As Gêmeas do Milionário não dormiam com ninguém — até que a Babá Pobre fez algo que chocou todos

As Gêmeas do Milionário não dormiam com ninguém — até que a Babá Pobre fez algo que chocou todos 

O choro das bebés gémeas ecoa pela mansão de Santa Cruz como sirenes em desespero. É o quinto dia consecutivo que Alice e Sofia, de apenas 4 meses, não conseguem dormir mais de 30 minutos consecutivos. Rodrigo Santa Cruz caminha pelos corredores com Alice ao colo, enquanto a ama noturna Carmen luta para acalmar a Sofia no quarto ao lado. Senr.

Rodrigo. Carmen aparece à porta exausta. Já não sei o que fazer. Já tentei tudo. Rodrigo olha para a mulher de 50 anos que trabalha há décadas cuidar de bebés. Se ela não consegue acalmar as meninas, quem o conseguirá? A Carmen já é a quinta ama este mês. Nenhuma consegue fazê-las dormir. Desculpe, senhor, nunca vi bebés tão agitados assim.

 Alice choraminga no colo do pai, os punhinhos cerrados, o rostinho vermelho de tanto chorar. Rodrigo, aos 35 anos, é um dos empresários mais bem-sucedidos do país, mas neste momento sente-se o homem mais impotente do mundo. Talvez seja melhor procurar outro pediatra, sugere Carmen. Já passaram aqui cinco médicos. Todos dizem que são saudáveis.

Fisicamente sim. Mas bebé sente energia, senhor. Talvez sintam a tristeza da casa. As palavras de Carmen atingem Rodrigo como uma flecha. Faz seis meses que perdeu a sua mulher Melissa no parto. Desde então, a mansão vive envolta em uma melancolia que nem o dinheiro consegue curar. Na manhã seguinte, quinta-feira, Rodrigo está no escritório quando recebe uma chamada da dona Teresa, a governanta. Senr.

 Rodrigo, a Carmen pediu a demissão. Como assim? Disse que não aguenta mais. As meninas voltaram a chorar a noite inteira. Rodrigo passa a mão pelo rosto. Teresa, somos cinco pessoas a viver nesta casa e ninguém consegue cuidar de duas bebés. As meninas são mesmo difíceis, senhor. Parece que sentem quando não é a mãe delas. A mãe delas morreu, Teresa.

 Eu sei, senhor, mas o bebé não entende isso. Rodrigo desliga e fica pensativo. Precisa de encontrar uma solução urgente. Não pode continuar a trabalhar duas horas por noite. Nessa tarde, a nova candidata a Ama chega para a entrevista. Lívia Costa tem 25 anos, cabelos castanhos compridos, apanhados num coque simples, olhos cor de mel e um sorriso genuíno que ilumina o rosto.

 Usa roupas simples, mas limpas, e transporta uma bolsa de tecido gasta. Boa tarde, senhor Santa Cruz. Sou a Lívia. Boa tarde. Entre, por favor. Rodrigo recebe-a na sala principal. Lívia olha em redor, impressionada com o luxo da decoração, mas sem parecer intimidada. Bela casa. Obrigado, Lívia. Vou ser direto.

 As minhas filhas gémeas não dormem há 5 dias. Já passaram seis amas aqui este mês. Todas pediram a demissão. Entendo. Tem experiência com bebês difíceis? Lívia hesita um pouco. Tenho experiência com bebés que precisam de cuidado especial. Como assim? Já cuidei de bebés prematuros, bebés órfãos, bebés que passaram por traumas.

 E o que você faz que as outras não fazem? Lívia sorri suavemente. Cada bebé é único, senhor. Preciso de conhecer as suas filhas primeiro para saber como ajudá-las. Rodrigo fica curioso. Há algo de diferente na forma como Lívia fala sobre os bebés. Não é mecânico como as outras candidatas. Quer conhecê-las agora? Claro.

 Eles sobem para o bersário. Um quarto gigantesco decorado em tons suaves de rosa e lilás. Duas camas idênticas, móbiles caros, brinquedos importados, tudo do mais fino que o dinheiro pode comprar. Alice e Sofia estão acordadas nos seus berços, chorando baixinho. Lívia aproxima-se devagar. “Olá, princesinhas”, ela sussurra.

 As bebés param de chorar por um momento e olham para ela com curiosidade. Posso apanhá-las? Claro. Lívia apanha Alice primeiro, que está mais agitada. Segura a bebé de uma forma diferente, mais próximo do coração, balançando suavemente. Oi, pequenina, estás cansadinha, certo? Alice pára completamente de chorar e fixa os olhinhos em Lívia.

 Uau! Rodrigo sussurra admirado. Lívia pega Sofia com o outro braço e fica com as duas gémeas aninhadas contra ela. Elas são lindas. Puxaram ao pai? Dizem que sim. E a mãe? Rodrigo fica tenso. A mãe morreu no parto. Lívia faz uma expressão de compreensão. Por isso elas não dormem.

 Como assim? Os bebés sentem quando falta energia materna. Elas nasceram órfã de mãe, mas tiveram várias cuidadoras. Cuidadora não é mãe, senhor. Bebé precisa de amor maternal verdadeiro. As palavras de Lívia tocam algo de profundo em Rodrigo. Ele percebe que nenhuma das amas anteriores falou sobre o amor, só sobre técnicas e horários.

 Pode dar esse amor maternal? Lívia olha para as bebés em os seus braços. A Alice está quase a dormir. Sofia brinca com uma madeixa do cabelo dela. Posso tentar se o senhor me der uma oportunidade? Quando pode começar? Hoje mesmo, se precisar. Rodrigo não hesita. Preciso sim. A Dona Teresa vai mostrar o seu quarto.

 Na verdade, Lívia diz timidamente. Seria melhor se eu ficasse aqui no bersário com elas, pelo menos no início. Aqui no quarto? É, bebés que não dormem precisam de sentir que alguém está sempre perto. Posso montar uma caminha ali no canto? O Rodrigo concorda. Tudo bem, o que precisar. Naquela noite, Lívia instala-se no bersário com uma cama de solteiro simples no canto do quarto.

 As gémeas estão inquietas desde o jantar. “Vamos ver o que vocês precisam”, murmura Lívia. Ela observa que a Alice é mais sensível aos ruídos, enquanto a Sofia precisa de mais contacto físico. São personalidades diferentes, apesar de serem gémeas. Quando as bebés começam a chorar às 11 da noite, Lívia tenta algo diferente, apanha as duas no colo e senta-se na cadeira de baloiço.

Fechem os olhinhos, princesinhas. Tia A Lívia vai cuidar de vocês. Ela começa a trautear uma canção de embalar que o seu avó costumava cantar. É uma melodia suave, quase hipnótica. Alice é a primeira a relaxar. Seus olhinhos fecham-se devagar enquanto A Lívia balança suavemente na cadeira. Isso mesmo, pequenina. Pode dormir.

A Sofia demora um pouco mais, mas eventualmente também sucumbe ao sono. A Lívia continua a trautear mesmo depois de as duas adormecerem. fica na cadeira de baloiço com elas por duas horas, até ter a certeza de que estão em sono profundo. Quando finalmente as coloca nos berços, continuam dormindo tranquilas.

 Pela primeira vez numa semana, a mansão Santa Cruz fica em silêncio. O Rodrigo acorda às 6 da manhã, surpreendido, não ouvi o choro durante a madrugada. Preocupado, corre para o bersário e encontra uma cena que nunca imaginou ver. Alice e Sofia dormindo profundamente nos seus berços enquanto a Lívia dormita na cadeira ao lado. Lívia, sussurra ele.

 Ela acorda assustada. Senr. Rodrigo, aconteceu alguma coisa? Elas dormiram a noite toda? Lívia sorri. Dormiram sim, das 11 às 5:30. A sério, Rodrigo? Não acredita. Sério? Acordaram uma vez só para mamar e voltaram a adormecer. Rodrigo sente uma emoção que não sentia há meses. Alívio, gratidão, esperança. Como você conseguiu? Paciência e amor, senhor.

 Só isso. Mas as outras amas também tinham paciência. Lívia hesita. Talvez elas só precisassem de sentir que alguém realmente se importa. Nos dias seguintes, a rotina da casa muda completamente. As gémeas dormem a noite toda, acordam mais calmas, comem melhor. Lívia desenvolve técnicas específicas para cada uma.

 Para Alice, que é mais sensível, utiliza tons de voz mais graves e movimentos mais suaves. Para a Sofia, que necessita de mais estímulo, faz mais carícias e brinca mais. “Elas são muito diferentes.” Lívia comenta para Rodrigo numa manhã. diferentes como Alice é mais introspetiva, observadora, a Sofia é mais sociável, comunicativa.

Com 4 meses já se apercebe disso? Bebê tem personalidade desde pequeno. A gente só precisa de observar. Rodrigo fica impressionado com a perceção de Lívia. Mal consegue distinguir as filhas quanto mais as suas personalidades. Tem filhos? Pergunta curioso. Lívia fica séria. Não tenho, mas tenho muita experiência com bebés.

 Venho de família numerosa. Cuidei de muitos sobrinhos. Há algo no tom dela que sugere que não é toda a verdade, mas Rodrigo não insiste. Uma semana depois, a transformação é completa. Alice e A Sofia são bebés completamente diferentes. Sorriem, brincam, dormem bem, comem à hora certa. Dona Teresa está encantada.

 Nunca vi mudança tão rápida, Senr. Rodrigo. É mesmo um milagre. A Lívia tem um jeito especial com as meninas. Tem sim. Rodrigo observa Lívia a brincar com as gémeas no tapete da sala. Ela conversa com elas como se compreendessem cada palavra. A Sofia não pode morder o dedo mindinho da irmã. A Alice divide o brinquedo.

 As bebés reagem aos comandos dela como se realmente compreendessem. Lívia, Rodrigo aproxima-se. Posso fazer uma questão pessoal? Pode. Onde você aprendeu a cuidar tão bem dos bebés? A Lívia para de brincar por momentos. Na vida, senhor. A vida ensina muita coisa. Parece ter dom. Talvez. Há um mistério em Lívia que intriga Rodrigo. É educada, carinhosa, competente, mas evita sempre falar sobre o seu passado.

 Duas semanas depois, a situação dá uma reviravolta inesperada. Helena Santa Cruz, mãe de Rodrigo e avó das gémeas, regressa de uma viagem de um mês à Europa. É uma mulher de 62 anos, elegante, controladora e com opiniões muito firmes sobre como educar crianças. Rodrigo querido. Ela chega fazendo festa.

 Como estão as minhas netinhas? Estão ótimas, mãe. Finalmente a dormir bem. Graças a Deus. E a nova ama é excelente. As meninas adoram-na. Helena sobe para conhecer Lívia e encontra uma cena que não aprova. Lívia está sentada no chão a brincar às escondidas com Alice e Sofia. Achou? Lívia faz careta engraçada e as bebés gargalham. Com licença.

 Helena interrompe friamente. Lívia levanta-se rapidamente. Boa tarde. A senhora deve ser dona Helena. Sou. E você é a nova ama? Sou sim. Lívia Costa. Helena observa Lívia de cima para baixo. Repara nas roupas simples, a aparência humilde, a juventude. Quantos anos tem? 25, senhora. Muito nova para cuidar de bebés tão pequenos.

 Tenho experiência, Dona Helena. Que tipo de experiência? Lívia explica sobre os sobrinhos, os cursos que fez, mas Helena não parece convencida. E estas brincadeiras no chão. Bebé de 4 meses não precisa disso. Elas gostam de brincar, minha senhora. Bebê precisa de disciplina, não de entretenimento. Rodrigo aparece à porta nesse momento.

 Mãe, como correu a viagem? Ótima, mas estou preocupada com as suas filhas. Por quê? Elas estão ótimas. Os bebés não ficam no chão a brincar. Precisam de ficar no berço em ambiente controlado. Mãe, elas estão a se desenvolvendo muito bem. Não é assim que se cria uma criança de uma família importante. Lívia percebe que Helena não gosta dela.

É o mesmo olhar de desaprovação que sempre recebeu das pessoas ricas. À noite, Helena pede para jantar com Rodrigo Aós. Rodrigo, precisamos conversar sobre a ama. O que tem ela? É muito jovem, inexperiente e não tem uma postura adequada, mas as raparigas adoram-na. Bebé não escolhe quem cuida deles. Os pais é que escolhem.

 Mãe, as gémeas estão a dormir pela primeira vez em meses. Isso é temporário. Você precisa de alguém com mais experiência. Como quem? A Helena sorri. Lembro-me de Norma Silveira. Cuidou de si quando era pequeno, mulher séria, experiente de confiança. A Dona Norma tem 80 anos, mãe, mas sabe educar uma criança como deve ser.

 Rodrigo abana a cabeça. As meninas estão bem cuidadas por enquanto, mas esta rapariga é muito próxima demasiado delas. Como assim? Vi-a beijar a testa das bebés, conversando como se fossem filhas dela. Isso não é profissional. Ela demonstra carinho. Qual é o problema? O problema é que a Ama não é mãe. Ela está se confundindo sobre o papel dela.

 As palavras de Helena plantam uma semente de dúvida na mente de Rodrigo. Será que A Lívia está mesmo a agarrar-se demais às meninas? No dia seguinte, Helena decide agir. Ela convida três amigas da alta sociedade para conhecer as gémeas. Beatriz Moreira, Sílvia Andrade e Carmen Figueiredo. Quero que vejam a situação com a nova ama, Helena explica.

 As quatro mulheres sobem para o bersário e encontram Lívia a dar biberão para Alice enquanto balança Sofia ao colo. Boa tarde, senhoras. Lívia cumprimenta educadamente. Boa tarde, respondem friamente. Beatriz, uma mulher de 55 anos com jóias caras, observa a cena com desaprovação. “Muito informal”, sussurra ela para Helena. “Foi o que eu disse.

 A Sílvia, uma loira magra de 60 anos, aponta um problema. Porque é que ela está com as duas no colo? Bebé deve mamar no berço. É verdade, concorda Carmen, uma morena baixinha de 58 anos. A minha babá nunca apanhava os meus filhos fora da hora. Lívia ouve tudo, mas não responde. Continua cuidar das bebés. Menina, Helena chama.

Pode explicar porque está a segurar as duas? A Alice não consegue mamar se não vê a irmã perto, a dona Helena. E Sofia fica agitada se não tiver contacto. “O bebé tem que aprender a estar sozinho”, Beatriz diz com autoridade. “Com todo o respeito, senhora, são gémeas. Ficaram juntas no útero nove meses.

 Separar elas causa ansiedade.” Ansiedade? Carmen ri-se. Bebé de 4 meses não tem ansiedade. Tem sim, senhora. Bebé sente tudo. As quatro as mulheres trocam olhares de desaprovação. Vê-se que não tem experiência com família de classe. Sílvia comenta. Criança rica precisa de aprender disciplina desde cedo.

 Helena acrescenta: “Não é questão de ser rica ou pobre, dona Helena. Bebé é bebé.” A resposta de Lívia irrita as mulheres. “Que atrevimento!”, murmura Beatriz. Depois que saem do bersário, as quatro se reúnem na sala para falar de Lívia. Helena, esta menina não serve. Beatriz declara. Por quê? Helena pergunta querendo confirmação. Não tem postura.

Responde ao patrão como se fosse igual. E tem ideias muito modernas, acrescenta Sílvia. O bebé precisa de rigidez. Sem contar que é muito apegada às meninas. Carmen observa. Isso vai dar problema. Helena abana a cabeça. É exatamente o que penso. Preciso alertar Rodrigo. Deve insistir para ele trocá-la. Beatriz aconselha.

 Vou insistir sim. Nessa noite, Helena procura novamente Rodrigo. Filho, falou com as minhas amigas hoje? Conversei. E daí? Todas concordam comigo. A ama não serve. Por que não serve? As meninas estão ótimas. Rodrigo, não entende. Esta moça está se comportando-se como se fosse mãe das suas filhas.

 E qual é o problema se ela cuida bem delas? O problema é que ela pode tornar-se apegar demasiado e depois causar problemas. Que tipo de problemas? Ciúmes, possessividade? Já vi casos desses. Rodrigo fica pensativo. Mãe, as meninas eram incontroláveis ​​antes dela chegar. Eram bebés normais. Todo o bebé chora. por uma semana inteira sem parar. É fase.

Passou. Passou porque a Lívia conseguiu acalmá-las. Helena muda de estratégia. Rodrigo, não acha estranho uma rapariga tão jovem ter tanto jeito com bebés? Acho que ela tem dom ou tem experiência que não lhe contou. Como assim? Como é que uma rapariga de 25 anos sabe tanto de bebé se nunca teve filhos? A observação faz Rodrigo parar para pensar.

 É verdade que a Lívia sabe coisas que só as mães experientes sabem? Acha que ela mentiu sobre alguma coisa? Acho que não contou a verdade toda. Helena vê que plantou a dúvida e decide investir mais. Rodrigo, já verificou as referências dela? Verifiquei sim. Ligou para os empregadores anteriores? Rodrigo hesita. Na verdade, não ligou.

 Estava tão desesperado que contratou Lívia baseado apenas no currículo. Vou verificar amanhã. É melhor, mesmo. Nunca se sabe com quem estamos a lidar. No dia seguinte, Rodrigo decide investigar o passado de Lívia discretamente. Liga para a primeira família listada como referência. Olá, família Carvalho. Aqui é Rodrigo Santa Cruz.

 Queria informações sobre Lívia Costa. Lívia? Ah, sim. Ela trabalhou aqui há dois anos. Como foi o trabalho dela? Excelente. Cuidou muito bem dos nossos gêmeos. Gémeos? Sim. Pedro e Paulo. Na época tinham se meses. Rodrigo fica intrigado. A Lívia não referiu que já tinha experiência específica com gémeas. E porque é que ela saiu? Motivos pessoais.

Ela teve de se mudar de cidade. Algum problema no trabalho? Nenhum. Sentimos muito quando ela se foi embora. Os meninos choraram durante semanas. Rodrigo desliga mais confuso do que antes. Se a Lívia é tão competente, por que não mencionou a experiência com Gémeos? Liga para a segunda referência.

 Família Miranda sobre Lívia Costa. Ah, a Lívia, menina maravilhosa, cuidou da nossa Sofia por um ano. Como foi o trabalho? Perfeito. A Sofia tinha problemas de sono e a Lívia resolveu em uma semana. Problemas de sono, pesadelos, insónia infantil. Nenhuma ama conseguia resolver. A Lívia fez milagres e ela saiu porquê? Questões familiares.

 Precisou de cuidar da mãe doente. Rodrigo desliga ainda mais confuso. As referências são excelentes, mas há lacunas na história de Lívia. À tarde, decide falar diretamente com ela. Lívia, posso fazer algumas perguntas? Claro, Senr. Rodrigo, já cuidou de gémeos antes? Lívia hesita por um momento. Já sim. Por que não referiu isso na entrevista? Não perguntou especificamente.

E sobre os problemas de sono que resolveu em outros empregos? Cada bebé é diferente. Não gosto de garantir resultados antecipadamente. As respostas de Lívia são evasivas, mas não necessariamente mentirosas. Lívia, há algo no seu passado que devo saber? Por que razão pergunta isso? Só quero ter a certeza de que posso confiar em si com as minhas filhas.

 Lívia olha diretamente nos olhos dele. Senhor Rodrigo, adoro a Alice e a Sofia como se fossem as minhas próprias filhas. Jamais faria algo para as magoar. A sinceridade na voz dela convence Rodrigo. Decide não insistir no assunto, mas Helena não desiste. Na semana seguinte, ela contrata uma detetive privado para investigar Lívia.

 Quero saber tudo sobre esta mulher. Ela instrui Márcia Santos, uma investigadora experiente. Que tipo de informação a senhora procura? Antecedentes criminais, antecedentes, profissional, vida pessoal, tudo? Posso perguntar por ela? cuida das minhas netas. Preciso de ter a certeza de que é fiável. Márcia aceita o caso e começa a investigação.

 Em três dias, descobre informações interessantes. Dona Helena, encontrei algumas coisas. Fale. Lívia Costa tem um historial médico que ela não revelou. Que tipo de histórico? Ela perdeu um bebé há do anos. Filho nasceu faleceu aos 8 meses de gravidez. Helena sente um misto de satisfação e horror. Isso explica muita coisa. E tem mais.

 Fez tratamento psicológico por depressão pós-parto. Durante quanto tempo? Se meses. Saiu porque não tinha dinheiro para continuar. Helena já vu. Munição perfeita contra Lívia. Esta informação é sigilosa? Tecnicamente sim, mas consegui através de contactos na área médica. Perfeito. Continue a investigar. Dois dias depois, Márcia liga com mais informações.

Dona Helena, descobri porque é que a Lívia mudou tanto de emprego. Conte. Em todos os locais onde trabalhou, ela afeiçoou-se demais às crianças. Uma família dispensou-a porque a criança chorava quando via a mãe e só se acalmava com a babá. Que situação terrível. Outra família despediu-a porque o menino começou a chamar-lhe mãe.

 A Helena sorri com satisfação, ou seja, ela tem histórico de se confundir sobre o papel dela. Exatamente. E com o trauma da perda do próprio filho, ela provavelmente projeta sentimentos maternos nas crianças que cuida. Isso é perigoso? Pode ser. Depende do grau de apego. A Helena tem toda a munição que precisa.

 Nessa noite, ela marca uma reunião urgente com o Rodrigo. Filho, preciso de te contar algo muito importante sobre a ama. O quê agora, mãe? Descobri que ela escondeu informações cruciais de você. Que informações? Ela perdeu um bebé há do anos e fez tratamento psicológico. Rodrigo fica chocado. Como descobriu isso? Investiguei o passado dela.

 Como você deveria ter feito? Isto é invasão de privacidade. Isto é proteção da família. Rodrigo, ela pode estar psicologicamente instável. Ela cuida muito bem das meninas, cuida bem demais. É isso que me preocupa. Helena conta sobre o historial de apego excessivo com outras crianças. Mãe, mesmo que isso seja verdade, ela nunca demonstrou o comportamento inadequado aqui. Ainda não. Mas pode demonstrar.

 O que está a sugerir? que a dispense antes que cause problemas. Dispensar a única pessoa que consegue cuidar das meninas. Rodrigo, abra os olhos. Uma mulher que perdeu um bebé e se agarra excessivamente às crianças que cuida é uma bomba relógio. As palavras de Helena fazem Rodrigo hesitar. Será que ele está colocando as filhas em risco? E se você estiver errada? E se estiver certa? Rodrigo passa a noite inteira sem dormir, dividido entre a razão e a intuição.

 Na manhã seguinte, decide confrontar a Lívia sobre as informações que a Helena descobriu. Lívia, preciso conversar consigo. Claro, senor Rodrigo. Porque é que não me disse que perdeu um bebé? O sangue desaparece do rosto de Lívia. Como é que o senhor soube? Isso importa? Por que razão escondeu? Lágrimas começam a escorrer pelo rosto de Lívia.

Porque sabia que não me contrataria se soubesse. Por que não? Porque as pessoas pensam que quem perdeu um filho não pode cuidar de outras crianças. E pode? Posso sim. Na verdade, cuido melhor porque sei o valor de cada momento. Rodrigo observa a dor nos olhos de Lívia. E sobre se apegar demasiado às crianças de quem cuida.

Quem disse isso? Tenho informações de que noutros empregos houve problemas com apego excessivo. Lívia senta-se, derrotada. É certo que me apego às crianças, mas nunca foi prejudicial para elas. Como assim? As famílias me dispensaram porque ficavam com ciúmes, não porque eu fizesse mal às crianças. Ciúmes de quê? De que as crianças gostassem mais de mim do que dos próprios pais.

 A honestidade de Lívia toca Rodrigo, mas também o preocupa. Lívia, apegou-se às minhas filhas? Muito, ao ponto de se considerar mãe delas. Lívia olha-o com os olhos cheios de lágrimas. Não me considero mãe delas, mas amo-as ​​como se fossem minhas filhas. E isso não é problemático. Só se for problema amar demais. Rodrigo fica em silêncio, processando a informação.

Senr. Rodrigo, se o senhor me quer dispensar, eu compreendo. Mas saiba que nunca faria mal a Alice e Sofia. Eu Sei que não faria mal. A questão é se o seu apego pode prejudicar o desenvolvimento das mesmas. Como poderia? Se elas ficarem dependentes de si e não conseguirem criar laços com outras pessoas, amam o Senhor também, mas preferem-no. A Lívia não pode negar.

 É verdade que as gémeas reagem melhor a ela que ao próprio pai. Posso trabalhar nisso. Posso incentivá-las a se aproximarem mais do Senhor. E se isso não resultar, vai resultar. O Rodrigo quer acreditar nela, mas as palavras de Helena ecoam na sua mente. Lívia, vou dar mais uma semana. Se eu perceber que estão demasiado dependentes de si, vou ter de repensar a situação.

Obrigada pela oportunidade. Naquela semana, Lívia esforça-se para envolver mais Rodrigo nos cuidados às gémeas. Ensina-o a dar banho, a mudar fraldas, fazê-las dormir. Senr. Rodrigo, vem aqui. A Alice quer mostrar algo ao papá. Rodrigo aproxima-se e Alice estica os bracinhos para ele. É a primeira vez que ela faz espontaneamente.

Ela nunca o fez antes. Rodrigo comenta emocionado. É porque está participando mais nos cuidados. Bebê sente quando o pai se dedica. Durante a semana, Rodrigo repara que as meninas começam realmente a procurá-lo mais. Sofia chora quando ele sai para trabalhar. Alice sorri quando ouve o seu voz. Lívia, está a funcionar.

Eu disse que ia resultar, mas a Helena não está satisfeita com a melhoria. Ela precisa de criar uma situação que prove definitivamente que a Lívia é perigosa. Na sexta-feira, ela põe em ação o plano final. Helena liga para um médico conhecido da família, Dr. Augusto Ferreira, e pede-lhe um favor. Doutor, preciso que o senhor examine as minhas netas.

 Algum problema, Dona Helena? Quero uma segunda opinião sobre o desenvolvimento das mesmas. Não entendi. A atual ama pode estar a fazer algo inadequado. Quero que o senhor avalie se há sinais de dependência emocional excessiva. O Dr. Ferreira, que deve favores profissionais à família Santa Cruz, aceita ajudar. Vou fazer uma visita de rotina e observar a interação delas com a cuidadora.

 No sábado de manhã, o Dr. Ferreira aparece na mansão para um check-up de rotina. Senr. Rodrigo, vim examinar as meninas. Não estava marcado nenhum exame, doutor. A sua mãe pediu uma avaliação do desenvolvimento emocional das mesmas. Rodrigo fica desconfiado. Por quê? Para ter a certeza de que estão crescendo saudáveis ​​em todos os aspectos.

 Sobem para o bersário, onde Lívia está a brincar com Alice e Sofia no tapete. Boa tarde, Dr. Ferreira se apresenta. Vim examinar as meninas. Claro, doutor. A Lívia responde, levantando-se com as bebés ao colo. O Dr. Ferreira observa atentamente a reação das gémeas. Elas agarram-se a Lívia quando vem o estranho. Pode colocá-las no berço para eu examinar? Claro.

 Lívia tenta colocar Alice no berço, mas a bebé começa a chorar e agarra-se a ela. Elas reagem sempre assim a estranhos? O Dr. Ferreira pergunta. Só no início. Logo se acostumam. Mas Alice continua a chorar alto e a Sofia também começa quando vê o irmã angustiada. Senr. Rodrigo Dr. Ferreira sussurra.

 Pode tentar acalmar uma delas? Rodrigo pega em Sofia ao colo e ela acalma um pouco, mas ainda olha nervosa para Lívia. Interessante. O Dr. Ferreira murmura tomando notas. Depois do exame, pede para falar com o Rodrigo em particular. Senr. Rodrigo, preciso de o alertar sobre algo preocupante. O que é, doutor? As as raparigas demonstram sinais de dependência emocional excessiva em relação à ama.

Como assim? Elas agarram-se nela de forma desesperada quando há mudança no ambiente. Isto pode indicar apego ansioso. E isso é mau? Pode ser. As crianças com apego ansioso têm dificuldade em relacionar-se com outras pessoas no futuro. Mas elas também gostam de mim. Gostam, mas de forma secundária.

 A referência emocional principal é a ama, e não o pai. As palavras do médico confirmam exatamente aquilo que Helena queria provar. E qual a sua recomendação, doutor? Gradualmente diminuir a sua dependência em relação à ama. Talvez contratar uma segunda cuidadora para dividir os cuidados ou mudar de ama. O Dr. Ferreira hesita. Seria traumático para elas agora, mas se a situação não melhorar, pode ser necessário.

 Rodrigo fica profundamente preocupado. Talvez a Helena tenha razão sobre os riscos. Naquela noite, ele conversa novamente com Lívia. O médico disse que as raparigas estão dependentes demais de si. Lívia fica pálida. Dependentes como? Apego ansioso. Elas se agarram-se a si quando há mudanças. Isso é normal nos bebés, Senr. Rodrigo.

 Elas conhecem a minha voz, o meu cheiro. É natural que se sintam mais seguras comigo, mas pode prejudicar o desenvolvimento das mesmas? Não se for trabalhado gradualmente. E se não for, Lívia percebe que está a perder a batalha. Senr. Rodrigo, se o senhor acha que não sou boa para as raparigas, pode dispensar-me. Não é isso.

 É que estou preocupado com o bem-estar das mesmas. Eu também estou e garanto que não o faria nada que prejudicasse Alice e Sofia, mas talvez sem querer esteja prejudicando. A acusação dói fundo a Lívia. O senhor acredita mesmo nisso? Não sei mais em que acreditar. Lívia vê que perdeu a confiança de Rodrigo. Está bem.

 Vou arrumar as minhas coisas. Não precisa de sair hoje. Preciso sim. Se o Senhor não confia em mim, não posso ficar. Naquela noite, Lívia despede-se das gémeas sem elas perceberem. Ela beija as testas adormecidas de Alice e Sofia e sussurra: “Perdoem à mamã por ter de ir embora. Amo-vos para sempre”. Na manhã seguinte, Rodrigo acorda com um barulho familiar que não ouvia há semanas, o choro desesperado das gémeas.

 Ele corre para o bersário e encontra a dona Teresa tentando acalmar Alice e Sofia, que estão histéricas. O que aconteceu? Elas acordaram a chorar e não param. Estão procurando a Lívia. O Rodrigo sente o coração apertar. Onde está ela? Foi embora de madrugada. deixou um bilhete. O Rodrigo leu o bilhete. Senr.

 Rodrigo, obrigada pela oportunidade. Espero que as meninas sejam felizes. Cuida bem delas com amor, Lívia. O choro das gémeas fica mais forte. Elas rejeitam o colo da dona Teresa, rejeitam a mamadeira, rejeitam qualquer tentativa de consolo. Senr. Rodrigo, elas estão inconsoláveis. Rodrigo tenta apanhar Alice ao colo, mas ela debate-se e chora mais alto.

 É como se estivesse à procura de alguém. As horas se passam e as bebés não acalmam. Rodrigo liga para o Dr. Ferreira. Doutor, as meninas estão chorando sem parar desde que a ama foi embora. É a síndrome de abstinência emocional. Era esperado. Quanto tempo vai durar? Pode durar dias ou semanas, dependendo do grau de vinculação. E o que eu faço? Mantenha a calma e tente estabelecer uma nova rotina, mas não é fácil.

 Alice e Sofia choram durante seis horas seguidas. Quando finalmente adormecem de cansaço, acordam uma hora depois chorando de novo. O Rodrigo está desesperado. Liga a Helena. Mãe, as as meninas não param de chorar. É normal, filho. Logo se habituam. Faz 16 horas que não param. Acho que vão ficar doentes. Não vão, não. É só birra. Mãe, têm quatro meses, não fazem birra, estão a sentir falta da ama, vai passar, mas não passa.

 No segundo dia, Alice e Sofia estão visivelmente mais fracas. Rejeitam a comida, rejeitam a água, só querem chorar. Senr. Rodrigo, dona Teresa comenta preocupada. Elas vão ficar desidratadas. O que faço? Talvez devesse ligar para Alívia. Não posso. Ela pode ser perigosa para o desenvolvimento das mesmas, mas elas estão a definhar sem ela.

 À noite do segundo dia, o Dr. Ferreira vem examinar as gémeas e fica preocupado. Elas perderam peso e estão a desidratar. É normal na síndrome de abstinência? Não nesse grau. Pode ser que o apego fosse mais profundo do que imaginei. O que isso significa? Que talvez a separação abrupta tenha sido demasiado traumática. Rodrigo sente culpa e desespero.

 O que faço, doutor? Pode tentar voltar com a ama temporariamente e fazer a transição gradual. Mas o senhor disse que ela estava a causar dependência. E estava, mas a separação traumática pode ser pior do que a dependência gradual. Rodrigo passa mais uma noite sem dormir, ouvindo as filhas chorar. No terceiro dia, ele toma uma decisão.

 Liga para Lívia. Alô. A voz dela está rouca, como se tivesse chorado muito. Lívia, sou eu, Rodrigo. Senhor Rodrigo, preciso que você volte. As meninas estão muito mal. Como assim? Não param de chorar há três dias. Não comem, não dormem. O médico disse que pode ser um trauma da separação. Lívia sente o coração disparar.

 Elas estão bem? Não estão doentes, estão fracas pela falta de alimento e de sono. Lívia, por favor. Volte. Mas o Sr. disse que eu era perigosa para elas. Eu estava errado, ou pelo menos estava sendo influenciado por opiniões que talvez estivessem erradas. Opiniões de quem? Da minha mãe, do médico? Lívia entende que foi vítima de uma conspiração.

Senr. Rodrigo, se eu voltar, vai acreditar em mim desta vez. Vou tentar. Não é suficiente. Preciso de saber que confia em mim completamente. Confio sim. Então estou a chegar. Uma hora depois, Lívia está de volta à mansão. Quando entra no bersário, Alice e Sofia estão dormindo de exaustão após horas de choro.

 Lívia aproxima-se devagar e sussurra: “Olá, princesinhas. A mamã voltou. As bebés acordam e olham para ela. Por momentos, faz-se silêncio. Então, Sofia esboça um sorriso débil e estende os bracinhos. Alice também reage tentando virar-se na direção da voz familiar. Olá, meus amores. Estou aqui. Lívia pega nas duas ao colo e elas se acalmam imediatamente.

 Não choram, apenas se aninham contra ela como se quisessem ter a certeza de que é real. Trouxeram o leite delas? Lívia pergunta para Rodrigo. Está aqui. Mas elas não quiseram mamar. Agora vão querer. E realmente querem. A Alice e a Sofia mamam com fome, como se não comessem há dias. “Como é que conseguiste?”, pergunta Rodrigo admirado.

 “Elas só precisavam de se sentir seguras outra vez.” O Dr. Ferreira disse que o apego delas era prejudicial. O apego delas é profundo, mas não prejudicial. A diferença é que também me apeguei a elas. “E isso é problema? Só se o achar que é.” Rodrigo observa as filhas relaxadas no colo de Lívia, finalmente em paz depois de três dias de sofrimento. Não acho que seja problema.

Acho que é uma bênção. Tem a certeza? Tenho. Desculpa por ter duvidado de você. E a sua mãe, ela vai aceitar que eu voltei? A minha mãe vai ter que aceitar que quem decide sobre as minhas filhas sou eu. Como se tivesse sido convocada pela conversa, Helena aparece à porta nesse momento.

 Rodrigo, o que é que esta mulher está fazendo aqui? Cuidando das minhas filhas. Mas concordamos que ela não era adequada. Concordou, mãe? Eu estava a ser influenciado. Rodrigo, está a cometer um erro. O erro foi mandá-la embora. A Helena olha para Lívia zangada. Você manipulou-o de novo. Dona Helena, eu só cuido das bebés.

 Ficaram três dias chorando sem parar porque são mimadas, porque sentiam falta de quem realmente se importa com elas. A resposta de Lívia irrita ainda mais Helena. Rodrigo, ou ela sai ou eu saio. O Rodrigo olha para a mãe, depois para Lívia, com as filhas tranquilas no colo. Portanto, acho que a senhora vai ter de sair, mãe. Helena fica chocada.

 O quê? Não vou afastar novamente a única pessoa que consegue cuidar bem das minhas filhas. Rodrigo, perdeu completamente o juízo. Talvez, mas as minhas filhas estão felizes e saudáveis. Helena sai furiosa, prometendo que ainda vai provar que está certa. Nas semanas seguintes, a vida na mansão volta ao normal. Alice e Sofia recuperam o peso, voltam a dormir bem, brincam e desenvolvem-se normalmente.

Lívia continua a incentivar o relação destas com o pai e Rodrigo passa mais tempo envolvido nos cuidados. Lívia, diz ele numa noite. Posso fazer uma questão pessoal? Pode sobre o bebé que perdeu. Quer falar sobre o assunto? Lívia fica séria. Por quê? Para entender melhor você e para perceber porque cuida tão bem das minhas filhas.

 Lívia respira fundo. O meu filho chamava-se Gabriel. Morreu no útero aos 8 meses. Sinto muito. Foi há dois anos. No início, pensei que nunca ia conseguir cuidar de outras crianças, mas descobri que cuidar de bebés ajuda-me a lidar com a perda. Como assim? Cada bebé que salvo, cada sorriso que conquisto, é como se estivesse a honrar a memória do Gabriel.

As palavras de Lívia tocam profundamente. Rodrigo, e pretende ter outros filhos? Não sei se consigo engravidar de novo. Os médicos disseram que pode ser difícil. Por isso se agarra tanto às crianças que cuida, por isso e por realmente as amo. Rodrigo entende finalmente que o amor de Lívia pelas suas filhas não é doentio ou perigoso, é genuíno e curativo.

 Lívia, quero-te fazer uma proposta. Que proposta? Que tal se já não fosse apenas babá, mas fizesse parte da família? Como assim? Como tutora legal das raparigas, com direitos e responsabilidades iguais aos meus. Lívia fica sem palavras. Senr. Rodrigo, pode tratar-me só por Rodrigo. Rodrigo, isso é muito generoso, mas não posso aceitar.

 Por que não? Porque elas não são minhas filhas. Podem ser, se você quiser. Como? Casando comigo. O pedido sai da boca de Rodrigo ainda antes de ele perceber que ia falar. O que disse? Eu eu disse casa comigo, mas tu nem me conhece direito. Conheço o suficiente. Sei que ama as minhas filhas incondicionalmente. Sei que é uma pessoa boa, honesta, carinhosa, mas não me ama.

Rodrigo pensa um momento. Talvez ainda não, mas tenho a certeza de que posso aprender a amá-lo. E eu posso aprender a amar-te também. Podemos descobrir juntos. Lívia olha para Alice e Sofia a dormir tranquilas em seus berços. E se não resultar? E se der certo? Rodrigo, está a falar a sério? Completamente sério.

 Posso pensar um pouco? Claro, sem pressas. Três dias depois, Lívia dá a resposta. Aceito. Aceitas casar comigo? Aceito formar uma família consigo e com as meninas. Tem certeza? Tenho. Não posso imaginar a minha vida sem Alice e Sofia. E casar com és a única forma de garantir que vou estar sempre com elas. Então aceito. E quanto ao amor, o amor construímo-lo junto.

 Seis meses depois, numa cerimónia pequena e íntima, Rodrigo e Lívia se casam no Jardim da Mansão. Alice e Sofia, agora com 10 meses, participam no cerimónia como damas de honor, transportadas pelos padrinhos. A Helena não assiste ao casamento, mas manda um bilhete. Espero que sejam felizes, mas continuo a achar que é um erro. Três anos depois, Helena visita a mansão e encontra uma cena que nunca imaginou.

A Lívia está no jardim a brincar com a Alice e Sofia, agora com 3 anos e meio, e um bebé de 8 meses ao colo. Miguel, filho biológico de Rodrigo e Lívia. Vovó Helena. Alice corre para abraçar a avó. Olá, vovó. Sofia também se aproxima. Oi, meninas. Como estão? Estamos brincando em família com a mamã Lívia e Bebé Miguel.

 Helena repara que as meninas chamam à Lívia mamã naturalmente, sem conflito ou confusão. E o papá, onde está? O pai foi buscar gelado para a gente. Lívia aproxima-se com Miguel no colo. Boa tarde, Dona Helena. Boa tarde. Helena observa a cena. As crianças felizes, Lívia radiante e Miguel sorrindo no colo da mãe. Como estão as meninas? Ótimas. A Alice está a aprender piano.

A Sofia adora dançar balé e são obedientes. São crianças normais. Às vezes obedecem, outras não. Lívia R. Mas são felizes. Muito felizes. Helena olha para as netas que brincam juntas no jardim. São crianças seguras, carinhosas, bem ajustadas. Lívia, posso fazer-te uma pergunta? Claro. Como você conseguiu? Como conseguiu ser mãe de crianças que não carregou no ventre? Lívia sorri.

 O amor não precisa de barriga para crescer, dona Helena. O amor cresce no coração. E elas sabem que você não é a mãe biológica. Sabem que a mamã que as carregou na barriga foi para o céu, mas sabem que eu sou a mamã que cuida delas todos os dias. E não há confusão nenhuma. Elas entendem que podem ter mais do que uma mãe, a que as fez e a que as criou.

 Helena fica emocionada ao ver a sabedoria de Lívia. Eu estava enganada sobre ti. Estava com medo, dona Helena. É normal. Medo de quê? De que eu não fosse boa suficiente para as suas netas. E é, Lívia olha para Alice e Sofia a rir no jardim. Amo-as ​​mais que a própria vida. Se isso é ser suficientemente boa, então sou.

Helena percebe que o amor que Lívia demonstra pelas meninas é real, puro, genuíno. Lívia, perdoa-me por ter tentado afastá-la? Já perdoei há muito tempo. Por quê? Porque só queria proteger as raparigas. Eu entendo isso. Nessa tarde, Helena fica para jantar e observa a dinâmica da família. Rodrigo e Lívia trabalham em equipa.

 As crianças respeitam e amam os dois de igual forma. A harmonia e o amor genuíno. Rodrigo, ela conversa com o filho depois do jantar. É feliz? Muito feliz, mãe. E as meninas? Olha para elas. Já viu crianças mais felizes? Helena olha para Alice e Sofia a dormir tranquilas. Miguel no berço ao lado.

 Lívia a cantar uma canção de Ninar. Não, nunca vi. Então você percebe porque casei com ela? Entendo. E desculpa-me por ter duvidado. Você só queria proteger as suas netas. Eu compreendo. Mas acabei por quase destruir a felicidade delas. O importante é que reconheça isso agora. 5 anos depois, Alice e Sofia têm 8 anos, o Miguel com cinco.

 E há uma nova bebé na família, a Helena, de um ano. A mansão de Santa Cruz é agora um lar cheio de vida. Gargalhadas, correria de crianças. Lívia é oficialmente mãe de quatro crianças, duas que encontrou bebés e duas que carregou no ventre. A mamã Alice pergunta numa noite. Por que a nossa família é diferente? Diferente como, amor.

 A Sofia e eu temos uma mãe que foi para o céu e uma mãe que está aqui. O Miguel e a Helena só têm a si. Lívia senta-se na cama entre Alice e Sofia para a conversa da boa noite. Vocês acham que isso é mau? Não. Sofia responde. Acho que é sorte. Por quê? Porque temos duas mães a cuidar da gente, a mãe do céu e tu. E vocês sentem falta da mãe que foi para o céu? Às vezes, a Alice admite, mas você está aqui toda a noite para fazer festas e vou estar sempre. Promete? Prometo.

Vós sois as minhas filhas do coração e amor do coração nunca acaba. Rodrigo aparece à porta do quarto nesse momento. Posso participar na conversa? Claro, papá. As meninas respondem juntas. Queria agradecer-vos às duas. Agradecer porquê? Pergunta a Sofia. por terem escolhido a mamã Lívia para cuidar de vocês quando eram bebés.

 A gente escolheu, a Alice fica curiosa. Escolheram sim. Vocês só pararam de chorar quando ela chegou. Foi como se tivessem reconhecido que era a mãe que vocês procuravam. E era mesmo, declara Sofia. A mamã Lívia é a melhor mãe do mundo. Lívia sente lágrimas nos olhos. Vocês também são as melhores filhas do mundo.

 E o Miguel e a Helena, eles também. Todos vocês são os melhores filhos que uma mãe pode ter. Depois de colocar as crianças a dormir, Rodrigo e Lívia ficam na varanda observando o jardim onde tudo começou. “Arrepende-se de alguma coisa?”, pergunta o Rodrigo. “De nada. E tu?” Só de ter demorado tanto tempo a perceber que eras exatamente o que a nossa família precisava.

 As meninas é que me salvaram, Rodrigo, e não o contrário. Como assim? Depois de perder o Gabriel, achei que nunca mais ia ter propósito na vida. A Alice e a Sofia deram-me um motivo para viver de novo. E agora? Agora tenho quatro razões para viver. E um marido maravilhoso que me ensinou que é possível construir uma família baseada no amor, e não apenas no sangue.

 Amo-te, Lívia. Também te amo, Rodrigo. Eles ficam abraçados na varanda, observando as estrelas e ouvindo o silêncio tranquilo da casa. Um silêncio muito diferente daquele que Rodrigo conhecia antes de Lívia chegar. Um silêncio de paz, não de vazio. Um silêncio de família completa. E lá dentro, quatro as crianças dormem tranquilas, sabendo que são amadas por pais que escolheram formar uma família baseada no que realmente importa. Amor incondicional.

A pobre ama, que guardava o segredo do verdadeiro amor maternal, transformou-se na mãe rica em amor que sempre sonhou em ser. E as bebés gémeas do milionário viúvo encontraram não só uma cuidadora, mas uma mãe que as amasse para sempre. Porque às vezes a família que escolhemos é mais forte do que a família que recebemos e o amor que decidimos dar vale mais do que qualquer riqueza do mundo.

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