FAXINEIRA ENCONTRA SEU CHEFE MILIONÁRIO COM DOIS BEBÊS NA PORTA — A DECISÃO DELA EMOCIONA A TODOS

Faachineira vê o seu patrão milionário parado com gémeos em frente à sua casa e ajuda-o. Clarice aproxima-se devagar e assustada. Gustavo Mendes está encostado na parede de barro, segurando dois bebés, e parece completamente perdido e exausto. Clarice sente as pernas tremerem quando reconhece o rosto dele, Gustavo Mendes, o seu patrão, o homem que ela via todos os dias quando limpava a mansão dele na cidade, sempre distante, sempre ocupado, com reuniões e telefonemas importantes, sempre educado, mas nunca realmente presente. Ele está
ali em frente da sua casa, humilde, encostado à parede de barro, segurando dois bebés recém-nascidos, como se fossem a única coisa que importa no mundo. Clarissa engole em seco e toca o ombro dele novamente, desta vez com mais firmeza. O Gustavo abre os olhos devagar e olha-a sem foco.
A respiração dele está pesada e irregular, o rosto pálido demais para alguém que sempre pareceu tão forte e controlado. Ela percebe que ele não está bem. Clarice inclina-se mais perto e fala baixinho para não assustar os bebés. Senhor Gustavo, o senhor está a ouvir-me? Gustavo pisca várias vezes, tentando focar a visão nela e mexe os lábios, mas nenhum som sai no início.
Ele aperta os bebés contra o peito com mais força e Clarice vê o desespero nos olhos dele. Um desespero que ela nunca imaginou ver em alguém tão poderoso. Ele finalmente consegue falar e a voz sai fraca e rouca. Clarice, mora aqui? Ela balança a cabeça tentando perceber o que está acontecendo. Moro sim, senhor. O senhor veio-me procurar? Gustavo volta a fechar os olhos e apoia a cabeça na parede atrás dele.
O o suor escorre-lhe pela testa e ele parece estar a usar toda a força que resta só para estar sentado. Eu não sabia mais para onde ir. Você é a única pessoa em quem posso confiar. Clarice sente o coração apertar com aquelas palavras. Ela nunca imaginou que ele sequer soubesse onde ela vivia.
Nunca imaginou que ele pensava nela como alguém de confiança. Sempre achou que era apenas mais uma funcionária invisível na vida dele. Ela olha para os bebés e percebe que são gémeos, meninos idênticos, com os rostos vermelhos e os olhos ainda fechados, enrolados em panos que parecem caros. Mas estão amarrotados e sujos. Senhor Gustavo, de quem são estes bebés? O Gustavo volta a abrir os olhos e olha para os filhos com um misto de amor e pânico que Clarice nunca viu em ninguém.
São os meus filhos, nasceram esta manhã. Clarice arregala os olhos e tapa a boca com a mão. Ela sabia que o Gustavo era casou com Vitória Almeida, uma mulher elegante e fria que aparecia na mansão apenas algumas vezes por mês, sempre com roupas de marca e um sorriso falso no rosto.
A senora Vitória teve os bebés, mas por senhor está aqui? Onde está ela? O Gustavo abana a cabeça devagar e a a mandíbula dele contrai-se. Ele demora alguns segundos antes de conseguir falar novamente e quando fala a voz sai carregada de dor. A Vitória não é a mãe deles. Ela nunca quis ter filhos. Esses rapazes são de outra mulher.
Clarice sente o chão desaparecer debaixo dos pés dela. Ela não sabe o que dizer, não sabe como reagir, fica apenas ali parada, a olhar para aquele homem que sempre pareceu ter tudo sob controlo, agora completamente destruído. Gustavo continua a falar com dificuldade e Clarice vê que cada palavra custa um enorme esforço para ele.
A mãe deles se chamava-se Júlia Júlia Tavares. Ela trabalhava no departamento financeiro da empresa. Conhecemo-nos há um ano e meio atrás numa reunião de orçamento. Era inteligente, dedicada, tinha um sorriso que iluminava toda a sala. Eu estava infeliz no casamento há anos. A Vitória e eu já não nos falávamos, a não ser por obrigação.
Dormíamos em quartos separados. Vivíamos vidas separadas. Ela tinha os eventos sociais dela e eu tinha o trabalho. Era tudo frio, mecânico, sem vida. Ele para de falar e respira fundo, tentando se controlar. As lágrimas começam a descer pelo seu rosto e ele não faz qualquer esforço para limpar. A Júlia era diferente de tudo o que conhecia.
Ela vinha de família humilde como tu, Clarice. Trabalhou arduamente para conseguir formar-se em administração. Ela não se impressionava com o dinheiro ou poder. Ela via-me como pessoa, não como o dono da empresa. A gente começou a conversar depois das reuniões, tomávamos café juntos, ela contava-me sobre a vida dela e dava por mim a rir de verdade pela primeira vez em anos.
E Clarice escuta tudo em silêncio, sentindo o coração apertar cada vez mais. Ela nunca viu o Gustavo tão vulnerável, tão humano. E mesmo sabendo que não devia, ela sente uma ligação com aquela dor dele. Gustavo continua e a sua voz fica mais baixa. Eu apaixonei-me por ela. Tentei resistir no início porque sabia que era errado, sabia que era casado, mas não consegui.
A gente começou um relacionamento escondido. Prometi para ela que me ia divorciar de vitória, que ia assumir-nos publicamente. Júlia acreditou em mim. Ela sempre acreditou em mim. Fecha os olhos com força e mais lágrimas escorrem. Quando ela descobriu que estava grávida, ficou assustada. A gente não tinha planeado isso, mas quando ela me contou, senti uma felicidade que nunca tinha sentido antes.
Eu ia ser pai, ia ter uma família de verdade. Eu abracei-a e prometi que ia tratar de tudo, que ia resolver a situação com vitória, que os nossos filhos iam crescer com amor e segurança. O Gustavo abre os olhos e olha para Clarice com uma expressão tão sofrida que ela sente vontade de o abraçar. Mas demorei demasiado tempo. Fiquei com medo das consequências.
Vitória vinha de uma família poderosa e eu sabia que ela não ia aceitar o divórcio tranquilamente. Eu fui adiando, procurando o momento certo e enquanto isso, a Júlia ia ficando cada vez mais grávida e mais ansiosa. Ela queria que eu assumisse logo, mas eu pedia mais tempo, sempre mais tempo. Clarice vê a culpa a consumi-lo por dentro e sem pensar ela coloca a mão sobre a mão dele que segura um dos bebés.
O senhor não podia saber o que ia acontecer. Gustavo abana a cabeça. Mas eu devia ter agido mais rapidamente. Ontem de manhã, A Júlia entrou em trabalho de parto três semanas antes do previsto. Ela ligou-me do hospital a pedir-me para ir até lá. Larguei tudo e fui. Quando cheguei, já estava na sala de partos.
Os médicos disseram que a gravidez de Gémeos estava a ser complicada, que a pressão dela tinha subido muito, o que tinha risco. Pára de falar e soluça baixinho. O corpo dele treme e os bebés mexem-se nos braços dele, sentindo a agitação do pai. Eu segurei a mão dela durante todo o parto.
Ela gritou, chorou, sofreu, mas continuou a lutar. Quando os bebés nasceram e choraram pela primeira vez, ela sorriu. Aquele sorriso lindo que eu amava tanto. Os enfermeiros colocaram os rapazes no peito dela durante alguns minutos. Ela olhou para eles e depois olhou para mim e disse que me amava. Disse que confiava em mim. disse que sabia que ia ser um pai maravilhoso.
As lágrimas de Gustavo caem com mais força agora e mal consegue falar. E então ela fechou os olhos. Os monitores começaram a apitar. Os médicos tiraram os seus bebés e começaram a tentar reanimá-la. Fiquei ali parado, sem conseguir mexer-me vendo aquilo tudo. Tentaram por 20 minutos. Massagem cardíaca, choque, medicação, tudo.
Mas não adiantou. O coração dela parou. Ela tinha apenas 27 anos, Clarice. 27 anos e morreu dando-me os filhos que eu pedi para ela ter. Clarice sente as próprias lágrimas a descerem-lhe pelo rosto. Ela não consegue segurar a emoção perante aquela história tão triste e real. Ela aperta a mão de Gustavo, tentando oferecer algum conforto, mesmo sabendo que não existe conforto possível para uma dor daquele tamanho.
O Gustavo limpa o rosto com a manga do casaco e continua a falar. Parece que agora que começou precisa contar tudo. Eu fiquei no hospital cuidar dos bebés por algumas horas. Os os enfermeiros ensinaram-me como segurar eles, como dar o biberão, como mudar fralda. Eu estava em choque, mas tentava prestar atenção a tudo. Esses meninos eram tudo o que restava de Júlia.
Eu não podia falhar com eles também. Olha para os filhos com tanto amor que Clarice sente o coração derreter. Quando saí do hospital, já era fim de tarde. Eu coloquei os bebés no carro com tanto cuidado, conduzi devagar até casa, pensando em como ia contar tudo paraa vitória. Eu ia chegar lá e dizer ao verdade.
Ia pedir o divórcio, a assumir os meus filhos e a fazer o que devia ter feito há meses. Gustavo respira fundo e o maxilar dele trava. Mas quando cheguei a casa, A Vitória estava à minha espera na sala principal. Ela já sabia tudo. Alguém da empresa tinha-lhe contado sobre a minha relação com a Júlia. Ela sabia da gravidez, sabia que os bebés tinham nascido. Sabia que Júlia tinha morrido.
Ela sabia tudo. Clarice franze a testa. Como é que ela descobriu? O Gustavo dá um sorriso amargo. Vitória tem espiões em todos os lugares. Ela paga bem para saber de tudo o que acontece ao redor dela. Quando entrei na sala com os bebés, ela nem sequer olhou para eles. Ela me olhou com aquele sorriso frio que eu conheço tão bem e disse que eu tinha duas opções.
Ele para e o seu corpo fica tenso com a lembrança. A primeira opção era eu me livrar dos bebés, colocá-los paraa adoção, dar a alguém para criar. Não importava, desde que desaparecessem da a minha vida. Se eu fizesse isso, ela fingia que nada tinha acontecido. A gente continuava casada, a empresa continuava a funcionar, tudo voltava ao normal.
Clarice sente a raiva subir-lhe no peito. E a segunda opção, o Gustavo olha para ela com os olhos vermelhos. A segunda opção era eu ficar com os meus filhos e perder tudo. A Vitória ia pedir o divórcio e ia utilizar todos os contactos dela para destruir a minha reputação e a contar para imprensa que tive um caso com uma funcionária, que a engravidei enquanto era casado, que sou um homem imoral e sem carácter.
Os meus sócios iam me abandonar, os meus clientes iam cancelar os contratos, a minha empresa ia falir em questão de meses. Clarice balança a cabeça incrédula, mas isso é chantagem. Ela não pode fazer isso. Gustavo ri-se sem humor. Ela pode e vai fazer se eu não obedecer. A sua família tem três juízes amigos, Clarice.
Tem delegados, procuradores, vereadores, gente importante em todos os lugares. Se ela me quiser destruir, ela consegue. E se eu perder tudo, como vou sustentar os meus filhos? Como lhes vou dar a vida que eles merecem? Clarice vê o desespero voltar para os olhos dele e percebe porque ele estava tão perdido quando ela o encontrou.
Ela deu-te quanto tempo para decidires? O Gustavo olha para o relógio de pulso. Duas horas e já passaram mais de 12. Ela deve estar furiosa agora. Deve estar preparando tudo para me destruir. Clarice sente o pânico apertar o peito dela. Então, porque é que o senhor veio aqui? Porque não ficou na mansão tentando negociar com ela? O Gustavo olha para Clarice com uma intensidade que a faz esquecer como respirar.
Porque eu não Vou abandonar os meus filhos. nem por dinheiro, nem por poder, nem por nada. A Júlia morreu confiando em mim. Ela me deu estes meninos acreditando que eu ia ser um bom pai e vou sê-lo. Não importa o que a Vitória faça, não importa o que eu perder, eu vou criar os meus filhos. Ele aperta os bebés contra o peito de novo e continua. Peguei neles e saí de casa.
Entrei no carro e conduzi sem destino. Passei por várias ruas a pensar em quem poderia me ajudar. Pensei em amigos, mas todos eles conhecem a Vitória e fazem negócio com a família dela. Pensei em contratar um advogado, mas Vitória tem os melhores advogados da cidade trabalhando para ela. Pensei em fugir para outra cidade, mas sem dinheiro e sem planeamento não ia durar nenhuma semana com dois recém-nascidos.
Gustavo olha em redor da casa humilde e depois olha de novo para Clarice. E então lembrei-me de você. Lembrei-me de como cuida da minha casa como se fosse sua. Lembrei-me de como sorris para as plantas quando pensa que ninguém tá vendo. Lembrei-me de como sempre foi gentil comigo mesmo, sendo eu apenas mais um patrão distante.
Lembrei-me que és real, Clarice, que é honesta, que tem um coração bom. E eu pensava que se existia alguém no mundo que me podia ajudar sem me julgar, era você. Clarice sente as lágrimas voltarem, mas força-as para trás. Ela precisa de ser forte agora. Precisa de pensar com clareza. Como é que o senhor descobriu onde eu moro? Gustavo esboça um sorriso fraco.
Eu vi o seu morada na ficha de funcionária. Eu conduzi até aqui, mas quando cheguei eu não consegui sair do carro. Fiquei ali sentado há quase uma hora tentando juntar coragem para lhe bater à porta. Os bebés estavam a chorar. Eu estava tonto de cansaço e stress. E então eu comecei a sentir-me mal. Saí do carro com eles e vim até à porta, mas as minhas pernas fraquejaram.
Eu encostei-me na parede e foi a última coisa de que me lembro antes de você aparecer. A Clarice percebe tudo agora. Entende porque estava tão pálido e fraco quando ela o encontrou. entende a dimensão do desespero dele. Ela olha pros bebés dormindo tranquilos e sente uma onda de proteção que nunca sentiu por ninguém. Eles precisam de comer.
Quando foi a última vez que mamaram? Gustavo olha para os filhos como se só agora se apercebesse que no hospital. Antes de eu sair, faz umas 4 horas, Clarice levanta-se rapidamente e vai até à porta da cozinha. Tia Neusa, tia Neusa, vem cá depressa. A tia dela aparece da cozinha onde estava a preparar o almoço.
Ela tem farinha nas mãos e uma expressão confusa no rosto quando vê a cena. O que está a acontecer aqui, menina? Quem é este homem e estes bebés? Clarice puxa a tia para o canto da sala e fala baixo, mais depressa. É o meu patrão, tia. Ele está a passar por uma situação muito séria e precisa da nossa ajuda. Os bebés são filhos dele e precisam de comer urgente. Temos leite em pó.
Tia Neusa olha para Gustavo e para os bebés de novo. É uma mulher de 58 anos que passou a vida inteira a cuidar de Clarice depois de os pais da menina morreram num acidente de viação quando tinha apenas 5 anos. Uma mulher de coração enorme, que criou a sobrinha sozinha, trabalhando como costureira, e que nunca negou ajuda a ninguém que batesse à porta dela precisando.
Tem sim. A dona Berenice deixou aqui no outro dia quando trouxe o netinho para visitar. Vou aquecer água e preparar as mamadeiras agora. Mas este homem tá muito pálido, Clarice. Ele precisa de um médico. Clarice abana a cabeça. Eu sei, tia, mas é complicado. Por favor, só prepara os biberões que eu te depois explico tudo.
A Tia Neusa resmunga alguma coisa sobre a juventude inconsequente, mas vai à cozinha e Clarice volta para perto de Gustavo. Ela senta-se ao lado dele no sofá velho e estende os braços. Deixa-me segurar um deles enquanto a tia prepara os biberões. Gustavo hesita por um segundo. Olha para Clarice e depois para os bebés.
E ela vê a luta interna a acontecer dentro dele, a dificuldade de confiar nos filhos para alguém. Mas depois respira fundo e coloca um dos bebés nos braços dela com tanto cuidado que parece estar entregando o maior tesouro do mundo. A Clarice olha para o rostinho pequeno e sente algo derreter dentro dela. Ela nunca teve filhos, nunca teve tempo nem condição para pensar nisso.
Trabalhou desde os 15 anos para ajudar a tia com as contas da casa. Nunca namorou a sério, nunca teve tempo para construir uma família, mas segurar aquele bebé minúsculo faz com que ela entenda porque O Gustavo arriscou tudo. O outro bebé continua a chorar no colo de Gustavo e abana o corpo tentando acalmar o filho.
A voz dele sai baixinha e quebrada. Vai correr tudo bem, pequeno. O papá tá aqui. O papá não vai deixar nada de mal vos acontecer. Papai promete. Clarice sente as lágrimas voltarem, mas força-as para trás de novo. Ela precisa de ser forte agora. Precisa de ajudar este homem e estes bebés de alguma forma. A Tia Neusa regressa da cozinha alguns minutos depois com duas biberões pequenos e entrega uma para Clarice e outra para Gustavo.
Testa no pulso antes de lhes dar. Tem que estar morna, não pode ser quente, senão queima-lhes a boca. Clarice faz como a a tia ensinou e coloca o bico do biberão na boquinha do bebé. Ele demora alguns segundos a tentar perceber o que é aquilo, mas depois começa a sugar com força, os olhinhos ainda fechados, mas a boquinha a trabalhar desesperada para matar a fome.
Gustavo faz o mesmo com o outro bebé e pela primeira vez desde que Clarice encontrou-o encostado à parede, ela vê um pouco de alívio no rosto dele. A Tia Neusa senta-se na cadeira velha do outro lado da sala e cruza os braços, observando a cena com atenção. Agora vai-me explicar direito o que está a acontecer aqui, menina, e não me venha com meia verdade.
Clarice conta tudo à tia enquanto os os bebés mamam. Conta sobre Júlia e o relacionamento dela com o Gustavo. Conta sobre a gravidez e a sua morte no parto. Conta o ultimato de vitória e sobre o Gustavo não ter para onde ir. A Tia Neusa escuta tudo em silêncio, com o rosto cada vez mais sério. E quando Clarice termina, a mulher mais velha abana a cabeça devagar.
Essa tal de A Vitória é uma criatura sem coração e sem alma. Que tipo de pessoa pede a um pai abandonar os próprios filhos recém-nascidos? Que tipo de mulher coloca o dinheiro e a reputação acima da vida de duas crianças inocentes? Gustavo olha paraa tia Neusa com gratidão nos olhos. A senhora não me conhece, mas mesmo assim está a ajudar-me.
Eu nunca vou esquecer isso. Nunca. A Tia Neusa dá de ombros. Eu não o ajudo, moço. Eu ajudo estas crianças inocentes que não pediram para nascer no meio desta confusão toda. Mas precisa de um médico. Está com febre e muito pálido. Se morrer, quem vai cuidar desses meninos? Gustavo termina de dar a biberão ao bebé e coloca-o contra o ombro para arrotar, como os enfermeiros ensinaram no hospital.
O bebé solta um arroto baixinho e Gustavo não consegue evitar um sorriso débil. Eu vou ficar bem, só preciso de descansar um pouco, são apenas cansaço e stress. Clarice termina também de alimentar o outro bebé e imita Gustavo, colocando -lo contra o ombro. Quando o bebé arrota, ela sente uma satisfação estranha, como se tivesse conquistado alguma coisa importante.
O senhor não pode voltar para casa? Gustavo abana a cabeça e a mandíbula dele volta a travar. Ela vê a raiva e a frustração passarem pelo seu rosto. Não com os meus filhos. Vitória deixou muito claro que se eu lá aparecer com eles, ela vai chamar os advogados na mesma hora e iniciar o processo de divórcio.
E quando ela fizer isso, vai contar para toda a gente que eu tive um caso extraconjugal com uma funcionária, que engravidei-a enquanto era casado, que deixei-a morrer no parto. Ela vai pintar uma imagem tão feia de mim que ninguém vai querer fazer negócio comigo. A minha empresa vai falir. Meus os funcionários vão perder os empregos.
Tudo o que construí durante 15 anos vai desaparecer em questão de semanas. Clarice franze o sobrolho tentando entender. Mas isto não é chantagem. Não não há nada que o senhor possa fazer legalmente contra ela? Gustavo ri-se sem nenhum humor. A família dela tem três juízes na folha de vencimento, Clarice. Tem delegados, procuradores, vereadores, proprietários de jornais, apresentadores de televisão, pessoas níveis.
Se eu tentar ir contra ela usando a lei, perco antes mesmo de começar. Ela vai comprar o juiz, vai subornar testemunhas, vai fabricar provas, se precisar. E quando tudo terminar, vou estar falido e sem os meus filhos. Clarice sente a raiva subir forte no peito dela, mas o Senhor é o pai deles. Ela não pode tirar isso do senhor.
A Tia Neusa levanta-se e vai até ao cozinha de novo. Volta alguns minutos depois com um pano húmido e entrega-o ao Clarice. Passa-lhe isso na testa. A febre está a subir de novo. Clarice pega no pano e aproxima-se de Gustavo. Ela passa o tecido húmido e frio na testa dele com cuidado e sente o calor da pele dele contra os dedos dela.
Ele está a queimar mesmo. Senr. Gustavo, por favor, deixa a gente chamar alguém para te examinar. Gustavo segura a mão de Clarice antes que ela afaste e olha-a nos olhos com tanta intensidade que ela sente o ar faltar nos pulmões. Não posso arriscar, Clarice. Se alguém me vir aqui com os bebés, a Vitória vai saber.
Ela tem espiões em todos os locais, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, todos podem estar trabalhando para ela. Só preciso de algumas horas para pensar em alguma coisa. Só algumas horas. Clarice olha paraa tia Neusa pedindo ajuda, e a mulher mais velha suspira fundo, cruzando os braços de novo. Está bem. Fica-se aqui e descansa. Mas se piorar, se a febre subir mais ou se desmaiar, chamo o Dr.
Reinaldo da Vila e não vai ter escolha. É discreto e de confiança. Gustavo abana a cabeça concordando porque não tem forças para discutir. Ele relaxa um pouco no sofá, mas ainda segura um dos bebés com força, como se alguém fosse tentar arrancar o menino dele a qualquer momento. Clarice pega no outro bebé do seu colo antes que ele deixa cair no cansaço e fica ali sentada ao lado dele, sem saber bem o que fazer agora.
Ela nunca esteve numa situação tão complicada na vida dela. A Tia Neusa pega em algumas almofadas velhas do quarto e coloca-o no chão da sala. Ela tira cobertores macios do armário e faz uma espécie de berço improvisado ali mesmo. Depois faz sinal a Clarice colocar os bebés. As duas mulheres deitam os meninos lado a lado com muito cuidado e aconchegam-se um no outro instintivamente.
Os rostinhos relaxados, agora que estão alimentados e quentinhos, os dedinhos minúsculos tocando-se como se já soubessem que eram irmãos e que precisavam um do outro. Gustavo observa tudo com os olhos pesados e meio fechados. A voz dele sai arrastada e baixa. Obrigado. Obrigado por tudo o que vocês estão a fazer.
Não sei como vou retribuir, mas vou encontrar um jeito. A Tia Neusa pega noutro cobertor do armário e cobre Gustavo com ele. Não precisa de retribuir nada. Só dorme um pouco, moço. A gente cuida dos bebés. Eles estão seguros aqui. O Gustavo tenta protesta, mas o corpo dele não obedece mais.
Os olhos dele fecham-se sozinhos e em poucos segundos está a dormir profundamente. A respiração ainda irregular, mas mais calma do que antes. Clariss fica a olhar para ele por um longo tempo, vendo aquele homem que sempre pareceu tão distante e inalcançável, agora tão vulnerável e humano na sala pequena da sua casa. E ela sente algo mudar dentro de si, algo que ela não consegue explicar, mas que sabe que vai mudar tudo.
Dianeusa toca o ombro de Clarice e as duas vão para cozinha, deixando a porta entreaberta para se ouvirem os bebés chorarem. A tia mais velha fecha a porta da cozinha e serve café forte na chávena velha, empurrando paraa Clarice. Você gosta dele? Não é uma pergunta, é uma afirmação. Clarice sente o rosto aquecer e desvia o olhar pegando na chávena.
Ele é o meu patrão, tia. Só isso. A Tia Neusa ri-se baixinho, sem qualquer humor. Isto não é resposta, menina. Eu vi como olhas para ele. Já vi este olhar antes. É o mesmo olhar que a sua mãe tinha quando olhava para o seu pai. Clarice bebe o café tentando ganhar tempo, mas sabe que não adianta mentir paraa tia.
A mulher criou-a desde pequena e conhece cada expressão do rosto dela melhor do que ninguém. Não importa o que eu sinta, tia, ele é casado, é rico, é de outro mundo completamente diferente do meu. E agora ele está a passar pela pior situação da vida dele. A última coisa que ele precisa é de complicação. Tia Neusa abana a cabeça devagar, sentando-se na cadeira do outro lado da pequena mesa.
Ele veio ter contigo, menina. de todas as pessoas que ele conhece, de todos os amigos ricos e poderosos que ele deve ter, ele escolheu-o a si. Ele conduziu até aqui, até esta casa humilde, no meio do nada, porque confiou em si. Isso significa alguma coisa. A Clarice não responde porque não sabe o que dizer.
Ela fica apenas ali sentada na cozinha pequena, a beber café quente e a ouvir a respiração pesada de Gustavo vindo da sala ao lado, enquanto tenta perceber como a vida dela mudou tanto em menos de 2 horas, as horas passam devagar e o sol começa a descer no horizonte, pintando o céu de laranja e vermelho, enquanto Clarice fica na sala a cuidar dos bebés que acordam de duas em duas horas pedindo comida. ou a precisar de ser trocados.
Tia Neusa improvisou fraldas com panos limpos e ensinou à Clarice como trocar os meninos direito, mostrando cada passo com paciência. E cada vez que ela apanha um deles ao colo, ela sente o coração apertar um bocadinho mais, porque nunca imaginou que se ia apegar tão depressa a duas crianças, que nem conhecia.
Gustavo continua a dormir no sofá, mas a febre dele não baixa. Ele sua tanto que o tecido do fato azul fica completamente encharcado. E ele mexe-se inquieto, murmurando nomes que Clarice não consegue compreender direito. Ela molha o pano de novo de meia em meia hora e passa no rosto dele tentando refrescar. Ele se acalma um pouco com o toque, mas não acorda.
Janeusa prepara sopa de legumes bem quentinha para o jantar e coloca numa tigela pequena, deixando em cima da mesa caso Gustavo acorde com fome. Mas quando escurece completamente lá fora e as estrelas aparecem no céu enorme, ele ainda está a dormir pesado com a respiração irregular. Clarice senta-se no chão junto ao berço improvisado e observa os bebés a dormir.
aconchegados um no outro. Ela nunca viu nada tão puro e inocente na vida dela. Um dos meninos abre os pequenos olhos e olha para ela como se estivesse a tentar entender quem é aquela pessoa estranha a cuidar dele. Clarisso mindinho e o bebé segura com a mãozinha minúscula, fazendo uma força surpreendente. Olá, pequeno.
Tudo bem consigo? Você tá com fome outra vez? O bebé não responde claro, mas continua a segurar o dedo dela com aquela força toda. E Clarice sente as lágrimas encherem os olhos de novo. Ela não tenta segurar desta vez porque está cansada de fingir que não está emocionada. Ela está apaixonada por aqueles bebés, mesmo conhecendo-os há apenas algumas horas.
está apaixonada pela forma como confiam nela completamente, pela forma como se aconchegam-se nos braços dela quando ela os pega, pela forma como olham para ela, como se ela fosse a coisa mais importante do mundo inteiro. E quando ela olha para o Gustavo a dormir no sofá com o rosto pálido e suado, ela sabe que está apaixonada por ele também, mesmo sabendo que é impossível, mesmo sabendo que nunca vai resultar, mesmo sabendo que ele pertence a outro mundo, que ela nunca fará parte, mas o coração não pede licença para sentir as coisas e
ela não consegue controlar isso. Tia Neusa aparece à porta da sala com outro manta nas mãos e cobre os ombros de Clarice com cuidado. Você devia dormir um pouco, menina. Eu fico de olho neles e chamo-te, se precisar. Clarice balança a cabeça sem tirar os olhos dos bebés. Não consigo dormir, tia.
Fica pensando no que vai acontecer quando ele acordar. Ele não pode ficar aqui para sempre. A gente não tem estrutura para cuidar de dois recém-nascidos. E os bebés precisam de cuidados médicos melhores do que a gente pode dar. Detia Neusa senta-se no chão ao lado de Clarice com dificuldade, porque os joelhos dela já não são os mesmos de antes.
As duas ficam ali em silêncio durante muito tempo, apenas ouvindo a respiração tranquila dos bebés e o barulho longínquo dos grilos lá fora na escuridão. A mulher mais velha finalmente fala baixinho, olhando para os bebés. Sabes o que eu acho, menina? Eu acho que este homem veio parar à sua porta por um motivo muito específico.
Não foi acidente, não foi coincidência, foi destino. A Clarice olha para a tia com os olhos arregalados, porque nunca esperou ouvir isso dela. Tia, a senhora não acredita nestas coisas de destino e essas histórias todas. A Tia Neusa sorri e o rosto dela fica cheio de rugas. Eu não acreditava mesmo.
Passei a vida inteira achando que fazemos as próprias escolhas e que não existe nada para além disso. Mas depois de o ver com estes bebés, depois de ver como aquele homem olhou para si, mesmo estando meio apagado de febre, comecei a acreditar sim. Às vezes as coisas acontecem exatamente da maneira que tem que acontecer, não da forma que a gente planeia ou imagina.
A Clarice quer discutir, mas não tem forças nem argumentos. Ela apenas encosta a cabeça no ombro da tia e fecha os olhos por um momento, deixando o cansaço tomar conta do corpo dela. Ela deve ter dormitado ali mesmo, sentada no chão, porque quando volta a abrir os olhos, a luz fraca do amanhecer já está a entrar pela pequena janela da sala, pintando tudo de dourado.
Clarice assusta-se e olha rápido para o berço improvisado. Mas os bebés estão a dormir tranquilos e quentinhos. Ela olha para o sofá à procura de Gustavo, mas ele já não está lá. O coração dela dispara e ela levanta-se demasiado rápido, ficando tonta, olha em redor da sala com desespero. Senhor Gustavo! Ela ouve um barulho vindo da cozinha e corre para lá, tropeçando no cobertor que estava nos ombros dela.
Encontra Gustavo sentado à mesa com a cabeça apoiada nas mãos e um copo de água transparente na parte da frente dele. Ele levanta o rosto quando ouve ela entrar e Clarice vê que ele está um pouco melhor do que ontem. A cor voltou para o rosto dele e os olhos estão mais focados e atentos. Desculpa se te assustei-me.
Acordei há uns 30 minutos e não te queria acordar. Você estava a dormir ali com os bebés e parecia tão cansada. Clarice senta-se na cadeira do outro lado da mesa e observa-o com atenção, procurando sinais de que ele ainda está a sentir-se mal. Como o Sr. está a sentir-se agora? O Gustavo toma um gole grande de água e coloca o copo de volta à mesa.
Melhor, bem melhor, na verdade. Ainda me sinto tonto e fraco, mas a febre baixou bastante. Acho que era mesmo cansaço e stress acumulado de tudo o que aconteceu. Eles ficam em silêncio por um momento constrangedor, até que Gustavo volta a falar, a voz mais firme e decidida do que ontem. Eu preciso agradecer-lhe a si e à sua tia do fundo do coração.
Vocês salvaram os meus filhos ontem, salvaram-me a mim também. Eu não sei o que teria acontecido se o senhor não me tivesse encontrado ali. Clarice abana a cabeça, sentindo o rosto aquecer. A gente só fez o que qualquer pessoa decente faria na mesma situação. Gustavo ri-se sem humor e o som sai meio áspero. Não, Clarice.
Qualquer pessoa ter-me-ia mandado embora com medo de se envolver ou teria chamado a polícia sem fazer perguntas. Você acolheu-me sem hesitar. Cuidou dos meus filhos como se fossem seus. Não julgou as minhas escolhas. Isto não é qualquer coisa. Isso é raro. Clarice sente as lágrimas voltarem, mas força-as para trás porque precisa de ser forte agora.
O que é que o senhor vai fazer agora? Qual é o plano? O Gustavo respira fundo e apoia os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos. Ela vê que as mãos dele treme um pouco. Eu passei a noite inteira a pensar nisso. Mesmo a dormir, eu estava a processar tudo na cabeça. E tomei uma decisão que vai mudar a minha vida completamente. Eu vou enfrentar a vitória.
Vou buscar os meus filhos e vou-me embora daquela casa. Vou começar de novo noutro lugar, se for preciso. Mas não vou abandonar os meus meninos nunca. Clarice sente o coração apertar com aquelas palavras porque sabe que isso significa que ele vai embora, que toda esta situação vai terminar e ela vai voltar para a vida dela como se nada tivesse acontecido.
E a empresa e tudo o que o Sr. construiu durante estes anos todos. O Gustavo olha para ela com uma determinação nos olhos que não estava lá ontem quando estava avariado. Nada disso importa se não tiver os meus filhos comigo, Clarice. A Júlia morreu me dando estes meninos. Ela confiou em mim. Ela acreditou que eu ia ser um bom pai e eu vou ser.
Não importa o que vitória faça, não importa quantas ameaças ela solte, não importa o que eu perca no processo, vou lutar pelos meus filhos até ao fim. Clarice sorri mesmo com as lágrimas, querendo descer pelo rosto dela. O senhor é um bom pai. Esses meninos têm muita sorte em ter o senhor. Gustavo estende a mão pela mesa e segura a mão dela.
O toque é quente e firme e faz o coração de Clarice bater tão rápido que ela pensa que vai sair do peito. Quero pedir-te uma coisa, Clarice. Eu sei que é muito. Eu sei que não me deve absolutamente nada e que já fez demais, mas preciso perguntar na mesma, porque é que você é a única pessoa em quem confio. Clariss sente o estômago revirar de nervoso e a boca fica seca.
O que é, senor Gustavo? Gustavo aperta-lhe a mão e olha-a nos olhos com tanta intensidade que ela esquece como respirar direito. Vem comigo. Ajuda-me a criar os meus filhos. Faça parte da vida deles. Clarice arregala os olhos sem acreditar no que está a ouvir. Como assim? Eu não percebi. Gustavo não lhe larga a mão e continua falando depressa, como se tivesse medo de perder a coragem.
Eu vou sair daquela casa hoje mesmo. Vou arranjar algumas coisas minhas e dos bebés e vou alugar um apartamento noutro bairro longe de Vitória. Vou contratar um advogado de verdade, alguém que não tenha medo dela, e vou apresentar o pedido de divórcio. Vai ser uma guerra, eu sei disso. Ela vai tentar destruir-me de todas as formas possíveis, mas não vou desistir.
Pára para respirar e continua. Mas não posso fazer isto sozinho, Clarice. Eu não sei cuidar de bebés direito. Não sei o que fazer quando choram. Eu não sei preparar biberão à temperatura certa. Eu preciso de ajuda. Preciso de alguém que saiba o que está a fazer. Preciso de ti. Clarice sente a cabeça a andar à roda, tentando processar tudo aquilo.
Mas o senhor pode contratar uma ama profissional. Alguém com experiência de verdade. Eu só sei o que a minha tia me ensinou ontem. Gustavo abana a cabeça. Eu não quero uma ama profissional que vai cuidar dos meus filhos por dinheiro e vai-se embora no fim do expediente. Eu quero alguém que se importe de verdade, alguém que olhe para -los com amor, como olhaste ontem.
Alguém em quem possa confiar completamente. Clarice sente as lágrimas finalmente descerem. Porque não consegue segurar mais. Senr. Gustavo, não sei se consigo fazer isso. É muita responsabilidade. São duas vidas que dependem de cuidados constantes. Gustavo levanta-se e dá a volta à mesa. Ele ajoelha-se na frente dela e segura as duas mãos dela.
Agora sei que é assustador. Eu sei que é muito para pedir, mas por favor, Clarice, dá uma oportunidade. Só algumas semanas. Se não se adaptar, se for demasiado pesado, compreendo e a as pessoas encontram outra solução, mas eu preciso tentar. Os meus filhos precisam de você. Clarice olha-o ajoelhado na frente dela, aquele homem poderoso e rico, pedindo ajuda a uma empregada de limpeza humilde, e ela sente que o mundo se tornou de cabeça para baixo.
Ela olha para a porta da sala, onde os bebés ainda dormem tranquilos, e pensa em como se sentiu segurando-os, em como o coração dela encheu-se de amor por aquelas criancinhas que nem conhecia bem. Ela respira fundo e limpa as lágrimas do rosto. Eu preciso de conversar com a minha tia primeiro. Ela cuidou de mim a vida inteira.
Eu não posso simplesmente ir embora sem falar com ela. Gustavo abana a cabeça concordando e se levanta. Claro. Conversa com ela. Eu espero. Clarice levanta-se também e vai até ao quarto, onde a tia Neusa ainda está dormindo. Ela bate levemente à porta e entra. Quando a tia responde com a voz sonolenta, tia, preciso de falar com a senhora sobre uma coisa importante.
Tia Neusa senta-se na cama e acende a pequena lamparina na mesinha de cabeceira. O que é, menina? Aconteceu alguma coisa com os bebés? Clarice senta-se à beira da cama e conta tudo o que O Gustavo acabou de fazer o pedido. Conta sobre ele querer que ela vá viver com ele e ajude a criar os meninos.
Conta sobre o medo que está a sentir, mas também sobre a vontade de aceitar. A Tia Neusa escuta tudo em silêncio e quando Clarice termina, a mulher mais velha pega na mão da sobrinha e aperta com carinho. E o que o seu coração tá a dizer? Clarice sente mais lágrimas a descerem. Meu coração está a dizer para ir, mas a minha cabeça está a dizer que é loucura.
Eu mal conheço este homem de verdade. Ele tá a passar por um momento horrível. E se ele se arrepender depois? E se quando tudo acalmar, ele aperceber-se que já não precisa de mim? A Tia Neusa sorri daquele jeito sábio que só quem viveu muito tem. E se correr bem, menina? E se for exatamente o que sempre precisou, mas nunca soube que queria? Vai passar a vida inteira se perguntando o que poderia ter sido?” Clarice olha paraa tia com os olhos cheios de dúvida.
Mas e a senhora? Eu não te posso deixar sozinha aqui. A Tia Neusa ri baixinho. Menina tola, criei-te sozinha durante 23 anos. Eu sei cuidar de mim mesma. Não pode ficar presa aqui para sempre por minha causa. Você tem que viver a sua própria vida. Clarice abraça a tia com força e chora no ombro dela como não chorava desde criança.
Eu vou ter tantas saudades da senhora. Tia Neusa afaga o cabelo da sobrinha. E eu vou ter saudades de ti também. Mas vais vir visitar-me sempre, vais trazer estes lindos bebés para eu conhecer melhor e vou ficar feliz sabendo que está a fazer o que o coração mandou. As duas ficam abraçadas durante muito tempo, até que Clarice se afasta e limpa o rosto.
Obrigada por tudo, tia, por terme criado, por me ter ensinado a ser uma pessoa boa, por me apoiar agora. A Tia Neusa sorri com os olhos também cheios de lágrimas. Vai lá, menina. Aquele homem está à tua espera e aqueles bebés precisam de si. Clarice volta para a cozinha, onde Gustavo está em pé, olhando pela pequena janela.
Ele se vira-se quando a ouve entrar e a expressão dele é de expectativa misturada com medo. E então, Clarice respira fundo, juntando coragem. Eu aceito. Vou com o senhor. Vou ajudar a cuidar dos seus filhos. Gustavo fecha os olhos e solta o ar que estava segurando. Quando volta a abrir os olhos, estão a brilhar. Obrigado.
Muito obrigado mesmo. Eu prometo que não vai arrepender-se. Clarice balança a cabeça. Mas tem algumas condições. Primeira, não vou ser empregada. Vou ser uma pessoa que está a ajudar outra pessoa. Segunda-feira, se em algum momento eu sentir que não está a resultar ou que os os bebés precisam de alguém melhor, eu vou embora sem ressentimento.
Terceira, o Senhor precisa de me prometer que vai colocar sempre o bem-estar dos seus filhos em primeiro lugar, não importa o que aconteça. Gustavo abana a cabeça concordando com cada palavra. Concordo com tudo. E há mais uma coisa. Para de tratar-me por senhor. Chama-me de Gustavo. A gente vai viver junto, vai criar estas crianças em conjunto.
Não faz sentido manter toda esta formalidade. Clarice sorri pela primeira vez desde que acordou. Está bem, Gustavo. O nome sou estranho na boca dela depois de tanto tempo a chamar-lhe senhor, mas ao mesmo tempo soua certo, como se sempre devesse ter sido assim. Eles voltam paraa sala e encontram os bebés acordados a olhar para o teto com os olhinhos curiosos.
Clarice apanha um deles ao colo e Gustavo pega no outro. Os dois ficam ali parados, a abanar os meninos enquanto o sol da manhã ilumina a sala inteira. Gustavo olha para Clarissa e fala baixinho: “Precisamos de dar nome para eles. A Júlia queria que eu escolhesse os nomes, mas até agora eu não consegui pensar direito.” Clarice olha para o bebé nos braços dela.
Que tal Pedro e Miguel? São nomes fortes, mas bonitos. O Gustavo testa os nomes na boca. Pedro e Miguel. Eu gostei. Acho que A Júlia também ia gostar. Ele olha para o bebé nos braços dele. Você vai ser o Pedro e o teu irmão vai ser o Miguel. Vocês os dois vão crescer sabendo que são muito amados. Clarice sente o coração apertar com aquelas palavras e olha para o bebé que agora tem nome.
Olá, Miguel. Eu sou a Clarice. Eu vou cuidar de si e do seu irmão. Eles passam a manhã inteira a preparar tudo. A Tia Neusa separa algumas roupas velhas, mas limpas de Clarice, e coloca numa mala pequena. O Gustavo usa o telefone da casa para ligar para o advogado particular dele e marca uma reunião urgente paraa tarde.
Ele também liga para o banco e pede para transferir dinheiro para a conta pessoal dele, porque sabe que a Vitória vai tentar bloquear tudo quando descobrir que ele se foi embora. Quando está tudo pronto e o carro do Gustavo está carregado com as poucas coisas que vão levar, chega a hora da despedida. Clarice abraça a tia Neusa à porta da casa e as duas choram.
sem se importar com quem está a ver. Cuida dela, moço. A Tia Neusa fala, olhando para Gustavo com seriedade. Esta menina é tudo o que eu tenho no mundo. Se a magoar, vai ter de se ver comigo. Gustavo abana a cabeça respeitoso. Eu vou cuidar dela como se fosse da minha própria família, prometo. Eles entram no carro com os bebés acomodados em segurança no banco de trás, numa cadeira improvisada com mantas.
Clarice olha paraa casa pela janela do carro enquanto Gustavo conduz devagar pela estrada de terra batida. Ela vê a tia Neusa acenando à porta até que a casa desaparece na curva. A viagem até à cidade demora quase uma hora e durante todo o percurso, Clarice fica a olhar pela janela, pensando em como a vida dela mudou em menos de 24 horas.
Ontem de manhã, ela era apenas uma empregada de limpeza comum, vivendo uma vida simples e previsível. Agora ela está num carro com um homem rico e dois bebés recém-nascidos indo para um futuro completamente incerto. Gustavo para o carro em frente a um belo prédio no centro da cidade e olha paraa Clarice. Espera aqui com os bebés.
Eu vou subir no apartamento da minha irmã e pedir ajuda. É a única da família que nunca gostou da vitória. Ele sai do carro e regressa 15 minutos depois. acompanhado de uma mulher alta de cabelos pretos, apanhados num rabo de cavalo. Ela olha para dentro do carro e arregala os olhos quando vê os bebés. Meu Deus, Gustavo, então é verdade, tu teve realmente filhos? Gustavo balança a cabeça. É verdade, sim, Adriana.
Esses são os meus filhos, o Pedro e o Miguel, e que é Clarice. Ela vai ajudar-me a cuidar deles. Adriana olha para Clarice e sorri de um modo genuíno. Prazer em conhecer você. Desculpa conhecer-te numa situação tão louca. Clarice sorri de volta. Prazer. E tudo bem. Eu já estou habituada com situação maluca a esta altura.
Adriana ri-se e olha pró irmão. Sabe que a Vitória tá a passar-se, né? Ela ligou-me ontem à noite a perguntar se eu sabia onde você tava. Disse que tinhas desaparecido com duas crianças e que ela ia chamar a polícia. Gustavo aperta o maxilar. Deixa-a chamar. Os bebés são meus filhos. Tenho certidão de nascimento e tudo documentado.
Ela não pode fazer nada. Adriana cruza os braços. O que precisas de mim, Gustavo? Respira fundo. Preciso que me ajude a encontrar um apartamento para arrendar rápido, algo simples, mas seguro. E preciso que não conte. Está bem. Eu conheço um corretor de confiança. Vou ligar-lhe agora e ver o que ele tem disponível. Vocês podem ficar no meu apartamento por enquanto.
Sobem para o apartamento de A Adriana, que é pequeno, mas aconchegante. Ela prepara café e ajuda Clarice a dar o biberão aos bebés. Enquanto Gustavo fica ao telefone resolvendo as coisas, ele liga para o advogado de novo e marca a reunião para daí a 3 horas. Liga para o contador dele e pede um relatório completo de todas as finanças.
liga paraa secretária da empresa e avisa que vai ficar alguns dias fora por motivos pessoais. Adriana senta-se ao lado de Clarice no sofá depois de colocar o Pedro a arrotar. Você sabe onde se está a meter? Clarice olha para ela sem compreender. Como assim? Adriana suspira. Vitória não vai desistir facilmente. Ela vai tornar a vida do meu irmão inferno. E por tabela a sua vida também.
Tem a certeza que quer fazer parte disso? A Clarice olha para os bebés nos braços delas e depois olha para o Gustavo, que está na varanda a falar ao telefone. Não tenho a certeza de nada, mas sei que estes bebés precisam de cuidados e eu sei que não vou conseguir simplesmente ir embora e fingir que não os conheci.
A Adriana sorri. És corajosa e o meu irmão tem sorte de te ter encontrado. As horas passam depressa e logo chega o momento de Gustavo sair para a reunião com o advogado. Ele olha para Clarice antes de sair. Ficas bem aqui com a Adriana. Eu volto assim que terminar. Clarice abana a cabeça. Vai.
A gente cuida dos meninos. Quando Gustavo sai, Adriana conta a Clarice tudo sobre a família deles, sobre como os pais morreram num acidente de avião quando Gustavo tinha 25 anos, sobre como assumiu a empresa do pai e trabalhava dia e noite para a fazer crescer, sobre como conheceu a Vitória num evento social e se casou com ela, pensando que era amor, mas na verdade era apenas conveniência para ambos.
Nunca foi feliz com ela. Adriana fala, abanando o Miguel no colo. Eu sempre soube, mas é teimoso e achava que tinha de fazer o casamento funcionar. Quando me falou sobre Júlia pela primeira vez, vi uma luz nos olhos dele que não via há anos. Clarice sente uma pontada de ciúme ao ouvir falar de Júlia, mas força o sentimento para baixo, porque é ridículo ter ciúmes de alguém que já morreu.
Ele deve tê-la amado muito. Adriana abana a cabeça. Amou e ainda ama. Mas a vida continua, sabe? E estes bebés precisam de amor também. Muito amor. Gustavo regressa do advogado três horas depois com uma expressão cansada, mas determinada. O advogado disse que eu tenho um caso forte para divórcio.
A Júlia deixou uma carta antes de morrer, dizendo que eu era o pai dos bebés e que ela queria que eu cuidasse deles. Isso ajuda muito. Ele vai entrar com o pedido amanhã de manhã e a Vitória vai ser notificada. Adriana levanta-se. E o apartamento conseguiu alguma coisa? Gustavo balança a cabeça. O mediador tem um apartamento de dois quartos disponível num bairro tranquilo.
Não é luxuoso, mas é limpo e seguro. Posso mudar-me amanhã. Clarice sente o estômago revirar, porque tudo está a acontecer tão rápido. Ontem ela estava em casa dela com a tia Neusa, vivendo a vida de sempre. Amanhã ela vai estar a viver com Gustavo e dois bebés num apartamento novo, iniciando uma vida completamente diferente.
Eles passam a noite no apartamento de Adriana, que insiste para que durmam enquanto ela cuida dos bebés, mas nenhum dos dois consegue dormir descansado. Clarice fica na cama de hóspedes, olhando para o teto, pensando em tudo o que aconteceu e em tudo que ainda vai acontecer. E na sala, Gustavo fica no sofá, também acordado, processando tudo.
No dia seguinte ao manhã cedo, o corretor aparece com as chaves do apartamento e vão conhecer o local. É um apartamento simples, no terceiro andar de um prédio sem elevador. Tem dois quartos pequenos, uma sala com cozinha americana, um casa de banho e uma varandinha minúscula. Não não tem nada a ver com a mansão onde Gustavo vivia, mas há algo que a mansão nunca teve. Tem a sensação de casa.
É perfeito. Clarice fala, olhando para o redor. A gente pode transformar um dos quartos em quarto para os bebés. Gustavo sorri pela primeira vez em dias. Vamos fazer isso, pois. Vamos comprar tudo que precisamos. berços, roupa, fraldas, tudo. Passam o dia inteiro a comprar coisas para o apartamento. O Gustavo usa o seu cartão pessoal, que ainda não foi bloqueado pelo Vitória, e compra dois berços brancos lindíssimos, um guarda-roupa pequeno, roupinhas de bebé em todos os tamanhos, fraldas suficientes para um mês, biberões,
chupetas, peluches, tudo que os bebés vão precisar. Clariss coisas para o quarto dela também. Lençóis simples, mais bonitos, toalhas macias, um candeeiro pequeno. Ela ainda não acredita que tudo isto é real. Quando tudo está arrumado no apartamento e os os bebés estão a dormir nos berços novos no quarto deles, Clarice e Gustavo sentam-se no sofá velho que vinha com o apartamento mobilado e ficam ali em silêncio, cansados, mas satisfeitos.
Obrigado por ter ficado. O Gustavo fala baixinho. Eu não ia conseguir fazer tudo isso sozinho. Clarice olha para ele. Ia sim, porque ama os seus filhos. O amor dá-nos força para fazermos coisas impossíveis. O Gustavo olha para ela e pela primeira vez Clarice vê algo diferente nos olhos dele, algo que vai além da gratidão.
Eu não vim parar à sua porta por acaso, Clarice. Eu acredito nisso agora. Era para ser você. Sempre foi para ser você. Clarice sente o coração acelerar, mas não desvia o olhar. Gustavo, acabou de perder a mulher que amava. está a passar por um divórcio complicado. Não é altura de pensar nestas coisas. Gustavo abana a cabeça.
Eu sei. E não estou a pedir nada agora. Só Estou a dizer que quando tudo isto passar, quando a poeira assentar, quero ter a oportunidade de te conhecer de verdade. Não como patrão e empregada, mas como duas pessoas que se preocupam uma com a outra. Clarice sorri mesmo com as lágrimas nos olhos. Vamos ver o que o futuro traz.
De os meses seguintes são os mais difíceis e os mais intensos da vida de Clarice. Vitória tenta mesmo destruir Gustavo como prometeu. Ela vai à imprensa e conta a história toda pintando-o como vilão. Ela tenta bloquear as contas dele, mas o advogado consegue impedi-lo. Ela espalha boatos sobre a empresa tentando afastar os clientes, mas Gustavo luta contra tudo isto com uma determinação que impressiona Clarice todos os dias.
E durante tudo isto, eles criam Pedro e Miguel juntos. Acordam de madrugada quando os bebés choram, trocam fraldas sujas, rindo-se do cheiro horrível. Dão banho aos meninos cantando músicas bobas. Festejam cada sorriso e cada descoberta nova. Clarice apaixona-se mais pelos bebés a cada dia que passa e sem se aperceber bem quando aconteceu, apaixona-se por Gustavo também, não pela versão poderosa e distante dele que ela conhecia antes, mas pelo homem de verdade que ela descobre a viver com ele.
Homem que canta desafinado pros filhos a dormir, que queima o arroz tentando cozinhar e ri-se do próprio desastre, que chora escondido quando olha para as fotos da Júlia, mas depois seca as lágrimas e volta para a sala, sorrindo para os bebés. Ao fim de seis meses, o divórcio finalmente é concluído. Vitória não não conseguiu provar nada contra Gustavo, porque tudo o que ele fez foi apaixonar-se por alguém e ter filhos.
Ela ficou com metade dos bens, como manda a lei, mas O Gustavo ficou com a empresa e com a dignidade intacta, e mais importante, ficou com os seus filhos. Na noite em que o juiz assina os papéis finais do divórcio, Gustavo regressa ao apartamento e encontra Clarice na sala, a brincar com o Pedro e o Miguel, que já estão com se meses e meio e começando a sentar-se sozinhos.
Ele pára à porta e fica olhando para aquela cena com o coração cheio. Acabou. O divórcio foi finalizado. Eu Sou oficialmente um homem livre. Clarice olha para ele com um enorme sorriso. Parabéns, lutou tanto por isso. Gustavo entra na sala e senta-se no chão ao lado dela. Miguel gatinha até ele e Gustavo pega no filho ao colo, cobrindo o rostinho dele de beijos.
Eu não teria conseguido sem ti. Você sabe que, certo? Clarice sente o rosto aquecer. A gente conseguiu juntos. O Gustavo coloca Miguel novamente no chão e vira-se para Clarice, pegando-lhe na mão. Eu quero-te fazer uma pergunta e pode dizer não se quiser. Não vai mudar nada entre a gente. Clarice sente o coração disparar.
Que pergunta, Gustavo? Respira fundo. Quer tentar a gente de verdade? Não como duas pessoas que vivem juntas há causa dos bebés, mas como casal, como duas pessoas que se amam e querem construir uma vida em conjunto. Clarice sente as lágrimas a descerem, mas desta vez são lágrimas de felicidade. Tem certeza? Eu não sou como a Júlia, Não sou como a Vitória, sou só eu, uma menina simples que veio do campo.
Gustavo aperta-lhe a mão. Você é tudo que preciso. Você é real. Você é forte. És a melhor mãe que esses rapazes poderiam ter, mesmo não sendo a mãe biológica dos mesmos. E tu fazes-me querer ser uma pessoa melhor todos os dias. Portanto, sim, tenho a certeza. Clarice olha para os bebés que estão brincando felizes no tapete e depois olha de volta para o Gustavo.
Ela vê tudo o que eles passaram juntos nestes meses, todas as noites sem dormir, todos os momentos difíceis, todas as pequenas vitórias. E ela sabe que a resposta foi sempre sim, desde o momento em que ela o encontrou encostado à parede de barro da casa dela, segurando dois bebés e parecendo completamente perdido. Sim, quero experimentar. Eu quero-nos.
O Gustavo sorri daquele jeito lindo que ela aprendeu a amar e inclina-se para frente lentamente, dando tempo para ela recuar se quiser. Mas Clarice não recua. Ela se inclina também e quando os seus lábios se encontram, é como se todas as peças finalmente se encaixassem no lugar certo.
Pedro e Miguel começam a rir e bater palminhas, como se entendessem que aquele era um momento especial. Os dois adultos separam-se rindo também. E Gustavo abraça Clarice enquanto os bebés gatinham até eles querendo fazer parte do abraço. Vamos ser uma família de verdade. Gustavo sussurra ao ouvido de Clarice. Os quatro juntos para sempre.
Clariss encosta a cabeça no ombro dele e fecha os olhos, sentindo uma paz que nunca sentiu antes. A Tia Neusa tinha razão quando disse que às vezes as coisas acontecem exatamente da forma que tem que acontecer. O Gustavo não apareceu na porta dela por acidente nesse dia. Foi o destino colocando-os no caminho um do outro.
foi à vida dizendo que aquelas duas pessoas que pareciam tão diferentes, na verdade eram perfeitas uma paraa outra. Dois anos depois, Clarissa está na varanda do apartamento, que agora parece um verdadeiro lar, decorado com fotos e recordações. Ela observa Gustavo a brincar com Pedro e Miguel no recreio do prédio lá embaixo.
Os meninos já têm do anos e meio e correm para todo o lado rindo alto enquanto o pai tenta acompanhá-los. Ela coloca a mão na barriga que começa a crescer e sorri pensando que em alguns meses vai ter mais um bebé a completar a família. O Gustavo olha para cima e vê-a na varanda. Ele acena e grita: “Vem cá connosco!” Clarice abana a cabeça rindo. Já vou.
Ela pega na mala e desce as escadas devagar, porque o médico disse para não forçar. Quando chega ao recreio, o Pedro corre até ela, gritando: “Mamã, mamã, olha o que eu fiz”. Clarice baixa-se com dificuldade e abraça o filho, que já não é mais aquele bebé pequenino de dois anos atrás. O Miguel vem a correr também querendo atenção, e ela abraça os dois ao mesmo tempo, sentindo o coração explodir de amor.
Gustavo aproxima-se e beija-lhe a testa. Como é que você tá se sentindo? Clarice sorri. Nunca estive melhor na vida. E é verdade. Olhando para família que ela ajudou a construir, para as crianças que ela ama, como se tivessem nascido dela, para o homem que ela escolheu amar todos os dias, Clarice sabe que tudo valeu a pena.
Cada momento difícil, cada lágrima, cada medo, tudo a levou até ali, até àquele simples parque infantil, num bairro tranquilo, onde ela finalmente encontrou o lugar dela no mundo. E quando Pedro e Miguel voltam a correr, pedindo-lhe para brincar também, Clarice pega na mão de Gustavo e os dois vão atrás dos filhos rindo como duas pessoas que sabem exatamente o quanto são sortudas por terem encontrado umas às outras. M.
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