O milionário demitiu a Babá sem razão… até que sua Filhinha disse algo que o Deixou em Choque

O despertador toca às 5h30 da manhã. Raíça Oliveira levanta-se da cama estreita da pensão, onde vive há dois meses, desde que perdeu o emprego na escola particular. 26 anos, diploma de pedagogia pendurado na parede como recordação de dias melhores, conta no banco, quase a zero. Hoje é a sua última hipótese antes de ter de voltar para a casa da tia no campo.
O espelho do WC coletivo reflete uma mulher jovem de olhos determinados. mas com as marcas do desemprego no rosto. Reissa penteia os cabelos castanhos, veste a sua única roupa social, um conjunto azul marinho que já viu melhores dias, e guarda os documentos numa pasta que ganhou na formatura. O trajeto de autocarro até ao bairro Nobre demora 1 hora30.
Raíça observa a cidade a mudar pela janela. Os edifícios populares dão lugar a casas cada vez maiores. Carros populares são substituídos por veículos de luxo. Quando desce na última paragem, sente-se uma estranha no próprio país. A rua das As magnólias não têm placas com números. As mansões escondem-se atrás de muros altos e imponentes portões.
Raíça conta as casas até encontrar a certa, um palácio de três andares que mais parece cenário de filme. Por momentos, hesita. Será que uma menina dos subúrbios pode realmente trabalhar num sítio assim? Tem que dar certo”, sussurra para si mesma, apertando os documentos contra o peito. A campainha ecoa um som melodioso. Uma câmara discreta observa-a antes do portão abrir automaticamente.
Raiça caminha pela alameda de pedras portuguesas, ladeada por rosezeiras perfeitas, até chegar à porta principal. Uma obra de arte em madeira trabalhada, mas ninguém atende ali. Uma voz áspera grita do lado da casa. As entrevistas de emprego são pela entrada de serviço. Raíça contorna a mansão, as bochechas a arder de vergonha.
Na porta das traseiras, uma mulher robusta a aguarda com cara de poucos amigos. Cabelos grisalhos apanhados com ganchos, fardamento impecável, postura militar. Andreia Santos, governanta, és a candidata a ama? Sou a Raíça Oliveira. Andreia examina-a dos pés à cabeça, como quem avalia uma mercadoria. Sapatos a precisar de gracha, roupa amarrotada da viagem de autocarro, perfume barato.
Raíça sente o rosto aquecer, mas mantém a compostura. O senhor da casa não gosta de atraso. Já são 7:05. Siga-me e mantenha a boca fechada a não ser que seja perguntada. No escritório, um homem de 42 anos, cabelos grisalhos nas têmporas fato impecável, examina documentos atrás de uma mesa gigantesca. Fabrício Cavalcante, proprietário de uma das maiores empresas tecnológicas do país, viúvo, há um ano.
Raíça Oliveira, 36 anos, formação em pedagogia. Ele lê sem levantar os olhos. 26.º O Senhor Raíça corrige educadamente, Fabrício olha-a pela primeira vez. Experiência com crianças de 7 anos. Trabalhei do anos numa escola particular turmas da primeira série. Por que razão saiu? Cortes na equipa. Crise económica. Fabrício volta a examinar o currículo.
Referências. Três famílias que cuidei como babysitter nos fins de semana. Expectativa salarial. Raça hesita, precisa do emprego, mas não quer se vender barato. O que o senhor considera justo para o cargo? R$ 2.500, habitação na casa, folga aos domingos. É menos do que Raíça esperava, mas é melhor do que ficar desempregada.
Aceito. Ótimo. Vai cuidar da Alice, a minha filha de 7 anos. Ela perdeu a mãe há um ano e tem alguns problemas de comportamento. Que tipo de problemas? Não fala muito. Tem pesadelos, por vezes torna-se agressiva. Já passaram aqui cinco amas. Raça sente o coração apertar. Uma criança traumatizada precisa de amor e paciência, não de funcionários que desistem facilmente.
Quando posso começar? Hoje mesmo. A Andreia vai mostrar o seu quarto e as regras da casa. O quarto de Raíça é no piso de serviço, simples, mas limpo. Andreia entrega uma lista de regras impressa. Leia com atenção. Senr. O Fabrício é muito rígido com horários e disciplina. Raíça examina a lista. Acordar às 6 da manhã.
Café da Alice às 7.º Atividades educativas das 8 às 10. Lanche das 10 às 10:15. Mais estudos até o almoço, a tarde inteira programada minuto a minuto. Não tem tempo para brincadeira livre? Raça pergunta. Senr. Fabrício acha que uma criança precisa de disciplina, não de brincadeira, mas ela tem 7 anos. Senr.
Fabrício perdeu a esposa num acidente de viação. Desde então quer manter a filha sempre segura e ocupada. Raíça entende. O homem está tentando proteger a filha, controlando cada minuto da vida dela. Onde está a Malícia agora? No quarto dela, segunda porta à direita no segundo piso. Raíça sobe as escadas e bate à porta delicadamente.
Alice, sou a Raíça, a tua nova ama. Silêncio total. Posso entrar? Nenhuma resposta. Raíça abre a porta devagar. O quarto é um sonho de princesa. Cama com docel rosa, estantes cheias de livros, brinquedos organizados por cor e tamanho. Mas no meio de toda a esta perfeição, uma menina pequena está sentada no chão do closet, abraçada a uma boneca.
A Alice tem cabelos loiros compridos, olhos azuis demasiado grandes para o rosto magro e uma expressão de quem já viu adultos a mais a ir embora. Oi, Alice. Posso sentar-me aqui perto? A menina olha-a desconfiada, mas não diz não. Raça senta-se no chão a uma distância respeitosa. Que linda boneca. Como é o nome dela? Alice sussurra baixinho. Mamãe.
O coração de Raíça se aperta. A menina batizou a boneca com o nome da mãe morta. Ela é muito especial, então Alice acena que sim com a cabeça. Queres mostrar-me os teus brinquedos? Para que vais embora igual às outras? A frase dita com uma tristeza profunda comove Raíça. Porque é que acha que eu vou embora? Porque eu sou difícil.
Papa disse. Raíça sente raiva. Como um pai pode dizer isso à própria filha? Não és difícil, Alice. Você só está triste. A mamã morreu porque eu fui mau. Quem lhe disse isso? Avó Beatriz. Ela disse que a mama morreu porque eu não obedecia. Aía fica chocada. A avó está a culpar uma criança de 7 anos pela morte da mãe.
Alice, ouve-me bem. A sua mamã não morreu porque você foi mau. Às vezes as pessoas vão para o céu e não é culpa de ninguém. Tem certeza? Absoluta. A mamã amava-te muito. Pela primeira vez, Alice esboça um sorriso tímido. Conheceu a minha mama? Não conheci, mas sei que toda a a mamã ama os filhos. As outras amas não gostavam quando eu falava da mama.
Eu gosto. Pode falar dela sempre que quiser. Alice sai do closet e senta-se ao lado de Reissa. A mamã era bonita e cheirava bem e cantava para eu adormecer. Que música ela cantava. Brilha, brilha, estrelinha. Posso cantar para ti também? Alice acena que sim com a cabeça. Raísa começa a cantar o lar baixinho. Alice fecha os olhos e, pela primeira vez em muito tempo, relaxa.
Elas são interrompidas por uma pancada na porta. Alice, hora do café. É a voz da Andreia. Já vamos. Raíça responde. Na cozinha, Alice come em silêncio enquanto Raíça observa. A menina mal toca na comida. Não gosta do pequeno-almoço? Raíça pergunta. A mamã fazia panquecas. Ah, gosta de panquecas? A Alice faz que sim com a cabeça.
Andreia, posso fazer panquecas para a Alice amanhã? Não pode alterar o menu. Senr. Fabrício. Deixou tudo programado. Raíça fica frustrada. Como cuidar de uma criança sem poder adaptar nada às necessidades dela? Depois do café, Raça tenta seguir a programação. Atividades educativas das 8 às 10.
Ela pega nos livros indicados na lista. Vamos estudar matemática? Alice faz cara de tédio. Eu detesto matemática. Por que razão odeio? É difícil e aborrecido. Ra olha para os exercícios. São demasiado complexos para uma criança de 7 anos. Que tal aprendermos matemática a brincar? Como assim? O Ra pega em alguns brinquedos coloridos.
Vamos fingir que estes os ursinhos são clientes numa loja e você é a vendedora. Os olhos de Alice brilham. Pode? Pode sim. Quantos ursinhos azuis temos? A Alice conta. Três. E vermelhos? Dois. Se eu comprar um azul, quantos vão sobrar? A Alice pensa e responde: Dois. Isso mesmo, é muito inteligente. Pela primeira vez desde que a mãe morreu, Alice ri-se de verdade.
Elas passam a manhã inteira a brincar de loja, aprender matemática sem se aperceber. Alice está animada, faladora, curiosa. Ao meio-dia, Fabrício chega do escritório para almoçar em casa. Encontra Alice rindo alto no quarto. Que barulho é esse, Andreia? Explica. A nova ama está ensino da matemática. Com esta gritaria toda, Fabrício sobe para verificar.
Encontra Alice e Raíça no chão, rodeadas de brinquedos, fazendo contas com objetos coloridos. Alice, a menina para de rir na hora, fica séria. Oi, papá. O que estão a fazer? Aprendendo matemática, a brincar. A Alice responde tímida. A matemática não é uma brincadeira, é estudo sério. Raíça levanta-se. Senr.
Fabrício, a Alice aprendeu mais nesta manhã do que não lhe pedi a opinião. Alice, hora de almoço. Durante o almoço, Alice volta ao silêncio habitual. Fabrício come concentrado no telemóvel, respondendo a e-mailos. Papa, posso contar como aprendi matemática hoje? Depois, Alice, estou ocupado. Alice baixa a cabeça desapontada.
Raíça observa a cena e compreende parte do problema. O pai está tão focado no trabalho que não vê a filha. À tarde, a programação continua. Mais estudos, lanche cronometrado, atividade física, 15 minutos de passeio no jardim, banho a seis. Durante o banho, a Alice conversa mais livremente. Raíça, porque é que o papa não brinca comigo? Ele está muito ocupado com o trabalho.
A mamã brincava comigo, mesmo quando estava cansada. A sua mamãe parecia muito carinhosa. Era. E quando eu tinha pesadelo, ela dormia comigo. Você ainda tem pesadelos? A Alice faz que sim. Toda noite sonho que a mama está a chamar e eu não consigo chegar perto dela. Raíça sente o coração apertar e quando acorda? Fico sozinha.
Papa não pode ser acordado. Quem disse isso? Andreia. Ela disse que o papá precisa de dormir para trabalhar. Raíça fica revoltada. Uma criança de 7 anos não deve passar pesadelo sozinha. Alice, se tiver pesadelo esta noite, podes ligar-me? Pode, claro. O meu quarto fica pertinho. As outras amas não deixavam. Eu deixo. Naquela noite, a Alice tem realmente pesadelo.
Ela acorda, gritando: “Mama, mamã!” Raíça corre para o quarto da menina e encontra-a a chorar, tremendo. Está tudo bem, foi apenas um sonho. Raíça abraça Alice, que se agarra a ela desesperadamente. Eu vi a mama. Ela estava longe e eu não conseguia chegar até ela. A mamã está no céu, protegendo-o. Como sabe? Porque a mamã protege sempre os filhos, mesmo de longe.
Rissa fica com Alice até ela adormecer de novo. São 3 da manhã quando ela regressa ao quarto. Na manhã seguinte, a Alice está diferente, mais carinhosa, mais confiante. Bom dia, Raíça. Posso ajudar a fazer o meu café? Claro que pode. Elas vão para a cozinha juntas. Andreia faz cara feia. A menina não deve mexer na cozinha.
Só me vai ajudar. Não há problema. Raíça ensina Alícia a partir ovos, a mexer a massa. A menina está radiante. Posso fazer panqueca para papa? Pode sim. Quando Fabrício desce para tomar café, encontra Alice com avental toda orgulhosa. Papa, eu fiz panqueca para ti. Fabrício olha surpreendido. Você fez? A Raíça ensinou-me.
Prova. Fabrício prova uma garfada. Está gostosa. Alice sorri de orelha a orelha. A mamã ensinou-me a partir ovo antes de morrer. O rosto de Fabrício fica sério. A Alice não está sempre a falar da sua mãe toda hora. O sorriso da menina desaparece. Desculpa, papá. Raíça fica indignada, mas controla-se.
Como pode o pai proibir a filha de falar da mãe? Depois que Fabrício sai para trabalhar, Raíça conversa com Alice. Porque é que o seu papa não gosta quando fala da mamã? Porque fica triste. Andreia disse que falar da mama deixa a papa doente. Raíça entende: Fabrício está a evitar o luto e, por isso, não deixa a filha processar a perda.
Alice, é normal sentir saudades da mamã e é bom falar dela. Mas papa fica bravo. Papa está a sofrer também. Às vezes, os adultos não sabem como lidar com a tristeza. Durante duas semanas, Raíça desenvolve uma rotina carinhosa com Alice. Ela adapta as atividades educativas para serem mais lúdicas. Canta canções de embalar, conversa sobre a mãe, ajuda nos pesadelos.
Alice floresce visivelmente, torna-se mais falador, sorri mais, come melhor. Raíça, podes ser a minha nova mamãe? A pergunta apanha Raíça desprevenida. Por que quer uma nova mamã? Porque cuidas de mim como mamas cuidava. Raíça fica emocionada. Eu cuido de ti porque te amo muito. Também te amo.
É a primeira vez que Ali se demonstra amor por alguém desde que a mãe morreu. Mas nem tudo são rosas na mansão. Beatriz Cavalcante, mãe de Fabrício e avó de Alice, é uma mulher de 65 anos, elegante, controladora e com ideias muito rígidas sobre a educação. Ela visita a neta duas vezes por semana e encontra sempre algo para criticar. Fabrício, esta nova ama está a mimar demais a Alice.
Como assim, mãe? A menina está muito faladora, muito sorridente. Isto não é normal para uma criança enlutada. Ela está mais feliz, é bom, é perigoso. A Alice pode esquecer a mãe. Mãe, ela tem 7 anos, precisa de alegria na vida, precisa de disciplina. O luto ensina o caráter. Beatriz sobe para o quarto de Alice e encontra-a a brincar de casinha com a Raíça.
O que é esta brincadeira? Raíça levanta-se. Boa tarde, a dona Beatriz. Estamos a brincar de família. A Alice tem idade para brincar de boneca. Família é coisa séria. Mas avó, a Raíça estava a ser a mamã. Chega. Beatriz interrompe Raíça não é sua mãe. A sua mãe morreu. Alice fica cabisbaixa. Raíça sente raiva da insensibilidade da mulher.
Dona Beatriz, a Alice precisa elaborar o luto de forma saudável. Brincar ajuda. Não tem filhos, não sabe educar. Tenho formação em pedagogia infantil. A formação não substitui a experiência. A Alice precisa aceitar que a mãe morreu e deixar de fantasiar. Ela não está a fantasiar, está a processar a perda. Beatriz semicerra os olhos.
Está enchendo a cabeça dela com ideias. Estou a ajudar ela a lidar com a tristeza. Tristeza passa. O que não passa é má educação. Depois de Beatriz ir embora, Alice está quieta o resto da tarde. Raíça, a avó está certa? Não posso brincar aos ter mamã? Pode sim, meu amor. É normal uma menina querer ter a mamã. Mas ela disse que a mamã morreu e não volta.
É verdade que a mamã morreu, mas o amor dela por si não morreu. Como assim? O o amor fica no coração para sempre, mesmo quando a pessoa se vai embora. Alice sorri um pouquinho. Então, a mama ainda me ama? Com certeza do céu. Nessa noite, Alice não tem pesadelo. Pela primeira vez desde a morte da mãe, dorme de noite inteira. Fabrício nota a diferença.
A Alice dormiu bem? Dormiu a noite toda. Andreia confirma. Interessante. Fazia meses que tal não acontecia. Durante o pequeno-almoço, Alice está animada. Papa, não tive pesadelo esta noite. Que bom, pequena. A Raíça disse que a mamã me ama do céu. É verdade. Fabrício fica desconfortável. Alice, é verdade, papá.
Fabrício olha para a Raíça pedindo ajuda. Ele não sabe falar sobre morte com a filha. É verdade. Sim. Raíça responde. A mamã ama-te para sempre. Obrigada por me explicar, a Alice diz para Raíça. Fabrício observa a interação e fica tocado. Raísa consegue falar sobre assuntos difíceis que ele evita. Mas a a felicidade dura pouco.
Na terceira semana, Beatriz chega à mansão com três amigas: Helena Monteiro, Sílvia Corrêa e Marisa Albuquerque. Todas da alta sociedade, todos com opiniões firmes sobre como educar crianças. Beatriz querida, onde está essa ama que está causando problemas? Pergunta a Helena. Está lá em cima com a Alice. Vocês vão ver.
As quatro sobem e encontram Raíça e Alice a pintar juntas. O que é? Beatriz pergunta com nojo. Estamos a fazer arte, vovó. Alice responde animada. Arte? Criança de 7 anos não faz arte, faz lição. Mas a avó, a Raíça disse que pintar ajuda a expressar sentimentos. Sentimentos? Sílvia ri sarcástica. Que disparate. Criança não tem sentimento complexo.
Raíça levanta-se. Com licença, dona Sílvia. Mas as crianças têm, sim, sentimentos complexos. Não tem filhos. Marisa intervém. Não sabe do que está a falar. Tenho formação em desenvolvimento infantil. Teoria é diferente de prática. Helena menospreza. Beatriz pega no pincel das mãos de Alice. Chega de sujidade.
Vai lavar as mãos. Mas avó, eu estava pintando a mama. Não quero ouvir falar dessa pintura. Alice sai a chorar. Raíça a segue. Não chores, meu amor. Sua pintura está linda. A avó não gostou. A avó não entende de arte. Eu gostei muito. As quatro mulheres observam a cena da porta. Viu só? Beatriz sussurra. Ela está a virar a cabeça da menina contra a família. Muito suspeito.
Helena concorda. Alice estava bem disciplinada antes, a Sílvia comenta. Agora está rebelde. Típico de ama mal educada. Marisa conclui. Na hora do almoço, as quatro conversam com Fabrício. Filho, esta ama está a descontrolar Alice. Beatriz queixa-se. Como assim, mãe? A menina está desobediente, desarrumada, falando demais. Ela está mais feliz.
Qual é o problema? O problema, Helena, interfere, é que uma criança precisa de limites, e não de liberdade total. Alice tem limites. Não tem não, Sílvia discorda. Ontem vimos ela a pintar. A pintura não é uma atividade educativa. Arte desenvolve a criatividade. Criatividade não paga a conta, filosofa a Marisa.
Alice precisa de aprender coisas úteis. Fabrício fica dividido. Por um lado, vê que a filha está mais feliz. Por outro, as mulheres que ele respeita estão preocupadas. Que tipo de alterações sugerem? Troca a ama. A Beatriz é direta, contrata alguém mais rígida. Mãe, a Alice apegou-se à Raíça. Demasiado apego também é problema.
A Alice precisa de aprender a não depender de ninguém. Ela tem 7 anos. Idade perfeita para aprender a independência. Helena argumenta. Fabrício promete pensar no assunto, mas fica incomodado. As as mulheres querem transformar Alice numa mini adulta. À noite, observa o Raíça a deitar Alice a dormir. Há uma ternura entre elas que o toca.
Raíssa, posso falar contigo? Claro. Eles vão para a sala. A minha mãe acha que você está a ser demasiado permissiva com Alice. Permissiva como? Deixando-a pintar, brincar em demasia, falar sobre a mãe. Raíça torna-se séria. Senr. Fabrício. A Alice é uma criança normal que passou por um trauma. Ela precisa de amor e compreensão, não de mais rigidez.
Mas a minha mãe tem experiência, com todo o respeito, a sua mãe tem ideias antigas sobre a educação. Alice não precisa de esquecer a mãe, precisa aprender a viver com a saudade. Fabrício fica pensativo. E se a minha mãe estiver certa? Olhe para a Alice. Ela está comendo melhor, dormindo melhor, sorrindo mais.
Estes são sinais de uma criança saudável. É verdade, senor Fabrício, posso fazer uma pergunta? pessoal. Pode. O senhor sente culpa pela morte da esposa? A pergunta pega Fabrício desprevenido. Por que razão pergunta isso? Porque o Sr. evita falar sobre ela e Alice sente isso. Fabrício baixa a cabeça. Eu estava a conduzir quando aconteceu o acidente. Mas a culpa não foi sua.
Se eu tivesse sido mais cuidadoso. Senr. Fabrício. Acidente é acidente. Não tem culpado. A Alice perdeu a mãe por minha causa. Raíça entende. Fabrício culpa-se e por isso, não consegue ajudar a filha a processar o luto. Alice não culpa o senhor. Ela só quer que o senhor não tenha medo de falar sobre a mamã. É difícil para mim, mas é necessário para ela.
Fabrício fica em silêncio, processando as palavras de Raíça. Na semana seguinte, tenta seguir o conselho. Durante o jantar, Alice comenta: “Papá, hoje sonhei com a mama, mas foi um sonho bom. Em vez de mudar de assunto, Fabrício pergunta: “Como é que foi o sonho?” A mamã estava no jardim a colher flores e ela deu-me uma flor muito bonita.
Que tipo de flor? Rosa branca, igual à que ela gostava. Fabrício emociona-se. A sua mãe amava realmente rosas brancas. Lembras-te dela, papa? Lembro todos os dias. É a primeira conversa real que o pai e filha t mãe morta. Alice fica radiante, mas Beatriz não gosta nada da mudança. Fabrício, está a cometer um erro ao deixar Alice falar da mãe.
Por que é erro, mãe? Porque ela precisa seguir em frente, não ficar a viver no passado. Ela tem 7 anos. A mãe faleceu há um ano. É normal ela sentir saudades. Normal é esquecer e focar no futuro. Não Quero que ela esqueça a mãe. Beatriz fica irritada. Esta babá está lavando a sua cabeça também. Raíça só está ajudando Alice a curar-se.
Se curar de quê? A Alice não está doente, está traumatizada, mãe. Todo o mundo passa por perdas na vida, não pode estar a mimar. Fabrício irrita-se. Não estou a mimar. Estou a ser pai. A discussão aquece, mas Fabrício mantém a sua posição. Ele não vai mais reprimir a filha. Beatriz sai da casa furiosa e liga às amigas.
Meninas, a situação está pior. Fabrício está a defender a babá. Que situação grave, Helena comenta. A ama está manipulando-o através da criança. A Sílvia analisa. Típico de mulher interesseira. Marisa acrescenta: “Temos que fazer alguma coisa. A Beatriz decide. Que tipo de coisas?”, pergunta Helena. Vou descobrir podres desta mulher.
Todo mundo tem esqueletos no armário. Boa ideia, a Sílvia concorda. Beatriz contrata um investigador privado para seguir Raíça. Quero saber tudo sobre ela. Onde vai, com quem fala, que tipo de vida leva. O investigador Paulo Oliveira é um homem experiente em encontrar problemas. Pode deixar comigo, dona Beatriz.
Se ela tiver algo a esconder, vou descobrir. Durante uma semana, Paulo segue Raíça discretamente. Descobre que ela vive numa pensão simples, estuda à noite, vai à igreja aos domingos. Não encontrei nada comprometedor, relata. Impossível. Continue procurando. Dona Beatriz. A rapariga tem uma vida muito simples e honesta.
Todo o mundo tem defeito. Procure melhor. Paulo continua investigando, mas só encontra mais evidências do bom carácter de Raíça. Frustrada, Beatriz decide apelar para outros métodos. Numa quinta-feira, ela vai à mansão quando Fabrício está trabalhando. Encontra Raíça a brincar com a Alice no jardim. Raíça, preciso falar contigo. Claro, dona Beatriz.
Em particular. Alice continua a brincar enquanto as duas conversam a um canto. Jovem, vou ser direta contigo. Sim, senhora. Está a meter-se demais na vida desta família. Como assim? Está enchendo a cabeça de Alice com disparates sobre a mãe morta. Estou a ajudá-la a processar o luto. Não é psicóloga, é ama.
Sou pedagoga com especialização em desenvolvimento infantil. Não me importa os seus diplomas. A Alice precisa esquecer a mãe. Raíça fica chocada. Como a senhora pode dizer isso? Porque é a realidade. Ficar a remoer morte não ajuda ninguém. A Alice tem direito de sentir saudades da mãe. Direito. Ela tem a obrigação de seguir em frente.
Ela tem 7 anos. Idade perfeita para aprender que a vida é dura. Raíça não acredita no que está a ouvir. A Dona Beatriz, com todo o respeito, a senhora está enganada. Como se atreve a contradizer-me? Porque o bem-estar de Alice está em jogo. O bem-estar de Alice é decidido pela família dela, não por uma funcionária. Raíça sente a ofensa, mas controla-se.
Dona Beatriz, a Alice está muito melhor agora, mais feliz, mais saudável, está mimada e desobediente. Está a ser criança, é diferente. Para mim é falta de educação. Assim, temos visões diferentes sobre a educação de infância. Beatriz franze os olhos. Visões diferentes, não. Classes sociais diferentes.
A frase fica no ar como uma provocação. Raíça entende que Beatriz está a estabelecer hierarquia social. O que é que a senhora quer dizer com isso? Que não compreende como as pessoas da nossa turma educam filhos? Educação respeitosa serve para qualquer classe social. Educação respeitosa, Beatriz Ri. Criança não merece respeito, merece disciplina. Raíça fica horrorizada.
Toda criança merece respeito. Você pensa assim porque vem de uma família simples, não conhece responsabilidades de gente rica. A conversa é interrompida pela chegada do Fabrício. Boa tarde. O que estão a conversar? Nada demais. A Beatriz mente. Só orientações para a Raíça. Fabrício nota a atenção no ar, mas não comenta.
À noite, Raíça fica a pensar na conversa. A Beatriz está a criar um ambiente tóxico para a Alice. Na sexta-feira, a situação piora. Beatriz chega com uma mulher elegante de 40 anos. Fabrício, quero-te apresentar Fernanda Lopes, especialista em educação de infância de elite. Fernanda é fria, séria, com ideias rígidas sobre disciplina. Prazer, senhor cavalcante.
A sua mãe contou-me sobre os desafios educativos de Alice. Que desafios? Comportamento inadequado para uma menina de família tradicional. Fabrício franze a testa. A Alice está com um comportamento normal para a idade, normal para a criança comum. A Alice precisa de educação especial.
Por quê? Porque ela vai herdar responsabilidades sociais. Precisa aprender a postura desde cedo. Fabrício fica incomodado. Postura. Saber ficar quieta, não questionar os adultos, manter elegância em todas as situações. A Alice é uma criança, precisa de brincar e se expressar. A expressão é luxo que pessoas importantes não podem ter. Fernanda diz friamente.
Fabrício não gosta do que está a ouvir. Fernanda, obrigado pela visita, mas a Alice está bem com a atual ama. Beatriz insiste. Fabrício, pelo menos ouça as sugestões dela. Que sugestões? Fernanda abre uma pasta. Rotina de disciplina rigorosa. 4 horas de estudo por dia. Lições de etiqueta, proibição de brincadeiras. ulentas. A Alice tem 7 anos.
Idade ideal para moldar o carácter. Fernanda responde. Fabrício abana a cabeça. Não Quero que a minha filha seja moldada. Quero que seja feliz. A felicidade é a consequência de uma disciplina bem aplicada. Discordo. Beatriz fica irritada com a resistência do filho. Fabrício, tu está a ser influenciado pela babá. Estou sendo pai.
Após Fernanda ir embora, A Beatriz fica para jantar. Durante a refeição, ela observa Alice a conversar animadamente com a Raíça sobre a escola. Papa, a Raíça ensinou-me uma canção nova. Que música? Fabrício pergunta interessado. Alice começa a cantar uma canção infantil fazendo gestos. Raíça acompanha sorrindo. Linda música. Fabrício comenta. Beatriz interfere.
Alice, criança educada, não canta na mesa. O sorriso de Alice desaparece. Desculpa, avó. Mãe, deixa a menina cantar. Fabrício protesta. Fabrício, a educação se aprende em casa. Se não ensina, quem vai ensinar? Raíça está a ensinar coisas importantes também. Cantigas infantis não são importantes. Raíça se defende. Dona Beatriz.
A música desenvolve coordenação motora e competências linguísticas. Não foi perguntada. O silêncio constrangedor toma conta da mesa. Alice fica cabisbaixa. Depois do jantar, Beatriz despede-se, mas antes fala com Fabrício em particular. Filho, esta ama está a virar a cabeça de Alice contra mim. Como assim? Viu como ela me contrariou na mesa? Ela estava explicando sobre a educação musical.
Ela não tem o direito de me contradizer na frente de Alice. Mãe, Raíça tem formação pedagógica, conhece o assunto. Formação não dá direito a desrespeite. Se você não tomar uma atitude, vou tomar. Que atitude vai descobrir? Na semana seguinte, Beatriz coloca um plano maquiavélico em ação. Ela contrata uma atriz para se fazer passar por ex-patroa de Raíça.
Quero que ligue para o Fabrício e conteíveis sobre a mesma. Que tipo de histórias? Pergunta a Camila, a atriz, que batia nas crianças, que roubava, que era negligente. Mas isso não é verdade. Não importa. É para assustar o meu filho. Na segunda-feira, Fabrício recebe uma chamada no escritório. Olá, senhor cavalcante. Meu nome é Luciana Santos.
Preciso falar sobre Raíça Oliveira. Raíça, o que tem ela? Ela trabalhou para a minha família. Foi uma experiência terrível. Fabrício fica alerta. Como assim terrível? Ela maltratava os meus filhos. era negligente e agressiva. Isto não parece com a raíça que conheço. Ela sabe fingir muito bem, mas quando os pais não estão por perto, ela mostra a verdadeira face.
Fabrício fica abalado. A senhora tem provas disso? Infelizmente não documentei na época, mas posso dar pormenores do que aconteceu. A Camila inventa histórias detalhadas sobre alegados maus tratos. Fabrício está cada vez mais preocupado. Por que razão a senhora me está a contar isso agora? Porque soube que ela trabalha para o senhor.
Não posso permitir que outra criança sofra. Depois da chamada, Fabrício fica perturbado. E se Raíça realmente tiver um lado obscuro que ele não vê? À noite, observa a Raíça a dar jantar para a Alice. Ela é carinhosa, paciente, atenciosa, não parece alguém capaz de maus tratos. Mas a dúvida foi plantada.
Na terça-feira, Beatriz liga para Fabrício. Filho, soube que tu recebeu ontem uma chamada interessante. Como soube? A mulher ligou-me também. Está preocupada com Alice. Mãe, conhece esta Luciana Santos? Não pessoalmente, mas ela parece muito sincera. Fabrício não imagina que A Luciana é na verdade a Camila contratada por Beatriz.
O que acha que devo fazer? Despede a Ama imediatamente. Não pode arriscar a segurança de Alice. Mas A Alice apegou-se tanto à Raíça. Melhor ela sofrer um pouco agora do que sofrer muito depois. Fabrício fica dividido entre a lealdade à Raíça e a preocupação com a filha. Na quarta-feira, decide contratar um investigador privado para verificar o passado de Raíça.
Quero que investigue Raíça Oliveira com cuidado. Preciso de saber se ela tem histórico de problemas. O investigador Marcos Silva é sério e profissional. Que tipo de problemas? Maus tratos a crianças? negligência, qualquer coisa que comprometa o trabalho dela. Vou investigar com descrição. Enquanto isso, na mansão, Raíça percebe que Fabrício está estranho.
Ele evita conversas, parece desconfiado, observa tudo o que ela faz com a Alice. “Senhor Fabrício, está está tudo bem?”, pergunta ela. “Por pergunta?” “O senhor parece preocupado.” “Estou bem, só trabalho.” Mas Raíça sente que não é só trabalho. Há algo diferente no ar. Alice também se apercebe da mudança. Raíssa, por que razão o papa está triste? Não sei, o meu amor.
Os adultos às vezes ficam preocupados com coisas do trabalho. Ele vai mandar você embora? A pergunta assusta Raça. Por que razão acha isso? Porque ele está olhando para si igual olhava para as outras amas antes de elas irem embora. O coração de Raça aperta. A Alice aprendeu a reconhecer os sinais de abandono. Não Vou-me embora, princesa, prometo.
As outras também prometiam. Raíça abraça Alice com força. Eu sou diferente das outras. Na quinta-feira, Marcos Silva termina a investigação e liga a Fabrício. Senhor Cavalcante, terminei a investigação sobre Raça Oliveira e aí não encontrei absolutamente nada comprometedor. Pelo contrário, como assim? Ela tem um historial impecável.
Todas as famílias que trabalharam com ela dão excelentes referências. E esta Luciana Santos que me ligou não existe. O número que ligou para o Sr. é de um telefone pré-pago, adquirido com documentos falsos. Fabrício fica em choque. Alguém inventou a história? Exato. Alguém quer prejudicar Raça Oliveira? Quem o faria? Não sei, mas foi uma armação bem elaborada.
Fabrício desliga o telefone furioso. Alguém tentou enganá-lo para prejudicar Raíça. Pensa em quem teria motivo para fazer isso. A única pessoa que raiçamente não gosta de Raíça é Beatriz. Será que a minha própria mãe seria capaz de armar isso? Na sexta-feira, Fabrício confronta Beatriz. Mãe, preciso de falar contigo sobre aquela chamada da Luciana Santos.
Que tem ela? Descobri que não existe. Foi tudo inventado. Beatriz finge surpresa. Como assim inventado? Alguém contratou uma pessoa para me enganar. Que absurdo. Quem o faria? É o que quero saber. A Beatriz mantém a pose de inocente. Fabrício, tem certeza que foi uma armação? Tenho. O investigador confirmou. Então, alguém quer mesmo prejudicar a ama? Interessante. Interessante.
Por quê? Porque se alguém se deu ao trabalho de inventar isso, talvez ela realmente tenha algo a esconder. Fabrício fica irritado com a lógica tortuosa da mãe. Ou talvez alguém próximo queira se livrar dela por motivos pessoais. Está insinuando alguma coisa? Estou constatando factos. A conversa termina tensa.
Fabrício não tem provas contra a Beatriz, mas as suspeitas são fortes. No fim de semana, observa a Raíça com Alice. As duas têm uma ligação genuína, carinhosa. Raíça raiçamente ama a menina. Como pude duvidar dela? Ele pensa. Segunda-feira, Fabrício chama Raíça para conversar. Raíça, preciso de te pedir desculpa. Por quê? Recebi informações falsas sobre si.
Por um momento, duvidei do seu carácter. Raíça fica magoada. Que informações? Alguém ligou a dizer que você maltratava crianças em empregos anteriores. E o senhor acreditou? Por um momento. Sim. Desculpa-me. Raíça sente lágrimas nos olhos. Senr. Fabrício, eu nunca faria mal a uma criança. Eu sei. Por isso estou a pedir desculpas.
Quem inventou essas mentiras? Estou a investigar. Foi dona Beatriz, não foi? Fabrício hesita. Não tenho provas. Mas desconfia. Sim. Raíça suspira. Ela não gosta de mim desde o primeiro dia. A minha mãe tem ideias antigas sobre a educação, não concorda com os seus métodos. Os meus métodos estão a funcionar.
A Alice está bem melhor. Eu sei. É por isso que vai continuar aqui. Raíça sente alívio, mas também preocupação. Se a Beatriz armou uma vez, pode voltar a armar. Na quarta-feira, as suspeitas de Raíça tornaram-se confirmam. Beatriz chega à mansão mais mais cedo do que o normal e vai diretamente para o quarto da Alice. Avó.
Alice corre para abraçar a avó. Olá, minha netinha. Onde está a Raíça? Desceu para ir buscar lanche. Perfeito. Quero falar só contigo. Beatriz fecha a porta do quarto. Alice, a avó precisa de te perguntar uma coisa muito grave. O que é, avó? A Raíça já bateu-lhe? Alice fica confusa. Bateu? Não, avó. Tem a certeza? Às vezes quando o papá não está em casa? Não, avó. A Raíça nunca me bateu e gritou.
ficou zangada? Não, ela só fica zangada quando não quero lavar os dentes. E ela obriga-te a fazer coisas que tu não quer. Alice pensa. Ela ensina-me coisas novas. É agradável. Beatriz fica frustrada. Não consegue manipular Alice contra Raíça. Alice, se a Raíça fizer alguma coisa de mal contigo, tu contas para a avó, tá? Mas ela não faz coisa ruim. Mas se fizer, está bom, avó.
Quando A Raíça regressa com o lanche, a Beatriz já foi embora. Mas a Alice está estranha. Raíssa, por que razão a avó perguntou se bate em mim? Raça fica alarmada. Ela perguntou isso? Perguntou. E se gritar comigo? E o que respondeu? Que não faz essas coisas. Raça abraça Alice. É verdade. Nunca te vou bater ou gritar.
Eu sei, a avó que é esquisita. À noite, Raíça conta a Fabrício sobre a conversa da Beatriz com a Alice. Ela está tentando manipular a Alice contra mim. Fabrício fica furioso. Isso é inaceitável. O que é que o senhor vai fazer? Vou ter uma conversa séria com o meu mãe. No dia seguinte, Fabrício confronta Beatriz.
Mãe, soube que questionou Alice sobre a Raíça. E daí? Como assim? E daí? Está a confundir a cabeça de uma criança de 7 anos. Estou a proteger minha neta. De quê? Raíça nunca fez mal a Alice. Que saiba. Mãe, chega. Pare de perseguir a Raíça. Beatriz explode. Esta babá está a destruir esta família. Como está a virar você e a Alice contra mim? Ninguém está a tornar-se ninguém contra si.
Você que está a agir de forma inaceitável. Eu? Beatriz fica indignada. Sou a sua mãe. Tenho direito a dar a minha opinião sobre a educação da minha neta. Tem direito de opinar. Não tem direito de mentir e manipular. Não estou manipulando nada. Contratou alguém para enganar-me com informações falsas sobre Raíça. Beatriz nega.
Isto é paranoia sua. Mãe, não me trate como uma idiota. Eu sei que foste tu. Prove. Fabrício. Não tem como provar, mas tem a certeza. Mãe, vou ser claro. Se continuar a atacar Raissa, vou ter de limitar as suas visitas a Alice. Você não faria isso? Faria sim. A Alice precisa de paz para se curar. Beatriz fica em choque.
Nunca imaginou que Fabrício tomaria partido da ama contra ela. Fabrício, esta mulher lavou a sua cabeça. Ninguém me lavou a cabeça. Abri os olhos. Para quê? para ver que a minha filha está feliz pela primeira vez desde que a mãe morreu. Feliz por enquanto. Logo ela vai dar-te problema. Se der, resolvo, mas não vou prejudicar Alice por paranóia.
Beatriz sai da casa furiosa. Ela perdeu a primeira batalha, mas a guerra não acabou. Na semana seguinte, ela muda de estratégia. Em vez de atacar Raíça diretamente, resolve investigar a vida pessoal dela para encontrar algo comprometedor. Ela volta a contratar o investigador Paulo Oliveira. Desta vez Quero que investigue tudo.
Namoros, amizades, família, dinheiro. Dona Beatriz, já investiguei a vida dela. Não há nada de suspeito. Procure mais a fundo. Toda a gente tem segredo. Paulo volta a seguir Raíça, mas de forma mais invasiva. Ele descobre que ela visita regularmente um rapaz de 12 anos internado num hospital público. Interessante. Ele reporta a Beatriz.
Ela visita um menino doente todas as semanas. Que menino? Lucas Oliveira, mesmo apelido dela. Parente. Pode ser. Vou investigar. Paulo descobre que Lucas é sobrinho de Raíça, filho de uma irmã que faleceu e que ela paga as despesas médicas dele. A rapariga tem um sobrinho doente. Ela suporta o tratamento.
Beatriz sorri maldosamente. Então, ela precisa de muito dinheiro. Parece que sim. Perfeito. Agora tenho uma arma contra ela. Beatriz arquiteta, um plano cruel. Ela vai utilizar a necessidade financeira de Raíça para a obrigar a sair da casa. Na segunda-feira seguinte, ela telefona para o Raíça.
Preciso de falar contigo hoje à tarde. Venha ao meu apartamento às 3 horas. Dona Beatriz, trabalho até às 6.º É importante. Vou falar com o Fabrício para te libertar. Raça fica intrigada, mas vai ao encontro. O apartamento de Beatriz é luxuoso, cheio de antiguidades caras. Ela recebe raíça na sala de forma fria. Sente-se.
O que a senhora quer falar comigo? Sobre o seu sobrinho no hospital. Raíça fica pálida. Como a senhora sabe sobre o Lucas? Eu sei tudo sobre ti, querido. A senhora me investigou? Claro. E descobri que você precisa muito de dinheiro para pagar o tratamento dele. Aía sente-se violada na privacidade. Isso não é assunto da senhora.
É sim, porque vou fazer-te uma proposta. Que proposta? Beatriz abre a mala e tira um envelope grosso. 50.000€ em dinheiro. Raíça olha para o envelope confusa. Para quê? Para tu saíres da casa do Fabrício e nunca mais voltar. O silêncio é ensurdecedor. A senhora está a tentar subornar-me? Estou a oferecer uma solução para os os nossos problemas.
Eu não tenho problema com a senhora. Tem sim. Você quer ficar na minha família. Eu quero que tu saia. Raça levanta-se indignada. Não aceito o seu dinheiro. Pense bem, R$ 50.000 R pagam muito tratamento médico. Prefiro conquistar o dinheiro trabalhando honestamente. Trabalhar como babá vai demorar anos para juntar essa quantia.
Raíça sente a tentação. É certo que Lucas precisa de tratamento caro, mas aceitar seria uma traição à Alice. A resposta é não. A Beatriz aumenta a pressão. 70.000. Não. 100.000. Raíça abana a cabeça. Nenhuma quantia me faria abandonar Alice, mesmo sabendo que pode salvar a vida do seu sobrinho, a pergunta é um golpe baixo.
Raíça sente lágrimas nos olhos. Dona Beatriz, isso é muito cruel. É prático. Tem um problema financeiro. Eu Tenho um problema pessoal. Podemos resolver os dois. Não é só um problema pessoal para mim. A Alice é como uma filha. Não é mãe dela, é funcionária. Sou muito mais do que isso. Para si, talvez.
Para nós, você é substituível. Raça sente raiva. Ao Fabrício e à Alice, não sou substituível. Quer apostar? A senhora está a ameaçar. Beatriz sorri friamente. Estou a oferecer uma saída digna. Se não aceitar, vou ter que utilizar métodos menos agradáveis. Que métodos? Vai descobrir se continuar a insistir em ficar na minha família.
Raça sai do apartamento arrasada. A Beatriz não vai desistir facilmente. Naquela noite ela não consegue dormir. A oferta do dinheiro fica a martelar na cabeça. Lucas realmente necessita de tratamento caro. E se ela aceitar e utilizar o dinheiro para salvar o sobrinho? Mas como explicar para Alice que a está a abandonar por dinheiro? Na manhã seguinte, Alice repara que a Raísa está triste.
Raíça, estás bem? Sim, estou, princesa. Você parece que chorou. Raíça ajoelha-se na altura da menina. Alice, se eu tivesse de ir embora um dia, compreenderia? Ir embora porquê? Às vezes, as pessoas precisam de fazer coisas difíceis para ajudar a família. Alice fica apavorada. Vai embora? Não sei. Ainda não vai. Você prometeu? Eu sei que prometi.
Alice começa a chorar. Se for embora, eu vou morrer. Não digas isso, meu amor. É verdade. Quando a mama morreu, eu quase morri de tristeza. Se for embora também, vou mesmo morrer. Raíça abraça Alice, chorando também. Não vou deixar que nada de mau te aconteça. Assim fica comigo para sempre. Vou tentar, princesa. Vou tentar.
À tarde, o Fabrício chega a casa e encontra Alice a chorar no quarto. O que aconteceu, pequena? Raíça vai-se embora. Quem disse isso? Ela própria. Disse que às vezes as pessoas precisam de ir embora para ajudar a família. Fabrício fica preocupado por Raíça estaria a pensar em ir embora. Procura Raíça na cozinha.
Posso falar contigo? Claro. A Alice disse que está a pensar em sair. Raíça suspira. É complicado. Que complicado? Aconteceu alguma coisa? Raíça hesita em contar a chantagem da Beatriz. Tenho problemas pessoais que precisam de ser resolvidos. Problemas financeiros? Como é que o senhor sabe? Porque conheço-o e sei que só problema financeiro faria pensar em abandonar Alice. Raíça confirma com a cabeça.
É sobre o meu sobrinho. Ele está doente e necessita de tratamento caro. Por que não contou-me antes? Não queria misturar problemas pessoais com o trabalho. Fabrício fica sensibilizado. Raíça, de quanto dinheiro precisa? Muito mais do que consigo juntar trabalhando. Quanto? Uns R$ 100.000.
Posso emprestar-te? Raíça fica surpreendida. Sério? Claro. Você é parte da nossa família, mas é muito dinheiro para mim não é. E pode ir pagando aos poucos sem juros. Raíça sente alívio e gratidão. Senr. Fabrício, não sei como agradecer. Não precisa agradecer. Precisa de ficar aqui com a Alice. Vou ficar para sempre. Eles são interrompidos por uma pancada na porta.
É Beatriz que chegou sem avisar. Fabrício, preciso falar contigo urgentemente. Sobre o quê? Em particular, Raíça se retira, mas Beatriz quer que ela fique. Na verdade, é melhor Raíça ficar. O assunto é sobre ela. Que assunto? pergunta o Fabrício. Descobri uma coisa muito grave. Fala logo. Raíça está a ser chantageada.
Fabrício franze o sobrolho. Como assim? Alguém está a exigir-lhe dinheiro em troca de não contar segredos sobre o passado. É uma mentira descarada. A Beatriz está a inventar uma chantagem para justificar a necessidade de dinheiro de Raíça. Que segredos? pergunta o Fabrício. Não posso dar pormenores, mas é algo comprometedor.
Raíça fica indignada. Isto não é verdade. Claro que vai negar. Beatriz responde. Vítima de chantagem sempre nega. Dona Beatriz, a senhora está mentindo. Estou a tentar proteger esta família. Fabrício olha entre as duas mulheres confuso. Mãe, como soubeste dessa suposta chantagem? Tenho as minhas fontes.
Que fontes? Beatriz hesita, não pode contar que investigou a Raíça. Pessoas que se preocupam connosco. Mãe, pare de inventar história. Raíça não está a ser chantageada. Como pode ter a certeza? Porque ela mesma me contou o motivo de necessitar de dinheiro. É para o tratamento médico do sobrinho. Beatriz fica sem saída. E você acredita nesta história? Acredito porque confio nela.
Fabrício, está a ser enganado. Quem está a tentar enganar-me és tu, mãe. Como se atreve a falar assim comigo? Porque estou cansado das suas mentiras e manipulações. A discussão aquece. Alice aparece à porta curiosa. Por que razão estão a gritar? Fabrício baixa-se na altura da filha. Desculpa, pequena. A avó estava indo embora.
Avó, porque é que não gosta da Raíça? – pergunta Alice inocentemente. A pergunta apanha Beatriz desprevenida. O que te faz pensar isso? Porque você fala sempre mal dela e quer que ela vá embora? A avó só quer protegê-lo. De quê? A raiz é boa para mim. Você ainda é pequena para compreender. Alice fica séria. Avó, tenho 7 anos, não sou bebé.
É bebé, sim. Não sou e posso escolher quem eu gosto. Não pode, não. Alice surpreende a todos com a sua próxima frase. Então vou dizer uma coisa à avó. Raíça me contou que a avó ofereceu dinheiro para ela ir embora. O silêncio é absoluto. Beatriz fica pálida. Que que absurdo. A Raíça não quis o dinheiro porque me ama, mas a avó tentou comprá-la.
Fabrício olha para a mãe chocado. Isto é verdade, mãe? Beatriz gagueja. Eu, eu posso explicar. É verdade ou não? Foi só uma tentativa de resolver a situação. Mãe, Fabrício explode. Tentou subornar a Raíça? Foi para o bem de todos. Para o bem de quem? Seu? Alice posiciona-se na frente de Raíça protetivamente. Avó, deixe de ser má com a Raíça.
Alice, a avó não é má. É sim, má e mentirosa. Beatriz fica chocada. Nunca imaginou que a própria neta a confrontaria. Fabrício, vais deixá-la falar assim comigo? Ela está a falar a verdade, mas eu sou a sua mãe e por isso mesmo me desilude tanto. Fabrício pega Alice ao colo. Pequena, por tu sabias sobre o dinheiro? Porque eu ouvi avó a falar ao telefone.
Ela disse que ia dar dinheiro à Raíça para ir embora. Quando é que escutou isso? Ontem, quando a avó veio aqui, o Fabrício olha para Beatriz com desprezo. Mãe, tramou isso na minha própria casa? Eu só queria queria destruir a única pessoa que faz minha filha feliz. Ela não presta. Alice grita. Presta sim.
A Raíça é boa, a avó que não presta. A frase da menina ecoa pela sala como um tiro. Beatriz fica destroçada. Ser rejeitada pela própria neta é o pior que podia acontecer. Alice, como pode dizer isso? Porque é verdade. Quer tirar a raíça de mim. Eu quero protegê-lo. Não quer, não me quer deixar triste. Fabrício intervém.
Mãe, acho melhor ires embora agora, Fabrício. Preciso de um tempo para processar tudo isto. E quando posso voltar a ver a Alice? Fabrício olha para a filha. Alice, queres ver a avó? Só se ela deixar de ser má com a Raíça, ouviste, mãe? Beatriz sai de casa, humilhada e derrotada. Depois de ela ir embora, Fabrício abraça Raíça e Alice.
Desculpa por tudo isto. Não foi culpa tua, Raíça. Responde. Papa. Alice diz. Raíça pode ser a minha nova mamã. A pergunta deixa Fabrício e Raíça sem ar. Por que razão você quer que ela seja a sua mamã? Fabrício pergunta. Porque ela cuida de mim como a mamã cuidava e ama-me de verdade. Fabrício olha para Raíça.
E você gostaria de ser mãe da Alice? Raíça está chorando. É tudo o que mais quero na vida. Então, Fabrício ajoelha-se. Raíça Oliveira, aceitas casar comigo e ser oficialmente mãe da Alice? O quê? Raíça fica em choque. Casa comigo. Vamos formar uma verdadeira família. Mas, mas sou só uma babá. Você é muito mais que isso.
É a mulher que me fez lembrar como sorrir. É a pessoa que devolveu alegria para a minha filha. Alice bate palmas. Diz que sim, Raíça. Raíça olha para Fabrício e vê amor verdadeiro nos olhos dele. Eu aceito. Os três se abraçam, chorando de felicidade. Seis meses depois, na mesma mansão, acontece um casamento simples e emocionante. Alice, como dama de honor, carrega as alianças.
Papá, agora a Raíça é minha mamã de verdade. De verdade, verdadeira. Fabrício confirma. E a avó Beatriz. A Avó aprendeu a respeitar a Raça. Ela pode visitar sempre que quiser. A Beatriz mudou mesmo. Depois de quase perder a neta, compreendeu que o amor não se controla com manipulação. Durante a cerimónia, Alice faz um discurso. Mama que está no céu, tenho agora uma nova mamã na terra.
Sei que gosta dela, porque ela faz-me feliz como tu fazia. Não há olho seco na festa. Raíça finalmente encontrou a sua família. Fabrício encontrou novamente o amor e A Alice ganhou a mãe que sempre sonhou ter. Um ano depois, estão no jardim numa tarde de domingo. Alice, agora com 8 anos, brinca com o irmãozinho de se meses, Miguel.
A mamã Raíça, o Miguel está sorrindo para mim. Ele adora-o, princesa. Fabrício observa a sua família com gratidão. Raíça, você arrepende-se de alguma coisa? Jamais. Esta é a melhor decisão que já tomei. Mesmo tendo de enfrentar tanta coisa difícil, valeu cada lágrima, porque no final ganhei duas pessoas que amo mais que tudo. Você e a Alice.
E eu interrompe. Ganhei uma mamã que nunca vai abandonar-me. Nunca. Raíça confirma beijando a testa da menina. Fabrício abraça as duas. E ganhei uma família completa. Eles viveram felizes para sempre, provando que o verdadeiro amor supera qualquer preconceito e que uma família forma-se com o coração, não com documentos.
Porque quando escolhemos amar verdadeiramente, descobrimos que não importa de onde viemos, mas para onde vamos juntos. E, por vezes, as pessoas mais simples são capazes dos amores mais profundos. A vida ensinou que a riqueza sem amor é pobreza. Mas o amor verdadeiro é a maior fortuna que alguém pode ter. E Alice, ela cresceu sabendo que tinha duas mães, uma que a gerou com amor no céu e outra que a criou com amor na terra e que ambas sempre a amariam para toda a eternidade.
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