Milionário finge estar inconsciente e o que escuta da sua Faxineira Pobre o deixa em choque

Eu não acredito que isto esteja a acontecer. Por favor, ajuda-me. O que é que estás aqui a fazer? Júlia Santos sai do autocarro na Avenida Faria Lima e caminha dois quarteirões até chegar ao condomínio de luxo, onde trabalha há se meses. Aos 28 anos, cabelos castanhos apanhados num coque simples, uniforme azul bem passado e sapatos gastos pelo uso, ela transporta uma bolsa velha que contém a sua marmita.
Um terço e uma foto amarrotada de um menino pequeno. O edifício onde ela trabalha tem 40 andares e uma vista privilegiada para toda a São Paulo. No quadº andar mora Ricardo Mendonça, de 35 anos, um dos empresários mais ricos do país. Herdeiro de um império mineiro familiar. Ricardo vale quase R 2 biliões deais, mas a sua vida pessoal é um desastre.
Bom dia, o senhor João. Júlia cumprimenta o porteiro. Bom dia, Júlia. Como está o Pedrinho? Os olhos de Júlia enchem-se de lágrimas por um segundo, mas ela tornou-se recompõe rapidamente. Está bem. Obrigada por perguntar. Manda-lhe um beijo. Mando sim. Júlia apanha o elevador direto para o quadº andar.
tem as chaves do apartamento, porque o Ricardo sai sempre muito cedo para correr e regressa apenas para tomar banho antes de ir para o escritório. Pelo menos era assim até há três semanas. Quando abre a porta do triplex de 500 m², Júlia suspira. O lugar está um caos. Garrafas de whisky vazias espalhadas pela sala, pratos sujos no lava-loiça há dias, roupas jogadas no chão, cortinas fechadas deixando tudo no escuro.
“Meu Deus, que tristeza”, ela murmura. Há três semanas, Ricardo sofreu um acidente de viação. Nada de grave fisicamente, apenas alguns cortes e contusões, mas o acidente matou uma criança de 8 anos que atravessou a rua correndo atrás de uma bola. O Ricardo não teve culpa, estava na velocidade permitida. mas não consegue perdoar-se. Desde então, não sai de casa, não vai ao escritório, não atende chamadas, não recebe visitas, passa os dias bebendo e culpando-se pela morte da criança.
A Júlia liga as luzes e abre as cortinas. A luz solar revela ainda melhor a sujidade. “Vamos trabalhar”, ela diz para si mesma. Ela começa pela cozinha, lavando a pilha de loiça sujos. Enquanto trabalha, canta baixinho uma música gospel que aprendeu na igreja. Jesus, tu és o centro da minha vida, és a esperança que me faz prosseguir.
O Ricardo está deitado no quarto, acordado há 2 horas, mas sem coragem para se levantar. Ele ouve Júlia a cantar e fica intrigado. Como alguém pode estar alegre a limpar a bagunça que fez? Ele é fiel mesmo quando eu não mereço. O seu amor alcança-me onde estou. A voz da Júlia é suave e melodiosa. Ricardo recorda-se de quando a sua mãe cantava-lhe quando criança antes de morrer num acidente quando tinha 10 anos.
A Júlia termina de lavar a loiça e vai para a sala. Quando vê as garrafas de whisky, abana a cabeça tristemente. “Coitadinho”, sussurra ela. “A dor está consumindo-o”. Ela recolhe todas as garrafas e coloca-as num saco de lixo. Depois aspira o tapete persa, que custou mais do que ela ganha num ano. Ricardo ouve os barulhos da limpeza e sente-se culpado.
Esta mulher está a limpar a sujidade da sua depressão enquanto ele fica a lamentar-se na cama. Às 8 horas, Júlia vai até à porta do quarto e bate levemente. O senhor Ricardo, trouxe um café para o senhor. Silêncio. Vou deixar aqui na mesa de cabeceira. Ela entra no quarto escuro e coloca uma chávena de café fumegante na mesa.
O Ricardo está virado de costas, fingindo dormir. Senhor, sei que é difícil, mas o senhor precisa de se alimentar. Ela fala baixinho. Ficar sem comer não vai ajudar ninguém. Ricardo mantém os olhos fechados. Mas ouve cada palavra. Minha avó dizia sempre que Deus nunca dá um fardo maior do que podemos carregar. Às vezes demora para entendermos o porquê das coisas, mas há sempre um propósito.
Ela arruma o lençol à volta dele com carinho maternal. Vou fazer uma comida saborosa para o senhor. Precisa de recuperar as forças. Ricardo sente um aperto na garganta. Há anos que ninguém cuidava dele com tanto carinho. A Júlia sai do quarto e vai para a cozinha. Abre o frigorífico e encontra apenas cerveja e restos de comida podre. “Que pena”, murmura ela.
“Vou ter de improvisar”. Ela pega alguns ingredientes da sua própria bolsa, tinha trazido para fazer o seu almoço, e começa a preparar uma sopa simples, mas nutritiva. Enquanto cozinha, fala sozinha, como tem o costume. Pedrinho, a mamã está a trabalhar numa casa muito triste hoje. O dono perdeu a vontade de viver.
Me lembra-se quando ficou doente e eu pensei que ia enlouquecer. Ricardo, que se tinha levantado para pegar no café, ouve a conversa. e para à porta da cozinha. Quem é o Pedrinho? Mas foste forte, meu amor. Lutou até o final e agora está no céu a interceder pela mamã. Ricardo sente uma pontada no peito. A Júlia perdeu um filho.
Ele precisa de ajuda, meu anjo. Está perdido na dor. Ajuda a mamã a ajudá-lo. Júlia tira uma foto amarrotada da bolsa e beija carinhosamente. Saudade do meu lindo menino. Ricardo vê a foto ao longe. É um menino pequeno, magro. numa cama de hospital. Trs anos sem ti, meu amor. Mas a mamã tá sendo forte como pediu.
O Ricardo se esconde quando Júlia sai da cozinha transportando uma bandeja. Ela bate na porta do quarto novamente. Senr. Ricardo, trouxe uma sopinha. está quentinha e saborosa. Silêncio. Sei que não tem fome, mas precisa de tentar comer alguma coisa, pelo menos um pouquinho. Ela entra e coloca o tabuleiro sobre a mesa.
Senhor, posso dizer uma coisa? O que aconteceu foi terrível, eu sei. Mas o senhor não teve culpa. Foi um acidente. Ricardo mantém os olhos fechados, mas escuta atentamente. Eu sei o que é perder uma criança. É a dor mais terrível do mundo. Parece que já não vale a pena viver. A voz de Júlia fica embargada. Quando o meu filho morreu, eu também quis morrer.
Pensei em atirar-me do viaduto onde trabalho, mas ele apareceu no meu sonho e disse: “Mamã, há muita gente a precisar de você. É preciso viver para ajudar.” Ricardo sente os olhos marearem. O senhor tem dinheiro, tem poder, tem condições para ajudar muita gente. Essa tragédia pode tornar-se propósito. Ela arruma-lhe a coberta mais uma vez.
A A família da criança, por exemplo, deve estar a passar necessidade. O senhor podia ajudá-los. O Ricardo nunca tinha pensado nisso. Só ficou focado na própria dor. Vou deixar o Sr. descansar, mas por favor tenta comer um pouquinho. Júlia sai do quarto e Ricardo abre os olhos. O cheiro da sopa é reconfortante.
Senta-se na cama e prova uma colherada. É simples, mas feita com carinho. Enquanto come, ouve Júlia a limpar a casa e a cantar baixinho. Quando os ventos frios vierem sobre mim, sei que tu comigo estás. A voz dela é um bálsamo para a sua alma ferida. À hora do almoço, a Júlia prepara a sua marmita simples, arroz, feijão e um ovo cozido.
Ela traz sempre pouco porque o dinheiro é contado. Pedrinho, mamã trouxe pouco hoje porque estava sem dinheiro para o mercado. Mas está bom assim, não é, meu amor? Deus sempre providencia. Ricardo ouve da sala, onde estava fingindo ver TV. O senhor da casa está muito triste. Perdeu uma criança num acidente. Deve estar a sentir-se tal como a mamã se sentiu quando você foi para o céu.
Júlia deixa de comer e fecha os olhos. Dá-lhe força, Pedrinho. Mostra-lhe que ainda vale a pena viver. Ricardo sente lágrimas a escorrer pelo rosto. Esta mulher que perdeu um filho e vive na pobreza está a rezar por ele. Eu sei que estás bem, meu amor. Livre da dor correndo nos campos do céu. Mas deixou a mamã com muitas saudades. A voz dela fica trémula.
Às vezes é difícil continuar. Trabalho tanto, ganho tão pouco e a casa está a cair aos pedaços, mas envias sempre sinais para não desistir. Ricardo fica a saber que a Júlia tem problemas financeiros sérios. Ontem a dona Conceição disse que se não pagar a renda até sexta-feira, vai ter que me despejlar.
Mas Deus vai dar um jeito, não é, meu amor? O Ricardo calcula mentalmente. Hoje é terça-feira. A Júlia tem três dias para conseguir dinheiro do arrendamento ou vai ficar na rua. Mesmo se eu perder a casa, não vou perder a fé. Você ensinou-me que há sempre um amanhã melhor. Depois do almoço, a Júlia regressa ao trabalho.
Ela limpa cada canto do apartamento com cuidado e carinho, como se fosse a sua própria casa. Que casa linda, Pedrinho. Deve custar mais do que a a mamã vai ganhar na vida inteira, mas está tão abandonada. Ela pára em frente a um retrato de Ricardo criança com os pais. Ele também perdeu a mamã, por isso está tão perdido.
Ricardo ouve de longe e se surpreende. Como é que ela sabe sobre a sua mãe? A Dona Conceição contou-me que a mãe dele morreu quando ele era pequeno. Deve ter sido terrível crescer sem o amor de mãe. A Júlia limpa o retrato com carinho. Coitadinho, rico de dinheiro, mas pobre de amor. As palavras dela ecoam na mente do Ricardo.
Ele tem tudo material, mas vive emocionalmente vazio. Pedrinho, achas que a mamã pode ajudá-lo? Não sei como, mas quero tentar. Ricardo fica intrigado. Como uma fachineira pobre pode ajudar um bilionário? Durante a tarde, Júlia encontra uma pilha de cartas sobre o mesa. São cobranças, intimações judiciais, comunicados da empresa. “Uau, que confusão!”, murmura ela.
Ela organiza as cartas por data e importância, mesmo sem compreender bem o conteúdo. “Senor Ricardo, ela chama. Tem aqui umas cartas importantes. Silêncio. Vou deixar organizadas na mesa. Parece urgente. O Ricardo sabe que deve assuntos importantes acumulando, mas não tem energia para lidar com nada. Às 4 da tarde, o telefone toca insistentemente.
Olá, a Júlia atende sem pensar. Aqui é Roberto Caldeira, sócio do Ricardo. Ele está aí? Está sim, mas está a descansar. Descansando, Júlia? São 16h. Ele não pode estar a fugir dos problemas para sempre. Ele não está a fugir, está sofrendo. Sofrendo ou não, tem responsabilidades. A empresa está a perder milhões.
Júlia fica zangada. Senr. Roberto, com todo o respeito, o dinheiro recupera-se. Paz de espírito é mais difícil. Você não entende de negócios. Percebo de gente. E este homem precisa de tempo para se curar. Quanto tempo? A empresa não pode esperar para sempre o tempo que for necessário. Roberto desliga irritado. Júlia fica preocupada.
Será que falou demais? O Ricardo escutou toda a conversa e ficou tocado. Júlia defendeu-o como nunca ninguém tinha feito. No final da tarde, Júlia prepara-se para ir embora. Senr. Ricardo, já vou. Deixei a sua jantar pronto na cozinha. É só aquecer. Ela bate à porta do quarto. O senhor comeu a sopa do almoço? Espero que sim.
Silêncio. Amanhã trago ingredientes melhores. Vou fazer uma comida bem saborosa para o senhor recuperar as forças. Ricardo sabe que Júlia mal tem dinheiro para comer e ainda quer gastar com ele. Tenha uma boa noite. E lembra, Deus tem um plano para a sua vida. Só está esperando que o Senhor se levantasse para mostrar qual é.
Depois de Júlia sair, Ricardo fica sozinho com os próprios pensamentos. Pela primeira vez em três semanas, não pensa apenas no acidente, pensa na mulher extraordinária que cuida dele sem esperar nada em troca. Ele vai até à cozinha e encontra um prato coberto com um pequeno bilhete feito com carinho. Espero que goste, Júlia. A comida é simples, mas saborosa.
Enquanto come, Ricardo olha pela janela e vê A Júlia à espera do autocarro na chuva que começou a cair. Ela não tem guarda-chuva e protege-se como pode com a bolsa. Caramba, ele murmura. Ela merecia coisa melhor. Nessa noite, Ricardo não consegue dormir. Fica a pensar na conversa de Júlia com o filho morto, na forma carinhosa como cuidou dele, na defesa que fez dele ao telefone.
“Essa mulher é especial”, pensa ele. E eu nem sei o apelido dela. Na manhã seguinte, Ricardo decide fingir estar a dormir de novo para escutar mais. Júlia chega pontualmente às 5. Quando entra no apartamento, suspira de alívio ao ver que ele comeu o jantar que ela preparou. “Graças a Deus”, murmura ela. “Pelo menos está a alimentar-se.
” Ela começa a limpeza a cantar como sempre. Deus cuida de mim. “Sim, eu sei. Deus cuida de mim”. Ricardo percebe que a voz dela está mais triste hoje. Pedrinho. Ela sussurra enquanto limpa. A mamã está preocupada. Só tenho dois dias para conseguir o dinheiro da renda. Ricardo sente vontade de sair do quarto e dar o dinheiro para ela na mesma hora.
Mas não vou desesperar. Você dizia sempre: “Mamã, Deus nunca atrasa nem adiantam. Ele chega à hora certa.” Ela para de limpar por um momento e senta-se no sofá. Está difícil, meu amor. Trabalho tanto e o dinheiro nunca sobra. Às vezes penso em procurar outro emprego, mas gosto de cuidar do Sr. Ricardo. Ricardo fica surpreendido.
Ela gosta de trabalhar para ele. Ele faz-me lembrar você quando estava triste. Lembra-se quando ficava sossegado no hospital sem falar com ninguém? A voz de Júlia fica emocionada. Eu cantava para ti, contava histórias, fazia-lhe carinho até voltar a sorrir. É o que estou a tentar fazer com ele. Ricardo sente um aperto no peito. Júlia vê-o como o filho que perdeu.
Sei que ele não me conhece bem, mas posso sentir a dor dele. É igual à minha quando foste para o céu. Ela se levanta-se e volta a limpar. Vou cuidar dele até ele ficar bem, mesmo que demore anos. O Ricardo não aguenta mais. Ele precisa de conhecer melhor esta mulher extraordinária. À hora do almoço, Ricardo decide levantar-se.
Ele toma banho, barbeia-se e veste-se com roupas limpas pela primeira vez em três semanas. Quando Júlia regressa da cozinha, dá de caras com ele na sala. Ai, meu Deus! Ela grita de susto. Senhor Ricardo, que bom vê-lo de pé. Ricardo fica sem palavras. A Júlia é mais bonita do que ele imaginava. Tem um sorriso doce e olhos cheios de bondade.
Como o senhor está a sentir-se? Melhor, ele responde com a voz rouca de desuso. Graças a Deus, estava a rezar tanto para o senhor recuperar. Obrigado por cuidar de mim. Júlia fica vermelha. É o meu trabalho. Não é só trabalho. Você cuidou de mim com carinho. Todo mundo merece carinho quando está a sofrer. Ricardo observa-a por um momento.
Júlia, posso perguntar uma coisa? Claro. Quem é Pedrinho? Os olhos de Júlia enchem-se de lágrimas. Era o meu filho. Era. Morreu há três anos. Leucemia. O Ricardo sente como se tivesse levado um murro no estômago. Desculpa. Não devia ter perguntado. Tudo bem. Gosto de falar dele. Como foi? Júlia senta-se no sofá.
Ele foi diagnosticado aos 5 anos. Lutamos por dois anos. Fiz tudo o que pude. Vendi tudo que tinha. Endividei-me. As lágrimas escorrem-lhe pelo rosto, mas não foi suficiente. Morreu nos meus braços, dizendo que amava-me. Ricardo sente vontade de abraçá-la. Deve ter sido terrível. Foi quase enlouqueci. Não conseguia trabalhar, comer, dormir.
Pensei em abdicar de tudo. O que te fez continuar? Ele apareceu no meu sonho e disse que eu tinha uma missão, cuidar de pessoas que precisavam de amor. Ricardo compreende, por isso ela cuida dele com tanto carinho. É por isso que você trabalha como empregada de limpeza? Trabalho onde consigo.
Não tenho estudo, mas tenho amor para dar. Júlia, você é uma pessoa especial. Não sou, não. Sou apenas uma mãe que perdeu o filho. Você é muito mais que isso. Ficam em silêncio por um momento. Senr. Ricardo, posso perguntar uma coisa? Pode. O que aconteceu para o senhor ficar tão triste? Ricardo conta sobre o acidente.
Como estava a voltar de uma reunião, como a criança correu atrás da bola, como não conseguiu travar a tempo. A culpa está a matar-me por dentro. Mas a culpa não foi sua. Foi sim. Se eu estivesse a conduzir mais devagar, Senr. Ricardo, os acidentes acontecem. Não adianta culpar-se. Como pode dizer isso? Perdeu um filho também.
Meu filho morreu de doença. Não foi culpa de ninguém. Mas no início culpava-me. também se culpava. Como achava que não tinha sido suficientemente boa mãe, que se tivesse descoberto antes, se tivesse dinheiro para melhor tratamento, Ricardo entende. Sai como deixou de se culpar. O Pedrinho ajudou-me.
Ele disse que culpa só magoa quem fica, não traz ninguém de volta. Acha que a criança que morreu no acidente perdoar-me-ia? Júlia sorri. Tenho a certeza. Criança tem o coração puro, só quer que os adultos sejam felizes. Como pode ter tanta certeza? Porque o Pedrinho me ensinou. Ele dizia sempre: “Mamã, Deus não guarda rancor, por a gente guardar?” Ricardo sente uma paz estranha, a tomar conta do peito.
Júlia, posso fazer-te outra pergunta? Pode. Por que razão canta enquanto trabalha? Porque a música alegra o coração e casa triste precisa de alegria. A minha casa estava triste, estava. Mas agora que o senhor se levantou, já está melhor. O Ricardo sorri pela primeira vez em três semanas. Obrigado. Por quê? Por não ter desistido de mim.
Nunca desisto das pessoas que amo. A palavra amo fica a ecoar na mente de Ricardo. A Júlia ama-o. Naquela tarde, Ricardo liga para o seu assistente. Marcos, sou eu, o Ricardo. Graças a Deus. Onde estava? Em casa me recuperando. A empresa está um caos. Precisa de voltar urgente. Vou voltar amanhã.
Mas antes preciso que faça uma coisa para mim. O quê? Quero que que descubra tudo sobre a família da criança que morreu no acidente. Para quê? para os ajudar. Marcos fica surpreendido. Esta é uma atitude nova para Ricardo. Está bem. Mais alguma coisa? Sim. Quero informações sobre a Júlia Santos. Trabalha aqui em casa. Investigação completa? Não, informação pessoais. Quero ajudá-la também.
Ricardo, está bem? Estou melhor que há muito tempo. Na manhã seguinte, Ricardo está na cozinha quando Júlia chega. Senr. Ricardo, que bom vê-lo acordado cedo. Bom dia, Júlia. Como você está? Bem, graças a Deus, mas o Ricardo percebe que ela está preocupada. Aconteceu alguma coisa? Júlia hesita. É que hoje é o último dia para pagar o aluguel.
E conseguiu o dinheiro? Ainda não. Mas Deus vai arranjar maneira. O Ricardo já sabia a resposta, mas queria ouvir da boca dela. Quanto precisa? Senhor Ricardo, não posso aceitar dinheiro do senhor. Por que não? Porque não é certo. Já me paga pelo meu trabalho. Júlia, salvou-me a vida, tirou-me da depressão. Eu não fiz nada demais. Fez sim.
Você cuidou de mim quando não conseguia cuidar de mim mesmo. Ricardo pega na carteira e tira um punhado de notas. por favor, aceite como um presente. Júlia olha para o dinheiro claramente tentada. Não posso. Por que é tão teimosa? Porque a minha avó me ensinou que tudo na vida tem de ser conquistado com trabalho honesto.
Cuidar de mim não foi trabalho honesto. Foi. Mas você já paga-me por isso. Ricardo percebe que não a vai convencer facilmente. Está bem, mas se mudar de ideias. Obrigada pela intenção, senor Ricardo. Significa muito. Nesse mesmo dia, Ricardo regressa ao trabalho pela primeira vez em três semanas. Os seus funcionários ficam aliviados por vê-lo.
“Como é que você está?”, pergunta Roberto, o seu sócio. “Melhor. Pronto a trabalhar. Que bom! Temos muito que resolver. Durante o dia, Ricardo trabalha para colocar a empresa em ordem, mas a sua mente está constantemente em Júlia. Marcos, ele chama o assistente ao fim da tarde. Sim, obteve as informações que lhe pedi. Consegui.
A família da criança chama-se Silva. O pai está desempregado, a mãe trabalha como diarista. Estão a passar dificuldades. E sobre a Júlia. Júlia Santos, 28 anos, viúva, perdeu o filho há 3 anos. Trabalha como fachineira em três casas para se sustentar. Vive numa pensão no centro. Mais alguma coisa? Ela deve três meses de renda.
Vai ser despejada se não pagar até hoje. Ricardo olha para o relógio. São 6 da tarde. Marcos. Preciso que faça duas coisas urgentes. Fala. Primeira. Monta um fundo de auxílio para a família Silva. Quero cobrir todas as suas despesas por tempo indeterminado. Quanto? O necessário. Eles não devem se preocupar com dinheiro nunca mais.
Entendi. E a segunda, vai até à pensão onde a Júlia vive, paga todos os rendas em atraso e mais seis meses adiantados. Ricardo, isso é muito dinheiro. Não é nada comparado com o que ela fez por mim, mas pode não aceitar. Por isso não vai dizer que fui eu. Inventa que foi uma doação anónima. Está bem.
Quando Ricardo chega em casa, encontra a Júlia a limpar com menos energia do que o habitual. Como foi o seu dia? Ela pergunta. Bom, voltei a trabalhar. Que bom. O trabalho distrai a mente. E o seu dia? Conseguiu resolver a situação do arrendamento? Os olhos da Júlia enchem-se de lágrimas. Não consegui. Vou ter de sair da pensão amanhã.
Para onde vai? Não sei ainda, mas Deus vai dar um jeito. Ricardo quer contar sobre que fez, mas controla-se. Tenho certeza que vai correr tudo bem. Também acho. Sempre dá. Nessa noite, o telefone da Júlia toca. Olá, dona Júlia. É a dona Conceição da Pensão. Olá, dona Conceição. Tenho uma notícia para a senhora.
Que notícia? Apareceu um anjo aqui hoje. Pagou todos os alugueres atrasados da senhora e mais seis meses adiantados. Júlia quase desmaia. Como assim? Um senhor elegante apareceu aqui com um envelope cheio de dinheiro. Disse que era uma doação anónima para a senhora. Mas quem o faria? Não sei, mas a senhora deve ter um anjo da guarda poderoso.
A Júlia desliga o telefone em choque. Quem poderia ter feito isto? Na manhã seguinte, ela chega ao trabalho radiante. Senhor Ricardo, aconteceu um milagre. Que milagre? Alguém pagou o meu aluguer, uma doação anónima. Ricardo finge surpresa. Sério? Que maravilha. Eu sabia que Deus ia dar um jeito. Pedrinho deve ter intercedido por mim.
Deve ter sido isso mesmo. Agora posso continuar trabalhar aqui sem me preocupar. Eu fico feliz com isso. Senr. Ricardo, posso dizer uma coisa? Claro. O senhor mudou muito desde que voltou a trabalhar. Está mais humano. Ricardo Ri. Humano. Mais próximo, mais carinhoso. Antes tratava-me só como funcionária, agora trata-me como pessoa.
Porque agora vejo-o como pessoa e Vejo o Senhor como alguém que merece ser cuidado. Olham-se nos olhos por um momento. Há uma ligação especial entre eles. Júlia, posso fazer-te uma pergunta pessoal? Pode. Você já pensou em voltar a casar? A Júlia fica vermelha. Por que razão pergunta isso? Curiosidade. Às vezes penso, mas é difícil encontrar alguém que aceite que o Pedrinho sempre vai ser o amor da minha vida.
Qualquer homem que não aceite isto não merece você. O senhor acha? Tenho a certeza. E o senhor nunca se casou? Nunca encontrei alguém que me fizesse querer formar família. Vai encontrar. O senhor é um homem bom. Como pode ter a certeza? Porque um homem mau não ficaria três semanas a sofrer pela morte de uma criança desconhecida? Ricardo fica tocado pelas palavras dela.
Nas semanas seguintes, a relação entre eles evolui. Ricardo começa a falar mais com Júlia, a perguntar sobre a sua vida, os seus sonhos. “Qual é o teu maior sonho?”, Ele pergunta numa tarde. Ter uma casa própria, um lugar onde possa colocar as fotos do Pedrinho e sentir-me em casa. Só isso. Para quem sempre viveu de arrendamento, ter uma casa própria é o maior sonho do mundo.
E não quer mais filhos? Júlia fica triste. Queria, mas depois de o Pedrinho morrer, não consigo mais pensar nisso. Tenho medo de amar e perder de novo. Compreendo perfeitamente. E o senhor quer ter filhos? Sempre quis, mas nunca encontrei a mulher certa. Vai encontrar. O senhor tem muito amor para dar. Como sabe? Pelos cuidados que tem comigo.
Homem sem coração não trata a funcionária com carinho. Júlia, tu não és só funcionária para mim, não. É muito mais. Ficam a olhar um para o outro, uma tensão no ar. Senr. Ricardo, não posso. Não pode o quê? Envolver-me. Somos de mundos diferentes. E daí? O senhor é bilionário? Eu sou empregada de limpeza. Isso não importa. Importa para o mundo.
Ricardo entende que Júlia tem medo do julgamento das pessoas. Durante esse período, Ricardo conhece melhor a vida de Júlia. Descobre que ela sustenta sozinha uma tia idosa que tem diabetes, que estuda à noite para terminar o ensino secundário, que sonha em ir para a faculdade de enfermagem. Porquê enfermagem? pergunta ele.
Porque gosto de cuidar das pessoas e depois que O Pedrinho morreu, quero ajudar outras crianças doentes. É uma profissão bonita, mas pá, não tenho dinheiro para pagar faculdade. Existem bolsas de estudo. Para pessoas como eu, é difícil de conseguir. Ricardo anota mentalmente: “Providenciar bolsa de estudo para a Júlia, mas nem tudo são flores.
” Helena Albuquerque, mãe de um amigo de Ricardo, fica a saber através de fofocas que ele está diferente e resolve investigar. Mercedes ela liga para o amiga. Soube que o Ricardo está alterado? Alterado como? Mais humano, mais próximo, alguém o está a influenciar. Quem? Suspeito que seja alguma mulher. Que tipo de mulher? É o que vou descobrir.
A Helena contrata uma investigadora para seguir Ricardo. Em poucos dias descobre sobre Júlia. Uma fachineira. Helena fica indignada. O homem mais rico de São Paulo se envolvendo com empregada doméstica. Parece que sim, dona Helena. Isso não pode continuar. Vou arranjar um jeito. Helena combina um almoço com Ricardo. Filho, ela diz no restaurante Chique, preciso de falar sobre a sua reputação.
Que reputação? Andam a comentar que você está se envolvendo com uma funcionária. Ricardo fica tenso. Quem está a comentar? Todo mundo é um escândalo. Não é escândalo nenhum. Ricardo, você é bilionário. Não pode envolver-se com qualquer uma. A A Júlia não é uma qualquer, é uma empregada de limpeza sem estudo. É uma mulher extraordinária.
Extraordinária como ela te salvou de assaltantes, doou-lhe um rim? Salvou-me a alma. Helena R sarcástica. A sua alma? Que melodrama é este? Ela me tirou da depressão quando eu queria morrer. Qualquer psicólogo faria isso. Nenhum psicólogo faria com o amor que ela fez. Helena percebe que Ricardo está realmente envolvido.
Ricardo, essa mulher está a aproveitar-se de si. Como aparece na sua vida num momento de fragilidade, cuida de si, manipula-o emocionalmente. Ela não me manipulou, salvou-me com segundas intenções. Que segundas intenções? Ela nem sequer aceita dinheiro meu. Isso faz parte da estratégia dela. Ricardo fica irritado.
Você não conhece a Júlia? Conheço mulheres como ela, todas iguais. A Júlia é diferente. Nenhuma é diferente quando se trata de dinheiro. Ricardo levanta-se. Essa conversa terminou. Ricardo, não faça besteira. A sua reputação vale bilhões. A minha felicidade vale mais. Helena fica furiosa quando Ricardo sai. Ela decide agir por conta própria.
Na segunda-feira seguinte, Helena aparece no apartamento de Ricardo quando Júlia está trabalhando. “Deves ser a Júlia”, diz ela com voz falsa doce. “Sim, senhora. Posso ajudá-la em alguma coisa? Sou a Helena Albuquerque, amiga da família. Vim falar contigo.” Júlia fica nervosa. Sobre o quê? sobre o seu relacionamento com o Ricardo.
Não temos relacionamento. Sou apenas funcionária dele. Mentira. Toda a gente sabe que vocês estão envolvendo-se. Senhora, isto não é verdade. A Helena senta-se no sofá como se fosse dona da casa. Júlia, vou ser direta contigo. Quanto quer para sair da vida do Ricardo? Como assim? Dinheiro? Quanto precisa para desaparecer daqui? Júlia fica ofendida.
Eu não quero dinheiro. Todas querem. É só uma questão de preço. Eu não. R$ 100.000. Senhora, por favor, saía de casa. 200.000? Não vou vender a minha dignidade. Helena fica irritada. Escuta aqui, a tua pobretona. O Ricardo vale 2 mil milhões. Você acha mesmo que ele vai largar tudo por uma empregada de limpeza? A Júlia sente uma dor no peito.
Eu nunca lhe pedi nada, mas está a aproveitar-se da situação. Como? Fingindo ser boazinha para conquistar ele. Eu não fjo nada. Todas fingem. É por isso é que vou acabar com esta palhaçada. Como? A Helena sorri maldosamente. Você vai descobrir. Depois de Helena vai-se embora, Júlia fica abalada. Será que as pessoas acham mesmo que ela está aproveitando-se de Ricardo? À noite, o Ricardo chega a casa e encontra a Júlia cabisbaixa.
Que aconteceu? Está triste? Não é nada, Júlia. Eu conheço-te. Aconteceu alguma coisa? Uma senhora esteve aqui hoje. Que senhora? Helena Albuquerk. Ricardo fica tenso. O que é que ela queria? Ofereceu dinheiro para eu sair da tua vida. Ela fez o quê? disse que estou a me aproveitando-se do senhor. Ricardo fica furioso. Isso é mentira.
Mas será que as pessoas pensam isso mesmo? Não me importo com o que as pessoas pensam. Eu me importo. Não quero que pensem que sou interesseira. Quem te conhece sabe que não é. Nem toda a gente me conhece. Ricardo abraça Júlia carinhosamente. Júlia, és a mulher mais íntegra que eu conheço. Obrigada por dizer isso. É a verdade.
Ficam abraçados por um momento, sentindo a ligação entre eles. Senhor Ricardo, pode tratar-me só de Ricardo? Ricardo, tenho medo de quê? De estar a criar sentimentos que não posso ter. Porque não pode? Porque somos muito diferentes. No que interessa, somos iguais. No que importa, no coração, nos valores, na forma como vemos a vida.
A Júlia olha nos olhos dele. Acha mesmo isso? Tenho a certeza. E se não resultar? E se der, beijam-se pela primeira vez. É um beijo suave, cheio de sentimento. Júlia, não diz nada. Deixa-me só sentir este momento. Eles ficam abraçados em silêncio, sabendo que as suas vidas mudaram para sempre, mas a felicidade dura pouco.
A Helena estava a preparar um ataque devastador. Na manhã seguinte, ela liga para várias pessoas influentes da sociedade paulista. “Preciso de contar uma coisa chocante para vocês”, diz ela. “O Ricardo está a ser enganado por uma empregada doméstica.” “Como assim?”, pergunta Beatriz Mendonça. Ela está a manipular ele para conseguir dinheiro.
Que evidências tem? Ela apareceu na vida dele no momento de fragilidade e agora está completamente enfeitiçado. Mas isso não é prova de manipulação. É sim. Mulher pobre não se aproxima de homem rico sem segundas intenções. Em poucas horas o boato espalha-se. Ricardo Mendonça, um dos homens mais ricos do país, está a ser enganado por uma empregada de limpeza interesseira.
A notícia chega aos jornais através de colunistas sociais. O empresário Ricardo Mendonça pode estar a viver um romance perigoso com uma funcionária que trabalha na sua casa. Fontes próximas da família alertam que a mulher pode ter segundas intenções. Quando Ricardo vê a notícia no jornal, fica furioso. Marcos ele grita para o assistente.
Sim, quero que que processe todos os jornais que publicaram essa mentira. O Ricardo, talvez seja melhor não dar mais publicidade. Não me importo. Ninguém vai difamar a Júlia. Júlia vê a notícia na internet do telemóvel e fica devastada. Meu Deus, murmura ela. Agora o país inteiro vai pensar que sou interesseira. Quando chega ao trabalho, Ricardo a recebe à porta.
Júlia, viu as notícias? Vi. São todas mentiras, mas as pessoas vão acreditar. Não me importo com as pessoas. Eu preocupo-me. Não quero que o meu nome seja manchado. O seu nome não foi manchado. Eles não citaram o seu nome completo, mas toda a gente vai descobrir. Ricardo abraça-a com força. Júlia, não deixa que isso nos separe.
O Ricardo, talvez seja melhor eu sair. Não, não vou deixar você sair por causa de mexericos. As as pessoas vão dizer que enlouqueceu. Já falavam antes. Agora pelo menos tem um motivo. A Júlia sorri apesar da tristeza. Tem certeza do que está a fazer? Nunca tive tanta certeza na vida. E se a sua empresa for prejudicada? Empresa reconstrói-se.
O amor verdadeiro é raro. Nesse mesmo dia, Ricardo toma uma decisão drástica. Ele convoca uma conferência de imprensa. Meus amigos da imprensa, ele começa. Vim esclarecer as especulações sobre a minha vida pessoal. A sala está em silêncio total. Há três semanas, estava num estado depressivo grave depois de um trágico acidente.
Uma mulher extraordinária ajudou-me a sair dessa condição. Os jornalistas anotam tudo. Esta mulher é Júlia Santos, funcionária da minha casa há 8 meses. Não é interesseira, é a pessoa mais integral que conheço. Senr. Ricardo um repórter pergunta. O senhor confirma que está romanticamente envolvido com uma empregada doméstica? Confirmo que estou apaixonado por uma mulher extraordinária que acontece de trabalhar em minha casa.
Como reagiu a crítica de que ela possa ter segundas intenções? Quem conhece a Júlia sabe que ela é incapaz de ter segundas intenções. Ela nem sequer aceita dinheiro que ofereço. O senhor pretende casar com ela? Se ela aceitar, sim. A sala explode em sussurros. Ricardo Mendonça acabou de anunciar publicamente que quer casar com a empregada de limpeza.
Mais alguma questão, senhor Ricardo? O senhor não teme o juízo da sociedade? A sociedade que julga o verdadeiro amor não merece o meu respeito. A conferência de imprensa repercute em todo o país. Alguns apoiam a atitude de Ricardo, outros criticam duramente. Homem rico pode escolher qualquer mulher do mundo e escolhe criada.
Só pode estar doente. Que lindo. Amor verdadeiro não tem classe social. Ela conseguiu o que queria. Pescou o peixe grande, histórica de amor real. Brasileiro precisa de aprender que o dinheiro não é tudo. Júlia vê a repercussão e fica emocionada e aterrorizada ao mesmo tempo. Ricardo ela diz quando ele chega a casa. Não precisava de ter feito isso.
Precisava sim. Não ia deixar ninguém duvidar do meu amor por ti. E agora todos nos vão observar. Deixa observarem. Não temos nada a esconder. Ricardo, tem a certeza que quer enfrentar tudo isto por minha causa? Júlia, salvou-me a vida. É o mínimo que posso fazer. Mas a sua empresa, a minha empresa vai sobreviver.
O que importa é a nossa felicidade. E se eu não conseguir lidar com toda esta pressão? Vamos lidar juntos. Ricardo ajoelha-se à frente de Júlia. Júlia Santos, você aceitas casar comigo? A Júlia começa a chorar. Ricardo, sei que é muito rápido, mas não quero perder mais tempo. Perdi anos da minha vida a ser vazio.
Com você sinto-me completo, mas não tenho nada para te oferecer. Tem o seu amor. É tudo que preciso. Ricardo, também te amo. Amo tanto que dói. Então casa comigo. Sim. Beijam-se e abraçam-se, sabendo que enfrentarão juntos qualquer tempestade. O casamento é marcado para dois meses depois. Ricardo faz questão de que seja uma cerimónia simples para não intimidar os humildes convidados de Júlia.
Quero que a sua família se sinta à vontade, diz ele. A minha família é só a tia Zilda, então vai ser tratada como rainha. Helena Albuquerque fica furiosa com o noivado. Ricardo enlouqueceu de vez. Ela queixa-se para as amigas, mas pelo menos parece ser boa pessoa, pondera uma amiga. Boa pessoa, ela é calculista, como você sabe? Mulher pobre é sempre, mas Helena está sozinha no preconceito.
Até as As amigas dela começam a ver que Júlia é genuína. Na festa de noivado, organizada por Ricardo, Júlia surpreende todos. Vestida de forma simples, mas com elegância, ela conversa com naturalidade com empresários e socialites. “Ela é educada”, comenta uma convidada e humilde. “Não se está a achar por estar noiva de bilionário.
Talvez o Ricardo tenha feito uma boa escolha.” Durante a festa, Júlia faz um discurso emocionante. Quero agradecer a todos os que vieram partilhar a nossa alegria. Sei que muitos têm dúvidas sobre o nosso relacionamento. A sala fica em silêncio. Eu compreendo. Somos de mundos muito diferentes, mas o verdadeiro amor não escolhe classe social.
As pessoas se emocionam. O Ricardo salvou-me da pobreza, mas eu salvei-o da tristeza. Nos completamos. Aplausos sinceros ecoam pelo salão. Prometo ser uma esposa digna dele e uma pessoa que honre a confiança que V. estão a depositar em nós. Até Helena fica tocada pelo discurso. A partir dessa noite, a opinião pública começa a mudar.
A Júlia conquista as pessoas com a sua simplicidade e sinceridade. Dois meses depois, numa cerimónia emocionante, Ricardo e Júlia casam-se. Está linda num vestido simples, mas elegante. Ele, emocionado, mal consegue falar os votos. Júlia, diz ele com voz embargada, ensinaste-me que riqueza verdadeira não está no banco, está no coração. Júlia também se emociona.
Ricardo, mostraste-me que os sonhos podem realizar-se. Obrigada por me amar como sou. Beijam-se sob aplausos calorosos. Na lua-de-mel, numa praia paradisíaca, conversam sobre o futuro. Agora que somos casados, o Ricardo diz, quero realizar os teus sonhos. Que sonhos? A casa própria, a faculdade de enfermagem.
Ricardo, só de te ter já realizei o meu maior sonho. Que sonho? Ter uma verdadeira família. Você quer ter filhos? Júlia fica em silêncio durante um momento. Quero, mas tenho medo. Medo de quê? de amar e perder de novo. Júlia, não podemos viver com medo. O Pedrinho não gostaria disso. Você acha? Tenho certeza. Ele quer que seja feliz.
Como sabe? Porque é o que qualquer filho quer para a mãe. Seis meses depois, Júlia descobre que está grávida. Fica eufórica e aterrorizada ao mesmo tempo. Ricardo ela conta em lágrimas. Estou à espera de bebé. Ricardo apanha-a no colo e roda pela sala. Sério? Vamos ter um filho? Sim, mas estou com medo.
Por quê? E se acontecer alguma coisa? E se eu perder este bebé? Também não vai acontecer nada. Vamos ter o melhor acompanhamento médico do mundo. Promete que vai correr tudo bem? Prometo que vou fazer tudo para dar certo. Durante a gravidez, Ricardo mima Júlia como uma rainha. contrata os melhores médicos, nutricionistas, fisioterapeutas.
“Estás a exagerar”, ela reclama. “Não existe exagero quando se trata da a minha família. A sua família? Tu, eu e o nosso bebé, a minha família perfeita”. Meso numa madrugada chuvosa, nasce Pedro Ricardo Mendonça Santos, um menino saudável que chora com força e se agarra no dedo do pai. Olha ele. Ricardo chora.
É perfeito. É igual ao Pedrinho quando era bebé. Júlia sussurra emocionada. Acha que o Pedrinho aprova? Tenho a certeza. Ele enviou este anjo para nos fazer felizes. Dois anos depois, numa tarde de domingo, Ricardo observa Júlia a brincar com Pedro no jardim da mansão que compraram, uma casa mais pequena, mais acolhedor, onde ela se sente em casa.
Em que está a pensar? Ela pergunta. em como a vida pode mudar rapidamente para melhor, muito melhor. Há três anos eu era um homem vazio, rico só de dinheiro. E agora? Agora sou rico de verdade. Tenho família, amor, propósito. Que propósito? A fundação que criámos. Vamos ajudar muitas famílias. A Fundação Pedrinho, criada por Ricardo em homenagem ao filho de Júlia, já beneficiou centenas de crianças carenciadas com tratamento médico gratuito.
Pedrinho ficaria orgulhoso, diz a Júlia. Está orgulhoso, tenho a certeza. Como você sabe? Porque o sinto aqui? Ricardo põe a mão no coração. Ele trouxe-o para mim. Acha mesmo? Tenho a certeza. Os anjos existem. E você é a prova disso. Beijam-se enquanto Pedro brinca no jardim, alheio aos problemas do mundo, apenas ser feliz como toda a criança deveria ser.
Helena Albuquerque, que inicialmente se opôs ao relacionamento, é agora a avó coruja de Pedro. Preciso pedir desculpa, diz a Júlia numa visita. Por quê? por ter duvidado de si, por ter sido preconceituosa. Já perdoei há muito tempo. Você é uma mulher especial, Júlia. O Ricardo teve sorte em encontrar-te. Nós tivemos sorte em nos encontrar. É verdade.
Vocês se completam. 5 anos depois do casamento, Ricardo e Júlia renovam os votos numa cerimónia simples na igreja, onde ela sempre rezou quando era pobre. Por que quer renovar os votos? Ela pergunta. Porque quero reafirmar o meu amor por ti na igreja que testemunhou as suas lágrimas e as suas orações.
Lembra-se que eu rezava aqui? Lembro-me de tudo sobre ti. Do que mais se recorda? De como você cantava enquanto limpava a minha casa? De como cuidou de mim quando eu estava perdido? De como me ensinou que o amor verdadeiro existe. E eu lembro-me de como fingiu estar a dormir para me ouvir falar com o Pedrinho. Ricardo fica surpreendido.
Você sabia? Sempre soube, mas não me importei. Sabia que precisava de entender quem eu era e compreendi. Compreendi que eras o que eu procurava a vida inteira, mesmo sendo pobre, especialmente por ser pobre, você mostrou-me que a verdadeira riqueza não tem a ver com dinheiro. Que riqueza é essa? O amor, a família, o propósito, as coisas que não podem ser compradas.
E agora arrepende-se de alguma coisa? Só de uma. Do quê? De não me ter declarado antes. Perdi meses a fingir que era só amizade. Não perdeu nada. Tudo aconteceu no tempo certo. Como você sabe sempre o que dizer. O Pedrinho me ensina. Ele sussurra-me ao ouvido as palavras certas. Ele aprova o nosso casamento. Mais do que a prova.
Ele foi o cupido. Como assim? Foi ele que me guiou até si. No dia em que comecei a trabalhar em sua casa, rezei pedindo um sinal de que devia aceitar o emprego. Um menino igual a ele apareceu na rua a brincar de bola. Era o sinal. Ricardo fica emocionado. Nunca me contou isso. Era o meu segredo, mas agora pode saber. Mais algum segredo? Apenas um.
Qual? Estou novamente grávida. Ricardo fica em choque. Sério? Sério? O Pedro vai ter um irmãozinho ou uma irmãzinha? Não importa. O que importa é que a nossa família está a crescer. Júlia, eu amo-te mais do que tudo nesta vida. Eu também te amo para sempre. E viveram felizes para sempre, provando que o amor verdadeiro não conhece barreiras sociais, que um milionário pode encontrar a sua alma gémea numa empregada de limpeza e que, por vezes, fingir estar apagado pode ser a melhor forma de descobrir quem realmente se preocupa consigo. A
história de Ricardo e Júlia tornou-se símbolo de esperança para muita gente. Mostraram que o dinheiro não traz felicidade, mas amor sim, e que qualquer pessoa, não importa a sua origem, pode ser especial para alguém. Na Fundação Pedrinho, numa placa à entrada está escrito: “O verdadeiro amor não escolhe classe social, ele escolhe corações puros.
E todas as crianças lá atendidas crescem, sabendo que não importa de onde vem, mas para onde vão, e que o amor vence sempre o preconceito. Fim. Gostou dessa história? Então, curta o vídeo para apoiar o canal e partilhar com alguém especial. Conte-me nos comentários seu nome e de que lugar está a escutar. Obrigado pela companhia, um abraço e até a próxima. M.















