MILIONÁRIO vai almoçar em casa de SURPRESA — e encontra algo inesperado da BABÁ com seu FILHO CEGO

Meio-dia de quinta-feira. Paulo Sorlotte cancela uma reunião importante no último minuto. Aos 36 anos, dono de uma construtora que vale 200 milhões, ele nunca almoçava em casa. Mas hoje algo inexplicável o puxou para casa. Talvez seja a saudade do filho Gabriel de 5 anos, que ele quase não vê por causa da agenda insana de trabalho.

 Paulo estaciona o Mercedes na garagem da mansão em Alfaville e entra pela porta dos fundos, querendo fazer surpresa. A casa está silenciosa, elegante, com seus móveis caros e decoração perfeita que sua esposa Patrícia fez questão de escolher. Tudo muito bonito, mas frio como um hotel cinco estrelas. Onde está todo mundo?”, ele se pergunta, ouvindo apenas o barulho distante do aspirador de pó.

 Patrícia deve estar no salão de beleza, como sempre às quintas-feiras. Gabriel provavelmente está com a babá nova, aquela moça que Patrícia contratou há duas semanas e sobre quem vive reclamando. Paulo sobe às escadas em direção ao quarto do filho, querendo dar uma surpresa. É quando escuta algo que o faz parar no corredor.

 Uma voz feminina suave está lendo em voz alta. E então o pequeno príncipe cego tocou o rosto do gigante gentil e disse: “Agora eu sei como você é. Você tem olhos bondosos, mesmo que eu não possa vê-los. Tal gigante sorriu e perguntou: “Como você sabe que meus olhos são bondosos?” E o príncipe respondeu: “Porque sua voz é carinhosa e suas mãos são suaves quando você me ajuda?” Paulo franze a testa.

 A história parece familiar, adaptada especificamente para uma criança cega. Ele se aproxima da porta entreaberta do quarto do Gabriel e vê uma cena que o deixa completamente sem reação. A babá nova, Clara Santos, de 24 anos, está sentada na cama do menino. Gabriel está deitado com a cabeça no colo dela, enquanto ela faz carinho nos cabelos dele com uma mão e segura um livro em braile com a outra.

 Mas o que mais impressiona Paulo é a expressão de paz absoluta no rosto do filho. Gabriel nasceu com uma deficiência visual rara. Não é completamente cego, mas enxerga apenas vultos e sombras. Paulo sempre se sentiu perdido sobre como lidar com isso. Patrícia trata a condição do filho como uma vergonha, evitando falar sobre o assunto.

 E aí, o que aconteceu depois? Gabriel pergunta interessadíssimo na história. O príncipe e o gigante se tornaram os melhores amigos. Clara continua com voz doce. E sabe por quê? Porque o príncipe ensinou o gigante que não precisamos ver com os olhos para enxergar o coração das pessoas. Gabriel sorri. Algo que Paulo não via há muito tempo.

 Tia Clara, você acha que eu sou como o príncipe da história? Acho sim, meu amor. Você é muito esperto e corajoso, igual a ele. Mesmo sendo diferente dos outros meninos, Gabriel, ser diferente não é ruim. Você tem super poderes que outros meninos não têm. Que super poderes? Clara para de fazer carinho e pega as mãos do menino. Fecha os olhos por um segundo. Gabriel fecha.

Agora me fala que música está tocando lá embaixo. Gabriel se concentra. É. É piano, música clássica. Isso. Seus ouvidos são muito mais apurados que os de qualquer criança. E suas mãos. Você consegue descobrir qualquer coisa só tocando. É verdade. Paulo está encostado na parede do corredor, emocionado. Em 5 anos, ninguém nunca falou do problema do Gabriel dessa forma positiva.

 Tia Clara? Sim. Porque a mamãe não gosta quando você brinca comigo? Paulo presta atenção na resposta. Sua mamãe se preocupa com você, meu amor, mas ela fica brava quando você me ajuda a comer sozinho. É porque ela tem medo que você se machuque. Gabriel fica pensativo. Mas eu gosto quando você me ensina coisas novas.

 Com você eu me sinto normal. Você é normal, Gabriel. Você é perfeito do jeito que é. Paulo sente uma emoção subir pelo peito. Quando foi a última vez que alguém disse para Gabriel que ele era perfeito? Tia Clara, você vai ficar sempre comigo? Clara hesita. Não sei, meu amor. Isso depende do seu pai e da sua mãe. Eu quero que você fique para sempre.

 Você é a primeira pessoa que lê histórias legais para mim. Outras babás não liam. Elas liam muito rápido e ficavam com pressa. Que a mamãe sempre diz que não tem tempo. Paulo sente uma punhalada no peito. Como ele não percebeu que o filho estava sendo negligenciado? E o papai? Ele não lê histórias para você? Gabriel balança a cabeça triste.

Papai trabalha muito. Ele só me dá beijinho de boa noite quando chega tarde. Tenho certeza que seu papai te ama muito. Então por que ele não brinca comigo? Clara abraça Gabriel com carinho. Às vezes os adultos esquecem o que é importante, mas isso não significa que não amam a gente. Paulo está com os olhos cheios de lágrimas.

 Ele trabalha tanto para dar uma vida boa para o filho, mas esqueceu de dar presença, carinho, atenção. Tia Clara, posso te fazer uma pergunta? Claro. Você tem medo de mim? Medo? Porque eu teria medo devocê? Porque eu não enxergo as outras babás tinham medo. Elas achavam que eu podia cair e me machucar. Gabriel, eu não tenho medo de você.

 Você é um menino muito esperto e cuidadoso. Sério? Sério. Na verdade, você me ensina coisas todos os dias. Eu ensino o quê? Você me ensina que a gente não precisa dos olhos para ser feliz. Você ri mais que qualquer criança que eu conheço. Gabriel se aninha mais no colo de Clara. Tia Clara? Sim, eu te amo. Eu também te amo muito, meu amor.

 Paulo não aguenta mais. Ele bate na porta levemente. Posso entrar? Clara se sobressalta e Gabriel levanta a cabeça. Papai, que surpresa! Paulo entra no quarto e vê Clara se levantando rapidamente, claramente nervosa. Bom dia, senor Paulo. Não sabia que o senhor estava em casa. Resolvi almoçar aqui hoje. Gabriel pula da cama e caminha na direção da voz do pai, com os braços estendidos.

 Paulo o pega no colo. Papai, a tia Clara estava lendo uma história muito legal sobre um príncipe que era igual a mim. É mesmo? E qual era a história? Era sobre um príncipe cego que fez amizade com um gigante. Paulo olha para Clara, que está arrumando o livro em Braile. Você lê em Braile? Leio, sim, senhor. Estudei pedagogia especial na faculdade.

 Não sabia disso. Sua esposa não perguntou sobre minha formação quando me contratou. Paulo franze a testa. Patrícia sempre investigava tudo sobre as babás. Por que dessa vez foi diferente? Gabriel, que tal ir lavar as mãos para o almoço? Posso, papai? A tia Clara me ensinou onde fica cada coisa no banheiro. Agora eu faço tudo sozinho.

Gabriel sai do quarto animado. Paulo fica sozinho com Clara pela primeira vez. Clara, posso fazer algumas perguntas? Claro, senhor. Há quanto tempo você trabalha com crianças especiais? 5 anos. Me especializei em deficiência visual durante a faculdade. Por quê, Clara? Meu irmão mais novo nasceu cego.

 Aprendi muito cuidando dele. E como você vê o caso do Gabriel? Com todo respeito, Sr. Paulo, Gabriel é uma criança brilhante que só precisa de estímulos adequados. Estímulos como brincadeiras que desenvolvam outros sentidos, livros em Braile, atividades que aumentem a autoestima dele. Paulo percebe que Clara sabe exatamente o que está fazendo.

Alguém já trabalhou dessa forma com ele? Pelo que entendi, não. As babás anteriores tratavam ele como se fosse incapaz. E minha esposa, como ela reage ao seu trabalho? Clara fica desconfortável. Dona Patrícia tem opiniões diferentes sobre como cuidar do Gabriel. Que tipo de opiniões? Ela prefere que eu não estimule muito a independência dele. Paulo não entende.

Por quê? Acho melhor o senhor conversar com ela sobre isso. Naquele momento, Patrícia chega em casa. Paulo ouve o barulho da porta da frente batendo e a voz dela gritando: “Clara, onde você está?” “Estou aqui, dona Patrícia.” Clara responde saindo do quarto. Paulo desce atrás dela e encontra Patrícia no hall, carregada de sacolas de compras e com cara de poucos amigos.

 Patrícia Sorlotte, 32 anos, é uma mulher bonita que dedica a vida inteira a manter a aparência. Exercícios, tratamentos estéticos, roupas caras, eventos sociais. Ela vê Gabriel mais como um acessório problemático do que como filho. Paulo, que surpresa você estar em casa. Resolvi almoçar aqui. Como foi o salão? Bem, Clara, o que você estava fazendo no quarto do Gabriel? Lendo uma história para ele, senhora.

 Lendo que história? Um livro infantil em Braile. Patrícia faz cara de nojo. Já falei que não quero esses livros estranhos em casa. Gabriel precisa se acostumar com livros normais. Paulo intervém. Livros normais? Patrícia? Nosso filho tem deficiência visual. Não gosto dessa palavra e nem gosto que fiquem lembrando ele disso.

 Lembrando, Patrícia, isso não é algo que se esquece. É exatamente por isso que não devemos ficar reforçando as limitações dele. Clara tenta explicar. Dona Patrícia, os livros em Braile ajudam Gabriel a desenvolver o prazer pela leitura. Ninguém pediu sua opinião. Patrícia corta seca. Você está aqui para cuidar dele, não para educá-lo.

 Paulo fica incomodado com o tom da esposa. Patrícia, ela só está tentando ajudar. Ajudar? Paulo? Você não vê o que está acontecendo? Ela está mimando demais, o Gabriel. Como assim mimando? Fica fazendo tudo para ele, carregando ele no colo, lendo essas histórias melosas. E qual o problema? Patrícia puxa Paulo para o escritório e fecha a porta.

Paulo, essa babá está criando dependência emocional no Gabriel. Dependência como ele só quer ficar com ela. Não aceita que outras pessoas cuidem dele. Isso não é natural. Ele se afeiçoou a ela. Não é natural quando a babá estimula isso. Paulo não entende onde Patrícia quer chegar. Patrícia, pelo que observei, Clara é excelente com Gabriel.

 Você observou quando? Agora há pouco estava conversando com ele de forma muito carinhosa. Patrícia fica alerta. Que tipo de conversa? Ela estavaexplicando que ele tem qualidades especiais. Qualidades especiais? Paulo, nosso filho, tem uma deficiência. Não devemos fantasiar sobre isso, Patrícia. Deficiência não significa que ele seja menos capaz. Claro que significa.

 E quanto mais gente ficar alimentando ilusões, pior para ele. Paulo está chocado com a frieza da esposa. Ilusões. Patrícia. Gabriel é uma criança inteligente e carinhosa, que nunca vai ter uma vida normal. Diz quem? Os médicos. Lembra o que o doutor Henrique falou? Gabriel vai precisar de cuidados especiais à vida inteira.

 Paulo se lembra da consulta. O médico realmente foi pessimista sobre o futuro de Gabriel, mas isso não significa que não possamos estimular o desenvolvimento dele. Estimular como? Ensinando ele a sonhar com coisas que nunca vai conseguir. Que coisas? Ler sozinho, brincar como criança normal, ser independente. Patrícia, crianças cegas podem fazer tudo isso.

 Podem? Não para de sonhar, Paulo. Nosso filho vai ser dependente para sempre. Paulo sente raiva da resignação da esposa. E se você estiver errada? Não estou errada. E essa babá está atrapalhando o processo de aceitação do Gabriel. Aceitação do quê? Das limitações dele. Paulo sai do escritório irritado. Ele não concorda nem um pouco com a visão pessimista da esposa.

 Na hora do almoço, ele observa a dinâmica entre todos. Clara ajuda Gabriel a se servir, mas deixa ele comer sozinho. Patrícia fica corrigindo cada movimento do menino. Gabriel, não põe a mão na comida. Mas mamãe, é mais fácil assim. Criança educada come com garfo. Deixa ele, Patrícia. Ele está comendo bem. Paulo, se não corrigirmos agora, ele vai ter maus hábitos à vida toda.

Clara tenta ajudar. Dona Patrícia, posso ensinar Gabriel a usar o garfo de forma adequada para ele? Não precisa. Ele tem que aprender do jeito normal. Mas existem técnicas especiais para crianças com deficiência visual. Não quero técnicas especiais. Quero que meu filho seja normal.

 Gabriel escuta a conversa e para de comer. Mamãe, eu não sou normal. Silêncio constrangedor na mesa. Claro que é, meu amor. Clara responde rapidamente. Você é normal e especial ao mesmo tempo. Clara, por favor, não confunda a cabeça dele. Patrícia repreende. Paulo observa o filho ficar triste e decide intervir. Gabriel, termina de comer.

 Depois eu quero brincar com você. Os olhos do menino se iluminam. Sério, papai? Você vai brincar comigo? Vou sim. Que tal se a tia Clara nos ensinar algumas brincadeiras legais? Patrícia fica visivelmente irritada. Paulo, você não tem uma reunião às duas? Cancelei. Por quê? Porque quero passar tempo com meu filho.

 À tarde, Paulo observa Clara brincando com Gabriel no jardim. Ela criou uma espécie de caça ao tesouro usando sons e texturas. Agora procura alguma coisa lisa e redonda. Clara diz. Gabriel tata pelo gramado até encontrar uma pedra lisa. Achei muito bem. Agora procura alguma coisa que faça barulho quando você balança.

 Gabriel procura e encontra uma vagem seca de árvore. Essa aqui. Perfeito. Você é muito bom nisso. Paulo está impressionado. Gabriel está se divertindo e aprendendo ao mesmo tempo. Papai, vem brincar com a gente. Paulo se junta à brincadeira. Clara o ensina como adaptar atividades para Gabriel. A ideia é usar todos os sentidos, menos a visão.

Entendo. Que outras brincadeiras podemos fazer? Jogos com música, adivinhação de cheiros e histórias interativas. Você sabe muito sobre isso. Aprendi cuidando do meu irmão. No começo, minha família também ficou perdida. Como assim? Quando meu irmão nasceu cego, todo mundo ficou em negação.

 Meus pais queriam tratamentos milagrosos, médicos que prometessem cura. E o que aconteceu? Com o tempo, aprendemos que aceitar não significa desistir, significa adaptar. Paulo entende a diferença. Patrícia desistiu. Clara adaptou. Clara, posso te fazer uma pergunta pessoal? Pode. Por que você se especializou nisso? Porque vi meu irmão florescer quando começou a receber os estímulos certos.

 Hoje ele toca piano, estuda programação, é independente. Sério? Sério. Deficiência não é limitação quando há amor e estímulo corretos. Naquele momento, Patrícia aparece na janela da casa observando a cena com cara fechada. Gabriel, vem para dentro. Está na hora do banho. Mas mamãe, estou brincando com o papai agora, Gabriel.

 O menino obedece contrariado. Paulo e Clara entram atrás dele. Clara, pode ir para seu quarto. Eu cuido do banho do Gabriel. Sim, senhora. Clara sai e Paulo acompanha Patrícia até o banheiro do Gabriel. Por que você interrompeu a brincadeira? Porque está na hora do banho. Podíamos esperar mais um pouco.

 Paulo, preciso manter a rotina dele. Durante o banho, Paulo observa como Patrícia trata Gabriel como se ele fosse um bebê indefeso. Mamãe, eu consigo me lavar sozinho. Não consegue. Fica quieto. A tia Clara me ensinou a passar sabonete sozinho. A tia Claraensina coisas erradas. Gabriel fica confuso. Por que são erradas? Porque você pode se machucar, mas eu não me machuquei nenhuma vez ainda.

 Paulo intervém. Patrícia, deixa ele tentar. Paulo, você não entende. Gabriel precisa de cuidados especiais. Precisa de estímulos, não de super proteção. É a mesma coisa, não é? Não. Naquela noite, depois de colocar Gabriel para dormir, Paulo e Patrícia t uma conversa séria no quarto.

 Patrícia, precisamos conversar sobre Gabriel. O que tem? Acho que estamos cuidando dele de forma errada. Como assim errada? Tratando ele como inválido. Paulo, nosso filho é deficiente visual. Sei disso, mas isso não o torna incapaz. Torna sim. Ele vai precisar de ajuda para tudo na vida. Diz quem? O médico, o psicólogo, todo mundo. Clara não pensa assim.

 Patrícia faz cara de desgosto. Clara é uma babá, não uma especialista. Ela estudou pedagogia especial. Qualquer pessoa hoje em dia inventa um diploma. Patrícia, você viu como Gabriel estava feliz hoje? Feliz porque estava sendo mimado. Feliz porque estava sendo estimulado. É a mesma coisa, não é? Mimar é fazer tudo por ele.

 Estimular é ensinar ele a fazer sozinho. Patrícia senta na cama visivelmente irritada. Paulo, você não entende porque não fica em casa. Eu é que lido com Gabriel todos os dias. E como você lida cuidando para ele não se machucar? Só isso? Como assim só isso? Você brinca com ele, conversa, ensina coisas novas? Patrícia fica na defensiva. Cuido das necessidades dele.

Necessidades emocionais também. Paulo Gabriel tem limitações. Não adianta criar expectativas irreais. Que expectativas? De que ele vai ser uma criança normal. Ele é uma criança normal que não enxerga. Só isso. Só isso. Paulo. Você está sendo ingênuo e você está sendo derrotista. A discussão esquenta. Derrotista. Eu sou realista.

Realista ou acomodada? Como assim acomodada? É mais fácil tratar Gabriel como inválido do que ensinar ele a ser independente. Patrícia fica furiosa. Paulo, eu dedico minha vida inteira para cuidar dele. Cuidar ou controlar? Que diferença faz? Toda a diferença do mundo. Patrícia se levanta nervosa.

 Sabe de uma coisa? Essa babá está virando sua cabeça. Como assim? Você nunca questionou meus cuidados com Gabriel. Agora de repente virou especialista em deficiência visual. Não virei especialista, só abri os olhos. Para quê? Para o fato de que nosso filho pode ser muito mais do que você imagina. Paulo, você está fantasiando e você está subestimando.

 Patrícia para na frente do espelho, arrumando o cabelo. Paulo, vou te falar uma coisa sobre essa babá. O quê? Ela não é confiável. Por que você diz isso? Porque tenho observado algumas coisas. Que coisas? Patrícia se vira para Paulo. Ela tem segundas intenções. Segundas intenções como está se aproveitando da situação do Gabriel para se aproximar de você.

 Paulo fica surpreso. Patrícia, do que você está falando? Você não percebe como ela fala de você para o Gabriel? Como ela fala? sempre elogiando você, dizendo que você é um pai maravilhoso, que trabalha muito para dar o melhor para ele. E qual o problema nisso? É manipulação óbvia. Manipulação para quê? Para conquistar você através do Gabriel.

 Paulo acha a acusação absurda. Patrícia, isso não faz sentido. Faz sim. Babá jovem, bonita, cuidando de criança especial. É o cenário perfeito para despertar instintos protetores em homem. Você está sendo paranoica. Estou sendo inteligente. Patrícia. Clara só demonstra carinho pelo Gabriel. Carinho exagerado.

 Suspeitamente exagerado. Paulo balança a cabeça. Acho que você está com ciúmes. Ciúmes de quê? Do carinho que Gabriel tem por ela. Não tenho ciúmes. Tenho preocupação com o quê? Com você ser enganado por uma aventureira. Aventureira. Patrícia. Clara cuida muito bem do Gabriel. Cuida bem demais. Isso é suspeito.

 Como assim suspeito? Nenhuma babá se dedica tanto sem ter segundas intenções. Paulo percebe que a conversa não vai levar a lugar nenhum. Patrícia, vamos dormir. Amanhã conversamos melhor. Paulo, você precisa me prometer uma coisa. O quê? Que vai observar melhor essa babá. Tá bom. E se descobrir que estou certa, vai demitir ela.

 Paulo não responde, mas promete para si mesmo observar Clara mais de perto. Na manhã seguinte, Paulo decide trabalhar de casa para observar a dinâmica da família. Ele se instala no escritório com a porta entreaberta, de onde consegue ouvir tudo que acontece. Às 8 da manhã, Clara chega para trabalhar. Bom dia, dona Patrícia.

Bom dia. Gabriel já tomou café? Ainda não. Pode deixar que eu cuido. Clara, preciso falar com você antes. Claro. Paulo presta atenção na conversa. Clara, sobre ontem. Notei que você ficou muito tempo com Gabriel e meu marido. Sim, senhora. Senr. Paulo quis participar das atividades e isso não pode se repetir.

Como assim? Você foi contratada para cuidar do Gabriel, não para entretervisitas. Mas Senhor Paulo é o pai, não é visita para você. É. Você trabalha para mim, não para ele. Entendi. Outra coisa, pare de encher a cabeça do Gabriel com essas ideias de independência. Dona Patrícia, as atividades ajudam no desenvolvimento dele, ajudam a criar expectativas irreais.

 Com todo respeito, não são irreais. São sim. Gabriel nunca vai ser uma criança normal. Ele já é uma criança normal. Clara, você não tem filhos, não sabe o que está falando. Tenho experiência com crianças especiais. Experiência teórica. Eu vivo isso na prática. Clara tenta argumentar. Dona Patrícia, Gabriel tem potencial para ser muito independente.

Não tem. E pare de alimentar essas ilusões. Não são ilusões. São sim. E se você continuar, vai ter que procurar outro emprego. Paulo escuta Clara respirar fundo antes de responder: “Entendi, senhora. Ótimo. Agora vá cuidar do Gabriel e lembre-se, menos estímulos, mais proteção.” Paulo fica revoltado com a conversa.

 Patrícia está sabotando o desenvolvimento do próprio filho. Uma hora depois, ele escuta Gabriel chegando da escola. Tia Clara. Tia Clara. Oi, meu amor. Como foi a escola? Aprendi uma música nova, quer escutar? Claro que quero. Gabriel canta uma música infantil de forma animada. Clara aplaude. Que lindo, Gabriel. Você canta muito bem.

 A professora disse que eu tenho ouvido musical. Tem sim. Você é muito talentoso. Tia Clara, posso tocar piano? Claro. Vamos para a sala de música. Paulo escuta os dois subindo as escadas. Ele o segue discretamente. Na sala de música, Gabriel se senta no piano e toca algumas notas aleatórias. Tia Clara, você pode me ensinar uma música? Posso sim.

 Que música você quer aprender? Parabéns para você. Ótima escolha. Vou te ensinar. Clara se senta ao lado de Gabriel no banco do piano e guia as mãozinhas dele pelas teclas. Primeiro vamos encontrar a nota dó. Ela coloca o dedinho do Gabriel na tecla correta. Agora mi. Gabriel vai tentando e Clara vai ajustando com paciência. Muito bem, você está aprendendo rápido.

Em 15 minutos, Gabriel consegue tocar uma versão básica da música. Eu consegui, tia Clara. Eu consegui. Conseguiu sim. Estou muito orgulhosa de você. Gabriel abraça Clara, radiante de felicidade. Tia Clara, quando eu crescer vou ser pianista. Pode ser sim, meu amor. Você tem talento para isso, mesmo sendo diferente, Gabriel, ser diferente às vezes é uma vantagem.

 Como assim? Pianistas cegos famosos tocam de orelha sem precisar ler partitura. Eles têm vantagem sobre pianistas que enxergam. Sério? Sério. Ray Charles, Steve Wander, José Feliciano, todos cegos e famosos. Gabriel fica empolgado. Então eu posso ser famoso também? Pode sim, se praticar bastante.

 Nesse momento, Patrícia aparece na porta. O que está acontecendo aqui? Gabriel se vira animado. Mamãe, a tia Clara me ensinou a tocar piano. Ensinou, Gabriel? Piano é muito difícil para você. Mas eu consegui tocar. Conseguiu? Porque ela estava ajudando. Sozinho. Você não consegue. Gabriel fica desanimado. Não consigo mesmo. Clara intervém. Consegue sim, Gabriel.

 Só precisa praticar. Patrícia olha para Clara com raiva. Clara, já não conversamos sobre criar expectativas irreais. Dona Patrícia Gabriel tem aptidão musical natural. A aptidão que não vai levar a nada. Por que não? Porque ele nunca vai conseguir ler partituras. Não precisa ler partituras para tocar piano.

 Muitos pianistas cegos tocam de ouvido. Clara, pare de encher a cabeça dele com fantasias. Gabriel escuta a discussão e fica triste. Mamãe, tocar piano é fantasia. Patrícia olha para o filho. É sim, meu amor. Você tem outras qualidades. Que qualidades, Patrícia hesita. Você é educado. Paulo, que estava escutando tudo, não aguenta mais. Ele entra na sala.

 Que barulho é esse, papai? Gabriel corre para abraçar o pai. A tia Clara me ensinou a tocar piano. É mesmo? Toca para mim. Gabriel volta para o piano e toca a música que aprendeu. Não é perfeito, mas é reconhecível. Paulo fica emocionado. Gabriel, isso está ótimo. Gostou mesmo, papai? Gostei muito. Você tem talento. Patrícia intervém.

 Paulo não deve encorajar isso. Por que não? Porque vai criar frustração quando ele perceber que não consegue evoluir. Quem disse que não consegue? Eu estou dizendo. Piano exige coordenação visual. Clara se mete na conversa. Na verdade, piano para cegos desenvolve coordenação tátil e auditiva. Ninguém perguntou sua opinião.

 Patrícia responde seca. Paulo fica incomodado com o desrespeito da esposa. Patrícia, ela só está explicando. Ela está se metendo em assuntos de família. Cuidar do Gabriel é assunto dela. Cuidar não educar. Ensinar piano faz parte do cuidado. Gabriel observa os adultos discutindo e fica assustado. Papai e mamãe, por favor, parem de brigar.

 Todos param e olham para o menino. Desculpa, meu amor. Paulo se ajoelha na altura dele. Não estamos brigando sóconversando. Mas vocês estão falando alto. É que papai quer que você continue aprendendo piano e a mamãe não quer. Patrícia se aproxima. Mamãe quer que você não se machuque. Piano pode me machucar? Não fisicamente, Clara explica.

 Sua mamãe tem medo que você se frustre se não aprender rápido. Patrícia olha para Clara com raiva. Eu não pedi para você explicar meus sentimentos. Desculpa, senhora. Gabriel fica confuso. Tia Clara, eu posso continuar aprendendo? Clara olha para Patrícia, depois para Paulo, sem saber o que responder. Pode sim, Paulo responde antes de Patrícia.

 Papai vai comprar métodos especiais para você. Métodos especiais para crianças que aprendem de ouvido. Patrícia fica furiosa, mas não pode discutir na frente de Gabriel. Gabriel, vamos descer para o lanche. Posso terminar de tocar antes? Não. Agora. Gabriel obedece desanimado. Clara o acompanha. Paulo e Patrícia ficam sozinhos na sala.

 Paulo, o que você está fazendo? apoiando nosso filho. Você está contradizendo minhas decisões na frente da babá. Suas decisões estão erradas. Erradas segundo quem? Segundo qualquer especialista em desenvolvimento infantil. Paulo, você não entende a situação. Entendo perfeitamente. Você está limitando Gabriel por medo, por realismo, por covardia.

 Patrícia fica ofendida. Como você ousa me chamar de covarde? Porque é isso que você é. Tem medo de deixar Gabriel tentar coisas novas. Tenho medo de vê-lo se frustrar e prefere vê-lo deprimido. Ele não está deprimido. Está sim. E você sabe disso. Patrícia senta no banco do piano, visivelmente abalada. Paulo, você não sabe como é difícil.

 O que é difícil? Ter um filho deficiente. Ter um filho deficiente ou aceitar que tenha um filho deficiente? As duas coisas. Paulo se senta ao lado dela. Patrícia, Gabriel não é um peso. Eu sei disso. Tem certeza? Patrícia demora para responder. Às vezes, às vezes eu me pergunto como seria se ele fosse normal. E daí me sinto culpada por pensar isso.

 Paulo entende que Patrícia está sofrendo, mas de forma egoísta. Patrícia, você já pensou em terapia? Para quê? Para lidar melhor com a deficiência do Gabriel. Não preciso de terapia. Preciso que vocês entendam a realidade. Que realidade? Que Gabriel vai precisar de cuidados a vida inteira. E se não precisar, vai precisar.

 Como você pode ter tanta certeza? Porque é óbvio. Paulo percebe que Patrícia está fechada para qualquer possibilidade de melhora. Patrícia, e se Clara estiver certa? Sobre o quê? Sobre Gabriel ter potencial para ser independente. Ela está errada. E se não estiver, Paulo, para de sonhar. Não estou sonhando. Estou esperando. Esperando o quê? Ver meu filho feliz.

Ele pode ser feliz sem ser independente. Pode, mas seria mais feliz sendo independente. Patrícia se levanta irritada. Paulo, você está sendo influenciado por essa babá. Estou sendo influenciado pelo amor pelo meu filho. Amor cego, amor esperançoso. Paulo, se você continuar apoiando as loucuras dela, vou ter que demitir Clara.

 Por quê? Porque ela está atrapalhando o cuidado do Gabriel. Ela está melhorando o cuidado dele. Na sua opinião, na opinião de qualquer pessoa sensata, Patrícia fica furiosa. Sensata? Então eu não sou sensata. Sobre Gabriel. Não. Patrícia sai da sala batendo a porta. Naquela noite, Paulo tem uma conversa particular com Gabriel na hora de dormir.

 Filho, posso te fazer umas perguntas? Pode, papai. Você gosta da tia Clara? Gosto muito. Ela é legal comigo. Como assim legal? Ela não fica com pena de mim. Paulo fica surpreso. Outras pessoas ficam com pena de você. Ficam. Elas falam baixinho quando estou perto e fazem cara triste. E a tia Clara não faz isso? Não.

 Ela conversa normal comigo. E o que mais você gosta nela? Ela me ensina coisas legais. Que tipo de coisas? Brincadeiras, músicas, histórias. E ela disse que eu posso fazer tudo que outros meninos fazem. E você acredita? Acredito. A tia Clara não mente. Paulo fica emocionado. Gabriel, você é feliz? Sou quando estou com você e com a tia Clara e com a mamãe.

 Gabriel hesita. Mamãe fica preocupada demais. Preocupada com o quê? Com tudo. Ela não deixa eu tentar coisas. Que coisas? Comer sozinho, escovar dente, escolher roupa. Você quer fazer essas coisas sozinho? Quero. A tia Clara disse que eu consigo. E o que a mamãe fala? que é perigoso. Paulo abraça o filho. Gabriel, papai vai conversar com a mamãe.

 Está bem? Você vai falar para ela deixar eu tentar? Vou tentar convencê-la, papai. Sim. A tia Clara vai embora. Por que você acha isso? Porque mamãe não gosta dela. Como você sabe? Eu escuto elas conversando. Mamãe fala que a tia Clara faz coisas erradas. E você acha que ela faz coisas erradas? Não, ela só me ajuda. Paulo beija a testa do filho.

 Boa noite, campeão. Boa noite, papai. Você vai proteger a tia Clara? Vou fazer o possível. Na segunda-feira seguinte, Paulo decide trabalhar de casanovamente. Ele quer observar mais de perto o que acontece entre Patrícia e Clara. Às 9 da manhã, ele escuta Patrícia chamando Clara no escritório. Clara, sente aqui. Precisamos conversar.

Sim, senhora. Clara, notei que você não tem seguido minhas orientações. Como assim, senhora? Ontem você ensinou Gabriel a amarrar o tênis sozinho. Ensinei sim. Ele pediu para aprender. E eu já falei que ele pode se machucar com o cadarço. Dona Patrícia, amarrar tênis é uma habilidade básica para criança normal. Gabriel é uma criança normal.

Gabriel é especial, tem limitações. Tem uma limitação, não enxerga. Só isso. Patrícia se irrita. Só isso, Clara, você não entende nada sobre deficiência. Entendo sim, senhora. Trabalho com isso há anos. Trabalhar é diferente de viver. A senhora vive isso há 5 anos. Eu trabalho com isso há oito.

 Patrícia não gosta da resposta. Clara, você está sendo insubordinada. Estou tentando explicar meu ponto de vista. Seu ponto de vista não importa. Você trabalha para mim. Trabalho para a família. Gabriel também faz parte. Gabriel é menor. As decisões sobre ele são minhas. E do pai dele. O pai dele trabalha. Não sabe o que é melhor para Gabriel.

 Com todo respeito, acho que o Sr. Paulo entende muito bem. Patrícia fica furiosa. Clara. Desde que você chegou aqui tem causado problemas. Que problemas? Está virando a cabeça do meu marido contra mim? Como assim? Paulo nunca questionou meu cuidado com Gabriel. Agora questiona tudo.

 Talvez porque ele viu que Gabriel pode ser mais independente. Gabriel não pode. Quantas vezes tenho que repetir isso? Por que não pode? Patrícia se levanta nervosa. Porque é cego? Porque vai esbarrar nas coisas? Porque vai se machucar, porque vai sofrer. Dona Patrícia, crianças cegas aprendem a se orientar no espaço. Algumas aprendem.

 Gabriel não vai aprender. Como a senhora sabe? Porque eu conheço meu filho. Conhece ou subestima? A pergunta de Clara pega Patrícia desprevenida. Como você ousa questionar meu amor maternal? Não estou questionando amor, estou questionando método. Meu método é proteger meu filho. Super proteger não é proteger. É sim. Não é.

 Super proteção cria dependência. Patrícia fica ainda mais furiosa. Clara, você está demitida. Como assim está demitida? Pega suas coisas e vai embora. Clara fica em choque. Dona Patrícia, posso saber o motivo? insubordinação, desrespeito, intromissão em assuntos familiares. Mas o Senhor Paulo não decidiu isso.

 Eu decido quem trabalha na minha casa. E Gabriel não vai se despedir dele? Não precisa. Vou explicar para ele. Como vai explicar que você teve que viajar? Clara fica indignada. A senhora vai mentir para ele? Vou protegê-lo de uma despedida traumática. Despedida é mais traumática que abandono sem explicação? Clara, pega suas coisas e sai da minha casa.

 Clara sobe para o quarto onde guarda seus pertences. Ela está arrasada, não por perder o emprego, mas por abandonar Gabriel. Paulo escutou toda a conversa do escritório e fica revoltado. Ele intercepta Clara no corredor. Clara, o que aconteceu, senhor Paulo? Fui demitida. Por quê? Sua esposa disse que sou insubordinada. insubordinada como Clara conta tudo.

Paulo fica furioso com Patrícia. Clara, não vai embora ainda. Vou conversar com minha esposa. Senhor, acho melhor eu ir. Não quero causar mais problemas. Você não está causando problemas, está resolvendo problemas. Sua esposa não pensa assim. Minha esposa está errada. Clara olha para Paulo com gratidão. Obrigada por acreditar em mim.

 Obrigado você por cuidar tão bem do Gabriel. Ele é especial mesmo. É sim. Por isso merece o melhor cuidado. Senr. Paulo, posso pedir um favor? Claro. Continue estimulando, Gabriel. Ele tem muito potencial. Vou continuar. Prometo. Nesse momento, Gabriel chega da escola e escuta as vozes no corredor. Tia Clara, papai. Gabriel corre na direção deles.

Oi, meu amor. Tia Clara, porque você está com mala? Clara olha para Paulo sem saber o que responder. Gabriel. Paulo se ajoelha. A tia Clara vai ter que sair. Sair para onde? Para a casa dela. E volta quando? Não vai voltar, meu amor. Gabriel fica desesperado. Por quê? Eu fiz alguma coisa errada? Não, pequeno, você não fez nada errado.

 Então por que ela vai embora? Paulo olha para Clara, que está com os olhos cheios de lágrimas. Por porque a mamãe achou melhor assim, mas eu não quero que ela vá embora. Gabriel abraça Clara com força. Tia Clara, não vai embora, por favor. Clara não consegue segurar o choro. Meu amor, às vezes os adultos tomam decisões que a gente não entende, mas eu preciso de você.

 Quem vai ler histórias para mim? Quem vai me ensinar piano? Seu papai pode fazer isso. Não é a mesma coisa. Eu te amo, tia Clara. Eu também te amo muito, Gabriel. Gabriel começa a chorar desesperadamente. Papai, fala para ela não ir embora. Paulo está partido entre o coração e a necessidade de manter a paz familiar.

Gabriel, vamos conversar lá no seu quarto. Não quero que a tia Clara fique. Patrícia aparece no corredor nesse momento. Gabriel, pare de fazer escândalo. Mamãe, por que você mandou a tia Clara embora? Porque era melhor assim. Melhor para quem? Para nossa família. Mas ela faz parte da nossa família, não faz não. Ela é funcionária. Ela é minha amiga.

 Patrícia fica irritada com o drama. Gabriel, pare de chorar. vai arranjar outra babá. Não quero outra babá. Quero a tia Clara. Gabriel se agarra na perna de Clara. Não vai embora, tia Clara, por favor. Clara se ajoelha e abraça Gabriel com força. Meu amor, escuta bem o que vou te falar. Você é o menino mais especial que eu já conheci.

 Você é inteligente, carinhoso, corajoso. Então, por que está indo embora? Porque às vezes as pessoas adultas não concordam sobre o que é melhor para as crianças. E você concorda com a mamãe? Clara olha para Patrícia, depois para Gabriel. Eu acho que você pode ser qualquer coisa que quiser na vida. E a mamãe acha que não.

 Sua mamãe te ama e quer te proteger. Mas proteção não é prisão, né? A frase de Gabriel deixa todos surpresos. Uma criança de 5 anos não deveria ter essa percepção, não é mesmo, meu amor? Gabriel abraça a Clara mais forte. Tia Clara, você vai me esquecer? Nunca. Você vai estar sempre no meu coração e eu posso te visitar. Clara olha para Patrícia, que faz não com a cabeça.

 Talvez quando você crescer. Quando eu crescer, vou te procurar. Vou estar esperando. Gabriel se solta do abraço e vai até Patrícia. Mamãe, você pode mudar de ideia? Não posso, Gabriel. Por quê? Porque já decidi. Mas decisões podem ser mudadas, né? Algumas podem, outras não. Gabriel fica pensativo, depois vai até Paulo. Papai, você concorda com a mamãe? Paulo fica numa situação impossível.

 Se disser que concorda, vai mentir para o filho. Se disser que não concorda, vai causar uma crise conjugal ainda maior. Gabriel, papai e mamãe às vezes pensam diferente sobre algumas coisas. E quem decide quando vocês pensam diferente? Nós dois. juntos. Mas vocês não decidiram juntos. Só a mamãe decidiu. Gabriel, está certo.

Patrícia tomou uma decisão unilateral. Gabriel, Patrícia intervém. Criança não entende essas coisas. Eu entendo, sim. A senhora não gosta da tia Clara e por isso mandou ela embora. Não é questão de gostar. É sim. A senhora tem ciúmes dela. Patrícia fica chocada. Ciúmes, Gabriel. Onde você aprendeu essa palavra? Na escola.

 Tomy disse que a mãe dele tem ciúmes da babá nova. Eu não tenho ciúmes de babá nenhuma. Tem sim. A senhora fica brava quando eu brinco com a tia Clara. Patrícia está constrangida com a percepção do filho. Gabriel, vamos para seu quarto. Não quero ir para o quarto. Quero que a tia Clara fique. Gabriel se posiciona na frente de Clara como se quisesse protegê-la.

 Gabriel Clara diz suavemente. Vou embora agora, mas quero que você seja um menino forte e corajoso. Vou ser. E continua praticando piano. Está bem? Vou praticar. E quando eu aprender a tocar bem, vou procurar você para mostrar. Vou estar esperando. Clara dá um último beijinho na testa de Gabriel e pega sua mala. Tchau, Gabriel. Te amo muito.

Também te amo, tia Clara. Clara sai da mansão com o coração despedaçado. Gabriel fica parado no hall, chorando em silêncio. Paulo olha para a esposa com uma mistura de raiva e decepção. Patrícia, precisamos conversar agora. Eles vão para o quarto, deixando Gabriel sozinho. Paulo, antes que você comece a me criticar.

 Patrícia, você acabou de destruir a felicidade do nosso filho. Eu protegi nosso filho de uma manipuladora. Manipuladora, Patrícia. Clara ama Gabriel genuinamente. Ama por interesse. Que interesse? Ela ganha R$. Por mês? Interesse em você. Paulo fica exasperado. De novo. Essa paranoia. Não é paranoia, é realidade. Patrícia Clara nunca demonstrou interesse romântico em mim. Demonstra sim.

 Você que não percebe como ela demonstra. Sempre te elogiando para Gabriel. Sempre concordando com suas opiniões. Sempre sorrindo quando você chega. Isso é educação, não sedução. Para você é educação, para mim é estratégia. Paulo senta na cama cansado da discussão. Patrícia, você demitiu a melhor babá que Gabriel já teve. Demiti a mais perigosa.

Perigosa para quem? Para nossa família. Nossa família estava melhor com ela, estava confusa com ela. Gabriel estava feliz com ela. Gabriel estava sendo manipulado por ela. Patrícia, Gabriel tem 5 anos. Como uma criança de 5 anos pode ser manipulada facilmente. Ela oferecia o que ele queria ouvir.

 Que ele é capaz? Que ele é normal. Ele é normal. Paulo para Patrícia. Gabriel é uma criança normal que não enxerga. Pronto, não é normal. Pare de negar a realidade. A realidade é que você não aceita ter um filho deficiente. Patrícia fica quieta por um momento. É verdade. Ela admite baixinho. Comoassim? É verdade que não aceito.

 Paulo fica surpreso com a honestidade súbita da esposa. Por quê? Porque é difícil demais. O que é difícil? Ver outros pais falando dos filhos que jogam futebol, que tiram notas boas, que vão fazer faculdade. E você acha que Gabriel não vai fazer nada disso? Não vai, Patrícia. Crianças cegas jogam futebol, estudam, fazem faculdade.

Algumas fazem, a maioria não. E se Gabriel for uma dessas? Algumas, não vou criar expectativas. Por que não? Porque dói mais quando não se realizam. Paulo entende finalmente. Patrícia não está protegendo Gabriel, está se protegendo. Patrícia, você está impedindo Gabriel de tentar para não se decepcionar se ele não conseguir.

 Estou impedindo ele de sofrer. Você está fazendo ele sofrer. Prefiro que ele sofra um pouco agora do que muito depois. E se ele conseguir, se ele for bem-sucedido, não vai ser. Como você pode ter tanta certeza? Porque deficiência é limitação, deficiência é diferença. Para você é fácil falar. Você trabalha fora, não lida com os olhares das pessoas. Que olhares? De pena.

Quando saio com Gabriel, todo mundo olha com pena. E daí? É constrangedor. Para quem? Para mim. Paulo fica chocado. Patrícia, você sente vergonha do Gabriel? Não sinto vergonha. Sinto desconforto com o quê? Com a situação. Que situação? De ter que explicar para todo mundo porque meu filho é diferente.

 Você não precisa explicar nada para ninguém. Preciso sim, as pessoas perguntam. E você responde o quê? Que ele nasceu assim. E qual o problema? É constrangedor. Patrícia, você está mais preocupada com a opinião dos outros do que com a felicidade do Gabriel. Não estou. Está sim. Por isso demitiu Clara, porque ela fazia Gabriel se sentir normal.

 E você não quer que ele se sinta normal. Quero que ele seja realista. Realista ou conformado. As duas coisas. Paulo se levanta. Patrícia, vou te falar uma coisa. Clara, volta amanhã. Não volta. Volta sim. Vou recontratá-la. Eu demito de novo. Não pode. Eu também sou pai do Gabriel. Sou eu que fico em casa com ele.

 Então vai ter que aprender a lidar com Clara. Não vou aceitar. Vai ter que aceitar. Paulo, se você trouxer ela de volta, vou embora desta casa. Vai embora, então. Patrícia fica em choque. Como? Se você não aguenta ver nosso filho feliz, é melhor mesmo ir embora. Paulo, você está escolhendo uma empregada em vez da esposa? Estou escolhendo a felicidade do meu filho em vez do egoísmo da minha esposa.

 Patrícia começa a chorar. Paulo, eu amo Gabriel. Ama, mas de forma errada. Não sei amar de forma certa. Então aprende como fazendo terapia, estudando sobre deficiência visual, conversando com outros pais. Não quero fazer terapia. Então, Gabriel vai continuar sofrendo. Patrícia fica em silêncio pensando, Paulo, e se eu tentar? Tentar o quê? Aceitar melhor a situação do Gabriel.

Como? Fazendo terapia, como você sugeriu. E Clara, se ela voltar, vou tentar conviver. Tentar não basta. Tem que colaborar. Vou colaborar. Tem certeza? Tenho. Não quero perder minha família. Paulo abraça a esposa. Patrícia, Gabriel pode ter uma vida maravilhosa, só precisa de apoio. Eu sei. É que tenho muito medo.

 Medo de quê? De vê-lo sofrer no futuro. Todo mundo sofre na vida. Deficiente ou não, é verdade. A diferença é que quem tem apoio sofre menos. Patrícia concorda. Você vai ligar para Clara? Vou. E se ela não quiser voltar depois de hoje? Vou convencê-la. Paulo liga para Clara no mesmo dia. Clara, é Paulo. Oi, senhor.

Como está Gabriel? Arrasado, por isso estou ligando. O que posso fazer? Voltar a trabalhar conosco. Clara fica surpresa, mas sua esposa me demitiu. Conversei com ela. Ela concorda que você volte. Tem certeza? Tenho. Na verdade, ela quer se desculpar. Não precisa se desculpar. Só quero saber se posso cuidar do Gabriel sem interferências.

Pode. Patrícia prometeu colaborar. E se ela mudar de ideia? Não vai mudar. Vai fazer terapia para lidar melhor com a situação. Clara fica emocionada. Senr. Paulo, posso voltar amanhã? Pode. Gabriel está te esperando. Na manhã seguinte, quando Clara entra na mansão, Gabriel corre para abraçá-la. Tia Clara, você voltou? Voltei sim, meu amor.

 Para ficar para sempre. Para ficar para sempre. Patrícia aparece na sala e se aproxima de Clara. Clara, quero te pedir desculpas pelo que aconteceu ontem. Obrigada, dona Patrícia, e quero que saiba que vou apoiar seu trabalho com Gabriel. Fico muito feliz em ouvir isso. Só peço paciência comigo. Estou aprendendo.

 Claro, podemos aprender juntas. Gabriel observa as duas conversando e sorri. Agora vamos ser uma família de verdade. Patrícia se ajoelha na altura do filho. Sempre fomos família, meu amor. Agora vamos ser uma família mais feliz. Se meses depois, Gabriel está tocando piano como um pequeno virtuoso. Ele aprendeu cinco músicas completas e está começando a compor as próprias melodias.

 Patríciafaz terapia duas vezes por semana e está aprendendo a ver a deficiência do filho de forma positiva. Clara continua sendo a babá mais amada de Gabriel, mas agora com o apoio total da família. Paulo almoça em casa pelo menos três vezes por semana para acompanhar o desenvolvimento do filho. E Gabriel? Gabriel é uma criança feliz, confiante, que acredita que pode conquistar o mundo.

 Porque às vezes tudo que uma criança especial precisa é de alguém que acredite no seu potencial. Um ano depois, numa noite especial, Gabriel dá seu primeiro recital de piano para a família e amigos. Ele toca perfeitamente três músicas clássicas. No final, recebe aplausos de pé. Gabriel, um amigo da família, comenta: “Você toca melhor que muita gente que enxerga.

” Gabriel sorri orgulhoso. É porque eu toco com o coração. Paulo olha para Clara com gratidão. Obrigado por acreditar nele. Obrigada a você por me deixar fazer parte da vida dele. Patrícia, que estava observando a cena, se aproxima. Clara, eu também quero te agradecer. Por que, dona Patrícia? por me ensinar que amor verdadeiro não é proteger demais, é acreditar e apoiar.

 Gabriel, ouvindo a conversa dos adultos, vai até o piano e começa a tocar uma música que compôs especialmente para a ocasião. “Essa música é para vocês três,” ele anuncia. Chama-se Família do Coração. A melodia é simples, mas tocante. Cada nota parece contar a história de superação, amor e aceitação que eles viveram juntos. Quando Gabriel termina de tocar, todo mundo está emocionado.

Filho! Paulo diz com a voz embargada. Essa é a música mais bonita que já ouvi. É mesmo, meu amor. Patrícia acrescenta, beijando a testa do filho. Você é nosso pequeno compositor. Clara se aproxima do piano. Gabriel, posso te contar um segredo? Pode. Quando eu era criança, sonhava em conhecer um menino especial que tocasse piano como os anjos.

 E conheceu? Conheci sim. É você? Gabriel sorri radiante. Tia Clara, você vai ficar comigo até eu crescer? Vou ficar até você não precisar mais de mim. Então vai ficar para sempre, porque sempre vou precisar de você. Paulo observa a cena e percebe como a vida pode mudar quando tomamos as decisões certas.

 Há um ano, Gabriel era uma criança triste e limitada. Hoje é um menino confiante e talentoso. Patrícia também mudou. A terapia a ajudou a entender que a deficiência do filho não era uma tragédia, mas uma diferença que podia ser transformada em força. Clara continua sendo muito mais que uma babá. Ela se tornou parte da família, a pessoa que viu o potencial onde outros viam limitação.

 Mas a maior transformação foi a do próprio Gabriel. De uma criança que se escondia do mundo, ele se tornou um menino que encara a vida de frente, sabendo que pode conquistar qualquer coisa que desejar. Seis meses depois, numa manhã ensolarada de sábado, Paulo está no escritório quando escuta música vinda da sala. Não é Gabriel tocando piano, é uma música diferente.

 Ele desce para investigar e encontra uma cena que o emociona profundamente. Gabriel está ensinando Patrícia a tocar piano. Mamãe, coloca o dedo na tecla do dó aqui. Isso. Agora mi. Patrícia tenta, mas erra. Não, mamãe. Um pouquinho mais para a direita. Assim. Perfeito. Agora vamos tocar junto.

 Mãe e filho tocam uma música simples, mas que ressoa pela casa como uma sinfonia de amor. Clara está sentada no sofá, observando com um sorriso no rosto. Que cena linda, Paulo comenta se aproximando. É mesmo, Clara concorda. Dona Patrícia está aprendendo rápido. E Gabriel está gostando de ser professor? adorando.

 Ontem ele me disse que quer ensinar música para outras crianças cegas quando crescer. Paulo fica orgulhoso. Que sonho lindo. É. E o melhor é que agora todo mundo acredita que ele pode realizar. Graças a você. Clara balança a cabeça. Não foi só eu. Foi amor em família. Gabriel para de tocar e se vira para eles. Papai, vem ver como a mamãe está tocando bem.

 Paulo se aproxima do piano. Vou ver sim. Patrícia está visivelmente emocionada. Paulo, nosso filho é um professor incrível. É mesmo, Gabriel? Você tem paciência de santo. É porque a mamãe tá tentando bastante. E sabe o que mais, papai? O quê? A mamãe não fica mais preocupada quando eu toco sozinho. Paulo olha para Patrícia, que sorri confirmando. É verdade.

 Aprendi que confiar nele é a melhor forma de protegê-lo. Eu aprendi que não preciso enxergar para ensinar. Gabriel acrescenta orgulhoso. Que mais você aprendeu? Paulo pergunta. Que ser diferente é legal. Por quê? Porque eu faço coisas que outros meninos não fazem. Como o quê? Toco piano de olhos fechados, reconheço pessoas pela voz.

Sei quando vai chover só ouvindo o vento. Clara se aproxima. E o que mais? Sei quando alguém está triste, mesmo quando finge que está feliz. Como você sabe isso? A voz fica diferente. Patrícia se emociona. Gabriel, você é muito especial mesmo. Eu sei, mamãe, mastodo mundo é especial de um jeito. A sabedoria do menino de 5 anos impressiona a todos. Gabriel.

 Paulo se ajoelha na altura do filho. Papai quer te pedir uma coisa. O quê? Nunca pare de acreditar em você. Não vou parar. A tia Clara me ensinou que acreditar em mim é a coisa mais importante. É mesmo? É. Porque se eu não acreditar, ninguém mais vai acreditar. E você acredita no quê? Que posso ser pianista famoso, que posso ensinar música, que posso ter família e ser feliz? E vai conseguir tudo isso? Vou sim, porque tenho vocês me ajudando.

Gabriel abraça o pai, depois a mãe, depois Clara. Agora vamos tocar todos juntos. Mas somos quatro e o piano só tem lugar para duas pessoas. Patrícia observa. Não tem problema. Papai e tia Clara podem cantar. Mas eu não sei cantar. Paulo protesta. Não precisa cantar bonito, só precisa cantar com amor.

 E assim, naquela manhã de sábado, a família toda fez música junta. Gabriel e Patrícia no piano, Paulo e Clara cantando. A música pode não ter sido perfeita tecnicamente, mas foi perfeita em amor, porque no final das contas foi isso que transformou tudo. Amor. Amor que acredita, amor que apoia, amor que não desiste.

 Gabriel cresceu sabendo que era amado exatamente como era. Patrícia aprendeu que ser mãe especial não é carregar fardos, é celebrar diferenças. Paulo descobriu que ser pai presente vale mais que qualquer sucesso profissional. E Clara? Clara ganhou uma família que a ama como filha e irmã. Tr anos depois, Gabriel, agora com 8 anos, dá um recital no teatro municipal da cidade.

 A plateia fica de pé, aplaudindo o menino prodígio que toca piano com uma sensibilidade que emociona a todos. No final da apresentação, Gabriel fala no microfone. Quero dedicar essa apresentação para três pessoas muito especiais. Meu pai que me ensinou que trabalhar com amor faz toda a diferença. Minha mãe que aprendeu comigo que ser diferente pode ser maravilhoso.

 E minha segunda mãe Clara, que me ensinou que posso ser qualquer coisa que sonhar. A plateia se emociona com as palavras do menino. E quero dizer para todas as crianças que são diferentes. Vocês são especiais. Não deixem ninguém dizer que vocês não conseguem. Porque se uma criança cega pode tocar piano, imaginem o que vocês podem fazer.

 O teatro explode em aplausos. Muitos pais de crianças especiais estão chorando de emoção. Paulo, Patrícia e Clara estão na primeira fileira, orgulhosos e emocionados. Conseguimos, Patrícia sussurra para Paulo. Conseguimos o quê? dar para ele tudo que ele precisava, que era amor, confiança e oportunidade. Clara se inclina para eles.

 Não, vocês deram muito mais que isso. O quê? Vocês deram a ele a certeza de que é amado exatamente como é. Paulo pega na mão da esposa e da Clara. Obrigado por me ensinarem a ser o pai que Gabriel merecia. Obrigada a vocês por me deixarem fazer parte dessa família”, Clara responde. Gabriel ainda no palco procura a família na plateia.

 Quando os encontra sorri e acena. Naquele momento, todos sabem que fizeram as escolhas certas, porque às vezes tudo que uma família precisa é de alguém que acredite no potencial de amor que existe entre eles. E Clara foi essa pessoa, a babá que não apenas cuidou de uma criança especial, mas que ensinou a uma família inteira que o amor verdadeiro não tem limitações.

Gabriel continua tocando piano, componeando suas próprias músicas e ensinando outras crianças. Patrícia virou voluntária de uma ONG que apoia famílias de crianças especiais. Paulo equilibrou o trabalho e família, descobrindo que o verdadeiro sucesso está em casa. E Clara, Clara ganhou muito mais que um emprego.

 Ganhou uma família para toda a vida. Porque no final das contas foi isso que aconteceu naquela mansão em Alphaville. Não foi apenas a história de uma babá que cuidou bem de uma criança especial. Foi a história de como o amor, a paciência e a fé no potencial humano podem transformar vidas inteiras.

 Gabriel hoje sabe que pode ser qualquer coisa que sonhar e isso por si só é o maior presente que uma criança pode receber. Se esta história tocou seu coração, não esqueça de curtir o vídeo e se inscrever no canal. Deixe nos comentários seu nome e de qual lugar você está assistindo. Sua participação é muito importante para mim.

 Um grande abraço e até a próxima história.