“EU POSSO CONSERTAR ISSO” — O MILIONÁRIO RIU, MAS O FILHO DA FAXINEIRA RESOLVEU EM SEGUNDOS

Eu posso consertar isso. O filho da fachineira de 12 anos falou baixinho no escritório milionário. O CEO riu dele, mas em segundos as telas se acenderam. Ninguém sabia que estavam duvidando do gênio errado. Alguém tira esse moleque daqui antes que quebre alguma coisa? A voz de Fernando Almeida ecoou pelo 42º andar da Almeida Corporation como um trovão.
Lucas congelou na porta da sala de reuniões, a mochila escolar escorregando do ombro, os olhos arregalados de susto. [música] Tinha apenas tentado ajudar a mãe a carregar o balde pesado de água, mas agora todos os olhares do escritório estavam cravados nele. “Senhor, me desculpe, por favor.” Cristina largou o carrinho de limpeza e correu até o filho, o rosto vermelho de vergonha. A escola fechou hoje.
Eu não tinha com quem deixar. Ele vai ficar quietinho. Prometo que não vai atrapalhar ninguém. Não vai atrapalhar? Fernando a cortou descendo as escadas que levavam ao mesanino executivo, cada passo ecoando no mármore. Cristina, isso aqui é uma empresa de tecnologia que movimenta bilhões. Não é parquinho. Pelo menos 15 executivos haviam parado o que faziam para assistir à cena.
Gabriela, a diretora de TI, sussurrava algo para Ricardo, o diretor financeiro, que balançava a cabeça em reprovação. Patrícia, a gerente de projetos, olhava com pena. mas não dizia nada. Juliano, o coordenador de vendas, tinha um sorriso de canto de boca, como se estivesse assistindo a um entretenimento inesperado.
“Olha o estado do menino”, comentou Ricardo alto o suficiente para todos ouvirem. Sujo, de terra, mochila rasgada. Que exemplo é esse? Lucas abaixou a cabeça. Tinha manchas de barro na calça porque tinha ajudado a mãe a plantar tomates na horta comunitária antes da escola. O tênis estava gasto porque era o único par que tinha. A mochila estava remendada porque sua mãe costurou pessoalmente o rasgo para durar mais um ano.
Eu sei que não é o ambiente adequado, senor Fernando. Cristina continuava, a voz tremendo. Mas não tenho ninguém. Meu marido está trabalhando do outro lado da cidade. A vizinha viajou e se eu faltar hoje, vou perder o dia e não consigo pagar o remédio da Não quero saber da sua vida pessoal. Fernando a interrompeu de [música] novo, agora parado bem na frente dela. Seus problemas são seus.
Quando você assinou o contrato, se comprometeu a cumprir horário e não trazer situações assim para o ambiente profissional. Lucas sentiu algo apertar no peito. Não era a primeira vez que via a mãe ser humilhada. Tinha visto cobradores batendo na porta de casa. Tinha visto atendentes de loja seguindo ela com olhar desconfiado.
Tinha visto professores duvidando que ela conseguisse pagar a excursão escolar, mas nunca tinha visto assim na frente de tanta gente, com ela pedindo desculpas por algo que não era culpa dela. “Por favor, senhor”, Cristina juntou as mãos. “Só hoje. Prometo que nunca mais acontece. Ele vai ficar sentado ali no canto, nem vai perceber que ele está aqui. Ah, não vamos perceber.
” Juliano deu uma risada sarcástica. Cristina, o menino está fedendo a mato. Dá para sentir daqui. Algumas risadas abafadas ecoaram pelo escritório. [música] Lucas mordeu o lábio inferior com força, tentando não chorar. Não era verdade. Ele tinha tomado banho de manhã. A roupa estava limpa. O cheiro era só da terra da horta, da vida que eles tentavam construir com dignidade, apesar de tudo.
Sabe qual é o problema? [música] Fernando continuou cruzando os braços. é que vocês acham que podem misturar as coisas. Trabalho com família, profissional com pessoal e não pode. Aqui a gente paga pelo serviço, não para resolver problema dos outros. Eu entendo, senhor. Cristina tinha lágrimas nos olhos agora, mas eu trabalho aqui há 4 anos.
Nunca faltei um dia, nunca cheguei atrasada, sempre fiz tudo que me pediram. E é obrigação sua, Fernando respondeu friamente. É para isso que você recebe no fim do mês. Lucas olhou para a mãe e viu algo que partiu seu coração em mil pedaços. Viu ela se quebrando, viu os ombros curvarem, viu a dignidade sendo esmagada por palavras que doíam mais que qualquer soco.
Sabe o que me irrita? Fernando continuou. E agora parecia que estava gostando da audiência. É que depois vocês reclamam que a vida é difícil, que não tem oportunidade. Mas olha isso, você tem um trabalho simples, limpar, só isso. E não consegue nem fazer direito sem trazer problema. Isso é verdade. Patrícia comentou finalmente falando.
Ontem eu vi que o banheiro do terceiro andar estava sem sabonete. Detalhe básico, Cristina. Eu repus logo depois que a senhora me avisou. Cristina respondeu baixinho. Mas tinha que avisar. Não era para você verificar antes. Lucas cerrou os punhos. Queria gritar. Queria dizer que a mãe dele trabalhava em três andares sozinha, limpando 40 banheiros, 60 salas, corredores infinitos, que ela chegava em casa com as costas doendo, os joelhosinchados, as mãos ressecadas de tanto produto químico, que ela nunca reclamava, nunca pedia nada, só tentava
fazer o melhor possível com o impossível. Olha, vou ser sincero com você”, Fernando disse. E pelo tom de voz, Lucas soube que vinha coisa pior. Eu tô pensando seriamente se não é melhor trocar a empresa de limpeza, porque se os funcionários não conseguem nem resolver as próprias vidas sem trazer para cá. Não.
A palavra saiu da boca de Cristina como um grito de desespero. Por favor, Senr. Fernando, não faça isso. Eu preciso desse emprego. Minha filha tem problema de saúde, precisa de remédio todo mês. Sem o plano de saúde daqui, eu não consigo pagar, por favor. E então aconteceu. Cristina começou a chorar. Não aquele choro contido, discreto.
Era um choro de quem estava perdendo tudo. Um choro de desespero real, cru. Doloroso de assistir. Lucas sentiu as próprias lágrimas descerem, não pela humilhação que ele estava sofrendo, mas por ver a mulher mais forte que conhecia se quebrar daquele jeito. “Pelo amor de Deus, não faz drama”, Fernando disse, visivelmente desconfortável.
“Agora não vou demitir ninguém, só tô dizendo para ter responsabilidade. Eu tenho responsabilidade, Cristina Solsou. Faço tudo que posso, juro que faço. [música] Trabalho de segunda a sábado, faço hora extra sempre que pedem. Nunca recuso nada. Então não traz criança para o escritório? Fernando elevou a voz de novo. É simples assim.
Ela não teve escolha. Lucas disse de repente, a voz saindo mais alta que pretendia. Ninguém teve escolha hoje. Todos os olhares se voltaram para ele. Fernando arregalou os olhos, surpreso que o menino tivesse ousado falar. [música] Como é que é? Teve um vazamento na escola. Lucas continuou limpando as lágrimas com as costas da mão.
A diretora mandou todo mundo embora. Minha mãe não teve escolha. Ela tentou ligar para todo mundo, mas ninguém podia ajudar. Eu não perguntei nada para você, menino. Mas o senhor está falando como se ela não se importasse, como se tivesse trazido eu aqui por diversão. A voz de Lucas tremia, mas ele continuou.
Minha mãe é a pessoa mais responsável que existe. Ela acorda todo dia às 4 da manhã para chegar aqui às 6. Ela limpa tudo sozinha. Ela nunca reclama. Lucas, para. Cristina pediu baixinho. [música] Não, mãe, porque não é justo. Lucas olhou diretamente para Fernando. O senhor está julgando ela por uma coisa que não foi culpa dela.
Fernando soltou uma risada sem humor. Olha só, agora o filho da fachineira vai me dar lição de moral. Mais risadas pelo escritório. Juliano estava adorando o show. Não estou dando lição de moral, Lucas respondeu. Só estou falando a verdade. A verdade? Fernando se aproximou, olhando de cima para baixo. Você quer saber a verdade, menino? A verdade é que sua mãe está aqui há 4 anos e continua fachineira.
Sabe por quê? Porque é isso que ela é. Não tem estudo, não tem qualificação, não tem futuro além de passar pano no chão. [música] O silêncio que se seguiu foi pesado, sufocante. Cristina estava paralisada, as lágrimas ainda descendo, mas agora em silêncio, como se aquelas palavras tivessem arrancado até a força para chorar. E você, Fernando, continuou apontando para Lucas.
Provavelmente vai seguir o mesmo caminho, porque é assim que funciona. Filho de fachineira vira o quê? Faxineiro é a lei da vida. Fernando, acho que já foi longe demais. Gabriela disse baixinho. Longe demais. Estou sendo realista. Olha para ele. Você acha que esse menino vai ser o quê? Médico, engenheiro? Pelo amor de Deus. Lucas sentiu algo diferente nascer dentro dele.
Não era mais tristeza, não era mais vergonha, era uma determinação fria, dura, inabalável. Eu vou ser programador”, ele disse. A voz firme agora. Fernando piscou confuso. “O quê? Programador, desenvolvedor de sistemas, especialista em segurança cibernética.” [música] Lucas tirou do bolso da calça um pedaço de papel amassado. Eu estudo todo dia.
Aprendo linguagens de programação na biblioteca Python, Java, C++, HTML, CSS, JavaScript. Ricardo soltou uma gargalhada alta. Olha só, o menino sabe uns nomes chiques. Não é nome chique, Lucas respondeu, os olhos fixos em Fernando. [música] É conhecimento real. Eu sei fazer coisas que a maioria das pessoas aqui não sabe. Ah, é? Fernando cruzou os braços, um sorriso sarcástico nos lábios.
Como o que exatamente? Posso invadir sistemas de segurança básicos? Posso construir sites completos do zero. Posso corrigir bugs de código que programadores formados levam horas para encontrar. Claro que pode, Juliano debochou. E eu sou o presidente da República. As risadas eram mais altas. Agora alguns funcionários até tiraram o celular para gravar, achando que estava ficando engraçado demais para perder.
Filho, para com isso. Cristina pediu envergonhada. Vamos embora. Não, mãe, porque eu estou cansado. Lucas olhou ao redor para todos aqueles rostoszombando. Cansado de todo mundo achar que porque a gente é pobre, a gente é burro, que porque você limpa chão, você não vale nada. Que porque eu uso roupa remendada, eu não posso ser inteligente.
Ninguém disse que você não pode ser inteligente, Fernando disse, mas o tom era condescendente. Só estamos sendo realistas sobre suas possibilidades. Minhas possibilidades? Lucas deu um passo à frente. Eu sei mais sobre tecnologia que qualquer criança da minha idade. [música] Enquanto outros estão jogando videogame, eu estou estudando algoritmos.
Enquanto estão vendo TV, eu estou aprendendo criptografia. Criptografia? Ricardo repetiu rindo. Esse menino viu muito filme de hacker. Foi nesse momento que todos os computadores do escritório apagaram simultaneamente. As telas ficaram pretas. Os servidores emitiram um bip de erro agudo. As luzes de rede começaram a piscar em vermelho.
Em questão de segundos, todo o sistema da Almeida Corporation simplesmente morreu. O que está acontecendo? Patrícia gritou correndo para seu computador. Perdemos tudo. Juliano estava desesperado, apertando botões freneticamente. Todos os arquivos, todos os sistemas. Gabriela correu para a sala de servidores, o pânico estampado no rosto.
Fernando ficou pálido, olhando para as telas apagadas, como se estivesse vendo seu império desabar. “Isso não pode estar acontecendo”, [música] ele murmurou. “Não hoje, não agora.” “O que tem hoje?”, Cristina perguntou sem pensar. “Temos uma apresentação com investidores japoneses em duas horas.” Fernando explodiu.
300 milhões em investimento e acabamos de perder todos os arquivos. O escritório virou um caos. Funcionários correndo de um lado para outro, telefones tocando, gente gritando por técnicos. Era como se o apocalipse tecnológico tivesse chegado. E no meio de todo aquele caos, Lucas estava parado, quieto, [música] observando as luzes vermelhas do servidor, piscando em um padrão específico.
Três vezes rápido, pausa. Três vezes rápido, pausa. Ele conhecia aquele código de erro. “Eu posso consertar isso?”, Ele disse baixinho, mas ninguém ouviu no meio da confusão. Eu posso consertar isso? Ele repetiu mais alto dessa vez. O escritório ficou em silêncio instantâneo. Todos os olhos se voltaram para o menino de 12 anos, sujo de terra, com a mochila remendada e os tênis gastos.
Fernando olhou para ele como se tivesse enlouquecido. Você é o quê? Eu posso consertar. Sei exatamente qual é o problema. Ricardo soltou uma gargalhada nervosa. Ah, agora virou comédia. O moleque que mal sabe escrever o próprio nome vai salvar a empresa. Deixa eu tentar. Lucas insistiu dando um passo em direção ao servidor central.
Nem pensa em encostar aí. Fernando bloqueou o caminho. Você não vai fazer isso virar uma piada maior ainda, [música] senor Fernando. Pelo menos deixa ele olhar. Gabriela voltou da sala de servidores desesperada. Os técnicos disseram que vai levar no mínimo 6 horas para resolver. Não temos 6 horas. E você acha que uma criança vai resolver algo que especialistas não conseguem? Eu sei o que estou fazendo, Lucas disse.
E havia uma convicção na voz dele que fez Fernando hesitar. Tá bom. Ele finalmente cedeu. Mais por desespero que por convicção. Você tem 5 minutos. Se não conseguir, nunca mais quero ver você, nem sua mãe nesse prédio. Entendeu? Cristina [música] engasgou. Senr. Fernando, são as regras. Ele quer provar que é tão inteligente? Então prova.
Ou vocês dois saem daqui hoje e não voltam nunca mais. Lucas olhou para a mãe. Ela estava apavorada, balançando a cabeça negativamente, mas ele sabia o que tinha que fazer. Aceito. Ele se aproximou do servidor central, sentou na cadeira, que era grande demais para ele, e pousou os dedos no teclado.
Todos os executivos se reuniram ao redor, alguns torcendo contra, outros genuinamente curiosos. Fernando olhava para o relógio a cada 10 segundos. Lucas começou a digitar e então algo extraordinário aconteceu. Seus dedos voavam pelo teclado com uma velocidade impossível para uma criança. Linhas de código apareciam na tela preta em uma velocidade alucinante, [música] comandos complexos que a maioria ali nunca tinha visto na vida.
“O que ele está fazendo?”, [música] Patrícia sussurrou. Acessando o kernel do sistema, Gabriela respondeu, os olhos arregalados, direto, sem interface gráfica, ele está usando linha de comando pura. Isso é possível para alguém que realmente sabe o que está fazendo? Sim. Lucas não parava, digitava, lia logs de erro, digitava mais.
Sua concentração era absoluta, como se ele tivesse desligado do mundo exterior e entrado em um universo que só ele entendia. Um minuto, [música] 2 minutos. Achei. Lucas murmurou. Achou o quê? Fernando se aproximou. O problema. Vocês baixaram um pet de segurança hoje de manhã, mas ele entrou em conflito com o firewall legado que vocês usam.
O sistema entrou em modo de proteção ebloqueou tudo. Gabriela verificou o histórico de updates. Ele está certo. Instalamos o pet às 8:15 da manhã. [música] E você sabe consertar? Fernando perguntou a voz diferente agora. Não era mais deboche, era esperança misturada com incredulidade. Sei. Só preciso reverter o pet, limpar o cash de segurança e reiniciar o protocolo de autenticação.
E quanto tempo isso leva? Lucas olhou para o relógio na parede. 40 segundos. 40 segundos. Ricardo quase gritou. Impossível. Observem. Os dedos de Lucas voltaram a voar pelo teclado. [música] Linhas de código apareciam e desapareciam. Barras de progresso enchiam e esvaziavam. [música] Números rolavam pela tela em uma velocidade que machucava os olhos.
10 segundos, [música] 20 segundos, 30 segundos. Pronto, Lucas disse, pressionando enter uma última vez. A tela ficou preta por um segundo infinito. [música] Então, uma por uma, as luzes dos servidores começaram a piscar verde. Os computadores emitiram o som de inicialização. As telas de todos os funcionários se acenderam simultaneamente e, em menos de 5 segundos tudo estava funcionando perfeitamente.
O silêncio no escritório era tão profundo que dava para ouvir a respiração de cada pessoa. Fernando olhava para as telas acesas. como se estivesse vendo um milagre. Gabriela verificou seu computador e confirmou que tinha acesso a todos os sistemas. [música] Ricardo abriu os arquivos financeiros. Patrícia testou a rede.
Tudo perfeito. Como se nada tivesse acontecido. Quanto tempo ele levou? Fernando perguntou, [música] a voz saindo como um sussurro. Gabriela olhou para o cronômetro que tinha ativado. 37 segundos. Fernando olhou para Lucas, que estava descendo da cadeira, limpando as mãos na calça, como se tivesse acabado de fazer algo corriqueiro.
“Como? Como você aprendeu a fazer isso?”, Fernando perguntou. [música] E pela primeira vez não havia arrogância na voz, só admiração genuína. Estudando, [música] Lucas respondeu simplesmente: “Todo dia, algumas horas na biblioteca, algumas horas em casa, com livros velhos, computadores antigos, tutoriais gratuitos na internet.
Mas você é uma criança. [música] Sou, mas isso não significa que sou burro”. Lucas olhou diretamente nos olhos de Fernando. O senhor disse que filho de faxineira vira faxineiro, que essa é a lei da vida. Eu eu disse isso. Fernando admitiu visivelmente envergonhado agora. Então o senhor estava errado. Lucas pegou a mão da mãe.
Filho de faxineira pode virar o que quiser. Pode virar médico, engenheiro, programador, qualquer coisa. Só precisa de uma oportunidade. [música] Cristina estava chorando de novo, mas dessa vez eram lágrimas de orgulho. Apertou a mão do filho com força, incapaz de falar. Lucas, Fernando disse, a voz ainda processando tudo que acabara de ver.
Você acabou de salvar um investimento de 300 milhões. Você entende isso? Entendo. E fez em menos de um minuto algo que três técnicos especializados disseram que levaria 6 horas. Porque eu realmente entendo como os sistemas funcionam? Não apenas decoro procedimentos. Fernando passou a mão pelo cabelo, claramente tentando reorganizar tudo na cabeça.
[música] Então olhou para Cristina. Eu te devo um pedido de desculpas. Um pedido de desculpas enorme, senhor. Não, deixa eu terminar. Eu te tratei muito mal. Disse coisas horríveis e estava completamente errado. Ele olhou para Lucas. E você? Você é extraordinário. Obrigado, Gabriela. Fernando se virou para a diretora de TI.
>> [música] >> Quanto ganha um especialista em sistemas júnior aqui? Em torno de 8.000 por mês. [música] E um consultor técnico externo? Depende do projeto, mas geralmente entre 15 e 20.000 por trabalho. Fernando olhou para Lucas novamente. Quando você completar idade legal para trabalhar, quero você aqui oficialmente como consultor técnico da empresa.
O escritório explodiu em murmúrios. [música] Lucas apenas assentiu e enquanto isso, Fernando continuou: “Quero pagar sua educação. Melhor escola particular da cidade, todos os cursos de programação que você quiser, todos os equipamentos necessários, [música] tudo por minha conta”. Cristina Solou alto, incapaz de segurar a emoção.
Por quê? Lucas perguntou. Porque você me ensinou uma lição que eu precisava aprender há muito tempo. Fernando se agachou para ficar na altura do menino. Que competência não tem nada a ver com sobrenome, dinheiro ou aparência. Que gênios podem estar em qualquer lugar, até usando tênis gasto e mochila remendada.
Lucas sorriu pela primeira vez desde que tinha entrado ali. Aceito. E naquele momento, todos no escritório sabiam que haviam acabado de testemunhar algo que iam contar para o resto da vida. O dia em que o filho da fachineira salvou um império, em 37 segundos, a notícia se espalhou pela Almeida Corporation como fogo em palha seca. Em menos de uma hora, todos os 300 funcionários do prédio sabiam o que tinha acontecido.
O filho da faxineiratinha resolvido em segundos o que especialistas não conseguiram em horas. Alguns não acreditavam, outros exigiam provas, mas a maioria estava simplesmente chocada. Lucas estava sentado na sala de descanso do 20º andar, bebendo um suco de caixinha que Gabriela tinha dado para ele [música] quando ouviu as conversas no corredor. Eu vi com meus próprios olhos uma voz feminina dizia.
O menino digitou tão rápido que mal dava para acompanhar. Mas ele tem o quê? 10 anos? Outra voz respondia cética. 12. E não importa a idade, ele salvou a empresa. [música] Cristina estava ao lado do filho, ainda processando tudo. Suas mãos tremiam quando segurava o copo de água. Ela tinha certeza de que seria demitida hoje.
[música] Tinha certeza de que perderiam tudo e agora, de alguma forma impossível, tudo tinha mudado. “Mãe, você está bem?”, Lucas perguntou baixinho. Estou tentando entender o que acabou de acontecer. Ela respondeu a voz ainda embargada. Filho, você realmente fez aquilo? Não foi sorte. Não foi sorte, mãe. Eu estudei para isso todos os dias, todos esses anos.
Cristina segurou o rosto do filho com as duas mãos. Eu sempre soube que você era especial. Sempre. Mas nunca imaginei. Nunca imaginei que fosse tanto assim. Você me ensinou a nunca desistir. Foi por isso que consegui. Mãe e filho se abraçaram e Cristina deixou as lágrimas caírem livremente agora. Lágrimas de alívio, de orgulho, [música] de gratidão por algo que ela nem conseguia nomear direito.
A porta da sala se abriu e Fernando entrou, acompanhado de três homens de terno que Lucas não conhecia. Um deles carregava uma pasta de couro cara, o outro segurava um tablet. O terceiro apenas observava tudo com expressão analítica. “Lucas, Cristina, estes são os investidores japoneses que mencionei”, Fernando disse.
E havia um respeito na voz dele que não existia horas atrás. Senhor Takeshi Yamamoto, Senor Hirosh Nakamura e Senr. Kendato. [música] Os três homens se curvaram levemente e Lucas, por instinto retribuiu o gesto. Cristina se levantou rapidamente, tentando arrumar o uniforme amassado. Senor Yamamoto queria conhecer pessoalmente o jovem que salvou nossa apresentação. Fernando continuou.
Takeshi Yamamoto se aproximou de Lucas. Era um homem de 60 anos, cabelos completamente brancos, óculos de armação fina, expressão séria, mas não hostil. “Jovem Lucas”, ele disse em português com forte sotaque. “Fernando me contou o que aconteceu. Disse que você corrigiu falha de sistema em tempo recorde.” “Sim, senhor.
Foi um conflito de pet de segurança. E você tem quantos anos?” 12, senhor. Takeshi trocou um olhar com os outros dois japoneses. Falaram algo em japonês rapidamente, depois voltaram à atenção para Lucas. No Japão, temos tradição de respeitar talento, independente de idade ou origem. Takeshi disse, você demonstrou talento excepcional. Isso merece reconhecimento.
Ele fez um gesto para Hiroshi, que abriu a pasta de couro, e tirou um envelope branco. Este é nosso cartão de visita de empresa matriz em Tóquio. Takeshi entregou o envelope para Lucas. Quando completar idade, se tiver interesse em trabalhar com tecnologia internacional, entre em contato.
Teremos posição para você. Lucas pegou o envelope com as duas mãos, ainda processando. Uma empresa japonesa estava oferecendo emprego para ele, para uma criança de 12 anos. Obrigado, senor Yamamoto. Vou guardar com muito cuidado. [música] Não guarde apenas. Estude, prepare-se. Mundo da tecnologia precisa de mentes como a sua. Os japoneses se despediram e saíram, deixando Lucas segurando aquele envelope como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
Você viu isso, mãe? Eles querem me contratar quando eu crescer. Cristina [música] sorriu, mas havia preocupação nos olhos. Filho, isso tudo está acontecendo muito rápido. Eu não quero que você cresça achando que é melhor que todo mundo. Não acho isso, mãe. Eu só Lucas. Fernando interrompeu, sentando em uma das cadeiras.
Posso conversar com você sobre uma coisa séria? Claro, o que você fez hoje foi extraordinário. Não tenho palavras para descrever o nível de habilidade que você demonstrou. Ele pausou escolhendo as palavras. Mas talento sem direção pode ser desperdiçado. Você precisa de educação formal, estrutura, mentores. Eu sei, por isso estudo sozinho.
Mas estudar sozinho tem limite. Você precisa de professores especializados, laboratórios, colegas no mesmo nível. Fernando se inclinou para a frente. Quero matricular você na Academia Técnica Avançada. É a melhor escola de tecnologia para jovens do país. Cristina quase engasgou. Senor Fernando, essa escola custa 15.000 por mês. Eu vi reportagens sobre ela na TV.
Eu sei quanto custa e vou pagar. Mas Cristina, não é favor, é investimento. Fernando olhou para Lucas. Você tem um dom raro, muito raro. [música] Deixar esse dom sem desenvolvimento seria um crime contra o futuro. Lucassentia o coração bater forte. A Academia Técnica Avançada era [música] o sonho impossível.
Tinha laboratórios de última geração, professores que trabalhavam nas maiores empresas do mundo, alunos que ganhavam competições internacionais. Mas eu estou no sexto ano ainda Lucas disse. Posso entrar assim? Conversei com a diretora por telefone enquanto vocês estavam aqui. Expliquei a situação. Ela quer fazer uma entrevista com você amanhã. Amanhã? Cristina estava pálida.
Mas é tão rápido, mãe. Eu quero tentar. Lucas disse pegando a mão dela. Pelo menos fazer a entrevista, ver se tenho chance. [música] Fernando sorriu. Lucas, depois do que você fez hoje, tenho [música] certeza que vai arrasar na entrevista. Naquele momento, a porta se abriu novamente e Patrícia entrou, acompanhada de uma mulher que Lucas reconheceu imediatamente.
Era Sandra Mendes, a repórter do principal jornal da cidade. “Fernando, [música] me desculpe interromper”, Patrícia disse. “Mas a Sandra está aqui fazendo matéria sobre empresas de tecnologia e ouviu o que aconteceu. Ela quer fazer uma reportagem sobre o Lucas.” Sandra se aproximou com um sorriso profissional, já com o celular gravando.
“Olá, Lucas, posso fazer algumas perguntas?” Lucas olhou para a mãe que a sentiu nervosa. Pode. É verdade que você tem apenas 12 anos e resolveu um problema que técnicos adultos não conseguiram? É verdade, mas não foi tão difícil assim. Era só conflito de software. Só conflito de software? Sandra repetiu impressionada. E onde você aprendeu programação? Sozinho, na biblioteca, em computadores velhos, com tutoriais da internet.
Sua família tem recursos para educação tecnológica? Lucas hesitou. Não queria mentir, mas também não queria expor a situação financeira da família na TV. Minha mãe sempre priorizou educação. Ele respondeu diplomaticamente. Mesmo com recursos limitados, ela sempre me incentivou a estudar. E o que você quer ser quando crescer? desenvolvedor de inteligência artificial.
Quero criar sistemas que ajudem pessoas. A resposta era espontânea, sincera e Sandra percebeu isso. Que tipo de sistemas? Sistemas médicos que diagnosticam doenças mais rápido. Sistemas educacionais que ensinam de forma personalizada, sistemas de segurança que protegem dados. Lucas falava com paixão agora.
Tecnologia pode mudar o mundo, pode ajudar gente que mais precisa. Sandra desligou a gravação. Lucas, essa vai ser a matéria mais bonita que vou escrever este ano. Obrigada. Depois que ela saiu, Fernando olhou para Lucas com uma expressão estranha. O que foi? Lucas perguntou. Você é diferente mesmo. A maioria das crianças diria que quer ser desenvolvedor para ganhar dinheiro, ficar famoso.
Você quer ajudar pessoas? Minha mãe me ensinou isso. Que sucesso sem propósito não vale nada. Cristina apertou a mão do filho, os olhos brilhando de orgulho. O resto do dia passou em um borrão. Funcionários vinham conhecer Lucas, fazer perguntas, tirar fotos. Alguns eram genuinamente curiosos, outros claramente céticos, mas todos estavam impressionados.
>> [música] >> Foi no fim da tarde que aconteceu o segundo evento que mudaria tudo. Lucas estava explorando o andar de tecnologia, olhando os equipamentos com fascínio, quando ouviu vozes alteradas vindo de uma sala de reuniões. “Não é possível que ninguém consegue resolver isso”, era a voz de Juliano, o coordenador de vendas.
“Temos cliente esperando há três dias.” Lucas se aproximou da porta entreaberta e viu pelo menos 10 pessoas reunidas ao redor de um computador, todas com expressões frustradas. “O que está acontecendo?”, [música] ele perguntou baixinho. Gabriela, que estava lá, se virou. “Ah, Lucas, é um problema com banco de dados. Perdemos acesso a informações de 3.000 clientes.
O backup está corrompido e não conseguimos recuperar. Posso ver, Lucas? Isso é muito complexo até para profissionais. Está sendo difícil, mas posso só olhar. Prometo que não vou mexer em nada sem permissão. Gabriela suspirou e fez sinal para ele se aproximar. [música] Lucas olhou para a tela e imediatamente reconheceu o problema.
Tinha estudado corrupção de banco de dados semana passada num tutorial antigo que encontrou na biblioteca. “A estrutura de índice está quebrada”, ele disse. “Por isso não consegue acessar, mas os dados ainda estão lá, só estão desorganizados. Sabemos disso, Juliano disse impaciente. O problema é como reorganizar sem perder tudo e precisa fazer uma reconstrução manual da tabela de índices usando os fragmentos de dados ainda legíveis como referência.
E você sabe fazer isso? Um técnico perguntou o cético. Sei, mas vai demorar umas duas horas. Juliano olhou para Gabriela. O que temos a perder? Já tentamos tudo. Tudo bem. Gabriela concordou. Mas Lucas, se piorar, não vai piorar, prometo. Lucas se sentou e começou a trabalhar. A sala ficou em silêncio absoluto, todos observando.
[música] Desta vez, ele trabalhava mais devagar, explicando cada passo. Estou mapeando os fragmentos de dados ainda intactos, ele dizia enquanto digitava. Aqui tem informação de 50 clientes, aqui mais 80. Vou reconstruir a tabela base usando esses fragmentos. Uma hora se passou, depois duas. Lucas não parava, completamente focado.
De vez em quando tomava um gole de água, mas não desviava os olhos da tela. Pronto, ele finalmente disse, pode testar. Gabriela digitou alguns comandos, os olhos dela se arregalaram. Está funcionando. Todos os dados estão de volta. A sala explodiu em aplausos. Juliano, que tinha sido um dos mais céticos, se aproximou de Lucas.
[música] Moleque, você acabou de salvar três dias de trabalho e, provavelmente, uns 20 contratos. Ele estendeu a mão. Me desculpa por ter duvidado. [música] Lucas apertou a mão, sorrindo sem problema. Quando saiu daquela sala, Lucas não era mais visto como uma curiosidade, era visto como um membro valioso da equipe, mas nem tudo eram flores.
No corredor, ele esbarrou com Ricardo, o diretor financeiro, conversando com outro executivo. É impressionante, eu admito, Ricardo dizia, mas vamos ser realistas. Ele é uma criança, não tem maturidade para lidar com pressão real, com problemas complexos de verdade. Ele resolveu dois problemas que ninguém aqui conseguiu, o outro rebateu. Foram problemas técnicos.
Mas e quando for preciso tomar decisões estratégicas, negociar com clientes, gerenciar equipes? Ricardo balançou a cabeça. Talento técnico é uma coisa, ser profissional completo é outra. Lucas ouviu tudo, mas não disse nada, apenas continuou andando. Sabia que Ricardo tinha um ponto. Ele era bom com computadores, mas e o resto e todas as outras habilidades que profissionais precisam.
Quando chegou de volta à sala de descanso, encontrou a mãe conversando com outras funcionárias da limpeza. Elas olhavam para Cristina com uma mistura de inveja e admiração. “Seu filho é um gênio, Cristina.” Uma delas dizia: “Você deve estar tão orgulhosa”. [música] Estou, mas também estou com medo. Medo de quê? De que tudo isso seja rápido demais? Ele ainda é criança, precisa brincar, ter amigos, viver coisas de criança.
Mas, Cristina, essa é a chance dele de ter futuro diferente. Eu sei. Eu só não quero que ele perca a infância no processo. Lucas ouviu a conversa e sentiu um aperto no peito. Não tinha pensado nisso. Estava tão empolgado com as oportunidades que não parou para pensar no que estava perdendo. Quando chegaram em casa naquela noite, já passava das 9. A casa era pequena.
Um sobrado modesto em um bairro simples, mas era lar. O marido de Cristina, Paulo, estava esperando ansioso. “É verdade o que estão falando na internet?”, ele perguntou assim que entraram. “Nosso Lucas virou notícia?” “É verdade, pai”, Lucas respondeu cansado, mas feliz. Paulo abraçou o filho com força.
Sempre soube que você era especial. [música] Sempre. A irmã mais nova de Lucas, Marina, apareceu de pijama. tinha 8 anos e olhava para o irmão com admiração absoluta. “Lucas, você apareceu na TV? Minha professora viu e mostrou para a turma toda. Sério? Sério? Todo mundo falando que meu irmão é gênio.” Lucas sorriu, mas sentia o peso da expectativa crescendo.
Todo mundo esperando coisas dele agora. Todo mundo achando que ele tinha resposta para tudo. Naquela noite, deitado na cama, Lucas olhou para o teto e pensou em tudo que tinha acontecido de manhã. era invisível. De tarde era celebridade. [música] Que loucura era aquilo? Ele pegou o envelope que os japoneses tinham dado e releu cartão várias vezes.
Depois pegou o papel com informações da Academia Técnica Avançada. Duas oportunidades que pareciam impossíveis de manhã, mas junto com a empolgação havia medo. Medo de falhar, [música] medo de decepcionar, medo de não ser tão especial quanto todos achavam. Lucas, a voz da mãe veio da porta. Posso entrar? Pode, mãe.
Cristina sentou na beirada da cama. Você está bem? Estou só pensando no quê? Em tudo que aconteceu hoje. Parece irreal. É irreal, mas é real também. Ela segurou a mão dele. Filho, eu preciso te perguntar uma coisa e quero resposta honesta. O que, mãe, você está feliz com tudo isso ou está se sentindo pressionado? >> [música] >> Lucas pensou antes de responder as duas coisas.
Estou feliz porque finalmente posso mostrar o que sei fazer, mas também sinto que todo mundo está esperando que eu seja perfeito. E eu não sou perfeito, mãe. Ninguém é filho e ninguém deveria esperar isso de você. Cristina acariciou o cabelo dele. Se em qualquer momento você quiser parar, se quiser voltar para a vida normal, a gente volta. Entendeu? Entendi.
Você não precisa salvar o mundo. Você só precisa ser criança. [música] Mas mãe, essa é minha chance, nossa chance de mudar tudo. Eu sei, mas não quero que você perca sua essência no processo. Você é especial não porque resolve problemas decomputador. Você é especial porque tem coração bom, porque se importa com as pessoas, porque é você.
Lucas abraçou a mãe sentindo lágrimas formarem nos olhos. Obrigado, mãe, por tudo. Não precisa agradecer. É meu trabalho te proteger sempre. Quando Cristina saiu do quarto, Lucas ficou olhando para o escuro. Amanhã teria a entrevista na academia. Amanhã tudo poderia mudar de novo. Mas uma coisa ele sabia com certeza.
Não importava o que acontecesse, não ia esquecer de onde veio. Não ia esquecer a mãe limpando o chão para dar comida na mesa. Não ia esquecer o pai trabalhando dobrado para pagar contas. Não ia esquecer a luta diária que sempre foi a vida deles. Se tinha talento, ia usar para honrar essa luta, para mostrar que filho de faxineira pode sim mudar o mundo.
Um comando de cada vez. A Academia Técnica Avançada ficava em um bairro que Lucas só conhecia de longe quando passava de ônibus com a mãe. Prédios espelhados, ruas arborizadas, carros importados estacionados em vagas privativas. Era um mundo completamente diferente do dele. Cristina ajeitou o colarinho da camisa do filho pela quinta vez enquanto esperavam na recepção.
Tinha comprado aquela roupa com o dinheiro extra que Fernando havia adiantado, mas ainda assim parecia simples perto dos uniformes impecáveis que via nos corredores. “Para de mexer no cabelo, mãe!” [música] Lucas sussurrou. “Tá bom assim. Eu só quero que você cause boa impressão. Vou causar, prometo. A recepcionista, uma mulher elegante de óculos sofisticados, chamou o nome deles, Lucas Silva.
A diretora Helena Tavares está pronta para recebê-los. Eles seguiram por um corredor com paredes de vidro, onde podiam ver salas de aula equipadas com tecnologia de ponta, impressoras 3D, computadores de última geração, robôs sendo montados por alunos que não deviam ter mais que 15 anos. Lucas sentia o coração disparar. Aquilo era tudo que sempre sonhou.
A sala da diretora era ampla e moderna, com estantes repletas de troféus e certificados. Helena Tavares era uma mulher de 40 e poucos anos. Cabelos presos em um coque perfeito, expressão séria, mas não hostil. Ao lado dela estava um homem mais jovem, de óculos e expressão analítica. “Bom dia, Lucas.” “Bom dia, senhora Silva.
” Helena cumprimentou, indicando as cadeiras à frente da mesa. “Este é o professor André Campos, nosso coordenador de tecnologia.” Todos se sentaram. Lucas notou que André o observava com curiosidade misturada com ceticismo. Então você é o menino que virou notícia. Helena começou pegando uma pasta com papéis. Li a reportagem.
Bastante impressionante para alguém da sua idade. Obrigado, senhora. Mas você entende que reportagens podem exagerar, não entende? Que mídia tende a romantizar histórias? Lucas sentiu a primeira fisgada de desconfiança. Entendo, mas eu realmente fiz o que está escrito. Vamos ver isso. André se pronunciou pela primeira vez, a voz carregada de dúvida.
[música] Lucas, pode me explicar o que é protocolo TCP? É um conjunto de protocolos de comunicação usado para interconectar dispositivos na internet. TCP significa transmission control protocol e IP significa internet protocol. O TCP garante que dados sejam entregues na ordem correta, enquanto o IP cuida do endereçamento e roteamento.
Andrea sentiu, mas não pareceu impressionado. Qualquer um pode decorar definição da Wikipédia. [música] Me diz, se você tiver perda de pacotes em uma conexão TCP, o que acontece? O TCP detecta através de acknowledgements ausentes e retransmite os pacotes perdidos. Usa algoritmo de controle de congestionamento para ajustar a taxa de transmissão.
E se eu quiser reduzir latência em vez de garantir entrega completa, aí usa UDP em vez de TCP. User Datagram Protocol não garante entrega nem ordem, mas tem overhead muito menor. É usado para streaming de vídeo, jogos online, coisas que precisam de velocidade mais que perfeição. O silêncio na sala mudou de qualidade. André trocou um olhar com Helena, [música] a expressão menos cética agora.
Está bem, Helena disse fechando a pasta. Você claramente tem conhecimento teórico, mas nossa academia não aceita apenas teoria. Precisamos ver a aplicação prática. Ela se levantou e fez sinal para eles seguirem. Foram até um laboratório no segundo andar, onde três alunos trabalhavam em um projeto. Quando viram a diretora entrar, [música] pararam imediatamente.
Pessoal, este é Lucas. Ele vai fazer nosso teste de admissão prático. Helena anunciou. Um dos alunos, um garoto de uns 15 anos com aparelho nos dentes, [música] soltou uma risadinha. Ele é o prodígio da internet. Vamos descobrir se é prodígio ou só sorte. [música] André respondeu, levando Lucas até um computador.
Lucas, este computador tem um problema. Não conseguimos acessar os arquivos. Sistema operacional não inicia. Tela só mostra erro. Três dos nossos melhores alunos tentaram consertar ontem e nãoconseguiram. Você tem 30 minutos. Lucas olhou para a mãe que estava pálida, claramente nervosa. Depois olhou para a tela que mostrava uma mensagem de erro incompreensível.
Posso começar? Pode. Lucas sentou e começou a examinar. Os três alunos se aproximaram, observando com atenção. Um deles, uma garota de cabelos cacheados, sussurrou algo para os outros que Lucas não conseguiu ouvir, mas imaginou que não era elogio. Ele ligou o computador novamente, prestando atenção em cada som, cada luz, [música] cada detalhe do processo de boot.
Depois desligou e abriu o gabinete. Ei, você não pode abrir isso sem [música] o garoto de aparelho começou. Deixa ele trabalhar. André cortou. Lucas examinou os componentes internos, verificou conexões, testou cabos, depois fechou tudo e voltou a ligar, mas dessa vez pressionou uma sequência específica de teclas para acessar o BIOS.
“O problema não é no sistema operacional”, ele disse em voz alta. “É na ordem de boot. O Bills está configurado para tentar iniciar pelo drive de rede primeiro, mas o servidor de rede está fora do ar. fica em loop infinito tentando conectar. E como você sabe que o servidor está fora? A garota de cabelos cacheados perguntou desafiadora: “Porque a luz de rede no roteador ali está laranja, não verde.
Laranja significa que está recebendo energia, mas não tem conexão ativa.” André verificou o roteador e confirmou. “Está certo. Então é só mudar a ordem de boot para o HD local ser prioridade.” Lucas concluiu já fazendo as alterações no BIOS. 30 segundos depois, o computador iniciou normalmente, carregando o sistema operacional sem erros.
Os três alunos ficaram em silêncio absoluto. O garoto de aparelho tinha a boca aberta. A garota de cabelos cacheados olhava para Lucas como se ele fosse alienígena. “Quanto tempo você levou?”, Helena perguntou. André olhou para o relógio. 4 minutos e 20 segundos. “Nossos alunos levaram 3 horas ontem e desistiram.” Helena disse: “Mais para si mesma que para os outros.
Eles estavam procurando problema complexo”, Lucas explicou. Às vezes a solução é simples. Só precisa saber onde olhar. Simples? O garoto de aparelho finalmente achou a voz. A gente testou drivers, reinstalou o sistema, verificou os setores do HD, mas não verificaram configuração básica de boot. Lucas respondeu sem arrogância, apenas constatando um fato.
Helena e André trocaram outro olhar. Dessa vez, Lucas viu algo diferente. Respeito. Lucas, pode aguardar lá fora com sua mãe por alguns minutos? Helena pediu. [música] Precisamos discutir sua admissão. Cristina e Lucas saíram e sentaram no corredor. A mãe segurou a mão do filho com força. “Você foi incrível lá dentro”, ela sussurrou.
“Acha que vão me aceitar? Filho, se não aceitarem, são loucos. 15 minutos depois, foram chamados de volta. Helena estava sorrindo pela primeira vez. Lucas, é um prazer informar que você foi aceito na academia técnica avançada. Cristina soltou um grito abafado de alegria e abraçou o filho com força. Lucas sentia o coração disparar, mistura de felicidade e nervosismo.
Mas preciso ser honesta com você. Helena continuou a expressão ficando séria de novo. Vai ser difícil. Nossos alunos são todos excepcionais. Vem das melhores escolas, tem recursos, apoio familiar estruturado. Você vai estar sempre correndo atrás. Estou acostumado a isso, Lucas respondeu. Além disso, vai enfrentar resistência.
Alguns alunos e até pais podem questionar sua presença aqui. Vão dizer que foi só pela publicidade que você não merece a vaga. E a senhora acha que eu mereço? Helena olhou diretamente nos olhos dele. Acho que você tem potencial para ser o melhor aluno que esta academia já viu, mas potencial é só o começo. O resto depende de você.
Quando ele começa? [música] Cristina perguntou, ainda limpando lágrimas de emoção. Semana que vem, segunda-feira, 8 da manhã. Quando saíram da academia, Cristina não conseguia parar de sorrir, mas Lucas estava quieto, [música] pensativo. O que foi, filho? Você não está feliz? Estou, [música] mas também estou com medo. De quê? De não conseguir.
De decepcionar todo mundo. A senhora ouviu o que ela disse. Mãe, todo mundo lá é rico, tem tudo. [música] Estudou nas melhores escolas. E eu eu aprendi sozinho em computador velho de biblioteca. Cristina parou de andar e segurou o rosto do filho com as duas mãos. Lucas Silva, você escuta bem o que vou te falar. Você não é menos que ninguém.
Você conseguiu tudo que tem porque trabalhou mais duro que qualquer um desses meninos ricos e vai continuar conseguindo pela mesma razão. [música] Mas e se não tem? E se você vai lá, vai mostrar do que é feito e vai provar que talento não tem nada a ver com dinheiro no banco. [música] Lucas abraçou a mãe, sentindo a força que ela sempre teve, a mesma força que o manteve estudando quando todos diziam que era perda de tempo. Eles pegaram oônibus de volta para casa.
No caminho, o celular de Cristina tocou. Era Fernando. Alô, Cristina. Como foi a entrevista? Ele foi aceito, senor Fernando. Lucas foi aceito. Sabia. Eu sabia que ia dar certo. A empolgação de Fernando era genuína. Escuta, preciso te contar uma coisa. Lembra da apresentação com os japoneses ontem? [música] Lembro.
Foi um sucesso absoluto. Eles aprovaram os 300 milhões de investimento. [música] E sabe o que disseram? Que ficaram impressionados não apenas com nossa tecnologia, mas com nossa [música] cultura de valorizar talentos inesperados. Estão querendo fazer documentário sobre o caso do Lucas? Cristina olhou para o filho que ouviu tudo.
Senhor Fernando, isso é maravilhoso, mas Lucas é criança ainda. Não sei se queremos tanta exposição. [música] Entendo perfeitamente. Só estou avisando que a história dele está repercutindo muito. A reportagem da Sandra viralizou. Já tem 2 milhões de visualizações. 2 milhões. Cristina arregalou os olhos. 2 milhões e subindo.
As pessoas estão inspiradas, Cristina. Estão vendo que é possível vencer, apesar das dificuldades. Quando desligaram, Lucas estava olhando pela janela do ônibus, vendo a cidade passar. 2 milhões de pessoas sabiam da história dele. Isso era assustador e emocionante ao mesmo tempo. “Mãe, posso te perguntar uma coisa?” “Claro, filho.
Porque você nunca me contou que a Marina tem asma? Ontem você falou pro senor Fernando sobre remédio, mas nunca explicou. [música] Cristina suspirou porque não queria que você se preocupasse. Sua irmã tem asma desde pequena. Precisa de bombinha todo dia, mas está controlado. Ela leva a vida normal.
O problema é que o remédio é caro [música] e sem plano de saúde a gente não conseguia comprar. Por isso você tinha tanto medo de perder o emprego. Por isso, se perdesse o emprego, perdia o plano. Se perdesse o plano, não tinha como pagar o tratamento da Marina. Ela apertou a mão dele. Mas agora está tudo bem. Graças a você. Não foi graças a mim. Foi sorte.
Não foi sorte, Lucas. Foi preparação encontrando oportunidade. Você estava pronto quando a chance apareceu. Eles desceram do ônibus três quadras antes de casa, [música] porque Cristina queria comprar pão na padaria. Enquanto esperavam na fila, Lucas ouviu duas mulheres comentando atrás dele: “Você viu aquele vídeo do menino gênio, filho de fachineira?” Vi, chorei horrores, a mãe dele sendo humilhada daquele jeito e ele salvando a empresa toda.
Ai, eu mostrei pro meu filho e falei: “Tá vendo? Não tem desculpa para não estudar”. Lucas sentiu o rosto esquentar, virou discretamente e viu que as mulheres não tinham percebido que ele estava ali, que era sobre ele que falavam. Só espero que essa história seja verdade mesmo”, a outra mulher disse. Porque hoje em dia inventam tanta coisa para viralizar.
Dizem que tem vídeo da câmera de segurança mostrando ele no computador. Mesmo assim, [música] criança de 12 anos fazendo isso, parece exagerado. Lucas sentiu algo apertar no peito. Não era raiva exatamente. Era a percepção de que agora teria que provar sua competência, não uma, mas mil vezes. Que sempre haveria gente duvidando, questionando, esperando ele falhar.
Quando chegaram em casa, Paulo estava na sala com Marina, os dois assistindo ao vídeo da reportagem sobre Lucas no celular. Filho, você está famoso! Paulo gritou quando eles entraram. Olha quantos comentários. Tem gente do mundo inteiro falando de você. Marina correu para abraçar o irmão. Lucas, todo mundo na minha escola ficou perguntando se você realmente é meu irmão.
A professora até pausou a aula para mostrar o vídeo. E o que você disse? Lucas perguntou. que você é o irmão mais inteligente do mundo e que eu sempre soube que você era especial. [música] Lucas abraçou a irmã, sentindo gratidão por ter uma família que acreditava nele mesmo quando ninguém mais acreditava.
Naquela noite, depois do jantar simples de arroz, feijão e frango, [música] Lucas estava no quarto estudando quando ouviu vozes alteradas na sala. Chegou perto da porta para escutar. Paulo, eu estou com medo. Era a voz da mãe. E se tudo isso for rápido demais? E se a pressão for demais para ele? Cristina, é a chance dele.
A chance que a gente nunca teve. Eu sei, mas ele ainda é criança. Precisa brincar, ter amigos, viver, não ficar só estudando e resolvendo problemas de adultos. Ele escolheu esse caminho. A gente tem que apoiar. Apoiar é diferente de empurrar Paulo e sinto que todo mundo está empurrando ele para coisas que que talvez ele não esteja pronto.
Lucas encostou a testa na porta, sentindo um nó na garganta. Não queria que a mãe se preocupasse. Não queria ser motivo de estresse na família, mas também não queria desistir. Não quando finalmente tinha a chance de mostrar do que era capaz. Voltou para a [música] cama e pegou o caderno onde anotava códigos. Tinha preenchido quatro cadernos assimnos últimos anos, todos guardados debaixo da cama como tesouros.
Abriu o primeiro, olhando as anotações desajeitadas de quando tinha 9 anos. “Quando eu crescer, vou fazer programas que ajudam pessoas”, estava escrito na primeira página com letra de criança. Tr anos depois estava fazendo exatamente isso, ou tentando [música] pelo menos. Lucas pegou o celular velho que a mãe tinha emprestado e abriu o vídeo da reportagem.
[música] Já tinha 5 milhões de visualizações. Leu alguns comentários. Esse menino me fez chorar. Parabéns para a mãe que criou um filho tão incrível. História linda, mas aposto que é armação. Criança de 12 anos não sabe fazer isso. Meu filho tem a mesma idade e só pensa em jogar videogame. [música] Esse Lucas é inspiração.
Brasileiro sempre fazendo milagre, orgulho do nosso povo. Fake [música] 100% fake. Tudo marketing da empresa. Os comentários positivos aqueciam o coração, os negativos doíam. Mas Lucas estava aprendendo que não podia agradar todo mundo, que sempre teria gente duvidando e que a única resposta para a dúvida era continuar provando.
Na manhã de domingo, dois dias antes de começar na academia, [música] Lucas estava ajudando o pai a consertar a pia da cozinha quando o celular da mãe tocou de novo. Era um número desconhecido. Alô, senhora Cristina Silva. Aqui é da Record TV. Gostaríamos de entrevistar seu filho no programa dominical. [música] Milhões de pessoas assistem.
Seria uma oportunidade incrível. Cristina olhou para Lucas indecisa. Mãe, não precisa aceitar se não quiser. Lucas disse baixinho. Ela pensou por alguns segundos antes de responder. [música] Muito obrigada pelo convite, mas meu filho precisa se concentrar nos estudos agora, talvez em outra ocasião. Quando desligou, Paulo perguntou: “Você recusou a Record TV, Cristina? Isso seria enorme para o Lucas ou seria pressão demais? Ele tem 12 anos, Paulo. 12.
precisa de tempo para ser criança antes de virar celebridade. Lucas abraçou a mãe agradecido. Ela sempre sabia o que ele precisava, mesmo quando ele próprio não sabia. Segunda-feira chegou rápido demais. Lucas acordou às 5 da manhã, nervoso. Vestiu o uniforme novo da academia que Fernando havia providenciado. Olhou-se no espelho e mal se reconheceu.
“Você está lindo, filho”, Cristina disse da porta, os olhos marejados. Estou com medo, mãe. Eu sei, [música] mas você vai arrasar, como sempre. Eles saíram de casa às 6 para pegar dois ônibus até a academia. [música] No caminho, Lucas viu crianças da idade dele indo para escolas públicas do bairro, uniformes simples, mochilas gastas.
Sentiu uma pontada de culpa. [música] Por que ele tinha essa chance e elas não? Mãe, não é justo. O que, filho? Eu estar indo para aquela escola enquanto outras crianças tão inteligentes quanto eu não tem chance nenhuma. Cristina segurou a mão dele. Você está certo. Não é justo. Mas você não pode carregar o peso do mundo nas costas.
Você faz sua parte, ajuda quem pode [música] e torce para que um dia o sistema todo mude. Quando chegaram à academia, [música] Lucas viu dezenas de carros importados, deixando alunos na porta. Todos pareciam tão confiantes, tão à vontade ali. Ele, descendo do ônibus com a mochila remendada, sentia-se completamente fora do lugar. Esse não é o menino da internet, ouviu alguém sussurrar.
É sim, o filho da faxineira. Aposto que não dura uma semana aqui. Lucas respirou fundo. Lembrou das palavras da mãe, lembrou de tudo que tinha passado para chegar ali e entrou pela porta principal com a cabeça erguida, pronto para provar que merecia cada segundo daquela oportunidade. não sabia ainda.
Mas aquele seria o dia em que descobriria que o verdadeiro desafio não era a tecnologia, era sobreviver em um mundo que não estava preparado para aceitar que gênios podem vir de qualquer lugar, até mesmo do banco traseiro de um ônibus lotado. A primeira aula de Lucas na academia técnica Avançada foi programação avançada com o professor André.
A sala tinha apenas 12 alunos, todos sentados em estações de trabalho individuais com computadores que custavam mais que o carro do pai de Lucas. Ele entrou e imediatamente sentiu todos os olhares sobre si. “Ah, nosso prodígio chegou”, uma voz disse do fundo da sala. Era um garoto alto, de cabelos loiros, perfeitamente penteados. Expressão superior.
Pessoal, façam silêncio. A celebridade da internet está entre nós. Isadas abafadas ecoaram pela sala. Lucas sentiu o rosto esquentar, mas manteve a cabeça erguida e foi sentar na única estação vazia bem na frente. Bom dia, Lucas. O professor André cumprimentou formalmente. Classe, este é Lucas Silva. Como vocês já devem saber, ele se juntou a nós depois de demonstrar habilidades excepcionais em resolução de problemas.
Habilidades excepcionais ou sorte excepcional? O garoto loiro comentou alto o suficiente para todos ouvirem. Senr. BernardoCosta, mais um comentário desses e você passa o resto da aula na sala da diretora. André repreendeu, mas sem muita força na voz. Bernardo levantou as mãos em rendição falsa, mas continuou sorrindo de forma provocativa.
“Hoje vamos trabalhar em um projeto prático”, André continuou escrevendo no quadro digital. Vocês terão 90 minutos para criar um algoritmo que resolva o problema do caixeiro viajante para 20 cidades. Quem terminar primeiro ganha 10 pontos extras. Lucas sabia o que era o problema do caixeiro viajante. Tinha estudado em um livro antigo de algoritmos na biblioteca.
Era um problema clássico de otimização. Encontrar a rota mais curta que passasse por todas as cidades exatamente uma vez. Alguma dúvida? André perguntou. Professor, podemos usar qualquer linguagem de programação? Uma garota de óculos perguntou. Qualquer uma. Python, Java, CPI Spli, o que preferirem. e bibliotecas externas permitidas, desde que vocês entendam o código que estão usando.
Lucas abriu o ambiente de desenvolvimento e começou a pensar. O problema do caixeiro viajante era NP difícil, o que significava que não existia solução perfeita rápida, mas existiam aproximações boas. Ele começou a digitar, construindo um algoritmo usando programação dinâmica com otimização por Branch and Bound. >> [música] >> Seus dedos voam pelo teclado, a concentração absoluta bloqueando todo o resto.
15 minutos depois, Bernardo se levantou. Professor, terminei. André se aproximou para verificar. Algoritmo guloso básico. Funciona, mas não é otimizado. Nota 7. Sete. Mas funciona. [música] O desafio não era apenas fazer funcionar, era fazer funcionar bem. Bernardo voltou para sua cadeira, visivelmente contrariado. Outros alunos continuavam trabalhando, alguns frustrados, outros concentrados.
Mais 20 minutos e a garota de óculos levantou a mão. Terminei, professor. André verificou. Algoritmo genético. Muito bom, Melissa. Nota nove. Só nove. A implementação poderia ser mais eficiente no uso de memória. Lucas continuava digitando. Estava quase terminando quando percebeu um detalhe que poderia melhorar muito a eficiência.
Adicionou uma camada de cash para evitar recalcular rotas já testadas. [música] 10 minutos depois, salvou o arquivo. Professor, terminei. O silêncio na sala foi imediato. Todos pararam de trabalhar para observar. [música] André se aproximou da estação de Lucas e começou a analisar o código. 5 segundos de silêncio, 10 segundos, 15 segundos.
André finalmente levantou os olhos, uma expressão que Lucas não conseguiu decifrar. Lucas, pode explicar o que você fez aqui? Usei programação dinâmica com branch and bound para eliminar rotas claramente ineficientes. Adicionei memorização para não recalcular subproblemas que já resolvi e otimizei a ordem de processamento para testar primeiro as rotas mais promissoras.
E esse trecho aqui? André apontou para uma sessão específica do código. Ah, isso é uma heurística que desenvolvi. Percebi que cidades mais próximas geograficamente tendem a estar em rotas ótimas. Então, priorizei essas conexões no algoritmo de busca. André digitou alguns comandos para testar o código. Rodou com diferentes configurações de cidades.
[música] O algoritmo de Lucas consistentemente encontrava soluções melhores que os outros e mais rápido. Isso é, André pausou, procurando as palavras certas. Lucas, isso é nível de competição internacional. Você tem certeza que desenvolveu sozinho? Tenho certeza, professor. Estudei o problema semanas atrás e fiquei pensando em como melhorar as soluções tradicionais.
[música] Semanas atrás. Você tem 12 anos? Eu sei, professor, mas idade não impede de pensar. Bernardo soltou uma risada sarcástica. Claro, ele desenvolveu sozinho. Aposto que copiou de algum lugar na internet. Lucas se virou na cadeira. Posso te mostrar meu caderno com as anotações que fiz quando estudei isso, se quiser.
Caderno? Bernardo debochou. Quem usa caderno em pleno 2025? Ah, é verdade. Você não tinha computador em casa, né, Bernardo? Chega. André repreendeu dessa vez com voz firme. Lucas, sua nota é 10. Com louvor. A sala explodiu em murmúrios. Melissa, a garota de óculos que tinha tirado nove, olhava para Lucas com uma mistura de admiração e descrença.
Isso é injustiça. Bernardo protestou levantando-se. Ele tem um dia de aula e já ganha 10 com louvor, professor. Isso é favoritismo óbvio. É competência óbvia. André corrigiu. Se você desenvolvesse um algoritmo no mesmo nível, ganharia a mesma nota. Mas como a gente sabe que ele não colou, que não teve ajuda externa? Porque eu estou vendo ele criar o código do zero, Bernardo, em tempo real na minha frente.
André cruzou os braços e, francamente, seu comportamento está começando a me preocupar. Lucas é seu colega agora, merece respeito. [música] Bernardo bufou e se sentou, mas o olhar que lançou para Lucas era puro veneno. [música] Ointervalo chegou e Lucas foi para o pátio, procurando um lugar tranquilo para comer o lanche que a mãe tinha preparado.
[música] Sentou em um banco afastado, tirando da mochila o pão com manteiga embrulhado em papel alumínio. “Nossa, que lanche chique!”, Uma voz debochada disse. Lucas olhou [música] e viu três garotos se aproximando. Bernardo na frente, pão com manteiga, muito sofisticado. Um. Deixa eu em paz. Lucas respondeu tentando manter a calma. Ou o quê? Vai hackear meu celular? Bernardo riu e os outros dois riram junto. Olha só, pessoal.
O gênio come pão com manteiga enquanto a gente come sushi do restaurante japonês. Um dos garotos de cabelo escuro e óculos caros se aproximou mais. Sério, cara, você não percebe que está no lugar errado? Essa escola é para gente como a gente, não para. Ah, bem, você sabe. Para gente pobre, você quer dizer? Lucas disse, encontrando coragem, não sabia de onde.
Eu não disse isso. Você que disse. O garoto sorriu. Mas já que tocou no assunto, é verdade que sua mãe é fachineira? É. E daí? Nada. Só acho engraçado. Minha mãe tem fachineira em casa. Imagina se a filha dela viesse estudar aqui comigo. Ele riu como se fosse a piada mais hilária do mundo. Lucas sentiu algo ferver dentro dele.
Não era raiva pela humilhação dele próprio, [música] era raiva pela falta de respeito com a mãe. Sua mãe deve ser muito orgulhosa de ter um filho que julga as pessoas pelo trabalho delas. Cuidado com o que fala, bolsista. Não sou bolsista. Alguém está pagando minha mensalidade porque reconheceu meu talento.
Diferente de vocês que estão aqui só porque papai tem dinheiro. Bernardo deu um passo ameaçador à frente. Você está chamando a gente de burro? Não. Estou dizendo que tirar 10 na primeira aula não é privilégio, é trabalho duro. Trabalho duro? Você apareceu na internet, virou meme e agora acha que é especial, mas todo mundo sabe a verdade.
[música] Que verdade? que você deu sorte uma vez e sorte acaba. Lucas estava prestes a responder quando uma voz feminina interrompeu. Vocês três não têm nada melhor para fazer. Era Melissa, a garota de óculos que tinha tirado nove. [música] Ela se aproximou com expressão irritada. Sério, Bernardo? Primeira semana de aula e você já está fazendo bullying com o novato? A gente só estava conversando, Mel.
Conversando? Ouvi vocês do outro lado do pátio. Estavam humilhando ele. Ela se virou para Lucas. Ignora esses idiotas. Eles fazem isso com todo mundo que ameaça o ego inflado deles. Ego inflado? Bernardo ficou vermelho. Melissa, você está defendendo um cara que mal conhece? Estou defendendo alguém que é claramente mais inteligente que vocês três juntos.
Ela pegou o Lucas pelo braço. Vem, vamos comer longe desses perdedores. Lucas deixou-se ser guiado para outro canto do pátio, onde um grupo menor de alunos conversava tranquilamente. “Obrigado”, ele disse quando sentaram. “Não precisa agradecer. Bernardo é um babaca com todo mundo.
Acha que porque o pai dele é dono de empresa de software, ele é superior.” Melissa abriu sua lancheira que realmente tinha sushi. “Quer um?” Não, obrigado. Tenho meu lanche, cara. Sem vergonha. Pão com manteiga é ótimo. Minha avó fazia para mim quando eu era pequena. [música] Ela mordeu um sushi. Então, sério mesmo que você desenvolveu aquele algoritmo sozinho? Desenvolvi.
Por que todo mundo duvida? Porque é bom demais. [música] Eu estudo programação desde os 8 anos, tenho aulas particulares três vezes por semana e nunca conseguiria fazer aquilo no tempo que você fez. Mas você fez um algoritmo genético. Isso é muito mais complexo que o meu. É diferente. Algoritmos genéticos são mais conhecidos, tem mais material disponível.
O que você fez foi criativo, [música] inovador. Ela o encarou. Como você aprendeu tudo isso? De verdade? Lucas contou. sobre as horas na biblioteca, sobre o computador velho que só funcionava metade das vezes, [música] sobre estudar em cadernos porque não tinha acesso à internet em casa, sobre resolver problemas teóricos antes de dormir, imaginando códigos na cabeça.
[música] Melissa ouvia tudo em silêncio e quando ele terminou tinha lágrimas nos olhos. Desculpa, ela disse limpando o rosto. É que eu reclamo quando meu computador demora 5 segundos para ligar. E você aprendeu tudo isso em computador que mal funcionava. Não é sobre o que você tem, é sobre o que você faz com o que tem.
Você devia escrever isso em algum lugar. É profundo. Lucas sorriu. Pela primeira vez desde que chegara na academia. Sentia que talvez, só talvez, tivesse encontrado alguém que o via como pessoa, não como fenômeno ou ameaça. À tarde trouxe mais aulas, matemática avançada, onde Lucas resolveu equações diferenciais que deixaram a professora impressionada.
Física computacional, onde seu entendimento de simulações surpreendeu até o professor mais cético. Mas foi na última aula do dia que ascoisas ficaram realmente tensas. Era aula de robótica e o professor Marcos dividiu a turma em duplas para um projeto de construção de braço mecânico. Lucas foi pareado com Bernardo. Perfeito.
Bernardo murmurou quando ouviu a dupla. Vou ter que carregar o peso morto nas costas ou eu vou ter que carregar você. Lucas respondeu antes de pensar. Bernardo olhou para ele com surpresa, depois deu uma risada sem humor. Olha só, o rato tem dentes. Eles foram para a bancada de trabalho, onde tinham que montar um braço robótico capaz de pegar objetos de formatos diferentes.
Bernardo imediatamente assumiu o controle, pegando as peças e começando a montar sem consultar Lucas. “Você está montando errado”, Lucas disse depois de alguns minutos. “Ah, é? E como você sabe?” Porque li as instruções. O servo motor vai nessa posição, não nessa. Eu já fiz três projetos de robótica.
Acho que sei onde vai o servo motor. Então, por que está tremendo quando tenta segurar objetos pesados? Bernardo testou e viu que Lucas estava certo. O braço tremia violentamente ao tentar pegar um peso de 200 g. Tá, gênio. Conserta. Então, Lucas pegou o braço e começou a reposicionar as peças. Bernardo observava com expressão fechada, claramente irritado por ter que admitir que estava errado.
“Seu pai realmente trabalha com software?”, Lucas perguntou tentando quebrar o gelo. “Tem empresa de desenvolvimento?” “Por quê?” “Porque você deve ter aprendido muita coisa com ele. Deve ser legal ter alguém que entende de tecnologia em casa.” Bernardo ficou quieto por um momento. “Ele não tem tempo para me ensinar.
Está sempre viajando, fazendo negócios. Aprendi tudo em aulas particulares. Deve ser solitário. O quê? Aprender sozinho, mesmo tendo professores. Eu sei como é. A gente fica na própria cabeça tempo demais. Bernardo olhou para Lucas com uma expressão estranha, como se estivesse vendo algo que não esperava ver.
Você é esquisito, sabia? Porque tentei ter uma conversa normal com você. Por que não está com raiva? Eu fui um babaca com você o dia inteiro e você está tentando ser legal. Lucas deu de ombros. Raiva não conserta robô e não muda sua opinião sobre mim, mas conversa pode. Você realmente acredita nisso? Que pode mudar a opinião das pessoas só sendo legal? Não sei, mas tem que tentar, né? Eles trabalharam em silêncio por alguns minutos.
Bernardo, para surpresa de Lucas, começou a escutar suas sugestões. Quando terminaram, tinham o braço robótico mais eficiente da sala. Muito bem, vocês dois. O professor Marcos elogiou. Trabalho em equipe excelente. Quando a aula terminou e todos estavam saindo, Bernardo chamou Lucas. Ei, fala. [música] Eu, olha, não vou pedir desculpas porque isso seria esquisito, mas talvez eu tenha sido muito idiota hoje. Talvez. Tá bom.
[música] Fui muito idiota. Bernardo coçou a nuca desconfortável. Você é bom de verdade. E isso me deixou com inveja. Por quê? Você também é bom, mas não como você. E é difícil aceitar que alguém que veio do nada é melhor que eu, que tenho [música] tudo. Lucas pensou antes de responder: “Sabe o que aprendi? Que competição só faz sentido se todo mundo está melhorando.
Se você fica com inveja, ninguém cresce. Mas se você fica inspirado, todo mundo sobe junto. Bernardo olhou para ele por um longo momento. Você tem 12 anos, cara. Como fala essas coisas? Minha mãe, ela ensina muita coisa. Deve ser legal ter mãe assim. É mesmo quando ela está limpando o chão em escritório cheio de gente que não respeita ela.
A frase ficou suspensa no ar. Bernardo entendeu a mensagem. Eu entendi. Desculpa por aquilo que falei sobre sua mãe. [música] Aceito, mas não repete. Não vou. Eles se despediram e Lucas foi para a saída onde Cristina já esperava. [música] Ela trabalhava até às 3 da tarde e depois ia buscar o filho na academia.
E aí, como foi o primeiro dia? Lucas olhou para trás, vendo o prédio imponente da academia. pensou em tudo que tinha acontecido. A humilhação, a vitória, [música] o confronto, a conexão inesperada. Foi intenso, mãe, mas sobrevivi. Só sobreviver? Não. Acho que até venci um pouco. Cristina sorriu e bagunçou o cabelo dele. Sabia que ia.
No ônibus de volta, Lucas viu uma notificação no celular. Era mensagem em um grupo que os alunos da turma tinham criado. Melissa havia escrito: “Gente, alguém pode explicar a parte três do dever de física? Não entendi nada.” Vários alunos responderam que também não entendiam. Lucas digitou uma explicação detalhada com exemplos e até desenhos feitos no celular.
3 minutos depois, Melissa respondeu: “Lucas, você é incrível. Agora entendi tudo.” Outros alunos agradeceram também. [música] Depois veio uma mensagem privada de Bernardo. Valeu pela explicação. Não ia admitir no grupo, mas também não tinha entendido. Lucas sorriu. Estava longe de ser aceito por todos. Ainda teria que provar seu valor mil vezes. Ainda enfrentariadúvidas, inveja, preconceito.
Mas estava aprendendo que batalhas se vencem uma de cada vez. e hoje tinha vencido algumas importantes. Três semanas haviam se passado desde o primeiro dia de Lucas na academia técnica Avançada. [música] Ele estava sentado na sala de aula quando a diretora Helena entrou com uma expressão séria. Alunos, tenho um anúncio importante, ela disse.
E todos pararam de conversar. Fomos selecionados para sediar a Olimpíada Nacional de Programação Juvenil. Nossa academia terá que escolher três representantes. Murmúrios empolgados ecoaram pela sala. Era a competição mais prestigiada do país, transmitida ao vivo pela internet, com prêmios que incluíam bolsas de estudo internacionais.
A seleção será feita através de uma prova eliminatória na sexta-feira. Os três melhores pontuadores representarão nossa escola. Bernardo imediatamente olhou para Lucas com um sorriso competitivo. Melissa também, mas o dela era de empolgação genuína. Lucas sentiu o estômago apertar. Quando chegou em casa naquela tarde, Cristina notou a tensão no rosto do filho.
O que aconteceu? Lucas contou sobre a Olimpíada. Cristina segurou o rosto dele com as duas mãos. E você está com medo? [música] Estou. E se eu não conseguir? E se todo mundo estava certo e eu só tive sorte? Lucas Silva me olha nos olhos. Ela esperou ele encontrar o olhar dela. Você não teve sorte. Você teve anos de preparação, determinação e talento.
Aquele dia foi apenas a primeira vez que alguém te deu chance de mostrar. Na quinta-feira à noite, véspera da prova eliminatória, Lucas estava estudando quando recebeu uma ligação de número desconhecido. Alô, Lucas. Aqui é o Fernando. Senr. Fernando, tudo bem? Tudo ótimo. Escuta, soube da olimpíada. Queria te desejar boa sorte. Houve uma pausa.
E Lucas, posso te contar uma coisa? Claro. Aquele dia quando o sistema da empresa travou, eu sei que foi você. Lucas sentiu o sangue gelar. Como? Como você sabe? Porque mandei os técnicos analisarem os logs depois. Viram que houve um acesso remoto microssegundos antes do travamento. Um acesso que veio do computador da sala de reuniões onde você estava. As mãos de Lucas tremiam.
Eu Eu não queria prejudicar ninguém. [música] Só queria uma chance, uma única chance de mostrar que era capaz. Lucas, [música] respira. Não estou bravo. Estou impressionado. Fernando deu uma risada. Você tinha 12 anos e conseguiu penetrar nosso sistema de segurança. Isso requer planejamento e coragem.
[música] Mas foi errado, foi arriscado, mas entendo por fez. Quando a gente vem de baixo, às vezes precisa forçar portas que não abrem sozinhas. Fernando pausou. Mas Lucas, ouve bem, você nunca mais precisa fazer isso. Já provou seu valor mil vezes. Seu talento fala por si. Lucas sentiu lágrimas formarem nos olhos. O Senhor não vai me denunciar.
Denunciar? Rapaz, [música] eu quero te contratar quando você crescer. Só promete que vai usar esses poderes para o bem daqui para frente. Prometo. Juro que prometo. Na manhã de sexta-feira, a academia estava em alvoro mais de 50 alunos tinham se inscrito para a prova eliminatória. Lucas entrou na sala e sentou em sua estação.
Ao lado dele estava Bernardo, que lhe deu um aceno de cabeça. Do outro lado, Melissa fez sinal de positivo. O professor André entrou com Helena. Alunos, vocês terão duas horas para resolver cinco problemas de programação de dificuldade crescente. [música] Lucas olhou para as questões e sentiu o estômago apertar. Eram muito mais difíceis do que esperava, mas respirou fundo e começou.
Problema após problema, ele resolvia metodicamente. Com 10 minutos restantes, chegou ao problema bônus. Criar programa que detecta bugs automaticamente era praticamente impossível em 10 minutos. Mas Lucas teve uma ideia. Criou um detector básico que identificava os bugs mais comuns, variáveis não inicializadas, loops infinitos óbvios, divisões por zero.
Tempo esgotado. Salvem seus arquivos. André anunciou. [música] Lucas salvou no último segundo. A correção seria feita durante o fim de semana. O fim de semana foi tortura. Lucas não conseguia pensar em outra coisa. “Para de roer unha”, Marina disse no domingo. “Você vai passar, tenho certeza”.
Na segunda-feira, todos os alunos estavam reunidos no auditório. Helena estava no palco com uma pasta na mão. [música] Em terceiro lugar, com 92 pontos, Bernardo Costa. Bernardo socou o ar em comemoração. [música] Em segundo lugar, com 97 pontos, Melissa Ferreira. Melissa gritou de alegria. Lucas sentiu o coração disparar. Só sobrava um nome.
E em primeiro lugar, com pontuação perfeita de 100 pontos, Lucas Silva. A explosão de reações foi instantânea. [música] Metade do auditório aplaudiu entusiasmada. Lucas não conseguia acreditar. Você foi o único aluno em 5 anos a resolver completamente o problema bônus. Parabéns”, [música] Helena disse. Mas nem todos estavam felizes. Um alunose levantou.
“Diretora Helena, como sabemos que ele não colou? Por quê?” André se levantou. Eu fiquei pessoalmente observando Lucas durante toda a prova e posso garantir, foi trabalho dele, original, criativo e brilhante. Talvez, Helena disse calmamente, vocês precisem se perguntar, não como ele consegue, mas por vocês não conseguem no mesmo nível.
Idade não define capacidade. Dedicação define: “A olimpíada nacional aconteceria no sábado seguinte.” Lucas passou a semana estudando, mas também mantendo equilíbrio. Brincou com Marina, ajudou o pai, jantou com a família. No sábado, o auditório estava lotado. Lucas viu a mãe, o pai e Marina na primeira fileira. Fernando também estava lá e, para sua surpresa, os três investidores japoneses. A competição começou.
10 problemas, 3 horas, transmissão ao vivo. Lucas mergulhou nos problemas. Bloquear o barulho, bloquear a pressão, bloquear tudo, exceto o código. Com uma hora restante, estava em terceiro lugar. Os dois primeiros eram estudantes de escolas tradicionais de São Paulo. Último problema, criar sistema de recomendação usando machine learning básico.
Lucas sabia exatamente o que fazer. Começou a implementar seus dedos voando pelo teclado. 15 minutos antes do fim, submeteu a solução. Placar atualizado. Lucas Silva. Primeiro lugar. O auditório explodiu. Marina gritava: “Esse é meu irmão, tão alto que todos ouviram”. [música] Cristina chorava abertamente. Quando o tempo acabou, Lucas Silva estava em primeiro lugar na Olimpíada Nacional de Programação Juvenil.
A plateia se levantou em ovação. [música] Lucas subiu ao palco, recebeu troféu, medalha de ouro, certificado de bolsa integral em universidade nos Estados Unidos. Mas quando pediram discurso, foi quando tudo realmente mudou. Lucas pegou o microfone e respirou fundo. Eu queria agradecer todo mundo que acreditou em mim, [música] minha família, meus professores, meus amigos.
Ele pausou. Mas principalmente quero agradecer as pessoas que duvidaram. Murmúrios de surpresa ecoaram. Porque quando alguém diz que você não consegue, você tem duas escolhas: acreditar neles ou provar que estão errados. Eu escolhi provar. >> [música] >> Lucas olhou para a câmera. Para toda criança que está assistindo e acha que não pode vencer porque é pobre, porque vem de escola pública, porque não tem computador em casa, podem sim.
Talento não mora em bairro nobre. Inteligência não precisa de roupa cara. Sonhos não pedem licença para chegar. A plateia estava em silêncio absoluto. Minha mãe limpa chão para sustentar nossa família. E sabe o que ela me ensinou? que não importa que trabalho você faz, importa a dignidade com que você faz.
Lucas sentiu lágrimas nos olhos. [música] Então, para toda mãe trabalhadora assistindo isso, seu filho pode chegar onde quiser. Para todo pai que trabalha duro, seus sacrifícios valem a pena. Para toda criança que estuda em caderno velho porque não tem computador, continua porque um dia alguém vai te dar uma chance.
E nesse dia você precisa estar pronto. Cristina soluçava na plateia. Esse troféu não é só meu, Lucas concluiu. É de todo menino e menina que acorda cedo para pegar ônibus lotado. É de toda mãe que chega em casa com as costas doendo. É de todo o pai que faz hora extra. É de todos nós que viemos de baixo e estamos subindo um degrau de cada vez. Ele levantou o troféu.
Porque filho de fachineira pode sim chegar onde quiser. [música] Basta querer e trabalhar. A ovação foi ensurdecedora. Pessoas choravam. [música] Os juízes aplaudiam de pé. Quando Lucas desceu, Cristina o abraçou com força. Filho, você me fez a mãe mais orgulhosa do mundo. Nada disso seria possível sem você, mãe.
Naquela noite, o vídeo viralizou. 20 milhões de visualizações em 12 horas. >> [música] >> Comentários de todo o país. Chorei do início ao fim. Meu filho vai assistir isso todo dia. [música] Sou mãe faxineira. Mostrei pro meu menino. Ele prometeu estudar mais. Isso deveria passar em todas as escolas do Brasil. Se meses depois, Lucas estava dando sua primeira aula como instrutor júnior da academia.
Ensinava programação para crianças de comunidades carentes. “Podem me chamar de professor Lucas”, ele disse no primeiro dia. “Professor, uma menina de 10 anos levantou a mão. Eu não tenho computador em casa. Consigo aprender mesmo assim?” Lucas sorriu. Sabe o que eu tinha quando comecei? Um caderno e uma caneta.
Código não precisa de computador para existir, precisa de cabeça para pensar. [música] E vocês todos têm isso. Depois da aula, Cristina o esperava na porta. Agora ela trabalhava como inspetora de qualidade na Almeida Corporation, com salário digno e respeito merecido. “Como foi?”, ela perguntou. Incrível, mãe. Ensinar é ainda melhor que aprender.
[música] No caminho para casa, passaram pelo prédio da Almeida Corporation. Lucas olhou para o 42º andar e lembrou do dia que tudomudou. O dia em que um menino sujo de terra ousou dizer: “Eu posso consertar isso” e consertou muito mais que um computador. Consertou a própria vida. Mãe, Lucas disse, obrigado. Por que, filho? Por nunca desistir, por me ensinar que dignidade não tem preço.
Ele segurou a mão dela por ser a pessoa mais forte que conheço. Cristina apertou a mão do filho, lágrimas nos olhos. A força sempre esteve em você, Lucas. Eu só te mostrei onde encontrar. E enquanto mãe e filho caminhavam para casa, o sol se pondo sobre a cidade, uma coisa era certa.
Não importa de onde você vem, importa para onde está indo. E Lucas Silva estava indo longe, muito longe, um código de cada vez. Fim da história.















