Milionário mandou o Filho escolher sua próxima Esposa — mas quando ele escolheu a Babá Pobre…

Milionário mandou o Filho escolher sua próxima Esposa — mas quando ele escolheu a Babá Pobre… 

Beatriz Oliveira ajusta o uniforme simples e respira fundo antes de tocar a campainha da mansão. Aos 26 anos, ela carrega nas mãos apenas uma bolsa pequena com seus poucos pertences e no coração a esperança de um novo começo. É seu primeiro dia como babá do pequeno Pedro Almeida, filho do empresário bilionário Rodrigo Almeida.

 A porta se abre revelando uma mulher elegante de 50 anos, cabelos grisalhos presos em coque perfeito e olhar severo. Você deve ser a nova babá. Eu sou dona Carmen, governanta da casa há 20 anos. Bom dia, sou Beatriz Oliveira. Entre. O Sr. Rodrigo já saiu para o escritório, mas deixou instruções claras sobre suas responsabilidades.

Beatriz segue dona Carmen pelos corredores de mármore da mansão de três andares. Quadros caros nas paredes, lustres de cristal, móveis que custam mais que ela ganharia em anos inteiros. As regras são simples, dona Carmen explica enquanto sobem a escada principal. Você cuida exclusivamente do Pedro, não conversa com as visitas, não opina sobre assuntos da família, não sai da propriedade sem autorização.

Entendi. Pedro tem 5 anos. É uma criança especial. Especial como? Dona Carmen hesita. Você vai entender quando conhecê-lo. Elas param na frente de uma porta decorada com adesivos de superheróis. Dona Carmen bate delicadamente. Pedro. Sua nova babá chegou. Silêncio. Dona Carmen abre a porta, revelando um quarto gigantesco, cheio de brinquedos caros espalhados pelo chão.

 No meio da bagunça, um menino pequeno, de cabelos castanhos e olhos verdes enormes, está sentado no canto, abraçado a um urso de pelúcia velho. Pedro, diga oi para a Beatriz. O menino levanta os olhos, observa Beatriz por um momento e volta a olhar para o chão. Ele é tímido, dona Carmen explica. Teve cinco babás nos últimos seis meses.

 Por que saíram? Pedro tem dificuldades de adaptação. Beatriz se ajoelha na altura do menino. Oi, Pedro. Eu sou a Beatriz. Podemos ser amigos? Pedro a observa com curiosidade, mas não responde. Ele não fala muito, dona Carmen sussurra. Desde que a mãe morreu, ele ficou assim. Beatriz sente o coração apertar.

 Faz quanto tempo? Um ano. Acidente de carro. Pedro estava no banco de trás, viu tudo. Meu Deus. O Senr. Rodrigo contratou os melhores psicólogos, mas Pedro continua traumatizado. Beatriz olha para o menino com ternura. Ela conhece a dor de perder alguém querido. Perdeu os pais aos 15 anos e foi criada pela avó.

 Pedro, ela diz suavemente. Que urso lindo você tem. Pedro abraça mais forte o bichinho. Qual é o nome dele? Silêncio. Posso sentar aqui do seu lado? Pedro faz que sim com a cabeça, quase imperceptivelmente. Beatriz senta no chão ao lado dele. Sabe, eu também tinha um urso quando era criança.

 Pedro a olha com interesse pela primeira vez. Chamava chocolate porque era marrom como chocolate. “O meu chama protetor”, Pedro sussurra tão baixinho que Beatriz quase não escuta. Que nome bonito. Por que protetor? Porque ele me protege dos pesadelos. A voz do menino é frágil, assombrada. Beatriz sente uma pontada no peito. Você tem pesadelos? Pedro confirma com a cabeça.

 Quer me contar sobre eles? Não posso. Papa fica triste quando falo da mama. Beatriz entende. Rodrigo Almeida perdeu a esposa e não consegue lidar com a própria dor, muito menos ajudar o filho a processar o trauma. Tá bem, Pedro. A gente não precisa falar sobre coisas tristes agora. Você vai embora também? Pedro pergunta de repente: “Por que eu iria embora? Todas vão.

 Dizem que sou difícil.” Beatriz sente raiva de quem colocou essa ideia na cabeça de uma criança de 5 anos. Pedro, você não é difícil. Você é só um menino que está triste. E está tudo bem ficar triste? Claro que está. Quando perdemos alguém que amamos, é normal ficar triste. As outras babás diziam que menino não chora. As outras babás estavam erradas.

Todo mundo chora quando dói o coração. Pedro olha para Beatriz com os olhos brilhando. Você também perdeu alguém? Perdi sim. Meus pais quando eu tinha 15 anos. E você chorou muito? Chorei por meses. E agora? Agora ainda fico triste às vezes, mas também lembro das coisas boas. Pedro fica pensativo.

 Que coisas boas? Como eles me abraçavam, as histórias que contavam, como me faziam rir. Mama me fazia rir também. Pedro sussurra. Quer me contar como? Pela primeira vez, Pedro sorri tímidamente. Ela fazia vozes engraçadas quando lia histórias. Que legal. Ela deveria ser muito divertida. Era. e cheirava gostoso como flores.

Beatriz vê que Pedro precisa falar sobre a mãe, não ser proibido de lembrar dela. Durante a manhã, eles brincam no quarto. Beatriz deixa Pedro guiar as atividades sem forçar nada. Ela nota que ele é muito inteligente, mas tem uma tristeza profunda que nenhuma criança deveria carregar.

 Na hora do almoço, dona Carmen aparece com uma bandeja. Pedro, sua comida. Beatriz olha para o prato. Arroz branco, peito de frango sem tempero,cenoura cozida, comida sem graça, sem cor, sem vida. Ele sempre come isso. O Senr. Rodrigo não quer que ele coma besteiras. Beatriz observa Pedro empurrando a comida no prato sem interesse.

 Pedro, você gosta dessa comida? O menino balança a cabeça. Do que você gosta? Macarrão com molho de tomate. Mama fazia. Que delícia. Eu também adoro. Pedro sorri um pouquinho mais. Dona Carmen, será que posso cozinhar algo que Pedro goste? Não sei. O Senr. Rodrigo tem regras muito específicas. É só uma refeição mais gostosa. Nada que faça mal.

 Dona Carmen hesita. Bem, se for só hoje, à tarde, Beatriz e Pedro vão à cozinha juntos. Ela ensina o menino a ajudar no preparo do macarrão. Posso mexer? Pedro pergunta animado. Claro que pode. É a primeira vez desde que chegou que Beatriz vê Pedro realmente interessado em algo. Mama me deixava ajudar na cozinha. Ele conta enquanto mexe o molho.

 Ela te ensinou a cozinhar um pouquinho. Ela dizia que homem tem que saber fazer comida. Sua mama era muito sábia. Quando o macarrão fica pronto, Pedro come tudo com apetite. É a primeira refeição completa que ele faz em semanas. Tá gostoso? Ele diz sorrindo. Que bom que você gostou, Beatriz? Sim. Você pode ficar para sempre? A pergunta pega Beatriz desprevenida.

Por que você quer que eu fique? Porque você é legal e não fica brava quando falo da mama. Claro que não fico brava. Mama foi muito importante para você. Às 6 da tarde, Rodrigo Almeida chega em casa. Aos 32 anos, é um homem alto, moreno, com olhos cansados, que a riqueza não consegue disfarçar. Trabalha 16 horas por dia para esquecer que perdeu a esposa e que não sabe como ajudar o filho.

 Como foi o primeiro dia? Ele pergunta para dona Carmen no ha. Diferente. Diferente como a nova babá fez Pedro comer uma refeição completa pela primeira vez em semanas. Rodrigo franze a testa. Como assim? Ela cozinhou macarrão para ele. Pedro comeu tudo. Macarrão. Mas ele deve comer comida saudável. Foi comida saudável, senhor, só mais saborosa.

 Rodrigo sobe para ver o filho. Encontra Pedro no quarto brincando de massinha com Beatriz. Papa. Pedro corre para abraçar as pernas do pai. Rodrigo pega o filho no colo, mas o abraço é desajeitado, distante. Oi, campeão. Como foi seu dia? Muito bom. A Beatriz fez macarrão comigo. Que legal. Rodrigo olha para Beatriz.

 Obrigado por cuidar dele. É um prazer, senhor. Pedro é um menino maravilhoso. Papa, a Beatriz não fica brava quando falo da mama? Rodrigo fica tenso. Pedro, já conversamos sobre isso. Mas papa, chega. Você precisa seguir em frente. Beatriz vê a frustração nos olhos de Pedro. A criança precisa processar o luto, não reprimi-lo.

 Senhor Rodrigo, posso falar com o senhor um minuto? Claro. Eles saem do quarto. Sobre Pedro falar da mãe. Prefiro que não incentive isso. Ele precisa superar. Com todo respeito, senhor, ele não precisa superar. Ele precisa elaborar. Rodrigo fica incomodado. Como assim? Crianças processam luto de forma diferente. Proibir Pedro de falar sobre a mãe só aumenta o trauma.

 Você tem experiência com isso? Tenho. Perdi meus pais quando era adolescente. Rodrigo a observa com mais atenção. E o que você sugere? Que ele possa falar sobre a mãe livremente, lembrar das coisas boas. É parte da cura. Rodrigo hesita, mas toda vez que ele fala dela, eu, O senhor também sofre. Eu entendo. É difícil, mas necessário para os dois.

 Rodrigo fica em silêncio por um momento. Está bem, você pode deixar ele falar. Obrigada. Naquela noite, Pedro tem pesadelos de novo. Beatriz ouve os gritos e corre para o quarto dele. Pedro, tá tudo bem? Eu estou aqui. O menino está suando, tremendo. Mama, mama estava no carro. Muito sangue. Beatriz abraça Pedro com força. Foi só um sonho ruim, meu amor.

Eu vi ela morrer. Eu sei que dói muito. Porque ela foi embora. Às vezes as pessoas vão embora sem querer. Não é culpa de ninguém, é culpa minha. Se eu não tivesse pedido para ir ao shopping, Beatriz entende. Pedro se culpa pelo acidente. Pedro, me escuta bem, não foi culpa sua. Acidentes acontecem e não é culpa de ninguém.

 Mas se eu não tivesse pedido, sua mama te levou ao shopping porque te amava. Ela queria te fazer feliz. Pedro chora no colo de Beatriz. Ela ainda me ama? Claro que sim. O amor não morre nunca. Onde ela está? Beatriz pensa em como responder. Num lugar especial cuidando de você de longe. Como? Mandando pessoas boas para cuidar de você.

 Como eu? Pedro para de chorar e olha para Beatriz. Mama mandou você? Acho que sim. Pedro se aninha no colo dela. Você pode dormir aqui hoje? Posso sim. Beatriz fica com Pedro até ele adormecer. É a primeira noite em meses que ele dorme tranquilo. Na manhã seguinte, Rodrigo encontra Beatriz saindo do quarto de Pedro. Aconteceu alguma coisa? Pesadelo, mas ele dormiu bem depois.

 Obrigado por ter cuidado dele. É meu trabalho. Não é só trabalho. Você se importa de verdade com ele.Beatriz cora um pouco. Pedro é uma criança especial. Durante as semanas seguintes, Pedro floresce com os cuidados de Beatriz. Ele volta a sorrir, a brincar, a comer direito. Ainda tem dias difíceis, mas está claramente melhorando.

 Rodrigo observa a transformação do filho e fica impressionado. “Como você conseguiu isso?”, ele pergunta uma noite para Beatriz. “Consegui o quê?” fazer Pedro voltar a ser criança. Eu só dei amor e paciência para ele. As outras babás não conseguiram, talvez porque elas queriam que ele parasse de ser triste em vez de ajudá-lo a lidar com a tristeza.

 Rodrigo reflete sobre as palavras dela. Você acha que eu fiz isso também? Acho que o senhor estava protegendo o próprio coração. Como assim? É mais fácil proibir Pedro de falar sobre a mãe do que lidar com a própria dor da perda. Rodrigo fica em silêncio. Beatriz tocou numa verdade que ele não queria enfrentar.

 Eu não sei como lidar com isso. Ninguém nasce sabendo. A gente aprende. E se eu fizer tudo errado? O Senhor já está fazendo muito certo. Pedro te ama. Mesmo eu sendo um pai ausente. O senhor não é ausente, é só confuso. Rodrigo sorri tristemente. Você tem uma forma gentil de dizer as coisas. Aprendi que gentileza funciona melhor que crítica.

 Naquela conversa, Rodrigo percebe que está se sentindo atraído por Beatriz. Não é só pela beleza dela, mas pela sabedoria, pela gentileza, pela forma como cuida de Pedro. Mas há um problema. Rodrigo está sob pressão da família para se casar com alguém apropriado para seu status social. Sua mãe, dona Margarete Almeida, é uma mulher de 60 anos.

 elegante, fria e cheia de opiniões sobre como a família deve se comportar. “Rodrigo, você precisa se casar de novo”, ela diz durante o jantar de domingo na casa dela. “Mãe, ainda não estou pronto. Pedro precisa de uma mãe e você precisa de uma esposa que entenda seu mundo.” Meu mundo? Responsabilidades sociais, negócios, eventos importantes.

 Rodrigo suspira. Não estou procurando esposa agora. Deveria estar. Já faz um ano que Ana morreu. O nome da esposa ainda dói em Rodrigo. Mãe, por favor, filho, você não pode ficar sozinho para sempre. Não estou sozinho. Tenho Pedro. Criança não é companhia para homem adulto. Margarete para de comer.

 Aliás, como está a situação com a nova babá? Está bem. Pedro gosta dela. E você? Ela é competente. Só competente. Rodrigo percebe que a mãe está pescando algo. Por que a pergunta? Nada demais. Só acho importante manter distância profissional com funcionários. Claro. Ótimo. Porque tenho uma surpresa para você. Que surpresa? Margarete sorri.

 Organizei uma festa na sua casa no próximo sábado. Que festa? Reunião social. Convidei algumas famílias importantes, incluindo algumas com filhas solteiras em idade de casar. Rodrigo se irrita. Mãe, eu não pedi isso. Não precisa pedir. É minha obrigação como sua mãe. Não quero conhecer ninguém. Quer sim, só não sabe ainda. E se eu recusar? Não vai recusar.

Seria deselegante cancelar no último minuto. Rodrigo percebe que foi manipulado. A mãe já organizou tudo sem consultar. Quem você convidou? Os Ferreira, os Santos, os Oliveira, os Costa, famílias tradicionais e as filhas solteiras. Camila Ferreira, advogada formada em Harvard. Júlia Santos, médica e herdeira.

 Patrícia Oliveira, administradora com MBA Europeu. Todas mulheres educadas e apropriadas. Rodrigo balança a cabeça. Mãe, isso não é um leilão, é uma oportunidade. Pedro precisa de uma mãe de verdade. Ele tem a Beatriz. Beatriz é babá, não mãe. E qual é a diferença? Diferença de classe, educação, propósito. Babá é temporária, esposa é para sempre.

 Rodrigo fica incomodado com o tom preconceituoso da mãe. Beatriz é uma pessoa maravilhosa. Pode ser, mas não é esposa para você. Na segunda-feira, Rodrigo conta para Beatriz sobre a festa. No sábado vai ter uma reunião aqui em casa. Reunião de negócios social. Minha mãe organizou. Entendi. O que o senhor precisa que eu faça? Cuide do Pedro como sempre.

 Você não precisa participar. Beatriz fica um pouco magoada com a exclusão, mas entende que é só uma funcionária. Claro, Beatriz. Sim. Rodrigo hesita. Queria dizer que preferia ficar com ela e Pedro em vez de conhecer estranhas, mas não consegue nada. Obrigado. Durante a semana, a casa vira um frenesi de preparativos.

 Margarete contrata decoradores, floristas, chefes. Quer que tudo seja perfeito para impressionar as visitas. Beatriz, dona Carmen diz na quinta-feira, durante a festa, você fica com Pedro no quarto dele. Por quê? Dona Margarete não quer funcionário circulando durante o evento. Beatriz se sente humilhada, mas concorda.

 E Pedro, ele não vai participar. Vai aparecer rapidinho para cumprimentar. Depois volta para o quarto. Entendi. Pedro escuta a conversa e fica triste. Beatriz, por que não posso ficar na festa? É festa de adultos, meu amor. Maseu quero ficar com você e papa. Vamos ficar juntinhos no quarto. Pode ser nossa festa particular.

 Pedro não fica convencido, mas aceita. Sexta-feira à noite, Rodrigo conversa com o filho sobre o evento. Pedro, amanhã vai ter visitas aqui em casa. Que visitas, amigos dos vovós. Você vai aparecer para dizer o e depois volta para o quarto com a Beatriz. Por quê? Porque é reunião de adultos. Posso escolher qual tia vai ser minha nova mama? Rodrigo fica surpreso.

 Como assim? Vovó Margarete disse que você vai escolher uma tia para ser minha nova mama. Rodrigo sente raiva da mãe por meter Pedro nessa história. Pedro, ninguém vai virar sua mama amanhã. Mas vovó disse: “Vovó falou bobagem. Então você não vai casar?” Não sei, talvez um dia. Com quem? Rodrigo olha para Pedro e tem uma ideia maluca.

 Sabe que mais? Você que vai me ajudar a escolher. Como assim? Você vai conhecer as mulheres da festa e me dizer qual você acha mais bonita. Pedro fica animado. Sério? Sério? Você tem bom gosto. E se eu escolher a Beatriz? A pergunta pega Rodrigo desprevenido. Por que você escolheria a Beatriz? Porque ela é a mais bonita e a mais legal.

 Rodrigo sente o coração acelerar. Pedro tem razão. Bem, se você escolher a Beatriz, vamos conversar sobre isso. Promete? Prometo. Sábado chega com sol radiante. A mansão está decorada como um palácio, com flores por todos os lados, mesa de buffet requintado, música ao vivo. Os convidados começam a chegar às 5 da tarde.

 Carros caros no estacionamento, mulheres elegantes, homens de terno. A alta sociedade paulistana se reunindo para socializar. Beatriz observa tudo da janela do quarto de Pedro. Nossa, que festa bonita, Pedro comenta. É sim, por que a gente não pode participar? Beatriz não sabe como explicar preconceito de classe para uma criança de 5 anos, porque cada um tem seu lugar, meu amor.

Qual é o nosso lugar? Aqui, cuidando um do outro. Pedro aceita a resposta, mas Beatriz percebe que ele não entende a exclusão. Lá embaixo, Margarete apresenta as candidatas para Rodrigo. Rodrigo, esta é Camila Ferreira. Camila é uma mulher de 28 anos, loira, magra, elegante, claramente interessada em Rodrigo. Prazer, Rodrigo.

 Sua mãe fala muito de você. Imagino. Soube que você tem um filho pequeno. Tenho sim, Pedro, 5 anos. Deve ser um desafio criar uma criança sozinho. Tenho ajuda. Babab é difícil de encontrar, Camila comenta. Minha família sempre teve problemas com empregadas domésticas. A forma como ela fala sobre empregadas incomoda, Rodrigo.

 Minha babá é excelente. Que bom. É importante ter funcionários confiáveis. Margarete puxa Rodrigo para conhecer Júlia Santos. Rodrigo, esta é Júlia, médica pediatra. Júlia é uma morena de 30 anos, séria, intelectual. Prazer. Sua mãe disse que você perdeu a esposa há um ano. Disse mesmo? Sim. Deve ter sido muito difícil.

Foi. E seu filho, como ele lidou com a perda? Com dificuldade, mas está melhorando. Crianças são resilientes. Com orientação adequada, ele vai superar. Rodrigo não gosta da palavra superar. Lembra de Beatriz dizendo que Pedro não precisa superar, precisa elaborar. Patrícia Oliveira é a terceira candidata.

 Ruiva de 29 anos, administradora de empresas. Rodrigo, prazer conhecê-lo pessoalmente. Igualmente. Admiro muito seu trabalho na empresa. Crescimento impressionante nos últimos anos. Obrigado. Se precisar de consultoria em gestão, tenho MBA pela Warton. Rodrigo percebe que Patrícia está mais interessada nos negócios dele do que nele.

 Depois de uma hora de conversas forçadas, Rodrigo se lembra da promessa para Pedro. Mãe, vou buscar Pedro para ele conhecer as visitas. Boa ideia. As meninas vão adorar conhecer seu filho. Rodrigo sobe para o quarto de Pedro e encontra ele e Beatriz jogando Uno. Pedro quer descer para conhecer as visitas? Quero. Lembra do que conversamos? Você vai me ajudar a escolher? Lembro sim.

 Rodrigo olha para Beatriz. Você pode descer também? Eu sim, para acompanhar Pedro. Mas dona Margarete disse: “Eu estou convidando.” Beatriz hesita. Não sei se é apropriado. É apropriado, sim. Você faz parte da nossa vida. Beatriz fica emocionada com as palavras dele. Está bem. Eles descem juntos para a festa.

 Pedro vai na frente animado. Rodrigo e Beatriz caminham lado a lado. Na festa as conversas param quando Pedro aparece. Pessoal, este é meu filho, Pedro. Pedro, educado, como foi ensinado, cumprimenta as visitas. Oi, tia Camila, ele diz para a primeira candidata. Oi, querido. Você é lindo. Camila se ajoelha na altura dele, mas de forma artificial, claramente pousando para Rodrigo. Obrigada, tia.

 Gosta de estudar? Mais ou menos. Tem que gostar, sim. Estudo é importante. Pedro não parece impressionado. Júlia se aproxima em seguida. Oi, Pedro. Sou médica. Gosta de médicos? Não muito. Por que não? Eles dão injeção. Injeção é para seu bem. Eu sei, mas dói. Dor passa, doença não. Pedro faz cara feia. Júlia é sériademais para o gosto dele.

 Patrícia tenta uma abordagem diferente. Pedro, você quer ser empresário como seu pai? Não sei. O que você quer ser? Astronauta? Astronauta? Que profissão é essa? Melhor estudar a administração. Pedro perde completamente o interesse nela. Depois de conhecer todas as candidatas, Pedro se aproxima do pai. Papa, posso falar contigo? Claro.

 Ele se afasta um pouco do grupo. E aí, qual você acha mais bonita? Pedro olha para as três mulheres elegantes, depois para Beatriz, que está no canto, observando. A Beatriz. Rodrigo sente o coração disparar. Por quê? Porque ela é bonita de verdade. Como assim? As outras tias são bonitas por fora, mas a Beatriz é bonita por dentro também.

 A sabedoria infantil de Pedro impressiona, Rodrigo. E você quer que eu case com a Beatriz? Quero muito. Tem certeza? Tenho. Ela me ama e você também gosta dela. Como você sabe que eu gosto dela? Porque você sorri quando fala com ela? Rodrigo percebe que Pedro tem razão. Ele está apaixonado por Beatriz. Pedro, isso pode ser complicado.

 Por quê? Porque a Beatriz não tem dinheiro como as outras tias. E daí? Dinheiro não faz carinho. Você tem razão. Então você vai pedir ela em casamento? Rodrigo olha para Beatriz, linda em sua simplicidade, cuidando delicadamente de tudo ao redor. Sabe que mais? Vou sim. Sério? Sério? Mas vamos fazer uma surpresa para ela.

Como? Rodrigo tem uma ideia. Você vai anunciar para todo mundo que me ajudou a escolher a mulher mais bonita da festa. E aí? Aí você chama a Beatriz. Pedro fica radiante. Posso mesmo fazer isso? Pode sim. Rodrigo pega um microfone e pede atenção. Pessoal, quero agradecer a presença de todos e tenho um anúncio especial a fazer.

 A festa toda fica em silêncio. Margarete sorri, achando que o filho vai escolher uma das candidatas. Como vocês sabem, perdi minha esposa há um ano. Tem sido difícil para mim e para Pedro. Beatriz observa nervosa do canto. Minha mãe organizou esta festa para me ajudar a encontrar uma nova esposa e eu decidi deixar Pedro escolher.

 Murmúri-os na festa. Camila, Júlia e Patrícia se arrumam, cada uma esperando ser escolhida. Pedro quer falar para todo mundo qual foi sua escolha? Pedro pega o microfone com as duas mãos. Oi, pessoal. Papa me pediu para escolher a mulher mais bonita da festa para casar com ele. As três candidatas sorriem confiantes e eu escolhi a Beatriz. Silêncio total.

Todo mundo olha para Beatriz, que fica vermelha de surpresa. Margarete quase engasga com o drink. Pedro, ela diz rapidamente. A Beatriz não estava participando da escolha. Por que não, vovó? Ela também é mulher e é a mais bonita. Rodrigo se aproxima de Pedro e pega o microfone. Pedro, está certo. Beatriz é a mulher mais bonita desta festa. Os convidados ficam chocados.

Camila, Júlia e Patrícia trocam olhares de indignação. Rodrigo caminha até Beatriz, que está paralisada. Beatriz Oliveira, ele diz alto para todos escutarem. Você aceita se casar comigo? O silêncio na festa é ensurdecedor. Beatriz está com os olhos cheios de lágrimas. Rodrigo, você tem certeza? Nunca tive tanta certeza na minha vida, mas eu sou só uma babá.

 Você é a mulher que amo, a mulher que meu filho ama, a mulher que trouxe alegria de volta para nossa casa. Pedro corre para abraçar Beatriz. Fala que sim, Beatriz. Você vai ser minha mama. Beatriz olha para Pedro, depois para Rodrigo, depois para todas as pessoas elegantes, observando com desaprovação. Sim. Ela sussurra.

 Como? Rodrigo pergunta sorrindo. Sim. Ela grita. Eu aceito. A festa explode em murmúrios. Algumas pessoas aplaudem, outras ficam visivelmente incomodadas. Margarete se aproxima furiosa. Rodrigo, você enlouqueceu? Não, mãe. Eu me apaixonei por uma empregada doméstica, por uma mulher maravilhosa que cuida do meu filho como se fosse dela. Isso é um absurdo.

 Camila se aproxima indignada. Rodrigo, você está cometendo um erro. O único erro que cometi foi demorar para perceber que já tinha encontrado a mulher perfeita. Júlia balança a cabeça. Você vai se arrepender disso. O único arrependimento que tenho é não ter percebido antes. Patrícia tenta uma última investida.

 Pense na diferença social nos negócios, na reputação. Pensei e percebi que amor vale mais que tudo isso. As três candidatas rejeitadas saem da festa visivelmente irritadas. Vários convidados também começam a ir embora, murmurando entre si sobre o escândalo. Que vergonha, uma senhora comenta Rodrigo Almeida se casando com Babá.

 A família vai virar piada na sociedade, outra acrescenta, mas algumas pessoas ficam e cumprimentam o casal. Parabéns! Diz Dr. Fernando, médico da família. Beatriz é uma pessoa maravilhosa. Obrigada, doutor. Pedro teve sorte de encontrar uma mãe como você. Dona Carmen se aproxima com os olhos marejados. Beatriz, que bom. Você merece toda a felicidade do mundo.

Obrigada, dona Carmen. Sempre soube quevocês eram feitos um para o outro. Pedro não para de pular de alegria. Agora a Beatriz vai ser minha mama de verdade. Vai sim, meu amor. Beatriz responde abraçando ele. Margarete observa a cena com cara fechada. Rodrigo, preciso falar contigo em particular. Depois, mãe.

Agora estou celebrando meu noivado. É exatamente sobre isso que preciso falar. Rodrigo suspira. Tá bem. 5 minutos. Eles se afastam para o escritório. Você perdeu a cabeça completamente. Não, mãe. Encontrei meu coração. Essa mulher é interesseira. Ela planejou tudo isso. Beatriz não planejou nada. Ela nem sabia que eu ia pedi-la em casamento.

Claro que sabia. Mulher como ela sempre tem segundas intenções. Que mulher como ela? Pobre, sem educação, sem família. Rodrigo sente raiva. Beatriz tem mais educação no dedo mindinho que essas madames da sociedade. Educação formal, Rodrigo. Diploma, título, posição social. Educação do coração, mãe. Bondade, carinho, honestidade.

Isso não basta para ser esposa de bilionário. Para mim basta. Margarete muda de estratégia. E Pedro, você pensou no que é melhor para ele? Pedro escolheu a Beatriz. Ele sabe o que é melhor para ele. Criança não entende de diferença social. Ainda bem, crianças veem o que importa. Amor, Rodrigo, você vai se arrepender.

 O único arrependimento que vou ter é se não casar com ela. Margarete percebe que perdeu a discussão. Então, você não vai desistir? Jamais. Muito bem, mas quando der errado, não venha me procurar. Não vai dar errado. Margarete sai do escritório batendo a porta. Quando Rodrigo volta para a festa, encontra Beatriz no jardim com Pedro.

 Como foi a conversa com sua mãe? Complicada, mas não importa. Ela não aprova nosso relacionamento. E daí, Rodrigo? Talvez ela tenha razão. Somos muito diferentes. Diferentes em quê? Eu não tenho dinheiro, não tenho educação formal, não conheço etiqueta social. Rodrigo pega as mãos dela. Beatriz, você tem algo muito mais valioso.

 O quê? Um coração puro. E é isso que eu amo em você. Mas as pessoas vão falar, deixa elas falarem. Quem me conhece vai entender. Pedro se mete na conversa. Beatriz, você não quer mais casar com papa? Quero sim, meu amor. É só que estou nervosa. Por quê? Porque sua família pode não gostar de mim. Eu gosto de você e Papa gosta. A gente é família.

A inocência de Pedro toca Beatriz. Você tem razão, pequeno. Ela olha para Rodrigo. Tá bem. Eu aceito casar com você. Tem certeza? Tenho sim. Rodrigo a beija pela primeira vez ali no jardim sob as estrelas. Pedro bate palmas. Agora vocês vão ficar juntos para sempre. Para sempre. Rodrigo confirma. Os primeiros dias após o noivado são difíceis.

 A notícia se espalha rapidamente pelos círculos sociais de São Paulo. Souberam que o Rodrigo Almeida vai casar com a babá? Uma Socialite comenta no clube. Que escândalo! A família deve estar morrendo de vergonha. Coitada da Margarete. Depois de tudo que fez para educar esse filho, essa babá deve ser muito esperta para conseguir enganar um homem rico assim.

 Os boatos chegam até Beatriz através de dona Carmen. Beatriz não liga para as fofocas. Que fofocas? Estão dizendo que você seduziu o Senr. Rodrigo para se dar bem na vida. Beatriz sente o coração apertar. E você acredita nisso? Claro que não. Eu vejo como vocês se olham. É amor verdadeiro. Mas talvez elas tenham razão. Razão em quê? Talvez eu não seja a esposa certa para ele. Bobagem.

 Vocês foram feitos um para o outro. Rodrigo também enfrenta pressão no trabalho. Alguns sócios ficam preocupados com a reputação da empresa. Rodrigo, essa história está causando comentários diz Roberto, seu sócio. Que tipo de comentários? Alguns clientes estão questionando se você está tomando decisões racionais por causa da minha vida pessoal. Infelizmente sim.

 Você conhece o meio empresarial. E qual é a sugestão? Talvez seja melhor reconsiderar. Rodrigo se levanta irritado. Roberto, minha vida pessoal não interfere nos negócios. Mas a percepção das pessoas pode interferir. Então, o problema não sou eu, é o preconceito delas. Preconceito ou não é a realidade do nosso meio.

 Pois então está na hora de mudar essa realidade. Durante uma semana, Rodrigo recebe ligações de amigos preocupados. Rodrigo, você tem certeza do que está fazendo? Tenho, mas essa mulher não tem o preparo para ser sua esposa. Tem o preparo que importa, amor. Amor não basta, Rodrigo. Você tem responsabilidades sociais. Minha única responsabilidade é com minha felicidade e a do meu filho.

 E se ela só estiver interessada no seu dinheiro? Quem conhece a Beatriz sabe que isso é mentira. Após uma semana de pressão constante, Rodrigo toma uma decisão radical, chama uma coletiva de imprensa. Boa tarde, convoquei vocês para esclarecer algumas questões sobre minha vida pessoal. Os repórteres ficam atentos, como vocês sabem, anunciei meu noivado com Beatriz Oliveira, babá domeu filho.

 Murmúrios entre os jornalistas. Gostaria de deixar algumas coisas claras. Primeiro, eu amo Beatriz. Não porque ela é conveniente ou apropriada, mas porque ela é uma pessoa excepcional. Um repórter levanta a mão. Senr. Rodrigo, não tem medo de que ela seja interesseira? Beatriz cuidou do meu filho por meses sem saber que eu tinha interesse nela.

 Se fosse interesseira, teria dado sinais. E as críticas da sociedade. A sociedade que julga uma pessoa pela conta bancária, não pelo caráter, não merece minha atenção. Sua mãe aprova o casamento. Minha mãe está aprendendo que felicidade vale mais que status. E seus negócios não têm medo de prejudicar a empresa? Rodrigo, fica sério.

 Qualquer cliente que deixar de fazer negócio comigo por causa da minha esposa nunca foi cliente de verdade. A entrevista repercute muito. Alguns elogiam a coragem de Rodrigo, outros criticam ainda mais. Mas algo inesperado acontece. Vários empresários jovens saem em defesa dele. Rodrigo Almeida está certo, declara Paulo Mendes, CEO de uma startup. Amor não tem classe social.

Finalmente alguém com coragem para quebrar tabus ultrapassados, comenta Ana Silva, empresária do ramo de tecnologia. A sociedade brasileira precisa evoluir, acrescenta Dr. Fernando Costa, médico renomado. As manifestações de apoio chegam até Beatriz, que fica emocionada. Rodrigo, você não precisava se expor assim por mim. Precisava sim.

 Quero que todo mundo saiba que me orgulho de você. Mas e se prejudicar seus negócios? Se prejudicar é porque não merecem meu dinheiro mesmo. Pedro observa a conversa dos dois. Papa, por que as pessoas ficam bravas? Porque vocês vão casar? Porque algumas pessoas acham que só gente rica pode casar com gente rica.

 Mas isso é bobagem. É bobagem sim, filho. A Beatriz é rica do coração. Rodrigo abraça Pedro. Exatamente. 15 dias após o noivado, acontece algo que muda tudo. Pedro está brincando no jardim quando tropeça e bate a cabeça numa quina da mesa de pedra. O corte é profundo, muito sangue. Beatriz, dona Carmen grita.

 Beatriz corre para o jardim e vê Pedro caído, sangrando muito. Meu Deus, chama a ambulância. Mas Beatriz sabe que não há tempo. Pedro está perdendo muito sangue. Ela pega o menino no colo e pressiona o ferimento com um pano. Pedro, fica comigo. Olha nos meus olhos. Pedro está consciente, mas assustado. Beatriz, estou morrendo? Não, meu amor. Vai ficar tudo bem.

Beatriz tem um segredo que nunca contou para ninguém. Sua avó era benzedeira e ensinou algumas técnicas de cura antes de morrer. Beatriz tem o dom, mas nunca usou. Com Pedro sangrando em seus braços, ela não hesita. Fecha os olhos, coloca a mão livre sobre o ferimento e se concentra. Vovó! Ela sussurra, me ajuda.

 Uma energia estranha passa pelas mãos de Beatriz. É como se uma força maior estivesse trabalhando através dela. O sangramento de Pedro diminui visivelmente. Beatriz. Pedro sussurra. Sua mão está quentinha. É porque estou mandando carinho para você ficar bom. Em 5 minutos, o ferimento para completamente de sangrar. Pedro fica consciente e calmo.

 Quando a ambulância chega, o paramédico fica surpreso. Mas esse menino não estava sangrando muito? Estava. Dona Carmen confirma, pois agora está estável. O ferimento nem parece tão grave. No hospital, Dr. Fernando examina Pedro. Muito estranho. Pelo relato, deveria ter sido um ferimento mais sério. Ele está bem? Beatriz pergunta ansiosa. Está ótimo.

 Precisa só de alguns pontos. Rodrigo, que chegou correndo no hospital, abraça Beatriz. Obrigado por ter cuidado dele. Não precisa agradecer. Como você conseguiu estancar o sangramento tão rápido? Beatriz hesita. Pressão no ferimento, técnicas de primeiros socorros. Você salvou meu filho. Naquela noite no hospital, Pedro conta para o pai o que viu.

 Papa, a mão da Beatriz ficou quentinha e parou de doer. Foi a pressão que ela fez no ferimento. Não, papa, era diferente, como mágica. Rodrigo fica curioso, mas não insiste. Quando saem do hospital, Pedro está bem e animado. Beatriz, como você fez aquilo? Fiz o que, meu amor? Sua mão ficou quente e parou de doer. Beatriz olha para Rodrigo, que está prestando atenção.

 Só cuidei de você com carinho, mas foi igual quando mama me curava. Como assim, Rodrigo? Pergunta. Mama colocava a mão na testa quando eu estava doente e ficava quentinho. Rodrigo sente um arrepio. Ana, sua falecida esposa, também tinha um dom especial de cura. Nunca comentou com ninguém, mas sabia que ela tinha algo diferente.

 Pedro, sua mama fazia isso? Fazia sim. E agora a Beatriz faz igual. Rodrigo olha para Beatriz com curiosidade. É coincidência? Deve ser. Mas Rodrigo desconfia que há algo mais. Uma semana depois, Margarete aparece na mansão visivelmente abalada. Rodrigo, preciso te contar uma coisa. O que foi, mãe, sobre a Beatriz? Que tem ela? Investiguei o passado dela.

 Rodrigo se irrita. Mãe, já conversamos sobreisso. Me escuta? Descobri algo importante. O que você descobriu? A avó dela era conhecida na região como curandeira. E daí? Pessoas diziam que ela tinha poderes de cura. Rodrigo lembra do incidente com Pedro. Continue. E tem mais. Pesquisei a família da Ana. Por que pesquisou minha esposa? Porque descobri algo incrível.

 A bisavó da Ana também era benzedeira. Rodrigo fica intrigado. O que você está querendo dizer? Que talvez não seja coincidência a Beatriz ter aparecido na vida de vocês. Mãe, você está insinuando o quê? que talvez Ana tenha mandado a Beatriz para cuidar de vocês. Rodrigo fica em silêncio. A ideia é maluca, mas faz sentido de uma forma estranha.

 Mãe, isso é impossível. É, Pedro quase morreu duas vezes. Nas duas se recuperou milagrosamente com a Beatriz por perto. Rodrigo lembra da primeira internação de Pedro, quando Beatriz ficou três dias no hospital e da segunda quando ela estancou o sangramento. Você acha que Beatriz tem algum dom especial? Acho que ela foi enviada para vocês, mas você não gostava dela.

 É verdade. Eu estava errada. Margarete se aproxima do filho. Rodrigo, eu peço desculpas. Pela primeira vez na vida, reconheço que estava completamente errada. Como assim? Beatriz não é interesseira. Ela é especial e você teve sorte de encontrá-la. Rodrigo fica surpreso com a mudança de atitude da mãe.

 O que te fez mudar de ideia? Ver Pedro no hospital. Ver como ela cuidou dele. Ver o amor verdadeiro entre vocês. E agora? Agora quero pedir perdão para ela também. Naquela tarde, Margarete procura Beatriz no jardim. Beatriz, posso conversar contigo? Claro, dona Margarete. Quero te pedir desculpas. Beatriz fica surpresa. Desculpas por quê? Por terte tratado mal, por ter duvidado de você, por ter sido preconceituosa.

Dona Margarete, me deixa terminar. Você é uma pessoa maravilhosa. Meu filho teve sorte de te encontrar. Beatriz fica emocionada. Obrigada. Pedro te ama como mãe. Rodrigo te ama como esposa e eu, eu gostaria de te amar como Nora. Eu também gostaria disso. As duas se abraçam finalmente em paz.

 Beatriz, posso te fazer uma pergunta? Pode. Você tem algum dom especial? Beatriz hesita. Por que a pergunta? pelo que aconteceu com Pedro e porque sua avó era conhecida por curar pessoas. Beatriz decide confiar em Margarete. Minha avó me ensinou algumas coisas antes de morrer. Que tipo de coisas? Técnicas de cura. Ela dizia que eu tinha o dom.

 E você tem? Acho que sim, mas nunca uso a não ser emergência. Como com Pedro? Exato. Margarete sorri. Então, Ana realmente mandou você para nós. Como assim, Ana? A primeira esposa do Rodrigo também tinha esse dom e a família dela tem histórico de curandeiras. Beatriz arrepia. Sério? Sério? Vocês têm uma conexão espiritual? É possível? Com certeza.

 Naquela noite, Beatriz conta para Rodrigo sobre a conversa com Margarete. Ela sabe sobre seu dom? Sabe. E me contou sobre Ana. Ana nunca me contou que tinha dom de cura. Algumas pessoas preferem não falar sobre isso. E você vai me contar sobre seu dom? Beatriz respira fundo. Minha avó era benzedeira. Ela me ensinou que algumas pessoas nascem com capacidade de canalizar energia de cura.

 E você tem essa capacidade? Tenho, mas só uso quando realmente precisa. Como quando Pedro se machucou. Exato. Rodrigo absorve a informação. Isso não me assusta, Beatriz. na verdade explica muita coisa. Como assim? Como Pedro melhorou tanto desde que você chegou? Como ele se recupera rápido quando está com você? Pode ser.

 E confirma que você é a pessoa certa para nossa família. Mesmo sabendo que sou diferente, você é diferente no melhor sentido. Rodrigo a abraça. Eu te amo exatamente como você é. Dois meses depois, o casamento acontece numa cerimônia simples e emocionante no Jardim da Mansão. Beatriz está linda num vestido branco simples, sem ostentação.

 Margarete organizou tudo com carinho, querendo compensar os meses de hostilidade. Os convidados são apenas familiares próximos e amigos verdadeiros. As pessoas que julgaram o relacionamento não foram convidadas. Pedro é o pagem radiante de felicidade. Hoje a Beatriz vira minha mama de verdade. Ele conta para todos. Durante a cerimônia o padre pergunta: “Rodrigo, você aceita Beatriz como esposa?” Aceito para todo sempre.

 Beatriz, você aceita Rodrigo como marido? Aceito com todo o meu coração. E você, Pedro, aceita Beatriz como sua mãe? Aceito. Ela já era minha mama no coração. Todos riem e se emocionam. Então os declaro marido, esposa e filho. O pequeno grupo aplaude entusiasmado. Margarete chora de emoção. Bem-vinda à família, minha filha. Obrigada, mãe.

 É a primeira vez que Beatriz chama Margarete de mãe. Na festa, Dr. Fernando faz um brinde. Ao amor que vence preconceitos e une famílias. Dona Carmen, promovida à madrinha oficial de Pedro, também fala: “A família mais especial que conheço.” Pedro pede para fazer um discurso.

Obrigado, Beatriz, por ter aceitado ser minha mama. Agora a gente vai ser feliz para sempre. Todo mundo se emociona com a inocência do menino. Durante a valça dos noivos, Rodrigo sussurra no ouvido de Beatriz. Obrigado por ter trazido amor de volta para minha vida. Obrigada por ter me aceito como sou. Não te aceitei. Te escolhi.

 Qual a diferença? Aceitar é conformar. Escolher é desejar. Um ano depois, numa tarde de domingo, a família está reunida no jardim. Pedro, agora com 6 anos, brinca com sua irmãzinha de três meses, Helena. Mama Beatriz, a Helena é igual a você. Pedro comenta. Como assim, meu amor? Ela também faz as pessoas ficarem felizes só de olhar para ela.

 Beatriz sorri segurando Helena no colo. Rodrigo observa a cena e sente gratidão imensa. No que você está pensando, Beatriz pergunta. Em como nossa vida mudou? Para melhor? Para muito melhor. Pedro se aproxima. Papa, mama, posso falar uma coisa? Claro, filho. Vocês são os pais mais legais do mundo. Por quê? Rodrigo pergunta.

 Porque vocês se amam de verdade e amam a gente também. E você como sabe que nos amamos de verdade? Beatriz pergunta curiosa. Por que vocês sorriem quando se olham? Igual na história da Cinderela. Igual na Cinderela. Rodrigo Ri. É. Você é o príncipe. Mama Beatriz é a princesa e eu sou o filho feliz. E eu? Pergunta Helena balbuciando.

Você é nossa princesinha. Pedro responde beijando a irmã. Margarete aparece no jardim nesse momento. Como está minha família linda? Vovó. Pedro corre para abraçá-la. Oi, meu neto querido. Margarete se aproxima de Beatriz. Como você está, minha filha? Muito bem, mãe, e muito feliz. Fico feliz também. Margarete pega Helena no colo e essa princesa, cada dia mais linda, igual à avó. Rodrigo brinca.

 Rodrigo, você escolheu a mulher perfeita para nossa família. Na verdade, foi Pedro quem escolheu. Pedro teve muito bom gosto. Pedro escuta a conversa. Vovó, eu escolhi a mama Beatriz porque ela tem o coração bonito e você acertou em cheio. Naquela noite, depois de colocar as crianças para dormir, Rodrigo e Beatriz conversam no quarto.

 “Você se arrepende de alguma coisa?”, ele pergunta. Jamais. E você, só de uma coisa. O quê? De não ter percebido antes que estava apaixonado por você. Beatriz ri. Mas Pedro percebeu. Pedro sempre foi mais esperto que eu. Crianças veem o que importa. E o que importa? Amor verdadeiro. Rodrigo beija Beatriz suavemente. Te amo, minha princesa.

 E eu te amo, meu príncipe. Do quarto ao lado, Pedro escuta os pais conversando e sorri. Obrigado, mamã do céu. Ele sussurra, olhando pela janela, por ter mandado a mama Beatriz para nós. Uma brisa suave entra pela janela como uma resposta carinhosa. E assim a família que se formou através do amor verdadeiro vive feliz.

 provando que o coração de uma criança pode escolher melhor que qualquer convenção social. Porque quando escolhemos com amor, sempre escolhemos certo. Porque amor não tem classe social e porque as pessoas mais bonitas são aquelas que tm a beleza que vem de dentro. Se esta história tocou seu coração, deixe seu like, compartilhe com seus familiares e amigos e conta nos comentários de que cidade você está assistindo.

 Sua participação é muito importante para mim. Até a próxima história. Fique bem. M.