Milionário Descobre que a Babá Humilhada é a única que pode Salvar sua Filha

Milionário Descobre que a Babá Humilhada é a única que pode Salvar sua Filha

O grito ecoa pela mansão dos Almeida, como uma sirene de ambulância. Marina Santos acorda sobressaltada no quarto dos fundos. Há quatro meses a trabalhar nesta casa de luxo, ela conhece bem este som que corta o coração. Sofia, de 4 anos, está a ter outra crise renal. Dói, dói muito a voz da menina vem do andar de cima, desesperada.

Marina corre pelas escadas de mármore, ainda de camisola, com o coração disparado. No quarto cor-de-rosa e dourado, encontra Sofia encolhida na cama, agarrada ao urso de peluche, o rostinho contraído de dor. Calma, meu amor. A Marina está aqui. Ela pega na criança no colo com todo o cuidado. Como sempre, A Sofia para de chorar na mesma hora.

Gabriel Almeida aparece à porta, cabelo desarrumado, olheiras fundas. Aos 35 anos, este empresário do ramo farmacêutico parece ter envelhecido uma década desde que a esposa morreu no parto. Como ela está, Marina? Melhor agora, Senr. Gabriel, vou fazer aquele chazinho de camomila que ela gosta.

 Gabriel observa a transformação da filha. É sempre igual. Nos braços de Marina, Sofia encontra uma paz que nenhum remédio consegue dar. é estranho e ao mesmo tempo reconfortante. “Pai, a Marina hoje fica comigo?”, Sofia pergunta com a vozinha fraca. “Fico sim, princesa. Não vou sair do teu lado. O que Gabriel não sabe é que Marina tem um doloroso segredo que explica esta ligação especial.

 Há um ano e meio, ela perdeu a própria filha, Alice, de 3 anos, por uma doença renal rara, a mesma doença que agora devora os rins dos Sofia. Cada crise da menina é como reviver o pesadelo que lhe tirou a filha dos braços. Na cozinha, enquanto prepara o chá, Marina ouve os saltos altos a descer as escadas.

 É Verónica Fernandes, a noiva de Gabriel, uma médica de renome de 32 anos, loira, sempre impecável, que entrou na vida da família há se meses. “Mais uma crise?”, pergunta Verónica friamente, servindo café numa chávena de porcelana cara. Sim, doutora, mas já passou. Verónica observa-a com olhos críticos. Gabriel, não acha que deveria contratar uma enfermeira pediátrica qualificada? A Sofia necessita de cuidados profissionais, não de uma informação babada.

 Gabriel hesita. A Marina cuida bem dela, Verô. Cuida, mas não compreende a gravidade médica. E francamente, Verónica baixa a voz, mas fala alto o suficiente para Marina escutar. Não acha estranho esse apego excessivo entre elas? Que apego? A forma obsessiva como Sofia cola-se à Marina. Isto pode ser prejudicial para o desenvolvimento emocional da criança.

 Marina aperta a pega da chávena até aos nós dos dedos ficarem brancos, há quatro meses a ouvir estas alfinetadas disfarçadas de preocupação médica. Marina, a voz cortante de Verónica. Pode levar o chá para a Sofia e depois organizar a lavandaria. Tenho amigas a vir almoçar e não quero a casa desarrumada. Sim, doutora.

 No quarto, a Sofia toma o chá morno aos poucos. Marina, por que a A Verónica fala assim consigo? A pergunta inocente aperta o coração de Marina. Como explicar a uma criança de 4 anos os jogos cruéis dos adultos? Ela não fala mal, princesa. Só acha que o seu pai merece melhores cuidados para si. Mas gosto mais de ti do que dela. Eu também gosto muito de ti, meu amor.

Marina não conta a Sofia que já se conheciam antes. Há dois anos, quando Alice estava internada no Hospital Infantil São José, a Marina viu várias vezes uma menina loira a ser levada para consultas no mesmo corredor. A menina chorava sempre assustada, até que um dia a Marina ofereceu-se para desenhar com ela na sala de espera. Era a Sofia.

Quando Alice morreu e Marina precisou trabalhar para sobreviver, viu um anúncio procura babysitter para a família Almeida. O nome não significou nada na época, mas quando chegou à mansão e viu Sofia, reconheceu de imediato a menina do hospital. Foi como se o destino estivesse a dar uma segunda chance. Às 2 da tarde chegam as amigas de Verónica para o almoço.

 Três mulheres elegantes da alta sociedade são-brasense, todas conhecidas pelos seus comentários venenosos. Clarissa Montenegro, 45 anos, mulher de um desembargador. Helena Vasques, proprietária de uma cadeia de clínicas de estética. Patrícia Rocha, herdeira de uma fortuna em imóveis. Verónica querida, diz Clarissa, soube que estão com problemas com pessoal doméstico.

 Marina, que estava a organizar a mesa do almoço, fica atenta. Problemas? Como assim? Verónica finge não compreender. A babá andaram a comentar que ela se intromete demais na família. Ah, isso. Verónica ri com desdém. É uma situação delicada mesmo. Gabriel não se apercebe, mas aquela mulher está a criar uma dependência doentia na Sofia.

 Que tipo de dependência? Helena inclina-se interessada na fofoca. A menina só se acalma com ela. Só come se ela der a comida, só dorme se ela contar história. Não é normal uma criança ter esta fixação por uma criada. A Marina sente o sangue ferver, mas continua a arrumar os pratos em silêncio. Patrícia balança a cabeça com ar de quem percebe do assunto.

 Funcionário que não sabe o lugar é perigoso mesmo. Pode dar muita dor de cabeça depois. Exatamente. E o pior é que o Gabriel não vê que está sendo manipulado. Manipulado como? Clarissa pergunta baixando a voz. Verónica olha em redor para ter certeza que ninguém está a ouvir, mas Marina consegue escutar da Taça. Ela perdeu uma filha no ano passado, está agora transferindo toda a carência materna para Sofia.

 É um caso clássico de projeção psicológica patológica. Que situação complicada, suspira Helena. Pois é, estou a tentar fazer o Gabriel entender que precisa de a despedir antes que a situação se descontrole. Marina sente as lágrimas queimarem-lhe os olhos. Falam dela como se fosse uma doente mental, uma aproveitadora perigosa, quando tudo o que faz é amar e cuidar de Sofia com a mesma dedicação que gostaria de ter dado à própria filha.

 À noite, depois de as visitas irem embora, Gabriel conversa com Vero, revestido de madeira nobre. Amor, as meninas fizeram-me fizeram pensar sobre a Marina. Que tem ela? Acha mesmo que Sofia está demasiado dependente? Gabriel olha pela janela do escritório, observando Marina e Sofia a brincar no jardim iluminado. A menina ri alto pela primeira vez no dia, correndo atrás de bolas de sabão que A Marina faz com um potinho.

 Ela faz a Sofia feliz, Verô. Mas isso não é necessariamente saudável, Gabriel. Sofia precisa de aprender independência emocional. Marina salvou-a de três crises graves este mês. Gabriel, Verónica aproxima-se, pegando as mãos dele. Sou médica há mais de 10 anos. Sei reconhecer comportamentos obsessivos quando vejo.

 Gabriel vira-se para encará-la. Está a dizer que Marina é obsessiva? Estou a dizer que uma mulher que perdeu um filho pode desenvolver fixações pouco saudáveis ​​em outras crianças. É mais comum do que imagina. E qual seria a sua sugestão? Vamos despedi-la gradualmente. Contratar uma enfermeira pediátrica qualificada. A Sofia vai habituar-se.

 E se ela piorar? Não vai. vai aprender a ser mais forte emocionalmente, o que é melhor para o futuro dela. Gabriel fica pensativo. A Verónica é médica formada, especialista no comportamento humano. Se ela está preocupada, deve ter fundamento. Talvez tem razão. Na cozinha, Marina termina de lavar a loiça quando ouve a parte da conversa pelo intercomunicador que O Gabriel esqueceu-se ligado.

 Sente o mundo desabar. Eles estão a planear despedi-la. “Meu Deus!”, sussurra, segurando o lavatório para não cair. “Não posso perder a Sofia também”. Na segunda-feira seguinte, Verónica começa uma campanha subtil, mas devastadora contra a Marina. Durante o café da manhã, faz comentários aparentemente inocentes. “Gabriel, ontem encontrei a Marina a dormir na poltrona do quarto de Sofia outra vez.

 A Sofia teve um pesadelo, pediu para ela ficar, mas isso está a se tornando-se rotina. A menina precisa aprender a lidar com os pesadelos sozinha. Gabriel masca o pão francês pensativo. Talvez tenha razão. Tenho sim. E outra coisa, verifiquei as compras de Marina no supermercado. Ela gastou 300 varrales só com coisas especiais para Sofia.

 Bolachas importadas, sucos biológicos, chocolates caros. Ela compra alimentos que a Sofia consegue comer sem passar mal. Gabriel, não vê? Isso é manipulação emocional. Ela está se tornando indispensável de propósito, usando dinheiro seu para comprar o afeto da sua filha. As palavras de Verónica são como gotículas de veneno a cair na mente de Gabriel.

 devagar, mas envenenando. Nunca pensei por este ângulo. É porque é um homem bom demais, amor. Não consegue ver maldade onde ela existe. Na quarta-feira, Gabriel recebe uma chamada que muda tudo. Senhor Gabriel, aqui é Doutor Henrique Santos do Hospital Infantil São José. O senhor podia vir aqui hoje à tarde? É sobre os exames da Sofia.

Gabriel sentiu um arrepio na espinha. Algo de errado, doutor? Prefiro conversar pessoalmente. No hospital, o Dr. Henrique, um homem de 50 anos, com cabelo grisalhos, recebe Gabriel na sua sala cheia de diplomas. Senr. Gabriel, vou ser direto. Os exames mostram que o estado renal de Sofia deteriorou-se significativamente nos últimos dois meses. Gabriel sente o sangue gelar.

 O que significa? Significa que ela vai precisar de um transplante renal. Em breve, o mundo gira em torno de Gabriel. Transplante. A minha filha tem 4 anos. Eu sei que é chocante, mas é a única forma de salvar a vida dela. Quanto tempo tem ela? O Dr. Henrique consulta os papéis com o tratamento atual, alguns meses, talvez seis, se tivermos sorte.

 O Gabriel se agarra na cadeira. E como funciona o transplante? A fila da dádiva? Para crianças, infelizmente, a fila é muito longa, pode demorar anos. O ideal seria encontrarmos um dador vivo compatível. Posso doar? Vamos fazer os testes, mas estatisticamente os pais têm cerca de 50% de hipóteses de compatibilidade. E se não for compatível? Então testámos outros familiares próximos, irmãos, avós, tios.

 Gabriel sai do hospital com as pernas bambas. Sofia precisa de um rim novo e ele pode não conseguir salvá-la. Em casa conta a situação para Verónica, que fica visivelmente abalada. Meu Deus, Gabriel, isto é muito grave. Vou fazer os testes amanhã. E se não for compatível? Não sei. Os meus pais morreram num acidente quando tinha 20 anos.

 Sou filho único. Verónica hesita antes de falar. Gabriel, também posso fazer o teste. Gabriel olha-a com gratidão. Você faria isso? Claro. Amo a Sofia como se fosse a minha filha biológica. Gabriel abraça a noiva emocionado. Obrigado, amor. Isso significa tudo. Marina, que estava a passar no corredor, escuta tudo. A Sofia precisa de um transplante.

Sem hesitar um segundo, toma uma decisão que vai mudar o destino de todos. Na quinta-feira, Gabriel recebe o resultado dos seus exames. O Dr. Henrique chama-o pessoalmente. Senr. Gabriel, peço desculpa, mas não é compatível. Há algumas semelhanças genéticas, mas não o suficiente. Gabriel sente o mundo desabar.

 E agora vamos testar a sua noiva. E seria bom procurar outros parentes, mesmo distantes. A Verónica faz os exames na sexta-feira. Na segunda-feira seguinte, o Dr. Henrique liga com o resultado. Doutora Verónica, também não é compatível, lamento. Gabriel entra em desespero, liga para primos afastados que não vê há anos.

 A maioria recusa-se a fazer o teste. Dos poucos que concordam, nenhum é compatível. Dr. Henrique, e agora? Não Tenho mais familiares. Vamos entrar na fila nacional de transplantes, mas preciso ser honesto. Para crianças pode demorar muito tempo. Quanto tempo tem a Sofia sem o transplante? Alguns meses, no máximo. Com sorte, até ao final do ano.

Gabriel desliga o telemóvel e chora pela primeira vez desde que a esposa faleceu. Vai perder a Sofia e não há nada que possa fazer. Nessa noite, Marina bate na porta do escritório. O Gabriel está bebendo whisky. Olhando para uma foto de Sofia bebé. Senhor Gabriel, posso falar com o senhor? Claro, Marina, entre.

 É sobre Sofia. Escutei sem querer sobre o transplante. Gabriel fica constrangido. Marina, é uma situação muito difícil. Eu sei, senhor, e quero ajudar. Como assim? Marina respira fundo, ganhando coragem. Quero fazer o teste de compatibilidade. Gabriel olha-a como se ela tivesse enlouquecido.

 Marina, você não é família. Não precisa de ser família para doar um rim, o Senr. Gabriel, qualquer pessoa pode, desde que seja compatível e saudável. Mas Marina é uma cirurgia muito grave. Pode ter complicações. Pode mesmo morrer. Senr. Gabriel. Marina olha-o diretamente nos olhos. Eu amo Sofia como se fosse a minha própria filha.

Se a posso salvar, vou fazê-lo sem hesitar. Gabriel fica emocionado, mas hesita. Marina, isso é muito generoso, mas preciso de falar com o Ver. Claro, senhor, mas por favor pense na proposta. Não podemos perder tempo. No quarto, Gabriel conta a Verónica sobre a oferta da Marina. Isto é completamente absurdo, Gabriel.

 Por que absurdo, ela quer ajudar a salvar Sofia. Gabriel, não consegue ver? Essa é a cartada final dela. Como assim? Verônica senta-se na cama, assumindo o seu tom mais professoral. Pense bem. Se ela doar um rim para a Sofia, nunca mais vai conseguir despedi-la. Ela vai ter poder sobre si para o resto da vida. Gabriel nunca tinha pensado nisso.

 Acha que é isso? Tenho a certeza. é a manipulação mais inteligente que já vi. Ela está jogando com o seu desespero de pai. Mas e se ela for compatível? E se for a única oportunidade de Sofia? Verónica fica em silêncio por um momento. Não esperava essa pergunta. Gabriel, vamos explorar todas as outras opções primeiro.

Contratar investigadores para encontrar familiares perdidos, consultar especialistas internacionais. E se não houver tempo? Vai dar tempo. Confia em mim. Sou médica. Gabriel fica dividido, mas decide seguir o conselho da noiva. Na manhã seguinte, comunica a Marina que não precisa de fazer o teste. Sor Gabriel, mas porquê? Posso guardar Sofia? Encontrámos outras alternativas, Marina. Obrigado pela disponibilidade.

 Marina percebe-se pela expressão dele que Verónica interferiu. Sente uma tristeza profunda, mas não desiste da ideia. Nas duas semanas seguintes, Gabriel gasta uma fortuna contratando investigadores para procurar familiares perdidos. Nada. Consulta especialistas nos Estados Unidos e Europa. Todos dizem a mesma coisa.

 precisa de um dador vivo conhecido. Enquanto isso, Sofia piora visivelmente. As crises renais tornam-se mais frequentes e intensas. Ela mal consegue brincar. Passa a maior parte do tempo na cama. A Marina cuida dela 24 horas por dia, dormindo numa poltrona ao lado da cama. “Marina, estás a matar-te”, diz dona Rosa. A cozinheira.

 Faz cinco dias que quase não dorme. Não posso deixá-la sozinha, a dona Rosa. E se ela precisar de mim durante a noite? Menina, você também precisa de se cuidar. Mas Marina não consegue afastar-se. Cada vez que olha para Sofia, vê Alice nos últimos dias de vida. A mesma palidez, a mesma fraqueza, a mesma luta silenciosa contra uma doença invisível, mas mortal.

 Na terça-feira, Sofia tem a crise mais grave até ao momento. desmaia na casa de banho enquanto escova os dentes. Marina encontra-a e corre com ela para o hospital. O Dr. Henrique, ela desmaiou. Estava com muitas dores e de caiu de repente. O médico examina Sofia rapidamente. Vou ter de interná-la. Os rins estão a funcionar muito pouco.

Gabriel chega a correr ao hospital 20 minutos depois. Como é que ela está? Crítica, Senhor Gabriel. Não podemos esperar muito mais. Se não encontrarmos um dador nas próximas duas semanas, vamos perdê-la. Gabriel sente as pernas bambas. Duas semanas. É tudo o que a Sofia tem. Naquela noite no hospital, Marina fica ao lado da cama de Sofia enquanto Gabriel e Verónica conversam no corredor.

“Gabriel, precisa de tomar uma decisão”, diz Verónica. “Qual decisão? Não há mais ninguém para testar. Ah, sim, a Marina.” Gabriel olha para o noiva surpreendido. Mudou de opinião? Não mudei. Ainda acho que ela tem segundas intenções. Mas a Sofia pode morrer. Verónica, se Marina for compatível e salvar a Sofia, vou ficar eternamente grato a ela.

 E é exatamente disso que tenho medo. Ela vai usar esta dívida para sempre. Prefiro dever a minha vida a ela do que perder a minha filha. Verónica percebe que perdeu essa batalha. Está bem, mas depois não diga que não avisei. Na manhã seguinte, Gabriel procura Marina no hospital. Marina ainda está disposta a fazer o teste? Os olhos dela se enchem de lágrimas.

 Claro, senor Gabriel, qualquer coisa pela Sofia. Então vamos fazer hoje mesmo. Doutor O Henrique organiza todos os exames de compatibilidade. São procedimentos complexos que demoram 48 horas para ficarem prontos. São as 48 horas mais longas da vida de Gabriel. Sofia está sedada, ligada a aparelhos que monitorizam cada batimento do coração, cada respiração.

 Marina não sai do lado da cama, segura a mãozinha da Sofia e conversa baixinho com ela, mesmo sabendo que ela não consegue ouvir. Aguenta firme, princesa. Se tudo correr bem, vou te dar um bocadinho de mim para ficares forte de novo. Gabriel observa Marina. e pela primeira vez se Verónica tem razão sobre as intenções dela.

 Há algo na forma como Marina olha para Sofia, que parece demasiado genuíno para ser fingimento. Marina, posso perguntar-te uma coisa? Claro, Sr. Gabriel, por que está a fazer isso? Não deve nada para nós. Marina olha para Sofia adormecida, ligada aos aparelhos. Senr. Gabriel, quando a minha filha Alice morreu, pensei que nunca mais ia conseguir amar uma criança.

 Gabriel sente um aperto no peito. Aí conheci Sofia. Ela devolveu-me a vontade de viver, fez-me sentir mãe de novo. Marina, se lhe posso salvar a vida, vou fazer sem pensar duas vezes, mesmo que isso signifique arriscar a minha própria vida. Gabriel fica emocionado. E se você for compatível e a Verónica estiver certa sobre as suas intenções? A Marina olha diretamente nos olhos dele.

 Senhor Gabriel, se eu for compatível e guardar Sofia, pode despedir-me no dia seguinte à cirurgia. Não quero nada em troca, só Quero que ela viva. Gabriel fica sem palavras. A sinceridade de Marina parece demasiado real para ser performance. Na sexta-feira de manhã, o Dr. Henrique telefona com o resultado que vai mudar tudo.

Senr. Gabriel, tenho uma notícia extraordinária. A Marina é compatível. Gabriel quase deixa o telefone cair. Tem a certeza, doutor? Mais do que isso, é 100% compatível. É uma compatibilidade quase perfeita. Como isso é possível? É extremamente raro, Senr. Gabriel. É como se fossem irmãs gémeas geneticamente.

 Nunca havia algo igual em 20 anos de medicina. Gabriel corre para o quarto de Sofia. Marina. Marina. Que foi, Sr. Gabriel? Você é compatível. É uma compatibilidade perfeita. Marina desaba a chorar. Meu Deus, posso salvá-la. A Sofia acorda com o barulho. Que aconteceu, princesa? Diz Gabriel com lágrimas nos olhos.

 A Marina vai dar-te um rim. Vai ficar boa. Sofia olha para Marina sem compreender completamente, mas percebe que é algo muito bom. Marina, vai salvar-me? Vou sim, meu amor. Vou dar-te um pedacinho de mim para tu ficares forte para sempre. Vai doer? Vai doer um bocadinho no início, mas depois vai poder correr, brincar, ser uma criança normal.

Sofia abraça Marina a chorar. Obrigada por me salvares, Gabriel. não consegue conter as lágrimas. Depois de semanas de desespero, há finalmente esperança. Verónica chega ao hospital uma hora depois e recebe a notícia. Compatibilidade a 100%. Como é possível? Às vezes acontece, explica o Dr. Henrique. É muito raro, mas acontece.

 Verônica fica perturbada. Se Marina salvar Sofia, O Gabriel nunca mais a vai conseguir ver como uma simples criada. Gabriel, ainda acho muito arriscado. E se a Marina não sobreviver à cirurgia? Doutora Verónica, o Dr. Henrique intervém. A cirurgia de doação renal é muito segura. O risco de complicações é mínimo, mas ainda existe risco.

 Marina escuta a conversa. Dout. Verónica, eu entendo a sua preocupação com a minha segurança, mas estou disposta a correr o risco. Você entende que pode afetar a sua vida inteira? Viver com um só rim? Compreendo e aceito. Prefiro viver com um rim, sabendo que salvei a Sofia, do que viver com dois rims, sabendo que ela morreu quando eu podia ter ajudado.

 A cirurgia está marcada para segunda-feira. Durante o fim de semana, a notícia tornou-se espalha entre os empregados da mansão. Não acredito que a Marina vá fazer isto comenta Carla, a diarista. Ela ama aquela menina mais do que a própria vida, diz a dona Rosa. Nunca vi amor tão verdadeiro.

 E pensar que a médica A Verónica queria que ela fosse demitida. A sorte é que o Sr. Gabriel tem boas coração. No domingo à noite, Gabriel conversa com Marina antes da cirurgia. Marina, ainda pode desistir. Ninguém vai te julgar. Não vou desistir, Sr. Gabriel. A Sofia precisa de mim. Se algo correr mal, não vai correr mal. E se der, pelo menos tentei salvá-la.

 Gabriel pega nas mãos de Marina. Como posso te agradecer? Não precisa de me agradecer. Só promete-me uma coisa. O quê? Que independentemente do que acontecer, vai cuidar bem da Sofia. Ela merece ter uma vida feliz. Prometo. E Marina, você também merece ser feliz. Segunda-feira, 6 da manhã.

 Marina está a ser preparada para a cirurgia no quarto ao lado do de Sofia. Marina, a Sofia chama da sala de preparação da mesma. Estou com medo. Eu também, princesa, mas vamos ficar juntas. Quando acordarmos, vais estar curada. Promete que não me vai deixar? Prometo. Nunca te vou deixar. A cirurgia dura 6 horas. O Gabriel anda de um lado para o outro na sala de espera, incapaz de se concentrar em qualquer coisa.

 Verónica tenta acalmá-lo, mas ela mesma está nervosa. Se tudo correr bem, a sua posição na família vai mudar para sempre. Às 14 horas, o doutor Henrique sai do bloco operatório com um sorriso no rosto. Sucesso total. As duas estão bem. O rim de Marina funcionou imediatamente em Sófia. Gabriel chora de alívio.

 Consigo vê-las em algumas horas, quando acordarem da anestesia. Às 5 da tarde, a Sofia acorda primeiro. Gabriel está ao lado da cama dela. Pai, a Marina está bem? Está sim, princesa. Vocês as duas são muito corajosas. Como me sinto diferente. Como se tivesse uma força nova. É o rim da Marina. Agora tem um pedacinho dela para sempre.

 Uma hora depois, a Marina acorda. Ainda meio zonza da anestesia, a primeira coisa que pergunta é: “Como está a Sofia?” Perfeita. O rim funcionou perfeitamente. Marina sorri aliviada. Conseguimos. Conseguimos sim. Salvou a minha filha. Nos dias seguintes, a recuperação das duas é extraordinária.

 A Sofia melhora a cada hora. Pela primeira vez em meses, ela tem energia, apetite, vontade de brincar. Marina, apesar da dor pós-cirúrgica, não consegue estar longe de Sofia. Marina, devia estar descansando, diz Gabriel. Não consigo manter-se longe dela. Agora estamos ligadas para sempre. É verdade. Há algo de especial entre as duas agora.

 Uma ligação que vai para além do carinho normal entre ama e criança. Na quinta-feira, algo inesperado acontece. Verónica procura Marina no seu quarto. Marina, precisamos de conversar. Claro, doutora. Quero que saia desta casa. Marina fica chocada. Como ouviu bem? Quero que peça a demissão. Mas por que razão eu salvei Sofia? Exatamente por isso.

O Gabriel está a sentir-se obrigado a te manter aqui. Isto não é saudável para ninguém. Dout. Verónica, eu não quero nada em troca do que fiz. Não interessa aquilo que deseja. A sua presença é agora um problema. Não vou sair. A Sofia ainda precisa de mim durante a recuperação. Verónica aproxima-se com olhar ameaçador.

Se não sair por bem, vou fazer a sua vida um inferno. Tenho contactos em todos os os hospitais da cidade. Posso garantir que nunca mais trabalhe em família rica. Marina sente medo, mas não se deixa intimidar. Pode fazer o que quiser. Não vou abandonar a Sofia. Você vai arrepender-se dessa decisão. Naquela noite, Verónica conta a Gabriel uma versão completamente distorcida da conversa.

 Gabriel, a Marina está a se tornando-a muito possessiva. Como assim? Ela disse-me que agora a Sofia faz parte dela, que ninguém vai conseguir separá-las. Verónica, ela acabou de doar um rim. É natural que se sinta ligada à Sofia. Gabriel, isto vai para além do normal. Ela está a desenvolver uma obsessão doentia. Gabriel fica confuso.

 Não sei mais em quem acreditar. Acredita em mim. Sou sua noiva e médica. Sei reconhecer comportamentos patológicos. Mas Gabriel não consegue esquecer o sacrifício de Marina. Como pode desconfiar de alguém que deu literalmente parte do próprio corpo para salvar a sua filha? Na sexta-feira, Gabriel recebe uma chamada que muda tudo.

 Senor Gabriel, aqui é A Dra. Amanda Silva, psicóloga do hospital. É protocolo fazer avaliação psicológica de todos os dadores vivos. Conversei com a Marina hoje. Como ela está? Bem, fisicamente, mas descobri algo importante que o senhor precisa saber. Gabriel sente um arrepio. Que tipo de coisa? A Marina contou-me que já conhecia a Sofia antes de trabalhar na sua casa. Gabriel fica confuso.

 Como assim? Conheceram-se no Hospital Infantil São José há do anos. A Marina trazia a filha para tratamento da mesma doença renal que a Sofia tem. A Marina nunca me contou isso. Ela disse que não contou porque tinha medo que o senhor pensasse que ela procurou trabalho em sua casa por interesse. Gabriel fica impactado. Quer dizer que a Marina sempre soube sobre a doença da Sofia? Sim.

 E há mais uma coisa, Sr. Gabriel. A filha de Marina faleceu exatamente da mesma doença. Quando ela soube que podia salvar Sofia, viu como uma hipótese de dar sentido à morte da própria filha. Gabriel desliga completamente o telefone atordoado. Marina escondeu informações cruciais dele, mas quando vai confrontá-la, encontra uma cena que o faz parar.

 A Sofia está a ensinar a Marina a fazer um desenho de flores no quarto do hospital. As duas estão a rir, felizes, conectadas de uma forma que vai além do normal. Marina, mãe, diz Sofia. Agora somos irmãs a sério, certo? Você deu-me um pedaço seu. Somos sim, princesa, para sempre. Gabriel observa da porta e compreende algo fundamental.

 A Marina não escondeu por maldade, escondeu por medo de perder a hipótese de estar perto de Sofia. Nessa noite, conversa com Marina em particular no corredor do hospital. Marina, a psicóloga contou-me sobre si e a Sofia no hospital. Marina fica pálida. Senr. Gabriel, eu posso explicar por não me ter dito que já conhecia a minha filha? Marina respira fundo, sabendo que chegou a hora da verdade, porque sabia que o Sr.

pensaria que eu vinha trabalhar na sua casa por interesse. E não foi. Foi e não foi. Marina olha para as próprias mãos. Quando vi o anúncio de uma vaga para babysitting com o nome Almeida, não fiz a ligação imediatamente. Só quando cheguei à sua casa e vi a Sofia que me lembrei dela do hospital. Marina, Senr.

 Gabriel, eu me apaixonei-me pela Sofia desde o primeiro dia que a vi no hospital. Ela estava a chorar, assustada, e eu ofereci para desenhar com ela. Alice estava internada no mesmo piso. Gabriel sente o peito apertar. Quando a Alice morreu, pensei que nunca mais ia conseguir amar uma criança. Aí, meses depois, encontro Sofia.

 Foi como se o destino estivesse dando-me uma segunda oportunidade. Por que não já me contou isso antes? Porque tinha medo. Medo que o senhor pensasse que eu estava tentando substituir a minha filha morta por Sofia. E estava? Marina a pensar. No início, talvez sim, mas depois aprendi a amar a Sofia pelo que ela é, não pelo que representa.

 Gabriel abraça Marina. Obrigado por salvar a minha filha. Obrigada por me deixar amá-la. Mas Verónica escuta parte da conversa escondida atrás da porta e fica furiosa. Agora Gabriel descobriu a verdade e está ainda mais ligado à Marina. No sábado, Verónica toma uma decisão drástica, liga à sua amiga Clarissa, casada com o desembargador.

Clarissa, preciso de um favor urgente. É sobre aquela ama que te falei. Aqui doou o rim. Que heroína. Heroína coisa nenhuma. Descobri que ela enganou Gabriel desde o início. Como assim? Ela já conhecia Sofia antes e escondeu isso. Pode configurar-se como falsidade ideológica e até burla emocional. Clarissa hesita.

 Verónica, isso é muito sério. Tem a certeza? Absoluta. Ela se apresentou-se como se fosse uma estranha, mas já tinha um plano para se infiltrar na família. Vou falar com o meu marido, mas isso pode dar processo criminal. É exatamente o que quero. Na segunda-feira, Marina recebe uma intimação para depor numa investigação por falsidade ideológica e eventual burla emocional.

 Gabriel fica em choque quando recebe a notícia. Quem fez essa denúncia? Não sei, senor Gabriel. Alguém que tem informação muito detalhadas sobre mim e sobre a família. Gabriel desconfia imediatamente de Verónica, mas não há como provar. Marina, vou contratar o melhor advogado de São Paulo para te defender. Sor Gabriel, não precisa de gastar dinheiro comigo. Preciso sim.

 Você salvou a minha filha. Não vou deixar que ninguém te prejudicar por isso. Na esquadra, Marina é interrogada durante 4 horas pelo O delegado Fernando Campos, um homem rígido e desconfiado. Senrita Marina, a senhora entende que omitir informação importantes numa relação de trabalho pode ser considerado crime? Compreendo, delegado, mas não omiti por maldade.

 Como posso ter a certeza disso? A senhora infiltrou-se numa família rica utilizando o conhecimento prévio da criança. Delegado, não me infiltrei. Fui contratada normalmente, mas utilizando informações que o empregador desconhecia que a senhora possuía. A Marina não sabe como se defender. Tecnicamente, ela realmente omitiu informações importantes.

 Delegado, se eu me quisesse aproveitar da família, não teria doado o meu rim. Ou isso faz parte de um plano maior para garantir uma posição permanente na família. Marina fica chocada. O senhor acha que eu arriscaria a minha vida por dinheiro, senrita Marina, já vi pessoas fazerem coisas piores por muito menos. Gabriel contrata o Dr. Ricardo Mendes, um dos advogados criminalistas mais respeitados de S.

Paulo. O Dr. Ricardo, a Marina pode ser presa? Pode, Gabriel. O caso é complexo. Tecnicamente, ela omitiu informações relevantes. Isso é um absurdo. Ela salvou minha filha. Eu sei, mas a lei não considera apenas o resultado final, considera também os meios utilizados. E agora vamos preparar a defesa, mas preciso que me conte tudo sobre o comportamento de Marina desde que chegou em sua casa.

 Enquanto espera pelo desenrolar do processo, Marina continua cuidando da Sofia, que está a se recuperando perfeitamente do transplante. Marina, porque é que todo mundo está triste? Pergunta a Sofia, observando o clima pesado na casa. É só um problema de adultos, princesa. Logo passa. Você não vai embora, pois não? A Marina olha nos olhos inocentes da menina.

 Não vou, meu amor, prometo. Mas, por dentro, Marina não tem a certeza se conseguirá cumprir essa promessa. Na terça-feira, uma semana antes da audiência, Gabriel toma uma decisão que a todos choca, liga para os principais jornais de São Paulo. Quero dar uma entrevista sobre o caso da Marina Santos. Senr.

 Gabriel, tem a certeza? Pode complicar o processo judicial? Tenho certeza. O povo precisa de saber a verdade. Na entrevista que se transforma em Manchete Nacional, Gabriel conta toda a história. Como Marina salvou Sofia literalmente dando o próprio rim. Como descobriu que já se conheciam do hospital? Como alguém denunciou Marina por vingança.

Senr. Gabriel, o senhor tem ideia de quem fez a denúncia? Gabriel hesita. Depois decide ser completamente direto. Tenho fortes suspeitas de que foi minha ex-noiva, Dra. Verónica Fernandes. Ela sempre teve ciúmes da relação entre Marina e Sofia. Ex-noiva? Sim. Terminei o noivado quando percebi que ela estava mais interessada em afastar-me da Marina do que em ajudar a minha filha.

 A entrevista explode nas redes sociais. O título é Devastador para Verónica. Médica denuncia ama heroína por ciúmes. A opinião pública inflama-se de indignação. Que absurdo processar quem salvou uma vida. Esta médica é um monstro movido pela inveja. A Marina é uma heroína, e não criminosa. Cadeia para quem persegue quem salva crianças.

 Verônica acorda na quarta-feira com centenas de comentários negativos nas redes sociais. A sua clínica dermatológica nos jardins recebe dezenas de chamadas de pacientes cancelando consultas. Dout. Verónica, não queremos ser atendidas por alguém que persegue pessoas boas. Como a senhora pode denunciar quem salvou uma criança inocente? A senhora não tem coração.

 Na quinta-feira, véspera da audiência, algo de dramático acontece. Sofia, que estava a recuperar perfeitamente, tem uma complicação súbita. Senhor Gabriel. O Dr. Henrique liga às 3 da madrugada. Precisa de trazer Sofia ao hospital urgente. Ela está com febre muito elevada e vómitos. Gabriel corre para o hospital com a Sofia inconsciente nos braços. Marina vai junto, desesperada.

Sofia, fica comigo, princesa. Não me deixa. No hospital, o Dr. Henrique examina Sofia rapidamente e fica preocupado. É uma infecção generalizada muito grave. O O sistema imunitário dela ainda está fragilizado pelos medicamentos pós transplante. “Ela pode morrer?”, Gabriel pergunta apavorado. “Pode. É uma complicação grave, mas vamos fazer tudo que for possível.

” Marina Desaba chorando no corredor. Meu Deus, e se ela morrer? E se ela morrer por minha culpa? Não foi culpa sua. Gabriel abraça-a. Você salvou-a. Esta infecção pode acontecer com qualquer transplantado. Durante 72 horas, Sofia luta entre o vida e a morte numa UCI pediátrica. Marina não sai do lado da janela do quarto, rezando baixinho, conversando com a filha que perdeu.

 Alice, se estás no céu, ajuda a Sofia. Não a deixa morrer. Eu não aguento perder outra filha. Gabriel observa Marina e finalmente compreende completamente. Ela ama realmente Sofia como filha. Não é obsessão, não é interesse. É amor maternal, puro e verdadeiro. Na sexta-feira de manhã, milagrosamente, A Sofia melhora.

 A febre baixa, ela pára de vomitar, abre os olhos. Marina, você está aqui? Sim, estou, meu amor. Não saí daqui um segundo. Pensei que tinha perdido você. Marina chora de alívio. Nunca vai perder-me, princesa. Nunca. O Gabriel se aproxima-se da cama. Como se sente, filha? Melhor. Mas onde está a Verónica? A Ver já não faz parte da nossa família, Sofia.

 Por quê? O Gabriel olha para Marina. Porque algumas pessoas não compreendem o que é o amor verdadeiro. Duas horas depois, Verónica aparece no hospital. Não por preocupação genuína, mas porque soube pelos jornais que Sofia estava internada e viu uma oportunidade de se redimir publicamente. Gabriel, soube que a Sofia piorou. Vim ajudar.

 Não precisamos da sua ajuda, Verónica. Gabriel, sou médica. Posso avaliar o caso. Não te quero perto da minha filha. Verónica tenta uma última cartada. Gabriel, está a cometer um erro enorme. Esta mulher vai destruir a sua vida. A única pessoa que quase destruiu a minha vida foste tu, Gabriel. Ainda há tempo.

 Podemos reatar o nosso relacionamento. Posso perdoar esta fase de confusão sua. Gabriel olha-a com uma mistura de pena e nojo. Verónica, você denunciou criminalmente uma mulher que salvou a minha filha. Isso é imperdoável. Eu fiz isto para vos proteger. Fez por puro ciúme e maldade. Uma pessoa assim nunca fará parte da nossa família.

Verónica sai do hospital, humilhada e derrotada, percebendo que perdeu tudo por causa da própria mesquinhez. Na segunda-feira, dia da audiência, algo totalmente inesperado acontece. O juiz O Dr. Maurício Rocha, curiosamente marido da Patrícia, uma das amigas da Verónica, lê todo o processo e fica visivelmente irritado.

 Senrita Marina, entendo que a senhora omitiu certas informações sobre o seu conhecimento prévio da criança. Marina fica tensa. Sim, Vossa Excelência, mas considerando todo o contexto, o facto de a senhora ter literalmente salvou a vida da criança doando um órgão vital, considero que as circunstâncias são extremamente atenuantes.

 O advogado de Marina respira aliviado. Além disso, continua o juiz com voz firme. Depois de analisar detalhadamente este caso, tenho sérias suspeitas de que esta denúncia foi motivada pela vingança pessoal e pelo ciúme, não por busca legítima de justiça. A acusação fica constrangida. Exa., processo arquivado. Processo não só arquivado, mas quero registar oficialmente nos autos que a a menina Marina Santos agiu com amor, coragem e altruísmo exemplares, e que quem quer que tenha feito esta denúncia devia ter vergonha.

 O pequeno tribunal aplaude de pé. Marina chora de emoção e alívio. Gabriel abraça-a na frente de todos. Agora acabou. Você está livre. Obrigada por ter acreditado em mim quando todos duvidavam. Dois meses depois, Sofia está completamente recuperada. Brinca, corre. É uma criança normal e saudável que não recorda mais a época em que vivia doente.

 Marina, ela diz numa tarde no jardim da mansão. Posso chamar-te de mãe? Marina sente o coração disparar. Queres chamar-me de mãe? Quero. Você deu-me vida nova. És a minha mãe de verdade agora. Gabriel, que observa da janela do escritório, sorri emocionado. À noite, depois de Sofia dormir, ele conversa com Marina na sala. Marina, A Sofia quer chamar-te mãe. Eu sei.

Fico emocionada só de pensar nisso. E eu Quero fazer-te uma proposta. O Gabriel se ajoelha-se à frente dela com uma caixinha de veludo azul. Marina Santos, quer casar comigo? Marina fica completamente sem fala, as mãos a tremerem. Senor Gabriel, Gabriel, tens a certeza? Eu sou apenas uma pobre ama.

 Você é muito mais que isso. É a mulher que salvou a minha filha, que me ensinou o que é o amor verdadeiro, que trouxe felicidade de regressa a nossa casa. Mas e a diferença de classe social? O que as pessoas vão falar? Gabriel sorri. Aprendi que pessoas como a Verónica vão sempre falar mal, não importa o que façamos. Mas aprendi também que o carácter vale infinitamente mais do que o estatuto social.

Marina olha para o anel de diamantes, depois para Gabriel. Aceito. Aceito me casar consigo. Sofia aparece a correr de pijama, tendo acordado com as vozes. Vocês vão casar agora? Vou ter pai e mãe de verdade? Vai sim, princesa! Diz Gabriel pegando na filha ao colo. E A Marina vai ser minha mãe para sempre. Para sempre.

 confirma Marina a beijar a testa de Sofia para todo o sempre. Oito meses depois, numa pequena e emocionante no Jardim da Mansão, Gabriel e Marina casam. A Sofia é a daminha, linda num vestido branco bordado com flores. Gabriel, pergunta o padre, aceita Marina como sua esposa para amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza? Aceito para toda a vida.

Marina, aceita Gabriel como seu marido para o amar e respeitar na riqueza e na pobreza? Aceito com todo o meu coração. E tu, Sofia? Diz o padre, sorrindo para a menina. Aceita Marina como sua mãe? Sofia grita alto, fazendo todo o mundo rir. Aceito. Ela já é minha mãe há muito tempo. Ela deu-me vida nova. O jardim explode em aplausos emocionados.

Dois anos depois, Marina está grávida do segundo filho. A Sofia, agora com se anos e perfeitamente saudável, está radiante de alegria. Marina, mãe, quando o meu irmãozinho nascer, vou contar-lhe como me salvou. Vai contar o qu, princesa? Vou dizer que a minha mãe é uma heroína que me deu um pedaço dela para eu viver e que, por isso, estamos ligadas para sempre.

 Gabriel abraça as duas mulheres da sua vida emocionado. Obrigado, Marina, por ter salvo a Sofia e por me ter salvo a mim também. Obrigada a si por me ter dado a família que sempre sonhei. Do outro lado da cidade, A Verónica vive num apartamento pequeno e trabalha num centro de saúde no interior. Perdeu a clínica nos jardins, Os Amigos da Alta Sociedade, A Reputação.

 Assiste às notícias sobre a família feliz pelo telemóvel e pensa no que poderia ter sido diferente. Se eu não tivesse sido movida pelo ciúme, reflete sozinha, talvez ainda fizesse parte dessa família. Mas é tarde demais. O amor verdadeiro venceu a inveja. E Marina conquistou não só um rim incompatível, mas uma família que sempre mereceu.

 Papá, a Sofia pergunta durante o jantar numa noite qualquer. A Marina mãe vai viver para sempre. Por que essa pergunta, princesa? Porque ela deu-me um pedaço dela. Somos conectadas para sempre, não é? Gabriel sorri, olhando para Marina, que está radiante com a gravidez. É verdade. Vocês estão ligadas pelo amor mais forte que existe.

 Que amor é este? Amor de verdadeira mãe. O amor que é capaz de dar a própria vida para salvar quem ama. A Marina ouve tudo e sente os olhos marejarem de felicidade. Perdeu uma filha para a doença, mas ganhou outra e desta vez conseguiu salvá-la. E ao salvar Sofia, salvou também o próprio coração destroçado. A história de Marina e Sofia prova que às vezes o verdadeiro amor nasce dos locais mais inesperados.

 Uma babá humilde se tornou heroína ao doar um rim, mas mais do que isso, doou o seu coração inteiro para reconstruir uma família destroçada pela dor. E quando amamos sem não esperar nada em troca, o universo conspira para nos dar exatamente aquilo que mais precisamos, uma família onde finalmente pertencemos. Gostou desta história? O que achou da atitude da Marina de doar o rim e da maldade de Verónica? Diga-me nos comentários qual a parte mais emocionou-te.