Deram 48 horas para a Filha do Milionário Viver, mas a Babá Pobre Guardava um Segredo que Mudou Tudo

Deram 48 horas à filha do bilionário viver. Mas a pobre ama guardava um segredo que mudou tudo. 6 horas da manhã de segunda-feira. Marina Santos sobe as escadas de mármore da mansão Albuquerque, transportando a sua bolsa simples e o coração apertado. Aos 23 anos, cabelos castanhos apanhados num rabo de cavalo e roupas simples, mais limpas, ela parece deslocada naquele ambiente de luxo.
É o seu primeiro dia como pequena ama Isabela Albuquerque, de apenas do anos, filha do bilionário Eduardo Albuquerque. A casa é um palácio de cinco andares no bairro mais nobre de São Paulo. Lustres de cristal, tapetes persas, quadros que custam mais do que Marina ganharia em 10 anos. Mas nada disso impressiona tanto quanto o silêncio sepulcral que paira pelos corredores.
Marina Santos, uma voz fria, ecoa pelo hall. É Conceição Moreira, a governanta da casa há 15 anos, uma mulher de 50 anos com um olhar severo e postura militar. É a nova babá? Sim, senhora. Bom dia. Bom dia. Espero que tenha lido as regras que mandamos por e-mail. Marina confirma com a cabeça, lembrando a extensa lista. Não conversar com a criança sobre assuntos pessoais.
Não dar comida fora do horário estabelecido. Não sair do quarto da criança sem autorização. Não fazer barulho. A menina está no seu quarto. Segue as regras à risca e não teremos problemas. Marina sobe até ao terceiro andar e pára em frente a uma porta decorada com autocolantes de princesas. Respira fundo antes de bater. Silêncio. Ela abre devagar e encontra uma cena que parte o coração.
No meio de um quarto gigantesco, cheio de brinquedos caros, uma menina pequena está sentada no chão, segurando um ursinho de peluche velho e poído. A Isabela tem cabelos loiros encaracolados, olhos azuis demasiado grandes para o rostinho magro e uma palidez que não é normal uma criança de do anos. Ou Isabela. Eu sou a Marina. A menina levanta os olhos, mas não sorri.
Apenas observa Marina com uma expressão de quem já viu muitas pessoas irem embora. Também vai embora? A voz é um sussurro frágil. A Marina sente uma pontada no peito. Não vou embora, princesa. Vim cuidar de ti. Todas falam isso. Depois vão-se embora. A Marina se ajoelha-se à altura da menina. Quantas amas que já teve? A Isabela conta nos dedinhos. Muitas.
Papa disse que elas vão embora porque eu sou difícil. Você não é difícil, meu amor. Você é uma menina linda. Pela primeira vez, Isabela esboça um sorriso tímido. Marina estende a mão e depois de hesitar, a menina aceita. Que lindo ursinho que tens. É o Pedrinho. A mamã deu-me antes de ir para o céu. O coração de Marina aperta-se.
A mãe de Isabela morreu no parto. A menina cresceu sem nunca ter conhecido o amor maternal. Ele é muito especial, portanto é, ele protege-me quando tenho pesadelos. Marina passa amanhã a observar Isabela brincar. A menina é educada, obediente, mas há uma tristeza profunda nos seus olhos.
Ela não ri alto, não corre, não faz barulho. Parece uma bonequinha frágil que tem medo de se partir. Na hora de almoço, Conceição aparece com uma bandeja. Comida da Isabela. Ela só come isso. Marina olha para o prato. Um pouco de arroz branco, frango sem tempero e legumes cozidos sem sal. Comida sem graça, sem amor. Ela não pode comer mais nada. Ordens médicas.
A menina tem o estômago sensível. Mas Marina observa como Isabela mal toca na comida. A criança está visivelmente abaixo do peso. Princesa, não gosta da comida? Isabela abana a cabeça. Não tem sabor. Quer que eu cante uma canção enquanto come? Os olhos da menina iluminam pouco. Pode. Marina começa a trautear uma canção de embalar que o seu mãe costumava cantar.
Isabela para de empurrar a comida e presta atenção. Devagar, ela começa a comer um bocadinho por vez. Cantas bonito, tia Marina. Obrigada, princesa. A minha mãe me ensinou. A sua mãe é bonita? A Marina sente uma pontada de saudade. Era muito bonita. Ela morreu quando eu tinha 15 anos. Ela também foi para o céu? Foi sim. Então ela conhece a minha mama.
Marina sente os olhos marejarem. Tenho certeza que sim. À tarde, o Eduardo Albuquerque chega a casa. É um homem de 40 anos. alto cabelos grisalhos nas têmporas, fato caríssimo, mas com uma expressão cansada que o dinheiro não consegue disfarçar. Ele trabalha 16 horas por dia para se esquecer que perdeu a esposa e que não sabe ser pai.
“Como correu o primeiro dia?”, pergunta para Conceição no hall. “Normal, senhor. A nova ama parece competente.” Eduardo sobe para ver a filha. encontra Marina a ler um livro à Isabela que está aninhada no colo dela. Papa. Isabela desce a correr do colo de Marina e abraça as pernas do pai. Eduardo apanha-a ao colo, mas o abraço é desajeitado, distante. Olá, pequena.
Como foi o seu dia? A tia Marina canta bonito e leu historinha. Que bom. Eduardo olha para Marina. Obrigado por cuidar dela. É o meu trabalho, senhor, mas Marina apercebe-se algo que a incomoda. O Eduardo mal olha para a filha quando fala com ela. É como se ela fosse mais uma obrigação na sua agenda. Papa, vais jantar comigo hoje? Não posso, pequena. Tenho reunião.
O rosto de Isabela murcha. Ontem você também tinha reunião. Outra hora. Está bem? Eduardo coloca-a no chão e sai do quarto rapidamente, como se estar ali o machucasse. Isabela fica parada no meio do quarto, segurando o ursinho contra o peito. Ele não gosta de mim, sussurra. Claro que gosta, princesa.
Ele é só muito ocupado. Não gosta, não. É por minha culpa que a mama morreu. A Marina se ajoelha-se em frente da menina, chocada. Quem te disse isso? Avó Helena. Ela disse que a mama morreu porque eu nasci. Marina sente uma raiva subir-lhe pelo peito. Helena Albuquerque, mãe de Eduardo, uma mulher amarga que culpa a neta pela morte da Nora. Isabela, ouve-me bem.
A sua mamã não morreu por sua culpa. Às vezes as pessoas vão para o céu e não é culpa de ninguém. A tua mamãe te amava muito. Como sabe? Porque mãe sempre ama os filhos. Sempre. Pela primeira vez no dia, a Isabela sorri de verdade. Na primeira semana, Marina estabelece uma rotina carinhosa com a Isabela.
Elas cantam, brincam, lêem histórias. A menina começa a comer melhor, a sorrir mais, a fazer mais perguntas. Tia Marina, tem filhos? Não tenho, princesa. Por quê? Marina hesita. Como explicar a uma criança de do anos que perdeu um bebé aos seis meses de gravidez? que por isso estudou enfermagem pediátrica antes de se tornar babá.
Ainda não chegou a altura certa. Quando chegar, vai embora? Não vou embora, prometo. Isabela aninha-se no colo de Marina. É a primeira vez em muito tempo que a menina se sente segura. Mas nem tudo são flores. Helena Albuquerque, a avó de Isabela, é uma mulher de 65 anos, elegante, fria e cheia de preconceitos. Visita a neta duas vezes por semana e encontra sempre algo para criticar.
“Esta nova ama está a mimar demais a menina”, diz a Conceição na quarta-feira. “Como assim trocados? Alguém substituiu os comprimidos originais por outros.” Foi propositado. Eduardo sente uma raiva subir pelo peito. Quem faria uma coisa destas? Não sei, mas não foi erro da ama. Os comprimidos foram deliberadamente trocados.
Eduardo desliga e olha para Helena, que estava coincidentemente a visitar a neta naquele momento. “Mãe, alguém trocou os medicamentos da Isabela de propósito.” Helena finge surpresa. “Como assim? Quem faria isso?” “É o que eu quero saber.” Marina, que escutou a conversa sente alívio.
Eu sabia que não tinha sido erro meu. “Desculpa por ter duvidado, Eduardo desculpa-se.” “Não precisa de pedir desculpa. Compreendo a sua preocupação, mas Helena não desiste. Se o primeiro plano não funcionou, ela tem outros. Na semana seguinte, ela contrata uma investigadora particular. Quero saber tudo sobre esta mulher. Onde vai, com quem fala? Que segredos esconde.
A investigadora Carla Santos é uma mulher experiente em descobrir podres de empregadas domésticas. Pode deixar comigo, dona Helena. Se ela tiver algum esqueleto no armário, vou descobrir. Durante duas semanas, Carla segue Marina discretamente. Descobre que ela visita um centro espírita aos sábados, que vai ao cemitério no domingo para visitar o campa da mãe, que vive numa pensão simples no centro da cidade.
Não encontrei nada de comprometedor, Carla relata a Helena. Ela tem uma vida muito simples e honesta. Tem a certeza? Sem vício, sem namorado suspeito, nenhuma dívida, nada. Ela trabalha, estuda à noite, visita a igreja. Vida de santa. Helena fica frustrada. Continue investigando. Toda a gente tem segredo. Entretanto, na mansão, a relação entre Marina e Isabela fica cada dia mais forte.
A menina recuperou completamente da doença e está mais esperta e carinhosa que nunca. Tia Marina, posso fazer-te uma pergunta? Claro, princesa. Vai casar um dia? Marina ri-se. Por que razão quer saber? Porque se casar vai ter de ir embora. Quem disse isso? Avó Helena. Ela disse que uma mulher casa e vai cuidar da família dela.
Marina sente uma pontada no coração. A Helena está plantando inseguranças na menina. Isabela, mesmo que um dia case, nunca vou abandonar-te. Promete? Prometo. E se o seu marido não gostar de mim? Qualquer homem que não gostar de ti não merece ser meu marido. Isabela sorri e abraça Marina. És a mãe que eu queria ter. As palavras da menina tocam Marina profundamente.
Ela também sente como se Isabela fosse sua filha. À noite, Eduardo observa Marina a colocar Isabela para dormir. Ela canta uma canção de Ninar, ajeita o ursinho ao lado da menina, dá um beijinho na testa. Boa noite, princesa. Boa noite, mamã Marina. Eduardo sente algo mexer no peito quando ouve Isabela chamar Marina da mamã.
Marina, posso falar contigo? Claro. Vão para a sala. Isabela te chamou de mamã. Desculpa, vou falar para ela não chamar assim. Não, deixa ela chamar. Marina fica surpreendida. Tem certeza? Tenho. Você é mais mãe para ela do que qualquer outra pessoa. Senr. Eduardo. Pode tratar-me só por Eduardo. A Marina cora um pouco. Eduardo.
Eu amo a Isabela como se fosse minha filha. Eu sei. E ela também te ama. Eles ficam em silêncio por um momento, um olhando para o outro. Marina, posso fazer-te uma pergunta pessoal? Pode. Você nunca quis ter filhos? Marina desvia o olhar. Queria sim. E porque não teve? Marina hesita.
Como contar que perdeu um bebé e que o ex-namorado a abandonou, dizendo que ela era defeituosa? A vida não o permitiu. Eduardo percebe a tristeza na voz dela e não insiste. Bom, agora tens a Isabela. É temporário. Um dia vai casar e a sua esposa vai querer outra ama. Quem disse que vou casar? É jovem, bonito, rico.
Qualquer mulher quereria casar com você. O Eduardo sorri. Acha que eu sou bonito? Marina fica vermelha. Eu eu não quis dizer isso, mas disse: “Boa noite, Eduardo.” Marina sai a correr, deixando Eduardo a sorrir. É a primeira vez em anos que se sente atraído por alguém. Na manhã seguinte, Helena chega cedo à mansão e encontra Eduardo a tomar café com Isabela ao colo enquanto Marina prepara vitaminas.
Que cena doméstica! Helena comenta com sarcasmo. Bom dia, mãe. Eduardo, preciso de falar contigo em particular. Depois do café. É urgente. Eduardo suspira e passa Isabela para Marina. Cuida dela por mim? Claro. No escritório, Helena vai direta ao assunto. Está a envolver-se com a babá. Como assim? Não me faça de idiota, Eduardo.
Toda a gente na casa percebe. Percebe o quê? A forma como se olham, como ela fala consigo, como sorri para ela. Eduardo fica desconfortável. É uma boa funcionária. Funcionária que trata como família. E qual o problema? Helena explode. O problema é que vocês são de classes sociais diferentes. É uma babá pobre.
Você é um bilionário. E daí? Como assim? E daí? Tem reputação a zelar, negócios a cuidar, não pode se envolver com uma empregada? Por que não? Porque as pessoas vão falar, vão dizer que enlouqueceste, que ela te seduziu para se dar bem na vida. O Eduardo sente raiva. Não conhece a Marina. Ela não é interesseira. Todas são filho.
Mulher pobre tem sempre segundas intenções. Isso é preconceito, mãe. Isso é realidade. Ela está a manipulá-lo através da Isabela. A Marina adora a Isabela sinceramente. Amor interesseiro. Ela sabe que cuidando bem da menina vai conquistá-lo. Eduardo abana a cabeça. Você está errada. Tenho razão e vou provar.
Como? Helena sorri maldosamente. Já estou provando. Nesse mesmo dia, Helena liga à Beatriz, à Sílvia e à Carmen. Meninas, preciso da vossa ajuda. Para quê? Pergunta a Beatriz. Para salvar o meu filho de uma aventureira. As quatro reúnem-se em casa de Helena para delinear um plano. Qual é a situação atual? Pergunta Sílvia.
O Eduardo está claramente interessado na ama e ela está manipulando-o através da criança. Que evidências tem? Pergunta a Carmen. Ela faz-lhe de parvo. Ontem eu os encontrei-o a rir juntos na cozinha. Ela estava a ensinar Isabela a fazer bolacha e ele estava a ajudar. Que horror, ironiza Beatriz. Uma babá ensinar criança a cozinhar.
Não é isso? É a intimidade entre eles. Muito suspeita. E qual é o plano? Pergunta Sílvia. Vamos criar situações que mostrem o verdadeiro carácter dela. Como assim? Helena explica o plano. Elas vão plantar evidências de que a Marina está roubando da casa, que está negligenciando Isabela, que tem um passado duvidoso.
Isto não é muito cruel, pergunta a Carmen. Cruel é deixar o meu filho ser enganado por uma oportunista. Na segunda-feira seguinte, o plano entra em ação. Helena esquece uma pulseira cara no quarto da Isabela e depois desaparece com ela. Conceição, viu a minha pulseira de diamantes? Qual pulseira, dona Helena? A que deixei no quarto da Isabela ontem.
Não vi, não, senhora. Helena finge-se preocupada. Espero que não tenha acontecido nada. A senhora acha que foi roubada? Não quero acusar ninguém, mas ela valia 50.000$. A notícia da pulseira desaparecida espalha-se pela casa. Conceição conta para as outras empregadas que ficam nervosas. “Quem é que vocês acham que apanhou?”, sussurra Maria, já cozinheira.
Não sei, mas a única pessoa nova na casa é a Marina. A A Marina parece honesta. Parecer e ser são coisas diferentes. A Marina escuta as conversas e fica preocupada. Ela sabe que é a principal suspeita. À noite, Eduardo chega a casa e Helena conta sobre a pulseira. Desapareceu uma pulseira no quarto da Isabela. Sumiu.
Muito estranha a situação. Acha que foi roubada? Não quero acusar ninguém sem provas. Mas o quê? A única pessoa que tem acesso livre ao quarto é a ama. Eduardo fica incomodado. A Marina não faria isso. Como pode ter certeza? Porque eu conheço o caráter dela. Conhece-a há dois meses, Eduardo. Eu conheço pessoas como ela há 60 anos.
Nessa noite, Eduardo fica dividido. A sua razão diz que Marina é honesta, mas a dúvida plantada por Helena incomoda. No dia seguinte, Helena coloca a segunda parte do plano em ação. Ela liga a Carla, a investigadora. Encontrou alguma coisa sobre o passado dela? Encontrei uma informação interessante. Qual? Foi demitida de um emprego há três anos por incompatibilidade.
Que tipo de incompatibilidade? Não consegui detalhes, mas a família preferiu não dar referências. Helena sorri. Ótimo. Mais uma peça do quebra-cabeças. Ela liga a Eduardo no escritório. Filho, preciso de te contar uma coisa sobre a ama. O quê agora, mãe? Descobri que foi despedida do emprego anterior por problemas de comportamento.
Eduardo suspira. Que problemas. A família não quis adiantar pormenores, mas foi algo grave. Como descobriu isso? Investigei o passado dela. É a minha obrigação proteger a minha família. Você investigou a Marina? Claro. Você deixaria qualquer pessoa cuidar da sua filha sem verificar. Eduardo fica incomodado.
Por um lado, entende a preocupação da mãe. Por outro sente que A Marina não merece esta desconfiança. Vou conversar com ela. Eduardo, seja cuidadoso. Mulher como ela sabe manipular o homem. À noite, o Eduardo chama Marina para conversar. Marina, preciso perguntar-te uma coisa. O que foi? Sobre o seu emprego anterior.
Por que razão saiu? Marina fica tensa. Ela sabe que esta hora ia chegar. Houve um mal-entendido. Que tipo de mal entendido? Marina respira fundo. A mãe da criança que eu cuidava acusou-me de estar a seduzir o marido e estava? Claro que não. Eu nunca faria isso. Então, por que razão ela pensou isso? Porque ele conversava comigo sobre problemas do casamento.
Eu só ouvia, mas ela interpretou mal. Eduardo observa o rosto de Marina. Ela parece sincera, mas a dúvida ainda está lá. E sobre a pulseira da minha mãe? Marina fica chocada. Que pulseira? Sumiu uma pulseira no quarto da Isabela. Eduardo, juro que não levei pulseira nenhuma. Eu sei, só queria esclarecer, mas o tom dele não é totalmente convincente.
Marina percebe que ele está com dúvidas. Eduardo, se não confia em mim, é melhor eu sair. Não quero que você saia, mas está a desconfiar de mim. Eduardo fica em silêncio durante um momento. Marina, eu confio em ti, mas as circunstâncias são estranhas. Que circunstâncias? A pulseira sumida, as informações sobre o seu emprego anterior. Marina entende que Helena está a tramar contra ela.
Eduardo, a sua mãe está tentando prejudicar-me. Por que razão ela faria isso? Porque ela não gosta de mim. Acha que não sou suficientemente boa para cuidar da Isabela. A minha mãe só quer proteger a família. A sua mãe quer me afastar da Isabela e de si. Eduardo fica surpreendido. De mim, Marina Cora. Esquece o que eu disse.
Marina, o que quis dizer? Nada. Boa noite. Marina sai a correr, deixando Eduardo confuso e com o coração acelerado. Na semana seguinte, Helena intensifica os ataques. Ela espalha boatos entre as amigas da alta sociedade. “A babado Eduardo está aproveitando-se da situação.” Ela conta no clube. “Como assim?”, pergunta uma amiga.
“Está a seduzi-lo para se dar bem na vida. Que terrível, pobre mulher fazendo isso. É por isso que não se pode confiar em gente desta classe. Os boatos espalham-se rapidamente. Em poucos dias, todos nos círculos sociais de O Eduardo está a comentar sobre a babá interesseira. Eduardo começa a receber chamadas de amigos preocupados. Eduardo, soubemos que está com problemas em casa.
Que problemas? Com a ama da sua filha. Dizem que ela está a se aproveitando-se de si. Quem está a dizer isso? Todo o mundo está comentando. Você devia ter cuidado. Depois da quinta chamada do género, Eduardo fica irritado. Ele confronta Helena. Mãe, estás espalhando boatos sobre a Marina? Não estou a espalhar boatos. Estou partilhando preocupações legítimas.
Com quem? Com pessoas que se preocupam consigo. Está destruindo a reputação de uma pessoa inocente. Inocente? Eduardo? Abra os olhos. Ela está a manipulá-lo. Já chega, mãe. Pare com isso. Não vou parar enquanto tu estiver cego. Eduardo sai do gabinete furioso. Está a começar a ver o verdadeiro carácter da mãe.
Naquela noite ele procura a Marina no quarto de Isabela. Como é que ela está a dormir? Teve pesadelos outra vez. Pesadelos com o quê? com pessoas más a levá-la embora de mim. Eduardo franze o sobrolho. Quem falou sobre as pessoas más? Dona Helena. Ela disse à Isabela que algumas pessoas fingem ser boas, mas na verdade são más.
O Eduardo sente raiva. A mãe está traumatizando a filha. Marina, a minha mãe disse-lhe alguma coisa. Ela deixa claro que não gosta de mim. Que tipo de coisa? Nada direto, mas trata-me sempre como se eu fosse inferior. O Eduardo se aproxima-se de Marina. Você não é inferior a ninguém. Sou apenas uma ama, Eduardo.
Você é muito mais do que isso. Eles ficam olhando-se nos olhos por um momento. A tensão entre eles é palpável. Marina, não, Eduardo, não compliques as coisas. Por que não? Porque somos de mundos diferentes. E daí? A sua mãe está certa numa coisa. As pessoas vão falar. Me importo com o que as pessoas dizem. Marina afasta-se. Eu preocupo-me.
Não Quero que achem que sou interesseira. Quem te conhece sabe que não és. Nem toda a gente me conhece. Eduardo entende que a Marina está a sofrer pressão social. Ele precisa de protegê-la. No fim de semana, Helena organiza um jantar elegante na mansão. Convida várias famílias importantes, incluindo algumas com filhas solteiras em idade de casar.
Eduardo, quero apresentar-te a Carolina Mendes. Diz ela durante o jantar. A Carolina é uma jovem de 25 anos, loira, magra, licenciada em gestão e filha de um empresário rico. Prazer, Eduardo. A sua mãe fala muito de si. Imagino. A Carolina é educada, bonita e claramente interessada em Eduardo. Durante o jantar, Helena faz questão de destacar as qualidades dela.
A Carolina fala três línguas, tocou piano no conservatório, fez o mestrado em Londres. Que interessante, Eduardo responde sem entusiasmo. E você, Eduardo? A sua mãe disse que tem uma filha pequena. Tenho sim, Isabela, do anos. Deve ser difícil criar uma menina sozinho. Tenho ajuda. Uma boa ama é difícil de achar. Carolina comenta.
A minha família sempre teve problemas com as empregadas. O Eduardo sente o sangue ferver. A minha babá é excelente. Que bom. É tão importante ter funcionários fiáveis. A palavra funcionários incomoda, Eduardo. A Marina não é apenas uma funcionária. Durante o jantar, Marina fica no quarto com Isabela, que está inquieta.
Tia Marina, porque é que tem tanta gente lá em baixo? O seu pai está recebendo visitas. Posso descer para ver hoje? Não, princesa. É reunião de adultos. A avó Helena disse que uma das raparigas quer ser a minha nova mãe. A Marina sente o coração apertar. Disse isso mesmo? disse e disse que se ela se tornar minha mãe, tu vai-se embora.
Marina abraça Isabela com força. Não vou embora, meu amor. Promete? Prometo. Mas por dentro Marina está apavorada. E se o Eduardo realmente interessar-se por Carolina? E se ela perder a Isabela? Depois do jantar, Carolina despede-se de Eduardo com um beijinho na cara. Foi um prazer conhecer-te. Espero que nos vejamos em breve. Claro. Helena fica radiante.
Que menina educada, não acha? É simpática. Simpática. Ela é perfeita para si, rica, educada da nossa classe social. Mãe, não procuro esposa. Deveria estar. A Isabela precisa de uma mãe de verdade. Ela tem a Marina. Marina é ama, não é mãe. Eduardo irrita-se. A Marina ama a Isabela mais do que qualquer mulher rica a Maria.
Amor interesseiro não conta. Por que razão insiste que A Marina é interesseira? Porque conheço mulheres como ela. Não conhece a Marina? Helena percebe que precisa aumentar a pressão. No dia seguinte, ela boleta o plano final para destruir Marina. Segunda-feira de manhã, Helena chega à mansão com uma pequena caixa. O que é isso, mãe? Um presente para Isabela.
Helena sobe para o quarto da menina, onde Marina está a brincar com ela. Avó. Isabela corre para abraçar a avó. Olá, minha netinha. Trouxe um presente para si. A Helena abre a caixa e revela um colar de pérolas caríssimo. Uau, que lindo, comenta a Marina. É um colar de família. Pertenceu à minha avó. Helena coloca o colar a Isabela que fica radiante. Estou bonita, avó.
Linda demais. Mas cuidado para não perder, viu? Vale muito dinheiro. Vou cuidar bem. Helena despede-se e vai embora, deixando o colar com Isabela. À tarde, durante o banho de Isabela, Marina tira o colar e coloca-o na penteadeira do quarto. Não pode molhar o colar, princesa. Está bom. Depois do banho, Marina esquece-se de colocar o colar de volta em Isabela.
Na manhã seguinte, A Helena chega cedo. Onde está o colar da Isabela? Que colar? Pergunta a Marina. O que lhe dei ontem? Ah, está na penteadeira. Tirei para ela tomar banho. Helena vai até ao toucador, mas o colar não está lá. Não está aqui. Marina olha e fica em choque. Mas deixei aqui ontem. Onde está então? Não sei. Tenho a certeza que o deixei aqui.
Helena finge estar preocupada. Marina, aquele colar vale 100.000. 100.000? Marina fica pálida. Sim. É herança de família. Dona Helena, juro que deixei o colar no toucador. Então, onde está ele? A Marina procura por todo o quarto, mas não encontra nada. Vou procurar na casa toda. Espero que encontre.
Helena sai do quarto satisfeita. O colar está escondido na bolsa dela. É o golpe final contra a Marina. À tarde, o Eduardo chega a casa e Helena conta sobre o colar desaparecido. Como assim desapareceu? A ama disse que deixou na toucador, mas não estava lá. Pode ter caído em algum lugar. Eduardo, procuramos a casa toda.
O colar desapareceu. O que está a insinuar? Não estou insinuando nada, apenas relatando os factos. Eduardo fica incomodado. Primeiro a pulseira, agora o colar. As coincidências estão a acumular-se. Onde está a Marina? No quarto da Isabela, ainda à procura do colar. Eduardo sobe e encontra Marina desesperada, remexendo em gavetas.
Marina, que está a acontecer? Eduardo? O colar da Isabela sumiu. Eu procurei em todo o lado. A minha mãe contou-me. Eu juro que deixei na penteadeira. Alguém o apanhou. Quem pegaria? Não sei, mas não levei. Eduardo observa o desespero de Marina. Ela parece sincera, mas as provas estão contra ela. Marina, preciso de te fazer uma pergunta direta.
Que pergunta? Apanhou o colar? Marina fica chocada. Como pode perguntar isso? É que está tudo muito estranho. Eduardo, você acha mesmo que eu roubaria da Isabela? Já não sei o que pensar. Marina sente o mundo desabar. O homem que ela ama está a duvidar dela. Se você não confia em mim, é melhor eu ir embora. Marina, não é isso? É sim.
Você pensa que sou ladra? Só quero perceber o que está a acontecer. O que está a acontecer é que a sua mãe está a armar contra mim. Por que razão ela faria isso? Porque não quer que eu esteja perto de você e da Isabela. Eduardo balança a cabeça. Isto não faz sentido. Faz sim. Ela quer afastar-me para você casar com uma mulher rica.
Marina, está exagerando. Marina vê que Eduardo não acredita nela. Está bom, Eduardo. Se é assim que pensar, eu vou-me embora. Não precisa de ir embora. Preciso sim. Não vou ficar onde não confiam em mim. Marina começa a arrumar as suas coisas. Eduardo fica parado, dividido entre a razão e o coração.
Marina, eu Não precisas falar mais nada. Eu entendi. Onde você vai ficar? Isso não é problema seu. Marina acaba de fazer a mala e vai despedir-se de Isabela, que está dormindo. Boa noite, princesa. Mamãe A Marina ama-te muito. Ela dá um beijinho na testa da menina e sai do quarto. Eduardo acompanha-a até à porta. Marina, não quero que vás, mas não confia em mim. É complicado.
Não é complicado. Ou confia ou não confia. Marina sai da mansão carregando uma mala pequena e o coração despedaçado. Eduardo fica à porta observando-a afastar-se na chuva que começou a cair. Do segundo andar, Helena observa da janela com um sorriso satisfeito. Finalmente, ela murmura. Na manhã seguinte, Isabela acorda e procura por Marina.
Onde está a tia Marina? Conceição fica sem saber o que dizer. Ela teve que sair. Sair para onde? Não sei, pequenina. Isabela começa a chorar. Ela prometeu que não ia embora. Eduardo aparece no quarto e encontra a filha desesperada. Papá, onde está a tia Marina? Ela teve de ir embora, pequena. Por quê? Porque foi melhor assim. Ela volta.
O Eduardo não sabe o que responder. Não sei. Isabela chora ainda mais alto. Eu quero a minha mamã Marina. O choro da filha parte o coração de Eduardo. Ele percebe que talvez tenha cometido um erro terrível. Nos próximos dias, Isabela fica inconsolável. Ela não quer comer, não quer brincar, só chora pela Marina. Papa, telefona à tia Marina.
Não posso, pequena. Por quê? Porque ela não pode voltar. Mas eu amo-a. Eu sei, filha. E você? Também a ama? A pergunta da filha apanha Eduardo desprevenido. Ele ama a Marina? Sim. Percebe que sim. Papa. Adoro sim, pequena. Então, por que ela foi-se embora? O Eduardo não sabe responder.
Por que razão mesmo deixou Marina ir embora? Enquanto isso, Marina está hospedada numa pensão barata no centro da cidade. Ela chora todos os dias pela saudades de Isabela. Será que ela está bem? Será que está a comer direito? A Marina pergunta-se o tempo todo. Ela tenta encontrar outro emprego, mas sem referências torna-se difícil. Nenhuma família quer contratar uma ama sem recomendação do emprego anterior.
Uma semana depois, Marina está sem dinheiro. Ela vai ao centro espírita, onde costuma ir aos sábados em busca de ajuda. Mãe Conceição, ela pede à mãe de santo. Preciso de orientação. O que aconteceu, minha filha? Marina conta toda a história. Como cuidou da Isabela, como apaixonou-se por Eduardo, como Helena armou contra ela.
E agora estou na rua, sem emprego, sem dinheiro, sem a menina que adoro. A Mãe Conceição olha nas cartas da Marina. Minha filha, tens um dom especial. Que dom? Dom de cura. Foi você que salvou aquela menina no hospital. Marina não nega. Foi. E pode usar esse dom para se defender. Como assim? A verdade vem sempre ao de cima e você vai ter a sua vingança. Não quero vingança.
Só Quero a minha menina de volta. As duas coisas vão acontecer. Mãe Conceição entrega uma pequena bolsa para Marina. Guarda isso contigo. Na hora certa vai saber como usar. Marina pega na bolsinha sem compreender, mas confia na orientação da mãe de Santo. Naquela mesma noite, algo de terrível acontece na mansão.
A Isabela tem uma febre altíssima de novo. Mas desta vez Eduardo contratou uma nova ama, a Fernanda, que não tem experiência com emergências médicas. “Senor Eduardo, a menina está muito quente”, diz Fernanda nervosa. Eduardo corre para o quarto e encontra Isabela delirando com febre. A mamã Marina, onde você tá? Eduardo pega na filha ao colo.
Ela está a arder. Vamos para o hospital agora. No hospital, o Dr. Fernando examina Isabela e fica preocupado. É outro quadro infeccioso, mas mais grave que o anterior. Como isso é possível? O sistema imunitário dela pode estar comprometido ou ela pode estar sob muito stress emocional. Eduardo lembra-se que Isabela não come nem dorme em condições desde que Marina foi embora.
Doutor, o stress pode causar isso? Nas crianças, sim, o trauma emocional baixa muito a imunidade. O Eduardo sente culpa. Foi ele que provocou o trauma na filha. Durante três dias, Isabela fica interno, dona Helena. A Isabela está mais faladora, mais esperta. Isto não é bom. Criança tem de saber estar quieta, mas ela parece mais feliz.
Felicidade não paga conta. A menina precisa aprender disciplina. Helena sobe para o quarto de Isabela e encontra Marina brincando com bonecas com a menina. O que é isso? Marina levanta-se rapidamente. Boa tarde, Dona Helena. Estávamos brincando. Brincar a que horas? 2:30 da tarde. A Isabela deveria estar a fazer a lição. Que lição? Ela tem dois anos.
Helena franze os olhos. Exercícios de coordenação motora. Ela precisa de aprender a escrever. Marina fica chocada. Forçar uma criança de do anos a fazer exercícios de escrita é cruel. Dona Helena, com todo o respeito, ela ainda é demasiado pequena para isso. Você não tem filhos, não sabe como educar.
Isabela precisa de ser disciplinada desde cedo. Mas ela é uma criança normal, precisa brincar, correr, divertir-se. Criança albuquer que não é uma criança normal. tem responsabilidades. Isabela observa a discussão em silêncio, agarrada ao ursinho. Avó, posso brincar mais um bocadinho? Não. Vai fazer os seus exercícios.
Helena entrega uma folha cheia de pontinhos para a menina ligar. Mas avó, a minha mão dói. A dor passa, a ignorância fica para sempre. Marina observa a Isabela a debater-se com o lápis, a mãozinha a tremer de esforço. É doloroso ver uma criança tão pequena a ser forçada assim. Depois de Helena ir embora, Marina encontra Isabela a chorar na casa de banho.
Não consigo fazer os exercícios direitinho. Não precisa de chorar, princesa. Você ainda é pequena. Mas a avó fica zangada quando eu erro. Marina abraça a menina com força. Sabe o que vamos fazer? Vamos transformar os exercícios em brincadeira. Como? Vamos fingir que os pontinhos são estrelinhas e tu és uma fada que precisa de as ligar para fazer magia.
Os olhos de Isabela brilham. Posso ser uma fada? Pode sim. Dáhe em diante, Marina transforma todas as obrigações da menina em brincadeiras. Os exercícios viram histórias, a comida transforma-se em aventura, o banho transforma-se num passeio no fundo do mar. A Isabela floresce como uma plantinha que finalmente recebeu água e sol, mas a a felicidade dura pouco.
Na segunda semana, três mulheres elegantes chegam à mansão. São as amigas de Helena, Beatriz Montenegro, Sílvia Corrêa e Carmen Bastos. Todas da alta sociedade, todas com opiniões muito firmes sobre como criar crianças. Helena, querida, soubemos que você contratou uma nova ama, diz Beatriz, uma mulher de 60 anos com jóias caríssimas e sorriso falso.
Contratou sim e já está a causar problemas. Que tipo de problemas? pergunta a Sílvia, uma ruiva magra que fala sempre como se fosse a autoridade máxima em qualquer assunto. Está a deixar a menina muito à vontade. Criança precisa de limites. Carmen, uma morena baixinha com voz estridente, abana a cabeça. Essas as amas de hoje não sabem educar.
No meu tempo, empregada sabia qual era o lugar dela. Exato. Concorda Helena. Vou ter que dar umas lições nela. As quatro sobem para o quarto de Isabela e encontram Marina a cantar enquanto a menina brinca com massas coloridas. O que é esta confusão? Helena interrompe a canção. Marina levanta-se. Boa tarde. Estávamos a fazer atividade artística.
Atividade artística? Beatriz R sarcástica. Criança de 2 anos não precisa de arte, precisa de disciplina. A Isabela está a aprender cores, formas coordenação motora. Marina explica. Aprendo, a Sílvia aproxima-se da mesa. Ela está a sujar-se. Faz parte do processo de aprendizagem. Carmen faz cara de nojo. No meu tempo, uma criança brincava com brinquedo educativo, não com esta sujidade.
Helena tira a plasticina das mãos da Isabela. Chega de brincadeiras, vai lavar as mãos. Mas avó, eu estava fazendo uma florzinha para si. Florzinha não serve para nada. Vai estudar. Isabela sai do quarto, cabis baixa. Marina sente o coração apertar. Dona Helena, posso falar com a senhora um minuto? Pode. As quatro mulheres ficam à espera.
A Isabela é uma criança muito inteligente e sensível. Ela precisa de carinho, não só de disciplina. Carinho a mais estraga a criança, responde a Beatriz. Ela não está estragada, está a florir. Florescer, Sílvia R. Ela está a ficar mal educada. Como assim? Ontem ela perguntou-me por eu uso tanto perfume. Conta Carmen indignada.
Criança não faz pergunta assim. Marina quase se ri. Ela é curiosa. É normal. Normal é uma criança estar quieta quando o adulto está a falar. A Helena diz com firmeza. Mas ela tem dois anos. É natural que seja curiosa e faladora. Você não tem experiência com uma criança de família importante. Beatriz menospreza. Não sabe como educar.
Tenho formação em pedagogia infantil. A formação não é experiência. Carmen contrapõe. Criança rica necessita de educação especial. Educação especial como menos conversa, mais obediência. Helena resume. A Marina sente que está a lutar contra o muro. Essas mulheres querem transformar Isabela numa bonequinha silenciosa.
Dona Helena, A Isabela está muito mais feliz agora. Feliz demais. Criança muito feliz fica inconsequente. Ela tem dois anos. Deveria ser feliz. Deveria ser educada. A Sílvia corrige. As quatro saem do quarto deixando Marina frustrada. Como convencer estas mulheres que Isabela precisa de amor, não de repressão? À noite, o Eduardo chega tarde do trabalho e encontra Marina a dar banho a Isabela.
Papa! A menina grita animada. Oi, pequena. Eduardo parece surpreendido. Isabela nunca o recebeu com tanto entusiasmo. Papa, fiz uma florzinha hoje. Quer ver? Outra hora estou cansado. Mas o papá, a Isabela, o papá está cansado. Marina intervém suavemente. Que tal contar-lhe amanhã? Está bem. Eduardo olha para Marina com gratidão.
Obrigado por a compreender. Ela só quer a atenção do pai. Eduardo suspira. Eu não sei ser pai dela. Nunca aprendi. Ninguém nasce a saber. A gente aprende. E se fizer tudo mal? Marina vê vulnerabilidade nos olhos dele pela primeira vez. Senr. Eduardo, posso dar uma sugestão? Pode. Que tal jantar com ela amanhã? Só vocês os dois.
Eduardo hesita. Não sei do que falar com ela. Deixa-a falar. Criança gosta de contar coisas. Ela tem dois anos. O que uma criança de dois anos tem para contar? Muita coisa. A Isabela é muito esperta. Eduardo olha para a filha a brincar na banheira toda feliz. Está bem, vou experimentar. Na manhã seguinte, Marina acorda com uma sensação estranha.
Algo está diferente na casa. O silêncio é mais pesado que o normal. Quando entra no quarto de Isabela, encontra a menina ainda a dormir, mas a sua respiração está irregular. Isabela, princesa. A menina abre os olhos com dificuldade. Tia Marina, não me estou a sentir bem. Marina toca-lhe na testa, está a arder de febre. Conceição. Marina grita.
A governanta aparece a correr. A Isabela tem febre alta. Conceição toca a testa da menina. Meu Deus, está fervendo. Vou chamar o médico. Melhor levá-la para o hospital. Não posso decidir isso. Tem de esperar pelo Senr. Eduardo. A Marina pega na Isabela ao colo. A menina está mole, quase a desmaiar. Conceição, ela precisa de um médico agora.
Calma, vou ligar ao senhor. Eduardo está numa reunião importante quando o telemóvel toca. Senhor, é urgente. A A Isabela está muito mal. Eduardo deixa tudo e corre para casa. Quando chega, encontra Marina a segurar Isabela, que está quase inconsciente. O que aconteceu? Acordou com febre muito alta. Ela precisa de ir para o hospital.
Eduardo pega na filha ao colo. Ela está queimando. Vamos já para o hospital. No carro. A Marina segura a Isabela no colo enquanto Eduardo conduz em alta velocidade. A menina está delirante com a febre. Mama, mama, ela murmura. Fica calma, princesa. Estou aqui. Eduardo olha pelo retrovisor, o coração apertado. Nunca viu a filha tão mal.
No hospital, uma equipa médica recebe Isabela imediatamente. Dr. Fernando Carvalho, pediatra de renome, faz os primeiros exames. Quando começaram os sintomas? Esta manhã, responde Marina. Febre muito alta, sonolência, respiração irregular. Algum sintoma antes disso? Marina pensa. Nos últimos dias ela estava mais cansada, comia menos.
Por que não me disseste isso, Eduardo pergunta. Pensei que fosse por causa da pressão que ela tem vindo a sofrer. O Dr. Fernando franze o sobrolho. Que pressão? A avó quer que ela estude demais, faça exercícios. A menina tem do anos, mas é tratada como se fosse adulta. Estresse pode baixar a imunidade, o médico comenta após duas horas de exames, O Dr.
Fernando chama Eduardo e Marina para conversar. Preciso de ser direto convosco. Isabela está com uma infeção generalizada muito grave. Eduardo fica pálido. Como assim? O sistema sistema imunitário dela está comprometido. A infecção se espalhou pelo sangue. Isso é perigoso. O Dr. Fernando hesita. É muito grave. Ela está com sépsis.
A Marina sente o mundo a girar. Sepse em criança pequena pode ser fatal. Doutor, qual é o prognóstico? Vou ser franco. Com o quadro atual, ela tem 48 horas críticas. Se não responder ao tratamento neste período, o Eduardo não o deixa terminar. Ela vai ficar boa, não vai? Estamos fazendo tudo o que é possível, mas o quadro é grave. Marina começa a chorar.
A menina que ela ama como filha pode morrer. Posso ficar com ela? Pode sim. Na verdade, é importante que tenha alguém próximo. Eduardo olha para Marina, os olhos também cheios de lágrimas. Obrigado por cuidar dela. Eu não sabia que ela estava tão mal. Senr. Eduardo, ela vai ficar boa. Tem que ficar.
São levados para a UTI pediátrica. A Isabela está numa cama demasiado grande para ela, cheia de aparelhos, soro, monitores. Princesa! Marina sussurra pegando no mãozinha dela. A Tia Marina está aqui. Isabela abre os olhos com esforço. Tia Marina, estou aqui, meu amor. Não vou sair daqui. Tenho medo. Não precisa de ter medo.
Você é forte, lembra-se? Minha princesa corajosa. Eduardo aproxima-se do outro lado da cama. Papa está aqui também, pequena. Isabela vira a cabecinha para ele. Papa, não vai embora? Eduardo sente o peito rasgar. Não vou embora nunca mais. Prometo. A primeira noite é terrível. A Isabela tem febre altíssima. Delira chama pela mãe que nunca conheceu.
Marina não sai do lado dela nem por um minuto. Mama, onde você tá? A sua mamã está no céu, princesa. Mas eu estou aqui a cuidar de você. Vais ser a minha mama. Marina sente as lágrimas escorrerem. Vou cuidar de si para sempre. Eduardo, que estava aco a dormitar na poltrona, acorda com a conversa. Marina. Sim. Obrigado por a amar.
Não precisa agradecer. Eu amo-a mesmo. Eu nunca soube demonstrar amor por ela. Sempre tive medo. Medo de quê? De perdê-la como perdi a mãe dela. Marina entende. Eduardo afastou-se da filha para não sofrer se a perdesse também. Senr. Eduardo, ela precisa de saber que você ama-a. Como é que eu mostro isso? Fica aqui com ela, conversa com ela, canta para ela. Eu não sei cantar.
Não importa. Ela só quer saber que se importa. Na segunda noite, Isabela piora. Os médicos trabalham freneticamente para a estabilizar. A a pressão dela baixou muito, o Dr. Fernando informa. As próximas horas são críticas. Marina segura a mão de Isabela e começa a rezar. Deus, por favor, não a leve. Ela é tão pequena, tão inocente.
Eduardo também reza pela primeira vez desde que a esposa faleceu. Se você existe, salva a minha filha. Eu prometo que vou ser o pai que ela merece. De madrugada, algo inexplicável acontece. Marina está a segurar Isabela quando sente uma energia estranha a passar pelas suas mãos. É como se uma força invisível estivesse a trabalhar através dela.
Marina fecha os olhos e fica concentra, colocando as mãos sobre o peito da menina. Ela nunca contou a ninguém, mas a sua avó era benzedeira e ensinou alguns segredos de cura antes de morrer. Avó, Marina sussurra. Se você está aí, ajuda esta menina. Eduardo observa sem compreender o que está acontecendo. O que está a fazer? Rezando marinamente, não se pode contar sobre o dom que herdou da avó.
Por duas horas, Marina mantém as mãos sobre Isabela, concentrando toda a sua energia positiva na menina. Às 5 da manhã, algo miraculoso acontece. A febre da Isabela começa a baixar. O Doutor Marina chama o Dr. Fernando. A temperatura dela mudou. O médico verifica e fica surpreendido. Realmente baixou e a pressão está a se estabilizando durante todo o dia.
Isabela continua a melhorar gradualmente. Os médicos não conseguem explicar a melhoria súbita. É um milagre, O Dr. Fernando comenta. Ontem ela estava desenganada. Marina sabe que não foi só milagre, foi o poder de cura que ela carrega, mas que nunca usou antes. No terceiro dia, a Isabela abre os olhos e sorri. Tia Marina, oi, princesa.
Como está se sentindo? Melhor, estou com fome. Eduardo, que dormiu no hospital durante três noites, acorda com a voz do filha. Isabela, a minha pequena. Pela primeira vez, ele abraça-a com amor verdadeiro. Papa, ficaste aqui comigo? Fiquei sim e não vou sair mais. Promete? Prometo. Uma semana depois, Isabela tem alta hospitalar.
Os os médicos ainda não compreendem como ela se recuperou tão rapidamente de um quadro tão grave. Foi um caso excepcional. O Dr. Fernando diz a Eduardo. Ela é uma menina muito forte. É forte mesmo. Eduardo concorda, olhando para Marina com gratidão. De volta à mansão, tudo mudou. Eduardo cancelou viagens de trabalho para estar mais tempo com Isabela.
Ele janta com ela todos os dias, lê histórias antes de dormir, brinca aos fins de semana. Marina observa a sua transformação de pai distante para pai presente e fica emocionada. Mas nem toda a mudança é bem-vinda. Helena Albuquerque fica furiosa quando descobre que Eduardo está mimando demasiado a neta. Eduardo, você está a estragar aquela menina.
Mãe, eu quase a perdi. Aprendi que o tempo com os filhos não volta. Mas não pode largar tudo por causa de uma criança. Posso sim. Ela é a minha prioridade agora. Helena fica ainda mais irritada quando vê Marina a ser tratada quase como família. Aquela ama está se aproveitando-se da situação. A Marina salvou a vida da Isabela. Ela merece respeito.
Salvou como? Os médicos que salvaram. Eduardo não conta que Marina ficou três dias e três noites no hospital, sem comer corretamente, sem dormir, cuidando de Isabela como se fosse a sua própria filha. Um mês depois da alta hospitalar, Helena resolve agir. Ela marca uma reunião com as amigas para delinear um plano contra Marina.
Aquela ama está a virar a cabeça do Eduardo. Helena queixa-se para Beatriz, Sílvia e Carmen. Como assim? Pergunta a Beatriz. Ele está a tratá-la como se fosse da família. Isto não pode continuar. E o que propõe? Pergunta Sílvia. Temos de lhe fazer ver que ela não presta. Mas como? Pelo que soubemos, cuidou muito bem da menina.
Carmen Pondera. Vamos inventar problemas. Criar situações que mostrem que ela é incompetente. Que tipo de situações? Pergunta a Beatriz interessada. Helena sorri maldosamente. Vou mostrar-vos. Na segunda-feira seguinte, Helena chega à mansão com um plano em mente. Ela espera que a Marina saia para levar a Isabela ao parque e mexe nos medicamentos da menina.
Isabela ainda toma vitaminas prescritas pelo médico. Helena troca os comprimidos por outros semelhantes, mas que podem causar alergia. Se ela tiver uma reação alérgica, vão culpar a ama por descuido. A Helena pensa satisfeita. No dia seguinte, Isabela acorda com manchas vermelhas no rosto. Marina! Conceição grita.
A menina está com alergia. Marina corre para ver. Isabela está com urticária ligeira, mas que assusta qualquer um. O que pode ter causado isso? Não sei. Ela comeu e tomou as mesmas coisas de sempre. O Dr. Fernando é chamado e examina Isabela. Parece reação alérgica a medicamentos. Mudou alguma coisa na rotina dela? Nada.
Ela toma os mesmos medicamentos há meses. Vou levar os medicamentos para a análise. Quando o Eduardo chega a casa e vê a filha com manchas, fica preocupado. Como é que isso aconteceu? Não sabemos ainda. O Dr. Fernando está a investigar. Helena, que chegou por acaso naquele momento, aproveita para plantar dúvidas. Eduardo, tem a certeza que pode confiar na ama? Como assim, mãe? A menina estava bem.
De repente teve uma reação alérgica. Alguém deu alguma coisa para ela? Eduardo olha para Marina. Você deu algum medicamento diferente? Claro que não. Eu sigo exatamente a prescrição médica. Às vezes as pessoas se confundem. Helena insinua. Eu não me confundi. Marina diz firme. Todo mundo pode errar, insiste Helena. Eduardo fica dividido. De um lado, confia em Marina.
Do outro, a filha teve uma reação estranha. “Vamos aguardar o resultado dos exames.” Ele decide. Dois dias depois, O Dr. Fernando liga com o resultado. Eduardo, encontrámos o problema. Os comprimidos de vitamina foram trocados por outros semelhantes, mas que causam alergia. Como assim trocados? Alguém substituiu os comprimidos originais por outros. Foi propositado.
O Eduardo sente uma raiva subir pelo peito. Quem faria uma coisa destas? Não sei, mas não foi erro da ama. Os comprimidos foram deliberadamente trocados. Eduardo desliga e olha para Helena, que estava coincidentemente a visitar a neta naquele momento. “Mãe, alguém trocou os medicamentos da Isabela de propósito.” Helena finge surpresa.
“Como assim? Quem faria isso? É o que eu quero saber. Durante três dias, Isabela fica internada no hospital, mas desta vez a situação é mais grave. Sem Marina por perto, ela não tem a mesma força de vontade para lutar contra a doença. Mamã Marina, onde está a mamã Marina? Ela delira com febre. Eduardo segura a mão da filha, o coração despedaçado.
O papá está aqui, pequena. Quero a minha mamã. O Doutor Fernando puxa Eduardo para fora do quarto. Eduardo, preciso de ser franco. A Isabela não está a responder ao tratamento como da última vez. Por quê? Ela está deprimida. Criança deprimida não luta contra a infecção. Ela não tem vontade de viver.
O que posso fazer? Precisa de descobrir o que estava a dar força para ela antes. O Eduardo sabe exatamente o que era. Marina. Doutor, se eu trouxer uma pessoa específica para a ver, pode ajudar muito. Quem é? A ama anterior. Isabela tem muito apego por ela, por isso traga urgente, cada hora conta. Eduardo sai do hospital desesperado.
Precisa de encontrar Marina, mas não faz ideia de onde ela está. Ele liga à Conceição. Você sabe onde está a Marina? Não sei, senhor. Ela saiu e não deixou o endereço. Eduardo inicia uma busca frenética, liga para agências de emprego, publica nas redes sociais, contrata um investigador privado. Nada.
Marina parece ter desaparecido da face da Terra. Na terceira noite, o Dr. Fernando faz o ultimato. Eduardo, Isabela tem no máximo 48 horas. Se não houver melhora neste período, Eduardo não deixa ele terminar. Ela vai melhorar. Tem que melhorar. Mas por dentro ele está desesperado. Como encontrar Marina em 48 horas numa cidade de 12 milhões de habitantes.
Enquanto isso, Marina está numa pensão no centro da cidade, completamente sem saber que a Isabela está internada. Ela passou os últimos dias tentando arranjar emprego, mas ninguém a contrata sem referências. Naquela noite, ela vai ao centro espírita procurar mãe Conceição. Minha filha, está muito triste. Estou, mãe. Perdi tudo o que amava. Não perdeu, não.
O amor verdadeiro volta sempre. Como pode ter a certeza? Mãe Conceição fecha os olhos e concentra-se. Estou a ver uma criança em sofrimento, uma menina loira. Marina arrepia-se. Isabela, ela está a chamar por si. Está muito doente. Onde está ela? Hospital de São José. Mas cuidado, a minha filha, há gente a querer prejudicar-te.
A Marina não pensa duas vezes, pega nas suas poucas coisas e corre para o hospital. No hospital, tenta entrar na UCI pediátrica, mas é barrada. Só família pode entrar. Por favor, é urgente. A menina está a chamar-me. Senhora, sem autorização não posso deixar. Marina fica desesperada. Está tão perto de Isabela, mas não consegue chegar até ela.
É quando vê Eduardo no corredor abatido, com cara de quem não dorme há dias. Eduardo. Ele vira-se e fica em choque. Marina, como soube? Soube que a Isabela está mal. Como é que ela está? Muito mal. Os médicos disseram que ela tem 48 horas. A Marina sente o mundo girar. 48 horas? Ela não está respondendo ao tratamento. Fica chamando por si o tempo todo. Deixa-me vê-la.
Eduardo hesita. Ainda tem dúvidas sobre Marina. Eduardo, se tem amor por sua filha, deixa-me entrar. Marina ainda há a questão do colar. Que se dane o colar. A Isabela está a morrer. A urgência na voz de Marina desperta Eduardo. Ele a leva até ao quarto da UCI. Quando a Marina vê Isabela, quase desmaia.
A menina está magra, pálida, cheia de aparelhos. Meu Deus, o que te fizeram, princesa? Marina aproxima-se da cama e pega no mãozinha da Isabela. Isabela, mamã A Marina está aqui. A menina abre os olhos devagar. Quando vê Marina, um sorriso fraco aparece no rostinho. Mamãe, Marina, estou aqui, meu amor. Mamãe voltou.
Não foi embora? Nunca mais Vou-me embora, prometo. Eduardo observa emocionado. A mudança na Isabela é imediata. Os seus sinais vitais melhoram só com a presença de Marina. Marina, ele sussurra. Obrigado por ter voltado. Eu Amo-a, Eduardo, mais do que a minha própria vida. Nessa noite, Marina fica ao lado de Isabela, segurando-lhe a mão, cantando canções de Ninar, tal como tinha feito meses atrás.
Ela coloca as mãos sobre o peito da menina e concentra-se em transmitir energia positiva. A avó, ela sussurra. Se está aí, ajuda a minha menina mais uma vez. Eduardo observa sem compreender completamente o que a Marina está a fazer, mas vê que está a funcionar. A A respiração de Isabela vai-se normalizando. Às 6 da manhã, o Dr. Fernando chega para o turno e fica surpreendido.
Os sinais vitais dela melhoraram drasticamente durante a noite. A Marina ficou com ela, explica Eduardo. Então a A Marina fica. Qualquer coisa que esteja a funcionar, vamos manter. Durante três dias, Marina não sai de perto de Isabela. Ela come no hospital, dorme na poltrona do quarto, dedica cada minuto à recuperação da menina.
No terceiro dia, A Isabela está bem o suficiente para conversar. Mamã Marina, por que razão você foi-se embora? Marina olha para Eduardo, que está no quarto, porque o papá achou que era melhor, mas não era melhor. Eu Fiquei muito triste. Eu também fiquei triste, princesa. Não vai embora de novo? Marina hesita, ainda não falou com Eduardo sobre o regresso.
Não sei, o meu amor. Isabela olha para o pai. Papa, a mamã Marina pode ficar? O Eduardo se aproxima-se da cama. Isabela, o papá precisa falar primeiro com a Marina, mas ela pode ficar se ela quiser. Marina e Eduardo olham-se por cima da cabeça de Isabela. Há muito que precisa de ser esclarecido entre eles. Naquela tarde, enquanto Isabela dorme, vão para o corredor conversar.
Marina, preciso pedir-te desculpas. Por quê? Por ter duvidado de si, por o ter deixado ir embora. Eduardo, eu compreendo a sua posição. As evidências estavam contra mim, mas devia ter confiado em você. Deveria ter conhecido o seu carácter. Marina suspira. E sobre o colar? Marina, eu sei que não levou o colar. Como sabe? Porque sei quem o apanhou.
Marina fica surpresa. Quem? A minha mãe. Como assim? Eduardo conta que começou a desconfiar da mãe quando se apercebeu como ela estava ansiosa para que a Marina se fosse embora. Eu vasculhei as coisas dela e encontrei o colar escondido no cofre. Marina fica chocada. Ela armou tudo isto. Tudo. O colar, a pulseira, os boatos.
Ela queria te afastar a qualquer custo. Por quê? Porque ela percebeu que eu me estava a apaixonando por si. O coração de Marina acelera. Estava. Estou. Estou. Apaixonado por ti, Marina. Marina sente lágrimas nos olhos. Eduardo, eu Sei que somos de mundos diferentes, mas Eduardo, para. Por quê? Porque eu também estou apaixonada por ti.
Eles se beijam ali no corredor do hospital com toda a intensidade do amor que tentaram negar. Uma semana depois, Isabela recebe alta. Eduardo leva Marina e a filha de regressa a casa. Na mansão, Helena está à espera com cara de poucos amigos. O que ela está aqui a fazer? Voltando a casa. Eduardo responde firme.
Eduardo, enlouqueceu? Não, mãe. Acordei. Esta mulher, esta mulher salvou a sua neta duas vezes. Helena tenta argumentar, mas O Eduardo não deixa. Mãe, eu sei tudo. Sei que pegaste no colar, que espalhaste boatos, que tentou destruir a Marina. Helena fica pálida. Eu só queria protegê-lo. Quase matou a minha filha com os seus preconceitos.
Eduardo, chega, mãe. A partir de hoje, a Marina é parte desta família. Se não consegue aceitar isso, o problema é seu. Helena sai da mansão furiosa, mas derrotada. Nessa noite, o Eduardo, Marina e Isabela jantam juntas como uma família verdadeira. Papa, agora a mamã A Marina vai ficar para sempre? Vai sim, princesa.
E vocês vão casar? Eduardo e Marina entreolham-se e riem. Um dia talvez Eduardo responde: “Posso ser senhora de honra?” Claro que pode. Três meses depois, numa manhã de domingo, Eduardo chama a Marina para conversarem no jardim. “Marina, há uma coisa que te quero falar.” O que foi? Eduardo ajoelha-se na frente dela com uma pequena caixa na mão.
“Marina Santos, aceitas casar comigo?” Marina fica em choque. Eduardo, sei que é cedo, mas quase te perdi uma vez. Não quero correr esse risco de novo. E a Isabela? Foi a ideia dela. Marina ri por entre as lágrimas. Então aceito. Eduardo coloca o anel e eles beijam-se enquanto Isabela aparece a correr no jardim. Ela disse que sim. Ela disse que sim.
O casamento realiza-se seis meses depois, numa cerimónia íntima no jardim da mansão. Isabela é dama de honor e fica radiante ao ver os pais casarem. Helena não comparece, mas envia um presente caro como forma de fazer as pazes. Vai aceitá-la na família outra vez? Marina pergunta a Eduardo. Vou dar uma oportunidade, mas ela vai ter de mudar.
E se ela não mudar? Então ela perde a neta e o filho. Dois anos depois, Marina e Eduardo estão no jardim a ver a Isabela brincar com o irmãozinho Miguel de se meses. Você arrepende-se de alguma coisa? pergunta o Eduardo. De nada. E você? Só de uma coisa. O quê? De ter demorado a perceber que era a mulher da minha vida.
Marina sorri e se aninha no marido. Valeu a pena esperar. E agora vai contar-me como curou realmente a Isabela no hospital? Marina ri-se. Um dia conto. É algum segredo místico? É o segredo do amor de mãe. Eduardo beija-a enquanto observam os filhos a brincar. Isabela ensina Miguel a fazer castelos de areia. Mamãe Marina! Isabela grita.
Vem brincar com o gente. Já vou, princesa. A Marina se levanta-se e corre para brincar com as crianças. Eduardo observa emocionado. A sua família está completa. Do portão da mansão, Helena observa a cena. Depois de dois anos afastada, ela finalmente entendeu que o preconceito quase destruiu a sua família. Ela aproxima-se devagar. Eduardo. Ele vira-se surpreso.
Mãe, posso posso falar convosco? Marina pega em Miguel ao colo e aproxima-se, ainda desconfiada. Helena, Marina. Eu eu vim pedir desculpa. Desculpas por tudo o que fiz, por ter tentado separar-vos. Eduardo e Marina entreolham-se. Mãe, tu quase matou a Isabela com as suas manipulações. Eu sei e arrependo-me todos os dias.
Helena ajoelha-se em frente a Marina. Marina, perdoa-me. Marina olha para Eduardo, depois para Isabela, que está observando tudo. Helena, eu perdoo-te, mas isso não se pode repetir. Não vai se repetir, prometo. Avó. Isabela corre para abraçar a Helena. Você voltou? Voltei sim, a minha netinha, e nunca mais vou embora.
Helena pega em Isabela ao colo e olha para o Miguel. E este é o meu netinho? É o Miguel. Posso pegar nele? Marina hesita, mas entrega o bebé a Helena. Olá, Miguel. A avó aqui? Eduardo observa a mãe com os netos e emociona-se. Talvez as pessoas possam realmente mudar. Mãe, queres jantar connosco hoje? Posso? Pode, mas com uma condição.
Qual? Respeito total pela Marina. Ela é a minha esposa e mãe dos meus filhos, prometo. Nessa noite, pela primeira vez em três anos, a família Albuquerque janta completa. A Helena conta histórias para A Isabela, ajuda a Marina na cozinha, brinca com o Miguel. Ela mudou mesmo, Marina comenta para Eduardo na cozinha.
Acho que quase perder a família fez com que ela repensar as prioridades. Acha que devemos confiar? Vamos dar uma oportunidade. Mas ficando de olho. Depois do jantar, Helena despede-se. Obrigada por me receberem. Obrigada por ter pedido desculpas. A Marina responde. Helena abraça Marina pela primeira vez. Obrigada por ter salvo a minha família.
Não salvei família nenhuma. Só amei. Foi isso que salvou. 5 anos depois, Marina está no Jardim da Mansão, a organizar a festa de aniversário dos 7 anos de Isabela. Miguel, agora com 5 anos, ajuda a decorar. Mamã, quando a Isa vai chegar? O Miguel pergunta logo, meu amor. Ela foi buscar os amiguinhos.
Eduardo aparece a carregar Sofia, a mais nova de do anos. Como estão a correr os preparativos? Quase prontos. Onde está a aniversariante? Chegada, Isabela aparece a correr com cinco amiguinhas da escola. Mamãe, chegámos. Marina abraça a filha. Isabela é agora uma menina linda, inteligente, cheia de vida.
Feliz aniversário, princesa. Obrigada, mamã. A festa é animada. Crianças a correr pelo jardim, rindo, brincando. A Helena ajuda a servir o bolo. Marina, chama ela. Posso falar contigo? Claro. Ela afasta-se um pouco. Quero agradecer-te mais uma vez. Pelo quê? Por me ter dado uma segunda oportunidade, por me ter deixado fazer parte da vida dos meus netos. Família, é isso, Helena.
A gente erra, aprende e segue em frente. Tornaste-te minha filha de verdade, A Marina sorri. E tu tornaste-te a minha mãe de coração. Elas abraçam-se enquanto observam Eduardo a brincar com as crianças. Marina. Isabela aproxima-se. Que foi, princesa? Posso fazer um pedido de aniversário? Claro.
Quero que a nossa família fique sempre junta. Marina pega a filha ao colo. Sempre, meu amor. Para sempre. Eduardo junta-se ao abraço, seguido de Miguel e Sofia. A Helena também se aproxima. Grupo familiar! Grita Miguel, fazendo rir toda a gente. E assim, no jardim da mansão, onde tudo começou, a família Albuquerque Santos celebra não apenas um aniversário, mas o triunfo do amor sobre o preconceito, da verdade sobre a mentira, da união sobre a separação.
Marina olha em redor para o marido que ama, para os filhos que criou com tanto carinho, para a sogra que aprendeu a respeitar e sorri. A sua vida pode ter começado simples, mas tornou-se extraordinária pelo poder do amor verdadeiro. “Obrigada, Deus”, ela sussurra, “por me ter dado a família que sempre sonhei. E no céu uma estrela brilha mais intensamente, como se a mãe de Marina estivesse sorridente, orgulhosa da filha que soube transformar a dor em amor, rejeição na aceitação e diferenças na união.
Fim gostou desta história? Marina mereceu o final feliz depois de tanto sofrimento. Conta-me nos comentários o que achou desta reviravolta.















