Ninguém controlava os 4 Filhos do Milionário Viúvo — até que a nova Faxineira mudou tudo

Ninguém controlava os 4 Filhos do Milionário Viúvo — até que a nova Faxineira mudou tudo 

Lúcia Mendes sai do autocarro em frente da mansão mais imponente do bairro Jardins. Aos 32 anos, o cabelo preto apanhados num simples coque, roupas modestas, mas impecáveis, ela carrega uma pequena bolsa e uma carta de recomendação amassada. É o seu primeiro dia como fachineira em casa do Rodrigo Vasconcelos, o famoso empresário viúvo que ninguém consegue trabalhar.

 A mansão de três andares parece um palácio. Jardins perfeitamente cuidados. Uma piscina olímpica, garagem com cinco automóveis importados. Mas o que mais impressiona Lúcia é o silêncio absoluto que deveria existir numa casa com quatro crianças, mas não existe. Ela mal toca no campainha quando ouve gritos vindos de dentro da casa.

 Eu não quero ir para a escola. Uma voz infantil ecoa pelos jardins. Ninguém manda em mim, grita outra criança. Vou contar ao papá que me bateu. Chora uma terceira voz. Lúcia respira fundo. A agência de empregos já tinha avisado. A família Vasconcelos é conhecida por despedir rapidamente os funcionários. Nos últimos seis meses passaram 17 empregadas pela casa.

 O recorde foi de uma que durou apenas 2 horas. A porta abre-se violentamente e uma mulher de 50 anos, cabelos despenteados e olhar desesperado, aparece. “És a nova empregada de limpeza?”, pergunta ofegante. “Sim, senhora Lúcia Mendes. Eu sou a Marta, a governanta. Entre rápido antes que eles vejam-no.” Lúcia entra e imediatamente sente algo a voar perto da cabeça.

 Um avião de papel embate na parede atrás dela. “Guerra!”, grita uma voz do andar de cima. “Meu Deus”, sussurra Lúcia. Marta fecha a porta e encosta-se a ela como se estivesse a bloquear uma invasão. “Lúcia, vou ser direta. Esta casa é um campo de batalha. O Senr. O Rodrigo viaja muito a trabalho.

 Quando está em casa, tranca-se no escritório. As crianças fazem o que querem.” Quantas crianças são? Quatro. Pedro, de 12 anos, Ana Luía, de 10. Os gémeos Bruno e Bernardo, de 8 anos. Outro projétil voa pela escada. Desta vez uma boneca sem cabeça. Eles são agitados. Marta tenta amenizar. Agitados é pouco para definir o que Lúcia está a presenciar.

 Pela janela da sala, ela vê uma das crianças no jardim pisoteando um canteiro de flores caríssimas. Outra está na piscina, totalmente vestida, atirando os móveis da área gourmet na água. E o pai não faz nada. Marta suspira. O Senr. Rodrigo está, como posso dizer, perdido desde que a dona Fernanda morreu. Faz dois anos, mas ainda não recuperou.

 Como ela morreu? Acidente de viação. As crianças estavam no carro, mas sobreviveram. Desde então, são difíceis. Lúcia entende. Crianças traumatizadas, pai emocionalmente ausente, casa sem limites. É uma receita para o caos. Marta, uma voz masculina berra do andar de cima. Onde está a minha camisa azul? É o Sr. Rodrigo.

 Ele está a arranjar-se para viajar de novo. Um homem de 40 anos desce as escadas a correr, alto, moreno, bonito, mas com uma expressão cansada que parece permanente. Rodrigo Vasconcelos usa um fato caro pela metade, calças e camisa social, mas sem gravata, meias diferentes nos pés. Marta, eu disse que preciso da camisola azul. Está a passar, senhor.

 Fica pronto em 10 minutos. Rodrigo vê Lúcia pela primeira vez. Quem é você? Lúcia Mendes, a nova empregada de limpeza. Ah, ele parece desanimado. Bem, espero que dure mais que a anterior. Quanto tempo a anterior durou? Lúcia pergunta. 4 horas. Marta responde. O que aconteceu? Os gémeos colaram as mãos dela ao lavatório.

 Rodrigo responde secamente com cola quente. Marta completa, queimou a pele. Lúcia fica chocada. E o senhor não fez nada? Paguei o hospital e uma indemnização. Rodrigo responde como se fosse algo rotineiro. Olha, não tenho tempo para isso agora. Tenho um voo às 10. Regresso quinta-feira. Ele sobe a correr às escadas, deixando a Lúcia e a Marta na sala.

Ele viaja sempre? Lúcia pergunta. Toda semana, desde que a esposa morreu, ele não pára em casa, trabalha como um louco para não pensar. E as crianças fazem o que querem, nenhuma ama aguenta. Eles já queimaram duas, morderam uma e fizeram outra ter uma crise de pânico. Nesse momento, uma das crianças aparece no topo da escada.

 É o Pedro, de 12 anos, magro, cabelo loiro, despenteado e olhar desafiante. “Quem é?”, pergunta, apontando para Lúcia. A nova empregada de limpeza. Marta responde nervosa. Legal. Quanto tempo acham que ela vai durar? Pedro grita para os outros. Pessoal, chegou carne fresca. Três outras crianças aparecem a correr.

 Ana Luía, de 10 anos, loira como o irmão, mas com um olhar mais triste que desafiante. E os gémeos Bruno e Bernardo, idênticos, ruivos, com sorrisos traquinas, que não prometem nada de bom. Oi, fachineira nova”, diz Bruno. Ou Bernardo, é impossível diferenciá-los. “Queres jogar um jogo?” Completa o outro gémeo. “Que tipo de jogo?”, pergunta Lúcia.

 “Esconde, esconde com o fogo, respondem em couro. O fogo não é brincadeira, grita Marta. Vocês quase queimaram a casa semana passada. Foi só um bocadinho de fogo. Pedro minimiza. Vocês incendiaram o quarto de brinquedos. Marta contrapõe. O quarto era mesmo feio. Ana Luía fala pela primeira vez. Lúcia observa as quatro crianças.

 Por detrás da rebeldia ela vê dor. São crianças magoadas tentando chamar a atenção da única forma que sabem. Que tal conhecermo-nos uns aos outros primeiro? Lúcia sugere com calma. Por quê? Pedro desconfia. Porque vou trabalhar na vossa casa. É educado se apresentar. A gente não tem educação, Bruno ou Bernardo diz orgulhoso.

 Somos os piores meninos do mundo. O outro gémeo complementa. É mesmo? Lúcia finge surpresa. Que pena. Eu trouxe uns doces para vos conhecer. Mas se são os piores meninos do mundo. As quatro as crianças deixam de falar. Doces sempre chamam a atenção. Que doces? Ana Luía pergunta baixinho. Lúcia tira da mala um saquinho de rebuçados artesanais que ela mesma faz.

 Brigadeiros de paçoca, mas só dou a crianças educadas. A gente pode ser educada quando quer. Pedro tenta negociar. É mesmo? Então, me mostrem. Pedro desce as escadas devagar, seguido pelos outros três. Por um momento, parecem crianças normais, curiosas e educadas. Olá, eu sou o Pedro. Ele apresenta-se formalmente. Ana Luía. A menina fala tímida.

 Bruno, Bernardo. Prazer conhecer-vos. Eu sou Lúcia. Ela oferece os doces, as crianças provam e os seus rostos iluminam-se. Nossa, está delicioso. Ana Luía exclama. Melhor que os da confeitaria cara que o papá compra. Pedro admite. Você fez isso? Bruno pergunta. Fiz. Gosto de cozinhar. Marta observa a cena em choque.

 É a primeira vez em meses que vê as quatro crianças comportadas ao mesmo tempo. De cima vem o barulho do Rodrigo a descer às escadas, agora completamente vestido. Marta, vou sair. As crianças vão para a escola normal hoje? Lúcia repara que ele pergunta à Marta, não olha para os filhos. Vão, sim, senhor. Ótimo. Tchau.

 Rodrigo passa direto pelas crianças, sem as cumprimentar, e sai de casa. O clima muda imediatamente. As quatro crianças ficam tristes e revoltadas ao mesmo tempo. Ele nem me falou. Oi, o Pedro explode. O papá não gosta mais de nós. Ana Luía começa a chorar. Os gémeos ficam furiosos e começam a atirar as balas para o chão. Odeio ele, detesto tudo.

 Lúcia observa a dor das crianças e sente o coração apertar. Ela perdeu os pais aos 15 anos e sabe como é crescer, sentindo-se invisível. “Ei, ela diz suavemente. Vocês querem saber um segredo?” As crianças param de gritar e olham para ela. “Que segredo?”, Pedro pergunta desconfiado. Eu também perdi a minha mãe quando era criança. Perdeu como? Ana Luía pergunta.

Ela ficou doente e foi para o céu. Eu tinha 15 anos. E o seu pai? Bruno pergunta. O meu pai. O meu pai ficou muito triste. Igual ao pai de vocês. Ele parou de falar comigo, deixou de dar atenção. Era como se eu fosse invisível. As quatro crianças aproximam-se mais de Lúcia. E o que fez? Ana Luía quer saber. No início fiquei muito zangada.

Partia coisas, gritava. Fazia confusão para ele reparar em mim. Funcionou? Pedro pergunta. Não. Só o fez afastar-se mais ainda. Então, o que fez? – pergunta o Bernardo. Aprendi que o meu pai não me estava a ignorar por maldade. Ele estava de coração partido e não sabia como reparar. Igual ao papá. Ana Luía sussurra. igual ao papá de vocês.

 As as crianças ficam pensativas, mas como a gente faz ele reparar em nós? Pedro pergunta a voz mais vulnerável agora, mostrando que são filhos maravilhosos, não com desarrumação, mas com amor. A gente já tentou ser bonzinho. Não funcionou. Bruno queixa-se. É quando foi a última vez. As quatro crianças se entreolham e não sabem responder.

 Faz muito tempo, Ana Luía admite-o baixinho. Que tal tentarmos de novo, mas de um jeito diferente? Como? Pedro pergunta interessado. Vamos surpreendê-lo quando regressar. Vamos mostrar que vocês sabem ser uma verdadeira família. Ele só volta quinta-feira. Ana Luía recorda. Perfeito. Temos quatro dias para nos prepararmos.

 Marta, que assistiu a tudo em silêncio, aproxima-se. Lúcia, tem certeza do que está a fazer? Eles são muito difíceis. Tem razão para serem difíceis. Perderam a mãe e sentem que perderam o pai também. Mas fazem maldades terríveis. Fazem pedidos de socorro da única forma que conhecem. Lúcia ajoelha-se à altura das crianças. Então, topam o desafio? Vamos mostrar para o vosso papá como podem ser incríveis? Pedro, que é o líder dos quatro, olha para os irmãos.

 O que a gente precisa de fazer? Primeiro vamos parar hoje na escola, sem confusão, sem confusão. Chato, os gémeos queixam-se. Segundo, quando regressarem, vamos limpar a casa juntos e aproveitar para conversar. Sobre o quê? Ana Luía pergunta. Sobre a mamã de vocês. Tenho a certeza que vocês têm histórias bonitas para contar.

 Os olhos das quatro crianças enchem-se de lágrimas. Mas são lágrimas diferentes das de raiva. Ninguém fala sobre a mamã. Pedro sussurra. O papá fica muito triste. Ana Luía completa. Pois hoje vamos falar. Vamos recordar coisas boas sobre ela. Pela primeira vez desde que chegou, Lúcia vê esperança nos olhos dos crianças. Está bom. O Pedro decide.

 Vamos tentar. O primeiro dia é um teste para todos. As crianças vão para a escola sem protestar. Um milagre, segundo Marta. Quando regressam, encontram Lúcia organizando a sala. E depois, como foi a escola? Normal. O Pedro responde, mas não com raiva. Briguei com a Sara da minha classe. Ana Luía conta.

 Por quê? Ela disse que a minha mãe morreu porque eu era má. Lúcia sente uma raiva elevar-se, mas se controla. E acredita nisso? Não sei. Às vezes penso que sim. Lúcia para de limpar e olha diretamente para a Ana Luía. Ouve bem o que vou dizer. A sua mãe não morreu por sua culpa. Foi um acidente. Não foi culpa sua, nem do Pedro, nem dos gémeos, nem do seu pai.

 Foi só uma coisa muito triste que tenha acontecido. Como você sabe? Porque uma mãe ama um filho para sempre. Mesmo quando vai para o céu, continua amando. Ana Luía abraça Lúcia e chora. É a primeira vez em dois anos que alguém fala sobre a mãe sem ficar desconfortável. O Pedro e os gémeos se aproximam também.

 Quer ouvir sobre a nossa mãe? Pedro pergunta tímido. Quero muito. Sentam-se no sofá da sala e as crianças começam a contar memórias. A mamã fazia o melhor bolo de chocolate do mundo. Ana Luía recorda sorrindo. E ela cantava para a gente adormecer. Bruno lembra-se. Cantava desafinado, mas era gostoso. Bernardo ri-se.

 Ela brincava de luta connosco, Pedro conta. Papai zangava-se, dizia que não era coisa de mulher, mas ela dizia que uma mãe faz tudo pelos filhos. Conforme as crianças falam, a Lúcia vai percebendo quem foi Fernanda. Uma mãe presente, carinhosa, que lhe equilibrava a ausência emocional do marido. Sentem saudade dela? Muita, todos respondem em conjunto.

 É normal sentir saudade. Mas vocês acham que ela ficaria feliz vendo-vos assim, fazendo desarrumação, magoando pessoas? As crianças baixam a cabeça. Não, admite Pedro. Ela ficaria triste. Ana Luía sussurra. Então, que tal fazermos coisas que deixariam ela orgulhosa? Como o quê? Vamos começar por cuidar desta casa.

 Era a casa dela também, não era? Era. Ela decorou tudo. Ana Luía fala com carinho. Então vamos cuidar da casa como ela cuidaria. Nos próximos dias algo mágico acontece. As crianças ajudam a Lúcia a limpar e organizar cada divisão da casa. Mas mais do que isso, conversam sobre a mãe, sobre os medos, sobre a saudade.

Lúcia, o Pedro pergunta na terça-feira, enquanto aspiram o tapete da sala. Por que o papá não fala sobre a mamã? Alguns os adultos lidam com a tristeza se escondendo dela, mas queremos falar sobre ela. Eu sei. E é importante falar. Manter a memória viva é uma forma de manter o amor vivo.

 Na quarta-feira, as crianças estão irreconhecíveis, não gritam, não partem nada, fazem os deveres sem reclamar. A casa está organizada e com um clima de paz que não existia há anos. Lúcia, a Ana Luía pergunta na hora do jantar. Acha que o papá vai notar que mudamos? Tenho a certeza que sim. E se ele não reparar? Então vamos continuar sendo incríveis assim mesmo, porque estão a fazer isso por vocês, não só para chamar a atenção dele.

 É saboroso não estar zangado o tempo todo, Bruno comenta. Verdade. É cansativo ficar bravo. O Bernardo concorda. Pedro, que sempre foi o mais revoltado, está mais pensativo. Lúcia, posso fazer-te uma pergunta? Claro. Vai embora quando o papá voltar? Por que razão iria embora? Porque talvez ele ache que você fez mágica connosco e quando descobrir que não foi magia, vai ficar zangado.

Lúcia compreende o medo de Pedro. Ele está com medo de se apegar e ser abandonado de novo. O Pedro não foi magia, foi amor. E o amor não acaba do nada. Promete que não vai embora? Prometo que vou lutar para ficar. Quinta-feira chega e as crianças estão nervosas. Rodrigo volta de viagem às 18 horas.

 Eles passaram a tarde toda a preparar uma surpresa. E se ele não gostar? Ana Luía pergunta ansiosa. Ele vai gostar, assegura Lúcia, mas por dentro está tão nervosa como eles. Às 6 em ponto, o carro de Rodrigo pára na garagem. Ele entra em casa esperando encontrar o caos de sempre. Em vez disso, encontra silêncio.

 Marta, ele chama. Onde está todo mundo? Estamos aqui, papá. Pedro responde da sala. Rodrigo vai até lá e para à porta chocado. A sala está impecável. As crianças estão sentadas no sofá, arranjadas, com sorrisos tímidos no rosto. Que que aconteceu aqui? Surpresa. Os quatro falam em conjunto. Surpresa? Limpamos a casa toda para si, Ana Luía explica. E fizemos jantinha.

 Bruno acrescenta a sua comida favorita. Bernardo completa. Rodrigo olha em redor confuso. A casa está irreconhecível, não pela limpeza, mas pela sensação de lar que há dois anos não existia. Onde está a nova empregada de limpeza? Aqui. Lúcia aparece da cozinha. O que fez com os meus filhos? Nada demais.

 Só conversei com eles. Conversar? O Rodrigo parece incrédulo. Ninguém consegue conversar com eles. Pai. Pedro levanta-se. A gente quer mostrar-te uma coisa. O Pedro vai até o aparador e pega num álbum de fotografias. O que é isto? Fotos da mamã. A gente organizou para si. Rodrigo fica pálido.

 Há dois anos que não consegue ver fotos de Fernanda. Não, não quero ver isso agora. Pai, por favor. Ana Luía implora. A gente sente saudades dela e você também, não é? É melhor não falar sobre isso. Por quê? Pedro insiste. Ela era a nossa mãe. Porque é que a gente não pode falar sobre ela? Rodrigo senta-se pesadamente numa poltrona.

 As crianças se aproximam dele. Porque dói demais, admite finalmente. Dói na gente também, Ana Luía diz baixinho. Mas a A Lúcia disse que é bom recordar coisas boas. A Lúcia perdeu também a mãe, o Bruno explica. E ela disse que podemos sentir saudades sem ficar zangado. Bernardo acrescenta Rodrigo olha para Lúcia, que está à porta da sala. É verdade? É.

Perdi a minha mãe aos 15 anos e aprendi que fugir da saudade só piora a dor. Mas é assim tão difícil? É sim, mas é mais difícil sozinho. Pedro abre o álbum na primeira página. É uma foto de Fernanda, grávida de Ana Luía sorridente com Pedro Pequeno ao lado. Lembras-te desta foto, pai? Mamãe disse que ia ter uma menina e tu ficou nervoso.

 O Rodrigo olha para a foto e os seus olhos enchem-se de lágrimas. Ela estava radiante nesse dia. E aqui, Ana Luía vira a página quando os gémeos nasceram. Olha como ela estava feliz. Ela disse que a nossa família estava completa. Bruno lembra-se? e que era o melhor pai do mundo. Bernardo acrescenta Rodrigo quebra. Dois anos de dor represada saem de uma só vez.

 Ele chora como não chorava desde o funeral. As quatro crianças abraçam-no. “A gente também chora por ela, pai”, diz Pedro. “Mas agora choramos juntos.” Ana Luía completa. Lúcia observa a cena com lágrimas nos olhos. A família está a se reconectando. Passados ​​alguns minutos, Rodrigo recupera. Desculpem, crianças.

 Desculpa por ter fugido de vós. Não faças isso mais, tá bom? Pedro pede. Não faço, prometo. E a A Lúcia pode ficar? Ana Luía pergunta esperançosa. Rodrigo olha para Lúcia. Ela conseguiu em quatro dias o que terapeutas, amas e pedagogas não conseguiram em dois anos. Claro que pode ficar. Sério? Os gémeos gritam animados. Sério? Se ela quiser. Eu quero.

 Lúcia sorri. Nos meses seguintes, a casa vira um verdadeiro lar. Rodrigo reduz as viagens, passa mais tempo com os filhos. Estabelecem uma nova rotina: jantares juntos, conversas sobre a mãe, passeios de fim de semana. A Lúcia não é mais só a empregada de limpeza. Ela torna-se parte da família, ajuda nos trabalhos de casa, participa nas reuniões da escola, cuida das crianças quando o Rodrigo precisa viajar, mas nem tudo são rosas.

 Três meses depois, a irmã de Rodrigo, Patrícia, vem visitá-los. Ela é uma mulher de 38 anos, licenciada em psicologia, divorciada e cheia de opiniões sobre como educar crianças. “Rodrigo, preciso de falar contigo em particular.” Diz ela assim que chega. Sobre o quê? Sobre esta situação estranha na sua casa.

 Que situação estranha? A fachineira que está a criar os seus filhos. Rodrigo franze o sobrolho. A A Lúcia não está a criar os meus filhos, está ajudando-me. É isso que pensa, mas vejo outra coisa. O que vê? Patrícia aponta pela janela onde Lúcia está no jardim a brincar com as crianças. Vejo uma mulher a se aproveitando-se da sua vulnerabilidade para infiltrar-se na família.

Patrícia, a Lúcia salvou esta família ou destruiu a autoridade paterna. Olha como as crianças obedecem-lhe. Elas respeitam mais ela do que você. Rodrigo fica incomodado. É certo que as crianças têm uma relação especial com a Lúcia. E qual é o problema? O problema é que você está a criar uma dependência perigosa.

 E se ela decidir ir embora? E se ela estiver a manipular-vos todos? A Lúcia não é manipuladora. Todas são, Rodrigo, mulher pobre vendo oportunidade de melhorar de vida. Isso é preconceito. Isso é a realidade. Quantas histórias que já ouviu de empregada que seduz patrão viúvo? O Rodrigo nunca tinha pensado nisso dessa forma, mas agora que A Patrícia mencionou, está a insinuar que ela tem segundas intenções.

 Estou a dizer que precisa de ser cauteloso. Suas as crianças estão muito apegadas a ela. Se voltares a casar um dia com alguém adequado, vai ser um problema. Eu não Vou casar de novo. Nunca diga nunca. E quando isso acontecer, essa mulher vai ser um obstáculo. A Patrícia planta a semente da dúvida na mente de Rodrigo. Além do mais, ela continua.

 Não é saudável para as crianças terem uma figura materna substituta. Elas precisam de aceitar que perderam a mãe. Mas elas estão tão felizes. A felicidade baseada numa ilusão não é saudável. Elas estão a agarrar-se a alguém que não é família. Rodrigo fica dividido. Por um lado, vê como os filhos melhoraram.

 Por outro, as palavras de Patrícia fazem sentido. O que você sugere? Estabeleça limites. Deixe claro que ela é empregada, e não família, e procure uma psicóloga para ajudar as crianças a lidar com a perda da mãe de forma saudável. Nessa noite ao jantar, Rodrigo observa a interação entre Lúcia e as crianças. Ela ajuda a Ana Luía com a comida, brinca com os gémeos, conversa seriamente com o Pedro sobre a escola.

Parece mesmo uma mãe. Pai, Ana Luía diz, posso chamar tia à Lúcia? Por quê? Porque ela cuida de nós como uma tia Faria. Ela já tem nome, Lúcia. Ana Luía fica confusa, mas eu quero chamar da tia. Acho melhor não. Lúcia percebe a mudança no tom de Rodrigo. Tudo bem, Ana Luía. Pode chamar-me Lúcia mesmo. Depois do jantar, Rodrigo pede para falar com a Lúcia em particular.

 Lúcia, preciso estabelecer algumas coisas. Claro. O que foi? A minha irmã fez-me pensar, talvez estejamos a deixar as crianças muito próximas de si. Lúcia sente o coração apertar. Isso é mau. pode ser confuso para elas. Você é a nossa funcionária, e não família. A frase atinge Lúcia como uma bofetada. Entendo.

 Não que não é importante, mas é melhor manter as coisas claras. Quer que eu seja menos carinhosa com eles? Rodrigo hesita. Quero que seja profissional. Profissional? É. Cuide da casa. Ajude com os deveres quando necessário, mas sem tanta intimidade. A Lúcia sente lágrimas nos olhos. Rodrigo, estas as crianças amam-me e eu também as amo.

Como posso fingir que não sinto nada? Não é fingir, é manter limites. Limites que os vão magoar ou limites que vão protegê-los de uma dor maior no futuro. Que dor? Se for embora um dia. A Lúcia entende. Rodrigo tem medo que ela abandone as crianças como a mãe abandonou, morrendo. Eu não vou embora, Rodrigo.

 Pode casar, constituir família. Eu já tenho uma família. Vocês. Rodrigo abana a cabeça. Nós não somos sua família, Lúcia. Somos os seus patrões. As palavras cortam o coração de Lúcia. Depois de meses a sentir-se parte da família, ela volta a ser apenas uma empregada doméstica. Entendi. A partir de amanhã vou manter distância.

 A Lúcia sai da sala com o coração despedaçado. Na manhã seguinte, as crianças percebem imediatamente que algo mudou. Lúcia está distante, formal, fria. “Lúcia, estás zangada com a pessoas?”, pergunta Ana Luía preocupada. “Não estou zangada, só estou a trabalhar. Mas não quer brincar hoje? Não posso, tenho de limpar a casa.” Pedro franze a testa.

 Você sempre limpa e brinca connosco. Estava errado fazer isso. Preciso de me concentrar no trabalho. Durante todo o dia, a Lúcia evita interações desnecessárias com as CR e anas. As crianças ficam confusas e tristes com a mudança. O que fizemos de errado? Bruno pergunta ao irmão gêmeo. Não sei. Ela estava feliz ontem. O Bernardo responde.

 À noite, o Pedro confronta o pai. Pai, o que fizeste com a Lúcia? Como assim? Ela está estranha, não conversa connosco, não brinca, não sorri. Ela está a trabalhar. Antes ela também trabalhava e era simpática com a gente. Rodrigo suspira. Pedro, a Lúcia é nossa funcionária, não nossa amiga, mas nós gostamos dela e ela gosta de vocês.

Mas há limites. Que limites? Limites entre patrão e empregado. Pedro fica confuso. Mas porquê? Era tão bom antes? Porque era confuso para vocês. Achavam que ela era da família. Ela não é? Não, Pedro, ela não é. Pedro sai do escritório magoado e confuso. Nas semanas seguintes, o ambiente da casa muda drasticamente.

As crianças voltam a ficar rebeldes, não porque são más, mas porque estão sofrendo com a frieza de Lúcia. Ela não gosta mais de nós. Ana Luía chora. Claro que gosta. Marta tenta consolar. Ela só está a trabalhar. Ela não quer mais ser nossa amiga. Os gémeos voltam a fazer pequenas travessuras para chamar a atenção de Lúcia, mas ela ignora-os profissionalmente.

Bruno deitou o sumo de propósito no chão. Bernardo conta-lhe. Vou limpar. Lúcia responde sem emoção. Você não vai falar com ele? Antes você conversava. Antes estava errado. Pedro, que é o mais sensível à rejeição, fecha-se completamente. Deixa de falar à mesa de jantar, não conta mais como correu a escola, não pede ajuda com os trabalhos de casa.

 Rodrigo percebe a mudança nos filhos e fica dividido. Por um lado, as palavras de Patrícia ecoam na sua mente. Por outro, vê os seus filhos sofrendo. Um mês depois da conversa com Patrícia, Ana Luía tem uma crise de choro. Eu odeio toda a gente. Ela grita correndo para o quarto. O Rodrigo vai atrás dela.

 O que é, filha? A Lúcia já não gosta de nós e é por sua culpa. Como assim por minha culpa? Porque você disse-lhe alguma coisa. Antes ela era simpática, agora é fria igual a si. A comparação atinge Rodrigo em cheio. Ana Luía, tirou a única pessoa que gostava de nós de verdade. Eu gosto de vocês. Não gosta, não. Você só fica no escritório.

 Você tirou a única pessoa que gostava de nós de verdade. Eu gosto de vocês. Não gosta não. Só fica no escritório. A Lúcia que brincava connosco, que conversava, que nos fazia sentir importante. Ana Luía tem razão e O Rodrigo sabe disso. E agora ela finge que a gente não existe. Ana Luía continua a chorar.

 Rodrigo abraça a filha, mas sente que o estrago já está feito. Nessa noite ele não consegue dormir. Levanta-se e vai até à cozinha beber água. Encontra Lúcia ali sentada à mesa com uma chávena de chá e olhos vermelhos. Desculpa. Ela levanta-se rapidamente. Não devia estar aqui. Pode ficar. É a sua casa também. Não é, não.

 O senhor deixou claro que eu sou só funcionária. Rodrigo sente o peso das próprias palavras. Lúcia, senta aqui um minuto. Ela hesita, mas senta-se. Você está bem? Estou a cumprir as suas ordens. Não era para ser assim. Como era suposto ser? Então, o Senhor disse para manter distância. É isso que estou a fazer.

 Mas as crianças estão a sofrer. Lúcia olha-o com um misto de tristeza e raiva. Claro que estão a sofrer. Elas se apegaram a mim. Eu apeguei-me a elas. Agora o Senhor quer que eu desligue os meus sentimentos como se fosse um interruptor. Não é isso? É sim. O Senhor quer os benefícios de ter alguém que ama as suas crianças, mas sem as complicações desse amor.

 Rodrigo fica em silêncio porque ela tem razão. A minha irmã disse que a sua irmã não conhece as suas crianças. Não viu como estavam quando cheguei aqui. Não viu a transformação delas. Ela apenas quer proteger a família. De quem? De mim? Do que é que eu fiz que foi tão terrível? Adorei as suas crianças. Você não compreende. Se tu fores embora um dia, eu não vou embora. Lúcia explode.

 Quantas vezes preciso dizer isso? Estas crianças são a família que nunca tive. Mas e se você casar? Com quem? Trabalho 16 horas por dia, sete dias por semana? Quando eu conheceria alguém? E se aparecer alguém? Lúcia olha-o fixamente. E se aparecer, vou falar com ele sobre as quatro crianças que amo. Se ele não aceitar, não é a pessoa indicada para mim.

 Rodrigo percebe que as suas preocupações são infundadas. Lúcia realmente considera as crianças como família. Lúcia, eu, Rodrigo, posso falar uma coisa? Como amiga, não como funcionária. Pode. Está repetindo o erro que cometeu quando a Fernanda morreu. Como assim? está a afastar-se das pessoas que ama por medo de sofrer, só que desta vez está a afastar as crianças de mim.

O Rodrigo sabe que ela tem razão e sabe o que é pior. As suas crianças já sofreram uma perda, estão agora a sofrer outra. Porque me está a forçar a rejeitá-las. Não é isso que eu quero, mas é isso que está a acontecer. Rodrigo passa as mãos pelo rosto. O que faço agora? Deixa eu ser quem sempre fui.

 Deixa-me amar suas crianças. E se a minha irmã estiver certa? E se realmente for embora um dia? E se não for? E se eu ficar aqui para sempre, ajudando a criar estas crianças maravilhosas? O Rodrigo olha para Lúcia. Ela tem razão em tudo. Desculpa, fui um idiota. Foi. Mas pode corrigir. Como? Sendo um verdadeiro pai, não fugindo das crianças.

 Não me terceirizando a paternidade, mas também não me impedindo de as amar. Quer dizer, quero dizer que podemos ser uma equipa, tu como pai, eu como sei lá, como alguém que ama elas também. Rodrigo sente algo a mexer no peito. Pela primeira vez desde que A Fernanda morreu, ele não se sente sozinho na responsabilidade de criar os filhos. Ok, vamos tentar de novo.

Tem a certeza? Tenho, mas desta vez quero participar mais. Não quero só te observar, ser incrível com eles. Quero aprender. Lúcia sorri pela primeira vez em semanas. Eles vão ficar tão felizes. No dia seguinte, Rodrigo reúne as quatro crianças na sala. Crianças, o papá errou feio.

 Errou como? Pedro pergunta desconfiado. Pedi à Lúcia para ficar longe de vós. Foi uma decisão estúpida. Por que razão fez isso? Ana Luía quer saber. Porque tive medo. Medo de quê? Medo de vocês sofrerem se ela fosse embora um dia. Mas a Lúcia não vai embora. Bruno diz convicto. Como você sabe? Porque ela nos ama, Bernardo completa.

 E vocês adoram-na? Muito os quatro respondem em conjunto. Então, o papá vai deixar de ser parvo. A Lúcia pode voltar a ser carinhosa convosco. As as crianças explodem de alegria e saem apressando-se para procurar a Lúcia. A encontram na lavandaria a dobrar roupas. Lúcia! Gritam em couro! Oi, crianças! O papá disse que pode ser simpático connosco de novo.

 Ana Luía conta animada. É mesmo? É. E disse que foi parvo. Pedro acrescenta Lúcia sorri. Ele disse isso mesmo. Falou e disse que pode dar-nos abraço. Bruno salta nela e que pode brincar connosco. Bernardo abraça-a também. Lúcia abraça os quatro com força, as lágrimas escorrendo. Senti tanto a falta de vocês. Nós também. Ana Luía sussurra.

Promete que não vai voltar a estar fria? O Pedro pede: “Prometo, mas se o papá mudar de ideias, ele não vai mudar.” Ana Luía garante. A gente não deixa. Nos meses seguintes, a dinâmica da casa encontra um equilíbrio perfeito. Rodrigo reduz ainda mais as viagens e passa a participar ativamente na criação dos filhos.

 Ele e a Lúcia trabalham juntos, ela com o carinho maternal que as as crianças precisam. Ele assumindo o papel paterno que havia abandonado. Lúcia. Rodrigo diz uma noite depois que as crianças vão dormir. Obrigado. Pelo quê? Por me ensinar a voltar a ser pai. Você sempre foi pai. Só estava com medo de exercer. É. E deste-me coragem para tentar.

 Estão sentados no sofá da sala, mais próximos do que nunca. Rodrigo, posso fazer-te uma pergunta? Claro. Ainda ama a Fernanda? A pergunta apanha-o desprevenido. Sempre vou amar. Foi a minha primeira esposa, mãe dos meus filhos. Eu sei. Não estou perguntando se se esqueceu dela. Estou perguntando se ainda está apaixonado por ela. Rodrigo pensa durante um longo momento.

Não. O amor mudou. Tornou-se gratidão, carinho pela memória. Mas já não é paixão. Por quê? Porque ele pára e olha para Lúcia. Porque me apaixonei por outra pessoa. O coração de Lúcia acelera. Por quem? Você sabe. Eles se olham em silêncio por um momento. Rodrigo. Lúcia, eu sei que parece loucura.

 Veio aqui para trabalhar, não para se envolver com a família. Não é uma loucura. Não, não. Porque eu também me apaixonei-me. Rodrigo aproxima-se dela no sofá. Por quem? por um pai incrível que estava perdido e encontrou o caminho de volta para os filhos. Eles beijam-se suavemente, um beijo cheio de carinho e promessas. E agora, a Lúcia pergunta.

Agora vamos devagar. As crianças precisam de se habituar à ideia. Você acha que elas vão aceitar? Tenho a certeza que sim. Elas já te amam como mãe. E queres que eu seja a mãe delas? Você já está. Só falta oficializar. Seis meses depois, Rodrigo pede Lúcia em casamento numa cerimónia simples no jardim da casa, com as quatro crianças como testemunhas.

Lúcia, diz ajoelhado, quer casar comigo e ser oficialmente mãe das minhas crianças? Quer dizer, as nossas crianças. Ela corrige, sorrindo. É verdade. Nossas crianças. Aceito. As crianças explodem em comemoração. Agora a Lúcia vai ser a nossa mãe de verdade. Ana Luía grita feliz e nunca mais se vai embora.

 Pedro acrescenta aliviado. Porque família não abandona a família? Bruno completa. E a gente é uma família. Bernardo finaliza. Um ano depois do casamento, a casa que antes era um campo de batalha tornou-se um lar cheio de amor e gargalhadas. Rodrigo encontrou o equilíbrio entre o trabalho e a família.

 As crianças são educadas, carinhosas e felizes. E Lúcia realizou o sonho de ter uma família numerosa e amorosa. A mãe Lúcia, Ana Luía, diz durante o jantar de domingo. Obrigada. Obrigada pelo quê, meu amor? Por ter arranjado a nossa família. Eu não corrigi nada. Vocês já eram uma família maravilhosa. Só estavam perdidos. E você encontrou-nos.

 O Pedro fala com carinho. Na verdade, vocês me encontraram, deram-me a família que eu sempre quis ter. Rodrigo observa a cena, a sua esposa a falar com os seus filhos como se tivessem nascido dela, e sente uma gratidão imensa. Mais tarde, quando as crianças estão a dormir, ele e a Lúcia conversam no jardim.

 Sabe o que é engraçado? Diz o Rodrigo. O quê? Minha irmã tinha razão numa coisa. Em quê? Você mudou realmente toda a dinâmica da família para melhor, para muito melhor. Não só salvou as crianças, salvou a mim também. Como me ensinou que é possível amar de novo sem trair a memória de quem perdemos? e ensinou-me que a família não é só quem nasce junto, é quem escolhe ficar junto.

 Eles se abraçam sob o céu estrelado, sabendo que construíram algo belo e duradouro. Dois anos depois, Lúcia está grávida do primeiro filho do casal. As quatro as crianças estão eufóricas com a ideia de ter um irmãozinho. “Vai ser menino ou menina?”, pergunta Ana Luía toda curiosa. “Ainda não sabemos. Querem que seja surpresa? Não. Os quatro gritam em conjunto.

 Queremos saber. No exame seguinte, descobrem que será uma menina. Vamos chamar-lhe como? Bruno pergunta. Que tal vocês escolherem? Rodrigo sugere. As crianças reúnem-se em conselho e chegam a um consenso. Cai a esperança. Pedro anuncia. É esperança. Porque a mãe Lúcia trouxe esperança à nossa família. Ana Luía explica.

 E agora vem uma bebé que é feita dessa esperança. Os gémeos completam. Lúcia chora de emoção. A esperança é perfeita. Quando a Esperança nasce, é recebida por uma família unida, feliz e cheia de amor. As quatro crianças são irmãos mais velhos exemplares. O Rodrigo é um pai presente e carinhoso. E Lúcia tem finalmente a família numerosa e barulhenta que sempre sonhou.

 No primeiro aniversário do esperança, fazem uma festa no jardim. Rodrigo faz um discurso emocionante. Há 4 anos, esta casa era habitada por pessoas perdidas, um pai que não sabia ser pai, quatro crianças que não sabiam como pedir amor. E então chegou um anjo disfarçado de fachineira. Todos riem e olham para Lúcia, que está com esperança no colo.

 A Lúcia ensinou-nos que família é mais do que sangue, é escolha, é cuidado, é amor incondicional, é não desistir mesmo quando está difícil. Pedro acrescenta, é ter paciência, Ana Luía fala. É brincar junto, diz o Bruno, e brigar junto também, Bernardo Ri. É ser feliz em conjunto. A esperança balbucia, fazendo todos rir. Lúcia levanta-se com a bebé ao colo.

Vocês deram-me muito mais do que eu dei para vocês. Deram-me uma família, um propósito, uma razão para sorrir todos os os dias. E deu-nos uma mãe. Pedro fala em nome dos irmãos. A melhor mãe do mundo. Ana Luía acrescenta Rodrigo abraça a Lúcia e a Esperança e deu-me a minha vida de volta.

 A festa continua até tarde, com risos, brincadeiras e muito amor. A casa que antes ecoava gritos de raiva, agora ecoa gargalhadas de alegria. E quando todos vão dormir, A Lúcia fica alguns minutos no quarto das crianças, observando-as a dormir. Pedro, agora com 16 anos, responsável e carinhoso. Ana Luía com 14, doce e inteligente.

 Os gémeos Bruno e Bernardo com 12 ainda traquinas mais amorosos. Obrigada, ela sussurra para o universo. Por me permitir amar estas crianças, por dar-me a família que sempre quis. Rodrigo aparece à porta. Vem deitar-te. A esperança vai acordar daqui a pouco querendo mamar. Já vou. A Lúcia dá um beijinho em cada um dos quatro. Sussurra: “Boa noite, meus amores.

” E vai para o seu quarto, onde o marido e a sua bebé a esperam. A casa finalmente tem a paz que sempre mereceu. Que a prova de que, por vezes, as melhores famílias são aquelas que escolhemos construir, e não aquelas que nascemos. O o amor venceu e desta vez para sempre. Gostou desta história? Acha que A Lúcia mereceu esta família feliz? Me conta nos comentários o seu nome e de que lugar do Brasil ou do mundo me escuta.

Obrigado pela sua companhia. Um abraço e até à próxima. M.