamente que ela não existe. 10 anos depois, Sofia e Valentina, agora com 17 anos, são jovens excecionalmente criativas e empáticas.
A Sofia estuda teatro e quer ser encenadora. Valentina frequenta curso de psicologia infantil para ajudar as crianças traumatizadas. Ambas são voluntárias num projecto que Vanessa criou, Fantasias que Curam, onde os jovens ajudam as crianças em luto através de terapia lúdica. Mãe, Sofia diz numa domingo à tarde, obrigada por nunca ter tentado consertar-nos.
Vocês nunca precisaram de ser arranjadas, só precisavam de ser amadas exatamente como eram. E por ter ensinado o mundo inteiro que diferente é lindo, Valentina acrescenta: Ezequiel, agora com 52 anos, observa as filhas e a esposa, preparando material para o seu projeto social. Vanessa, sabes o que mais me impressiona? O quê? Como uma ideia simples de óculos escuros, se transformou numa revolução de amor.
Não foram os óculos que fizeram a revolução, foi a coragem de acreditar que o amor verdadeiro aceite sem tentar mudar. Helena, aos 75 anos, chega para almoçar domingo usando uma tiara discreta. Avó, ainda usa tiara? A Sofia ri-se carinhosamente. As suas filhas ensinaram-me que nunca é tarde para descobrir a nossa princesa interior e a nossa cientista e a nossa exploradora e a nossa artista Valentina Acrescenta e principalmente a nossa capacidade infinita de amar sem julgamentos. Vanessa completa.
Naquela tarde, enquanto toda a família brinca no jardim, Ezequiel de Pirata, Vanessa de Fada, Sofia de realizadora de cinema, Valentina de psicóloga espacial e Helena de rainha cientista, uma criança pequena passa na rua e para observar. A mamã, por que aqueles adultos estão a brincar? A mãe sorri.
Porque são uma família que aprendeu que brincar mantém o coração jovem. Posso brincar também? Claro que pode. Todo o mundo pode brincar. A criança corre para o portão e Sofia vê-a. Oi, queres entrar para brincar connosco? Posso? Pode, mas primeiro precisa escolher quem quer ser. Posso ser qualquer coisa? Absolutamente qualquer coisa que sonhar.
A criança pensa por um momento. Quero ser uma menina feliz. Toda a família sorri. Esta é a melhor fantasia de todas, diz Vanessa, e já está a funcionar. Porque no final do toda a história de transformação, a maior magia não está em ser princesa, fantasma, superheroína ou cientista. A maior magia está em ser genuinamente feliz, sendo exatamente quem é, rodeado por pessoas que adoram esta versão autêntica de si.
E, às vezes, quando temos sorte, encontramos pessoas especiais que nos ensinam que não precisamos de escolher entre ser mágicos ou ser reais. Podemos ser maravilhosamente ambos. E assim termina a história das gémeas que não queriam ir à escola, mas encontraram uma ama que entendeu que às vezes a solução não está em forçar a realidade, mas em criar uma ponte mágica até que estejamos prontos para atravessá-la sozinhos.
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