Milionário volta em Casa para pegar o celular e não acredita no que vê

21h30 da noite de quinta-feira, Ricardo Mendonça conduz o seu Mercedes pela Marginal Pinheiros quando se apercebe que esqueceu-se do telemóvel em casa. Aos 35 anos, proprietário de três empresas tecnológicas e de um património de 200 milhões, ele não pode ficar sem o telefone nem por uma hora. Investidores japoneses vão ligar às 10 para fechar um negócio de 50 milhões de dólares.
Merda! Ele murmura, fazendo o retorno. Vai ter de voltar à mansão. Durante os 20 minutos de regresso, Ricardo pensa no filho. Té, de 4 anos, é uma criança difícil desde que a mãe morreu há do anos. O menino rejeitou 18 amas em seis meses. Chora, grita, morde, chuta. Nenhuma mulher aguenta mais de duas semanas a cuidar dele. A nova ama Letícia Santos, começou ontem.
É diferente das outras. Não tem diploma universitário, nem fala línguas, nem vem de família conhecida. Aos 26 anos, é simples, veste roupas baratas, vive numa pensão no centro. Ricardo só a contratou porque estava desesperado. “Mais uma que vai durar poucos dias”, pensou quando a viu pela primeira vez.
Ricardo pára o carro na garagem da mansão e entra silenciosamente pela porta dos fundos. A casa está escura, exceto por uma luz suave vinda do quarto de Té no segundo andar. Ele sobe às escadas de mármore, tentando não fazer barulho, preocupado em acordar o filho. Té tem sono difícil e qualquer ruído pode desencadear uma crise de choro que dura horas.
Quando Ricardo se aproxima do quarto, ouve algo que o faz parar. Silêncio. Silêncio completo. Nos últimos dois anos, nunca se fez silêncio no quarto de Té à noite. O menino sempre chorava, gritava, tinha pesadelos. As as amas saíam sempre dos quartos exaustas, frustradas, algumas até a chorar. Curioso, Ricardo empurra lentamente a porta entreaberta do quarto.
A cena que ele vê deixa-o sem palavras. A Letícia está dormindo na cama de Té, vestindo uma camisola simples de algodão, com o menino aninhado nos seus braços, como um filhote à procura de calor. Os dois respiram tranquilamente. Té com o rostinho relaxado encostado ao peito da ama, uma expressão de paz que Ricardo não via há anos.
Na mesinha ao lado da cama, um livro de histórias infantis aberto. No chão, brinquedos organizados, coisa que o Té nunca fazia. Na parede, desenhos coloridos, colados com fita adesiva. Ricardo fica parado à porta, observando a cena durante 5 minutos completos. O seu filho, que odeia todas as amas, está a dormir tranquilamente nos braços de uma mulher que conheceu ontem.
Como é que ela conseguiu isso? Ele se pergunta. Letícia mexe-se levemente no sono e abraça Té com mais carinho, sussurrando algo incompreensível. O menino sorri a dormir e aconchega-se mais. Ricardo sente uma estranha emoção subir pelo peito. A inveja, a gratidão ou a algo mais perigoso? Ele afasta-se devagar, pega no telemóvel no escritório e sai da casa sem fazer ruído, mas com a imagem gravada na mente.
Durante a videoconferência com os japoneses, O Ricardo tem dificuldade em se concentrar. A reunião que deveria durar uma hora estende-se por duas, mas ele não consegue parar de pensar na cena do quarto. “Senhor Mendonça, o senhor concorda com os termos?”, pergunta um dos investidores. “Sim, claro, o Ricardo responde no automático, sem ter prestado atenção ao que foi discutido.
Quando chega a casa às 2as da madrugada, a mansão está silenciosa. Ele sobe lentamente até ao quarto de Té e espreita fresta da porta. A Letícia já não está na cama. Té dorme sozinho, mas tranquilo, abraçado com um ursinho de peluche que o Ricardo nunca tinha visto antes. No quarto dos fundos, destinado à ama, uma luz ténue.
Letícia deve estar acordada. Ricardo bate ligeiramente na porta. Letícia, posso falar contigo? Claro, senhor, um momento. Ela abre a porta, vestindo um robe simples, cabelo solto, rosto sem maquilhagem. bonita, de uma forma natural, que contrasta com as mulheres sofisticadas que Ricardo está habituado a frequentar.
Aconteceu alguma coisa com Té? – pergunta preocupada. Não, pelo contrário, ele está a dormir. Sim, dormiu bem hoje. Ricardo hesita. Como perguntar sobre a cena que presenciou sem parecer um voer? Letícia, posso-te fazer uma pergunta? Claro. Como você conseguiu fazer o Té dormir descansado? Letícia sorri timidamente. Ele só precisava de carinho. Carinho? É.
Criança que perdeu a mãe fica carente, precisa sentir que não está sozinha. E você dormiu na cama dele? Letícia fica vermelha. Desculpa, senhor. Eu sei que foi inadequado, mas estava com muito medo. Medo de quê? De monstros. disse que vêm quando ele fica sozinho no escuro. O Ricardo sente-se um pai terrível, nunca soube que o filho tinha medo de monstros.
Ele contou isso a você? Contou e disse que as outras amas não acreditavam nele. Você acredita? Para uma criança de 4 anos, os monstros são reais. Então, acredito no medo dele. Ricardo fica impressionado com a simplicidade e sabedoria da resposta. E como afastou os monstros? Letícia sorri. Fiz uma poção mágica. A poção mágica? Água com açúcar e corante alimentar azul.
Disse que era um spray anti-monstros. Ele pulverizou em todos os cantos do quarto. E funcionou? Funcionou porque ele acreditou. Ricardo percebe que Letícia compreende o seu filho de um jeito que ele próprio nunca entendeu. Letícia, posso perguntar-lhe por você quis trabalhar como ama? Gosto de crianças, sempre gostei.
Tem filhos? Letícia fica triste por momentos. Não tenho. Quer ter um dia? Queria, mas a vida não permitiu. O Ricardo sente que há uma história dolorosa por detrás desta resposta, mas não insiste. Bem, obrigado por cuidar bem do Té. É o meu trabalho. Não é só trabalho. Você realmente se importa com ele? Importo-me, sim. Ele é um menino meigo. Ricardo fica surpreendido.
Doce T. Sim, é. Só está zangado porque está a sofrer. Raiva de quem? Do mundo, deus? De si? A sinceridade de Letícia apanha o Ricardo desprevenido de mim. Por quê? Porque não fica com ele. Eu trabalho. Preciso de sustentar a família. Ele não entende isso. Só entende que perdeu a mãe e o pai nunca está em casa.
Ricardo sente-se soccado. Acha que sou um mau pai? Acho que o senhor é um pai que não sabe como lidar com a dor. Que dor? A dor de ter perdido a mulher. Ricardo fica em silêncio. Letícia acertou em cheio. E como sabe tanto sobre a dor? Porque já sofri muito também. Quer falar sobre isso? Letícia abana a cabeça. Não é necessário.
O importante é cuidar do Té. O Ricardo vai para o quarto confuso. Numa noite, esta mulher simples fez mais pelo seu filho do que ele em dois anos. Na manhã seguinte, o Ricardo acorda com um barulho que não ouvia há muito tempo. Té a rir. Desce para a cozinha e encontra uma cena doméstica que o deixa emocionado.
A Letícia está a fazer panquecas. Té sentado ao balcão ajudando a mexer a massa. Os dois a conversar animadamente. Papá. Té corre para abraçar Ricardo. É a primeira vez em meses que o menino o recebe com alegria. Olá, campeão. Como dormiu? Bem, a tia Lê afastou os monstros. Tia Lê? É como ele me chama? Letícia explica sorrindo.
E agora a gente vai fazer panqueca em formato de coelho. Té anuncia animado. Ricardo senta-se para tomar café e observa a interação entre os dois. A Letícia trata Té com carinho natural, mas também com limites claros. Quando o menino quer mexer na panela quente, ela explica calmamente porque não pode. Té, lembras-te da nossa conversa sobre as coisas perigosas? Lembro-me. Fogão queima. Isso.
Então ficas aí no banquinho e me ajuda de longe, ok? Está bem, tia Lê. Nenhuma das 18 babysitters anteriores conseguiu este equilíbrio entre o carinho e disciplina. Letícia. Ricardo chama quando o Té sai para brincar no jardim. Preciso de te dizer uma coisa. Fale, você é diferente das outras amas. Em que sentido? Todas elas vinham com currículos impressionantes, faculdades caras, cursos de pedagogia, mas nenhuma entendeu o meu filho como entendeu em um dia.
Letícia fica sem jeito com o elogio. Obrigada. De onde vem este jeito com criança? Sempre tive facilidade com elas. Desde pequena que cuidava dos primos, dos filhos, das vizinhas. Você estudou pedagogia? Não tive condições para ir para a faculdade, nem curso técnico. Fiz um curso básico de primeiros socorros e outro de desenvolvimento infantil, mas nada de muito formal. Ricardo fica impressionado.
A mulher que mais compreendeu o seu filho é a que tem menos qualificação no papel. Posso fazer-te uma pergunta pessoal? Pode. Porque nunca teve filhos? Letícia volta a ficar triste. Tive um noivo há 5 anos. A gente planeava casar, ter filhos, mas morreu num acidente de moto. Sinto muito. Depois disso, eu como que desisti da ideia de ter família própria.
Por isso, dedico-me a cuidar dos filhos dos outros. Ricardo percebe agora porque é que a Letícia tem tanto carinho maternal para dar. E os seus pais morreram quando eu era adolescente. Não Tenho irmãos. Está sozinha no mundo? Estou, mas não me sinto sozinha quando cuido de crianças. O Ricardo sente um misto de pena e admiração por esta mulher que transformou a dor em amor para partilhar.
Naquela tarde, ele cancela uma reunião importante para chegar cedo a casa. Quando entra na mansão, escuta vozes vindas do jardim. Técia estão a plantar flores numa jardineira pequena. Tia Lê, por que razão a flor precisa de água todos os dias? Porque ela é como nós, precisa de cuidado para crescer forte. E se a gente esquecer de dar água, ela fica tristinha e pode morrer, como a mamã.
Letícia pára de plantar e olha para Té com ternura. Não, meu amor. A sua mamãe não morreu porque se esqueceram de cuidar dela. Ela teve uma doença que os médicos não conseguiram curar. Mas se eu tivesse melhor cuidado. Não foi culpa sua, Té. Nunca foi culpa sua. O Ricardo sente o coração apertar.
T culpava-se pela morte da mãe e ele nunca soube. Tia Lê. Fala, meu amor. Também vai morrer? Todo mundo morre um dia, Té. Mas não vou morrer agora. Vou ficar a cuidar de você durante muito tempo. Promete? Prometo. Té abraça Letícia com força. O Ricardo se esconde-se atrás da janela, emocionado com a conversa.
À noite, durante o jantar, Té está entusiasmado a contar para o pai sobre as flores. Papá, a gente plantou margaridas. A tia Lê disse que vão crescer grandes se cuidarmos bem. Que bom, campeão. E ela disse que a a mamã não morreu por minha culpa. Ricardo olha para Letícia, grato por ela ter tocado num assunto que não sabia como abordar.
Claro que não foi a sua culpa, Té. A mamã ficou doente. Eu sei. A a tia Le explicou tudinho. Depois do jantar, Ricardo acompanha Letícia pondo o Té a dormir. É um ritual afetuoso, banho, escovagem de dentes, história, oração e o spray antimonstros. Boa noite, meu príncipe. Letícia diz beijando a testa de Té. Boa noite, tia Lê. Boa noite, papá. Boa noite, filho.
Do lado de fora do quarto, Ricardo e Letícia conversam. Obrigado por ajudar ele com a culpa sobre a mãe. Criança culpabiliza-se sempre quando perde alguém. É normal. Eu não sabia que ele pensava isso. Às vezes precisamos de perguntar as coisas certas. E quais são as coisas certas? Como é que ele se está a sentir? Se tem medo de alguma coisa? Se tem alguma dúvida? Ricardo percebe que nunca fez estas questões para o filho.
Letícia, posso pedir-te um favor? Claro. Me ensina a ser um pai melhor. O senhor já é um bom pai, só precisa de passar mais tempo com ele. Mas quando fico com ele, não sei o que fazer. Ele fica entediado. Criança de 4 anos gosta de coisas simples. Brincar, contar história, fazer atividade em conjunto. Que tipo de atividade? Desenhar, montar puzzle, cozinhar? Qualquer coisa que façam juntos.
Você poderia me ensinar? A Letícia sorri. Posso sim. No sábado, Ricardo cancela o golfe para ficar em casa. A Letícia organiza atividades para pai e filho fazerem juntos. Hoje vão fazer biscoitos ela anuncia. Eu não sei cozinhar. Ricardo protesta. Eu ensino. É fácil. Durante duas horas, Ricardo e Té fazem uma confusão na cozinha, mas divertem-se muito.
A Letícia orienta pacientemente, mostrando como misturar os ingredientes, como utilizar as formas, como decorar. Papá, fizeste um coração. Té grita animado. Fiz sim. É para si. Posso comer? Quando sair do forno. Té abraça o pai todo sujo de farinha. Eu gosto quando brincas comigo, papá. O Ricardo sente uma emoção imensa. Eu também gosto, filho.
Letícia observa de longe, sorrindo. A sua missão está dando certo. À tarde, Wild T dormita, Ricardo convida Letícia para tomar café na varanda. Obrigado pelo que fez hoje. Não fiz nada de mais. Fez sim. Me ajudou a conectar com o meu filho. Vocês só precisavam de tempo juntos. Ricardo observa Letícia ao sol da tarde. Ela é bonita de uma forma simples, natural.
Tem um sorriso doce, olhos expressivos, gestos delicados. Letícia, posso-te fazer uma pergunta pessoal? Pode. Você não pensa em voltar a casar, ter a sua própria família? Penso às vezes, mas não é fácil conhecer alguém na minha situação. Como assim? Eu trabalho o tempo todo. Não frequento locais onde conheceria homens da minha classe social e os homens ricos não se interessam por mulheres como eu.
Ricardo fica incomodado com a última frase. Por que diz isso? Porque é verdade. Vocês casam com mulheres que combinam com o estatuto de vocês. Nem todos são assim. A maioria é. E se não fosse uma questão de dinheiro ou status? E se fosse apenas uma questão de sentimento? A Letícia olha para ele curiosa.
Porquê a pergunta? O Ricardo não sabe como responder. Está a sentir-se atraído por ela e isso confunde-o. Curiosidade. Nessa noite, Ricardo não consegue dormir. Fica a pensar na conversa com Letícia, na forma como esta cuida de Té, na química que sente entre eles. Às 2as da madrugada, ouve barulho vindo do quarto do Té. Sai para verificar e encontra Letícia a consolar o menino que teve um pesadelo.
Está tudo bem. Foi só um sonho mau. Tia Lê, sonhei que ias embora. Não vou embora, meu amor. Estou aqui. Promete que fica sempre? Prometo que vou ficar enquanto precisar de mim. Ricardo observa a cena emocionado. A Letícia cuida do seu filho com um amor que não é fingido, não é profissional, é real. No domingo, o Ricardo decide fazer algo que não faz há anos, passar o dia inteiro com o filho.
Ele, Letícia e Té vão ao zoológico. Durante o passeio, Ricardo observa como as outras pessoas reagem a eles. Uns pensam que são uma família, outros ficam curiosos com a diferença social evidente entre ele e Letícia. “Papá, posso dar comida aos patos?”, pergunta Té entusiasmado. “Pode sim.” Enquanto Té brinca no lago dos patos, Ricardo e Letícia conversam num banco.
Ele está muito feliz, ela comenta. Pois, já há algum tempo que não via ele assim. O senhor também parece mais feliz. Ricardo olha para ela. Estou mesmo. Por quê? Porque a minha família está a funcionar de novo. A palavra família fica no ar entre eles. Letícia fica sem jeito. Senhor Ricardo, chama-me só de Ricardo.
Ricardo, eu sou apenas a babá. Você é muito mais do que isso. Sou o quê? Ricardo hesita. O que a Letícia é para ele? Funcionária, amiga, algo mais. Você é importante para nós. Letícia sorri, mas ainda parece insegura. Obrigada. De regresso a casa, depois de adormece o Té, o Ricardo chama Letícia para conversar. Preciso de te dizer uma coisa.
O que foi? Estes três dias foram os melhores que eu e a Té tivemos desde que a minha mulher morreu. Fico feliz por saber. E foi por sua causa. Foi porque o senhor Porque passou tempo com ele. Mas você que me ensinou como fazer isso. Letícia fica emocionada. É o meu trabalho. Não é só trabalho, Letícia. Você ama o meu filho. Adoro sim.
E eu? Ricardo pára a meio da frase. Estava prestes a dizer que também ama ela. E você o quê? E estou muito grato por isso. Letícia percebe que ele ia dizer outra coisa, mas não insiste. Ricardo, posso fazer-te um pedido? Claro. Continue a passar tempo com o Té. Ele precisa do pai. Vou continuar, prometo.
E não se sinta culpado por ter demorado. O luto demora a passar. Você entende de luto? Entendo. Também perdi alguém que amava muito. O seu noivo. É. E Levei anos para conseguir amar de novo. Conseguir voltar a amar? Letícia fica vermelha. Quer dizer, conseguir-me abrir a novos sentimentos. Ricardo compreende que ela também está a sentir algo por ele.
Letícia, boa noite, Ricardo. Ela sai a correr, deixando-o sozinho com o coração aos saltos. Na segunda-feira, Ricardo vai trabalhar confuso. Durante as reuniões, não consegue concentrar-se. Fica pensando em Letícia, no filho, na família que poderiam formar. Senr. Mendonça, a sua secretária, Patrícia chama-lhe a atenção. O senhor está bem? Estou.
Por quê? O senhor concorda com a proposta da fusão? Ricardo percebe que não ouviu nada da reunião. Vou analisar e respondo amanhã. No fim do expediente, em vez de trabalhar até tarde, como sempre fazia, Ricardo regressa a casa, encontra Letícia e Té na sala, a montar um puzzle gigante. Papá. Té corre para o abraçar.
Olha quantas peças a gente já montou. Ui, muitas mesmo. A a tia Lê disse que quando terminarmos nós pode colar e pendurar na parede do meu quarto. Ótima ideia. Ricardo junta-se a -los no chão. Passar uma hora a montar puzzle é mais relaxante que qualquer spa caro. Papá, amanhã é terça-feira. Té comenta. É sim. Por quê? Nada. Letícia e Ricardo trocam olhares.
Té escondendo algo. Té, o que tem de especial na terça-feira, Letícia? pergunta. É que é que amanhã faz uma semana que o tia Lei está aqui e então? As outras amas iam sempre embora ao fim de uma semana. Ricardo sente o coração apertar. O filho está com medo de perder a Letícia também. Meu amor.
Letícia ajoelha-se na altura de Té. Eu não vou embora amanhã. Tem certeza? Tenho. Só me vou embora se o seu pai me mandar. Té olha para Ricardo, suplicante. Papá, não mandes a tia Lê embora, ok? Não vou mandar, filho. Ela fica o tempo que quiser. Letícia sorri aliviada. Então eu fico nessa noite, depois de deitar o Té, o Ricardo e Letícia ficam na sala a conversar.
Obrigado por o tranquilizar sobre si ficar. Ele estava realmente preocupado. Letícia, posso garantir-te uma coisa? O quê? Nunca vai ser mandada embora desta casa. Como pode ter a certeza? Porque é que o meu filho ama a si e a mim? Novamente Ricardo pára a meio da frase. E você o quê? Desta vez decide ser corajoso. E eu também te amo.
Letícia fica em choque. Ricardo, eu sei que somos de mundos diferentes. Eu sei que pode parecer que me estou a aproveitar da situação, mas o que sinto por ti é verdadeiro. Eu não sei o que dizer. Sente alguma coisa por mim? Letícia hesita. Sinto o quê? Carinho, admiração e algo mais que não deveria sentir. Por que não devia? Porque sou sua empregada doméstica. Não é minha empregada.
É a mulher que salvou a minha família. Letícia emociona-se. Ricardo, isto é muito confuso. Porquê confuso? Porque eu também me apaixonei por ti, mas tenho medo. Medo de quê? Medo de que seja só gratidão. Medo de que quando se recuperar completamente da perda da sua esposa, perceba que não me ama de verdade.
O Ricardo compreende os medos de Letícia. São medos legítimos. E se for amor verdadeiro? E se for para sempre? Como saber? Dando uma oportunidade para descobrir, Letícia fica em silêncio, pensando, Ricardo, se nós nos envolver e correr mal, quem sofre é o Té. E se correr bem? Se correr bem, ele ganha uma família completa de novo. Então, vale a pena o risco? A Letícia sorri.
Acho que vale. Ricardo aproxima-se dela devagar. Posso beijar-te? Pode. O beijo é suave, carinhoso, cheio de promessas. Quando se separam, os dois estão emocionados. Letícia, fala. Eu amo-te de verdade. Eu também te amo. Eles abraçam-se sabendo que estão a começar algo bonito, mas que também terão desafios pela frente.
Amanhã seguinte, Té apercebe-se de algo diferente no clima da casa. O papá, por que tu e a tia Lei estão a sorrir tanto? Ricardo e Letícia trocam olhares divertidos. Porque estamos felizes? Ricardo responde: “Porquê? Porque somos uma família agora. De verdade? De verdade. Té bate palmas animado. Então, a tia Lê vai ser a minha nova mamã? Ricardo olha para Letícia.
Se ela quiser. Eu quero. Letícia responde emocionada. Então, posso chamar-lhe mamã? Té pergunta. Pode sim, meu amor. A mamã lê. Té abraça os dois radiante de felicidade. Mas nem tudo será fácil. Durante a semana seguinte, Ricardo precisa de apresentar Letícia para a família e amigos. As reações são variadas.
A sua mãe, Margarete Mendonça, uma mulher de 60 anos da alta sociedade, não esconde a desaprovação. Ricardo, enlouqueceste. Porquê, mãe? Vai casar com a ama? Vou casar com a mulher que amo. Ela é uma oportunista. Ela é uma mulher íntegra que salvou o meu filho. Ricardo, pensa no que as pessoas vão dizer. Não preocupo-me com o que as pessoas vão falar. Deveria importar-se.
Você tem negócios? Reputação. A minha felicidade é mais importante do que a reputação. Margarida percebe que o filho está determinado. Pelo menos faça um pré-nupicial. Não vou fazer prénupcial. Por que não? Porque confio nela completamente. A confiança não protege o património. Mãe, A Letícia não quer o meu dinheiro.
Ela me ama. Margarete suspira. Espero que você esteja certo. A recepção dos amigos também é mista. Uns apoiam, outros criticam. Ricardo, tem a certeza do que está a fazer? Pergunta o seu melhor amigo Daniel. Tenho. Não é apenas uma reação ao luto. Não é. é amor verdadeiro. E se ela só está interessada no dinheiro, ela não está. Conheço o carácter dela.
Como pode ter a certeza? Porque vejo como ela cuida do Té. Não é fingido, é amor puro. Daniel ainda está na dúvida, mas decide apoiar o amigo. Se é feliz, eu apoio. Letícia também enfrenta críticas, principalmente da dona da pensão onde mora. Menina, cuidado para não se iludir. A Dona Rosa avisa. Como assim? Homem rico às vezes brinca com mulher pobre. Ele não está a brincar.
Como você sabe? Pela forma como ele me trata, que trata o filho. Letícia, és uma boa menina. Só não te quero ver sofrer. Não vou sofrer, Dona Rosa. Desta vez é diferente. Um mês depois da declaração de amor, Ricardo decide dar o próximo passo. Ele organiza um jantar especial na mansão. Só ele, a Letícia e o Té.
Por que o papá está assim tão nervoso? Té pergunta, observando Ricardo a andar de um lado para o outro. Ele não está nervoso, está animado. Letícia responde sorrindo. Entusiasmado com o quê? Ricardo para na frente dos dois. Té, lembras-te quando perguntou-me se a Lê ia ser a sua nova mamã? Lembro-me.
E lembra-se que eu disse que se ela quisesse seria? Lembro-me. Ricardo ajoelha-se e tira uma caixinha do bolso. Letícia Santos, você queres casar comigo? Quer ser minha esposa e mãe do Té para sempre? Letícia fica emocionada, olhando para o anel simples, mais bonito. Ricardo, a mamã lê, diz que sim. Té implora.
A Letícia olha para os dois homens da sua vida e sorri através das lágrimas. Sim, aceito casar com você. Té grita de alegria e salta para o colo dos dois. Agora somos uma família de verdade. Somos sim, meu amor. Letícia diz beijando-lhe a testa. Ricardo coloca o anel no dedo de Letícia. Amo-te muito. Também te amo. Mas a felicidade do momento será testada em breve.
Na semana seguinte, enquanto O Ricardo está em viagem de negócios, a sua mãe decide agir. Margarete aparece na mansão sem avisar e encontra Letícia a brincar com a Té no jardim. “Preciso falar contigo”, diz ela friamente. “Claro, dona Margarete. O Té vai brincar lá dentro um pouco. Está bem, mamã Lê. Quando ficam sozinhas, Margarete vai direto ao assunto.
Quanto quer para sair da vida do meu filho? Letícia fica chocada. Como assim? Dinheiro. Quanto quer para desaparecer? Dona Margarete, eu adoro o Ricardo. O amor não paga conta. É uma mulher jovem, pode refazer a sua vida. Não quero refazer nada. Quero ficar aqui. Margarete tira um cheque do bolso. 1 milhão deais. É mais dinheiro do que veria na vida.
Letícia fica indignada. A senhora acha que estou com o Ricardo por dinheiro? Você não está? Claro que não. Então prove, aceite o dinheiro e vá-se embora. Não vou aceitar. Por que não? Porque amo O Ricardo e a Té e eles também me amam. Té uma criança, vai esquecê-lo. Não vou abandoná-lo.
Margarete guarda o cheque irritada. Está bem, mas saiba que nunca vou aceitar-te nesta família. Não precisa de me aceitar, só precisa de respeitar a decisão do seu filho. Vamos ver quanto tempo dura este amor quando a sociedade começar a julgar-te. A Margarete vai embora, deixando Letícia abalada. Quando Ricardo regressa da viagem, ela conta o que aconteceu.
A minha mãe ofereceu dinheiro para que me deixe. Ofereceu. E você recusou? Claro que recusei. Ricardo abraça Letícia com força. Obrigado por não desistir de nós. Nunca vou desistir. Vou falar com a minha mãe. Não precisa. Eu compreendo a preocupação dela. Não entendo não. Foi rude e preconceituosa. Ela quer protegê-lo. Proteger-me de quê? De ser feliz? De se envolver com alguém que ela acha que não serve para você.
Serve-me mais que qualquer mulher rica serviria. Por quê? Porque me ama pelo que sou, não pelo que tenho. A Letícia sorri. É verdade. No mês seguinte, Ricardo marca o casamento. Será uma cerimónia íntima, apenas família próxima e amigos verdadeiros. Mas três dias antes do casamento, algo inesperado acontece. Letícia desmaia enquanto brinca com o Té.
Ela é levada para o hospital, onde recebe uma notícia que muda tudo. Parabéns, está grávida. O Dr. Silva anuncia. Letícia fica em choque. Grávida? Sim, aproximadamente seis semanas. Ricardo, que está ao lado dela, fica radiante. Vamos ter um bebé? Vamos. Letícia confirma emocionada. Té vai ter um irmãozinho.
Quando contam a novidade para Té, o rapaz fica maluco de alegria. Um bebé de verdade? De verdade? Ricardo confirma. Posso ajudar a cuidar? Claro que pode, Letícia responde. Vou ser o melhor irmão mais velho do mundo. A gravidez acrescenta ainda mais alegria ao casamento. No dia da cerimónia realizada no jardim da própria mansão, Letícia está radiante de felicidade.
Margarete comparece, mas não esconde a cara fechada. Alguns amigos de Ricardo também parecem desconfortáveis, mas quando o juiz pergunta: “Ricardo, aceita a Letícia como esposa?” A resposta vem do fundo do coração. Aceito para sempre. Letícia, aceitas Ricardo como marido? Aceito com todo o meu amor. Eu vos declaro marido e mulher. O beijo é emocionado sob aplausos calorosos dos convidados que realmente torcem por eles.
Té como pagem joga pétalas de rosa, gritando: “Viva a mamã Lê! Viva o papá!” Três meses depois, durante um ultrom de rotina, eles descobrem que vão ter gémeos. Gémeos? Letícia pergunta incrédula. É isso mesmo, um rapaz e uma rapariga. Dr. Silva confirma. O Ricardo está estático. Três filhos, cinco pessoas na nossa família. Letícia diz emocionada.
Quando contam para o T, ele fica ainda mais entusiasmado. Dois bebés? Ui, vou ensinar tudo para eles. Vai ensinar o quê? Ricardo pergunta. A brincar, a montar puzzle, a fazer biscoito com a mamã? Lê. A família está a crescer e a felicidade também. Seis meses depois, quando a Letícia está com a barriga bem grande, Margarete resolve finalmente fazer as pazes.
Letícia, posso falar contigo? Claro, dona Margarete. Quero te pedir desculpa. Letícia fica surpreendida. Desculpas? Pela forma como te tratei, estava errada. Não precisa de se desculpar. Preciso sim. Fizeste o meu filho feliz de novo. Fez o meu neto feliz e vai dar mais dois netos para eu amar. Obrigada por falar isso.
Posso tratar-te por filha? Letícia fica emocionada. Pode sim. Bem-vinda à família, Letícia. No dia do nascimento dos gémeos, toda a família está reunida no hospital. Té agora com 5 anos, não consegue conter a ansiedade. Quanto tempo mais, papá? Não sei, filho. Bebé nasce na hora que quer. Às 3:27 da madrugada, os gémeos finalmente chegam ao mundo.
Helena, de 3,2 g, e Gabriel de 3,500 g. Quando Ricardo entra no quarto e vê Letícia a segurar os dois bebés com Té ao lado, observando encantado, sente que a sua vida está completa. São lindos ele sussurra. São nossos. Letícia responde radiante. Papá, eles são pequeninos. Té comenta maravilhado. Você também era assim quando nasceu.
Posso dar beijinho? Pode sim, meu amor. Té beija delicadamente a testa de cada bebé. Oi, Zelena. Olá, Gabriel. Eu sou o Té, irmão mais velho de vocês. Vou cuidar muito bem de vós. Ricardo abraça a sua família com lágrimas nos olhos. Há dois anos, era um pai perdido, com um filho revoltado numa casa vazia de amor. Hoje tem uma esposa que ama de verdade, três filhos saudáveis e uma casa cheia de alegria. Letícia, fala.
Obrigado por ter aparecido na nossa vida. Obrigada por me ter deixado ficar. Sempre soube que era especial. Como sabia? Ricardo sorri ao recordar a primeira noite. Desde aquela noite que te vi a dormir com a Té ali, soube que tu não era só uma ama, era a mulher que ia completar a nossa família. E você estava certo. Estava. Amo-te, Letícia Mendonça.
Também te amo, Ricardo. Seis meses depois, numa manhã de domingo, a mansão está cheia de vida. Té brinca no jardim com Helena e Gabriel, que já gatinham. A Letícia prepara o almoço a cantar. Ricardo lê um jornal observando a família. É uma cena de felicidade doméstica que parecia impossível há dois anos. Mamã, lê. Té grita do jardim.
Helena está a tentar comer terra. Já vou, meu amor. Letícia sai a correr para o jardim, deixando Ricardo a sorrir. Sua vida virou de cabeça para baixo quando uma humilde ama entrou pela porta da frente. Mas foi a melhor revir a volta que poderia ter acontecido. Hoje, aos domingos, em vez de trabalhar sozinho no escritório, Ricardo brinca com os filhos, cozinha com a mulher, vive de verdade. Papá, vem brincar connosco.
Té chama. Já vou, campeão. Ricardo fecha o jornal e vai para o jardim juntar-se à família, porque agora sabe que trabalho pode esperar. Dinheiro não compra a felicidade, mas o amor verdadeiro transforma tudo. E tudo começou numa noite em que voltou para buscar o telemóvel e descobriu que a humilde ama era exatamente o que a sua família precisava para ser novamente completa.
O menino que odiava todas as amas encontrou a sua mãe do coração. O pai, que não sabia demonstrar amor, aprendeu que o segredo está na simplicidade, que a mulher simples que vivia sozinha no mundo, ganhou uma família que a ama incondicionalmente. Por vezes, o amor chega das formas mais inesperadas e, quando chega de verdade, transforma tudo à sua volta em felicidade pura.
Gostou desta história? Achou que o verdadeiro amor venceu todos os os preconceitos? Conta-me nos comentários o seu nome e de onde me ouve, a sua companhia é muito importante para mim. Um abraço e até à próxima.















