MENINA POBRE GRITA NO FUNERAL DA ESPOSA DO MILIONÁRIO…”ESSE CAIXÃO É FALSO, ELA NÃO ESTÁ MORTA”

Aquele caixão é falso. Ela não está morta. O grito rasgou o silêncio da capela como um vidro a partir. Todas as cabeças viraram ao mesmo tempo. O padre Augusto gelou no meio de uma oração. Marina Cavalcante levou a mão à boca, escandalizada, e Roberto Fonseca sentiu o chão desaparecer sob os seus pés.
A menina estava no meio do corredor, ofegante, apontando um dedo trémulo para o caixão de Mógno, coberto de rosas brancas. Não podia ter mais de 7 anos. Roupas velhas, demasiado grandes para o seu corpo magro. Sandálias de borracha a bater contra o mármore enquanto ela avançava, ignorando os murmúrios horrorizados em redor.
O Roberto não se conseguia mexer. Seus dedos apertavam o lenço de seda com tanta força que as articulações estavam brancas. Olhou para o caixão, para o fotografia emoldurada de Helena sobre a tampa, aquele sorriso que agora parecia zombar dele. Três semanas. Três semanas desde que o delegado ligou, dizendo que tinham encontrado o corpo dela perto do rio Pinheiros.
Irreconhecível, mas as jóias correspondiam. a bolsa de grife, tudo apontava para ela. Ele tinha acreditado, assinado papéis, autorizado o enterro sem ver o corpo, porque não suportaria vê-la daquela forma. E agora esta criança, esta menina suja que não devia estar ali, gritava que tudo era mentira. “Quem é você?” A voz de Roberto saiu rouca, destroçada.
“Como é que você entrou aqui?” A menina encarou-o com olhos castanhos enormes, demasiado sérios para a idade. Eu vi-a ontem pela janela de uma casa abandonada na Vila Madalena, a mesma mulher da foto ali. Ela apontou de novo para o retrato de Helena. Ela estava viva, eu tenho certeza. O mundo começou a girar. Roberto segurou a borda do banco da frente para não cair.
Em redor, o caos explodia em murmúrios. A Marina dizia algo sobre segurança. Eduardo já estava com o telemóvel na mão. Carmen Rodrigues chorava mais alto, mas agora parecia confusa, assustada. Isto é um absurdo. A Marina se levantou-se indignada. Como é que essa criança teve a ousadia de invadir um funeral privado para contar histórias ridículas? Mas o Roberto não estava a ouvir.
Estava olhando para a menina, para a certeza absoluta estampada naquele rosto pequeno, para a forma como ela tremia, mas não recuava, não desviava o olhar, não pedia desculpa. Ela tinha visto Helena viva ontem. O pensamento era impossível, delirante, mas agarrava-se ele como um náufrago a um pedaço de madeira, porque a alternativa era aceitar que Helena estava ali naquele caixão, fria e morta, e que ele nunca mais poderia dizer desculpa por todos os jantares que perdeu, por todas as vezes que escolheu o trabalho em vez dela, por
aquele último beijo distraído na testa enquanto digitava um raio de um e-mail. Onde? A palavra saiu antes de ele pudesse pensar. Onde é que viu? A menina engoliu em seco. Na Vila Madalena, senhor, numa rua com casas velhas. Ela estava sentada numa cadeira, olhando pela janela. Os nossos olhos se encontraram.
Ela pareceu assustada e afastou-se, mas eu tenho a certeza que era ela. Eu nunca esqueço um rosto. O padre Augusto tentou intervir, a voz grave tentando repor alguma ordem. Senr. Fonseca, que é claramente uma situação infeliz. Talvez devêsemos chamar a segurança e abram o caixão. As palavras saíram da boca de Roberto, como se outra pessoa as tivesse dito.
Um silêncio pesado, sufocante, caiu sobre a capela. A Carmen parou de chorar. Marina parou no meio de uma frase. Até a menina ficou quieta, os olhos arregalados. Roberto, não está a pensar direito. Carmen deu um passo em frente, a voz trémula. A dor está a fazer-lhe considerar as palavras de uma criança que claramente abram o caixão ele repetiu mais alto desta vez.
A voz quebrando mais firme. Agora os coveiros entreolharam-se hesitantes. Um deles começou a protestar, mas Roberto já estava a avançar em direção ao caixão. As suas mãos tremiam. O coração martelava tão forte que o podia ouvir nos ouvidos, abafando os gritos escandalizados em redor. “Eu sou o marido dela.
” Olhou para os coveiros, para o padre e para todos. “Eu dou a autorização. Abram isso imediatamente ou eu próprio vou abrir.” O padre fez um gesto de entrega, sinalizou para os homens. E depois, com movimentos lentos, desconfortáveis, os coveiros começaram a remover os arranjos florais. O som dos fechos, sendo manipuladas, eccoava pela capela como um presságio.
Roberto segurou a respiração. Uma parte dele rezava para que a menina estivesse errada, para que tudo não passasse de confusão, delírio de uma criança. Outra parte, crescente e desesperada, implorava para que ela estivesse certa. As travas foram libertados, a tampa começou a subir e depois veio o horror. O caixão estava vazio, completamente vazio.
Nada de corpo, nada de tecido, flores internas, vestígios de preparação funerária, apenas o forro de cetim branco, imaculado, intocado, esticado sobre o nada, como se nunca tivesse recebido peso algum. Roberto cambaleou para trás. Eduardo segurou-o pelos ombros antes que caísse, mas mal sentiu o toque. Seus olhos estavam fixos naquele vazio obsceno, naquela mentira gigantesca que agora troçava de todos ali.
Marina gritou, um som agudo que reverberou pelas paredes da capela. Várias pessoas recuaram, horrorizadas. Carmen Rodrigues cobriu o rosto com as mãos, soluçando entre os dedos. O padre Augusto murmurou algo incoerente, uma oração que não fazia sentido, porque nada ali fazia sentido.
Roberto sentiu Billy subir pela garganta. Três semanas. Três semanas de agonia, de noite sem dormir, de culpa corroendo cada pensamento. Três semanas chorando uma morte que nunca aconteceu. Um corpo que nunca existiu, um funeral construído sobre mentiras. Como a palavra saiu fraca, quase inaudível, ele tentou de novo, forçando o ar pelos pulmões.
Como é possível? Ninguém respondeu, porque ninguém tinha resposta. Foi a menina quem partiu o silêncio. A sua voz pequena, mas firme no meio do caos. Eu disse que ela estava viva. Eu não minto, senhor. Eu vi-a. Roberto virou-se para a criança, como se a visse pela primeira vez. Ela estava parada no corredor, os braços cruzados sobre o peito magro, o queixo erguido com uma coragem que contrastava brutalmente com as suas roupas gastas e sandálias velhas.
Havia sujidade nas bochechas dela, mas os seus olhos eram límpidos, diretos, sem hesitações. Ele deu um passo em frente, depois outro, até estar de joelhos à frente dela, ficando à altura da menina. Qual é o seu nome? Luia, Luía. Roberto repetiu como se estivesse a gravar aquela palavra na memória.
Você Você Você tem a certeza que era ela? Que era a mulher da foto? Luía sentiu-a sem hesitar. Tenho. Ela estava numa casa velha, sentada numa cadeira de frente para a janela. Quando me viu olhando, ficou assustada. Tentou se esconder, mas eu memorizei o rosto dela e decorei o endereço da casa também. Roberto sentiu algo a partir-se dentro dele, uma barragem, toda a dor controlada das últimas semanas explodindo de uma só vez.
Lágrimas começaram a escorrer, quentes e incontroláveis. Ele tapou a boca com a mão, tentando segurar os soluços que vinham. Helena estava viva. Helena estava viva e algures, trancada, presa, sozinha, enquanto ele organizava o funeral dela, enquanto escolhia flores, enquanto escrevia um discurso sobre a saudade que nunca deveria ter sido necessário.
“Pode levar-me até lá?”, conseguiu perguntar, a voz embargada, despedaçada. Luía sentiu-a novamente, séria como uma adulta. Posso sim. Eu lembro-me do caminho. Se essa história te apanhou até aqui, inscreve-te no canal. O que vem agora vai deixar-te sem ar e não vai querer perder um segundo sequer. A casa da Vila Madalena parecia morta por fora.
Pintura descascada, vidros sujos, mato crescendo nas fendas da calçada. Roberto saiu do carro ainda antes de Eduardo estacionar completamente. Suas pernas tremiam, mas ele forçou um pé na frente do outro. Luía ao seu lado, apontando com o dedo pequeno. É aí, a janela do segundo andar, a da esquerda. Ele olhou para cima.
A janela estava fechada agora, cortinas puxadas, vazia, como se nunca ninguém tivesse olhado através dela, como se Luía tivesse inventou tudo. Mas Roberto sabia que não. Sabia pela forma como a menina falava, pelo brilho de certeza naqueles olhos castanhos. O delegado Mendes chegou minutos depois com dois policiais.
Era um homem de meia-idade, cabelos grisalhos, expressão cansada de quem já viu humanidade a mais. Ele olhou para a casa, depois para Roberto, depois para Luía. A menina tem a certeza? Absoluta. Roberto respondeu antes que Luía pudesse falar. Mendes fez um sinal para os polícias. Eles aproximaram-se da porta da frente com cautela, armas em punho.
O Roberto sentiu o coração disparar. E se a Helena estivesse lá dentro agora? E se estivesse ferida? E se a porta cedeu com um estalido seco. Os polícias entraram. Silêncio. Depois vozes abafadas, passos no andar de cima. O Roberto não conseguiu esperar. Avançou pela porta, ignorando o grito de Mendes para ficar onde estava.
O cheiro a mofo e a humidade atingiu-o como um soco. A sala principal estava vazia, mas havia sinais recentes de ocupação. Uma poltrona de frente para a janela, uma chávena de porcelana fina sobre uma pequena mesa lateral, ainda com restos de chá morno. Ele pegou na chávena com mãos trêmulas. Havia uma marca de batom na orla, rosa claro.
Exatamente o tom que A Helena usava. Senr. Fonseca. A voz de um dos polícias veio do andar de cima. Precisa de ver isto? O Roberto subiu as escadas de dois em dois. O quarto era pequeno, sem janelas, sufocante, um colchão no chão, com lençóis de boa qualidade, postos de lado, como se alguém tivesse saído apressadamente. E na parede, riscadas com algo ponteagudo, existiam marcas, riscos verticais agrupados de cinco em cinco.
Roberto aproximou-se, contando mentalmente. 21 Três semanas, exatamente o tempo desde que a Helena desapareceu. Duas pernas cederam. Apoiou-se na parede, a respiração saindo em rajadas curtas e descontroladas. A Helena tinha estado aqui neste quarto horrível, sem luz natural, marcando os dias na parede como uma prisioneira. Enquanto chorava em casa, enquanto assinava papéis, enquanto acreditava na mentira. Tem mais.
O polícia apontou para o canto do teto, uma câmara de segurança pequena, mal escondida atrás de uma viga. E quando o Roberto olhou para o redor com mais atenção, viu outras, uma em cada canto. Alguém tinha vigiado cada movimento de Helena, documentado cada segundo do sofrimento dela. Mendes entrou no quarto, o rosto grave.
Isso é cativeiro. Alguém a manteve aqui contra à vontade e queria registar tudo. Ele pausou. Vamos apreender estas câmaras. Quem quer que o tenha feito, deixou pistas. Deixam sempre. O Roberto sentiu raiva arde na garganta, mas também medo. Porque se as câmaras estavam aqui, mas Helena não estava, significava que alguém a tinha movido.
Alguém que sabia que estavam a chegar perto. Ele desceu as escadas cambaleantes. Luía estava na sala, ainda a olhar para a poltrona da janela. Ela estava aqui sentada, a menina disse baixinho, olhando para fora como se estivesse à espera que alguém viesse salvá-la. Roberto ajoelhou-se na frente de Luía, segurando os seus ombros magros com delicadeza.
Você salvou-a, entende? Sem ti, eu nunca teria descoberto, nunca teria aberto aquele caixão. O Eduardo apareceu à porta. Roberto, o Mendes quer uma lista de todas as pessoas próximas da Helena, funcionários, amigos e sócios, qualquer um que pudesse ter acesso à rotina de vocês. Roberto sentiu-a, mas a sua mente já estava a trabalhar.
Quem odiava Helena o suficiente para o fazer? Quem teria recursos, motivação, acesso? E depois veio a memória, fria, nítida, indesejada. Marcela Duarte, a ex-sócia de Helena, a mulher que a culpou publicamente pela falência da empresa 10 anos atrás. Nos últimos meses antes de Helena desaparecer, Roberto lembrava vagamente dela, referindo que Marcela tinha tentado o contacto, mensagens estranhas, convites para conversar sobre o passado.
Helena recusava sempre, mas parecia tensa depois. E havia outra pessoa, Júlio Cardoso, o ex-motorista que Roberto despediu há um ano depois de A Helena queixou-se do comportamento dele. Júlio tinha saído furioso, gritando que pagariam por destruir a sua vida. Roberto sentiu o sangue gelar. Mendes, chamou a voz saindo rouca. Preciso contar-te sobre duas pessoas.
E você, o que faria se descobrisse que alguém que ama está vivo, mas desaparecido? Conta aqui nos comentários. A sua história também importa. 48 horas depois, Roberto estava num carro da polícia seguindo em direção à Cotia. As câmaras haviam revelado tudo. Júlio Cardoso a entrar e saindo do quarto onde Helena ficou presa, sempre com capuz, trazendo comida três vezes ao dia.
E Marcela Duarte aparecendo nas gravações, sentando-se na frente de Helena, falando durante horas sobre o ressentimento, sobre a dor, sobre vingança. A voz dela nas gravações ainda ecoava na mente de Roberto. Você vai sentir o que senti, ser esquecida. ser invisível. Vai viver sabendo que o mundo continuou sem ti. Agora, graças a uma denúncia anónima e ao seguimento de compras de Marcela em uma pequena loja biológica, tinham um morada, uma cabana isolada entre árvores altas no fim de uma estrada de terra. O Roberto viu o carro do Júlio
estacionado à frente e sentiu o mundo estreitar à sua volta. A Helena estava ali dentro. Tinha de estar. Mendes posicionou homens em todas as saídas, a voz baixa e tensa na rádio. Ninguém entra até ao meu sinal. Repito, ninguém entra. Mas quando uma figura apareceu na janela do segundo andar, Roberto não conseguiu esperar.
Era ela, a Helena, demasiado magra, cabelos despenteados batendo no vidro com mãos desesperadas. Os seus lábios moviam-se em gritos silenciosos que não conseguia ouvir, mas que rasgavam algo dentro dele. “Helena!”, gritou correndo em direção à casa. Dois polícias o seguraram, mas Roberto lutou contra eles com uma força que não sabia que possuía.
“Solta! Ela está ali, está a ver?” À janela, Helena continuava a bater. Os seus olhos encontraram os dele e mesmo de longe, mesmo através do vidro sujo, O Roberto viu tudo. O medo, a exaustão, a incredulidade de que ele realmente estivesse ali. Equipa de assalto, entrem já. Mendes ordenou. Os polícias rebentaram a porta.
Sons de luta explodiram lá dentro. Gritos, móveis sendo derrubados. E então a voz de Júlio Cardoso, rouca e desesperada. Vocês arruinaram tudo. Ela merecia sofrer. Vocês deitaram-me fora como lixo e agora querem que eu tenha pena. Roberto ouviu Marcela gritar também, mas era diferente. Não era raiva, era desespero puro.
Eu só queria que ela entendesse só isso. E depois, finalmente, Helena apareceu à porta, sustentada por dois polícias, as pernas mal conseguindo suportá-la. O rosto pálido, marcado por semanas de sofrimento, mas viva, respirando real. Roberto partiu o aperto dos homens que o seguravam e correu. Pegou em Helena nos braços antes que ela pudesse cair, segurando-a como se pudesse absorver cada segundo de dor que ela tinha sentido.
“Está aqui?” Helena sussurrou contra o seu pescoço, a voz entrecortada rouca de tanto chorar. “Encontraste-me. Nunca parei de procurar. Roberto disse, e pela primeira vez em três semanas, as palavras não eram mentira, porque ele tinha procurado, tinha rasgado São Paulo, tinha aberto aquele caixão maldito, tinha seguido cada pista até àquele momento.
Helena afastou-se ligeiramente para olhá-lo, as mãos a tremerem enquanto tocavam-lhe no rosto, como que verificando que ele era real. Eu achei achei que ninguém viria, que vocês acreditaram que eu estava morta, que tinham seguido em frente. Nunca. A palavra saiu firme, mas Roberto sentiu as lágrimas queimarem. Eu nunca teria seguido em frente sem ti.
Ela desabou contra ele, soluçando, e Roberto segurou-a com mais força, como se pudesse desfazer três semanas de terror com a força de um abraço. Mas depois veio o grito. Marcela Duarte estava a ser conduzida para fora da casa por dois polícias, algemada, o rosto manchado de lágrimas.
Quando viu Helena nos braços de Roberto, algo nela se quebrou completamente. Caiu de joelhos na terra húmida, soluçante. “Eu só queria que tu entendesse”, gritou Marcela, a voz rasgada. “Queria que sentisse o que senti. 10 anos, Helena. 10 anos perdida enquanto seguia a sua vida.” Helena virou-se lentamente, ainda apoiada em Roberto, olhou para Marcela, a mulher a quem um dia chamou amiga, de sócia. de irmã.
E Roberto viu algo se endurecer nos seus olhos. “Você não me não fez entender nada, Marcela.” Helena disse a voz baixa, mas firme. “Você só fez-me ter pena de si.” As palavras caíram como pedras. A Marcela chorou mais alto, mas Helena já se tinha virado. Não não havia mais nada a ser dito. O Júlio foi arrastado para fora também, ainda gritando, mas as suas palavras perderam-se no vento.
Os paramédicos aproximaram-se com uma maca, insistindo que Helena precisava de ir ao hospital imediatamente. Mas enquanto a colocavam na ambulância, a sua mão não largou a de Roberto nem por um segundo. Se esta reviravolta te arrepiou, se sentiu cada segundo desta busca desesperada, deixa já o teu like. Histórias assim precisam de ser vistas e o seu apoio faz toda a diferença.
O quarto do hospital era demasiado branco. Luz fluorescente refletindo em paredes sem cor, cheiro a desinfetante, bips regulares do monitor cardíaco. Helena estava deitada na cama, olhando pela janela para a cidade lá fora. São Paulo continuava a girar, indiferente. Carros, edifícios, pessoas a viver como se o mundo não tivesse parado há três semanas.
Roberto estava sentado na poltrona ao lado, a mesma onde tinha dormido ou tentado dormir nas duas últimas noites. Não saía nem para tomar banho direito. O Eduardo trouxe roupa limpa. A Carmen trouxe comida que ele mal tocou. Nada importava para além de estar ali. Presente pela primeira vez em anos. Realmente presente.
Não precisa ficar o tempo todo. A Helena disse sem olhar para ele a voz ainda rouca. Eu sei. Há a empresa, reuniões, coisas importantes. Não tem nada mais importante do que isso. Helena virou a cabeça lentamente, olhando-o com aqueles olhos castanhos que agora pareciam carregar um peso que antes não existia.
Teria dito isso antes? A pergunta cortou o fundo. O Roberto sabia a resposta. Não, antes teria mandado uma mensagem a dizer que estava ocupado, que passaria no hospital mais tarde, que ela entendesse. Sempre compreender, sempre esperar. Não. Ele respondeu com honestidade. Eu não teria. Helena desviou o olhar de novo para a janela. Um silêncio pesado instalou-se entre eles, mas não era hostil, era apenas real.
O tipo de silêncio que acontece quando as pessoas que se amam finalmente deixam de fingir. “Contei os dias na parede”, disse ela passado um bocado. 21. E cada dia pensava: “Hoje alguém vai perceber. Hoje alguém me vai procurar. Hoje o Roberto vai compreender que algo está errado.” Roberto fechou os olhos, sentindo a dorvar. Helena, mas não se apercebeu.
Ninguém percebeu. Até que eu já estava morta para todo o mundo. Ela pausou a voz tremendo. Fizeram um funeral, Roberto, com flores e discursos. E você acreditou? Você acreditou mesmo que estava morta sem sequer ver o corpo. Eu Ele Ele tentou explicar, mas as palavras morreram. Não havia explicação. Tinha sido mais fácil acreditar do que questionar.
Mais fácil assinar papéis do que insistir em ver com os próprios olhos. Mais fácil continuar a trabalhar do que enfrentar a dor. Eu sei Helena sussurrou. Eu sei que fizeram parecer real, mas uma parte de mim esperava que soubesse, que sentisse, que não conseguisse enterrar-me sem ter a certeza absoluta.
Roberto levantou-se da poltrona e ajoelhou-se ao lado da cama, pegando no mão dela com delicadeza. Estava mais quente agora depois de dois dias de soro e cuidados, mas ainda demasiado magra, demasiado frágil. “Eu falhei consigo”, ele disse, a voz a quebrar, muito antes do sequestro. Eu falhei quando tentou contar-me sobre as mensagens estranhas da Marcela e eu estava ocupado.
Falhei quando disse que precisávamos conversar e eu respondi: “Falhei em cada jantar que perdi, em cada noite que cheguei tarde demais para importar”. Helena apertou-lhe a mão, lágrimas silenciosas a escorrer. E eu Falhei em insistir, em gritar quando deveria ter gritado, em exigir que lhe me visse.
Então, a gente recomeça – disse Roberto, olhando-a nos olhos. De verdade, desta vez, sem trabalho em primeiro lugar, sem depois, só nós. Ela ficou em silêncio por um longo momento, estudando o rosto dele como se procurasse algo. sinceridade, talvez, ou apenas a certeza de que desta vez seria diferente. “Eu quero acreditar nisso.” Ela sussurrou finalmente.
“Então acredita. Dá-me essa chance”. Helena puxou-o para si, encostando a testa contra a dele. E ficaram assim, respirando em conjunto, deixando que o silêncio falasse o que as palavras não conseguiam. A porta abriu-se suavemente e Luía entrou segurando a mão de Rosana. A menina tinha pedido para visitar todos os os dias, mas Roberto só autorizou agora que a Helena estava mais forte.
Quando Helena viu Luía, o seu rosto inteiro mudou-se, abriu os braços e a menina correu subindo para a cama com cuidado e abraçando Helena como se fosse a coisa mais natural do mundo. “Obrigada”, Helena sussurrou-lhe ao ouvido. “Obrigada por gritar quando mais ninguém gritou”. Luía afastou-se, séria.
“A senhora está melhor? Estou, graças a si. E o Sr. Roberto está cuidando direito. A Helena olhou para Roberto e pela primeira vez em dias um pequeno sorriso apareceu. Está. Ele não sai daqui. Luía assentiu aprovando. Bom, porque as pessoas que amamos não podem desaparecer nem um bocadinho. Roberto sentiu um nó na garganta.
Aquela criança de 7 anos percebia mais sobre a presença e amor do que tinha compreendido em 40 anos de vida. Se essa parte tocou no seu coração de verdade, considere apoiar o nosso canal com um super thanks ou se inscreva já se ainda não o fez. Histórias destas só existem porque você está aqui connosco. Seis meses depois, o Roberto estava na varanda do apartamento novo na Vila Madalena, segurando algo pequeno e pesado na palma da mão.
Aliança de ouro que havia guardado na gaveta durante três semanas de luto falso, a mesma que jurou nunca mais colocar. A Helena apareceu à porta da varanda com duas chávenas de café. Parou ao vê-lo a olhar para a aliança. “Ainda a pensar nisso?”, perguntou ela baixinho. Roberto ergueu os olhos para ela.
Estou a pensar em como quase joguei fora a única coisa que realmente importa. Helena sentou-se ao lado dele, colocando as chávenas na pequena mesa. Os seus pés descalços tocaram-se, um gesto simples que antes passaria despercebido. Agora, cada toque era consciente. Intencional. Você guardou-a por três semanas”, disse a Helena, achando que eu estava morta.
Não conseguia colocar de volta. Parecia errado. Como aceitar? E agora? Roberto olhou para a aliança por mais um momento. Depois, lentamente deslizou-a de volta para o dedo. Estava frio, mas logo aqueceria, como eles estavam a fazer, lentamente, dia após dia. Agora sei que as alianças não não significam nada se a pessoa não estiver presente, disse ele, e eu prometo estar todos os dias.
Helena pegou-lhe na mão tocando com o polegar na aliança. Eu ainda tenho pesadelos. Eu sei. Acordo a pensar que estou naquele quarto. Eu sei. E eu vou estar aqui sempre. Eles ficaram em silêncio, observando a rua a acordar. Um casal passava com um cachorro. Uma mulher transportava sacos de feira. Vida a acontecer simples e comum, mas já não invisível para eles.
O telefone de Helena vibrou. Era uma mensagem do grupo de apoio que ela criara. 32 participantes agora. Pessoas que sofreram maus tratos psicológicos, manipulação, controlo. Ela transformou a sua dor em propósito. “Há sessão hoje à noite”, disse ela. “Vou contigo.” “Não precisa. Eu sei que não preciso. Eu quero. Helena sorriu de lado.
Aquele pequeno sorriso que Roberto tinha aprendeu a valorizar como o tesouro que era. Luía apareceria mais tarde, todo sábado sem falta. Trazia desenhos, prémios da escola, histórias sobre amigos novos. A Rosana vinha sempre junto e a mesa estava cheia de risos. Uma família que não era de sangue, mas de escolha.
Roberto pensou em Marcela, cumprindo 18 anos de prisão. Helena tinha recebido uma carta dela meses atrás. Leu, chorou, mas não respondeu. Porque o perdão não se tratava de dar respostas, era sobre largar o peso e ela já tinha soltado. “Sabe o que percebi?”, – disse Helena de repente. “Se nada disto tivesse acontecido, teríamos continuado da mesma forma.
Você a trabalhar, eu sozinha. Até que um dia olharíamos para o lado e não reconheceria mais quem ali estava. Roberto apertou-lhe a mão. Eu vejo-te agora. De verdade. Eu sei. Ela descansou a cabeça no ombro dele. E eu vejo-te também. Ficaram assim enquanto o sol subia sobre São Paulo, aquecendo a varanda iluminando o café que arrefecia nas chávenas. Não era perfeito.
Nunca seria. Ainda havia cicatrizes, ainda havia noites difíceis, ainda havia momentos em que o passado batia à porta, mas estavam juntos, realmente juntos. E desta vez isso não era pouco, era tudo. Sabe, há uma coisa sobre histórias assim, não terminam com final perfeito, terminam com verdade. Helena e Roberto não viveram felizes para sempre.
Eles viveram presentes um para o outro, que é muito mais difícil e bem mais real. E Luía, aquela menina que gritou quando todos se calaram, ela faz-lhe lembrar algo importante. Às vezes, tudo o que alguém precisa é de uma pessoa que se recuse a aceitar a mentira, que olhe, que veja, que grite a verdade, mesmo quando toda a gente acha loucura.
Talvez já tenha sido essa pessoa para alguém, ou talvez precise ser agora. As pessoas desaparecem todos os dias, não fisicamente como Helena, mas emocionalmente, socialmente. Vão desaparecendo enquanto todos seguem em frente e ninguém grita. Então, olha ao seu redor. Realmente olha. Tem alguém desaparecendo perto de si? Alguém que precisa que pare, veja e grite.
Esta história não é só sobre a Helena, é sobre todas as pessoas que desaparecem enquanto todos estão ocupados demais para perceber. Obrigado por ter ficado até ao fim, por ter sentido cada palavra, por ter estado presente nesta caminhada. Se esta história te tocou, há outra à espera logo aqui ao lado.
Clica, assiste e continua connosco, porque no fundo é disso que se trata. Pessoas encontrar pessoas, histórias encontrar corações e ninguém desaparecendo sozinho. Vejo-te no próximo vídeo. E lembra-te, tu importas, a sua presença importa. Alguém em algum lugar precisa que esteja realmente ali.















