Milionário flagra a Babá Pobre dançando com seu Filho na cadeira de rodas — o que ele fez depois…

Camila sobe às escadas da mansão à solta maior, transportando uma mochila velha e o nervosismo de quem precisa desesperadamente do emprego. Aos 25 anos, cabelos negros encaracolados, apanhados num coque simples e roupa lavada, mas desgastadas, ela parece pequena no ral de entrada luxuoso. A mansão é imponente.
Três pisos, jardim com chafaris, garagem para oito carros. Mas Camila mal presta atenção ao luxo. Sua cabeça está focada na responsabilidade que a espera. Cuidar de David Solto Maior, de 5 anos, filho do empresário bilionário Juliano Solto Maior. Você deve ser a nova cuidadora diz uma voz autoritária.
É a dona Marta, a governanta da casa há 20 anos, uma senhora de 60 anos com um olhar severo e uma postura militar. Sou a Marta Santos. Espero que tenha lido todas as instruções que enviamos. Li sim, dona Marta. Bom dia. Bom dia. Antes de conhecer o menino, preciso de explicar algumas regras extra. A Camila sente um aperto no estômago. Claro.
David é especial. Teve um acidente há do anos e usa cadeira de rodas. O Sr. Juliano é muito protetor com ele. Entendo. Ele já teve seis cuidadoras nos últimos oito meses. Todas saíram. Por quê? A Dona Marta hesita. Não souberam lidar com as particularidades da situação. Camila franze o sobrolho, mas não insiste. Ela precisa deste emprego.
O menino está no seu quarto. Terceiro andar, primeira porta à direita. Camila sobe as escadas com o coração apertado. Trabalhou num orfanato durante 3 anos e sabe que criança especial precisa de muito carinho e paciência. Ela bate à porta suavemente. David, sou a Camila, a tua nova cuidadora. Silêncio.
Posso entrar? Pode, responde uma voz baixinha. A Camila abre a porta e encontra uma cena que parte o coração. No meio de um quarto imenso, cheio de brinquedos caros espalhados pelo chão, um menino pequeno está numa cadeira de rodas, a olhar pela janela. O Davi tem cabelos castanhos encaracolados, enormes olhos verdes e uma expressão de tristeza que não deveria existir no rosto de uma criança de 5 anos.
Ele usa uma t-shirt do Homem-Aranha e tem as perninhas magras cobertas por uma mantinha. Olá, Davi, que quarto giro tem. O menino vira a cadeira devagar e observa a Camila com desconfiança. Também vai embora? A pergunta pega Camila desprevenida. Por que razão iria embora? Todas vão. O papá disse que é porque eu sou difícil.
A Camila sente uma apontada no coração. Você não é difícil, David. És um menino lindo. Não sou, não. Sou quebrado. Quem disse isso? Eu sei. A minha perna funciona. Camila se ajoelha-se à altura da cadeira dele. David, escuta-me. Você não está avariado. Você é perfeito tal como é. Mentira. Se fosse perfeito, a mama não tinha ido embora.
O comentário deixa Camila confusa. A sua mamã foi embora. Foi para o céu depois de eu ter ficado na cadeira. O papá disse que ela não aguentou ver-me assim. Camila sente raiva de quem quer que tenha dito isso a uma criança. David, tenho a certeza que a tua mamã te amava muito. Às vezes as pessoas vão para o céu e não é culpa nossa.
Você acha mesmo? Tenho a certeza. Davi esboça um meio sorriso pela primeira vez. Você é diferente das outras. Como assim? Você olha para mim, não para a cadeira. Camila sente o coração apertar. Claro que olho para ti. Você é muito mais interessante que uma cadeira. David ri baixinho.
É um som doce que não ecoa há muito tempo naquele quarto. Quer ver os meus carrinhos? Quero sim. Davi conduz a cadeira até uma estante cheia de carrinhos de corrida. Esse é o meu favorito. É igual ao que o papá tem na garagem. Que giro. Você gosta de carros? Gosto. Antes queria ser piloto de corridas. E agora não quer mais? David faz uma careta.
Como vou ser piloto se não posso andar? David, você sabia que existem carros adaptados para pessoas que usam cadeira de rodas? Os olhos do menino iluminam-se. Sério? Sério. E há pilotos famosos que usam cadeira de rodas. De verdade, de verdade. Quando o seu pai chegar, podemos pesquisar na internet. David bate palmas, animado.
Posso mesmo tornar-me piloto? Pode virar tudo o que quiser, o meu amor. É a primeira vez que alguém chama David do meu amor desde que a mãe morreu. Sente uma quentura no peito. Durante a manhã, a Camila descobre mais sobre David. É inteligente, curioso, mas profundamente triste. Não brinca com os brinquedos, não sorri, não faz barulho. Porque fica tão quietinho? Papai gosta quando estou quieto.
Ele trabalha muito. E não quer brincar? As outras raparigas diziam que eu incomodava se fizesse barulho. Camila sente raiva das outras cuidadoras. David, criança, tem de fazer barulho. É natural. Posso mesmo fazer barulho? Pode sim. Quer gritar bem alto comigo? O David olha para a porta preocupado.
E se o papá ficar bravo? O seu pai está a trabalhar. Ele nem vai escutar. David hesita, depois abre um sorrisão. Vai. 3 2 1 ah. David grita junto, rindo alto. Eles gritam durante alguns segundos, depois caem na gargalhada. Uau, que gostoso. Davi está radiante. Viu como é bom? Criança tem de extravazar energia. És legal, tia Camila.
À hora do almoço, a dona Marta sobe com um tabuleiro. Comida do David. Ele só come isso. A Camila olha para o prato. Sopa rala, torrada sem manteiga e sumo de frutas aguado. Ele já não come nada. Ordens médicas. O menino tem o estômago frágil. Desde quando? Desde o acidente, médico disse que criança em cadeira de rodas tem uma digestão mais lenta. Camila franze o sobrolho.
Isso não faz sentido médico. Posso ver a receita? Receita. A prescrição médica com a dieta. A Dona Marta fica desconfortável. está guardada com o Senr. Juliano. Entendi. Camila observa David empurrar a comida no prato. O menino está claramente abaixo do peso. Não gosta, David? Não tem sabor. Quer que eu cante uma música enquanto come? Pode.
Camila começa a cantar. Atirei o pau para o gato, fazendo gestos engraçados. David ri e, distraído, começa a comer. Você canta fixe, tia Camila. Obrigada. A minha avó me ensinou. A sua avó é viva? Não. Foi pro céu quando era pequena, igual à minha mama. Igual. Mas elas estão a cuidar da gente lá de cima. O David sorri.
Acho que a minha mama gostaria de ti. À tarde, Juliano solto maior chega a casa. É um homem de 38 anos, alto, cabelo preto, com algumas madeixas grisalhas, fato caríssimo e uma expressão permanentemente cansada. Ele trabalha 16 horas por dia para não pensar na culpa que sente pelo acidente do filho. Como foi o primeiro dia? Ele pergunta para dona Marta no hall. Bem, senhor.
A nova cuidadora parece competente e o David? Normal, sossegado, bem comportado. Juliano suspira. Desde o acidente, o filho virou uma sombra do que era antes. Ele sobe para ver David e ouve algo inesperado. Gargalhadas vindas do quarto. Agora vou-te ensinar a brincadeira do morto vivo, A Camila está a dizer.
Mas não posso levantar. David responde: “Não precisa levantar. Quando eu disser vivo, tu levanta os braços. Quando disser morto, você baixa. Pronto. Pronto. Vivo! Davi levanta os braços a rir. Morto. Ele baixa os braços ainda a rir. Vivo. Morto. Vivo. O David está gargalhando, movimentando os braços rapidamente. Juliano pára à porta, chocado.
Faz dois anos que não vê o filho rir assim. Papa. David grita quando o vê. A tia Camila está a ensinar-me uma brincadeira nova. Juliano entra no quarto ainda surpreendido. Que brincadeira? morto vivo. Quer brincar connosco? O Juliano olha para Camila, que está a sorrir. Obrigado por brincar com ele. É o meu trabalho.
Não é mais do que trabalho. Há tempo que não vejo-o assim. O David é uma criança especial. Só precisava de alguém que entendesse isso. O David puxa a manga do pai. Papa, a tia Camila disse que posso ser piloto de corridas mesmo na cadeira. É verdade isso? Juliano pergunta a Camila. Existem modalidades adaptadas. Se ele quiser, pode sim.
Juliano fica emocionado. Há dois anos que ninguém fala de sonhos ou futuro para David. Papa, posso mostrar-lhe os meus carrinhos? O Juliano verifica o relógio. Tem uma teleconferência em 15 minutos, mas a expressão esperançosa do filho o desarma. Claro, filho. Davi fica radiante e mostra os carrinhos ao pai, explicando as características de cada um.
Juliano percebe que não conversava verdadeiramente com o filho há muito tempo. Este aqui é igual ao seu Ferrari, papá. É mesmo. Você sempre foi bom com detalhes. A tia Camila disse que vamos pesquisar pilotos famosos na internet. Que giro. O Juliano olha para Camila com gratidão. Num dia, ela fez mais pelo filho que os médicos em do anos.
Nessa noite, David janta pela primeira vez em meses. A Camila conseguiu convencer a dona Marta a fazer uma sopa mais saborosa. Está saboroso, David comenta comendo com apetite. Que bom, meu amor. Tia Camila, vais dormir aqui? Vou para casa à noite, mas volto amanhã bem cedo. Promete que volta? Prometo. O David sorri e continua a comer.
Juliano observa da porta emocionado. Depois de colocar David para dormir, Camila despede-se de Juliano no hall. Obrigado pelo que fez hoje. Não tem de agradecer. David é um menino incrível. Ele gosta muito de você. Eu também gosto muito dele. Camila, posso perguntar uma coisa? Claro. Tem experiência com criança especial? Camila hesita.
Tenho experiência com uma criança que necessita de amor especial. Todas precisam, todas, mas algumas mostram-no mais claramente. O Juliano sorri. Você é diferente das outras. Como assim? Você vê o David como uma criança, não como paciente. Ele é criança, uma criança bonita, inteligente e cheia de vida. Foi assim que o via antes do acidente.
E porque mudou? Juliano fica em silêncio por um momento. Porque me sinto culpado. A culpa foi minha. O que aconteceu? Acidente de viação. Eu estava dirigindo. Perdemos o controlo numa curva. Camila vê a dor nos olhos dele e sua esposa. Morreu de imediato. Davi ficou paraplégico. Sinto muito.
Desde então não consigo olhar para ele sem se lembrar do acidente. Senr. Juliano, posso dar uma opinião? Pode. O David precisa do pai, não da culpa dele. A frase atinge Juliano como um murro. Tem razão. Ele ama-te. Vejo isso nos olhos dele quando fala de você. Mesmo eu sendo um pai ausente, porque você é o pai dele. Nada muda isso. Juliano sente lágrimas nos olhos.
Obrigado por isso. Na primeira semana, Camila transforma a rotina de David completamente. Ela pesquisa atividades adaptadas, brincadeiras que ele pode fazer na cadeira, histórias de pessoas que superaram limitações. Olha, David. Ela mostra fotos no computador. Este piloto chama-se Alessandro Zanardi. Perdeu as pernas num acidente e virou-se campeão paralímpico.
Sério? Ele é piloto de verdade. De verdade? E este aqui é o Daniel Dias, nadador. Ele nada sem as pernas, nada e é campeão do mundo. Davi está fascinado. Eu também posso nadar? Claro. A natação é ótima para pessoas na a sua situação. Pode me ensinar? Posso tentar, mas é melhor pedir para o seu pai contratar um professor. A transformação de David é visível.
Ele sorri mais, fala mais, está mais animado, começa a interessar-se por atividades, faz perguntas, sonha com o futuro, mas nem todos se sentem felizes com as mudanças. Beatriz Solto Maior, irmã de Juliano e tia de David, é uma mulher de 40 anos, solteira, amarga e que sempre teve ciúmes da atenção que o irmão dá ao filho.
“Juliano, preciso falar contigo sobre a nova ama”, ela diz numa quinta-feira. “O que é que tem?” Ela está a encher a cabeça do David de fantasias. “Como assim?” Falando que ele pode ser atleta, piloto, nadador. Isto é cruel. Porquê cruel? Porque ele nunca vai conseguir. É melhor ele aceitar a realidade. Juliano franze o sobrolho.
Que realidade? Que ele é deficiente, vai necessitar de cuidados para sempre. Davi tem 5 anos, a Beatriz. O futuro dele está só começando. Juliano, seja realista. Aquela mulher está a dar falsas esperanças ou está a dar esperanças de verdade. Beatriz fica irritada. Você mudou desde que ela chegou. Como assim? Está a passar mais tempo em casa falando mais com o David e isso é mau? É preocupante.
Tem um império para administrar. Tenho um filho para educar também. A Beatriz percebe que precisa mudar de estratégia. Juliano, o que é que sabe sobre esta mulher? O suficiente. Verificou as referências dela? Claro, são excelentes. Mas investigou a vida pessoal? Juliano fica incomodado. Por quê? Mulher jovem, bonita, a cuidar de criança rica, pode ter segundas intenções. Beatriz, isso é preconceito.
Isso é experiência. Já vi muitas empregadas se aproveitarem da situação. Camila, não é assim. Como pode ter certeza? A pergunta fica ecuando na cabeça de Juliano. Como pode ele ter certeza mesmo? No dia seguinte, Beatriz toma uma decisão, liga para a agência que indicou a Camila. Preciso de informações mais detalhadas sobre Camila Rodrigues.
Que tipo de informação? Vida pessoal, relacionamentos, histórico financeiro. Posso verificar, mas isso vai custar extra. Pode custar. Quero saber tudo. Uma semana depois, Beatriz recebe um relatório sobre a Camila. A maior parte são informações banais, mas há um pormenor que chama a atenção. Camila Rodrigues teve um filho que faleceu aos seis meses de idade, vítima de uma doença rara.
O pai da criança a abandonou após a morte do bebé. Beatriz sorri maldosamente. Perfeito. Ela marca o almoço com duas amigas ricas e influentes, Cláudia Montenegro e Patrícia Vasconcelos. As três são conhecidas por espalhar mexericos nos círculos sociais da elite. Meninas, estou preocupada com o meu irmão. Beatriz comenta durante o almoço.
Por quê? Pergunta a Cláudia. Ele contratou uma ama que pode estar a aproveitar-se da situação. Como assim? Pergunta a Patrícia. A mulher perdeu um filho e agora está a se apegando demasiado ao Davi. Que situação complicada, Cláudia comenta. É, estou com medo que ela esteja a tentar substituir o filho morto pelo David.
E o O Juliano não percebe isso? Pergunta Patrícia. Ele está cego. A mulher é bonita e manipuladora. Que perigoso. Cláudia concorda. Mulher desesperada pode fazer qualquer coisa. As fofocas espalham-se rapidamente pelos círculos sociais. Em poucos dias, todo o mundo está a comentar sobre a babá problemática que trabalha para Juliano Solto Maior.
Entretanto, na mansão, algo mágico está a acontecer. Davi está cada dia mais feliz e o Juliano está redescobrindo o prazer de ser pai. Papa, olha o desenho que fiz. David mostra um papel com rabiscos coloridos. Mã, que lindo. O que é? Sou eu, a conduzir um carro de corrida. Ficou perfeito. A tia A Camila disse que vou poder conduzir de verdade quando crescer.
O Juliano olha para a Camila, que está a organizar brinquedos. É verdade isso? Existem adaptações que permitem conduzir usando apenas as mãos. Que interessante. Nunca pensei nisso. Tem muita tecnologia disponível hoje em dia. Davi bate palmas. Papa, pode comprar um carro adaptado para mim? Quando crescer, prometo que vamos pesquisar.
Davi fica radiante e abraça o pai. É o primeiro abraço espontâneo em dois anos. Juliano sente o coração aquecer. Camila não só está a cuidar do David, está a curar a família inteira, mas a felicidade dura pouco. Na segunda-feira seguinte, Juliano recebe uma chamada no escritório. Juliano, é o Carlos Mendes. Preciso de falar contigo sobre um assunto delicado.
O Carlos é um amigo e cliente importante. Que assunto? Sobre a ama do David. Estão a comentar coisas preocupantes. Que coisas? que ela tem problemas emocionais, perdeu um filho e pode estar transferindo isso para o David. Juliano fica incomodado. Quem está a dizer isso? Toda a gente, Juliano, estão a dizer que devia ter mais cuidado.
Carlos A Camila é uma excelente profissional. Até pode ser, mas a situação é delicada. Mulher que perdeu filho pode desenvolver obsessão. Juliano desliga perturbado. É a terceira chamada do género em dois dias. À tarde, chega a casa mais cedo e encontra uma cena que o deixa sem palavras.
O David e a Camila estão na sala, ele na cadeira de rodas, ela ajoelhada à frente dele. Música suave toca no som e a Camila está a mexer a cadeira dele no ritmo da música, como se estivessem a dançar. Agora vira-se para a esquerda diz ela rindo. Assim, David gira a cadeira. Feço agora. Levanta os braços como se fosse voar. David levanta os braços a rir às gargalhadas. Estou a voar.
Está sim. Você é um piloto dançarino. Eles estão tão concentrados na brincadeira que não se apercebem de Juliano parado na porta. A cena é lindíssima. Uma mulher jovem e um menino a divertir-se, partilhando alegria pura. Mas Juliano recorda as palavras dos amigos sobre obsessão e transferência. O que vocês estão a fazer? Ele interrompe.
Camila e David param de repente. Papa, a tia A Camila estava a ensinar-me a dançar na cadeira. Dançar? Sim. Ela disse que na cadeira posso fazer coisas que criança andar não consegue. O Juliano olha para Camila, que parece envergonhada. É uma terapia ocupacional, explica. Ajuda na coordenação e autoestima. Entendo. Mas o tom de Juliano é frio.
Camila percebe que algo mudou. Papa, queres dançar connosco? Outra hora, David. Preciso de trabalhar. Davi murcha um pouco. Está bem. Juliano sai da sala deixando um clima estranho. Camila fica confusa. O que aconteceu nessa noite? Juliano chama Camila para conversar no seu escritório. Camila, preciso de te perguntar uma coisa pessoal.
Claro. Teve um filho? Camila fica pálida. Tive. Por quê? O que aconteceu com ele? Morreu aos seis meses. Doença genética rara. Sinto muito. Obrigada. Juliano fica em silêncio por momentos. Camila, não está a transferir os seus sentimentos de mãe para o David? Está? A pergunta é como uma bofetada na cara de Camila.
Como assim? Algumas pessoas comentaram que pode estar a se apegando demasiado a ele. Que pessoas? Isso não importa. Importa se é verdade. A Camila sente raiva e dor ao mesmo tempo. Juliano, eu adoro o David, mas como qualquer cuidadora ama a criança que cuida. Tem a certeza? Você está a duvidar de mim? Não estou a duvidar. Só quero compreender o que quer entender.
Se você consegue manter a distância profissional. Camila levanta-se ofendida. Distância profissional. É disso que David precisa. Mais distância. Camila, Juliano, o seu filho estava a definhar quando cheguei aqui. Agora sorri, brinca, sonha com o futuro. E está preocupado com distância profissional? Não é isso? É sim.
Alguém plantou uma dúvida na sua cabeça e está a acreditar. Juliano fica em silêncio porque ela tem razão. A Camila só quer o melhor para o David. O melhor para David é ser amado, ser tratado como uma criança normal, e não como paciente. E pode dar isso mantendo limites. Camila olha-o nos olhos. Posso dar isso sendo sincera. Eu amo aquele menino como se fosse meu filho e não vou pedir desculpa por isso.
Camila, boa noite, Juliano. Ela sai do escritório com lágrimas nos olhos. Juliano fica sozinho, dividido entre o coração e as dúvidas plantadas pelos outros. Na manhã seguinte, David percebe que algo está diferente. Tia Camila, está triste? Não estou triste, o meu amor. Só um pouco cansada. O papá falou alguma coisa para si? Camila fica surpresa com a perceção dele.
Porquê, pergunta? Porque ontem ele ficou estranho e agora está diferente. Não é nada de mais. Mas David é inteligente. Também vai embora? O coração de Camila parte-se. Por que razão acha isso? Todas as outras foram embora quando o o papá ficou estranho. David, você se lembra-se de como era antes de elas irem embora? O menino pensa.
O papá conversava com elas, depois deixava de conversar. Depois elas iam-se embora. A Camila entende o padrão. Juliano aproxima-se das cuidadoras, depois afasta-se por algum motivo, depois despede-as. David, não vou embora, prometo. Promete mesmo. Prometo. Mas, por dentro, a Camila está com medo. Sente que as forças estão a conspirar contra ela.
Durante a semana, a situação piora. Juliano fica mais distante, fala menos com a Camila, evita estar no mesmo ambiente que ela. Beatriz aproveita para visitar a casa mais vezes e fazer comentários venenosos. Juliano, como está a correr com a babaanova? Ora, David está muito apegado a ela, não acha? Ele gosta dela, gosta demais. Ontem ouvi-o chamando-a de mãezinha.
Chamou? A informação é mentira. Mas O Juliano não sabe. Chamou. Isto não é saudável, Juliano. David está confundindo os papéis. Pode ter sido apenas carinho ou pode ser manipulação da mesma. Mulher que perdeu filho pode fazer qualquer coisa para suprir o vazio. As palavras de Beatriz ecoam na cabeça de Juliano.
Ele começa a observar Camila com desconfiança. Na sexta-feira, a situação rebenta. Davi tem uma crise de birra porque quer ir à piscina, mas está frio. A Camila tenta acalmá-lo com carinho. Calma, meu amor. Amanhã, se fizer sol, vamos. Mas eu quero ir hoje. Hoje está muito frio. Pode ficar doente. Não me importo. David começa a chorar.
Camila o abraça para o consolar. Calma, meu pequeno. A mamã entende que você está frustrado. A palavra mamã escapa sem ela perceber. Juliano, que observava da porta, sente o sangue gelar. Camila, posso falar contigo? Ela percebe pelo tom que algo está errado. Claro. No escritório, Juliano vai direto ao assunto. Chamou-se mamãe dele.
Camila fica vermelha. Foi sem querer. Desculpa. Foi sem querer ou foi o que sente? Juliano. Foi um deslize. Acontece. Acontece. Camila, está a se comportando-se como mãe dele. E se estiver, qual é o problema? O problema é que você não é a mãe dele. A frase sai mais dura do que Juliano pretendia. Camila fica machucada. Você tem razão.
Não sou a mãe dele. A mãe dele morreu. Exato. E ninguém vai ocupar esse lugar. Nem mesmo alguém que o ama de verdade. O amor não basta, Camila. O David precisa entender limites. Precisa de quê? De mais frieza, de mais distância. Ele já tem isso demais. precisa de profissionalismo. Camila ri com amargura. Profissionalismo? Entendi. Camila, perdeu o seu filho.
É natural que queira substituir para Camila explode. Não termine esta frase. Mas é a verdade. A verdade é que você está a ouvir fofocas e a destruir a felicidade do seu filho por causa disso. Não estou a ouvir fofocas. Está sim. Alguém te convenceu que sou perigosa? Juliano fica em silêncio porque ela está certa.
Juliano, em dois meses David saiu de uma depressão profunda. Ele sorri, brinca, tem sonhos. E quer destruir isto porquê? Porque pode ser temporário e quando você se for embora, ele vai sofrer ainda mais. Quem disse que vou embora? Vão todos embora, Camila. É melhor ele habituar-se desde cedo. A frase revela a verdadeira ferida de Juliano.
Ele mesmo tem medo de se apegar. Juliano, tem medo que eu abandone David como a sua esposa abandonou? Minha esposa não abandonou. Ela morreu. Emocionalmente abandonou. Quando soube que o David ficaria na cadeira, ela desistiu. E tem medo que eu faça o mesmo? Juliano fica branco. Isto não é verdade. É sim, disseste-me.
Ela não aguentou ver o David na cadeira. E tem medo que qualquer pessoa que se aproxime dele vá fazer o mesmo. A Camila, por isso mantém a distância. Por isso, despede as cuidadoras quando se aproximam demais. Está a proteger Davi a dor do abandono. Eu só quero protegê-lo. Está a protegê-lo do amor também. Juliano sente lágrimas nos olhos.
E se cansar-se? E se decidir que é muito difícil? E se eu decidir que vale a pena? E se ficar para sempre? Ninguém fica para sempre. Eu ficaria. Eles ficam se olhando nos olhos durante um longo momento. A tensão entre eles é palpável. Camila, eu A conversa é interrompida por gritos vindos do andar de cima.
O papá, papá. Correm para o quarto de David e encontram o menino em pânico na cadeira. O que é, filho? Tive um pesadelo. A tia Camila tinha ido embora e fiquei sozinho. O Juliano olha para Camila, que está com lágrimas nos olhos. Calma, meu amor, diz ela, abraçando David. Foi apenas um sonho. Você não vai embora, não é? Não vou embora.
Promete? Camila olha para Juliano antes de responder. Prometo. Mas Juliano vê a dúvida nos olhos dela. As suas palavras duras plantaram o medo no coração de Camila. Na segunda-feira seguinte, Beatriz decide acelerar os planos. Ela contrata uma psicóloga particular Davi. A Dr. ª Helena Campos é especialista em trauma infantil.
Ela explica para Juliano. Acho importante avaliar o estado emocional do David. Por quê? Para ter a certeza que ele está a se desenvolvendo bem. Juliano aceita porque quer o melhor para o seu filho. Doutor A Helena chega na terça-feira. e observa David a interagir com Camila. Ela já foi instruída por Beatriz sobre o que encontrar.
David está claramente demasiado dependente da cuidadora, ela relata a Juliano depois da sessão. Como assim? Ele demonstra ansiedade de separação excessiva, comportamento típico de uma criança, que foi estimulada a criar laços inadequados. vínculos inadequados com figuras que não deveriam ocupar o papel materno. Juliano fica preocupado.
Isso prejudica-o? Pode prejudicar o desenvolvimento emocional. Criança precisa de aprender a lidar com as perdas, não criar dependências. O que sugere? Distanciamento gradual. A cuidadora deve manter uma postura mais profissional. E se David resistir, é normal, mas é necessário para o bem dele. Juliano sai da conversa convencido que precisa de agir.
Nessa tarde chama Camila para mais uma conversa difícil. Camila, a psicóloga que avaliou o David acha que ele está demasiado dependente de si. Dependente ou feliz? Ela disse que não é saudável. Juliano. David foi abandonado pela mãe, perdeu o movimento das pernas. Esteve dois anos sem afeto. Agora que está feliz, querem que me afaste? Não afaste-se, apenas mantenha mais distância.
A que distância? Não posso mais abraçar ele. Já não posso chamar meu amor. Talvez seja mesmo melhor. A Camila sente como se tivesse levado um murro. Entendi. Camila. É pelo bem dele. Pelo bem dele ou pelo seu medo? Pelo bem dele. Está bom, Juliano. Vou manter distância. Nos dias seguintes, Camila altera completamente o comportamento.
Ela ainda cuida bem de David, mas sem o carinho de antes. Não abraça, não chama do meu amor, não brinca como antes. Davi apercebe-se da mudança imediatamente. Tia Camila, está zangada comigo? Não estou zangada. Então porque não me abraça mais? Porque porque é melhor assim? Melhor para quem? A pergunta da criança é demasiado profunda para ser respondida.
David fica confuso e triste. Ele não compreende porque é que a pessoa que mais ama dele mudou de repente. O papá, a tia A Camila está estranha. Estranha como? Ela já não brinca comigo, não me chama meu amor, não canta. Talvez ela esteja cansada. Ou talvez tenha falado alguma coisa para ela.
Juliano fica sem resposta. O David é muito inteligente. Papa, mandaste-a parar de me amar? A pergunta parte o coração de Juliano. David, foi isso, não foi? Você disse para ela não me amar mais. Não é assim, filho? Então, porquê? Por que razão todo o mundo que me ama tem de partir ou deixar de me amar? David começa a chorar.
Primeiro mama agora, tia Camila, eu sou tão mau assim? Juliano ajoelha-se na frente da cadeira do filho. Você não é mau, Davi. Você é perfeito. Assim, por que mama foi embora? A mamã não escolheu ir embora. E a tia Camila, ela escolheu deixar de me amar? O Juliano não sabe o que responder.
Como explicar a uma criança de 5 anos as complexidades do medo do adulto? David, a tia Camila ainda te ama. Então, porque é que ela mudou? Por porque é que eu pedi para ela? Por quê? Porque eu estava com medo. Medo de quê? Medo de se magoar. David fica pensativo. Papa, quando a mama morreu, doeu muito. Eu sei.
Mas antes de doer, foi bom ter sido amado por ela. A sabedoria da criança deixa Juliano sem palavras. Você preferia nunca ter conhecido a mama para não sentir dor? Não, filho, nunca. Então, porque está a tirar a tia Camila de mim antes mesmo de doer? Juliano sente como se tivesse levado um soco. O seu filho, de 5 anos, acabou de lhe dar a maior lição de vida.
Naquela noite, O Juliano não consegue dormir. As palavras de David ecoam na sua cabeça. De madrugada, vai ao quarto do filho e encontra aí Camila, verificando se O David está bem. Ele teve pesadelo, ela explica baixinho. Chamou por mim e você veio. Claro. É o meu trabalho. É só trabalho. Camila encara-o. O que você quer que eu responda? A verdade.
A verdade é que eu amo aquele rapaz mais que a minha própria vida e tu me estás a obrigando a fingir que não amo. Camila, Juliano, quer proteger da vida a dor, mas está a causar-lhe dor agora. Como assim? Ele não entende porque perdi o carinho por ele. Está se culpando. Juliano olha para o filho dormindo.
Mesmo no sono, David parece triste. O que devo fazer? Deixa-o ser amado. Deixa-o amar. A vida já magoou-o demais. E se for embora? E se ficar? O Juliano olha nos olhos dela. Ficaria mesmo? Ficaria para sempre. Há algo no tom dela que convence Juliano. Uma sinceridade que não se pode fingir. Camila, eu também te amo.
A confissão escapa antes de ele poder controlar. Camila fica em choque. O quê? Eu apaixonei-me por você. Isso me apavora. Por quê? Porque perdi uma esposa. Não quero perder mais ninguém. Juliano, não me vai perder. Como pode garantir? Porque eu escolho ficar todos os dias. Eu escolho ficar. Eles aproximam-se devagar. Juliano toca o rosto de Camila suavemente.
E se não der certo? E se der? Ele beija-a delicadamente. É um beijo cheio de medo, mas também de esperança. Quando se separam, David está acordado a observar. “Vocês namoram?”, pergunta sorrindo. Juliano e Camila ficam vermelhos. David, você deveria estar a dormir, Juliano diz. Vocês acordaram beijo. Camila ri-se. Desculpa, meu amor.
Não precisa de pedir desculpa. Eu queria que vocês namorassem. Por quê? Juliano pergunta. Porque depois a tia Camila vira minha mãe de verdade. O comentário deixa os dois adultos emocionados. David, você gostaria que a tia Camila fosse sua mãe? pergunta o Juliano. Gostaria muito. Ela já cuida de mim como mãe.
Ah, se eu casar com ela. O David bate palmas na cama. A sério, papa? Vocês vão casar? Juliano olha para a Camila. Não sei. Ela aceita? A Camila está a chorar de emoção. Aceito. David grita de alegria. Agora vou ter família completa, mas a felicidade dura pouco. Na manhã seguinte, Beatriz chega mais cedo do que o normal e encontra Juliano e Camila a tomarem café juntos com David. A cena íntima deixa-a furiosa.
Juliano, preciso de falar contigo urgente. No escritório, ela explode. Você enlouqueceu? Está a envolver-se com a babá. Beatriz, isso não é da sua conta. Claro que é. Tens reputação a zelar e Davi para proteger. O David está feliz. Davi está confuso. Está misturando os papéis. Estou a formar uma família com uma empregada doméstica.
Juliano, pensa no que vai falar. Vou dizer que me apaixonei por uma mulher maravilhosa. Mulher interesseira. Ela armou tudo isso. Armou o quê? Aproximou-se de Davi para chegar até si. É o golpe mais antigo do mundo. Está a falar da mulher que salvou a felicidade do meu filho. Estou a falar da mulher que está destruindo a nossa família.
A nossa família? Beatriz. Não tem família, por isso não quer que eu tenha. A frase atinge Beatriz como uma bofetada. Juliano, vai arrepender-se de ser feliz? Nunca. Vou provar que ela não presta. Como? Vou contratar um investigador privado. Se ela tem algum segredo, vou descobrir. Beatriz, não se mete na minha vida.
Vou meter-me sim. É meu dever proteger esta família. Beatriz sai do gabinete furiosa e liga imediatamente para um detetive particular. Preciso de uma investigação completa sobre Camila Rodrigues. Que tipo de investigação? Quero saber tudo. Passado, relacionamentos, dívidas, segredos. Tudo vai custar caro. Não me importo com preço.
Quero destruir esta mulher. Uma semana depois, o investigador liga com informações. Encontrei algumas coisas interessantes. Que coisas? Camila Rodrigues trabalhou num orfanato durante 3 anos. Saiu de lá sob circunstâncias estranhas. Como assim? A diretora preferiu não adiantar pormenores, mas houve um incidente com uma das crianças.
Que tipo de incidente? Não consegui confirmar, mas parece que ela se agarrou demasiado a uma criança e causou problemas. Perfeito. Que mais? Ela tem uma dívida hospitalar de R$ 50.000 do tratamento do filho que faleceu. Ótimo. Mais alguma coisa? Está a frequentar um psicólogo há dois meses. Tratamento para o luto.
Beatriz sorri maldosamente. Mulher emocionalmente instável, com dívidas e histórico de problemas. Perfeito. Ela liga a Juliano imediatamente. Juliano, preciso de te mostrar uma coisa. É sobre a Camila. Beatriz, já disse que não quero. É sobre a segurança do David. Vai querer ver isso? Nessa tarde, a Beatriz apresenta o relatório do investigador a Juliano.
Vejam só o que descobri. O Juliano lê com o coração apertado. De onde tirou isso? Investigação particular. Você investigou a Camila? Claro, era a minha obrigação. Beatriz, isto é invasão de privacidade. Isto é proteção. Olha o histórico dela. Que histórico? Trabalhou com crianças órfãs. Qual é o problema? Saiu de lá por problemas de comportamento. Não diz isso aqui.
Está nas entrelinhas. Que olha para esta dívida. R$ 50.000 do tratamento do filho. É normal. E o tratamento psicológico? Para elaborar o luto, qualquer pessoa faria. Juliano, abre os olhos. Mulher com problemas emocionais, dívidas enormes, a trabalhar para milionário. É golpe, é vida, Beatriz. Vida real. Você está cego. Estou apaixonado.
É a mesma coisa. Juliano fica irritado. Beatriz, pare com isso. Não vou parar. Vou proteger David, mesmo que não queira. David não precisa de ser protegido da Camila. Precisa sim e vou provar. Nessa noite, Beatriz boleta um plano cruel. Se não consegue convencer o Juliano com provas, vai criar provas. Ela liga a Cláudia Montenegro.
Cláudia, preciso de um favor. Que favor? Conhece alguém do Conselho Tutelar? Conheço. Por quê? Preciso de fazer uma denúncia anónima. Denúncia de quê? Criança a ser cuidada por pessoa com problemas psicológicos. Beatriz, isto é muito grave. É grave mesmo. David pode estar em perigo. Que tipo de perigo? A ama tem histórico de instabilidade emocional.
Pode fazer alguma loucura. Tem certeza disso? Absoluta. Você ajuda-me? Cláudia hesita. Está bem, mas se der problema, não me envolvo. Não vai dar problema. É só uma verificação de rotina. Na quinta-feira, duas assistentes sociais aparecem na mansão sem avisar. Bom dia, somos do Conselho Tutelar.
Recebemos uma denúncia sobre esta residência. Juliano fica chocado. Denúncia de quê? Possível negligência com menor de idade. Isso é um absurdo. Meu filho é muito bem cuidado. Vamos verificar. É protocolo. As assistentes entram e pedem para falar com David e com Camila. David fica nervoso com estranhas fazendo perguntas.
Você gosta da sua cuidadora? Gosto muito. Ela é simpática com você? Pois, ela é a minha mãe. A sua mãe? Mãe do coração. O papá disse que vão casar. As assistentes trocam olhares. Ela já fez alguma coisa que te magoou? Nunca. Ela protege-me. Protege de quê? Das pessoas más que não gostam que eu seja feliz. Depois entrevistam a Camila.
Senhora, qual a sua formação? Pedagogia com especialização em educação especial. Há quanto tempo trabalha aqui? Dois meses. Qual o seu relacionamento com a criança? Sou cuidadora dele. E com o pai? Camila fica sem jeito. Somos próximos. Próximos como estamos nos relacionando. Envolveu-se romanticamente com o seu empregador? Sim.
Isso não é antiético? Não planeamos. Aconteceu. Senhora, perdeu um filho recentemente. Camila fica tensa há 3 anos. E está a fazer tratamento psicológico? Estou. Para elaborar o luto. Você não acha que pode estar a transferir sentimentos maternos para esta criança? David precisa de amor maternal. Eu dou isso para ele, mas não é a mãe dele.
Serei quando casar com o pai dele. As assistentes anotam tudo e se despedem. Em breve daremos feedback sobre nossa avaliação. Depois que elas vão embora, Juliano fica desesperado. Como alguém fez queixa? Quem o faria? Camila olha-o com tristeza. Alguém que me quer afastar do David. Quem? Sabe quem? O Juliano pensa na irmã, mas não quer acreditar.
Beatriz não faria isso. Faria sim. E fê-lo. Como pode ter certeza? Porque quem mais beneficia se eu for afastada? Juliano fica em silêncio porque ela tem razão. Uma semana depois, o Conselho Tutelar liga com o resultado. Senr. Juliano, a investigação concluiu que não há negligência ou maus tratos. Que bom. No entanto, recomendamos o acompanhamento psicológico para a cuidadora.
Por quê? pela excessiva proximidade emocional com a criança. Excessiva. Criança não pode confundir papéis. Cuidadora não pode ocupar o lugar de mãe. Mas e se ela se virar mãe de verdade? Isso seria problemático, dada a situação. Que situação? Relacionamento iniciado em ambiente de trabalho.
Possível aproveitamento da situação de vulnerabilidade. Juliano fica revoltado. Vocês estão a julgar sem conhecer a situação. Estamos a seguir protocolo. O protocolo está errado. Senr. Juliano. A criança precisa de estabilidade, não de confusão emocional. Juliano desliga furioso. Camila, que escutou a conversa está a chorar.
Camila, Juliano, vou embora. O quê? Por quê? Porque está tornando-se impossível. Todo o mundo quer me afastar do David. Eu não quero. Mas você não está a conseguir proteger-me. Vou conseguir. Como? O Conselho Tutelar disse que sou problemática. Sua irmã está a espalhar mentiras. Os seus amigos acham que sou interesseira.
E daí? Eu sei quem és. E o David? Ele está sofrendo pressão por minha causa. O Juliano sabe que ela tem razão. Davi está a ser afetado por toda a situação. O que é que quer que eu faça? Deixa-me ir embora antes que magoem David ainda mais. Camila, se for embora, vai destruí-lo. Se eu ficar, vão destruir ele de outra maneira.
Eles ficam se olhando, ambos desesperados. Tem de haver uma solução, diz Juliano. Tem, mas não vai gostar. Qual? Expor quem está a tramar contra mim. Como confrontar a sua irmã com provas? Juliano hesita. Confrontar Beatriz significa romper com a única família que lhe restou. Juliano, enquanto ela estiver agindo na sombra, nunca vamos ter paz.
E se ela negar tudo, então vou-me embora e nunca mais me vai ver. A ameaça deixa Juliano apavorado. Perder Camila seria perder a hipótese de ser feliz de novo. Ok, vou confrontá-la. Nessa tarde, Juliano chama Beatriz para uma conversa séria. Beatriz, foi o senhor que fez a denúncia ao Conselho Tutelar? Que denúncia? Não se faça de inocente, Juliano, não sei do que é que está a falar.
Alguém denunciou que David estava a ser negligenciado e só você tem motivo para tal. Eu jamais faria mal ao David, mas faria mal à Camila. Beatriz fica nervosa. Juliano, foste tu, não foi? Eu estava a proteger-vos. Protegendo de quê? Daquela mulher. Ela está a manipular-te a ti e a Davi. Ela está amando-nos.
É manipulação disfarçada de amor. Beatriz, invadiste a privacidade dela, espalhou mentiras, fez denúncia falsa. Por quê? Porque você é meu irmão. Não posso deixar que seja enganado. Ou porque não suporta me ver feliz. A acusação deixa Beatriz sem palavras. Juliano, isso não é verdade, não é? Beatriz. Nunca casou, nunca teve filhos e agora não quer que eu tenha uma família também.
Eu só quero protegê-lo. Você quer manter-me sozinho como você. A Beatriz começa a chorar. Juliano, por favor, Beatriz, quase destruíste a felicidade do Davi e a minha. Eu estava com medo. Medo de quê? De te perder também. Juliano entende. A Beatriz perdeu os pais, perdeu a cunhada e tem medo de perder o único parente que sobrou.
Beatriz, você não vai perder-me, mas não posso deixá-lo destruir a minha hipótese de ser feliz. O que vai fazer? Vou casar com a Camila. E se ela te desiludir? E se ela fizer de mim o homem mais feliz do mundo? Beatriz fica em silêncio. Beatriz, pode aceitá-la na família ou pode sair da nossa vida? Escolha. Isto é chantagem, é a realidade.
Beatriz sai de casa a chorar. Juliano fica sozinho, triste, mas decidido. No dia seguinte, organiza uma surpresa para a Camila e o David. “Onde vamos, papá?”, David pergunta enquanto Juliano empurra a cadeira dele pelo jardim. Surpresa. Eles chegam numa gazebo decorada com flores e balões.
A Camila está ali, linda, num vestido simples. “O que é isto?”, ela pergunta. Juliano ajoelha-se na frente dela, tirando uma pequena caixa do bolso. “Camila Rodrigues, aceitas casar comigo?” David bate palmas. Fala sim, tia Camila. A Camila está a chorar de emoção. Juliano, aceita formar uma família comigo e com o David? Aceito.
Juliano coloca o anel e beija-a. David grita de alegria. Agora somos família a sério. Três meses depois, numa manhã de sábado soalheira, a mesma mansão, que era fria e silenciosa, transforma-se em cenário de casamento. A Camila está linda num vestido branco simples. David usa um smoking pequeno e está na cadeira decorada como pagem.
“Mamã Camila, você está lindíssima.” Diz emocionado. Obrigada, meu filho. A palavra filho ainda emociona os dois. A cerimónia é íntima. Só amigos próximos e funcionários da casa. A Beatriz não comparece, mas envia um presente. Um álbum de fotografias de Juliano Criança com um bilhete. Espero que seja feliz. Juliano pergunta ao juiz.
Você aceita Camila como esposa? Aceito para sempre. Camila, aceita o Juliano como marido? Aceito com todo o meu coração. E você, David? Sorri o juiz. Aceita a Camila como sua mãe. Aceito, aceito, aceito, David grita fazendo todos rir. Então os declaro marido, mulher e filho. Davi lança pétalas de flores enquanto Juliano beija Camila.
Agora sou o menino mais feliz do mundo, declara David. Por quê? pergunta a Camila. Porque tenho pai e mãe. Seis meses depois, a família está no jardim numa tarde de domingo. Davi está na piscina adaptada, nadando com flutuadores especiais. Juliano e Camila observam orgulhosos. Olhem, consegui nadar até aqui sozinho.
David grita da piscina. Parabéns, campeão. Juliano grita de volta. Estou a nadar que nem o Daniel Dias. Camila sorri. Está mesmo. Mamã, podes entrar aqui comigo? Posso sim. Camila entra na piscina e nada com David. Juliano observa emocionado. A sua família está completa. Papa, entra também. Não sei nadar muito bem. A mamã ensina você.
Os três ficam na piscina brincando, rindo, sendo uma família de verdade. Dois anos depois, O David tem 7 anos e está numa escola especial, onde se destaca como o aluno mais alegre e comunicativo. “Como vai o David?”, pergunta Juliano para a professora maravilhosamente. Ele é exemplo para outras crianças. Exemplo como: “Mostra que a limitação física não impede ninguém de ser feliz.
Ele sempre foi assim?” Não. Quando chegou aqui há dois anos, era uma criança triste e introvertida. A transformação foi impressionante. O que mudou? A professora sorri. Uma família que o ama de verdade. Naquela noite, na hora de dormir, David chama os pais para conversar. Mamã, papá, posso dizer uma coisa? Claro, filho.
Eu lembro-me de antes da mamã chegar. Lembra-se? Lembro que estava triste, pensava que ninguém me amava, filho. Mas agora sei que fui abençoado. Por quê? Porque ganhei a melhor mamã do mundo. David abraça Camila. Obrigado por me ter salvo. Você que me salvou, meu amor. Como assim? Me ensinou que a família não é só sangue, é amor. Juliano abraça os dois.
Vocês me salvaram também. Como? pergunta o Davi. Me ensinaram que vale a pena arriscar o coração para ser feliz. Três anos se passaram desde que a Camila chegou à mansão como cuidadora. O David tem agora 8 anos, pratica natação paralímpica e sonha competir nas Olimpíadas. Mamãe, vou treinar muito para ir para as olimpíadas. Vou apoiar-te sempre, filho.
E se não conseguir? Conseguir o quê? Ganhar medalha. Camila ajoelha-se na altura da cadeira dele. David, você já ganhou a medalha mais importante. Qual? A medalha de ter superado tudo e ser feliz. O David sorri. E você? Qual é a sua medalha? Ter-te como filho. Eles se abraçam forte.
Juliano observa da porta emocionado. O menino que dançava tristemente sozinho numa cadeira de rodas agora dança de alegria com uma família que o ama incondicionalmente. E Camila, que perdeu um filho e achava que nunca seria mãe, descobriu que mãe é quem ama, cuida e nunca desiste. O amor venceu o preconceito. A família escolhido venceu as limitações e um simples momento de dança tornou-se o início de uma história de amor para sempre.
Se esta história tocou-lhe o coração, deixe um like e partilhe com pessoas que também acreditam que o amor é a força mais transformadora do mundo. Nos comentários, conte qual foi o momento que mais te emocionou e diz-nos de que cidade que está a assistir. Adoramos saber que temos amigos por todo o Brasil que acreditam em histórias de esperança, transformação e segundas oportunidades.
Um abraço cheio de carinho e até à próxima história.















