Milionário desconfia da Babá Pobre e instala cameras escondidas — e fica chocado com o que viu.

Júlia sobe os degraus da mansão Leone, segurando a sua bolsa surrada e o coração apertado. Aos 22 anos, tem cabelos castanhos, sempre apanhados num carrapito simples, roupas limpas, mas gastas e uma expressão doce que contrasta com a imponência da casa à sua frente. É o seu primeiro dia como pequeno babysitter Té Leone, de 4 anos, filho do milionário Marcelo Leão.
A mansão é um palácio de três andares no Morumbi, com jardins que parecem ter saído de uma revista, piscina olímpica e uma garagem que alberga cinco carros de luxo. A Júlia nunca pisou um lugar tão sofisticado. “Deve ser a nova babá.” Uma voz melodiosa ecoa pelo hall de entrada. Júlia vira-se e vê uma mulher deslumbrante descendo à escada de mármore.
Vanessa Leone, de 28 anos, tem cabelos loiros platinados, pele bronzeada, unhas perfeitas e usa um vestido que custa mais do que Júlia ganha em se meses. É a madrasta de Té, casada com Marcelo há do anos. Sim, senhora. Sou a Júlia. Que bom. Eu sou a Vanessa, a mãe do Té. Júlia hesita, sabe que A Vanessa é madrasta, não é mãe biológica.
A verdadeira mãe de Té morreu num acidente de carro quando tinha um ano. Prazer em conhecê-la. Espero que tenha lido as regras que enviamos por e-mail. Júlia confirma. A lista era extensa. Não dar doces à criança, não o deixar assistir televisão, não fazer barulho, não conversar sobre assuntos pessoais e, principalmente, não questionar as decisões da mãe.
Té uma criança especial. Vanessa continua com um sorriso que não chega aos olhos. Precisa de disciplina rígida. Espero que você entenda disso. Claro, minha senhora. Ótimo. Ele está no quarto dele. Segundo andar, terceira porta. A Júlia sobe as escadas, o coração a bater forte. Quando abre a porta do quarto, encontra uma cena que parte a sua alma.
No meio de um quarto gigantesco, cheio de brinquedos caros ainda nas embalagens, um menino pequeno está sentado numa cadeirinha de castigo de costas para a porta. Té cabelos escuros, encaracolados, olhos castanhos enormes, cheios de tristeza. E está vestido com roupas impecáveis que parecem desconfortáveis. Olá, Té. Eu sou a tia Júlia.
O menino vira a cabeça lentamente, como se tivesse medo de se mexer. Oi! Sussurra numa vozinha frágil. Por que razão está na cadeirinha? Porque fiz uma coisa errada. Que coisa errada? Té baixa a cabeça. Deixei cair sumo na mesa do café. A Júlia fica chocada. Uma criança de 4 anos castigada por derramar sumo.
Há quanto tempo está aqui? Desde o pequeno-almoço. Júlia, olha para o relógio. São 7:15. Se o café foi às 6, o menino está há mais de uma hora imóvel numa cadeira. Pode sair da cadeira auto agora? Não posso. Mamãe A Vanessa disse que é até ao meio-dia. Meio-dia. Júlia sente a raiva subir pelo peito.
Isto é muito tempo para um menino da sua idade. Eu mereci. Té diz como se tivesse decorado a frase. A Júlia se ajoelha-se à frente dele. Té, não se merece ficar tanto tempo castigado por um acidente. A mamã Vanessa disse que não foi acidente. Disse que fiz de propósito para chamar a atenção. O coração de Júlia se aperta.
Como é que uma criança tão pequena pode ser culpada por algo tão natural. E onde está o seu papá? Papa viajou. Volta apenas domingo, quinta-feira. Marcelo viajou na segunda-feira e só regressa no fim de semana. Té sozinho com Vanessa há três dias. Gosta da mamã Vanessa? Té olha ao redor como se tivesse medo de alguém estar a escutar.
Tenho de gostar, sussurra. Por quê? Porque o papa disse que ela é a minha mãe agora. Mas pode me contar se ela é simpática contigo? Té fica em silêncio durante um longo momento. Ela é agradável quando o Papa está em casa. A resposta da T diz tudo. A Vanessa tem dois comportamentos, um à frente do marido e outro quando está a sós com o intiado.
Té, tens fome? Tenho, mas não posso sair da cadeira auto. Se eu perguntar a Vanessa se pode tomar um lanchinho, ela vai ficar zangada. disse que criança mal educada não merece comida. Júlia sente vontade de chorar. Como alguém pode negar comida a uma criança? Fica aqui um minutinho, vou falar com ela. Júlia desce e encontra Vanessa na sala mexendo no telemóvel.
Senhora Vanessa, o Té podes tomar um lanchinho? Vanessa levanta os olhos irritada. Ele comeu no pequeno-almoço, mas já são 7:30. Criança precisa de comer de três em 3 horas. Criança precisa de aprender que ações têm consequências, mas só entornou sumo. Júlia? Vanessa interrompe com voz cortante. Foi contratada para obedecer a ordens, não para as questionar.
Desculpe, minha senhora, só me preocupo com o bem-estar dele. Eu sei o que é melhor para o meu filho. Júlia regressa ao quarto frustrada. Como vai cuidar de Té se não pode nem sequer alimentá-lo adequadamente? Tia Júlia, a mamã Vanessa deixou. Ela disse que precisa de esperar mais um pouco.
T apenas abana a cabeça, habituado com negativas. Tia Júlia, posso fazer-te uma pergunta? Claro, o meu amor. Todas as mães são assim? A pergunta inocente parte o coração de Júlia. Como assim? Bravas o tempo todo, que não gostam de abraçar. A Júlia se ajoelha-se à altura dele. Não, o meu pequeno. As mães de verdade dão muito amor e carinho.
A minha mãe de verdade era assim. Té mal se lembra da mãe biológica, mas Júlia sabe que Carolina Leone era conhecida por ser carinhosa e amorosa. A tua mãe, de verdade, amava-te muito. Ela dava-te beijos, abraços e nunca ficava zangada por disparates. Eu queria que ela voltasse. Eu sei, o meu amor. Às 10h, a Vanessa finalmente liberta Té da cadeirinha.
Pode sair para tomar o pequeno-almoço. Mas quando eles chegam à cozinha, Vanessa coloca apenas uma fatia de pão seco no seu prato. Só isso? pergunta a Júlia. Criança que se porta mal não merece café completo. Júlia observa Té a comer o pão seco sem reclamar. É como se ele estivesse habituado com essa punição. “Posso beber água?”, pergunta Té timidamente.
“Pode.” A Vanessa responde como se fosse um grande favor. Depois do café, Vanessa sai para o salão de beleza. Júlia, cuide bem dele. E lembra-te, se ele fizer qualquer coisa errada, coloca na cadeira de castigo. Que tipo de coisa errada? Qualquer coisa. Derramar algo, fazer barulho, chorar, perguntar demais.
Júlia fica chocada com a lista. São tudo coisas normais para uma criança de 4 anos. Ah, se ele tiver sede ou fome. O horário de almoço é ao meio-dia, não antes. Vanessa sai e Júlia fica finalmente sozinha com Té. E aí, campeão? O que gosta de fazer? Té olha confuso. Como assim? Brincadeiras. Do que você gosta de brincar? Não sei.
Não posso brincar. Como não pode? Mamãe Vanessa disse que um brinquedo faz barulho e criança bem educada fica quieta. Júlia olha para os brinquedos caros espalhados pelo quarto, todos entocados. E se a gente brincasse baixinho? Os olhos de Té iluminam pela primeira vez. Pode? Claro que pode.
A Júlia pega num carrinho e mostra a Té. Vamos fazer uma corridinha. Té pega no carrinho com cuidado, como se fosse algo mágico. Vrum. Fá-lo baixinho, empurrando o carrinho. Muito bom. E este urso aqui, como é que ele se chama? Não tem nome. Por que não lhe damos um nome? Pode dar nome nos brinquedos? A Júlia percebe que o T nunca teve liberdade para ser criança.
Claro que TX bolinha. Té ri. Bolinha é nome engraçado. É a primeira vez que Júlia ouve o riso dele. É um som doce e puro. Tia Júlia, pode ensinar-me a ler? Quer aprender? Quero sim, mas A mamã Vanessa disse que não preciso estudar ainda. Claro que precisa, está muito inteligente. Júlia passa a manhã inteira ensinando T as letras do alfabeto.
Ele é inteligente e aprende rapidamente. Olha, Té, estas letras aqui formam o teu nome. T H E O. A sério? Posso escrever? Vamos treinar. Quando é meio-dia, Vanessa regressa do salão. Como ele se comportou? Muito bem. É um menino educado. Vanessa estranha. Geralmente Té faz alguma coisa de mal durante a manhã. Té, o que fizeste hoje? Brinquei com a tia Júlia. Té responde entusiasmado.
O rosto da Vanessa muda. Brinquei como? Com carrinho e urso e aprendi a escrever o meu nome. Vanessa olha para Júlia, zangada. Posso falar contigo? No escritório, Vanessa confronta Júlia. Eu não autorizei brincadeiras nem lições. Desculpe, minha senhora. Pensei que seria bom para o desenvolvimento do mesmo. Té não precisa de se desenvolver para além do necessário, precisa de aprender disciplina.
Mas ele é apenas uma criança. Exatamente. Por isso, precisa de limites rígidos. Júlia não compreende a lógica de Vanessa, mas não discute. Durante o almoço, A Vanessa coloca uma pequena porção de comida no prato de Té. Só isso? Ele não precisa de muito. Criança gorda torna-se adulto preguiçoso.
A Júlia olha para Té, que está visivelmente abaixo do peso para a idade. À tarde, enquanto a Vanessa vê televisão, Júlia brinca baixinho com Té no quarto. Tia Júlia, posso-te contar um segredo? Claro, meu amor. Às vezes sonho com a minha mãe de verdade, como ela é no seu sonho, bonita e carinhosa. Ela dá-me beijinho e canta músicas.
Deve ser muito saboroso este sonho. Pois, mas quando acordo fico triste. Por quê? Porque lembro-me que ela não vai voltar. Júlia abraça Té com força. Sua mãe pode não estar aqui, mas o seu amor por si continua no seu coração. Como assim? Cada vez que sentir amor, é a sua mãe a cuidar de si lá do céu. E você? Você ama-me? A pergunta apanha Júlia desprevenida. Adoro sim, o meu pequeno.
Então, a minha mãe mandou-o para cuidar de mim. Júlia sente os olhos marejarem. Pode ser que sim. Durante o resto da semana, Júlia observa mais pormenores preocupantes. Vanessa nunca abraça Té, nunca o elogia, encontra sempre defeitos em tudo o que ele faz. Té, comeu como porco. Vanessa queixa-se quando o menino derruba uma colherada de alimento. Desculpa, mamã.
Desculpa, não limpa a mesa, Júlia. Põe-no no castigo. Mas foi apenas um acidente. Castigo. Agora Júlia sente-se mal colocando o Té na cadeirinha por algo tão mínimo. Na sexta-feira, Vanessa sai para almoçar com as amigas. Júlia, ele almoça às meiodia em ponto. Não antes, não depois.
Quando Vanessa sai, Júlia decide quebrar algumas regras. Ela prepara um almoço saboroso para o T. Massa com molho, frango grelhado e sumo de laranja. Ui, quanta comida. Té exclama. Está a crescer, precisa comer bem. Mas e se a mamã Vanessa souber? Não vai saber. É o nosso segredo. Té come com vontade pela primeira vez na semana.
Júlia sente alegria ao vê-lo finalmente alimentar-se adequadamente. À tarde, brincam no jardim escondidos. Tia Júlia, posso correr? Claro, corre à vontade. Té corre pelo jardim rindo, agindo finalmente como criança da sua idade. Olha, tia Júlia, consegui apanhar a borboleta. Muito bem. Agora solta-a para ela voltar para a família.
Igual eu quero voltar a minha mãe. A inocência da pergunta emociona Júlia. A sua mãe está sempre com tu, meu amor, no teu coração. No domingo à noite, Marcelo Leone regressa da viagem. É um homem de 35 anos, alto, cabelo escuro, bem vestido, mas com expressão sempre cansada. Ele trabalha tanto que mal conhece o seu próprio filho. Olá, papá. Té para o abraçar.
Oi, pequeno. Como estava? Bom, a tia A Júlia é simpática. Marcelo olha para Júlia. Obrigado por cuidar dele. Foi um prazer, senor Marcelo. Como foi, amor? Vanessa abraça o marido. Senti a sua falta. Também senti a sua. E o Té portou-se bem? Mais ou menos. Houve alguns episódios de teimosia, mas a Júlia ajudou com a disciplina.
Júlia fica chocada com a mentira de Vanessa, mas não pode contestar perante o patrão. Durante o jantar, Marcelo tenta falar com o filho. Té, o que é que fizeste de giro essa semana? Té olha para Vanessa antes de responder: “Nada de mais, papá.” Nada, nem brincou. Brinquei um bocadinho. Que bom. E estudou alguma coisa? A tia Júlia ensinou-me umas letras. O Marcelo sorri.
Isso é ótimo. Já está na idade dos começar a ler. A Vanessa interfere rapidamente. Acho que ainda é cedo. Ele precisa de se focar em comportamento primeiro. Comportamento. O Té ainda é muito imaturo. Faz birra, derruba coisas, não obedece. Marcelo olha para o filho. É verdade isso? Té baixa a cabeça.
Às vezes erro, papá. Errar é normal, filho. Você está aprendendo. A Vanessa não gosta da resposta. Marcelo, uma criança precisa aprender consequências desde cedo. Concordo, mas dentro da medida. Cada família educa de uma forma. Marcelo decide não discutir à frente de Té e de Júlia. Na segunda-feira, Marcelo volta a trabalhar e a rotina opressiva recomeça.
Júlia, Vanessa chama. Quero deixar algumas coisas claras. Sim, senhora. Vi que andas muito próxima do Té. Isso não é bom. Como assim? Ama não é amiga de criança, é funcionária, mantém a distância profissional, mas cuidar com carinho faz parte do trabalho. Cuidar não significa mimar. Té precisa de firmeza, e não de carinho excessivo.
Júlia não compreende como alguém pode achar que afeto é prejudicial para uma criança. E outra coisa, nada de comida extra, nada de brincadeiras barulhentas, nada de ensinar coisas que não autorizei. Sim, senhora. Mas, por dentro, Júlia decide que vai proteger Té dentro das possibilidades. Durante essa segunda semana, Júlia apercebe-se de sinais ainda mais preocupantes.
A Vanessa nunca demonstra afeto físico por Té. Nunca o beija, nunca o abraça, mal lhe toca. Té, vem aqui. Vanessa chama friamente. Quando o menino se aproxima, ela apenas ajusta a roupa dele sem carinho. A sua camisa está torta, aprende a vestir-se corretamente. Desculpa, mamã. Desculpa, não resolve. Da próxima vez capricha mais.
Júlia observa que Té nunca recebe elogios, nunca ouve eu amo-te, nunca ganha um abraço espontâneo. Na quarta-feira acontece algo que marca Júlia profundamente. Té tropeça na escada e rala o joelho. Chora de dor e vai correndo para Vanessa. Mamã, me magoei. E daí? Não foi nada de mais. Deixa-te de dramas. Mas está a doer.
Dor passa, chorão não. Té continua a chorar e Vanessa fica irritada. Deixa de chorar agora ou vai para o castigo. Mas mamã, castigo. A Júlia não aguenta mais. Senhora Vanessa, deixa-me cuidar do hematoma dele. Não precisa. Ele tem de aprender que a vida dói. Mas ele é apenas uma criança. Por isso mesmo que tem de aprender cedo.
Júlia observa Té sendo colocado na cadeira de castigo enquanto chora de dor e de tristeza. É uma cena desumana. Quando Vanessa sai, Júlia corre para consolar Té. Vem cá, meu amor. A Tia Júlia cuida do seu joelho. Ela limpa o hematoma com carinho e coloca um bandade colorido. Pronto, agora dói menos. Dói sim, mas fizeste carinho.
A mamã Vanessa nunca faz carinho. Eu vou sempre fazer carinho em você. Promete? Prometo. Na quinta-feira, O Marcelo chega a casa mais cedo e encontra Té na cadeira de castigo. O que aconteceu? Té desobedeceu. Vanessa explica. Estava a correr dentro de casa. E colocou-o de castigo por isso? Claro. Criança tem de aprender regras. Marcelo olha para o filho que está cabisbaixo na cadeirinha há 2 horas.
Té, estava mesmo a correr? Estava, papá, mas era só até à cozinha. Por que estava a correr? Para pedir água para o tia Júlia. Marcelo franze o sobrolho. Ele tinha sede e foi pedir água. Porque isso é errado? Porque eu disse-lhe esperar pela hora do lanche. Vanessa responde: “Vanessa, uma criança não pode ficar com sede.” Pode, sim.
Aprende disciplina. Marcelo fica incomodado, mas não discute à frente do filho. À noite, ele conversa com Vanessa em privado. Amor, não achas que estás a ser muito rígida com o Té? Estou a educá-lo direitinho. Mais duas horas de castigo por pedir água. Marcelo, trabalha o dia todo e não vê como ele é teimoso.
Teimoso como? Faz birra por tudo, não obedece, quer sempre as coisas à maneira dele. Isto é normal para a idade. É por isso que precisa de ser corrigido agora. Marcelo não fica convencido, mas Vanessa é convincente. Querido, confia em mim. Sou mãe há dois anos. Sei o que é melhor. Na sexta-feira, Júlia presencia a cena mais chocante até agora.
Té acorda com pesadelos durante a noite e vai até ao quarto de Vanessa, procurando conforto. Mamã, tive um sonho mau. Volta para o seu quarto, mas estou com medo. O medo é frescura. Vai dormir. Posso ficar aqui só um bocadinho? Não. E deixa de ser chorão. Té volta para o quarto a chorar baixinho.
Júlia, que dormia no quarto ao lado, ouve tudo e vai consolá-lo. O que foi, meu amor? Sonhei que uns monstros queriam apanhar-me. Fica calmo, não há aqui nenhum monstro. A Tia Júlia te protege. Ficas comigo até eu dormir? Fico sim. Júlia fica ao lado da cama de Té até ele adormecer tranquilamente. No sábado, Marcelo decide passar o dia em casa com a família.
Té, que tal brincarmos juntos? Pode, papá. Claro, somos pai e filho. Marcelo brinca com Té no jardim enquanto Vanessa observa irritada. Ela não gosta quando o pai e filho ficam próximos. Marcelo, não deixa ele ficar muito agitado. Ela interfere. Ele está só a brincar, amor. Mas depois torna-se difícil de controlar.
Durante o almoço, Marcelo repara que Té come muito pouco. Filho, come mais um bocadinho. Não consigo, papá. Por que não? Té olha para Vanessa com medo, barriga cheia. Mas Marcelo vê que a dose é pequena demasiado para uma criança. Vanessa, você pode colocar mais comida no prato dele? Come adequadamente para a idade, mas está magro, está saudável.
Criança gorda é problema futuro. Marcelo fica inquieto. O filho está realmente mais magro do que se lembra. No domingo, Marcelo tem de viajar de novo. Mais uma semana de trabalho intenso. Papá, você vai embora outra vez? Infelizmente sim. Mas volto na sexta-feira. Posso ir junto? Não pode, filho. É uma viagem de trabalho.
Então fica mais um dia. Marcelo sente culpa, mas os negócios não podem esperar. Na próxima vez fico mais tempo, prometo. Depois de Marcelo sair, Vanessa fica ainda mais rígida com Té. Agora sou só eu e tu outra vez ela diz com um sorriso frio. Posso brincar no jardim depois do almoço, se se portar bem. Mas o se comportar de Vanessa é quase impossível de atingir.
Durante o almoço, Té derruba uma colher no chão. Pronto, perdeu o jardim, Vanessa anuncia, mas foi sem querer. Não me interessa. Aprende a ter mais cuidado. Júlia fica revoltada, mas não pode contestar. Na segunda-feira desta terceira semana, Marcelo liga para casa durante o dia. Olá, Júlia, como está o Té? Está bem, senhor Marcelo. Posso falar com ele? Claro.
A Júlia chama Té que fica feliz ao ouvir a voz do pai. Olá, papá. Olá, campeão. Como está? Bem. O que fizeste hoje? Té olha para Vanessa, que estava a ouvir. Nada demais, papá. Nada. Nem brincou. Um pouquinho. Marcelo percebe que o filho está a responder com medo. Té, estás bem mesmo? Estou, papá. Tem a certeza? Tenho.
Mas o tom de voz de Té não convence. Marcelo, posso falar com Vanessa? Claro. Vanessa pega no telefone. Olá, amor. Como está a correr a viagem? Bem. Como está? Normal. Um pouco teimoso, mas nada demais. Ele pareceu meio estranho no telefone. Estranho como? Demasiado quieto, meio ressabiado. Ah, deve ser porque ele fez asneira hoje de manhã. estava meio envergonhado.
O que fez? Atirou o brinquedo para o chão de propósito. Tive de dar umas broncas. Marcelo não fica convencido, mas não não pode fazer nada à distância. Na terça-feira, Júlia toma uma decisão difícil. Ela precisa de proteger Té, mesmo que isso ponha em risco o seu emprego. Quando Vanessa sai para o ginásio, Júlia abraça Té com força.
Meu amor, sabes que a tia Júlia gosta muito de ti, certo? Sei que sim. E sabe que pode sempre contar comigo? Posso? Sempre. Se alguém for mau com tu, tu conta-me, tá? Tá. E se você estiver triste, conta-me também. Está bom. Júlia decide quebrar mais regras. Ela prepara um lanche nutritivo para o Té e brincam livremente no jardim.
Tia Júlia, porque é que é tão boa comigo? Porque merece ser amado. E a mamã Vanessa, ela ama-me? A questão é difícil de responder. Cada pessoa demonstra amor de uma forma diferente. Ela nunca me abraça. Eu sei, meu amor, nem fala que me ama. Mas eu falo, eu te amo muito. Eu também te amo, tia Júlia. Na quarta-feira acontece algo que muda tudo.
Té a brincar no quarto quando Vanessa aparece à porta. O que você está a fazer? Brincar com carrinho. Que barulho é este do carrinho, mamã? Quantas vezes preciso de dizer que não pode fazer barulho, mas estou a brincar baixinho. Baixinho não existe. Ou faz barulho ou não o faz. A Vanessa pega no carrinho das mãos da Té. Esse brinquedo fica confiscado.
Por quê? Porque você não sabe usá-lo corretamente. Té começa a chorar. Mas mamã, eu estava a brincar certinho. Pára de chorar agora. Não consigo parar. Vanessa fica furiosa. Quer motivo para chorar a sério? Ela levanta a mão como se fosse bater no T. Senhora Vanessa. A Júlia interfere correndo. Não precisa disso. Vanessa para com a mão no ar, mas está claramente fora de controlo.
Sai do caminho, Júlia, por favor. Ele é apenas uma criança. Criança mal educada que precisa aprender. Ele não fez nada de mais. Fez sim. e vai aprender a não voltar a fazer. Júlia coloca-se à frente de Té. Senora Vanessa, bater numa criança é crime. Como atreve-se a ameaçar-me? Não estou ameaçando, estou a proteger.
Vanessa fica vermelha de raiva. Você foi longe demais. Está despedida. A Senora Vanessa, pega nas suas coisas e sai da minha casa, agora. Té agarra-se na perna de Júlia, chorando desesperado. Tia Júlia, não vá embora. Té, solta ela. Vanessa ordena. Não quero que ela vá. Não é você que decide. A Júlia se ajoelha-se e abraça Té.
O meu amor, a tia A Júlia precisa de ir embora. Por quê? Porque a mamã Vanessa não quer que eu fique, mas eu quero. Eu sei, meu pequeno. Eu também queria ficar. Vanessa apanha Té pelo braço, separando-o de Júlia. Chega de drama. Júlia, sai da minha casa antes que eu chame a segurança. Júlia pega nas suas poucas coisas e sai da mansão com o coração despedaçado.
Pela última vez, olha para o Té, que está a chorar na janela. Nessa noite, Marcelo liga para casa, como sempre. Olá, amor. Como foi o dia? Terrível, Marcelo. Tive que despedir a ama. Despedir porquê? Ela estava sendo inadequada com a Té. Como assim inadequada? Mimando demais, questionando as minhas decisões, interferindo na educação dele.
Mas hoje de manhã tudo estava normal. É que não viu o que eu vi. Ela estava a criar uma relação doentia com ele. Doentia como? Fazendo ele depender emocionalmente dela. Isso não é saudável. Marcelo fica preocupado. E como está o Té? obviamente chateado. Pai vai passar. Criança habitua-se rápido. Posso falar com ele? Ele já está a dormir tão cedo.
Estava muito cansado depois do drama de hoje. Marcelo desliga inquieto. Algo não está a bater certo. Na manhã seguinte, liga cedo para falar com Té. Olá, Vanessa, posso falar com o Té? Ele ainda está a dormir. Às 9 da manhã, teve uma noite agitada. agitada como chorando pela ama, disse que ia contratar outra hoje. Já? Quanto mais rápido, melhor.
Té precisa de rotina. À tarde, Marcelo volta a ligar. E aí, conseguiste Babanova? Consegui, dona A Marta, uma senhora experiente, já está trabalhando. E o Té? Como está a reagir? Melhor. A Dona Marta sabe lidar com criança mimada. Mimada? A Júlia estragou ele. Mas a dona Marta vai arranjar. Marcelo está cada vez mais inquieto.
Resolve voltar para casa na quinta-feira, um dia mais cedo do que o planeado. Amor, vou chegar quinta-feira à noite. Quinta-feira? Pensei que só na sexta-feira. Consegui adiantar as reuniões. Quero ver como está o Té. Ele está bem, Marcelo. Não precisa de se preocupar. Mesmo assim, Quero chegar mais cedo.
Quinta-feira à noite, Marcelo chega a casa e encontra dona Marta, uma mulher de 60 anos. severa que trata Té como um soldadinho. Boa noite, senor Marcelo. Boa noite. Como se está a adaptar? Bem, o menino preciso de disciplina, mas estou ajustando. Ajustando como? Horários rígidos, regras claras. Criança precisa saber quem manda.
Marcelo vai ver Té que está no quarto demasiado sossegado. Oi, filho. Como está? Olá, papá. O menino não corre para o abraçar como sempre o fazia. Porque é que não veio me receber? A Dona Marta disse para ficar no quarto. Por quê? Porque uma criança não fica correndo pela casa. Marcelo franze a testa. Mas corres sempre para me abraçar quando chego.
Agora não posso mais. Quem disse isso? Dona Marta e mamã Vanessa. Marcelo olha para o filho e repara em algo estranho. Té mais magro com olheiras claramente tristes. Filho, tu está bem? Estou. Tem a certeza? Té? Olha para a porta como se tivesse medo de alguém estar a ouvir. Estou, papá. Mas Marcelo vê que o filho não está bem.
Durante o jantar, Marcelo observa Té comer pouco e estar em silêncio. Té, conta ao papá o que fizeste hoje. Estudei com a dona Marta. Que giro. O que estudou? A estar quieto e a obedecer. A resposta deixa Marcelo incomodado. Só isso? A Dona Marta disse que é o mais importante. A Vanessa interfere rapidamente.
Té precisa de aprender disciplina antes de outras coisas. Mas ele é apenas uma criança. Por isso mesmo que precisa de aprender cedo. Naquela noite, Marcelo ouve Té a chorar no quarto. Ele vai verificar e encontra o filho sozinho, abraçado ao ursinho. Té, que foi? Nada, papá. Por que razão está a chorar? Estou com saudades.
Saudades de quê? Da tia Júlia. O coração de Marcelo se aperta. Gostava muito dela? Gostava. Ela dava-me abraço e dizia que amava-me. E a dona Marta? Ela não é legal. Ela é séria. Não sorri nunca. E a mamã Vanessa? Té fica em silêncio durante um longo momento. Papá, posso fazer-te uma pergunta? Claro, filho. Por que a mamã Vanessa não gosta de mim? A pergunta choca, Marcelo.
Como assim não gosta? Claro que ela gosta. Ela nunca me abraça, nem diz que me ama. Cada pessoa demonstra amor de uma forma. A tia Júlia demonstrava abraçando e sendo carinhosa. Marcelo fica pensativo. O filho está certo. A Vanessa realmente nunca demonstra afeto físico por Té. Filho, queres que a tia Júlia regresse? Os olhos de T se iluminam.
Quer dizer que ela pode voltar? Talvez vá falar com a mamã Vanessa. Sério? Você vai trazê-la de volta? Vou tentar. Té abraça o pai pela primeira vez na semana. Obrigado, papá. Eu adoro a tia Júlia. Na manhã seguinte, Marcelo confronta Vanessa. Amor, o Té está muito triste, sem a Júlia. Vai passar. Criança habitua-se, mas ele está claramente deprimido. Está bem.
Só precisa de se habituar à disciplina. Vanessa, que tal chamar a Júlia de volta? O rosto de Vanessa muda completamente. De maneira nenhuma. Por quê? Porque ela era inadequada. Já expliquei isso. Mas o Té estava contente com ela. Feliz demais. Isso não é bom. Marcelo não compreende como a felicidade pode não ser boa.
Criança muito feliz fica mal educada. Isto não faz sentido. Faz sim. É pai há pouco tempo, não compreende de educação pré-escolar. Marcelo fica frustrado. Vanessa, quero contratar a Júlia de volta. Se a trouxer de volta, saio de casa. A ameaça apanha Marcelo de surpresa. Como assim? Não vou viver numa casa onde não sou respeitada. Ninguém o está a desrespeitar.
está sim questionando as minhas decisões sobre educação do meu filho. O nosso filho. Eu cuido dele todos os dias. Só vê nos fins de semana. Marcelo está dividido. Não quer perder a mulher, mas também não quer ver o filho sofrer. Está bom, mas Quero que seja mais carinhosa com ele. Sou carinhosa na medida certa. Vanessa, quando foi a última vez que abraçou o Té? Abraço quando ele merece.
Criança precisa de carinho incondicional. Carinho a mais estraga. Marcelo percebe que tem visões muito diferentes de Vanessa sobre a educação dos filhos. No fim de semana, ele observa mais atentamente a interação entre a Vanessa e a Té. Durante o almoço de sábado, Té derruba um pouco de arroz. Té, quantas vezes preciso falar para ter cuidado? Desculpa, mamã.
Desculpa, não limpa a mesa. Dona Marta, coloca-o de castigo. Mas foi apenas um acidente. Marcelo interfere. Acidente que se repete e se transforma em descuido. Vanessa, ele é apenas uma criança. Por isso mesmo que precisa de aprender. Marcelo fica observando o filho a ser colocado numa cadeira de castigo por algo tão mínimo.
Por quanto tempo é que ele fica assim? Até aprender a não repetir o erro. Quanto tempo é? Uma hora. Uma hora por deitar arroz é o que precisa para aprender. Marcelo começa a questionar seriamente os métodos da Vanessa. No domingo, decide testar algo. Propõe um passeio em família no centro comercial. Té, quer ir ao shopping? Posso, papá? Claro. Vamos os três. No shopping.
Marcelo observa que Té anda sempre atrás, nunca ao lado de Vanessa. Quando ele tenta pegar-lhe na mão, ela retira-a. Não fica a agarrar-se a mim, ela diz com irritação. Vanessa, ele é só carinhoso. Carinhoso demais. Criança pegajosa torna-se adulto dependente. Na praça de alimentação, Té pede um gelado. Pode, papá. Claro.
Qual o sabor quer? Chocolate. Mas a Vanessa interfere. Nada de gelado. Criança não precisa de doce. Oh, Vanessa, é só um gelado. O doce estraga o apetite e o dente. Um gelado de vez em quando não faz mal. Faz sim. Criança tem de comer só o que é saudável. Marcelo vê a desilusão no rosto de Té, mas cede à pressão da esposa.
No final do passeio, no carro, Té faz uma pergunta inocente. O papá, por todas as outras crianças ganharam gelado menos eu? A pergunta simples parte o coração de Marcelo. Ele percebe que está a privar o filho de pequenas alegrias da infância. Naquela noite, enquanto Vanessa toma banho, Marcelo conversa com Té. Filho, és feliz? Como assim, papá? Você está contente com a sua vida? Té pensa por um momento.
Era mais feliz quando a tia Júlia estava aqui. Por quê? Porque ela brincava comigo, dava-me abraço, dizia que me amava. E agora? Agora ninguém diz que ama-me. A constatação de Té devastadora. Marcelo percebe que o filho está a viver numa casa sem amor demonstrado. Té, o papá ama-te muito. Eu sei, papá, mas não está sempre aqui.
E a mamã Vanessa, Té fica em silêncio. Filho responde o papá. A mamã Vanessa ama-te. Não sei, papá. Como não sabe? Ela nunca fala e zanga-se comigo sempre. Brava porquê? Por tudo. Por derramar comida, por fazer barulho, por chorar. Marcelo está a começar a ver um padrão preocupante. Té, tens medo da mamã Vanessa? A pergunta fica no ar durante um longo momento. Às vezes, a Té sussurra.
Medo de quê? De a fazer ficar mais zangada. O que acontece quando ela fica zangada? Castigo longo e ela diz que sou mau educado. Marcelo sente que está descobrindo a ponta de um icebergue muito maior. Na segunda-feira, antes de viajar novamente, Marcelo toma uma decisão. Vai instalar câmaras discretas na casa para monitorizar o que acontece quando ele não está.
Ele contrata uma empresa especializada que instala microcâmaras nas principais divisões: sala, cozinha, quarto de té e corredores. Senhor Marcelo, explica o técnico. As câmaras gravam tudo e o senhor pode aceder pelo aplicativo do telemóvel. Ninguém vai dar por isso. São microscópicas. Impossível de notar. Ótimo. Marcelo não conta a Vanessa sobre as câmaras.
Quer ver a verdade sobre o que acontece com Té na sua ausência? Na terça-feira, já em viagem de trabalho, Marcelo acede as câmaras pelo telemóvel pela primeira vez. São 9 da manhã. Ele vê Vanessa na cozinha a preparar café da manhã. Té aparece de pijama, a esfregar os olhos. Bom dia, mamã.
A Vanessa nem olha para ele. Atrasado. Café foi às 8. Desculpa, mamã. Estava cansado. Cansado é desculpa de preguiçoso. Marcelo fica incomodado com a frieza de Vanessa. Ela fala com Té como se ele fosse um inconveniente. Posso tomar café? Pode, mas pouco. Quem se atrasa não merece café completo. A Vanessa coloca apenas uma fatia de pão seco no prato de Té.
Só isso? Só isso. Da próxima vez acorda no horário. Marcelo fica chocado ao ver o filho tomar um pequeno-almoço que mal alimenta uma criança em crescimento. Durante o dia, continua a observar pelas câmaras. Vê a Dona Marta a colocar Té para fazer exercícios repetitivos de escrita durante duas horas seguidas.
Dona Marta, a minha mão está cansada. Mão cansada é falta de treino. Continua. Mas posso descansar um bocadinho? Descansa quando terminar. Marcelo vê o filho a lutar com um lápis, a mãozinha a tremer de esforço. À tarde, observa a Vanessa que chegavam do salão de beleza. Como foi o dia? Ela pergunta à dona Marta.
Normal. O menino queixou-se um pouco dos exercícios, mas fi-lo terminar. Reclamou porquê? Disse que lhe doía a mão. Dor é frescura. Fê-lo terminar tudo? Fiz. Sim. e coloquei de castigo quando ele chorou. Perfeito. Criança chorona precisa de aprender. Marcelo não acredita no que está a ouvir.
Elas estão a tratar choro de cansaço como se fosse birra. Na hora de almoço, observa a Vanessa colocando uma porção minúscula no prato de té. Mamã, posso comer mais um pouquinho? Não. Criança gulosa torna-se adulto gordo. Mas estou com fome. Fome passa, gordura fica. Marcelo fica revoltado, vendo que estão a subnutrir o filho deliberadamente.
À noite acede às câmaras do quarto de Té na hora de dormir. Boa noite, Té, dona Marta diz sec. Boa noite, posso deixar a luz do corredor acesa? Não. Criança corajosa, dorme no escuro. Mas tenho medo. O medo é frescura. Dona Marta apaga todas as luzes e sai deixando Té sozinho no escuro.
Pelas câmaras com visão noturno, Marcelo vê o filho a chorar baixinho, agarrado ao ursinho. Mamãe de verdade. Té sussurra no escuro. Me ajuda. Estou com medo. A cena parte o coração de Marcelo. O filho está a pedir ajuda a uma mãe que já não pode ouvir. Na quarta-feira, Marcelo presencia algo ainda pior. Té está brincar sozinho no quarto quando deixa cair um copo de água.
Ai não ele diz tentando limpar com as mãos pequenas. Vanessa aparece à porta. O que foi este barulho? Desculpa, mamã. Derrubei água sem querer. Sem querer outra vez? Foi acidente mesmo. Acidente não existe. Existe descuido. Vanessa apanha Té pelo braço com força. Vai aprender a ter cuidado.
Ela arrasta-o para a cadeirinha de castigo e amarra-o. Vai ficar aqui até eu decidir que aprendeu. Mas a mamã foi sem querer mesmo. Quieto. Criança que fala demais fica mais tempo castigada. Té fica em silêncio, mas Marcelo vê pelas câmaras que está tremendo. Vanessa sai e deixa Té amarrado à cadeirinha durante três horas seguidas.
Durante estas 3 horas, Marcelo vê o filho a tentar mexer-se, tentando chamar por alguém, mas sem resposta. Por favor, sussurra Telé, alguém me tira daqui. A cena é torturante. Marcelo está a ver o seu filho de 4 anos sendo tratado como prisioneiro. Às 5 da tarde, a dona Marta finalmente solta. Té aprendeu a lição? Aprendi. Té responde automaticamente.
Qual foi a lição? Ter mais cuidado. E se derrubar alguma coisa outra vez? Vou ficar mais tempo castigado. Isso mesmo. Marcelo está a ver uma sendo feita a lavagem cerebral no seu filho. Na quinta-feira presencia a cena mais chocante até agora. Té acorda durante a madrugada com pesadelos e vai até ao quarto de Vanessa.
Mamã, tive sonho mau. Volta para o seu quarto, mas estou com medo. Medo de quê? Sonhei que monstros queriam apanhar-me. Os monstros não existem. Deixa de ser bebé. Posso dormir aqui só hoje? Vanessa levanta-se irritada da cama. Quer saber? Você vai aprender a não incomodar. Ela apanha Té pelo braço e arrasta-o de volta para o quarto.
Deita-te aí e não saias até de manhã. Mas mamã, quieto. Vanessa tranca a porta do quarto por fora. Mamãe, mamã. Té bate à porta desesperado. Se continuar a fazer barulho, amanhã fica sem pequeno-almoço. Té para de bater e se encosta-se à porta chorando. Pelas câmaras. Marcelo vê o filho passar o resto da madrugada acordado com medo, fechado no próprio quarto.
É a gota d’água. Marcelo cancela todos os compromissos e regresso a casa imediatamente. Sexta-feira, 2as da tarde. Marcelo entra em casa silenciosamente. A Vanessa está no salão. A Dona Marta saiu para fazer compras e Té está sozinho no quarto. Marcelo sobe e encontra o filho na cadeira de castigo. Té? O papá, voltou? Marcelo corre e solta o filho da cadeira auto.
Por que razão estava amarrado? Porque deixei cair o lápis no chão. Deixou cair o lápis? Foi sem querer, mas a mamã Vanessa disse que foi descuido. Marcelo abraça o filho com força, sentindo como está magro. Filho, o papá está aqui agora. Você não vai mais viajar. Não te vou deixar sozinho nunca mais. Marcelo desce as escadas carregando Té.
A Vanessa está na sala a mexer no telemóvel. Marcelo, que surpresa! Não sabia que ia chegar hoje. Chegada surpresa mesmo. Como foi a viagem? Muito esclarecedora. Vanessa apercebe-se de algo diferente no tom de Marcelo. Que bom. O Té vai brincar no seu quarto. Na verdade, Marcelo interfere. O Té vai ficar aqui comigo.
Por quê? Porque quero falar com os dois. Vanessa fica tensa. Conversar sobre o quê? Marcelo pega no telemóvel e abre o aplicação das câmaras. Sobre isso. Na ecrã aparece a gravação de Vanessa trancando té no quarto durante a madrugada. O rosto de Vanessa fica branco. Marcelo, posso explicar? Pode explicar por trancou o meu filho no quarto durante a noite? Ele estava a ser teimoso.
Teimoso? Teve pesadelo e procurou conforto. Criança precisa aprender a ser independente. Independente? Ele tem quatro anos. Marcelo passa para outra gravação. Té ficando 3 horas amarrado à cadeirinha. Isso pode explicar isso? Ele derramou água. E achou que 3 horas de tortura era um castigo justo? Não foi tortura, foi educação. Educação? Marcelo mostra mais gravações.
Té a ser obrigado a comer porções mínimas, sendo negada água, sendo humilhado. Isto é educação, Vanessa. Té observa tudo em silêncio, não compreendendo completamente o que está a acontecer. Marcelo, não compreendes, criança mimada. Mimada? O meu filho está subnutrido, está magro. Está claramente deprimido. Está saudável.
está traumatizado. Marcelo mostra a última gravação. Vanessa a dizer à dona Marta que criança chorona precisa de aprender. Você estava a torturar o meu filho sistematicamente. Eu estava a educá-lo. Isto não é educação, isto é abuso infantil. A palavra abuso faz com que Vanessa fique desesperada. Marcelo, está exagerando? Estou.
Vou mostrar essas gravações para um psicólogo infantil e vamos ver se estou a exagerar. Você não pode fazer isso. Posso e vou. Té que escutou a palavra psicólogo, fica preocupado. Papá, eu fiz alguma coisa errada? Marcelo ajoelha-se na altura do filho. Não, meu amor. Você nunca fez nada de errado. As pessoas que cuidavam de lhe que estavam erradas.
Eu não vou mais ficar de castigo nunca mais. Ninguém te vai castigar injustamente de novo. E posso brincar? Pode brincar à vontade e comer quando tem fome? Sempre. E posso chorar quando estiver triste? A pergunta parte o coração de Marcelo. Claro que pode, filho. Chorar é normal. Vanessa tenta uma última cartada.
Marcelo, se me expor publicamente, vai prejudicar a sua reputação empresarial também. Minha reputação não vale mais do que a segurança do meu filho. Pensa bem, escândalo familiar pode destruir os seus negócios. Que destrua, Té que perdeu. Está bom, Marcelo. Vou mudar os meus métodos. Não vai mudar nada porque vais embora da minha casa.
Como assim? Quero o divórcio e quero que saia daqui hoje. O Marcelo não pode fazer isso. Posso e estou a fazê-lo. Té não entende completamente, mas pergunta: “Papá, a mamã Vanessa vai embora?” “Vai, filho, para sempre. Para sempre. E quem vai cuidar de mim? O papá vai cuidar. E vamos procurar alguém que cuide de si com amor.
Posso escolher quem vai cuidar de mim?” Marcelo recorda como Té amava Júlia. Filho, gostaria que a tia Júlia voltasse? O rosto de T ilumina-se como nunca. A sério, a tia Júlia pode voltar? Se ela quiser, sim. Ela vai querer? Vamos perguntar a ela. Nessa tarde, enquanto a Vanessa faz as malas revoltada, Marcelo procura o contacto de Júlia.
Ele liga para a agência de emprego onde a contratou. Olá, têm contacto da Júlia? Ah, Senr. Marcelo, a Júlia está desempregada desde que saiu de sua casa. Vocês sabem onde posso encontrá-la? Tenho o endereço dela aqui. Marcelo apanha Té e vai até ao pensão onde vive a Júlia. A Tia Júlia vai estar aqui, papá? Espero que sim, filho.
Sobem até ao terceiro andar de um prédio simples e batem à porta. Júlia abre e não acredita no que vê. Sem a Marcelo. Té. Tia Júlia. Té se joga nos braços dela. Meu amor, como estás agora? Estou bem. O papá disse que você pode voltar. Júlia olha para Marcelo confusa. Júlia, posso falar contigo? Claro. Entra. No pequenino quarto de pensão.
Marcelo conta tudo o que descobriu. Júlia, preciso de te pedir desculpas. Por quê? por ter acreditado nas mentiras da Vanessa, por ter despedido-o injustamente. Sem rio, deixe-me terminar. Instalei câmaras na casa e vi tudo. Vi como a Vanessa maltratava o Té. Júlia fica chocada. Maltratava como? Marcelo mostra algumas gravações no telemóvel.
A Júlia fica horrorizada. Meu Deus, coitadinho do Té. Foi você que o protegeu durante estas semanas. Agora compreendo porque ele era tão apegado a si. Eu tentei proteger, mas não consegui evitar que ele sofresse. Júlia, quero pedir-te uma coisa. O quê? Volta para cuidar dele. Desta vez para sempre. Seng. Marcelo. Com salário triplicado, quarto próprio na casa, total liberdade para cuidar dele com amor.
E a dona Vanessa? Vanessa foi-se embora para sempre. Té, que estava brincando num canto, aproxima-se. Tia Júlia, vais voltar? Meu amor, por favor, senti muito a sua falta. Eu também senti a sua falta. Então você volta? Júlia olha para Marcelo. S. Marcelo, tem a certeza que me quer de volta? Tenho. Você é a única pessoa que ama o meu filho de verdade, então eu aceito. Té salta de alegria.
Eba! Tia A Júlia voltou. Um mês depois, a vida na mansão Leoni está completamente transformada. A Júlia já não é apenas ama, é praticamente a mãe que Té nunca teve. Bom dia, meu amor. Ela acorda Té com beijinhos. Bom dia, mamã Júlia. Dormiu bem? Dormi. Sonhei que a gente foi ao parque. Que coincidência. Hoje vamos ao parque mesmo. Sério? Sério.
Depois do pequeno-almoço, vamos alimentar os patos no lago. E posso correr no parque? Pode correr, saltar, gritar, fazer tudo o que uma criança tem para fazer. Téo abraça Júlia com força. Eu amo-te, mamã Júlia. Eu também te amo, meu pequeno príncipe. Marcelo observa a cena da porta do quarto emocionado.
Faz dois meses que não ouve o filho chorar de medo durante a noite. Bom dia, família. Papá. Té corre para abraçar o pai. Bom dia, campeão. Como dormiu? Muito bem. Sonhei que era um superherói. E o que o superherói fazia? Protegia todas as crianças do mundo para elas ficarem felizes. O Marcelo sorri.
O filho está a se recuperando do trauma, criando fantasias positivas. E posso ser superherói de verdade, papá? Pode sim. Todos os dias você é superherói quando é uma criança boa e feliz. Durante o pequeno-almoço, a mesa está farta. A Júlia preparou panquecas, fruta, sumo natural, vitaminas. Téo come com prazer, recuperando o peso perdido.
Júlia, obrigado por cuidar tão bem dele, diz Marcelo. Não precisa agradecer. Cuidar dele é a minha alegria. Papá, a mamã Júlia disse que hoje vamos fazer biscoitinhos. Que giro. Posso ajudar também? Pode. Vamos fazer bolachas em formato de coração. Por que coração? Porque a nossa família é feita de muito amor.
Té responde com a inocência de criança. À tarde, os três estão na cozinha a fazer biscoitos quando a campainha toca. Eu atendo, diz Marcelo. À porta está um homem de fato, o Dr. Ricardo Techeira, psicólogo infantil que Marcelo contratou para acompanhar a recuperação de Té. O Dr. Ricardo, entre, por favor. Boa tarde, Marcelo.
Como está o Té hoje? Venha ver por si mesmo. Eles vão até à cozinha, onde Té está todo sujo de farinha, rindo com Júlia. Olha, mamã Júlia, o meu biscoito ficou parecido consigo. Por quê? Porque está a sorrir tal como tu sorris para mim. Dr. Ricardo observa discretamente. Té relaxado, comunicativo, demonstrando afeto naturalmente.
Té, lembras-te de mim? Lembro-me. Você é o médico que conversa comigo? Isso mesmo. Como se sente hoje? Feliz. Fiz bolachas, vou ao parque. E a mamã Júlia disse que posso escolher o filme para vermos hoje. E do que mais gosta agora? De tudo. De brincar, de correr, de abraçar o papá e mamã Júlia.
E como são os seus sonhos agora? Bons. Sonho que sou um superherói que vou no céu, que protejo toda a gente. O Dr. Ricardo sorri. A variação de T é extraordinária. Depois da consulta, o Dr. Ricardo conversa com Marcelo em particular. Marcelo, o progresso do Té impressionante mesmo. Em dois meses, saiu de um quadro de trauma grave para comportamento completamente normal dos criança saudável e psicologicamente está a desenvolver-se perfeitamente.
A autoestima voltou, a confiança nas pessoas voltou, a capacidade de demonstrar afeto está plena. E o que causou esta mudança tão rápida? Amor incondicional. A Júlia está a oferecer exatamente o que toda a criança precisa. Carinho, segurança, estímulos positivos. Então, já não preciso de me preocupar. Pelo contrário, continue exatamente como está. Té florescente.
Três meses depois, Marcelo toma uma decisão que muda tudo. É um domingo de manhã. Eles estão no jardim a fazer um piquenique quando Marcelo chama Júlia para conversar. Júlia, posso fazer-te uma pergunta? Claro. É feliz aqui? Muito feliz. Por quê? Porque quero propor-lhe uma coisa. Que coisa? Marcelo ajoelha-se na frente da Júlia com uma pequena caixa na mão.
Júlia Fernandes, aceita casar comigo? Júlia fica em total choque. Marcelo, o quê? Aceita ser minha esposa e mãe do Té oficialmente? Mas eu sou só a ama. Você é muito mais do que isso. É a mulher que amo e a mãe que o meu filho escolheu. Té que estava a brincar, vem correndo. O que está a acontecer? Papai está a pedir a mamã Júlia em casamento.
Casamento? Isto significa que ela vai ser minha esposa e sua mãe para sempre. Os olhos de T iluminam-se. Para sempre mesmo. Para sempre. E ela não vai embora nunca. Nunca. Té olha para Júlia. Mamãe Júlia, casa com o papá, por favor. Júlia está com lágrimas nos olhos. Marcelo, tem certeza? Tenho.
Nós os dois amamos você e você também nos ama. Amo sim, muito. Então, então aceito. Té salta de alegria. Eba, agora vamos ser família de verdade. Marcelo coloca o anel no dedo de Júlia e beija-a. Eu amo-te ele sussurra. Eu também te amo. E eu adoro vocês os dois. Té grita, atirando-se aos braços dos dois.
Seis meses depois é o dia do casamento. A cerimónia é simples no jardim da mansão, só com amigos próximos e família. A Júlia está linda num vestido branco simples. Não queria luxo, queria sinceridade. Téem, todo orgulhoso transportando as alianças. Marcelo, o senhor aceita a Júlia como esposa? Aceito com todo o meu coração.
Júlia, aceita Marcelo como marido? Aceito para sempre. E tu, Té? O padre fala sorrindo. Aceita a Júlia como sua mãe? Aceito. Ela já é minha mãe mesmo. Todos riem emocionados. Então, declaro-vos marido, mulher e filho. A família abraça-se no altar enquanto todos aplaudem. Durante a festa, o doutor Ricardo aproxima-se de Marcelo. Parabéns pela família.
Obrigado, doutor. Sabes que o Té me disse uma coisa interessante na última consulta? O quê? Perguntei se ele recordava a época difícil que passou. Ele disse que agora aquilo parece um sonho mau que já acabou. Isso é bom. É ótimo. Significa que ele superou completamente o trauma. Tem uma família amorosa e segura agora.
e não vai ter sequelas, pelo contrário, vai ser uma criança ainda mais empática e forte por ter ultrapassado dificuldades. A noite, depois de os convidados terem sido embora, a nova família esteja reunida no quarto de Té na hora do conto. Mamãe Júlia, conta uma história. Que história quer? A história de como se virou minha mãe.
Ah, essa é uma história linda. Como começa? Era uma vez uma menina que sonhava ser mãe. E aí, aí ela conheceu um rapazinho muito especial que precisava de muito amor. E depois depois apaixonaram-se um pelo outro e tornaram-se família. E o papá? O papá também se apaixonou pela menina porque viu como ela amava o rapazinho. E como termina? Termina com eles a viverem felizes para sempre.
De verdade? De verdade? Té boceja. A mamã Júlia, que foi, meu amor? Obrigado por me amar. Obrigado por me deixares ser tua mãe. O papá, que foi, campeão. Obrigado por trazer a mamã Júlia de volta. Obrigado a si por me ensinar o que é o amor de verdade. Marcelo e Júlia beijam Té na testa. Boa noite, meu príncipe. Boa noite, mamã. Boa noite, papá.
Eles saem do quarto de mãos dadas. Marcelo, que foi, amor? Obrigada por me dares uma família. Obrigado por salvar a minha. Um ano depois, mais uma surpresa chega à família. Marcelo, preciso de te contar uma coisa. O quê? Estou grávida. Marcelo fica em êxtase. Sério? Sério. Té vai ter um irmãozinho ou uma irmãzinha? Como vamos contar-lhe? Vamos contar juntos nessa noite durante o jantar.
Té, o papá e a mamã têm uma novidade para você. Que novidade? Vai ser irmão mais velho. Como assim? A mamã Júlia está à espera de um bebé. Té fica a pensar por um momento. Bebé vai nascer de verdade? Vai sim. E vai viver aqui connosco? Vai. E vou ser irmão mais velho. Vai. Isto quer dizer que eu vou ensinar coisas para ele? Exato.
Posso ensinar a brincar? Claro. E a não ter medo? Pode sim. E a amar-vos aos dois? Marcelo e Júlia se olham emocionados. Pode ensinar tudo isso. Então eu quero que o bebé nasça logo. Meso nasce Helena, uma menina bonita que é recebida com muito amor. Té chegou a sua irmãzinha. Posso ver? Claro. Té olha para a irmã recém-nascida com carinho.
Ela é pequenina, muito pequena. Posso fazer festas? Pode, com cuidado. Té toca delicadamente na mãozinha da irmã. Olá, Helena. Eu sou o seu irmão, Té. Vou cuidar de si para sempre. Está a ver? Júlia sussurra para Marcelo. Ele já a ama e vai proteger ela como o protegeu. Vamos ser uma família muito feliz. Já somos. Dois anos depois, a família está completa e feliz.
O Té agora com 8 anos é um menino confiante, carinhoso, protetor da irmã. A Helena, com dois anos, é uma menina alegre que adora o irmão mais velho. Marcelo mudou completamente, trabalha menos, está mais presente. Aprendeu a ser um verdadeiro pai. E Júlia realizou o sonho de ser mãe de não apenas uma, mas duas crianças que a amam incondicionalmente.
Papá, Té pergunta durante um almoço de domingo. Que foi, filho? Você lembra-se de quando é que a mamã Vanessa morava aqui? Me lembro-me. Por quê? Às vezes sonho com aquela época, sonhos maus não. Sonho que eu sou superherói e protejo outras crianças que estão tristes tal como eu estava. E o que faz no sonho? Levo-as para morar com famílias que dão muito amor, igual vocês dão-me. Júlia emociona-se.
Quer ajudar crianças quando crescer? Quero, quero que todas tenham mamã e papá que as amam de verdade. Que lindo, meu amor. Papá, posso te fazer uma pergunta? Claro. Por que razão você instalou aquelas câmaras naquela altura? Marcelo pensou que Té não se lembrava disso, porque desconfiava que alguém não estava a cuidar bem de si.
E descobriu o que era a mamã Vanessa. Descobri. E por isso trouxe a mamã Júlia de volta. Por isso e porque percebi que a amava e agora somos felizes, muito felizes. Helena, que estava brincando, junta-se à conversa. Mamãe Júlia, amas-me? Amo muito a minha princesa. E irmão Té, também adoro. E papá, amo-vos a todos.
E nós também amamos-te. Té fala abraçando a mãe. Somos uma família de muito amor. Helena completa com a sua vozinha fofa. Marcelo observa a cena e reflete sobre como o vida pode mudar completamente quando fazemos as escolhas certas. Ele quase perdeu o filho por confiar na pessoa errada. Quase destruiu a hipótese de felicidade da família por preconceito social. Mas no final o amor venceu.
A verdade apareceu, fez-se justiça e três pessoas que se amavam encontraram o caminho para serem felizes juntas. Em que está a pensar? A Júlia pergunta: “Em como somos sortudos?” Sortudos porquê? Por termos encontrado uns aos outros. Não foi sorte, foi destino. Como assim? Té precisava de uma mãe que o amasse de verdade.
Você precisava de uma esposa que amasse o seu família de verdade. E eu precisava de uma família para amar de verdade. E agora? Agora cada um tem o que precisava. Para sempre. Para sempre. Helena pega na mão de Té que pega na mão de Júlia que dá a mão a Marcelo. Família, diz Helena, para sempre, confirma Té.
Com muito amor, completa Júlia. remata sempre Marcelo. E assim a família que se formou através da dificuldade, da verdade e do amor genuíno, continua a escrever a sua história de felicidade. Porque quando o o amor verdadeiro encontra o seu caminho, nada pode impedir que a família certa se forme. E Telk começou por ser um menino assustado e maltratado, cresceu para se tornar um jovem forte, amoroso e protetor, que dedica a sua vida a ajudar outras crianças a encontrar o amor que encontrou. A verdade vence sempre.
O o amor encontra sempre um jeito. E a verdadeira família é aquela que se escolhe com o coração. Gostou desta história? Achou que Marcelo fez bem em instalar as câmaras para descobrir a verdade? Conte-me nos comentários seu nome e de onde me está a assistir. Obrigado pela sua companhia. Um grande abraço e até ao nosso próximo encontro.















