A noiva estava fugindo, até que o milionário disse apenas uma palavra: “Entre”

A jovem estava fugindo do casamento até que o milionário disse: “Entra Marina descobriu que era a outra mulher 20 minutos antes de se tornar esposa. Marina Alves corria pela Avenida dos Aliados com o vestido de noiva rasgando na barra. Seus pés descalços batiam no asfalto quente do porto enquanto as pessoas paravam para olhar.
O sol do final da tarde de sábado queimava sua pele, mas ela não sentia nada além da dor no peito. Há 20 minutos estava no quarto da noiva na igreja do Carmo, arrumando o véu. Então ouviu a voz do noivo Tiago do outro lado da porta. Amor, você está lindíssima”, dizia ele ao telefone. “Não, ela não sabe de nada. Depois do casamento, a gente se vê no hotel, como sempre.
” Marina sentiu que o mundo desabava, abriu a porta devagar e viu Thago rindo ao telefone de costas para ela. Ele se virou e ficou pálido. “Marina, deixa eu te explicar.” Ela não esperou, pegou a bolsa, desceu pelas escadas laterais da igreja e saiu correndo pela rua. Agora estava ali sem rumo, com o vestido pesado e os olhos ardendo de lágrimas.
As pessoas gritavam coisas, tiravam fotos, mas ela só queria desaparecer. Foi quando um carro preto parou ao lado dela, o vidro desceu e um homem de terno olhou para ela com expressão séria. “Entra”, disse Rafael Mendes. Marina parou ofegante. “O quê? Você está fugindo de alguma coisa? E essa gente está tirando fotos que vão parar nas redes em minutos.
Entra, eu te tiro daqui. Ela olhou ao redor. Mais gente se aproximava com celulares na mão. Sem pensar muito, abriu a porta e entrou no carro. O ar- condicionado frio bateu no rosto suado. Rafael acelerou antes que ela fechasse bem a porta. “Para onde?”, perguntou com os olhos fixos na rua. Não sei”, respondeu Marina com a voz quebrada, “Só longe daqui.
” Seguiram em silêncio pela cidade. Marina olhava pela janela, tentando processar o que tinha acontecido. Rafael não fazia perguntas. Depois de alguns minutos, entrou em uma rua tranquila e parou em frente a um café antigo chamado A Pérola do Porto. “Vamos tomar um café”, disse ele. “Você precisa se acalmar”.
Marina olhou para o próprio vestido. Assim, Rafael tirou o palitó e deu para ela. Coloca por cima, ninguém vai reparar tanto. Ela colocou o palitó grande e desceu do carro. As pernas tremiam. Dentro do café, Rafael pediu dois expressos e sentou na mesa do fundo, longe das janelas. Marina tomou o café quente devagar, sentindo o corpo relaxar um pouco. “Obrigada”, disse baixinho.
“Você não precisava parar.” “Eu sei o que é querer desaparecer”, respondeu Rafael. “Tive vi correndo e pensei que talvez você precisasse de ajuda.” Marina olhou para ele pela primeira vez com atenção. Era um homem bonito, de cabelo escuro e olhos castanhos profundos. Teria uns 38 anos, talvez. usava um relógio caro e dirigia um carro que ela nunca poderia comprar.
“Por que você estava passando por aqui?”, perguntou. “Voltando de uma reunião de negócios, trabalho com exportação de vinho do Porto, passo por essa avenida todos os dias.” Marina acenou com a cabeça e ficou calada. Rafael não perguntou nada sobre o casamento, sobre por estava correndo, e ela agradeceu por isso. Depois de 40 minutos, ele olhou para o relógio. Preciso ir.
Te levo em algum lugar, casa de alguma amiga? Marina pensou. Não queria ver ninguém ainda. Não pode me levar para um hotel qualquer. Tenho dinheiro na bolsa. Rafael balançou a cabeça. Não se preocupa com isso agora. pegou o celular e fez uma ligação rápida. Tenho um apartamento vazio perto daqui. Era do meu irmão, mas ele se mudou.
Você pode ficar lá hoje até decidir o que fazer. Marina hesitou. Não te conheço. Eu sei, mas você precisa de um lugar seguro e eu não vou estar lá. Te dou a chave, o endereço e você fica à vontade, sem compromisso. Ela olhou nos olhos dele e viu sinceridade. Não tinha muitas opções naquele momento. Está bem, disse. Obrigada mesmo.
Rafael pagou os cafés e a levou até um prédio moderno na baixa do porto. Subiu com ela até o apartamento no sétimo andar, abriu a porta e deu a chave. Tem comida na geladeira, toalhas limpas no armário, fica o tempo que precisar. Marina entrou devagar. O apartamento era simples, mas aconchegante. Tinha uma sala com sofá bege, cozinha americana e uma janela grande com vista para as árvores da rua.
Rafael, ela começou. Você não precisa agradecer. Todo mundo precisa de ajuda às vezes. Ele escreveu um número em um papel. meu telefone, se precisar de algo, me liga. Saiu e fechou a porta. Marina ficou parada no meio da sala, ainda com o vestido de noiva rasgado e o palitó dele. Depois se deixou cair no sofá e chorou até não sobrar mais lágrimas.
Naquela noite, deitada na cama do apartamento estranho, Marina olhou para o celular. Tinha 62 mensagens de Thago, da mãe, das amigas. desligou o aparelho e fechou os olhos. Não sabia o que ia fazer amanhã, mas hoje pelo menos estava segura e por algum motivo que nãoconseguia explicar. A gentileza daquele homem desconhecido tinha plantado uma pequena semente de esperança no meio de toda aquela dor.
Marina acordou com o sol entrando pela janela por alguns segundos. Não lembrou onde estava. Depois tudo voltou. A igreja, Tiago ao telefone, a corrida pela avenida, o carro preto, sentou na cama e olhou ao redor. O apartamento estava em silêncio. Levantou e foi para a cozinha. Na geladeira encontrou ovos, queijo, pão e suco de laranja.
preparou um café da manhã simples e comeu devagar, ainda processando tudo. O celular continuava desligado sobre a mesa, não tinha coragem de ligar ainda. Depois do café, tomou um banho demorado e vestiu uma calça jeans e uma camisa simples que encontrou no closet. Era roupa de homem, mas serviu. O vestido de noiva estava jogado no chão da sala.
Dobrou com cuidado e guardou no closet, sem saber bem porquê. Era meiodia e meia quando bateram na porta. Marina se assustou, olhou pelo olho mágico e viu Rafael parado no corredor carregando duas sacolas de papel. Abriu a porta devagar. “Oi! Oi”, disse ele com meio sorriso. Trouxe comida. Pensei que talvez você não quisesse sair.
Marina deu espaço para ele entrar. Rafael colocou as sacolas na mesa da cozinha. tinha pastéis de nata, pão, frutas e mais café. “Você não precisava fazer isso”, disse Marina. “Eu sei, mas quis trazer.” Sentou no sofá. “Como você está?” Marina sentou na poltrona em frente, confusa, com raiva, envergonhada. Envergonhada? Por quê? Porque não percebi.
Me comprometi com um homem que estava me traindo e não vi nada. E todo mundo na igreja deve estar rindo de mim agora. Rafael balançou a cabeça. Se alguém deve sentir vergonha, é ele, não você. Marina olhou para as próprias mãos. Planejei esse casamento durante 10 meses. Escolhi cada detalhe. No final era tudo mentira.
Rafael ficou em silêncio por um momento depois disse: “Há 4 anos descobri que minha sócia estava desviando dinheiro da empresa. Era minha melhor amiga desde a faculdade. Confiei nela completamente. Quando descobri, me senti um idiota. Mas com o tempo entendi que confiar em alguém não te faz idiota, te faz humano.
Quem quebra essa confiança é que tem o problema.” Marina olhou para ele. E o que você fez? Terminei a sociedade, processei ela e reconstruí a empresa sozinho. Foi difícil, mas hoje está melhor do que nunca. Não teve medo de confiar de novo? Tenho, às vezes ainda tenho, mas não posso viver com medo para sempre, senão ela ganhou, sabe? Marina acenou devagar.
Ficaram conversando por mais de uma hora e meia. Rafael contou sobre o trabalho, sobre como a empresa de vinho tinha começado pequena e crescido com os anos. Marina contou que trabalhava como professora de inglês em uma escola particular e que tinha conhecido Thago em um curso de fotografia há 3 anos. Parecia tão perfeito”, disse, gentil, atencioso, sempre me ligava.
Nunca desconfiei de nada porque você não tinha motivo para desconfiar, respondeu Rafael. Isso não é culpa sua. Quando Rafael foi embora, Marina se sentiu um pouco melhor, ligou o celular e viu que as mensagens tinham subido para 117. Respirou fundo e abriu as da mãe. Marina, onde você está? Estou preocupada. Me liga, por favor. Ligou.
A mãe atendeu no primeiro toque. Marina, graças a Deus. Onde você está? Estou bem, mãe. Estou em um lugar seguro. Thago está desesperado. Diz que foi um mal entendido que você ouviu errado. Não ouvi errado, mãe. Ele estava me traindo e não vou voltar. Houve um silêncio do outro lado. Depois a mãe suspirou.
Está bem, filha. Onde você está? Vou te buscar. Ainda não. Preciso de um tempo sozinha, mas prometo que estou bem. Depois de convencer a mãe, Marina desligou, bloqueou o número de Thago e apagou as mensagens sem ler. Passou o resto do dia limpando o apartamento e vendo televisão sem prestar atenção. À noite, Rafael apareceu de novo, dessa vez com jantar, bacalhau assado, arroz e feijão de um restaurante local.
“Você não precisa continuar fazendo isso”, disse Marina. Mas estava sorrindo. Eu sei, mas também não tenho nada melhor para fazer hoje. Jantaram juntos na mesinha da cozinha. A conversa fluiu naturalmente. Rafael perguntou sobre a vida dela, sobre os alunos, sobre os sonhos que tinha. Marina percebeu que fazia tempo que alguém a ouvia de verdade daquele jeito.
E você? Perguntou. Tem alguém? Rafael fez uma pausa. Não, neste momento. Tive um relacionamento sério há três anos, mas terminamos. Ela queria casar, ter filhos logo. Eu ainda estava focado em salvar a empresa depois do problema com a sócia. Não deu certo. Se arrependeu às vezes, mas acho que não éramos um para o outro.
Se fôssemos, teríamos encontrado um jeito. Marina gostou da honestidade dele. Não tinha jogos. Não tinha máscaras, só sinceridade. Quando Rafael foi embora naquela noite, Marina notou algo estranho. Pela primeira vez em 30 horas, não tinha pensado em Thago pormais de 15 minutos seguidos, e aquilo parecia o começo de algo que ainda não sabia nomear.
Marina ficou no apartamento quatro dias. Rafael aparecia sempre no final da tarde, às vezes com comida, às vezes só para conversar. Nunca falavam sobre o que estava acontecendo entre eles, mas Marina sentia que algo estava mudando. Na manhã do quinto dia, sabia que precisava tomar uma decisão. Estava sentada no sofá quando Rafael chegou mais cedo que o costume. Parecia preocupado.
Aconteceu alguma coisa? Perguntou Marina. Não exatamente, mas preciso te contar uma coisa. Rafael sentou ao lado dela. Meu irmão, volta a semana que vem. vai precisar do apartamento. Marina sentiu o estômago apertar. Entendo. Mas não é por isso que vim, continuou Rafael. Quero te fazer uma proposta. Que tipo de proposta? Rafael respirou fundo.
Trabalho com exportação e amanhã viajo para o Vale do Douro. Tenho reuniões com produtores de vinho por uma semana e meia. Queria saber se você quer ir comigo. Marina piscou surpresa. Ir com você para o Douro. Sei que parece estranho, mas pensei que talvez você precise sair daqui um tempo, ver outros lugares, respirar outros ares, sem pressão, sem compromisso, só um descanso do que aconteceu.
Marina ficou em silêncio. A ideia era maluca. mal conhecia aquele homem, mas ao mesmo tempo, nos últimos dias, ele tinha sido mais gentil com ela do que Tiago em três anos juntos. “Por que está fazendo isso?”, perguntou. Rafael olhou para ela sério. Porque quando te vi correndo naquela rua, lembrei de mim mesmo há 4 anos, perdido, com raiva, sem saber em quem confiar.
Alguém me ajudou naquela época. Uma tia que me deixou ficar na casa dela dois meses sem fazer perguntas. Isso me salvou. Agora posso fazer o mesmo por outra pessoa. Marina sentiu os olhos marejarem. E se eu aceitar, onde vou ficar? Reservei quartos separados no hotel. Você tem seu espaço, eu tenho o meu. Durante o dia, você pode passear pela região, conhecer as vinhas, relaxar.
À noite, se quiser, jantamos juntos. Simples assim. Marina pensou por um bom tempo, depois disse: “Está bem, vou.” Rafael sorriu. Era a primeira vez que ela via um sorriso completo no rosto dele. Ótimo. Saímos às 7 da manhã. Naquela noite, Marina ligou para a mãe e explicou que ia viajar por uma semana e meia.
A mãe não gostou muito da ideia, mas Marina prometeu mandar mensagens todos os dias. A viagem de carro até o Vale do Douro levou 2 horas30. Conversaram sobre música, sobre livros, sobre viagens que cada um tinha feito. Rafael contou histórias engraçadas de reuniões de negócios que deram errado. Marina falou de alunos divertidos que teve ao longo dos anos.
Quando chegaram ao Douro, o sol estava alto. A região era linda, cheia de vinhedos em terraços e o rio serpenteando entre as colinas. O hotel ficava em uma quinta antiga reformada. com um jardim cheio de flores. Rafael tinha falado a verdade. Os quartos eram separados, cada um em um andar diferente.
Marina subiu para o dela e se jogou na cama, cansada, mas aliviada. Pela primeira vez em dias, sentiu que podia respirar. Naquela tarde, Rafael tinha reunião. Então, Marina saiu para explorar sozinha. Caminhou pelas vinhas, visitou uma capela pequena no alto de uma colina e passou horas olhando o rio. Comeu em um restaurante local e experimentou a francesinha, um prato típico do porto.
As pessoas eram simpáticas, o sol batia forte e Marina começou a sentir algo parecido com paz. À noite, Rafael a encontrou no lobby do hotel. Como foi o dia? Maravilhoso, respondeu Marina. Essa região é incrível. Jantaram em um restaurante pequeno perto do rio. Rafael pediu polvo a Lagareiro e Marina experimentou alheira, uma linguiça típica portuguesa.
Primeiro fez cara de estranheza, mas depois riu e admitiu que estava deliciosa. “Você está diferente”, disse Rafael enquanto tomava um vinho verde. “Como assim? Mais leve. Sorri mais.” Marina percebeu que ele tinha razão. Acho que é porque aqui ninguém sabe o que aconteceu. Não sou a noiva que fugiu da igreja. Sou só Marina.
Rafael levantou a taça. Então um brinde a Marina que continue descobrindo quem é. Brindaram e Marina sentiu algo quente no peito. Não era paixão ainda, mas era algo bom. era possibilidade. Nos dias seguintes, Rafael trabalhava de dia e Marina explorava a região. Visitou quintas de vinho, conheceu cooperativas de artesãos em peso da régua e passou uma tarde inteira em uma biblioteca antiga lendo sobre a história do Douro.
Todas as noites jantavam juntos e todas as noites a conversa ficava mais profunda. Rafael contou sobre o pai que tinha morrido quando ele tinha 30 anos. Deixando a empresa quase falida. Marina falou do irmão que tinha ido para o Brasil e fazia falta todos os dias. Na sexta noite, depois do jantar, caminharam pelas ruas silenciosas até o hotel.
Marina parou em frente ao prédio e olhou para Rafael. “Obrigada”, disse “por tudo. Você não tinha obrigação defazer nada disso.” Rafael pegou na mão dela levemente. “Eu sei, mas quis.” Marina sentiu o coração acelerar, mas Rafael soltou a mão dela e deu um passo para trás. Boa noite, Marina. Ela subiu para o quarto confusa.
Sentia que tinha algo ali entre eles, mas Rafael mantinha a distância e talvez fosse melhor assim. Acabava de sair de um relacionamento desastroso. Não podia se jogar em outro só porque estava vulnerável. Mas quando se deitou naquela noite, Marina percebeu algo assustador e maravilhoso ao mesmo tempo.
Estava começando a sentir algo por Rafael Mendes e não sabia o que fazer com isso. No sétimo dia no Douro, Marina acordou decidida a esclarecer o que sentia. Rafael tinha uma última reunião de manhã, então ela passou o tempo lendo no jardim do hotel. Quando ele voltou, no começo da tarde, ela estava ali sentada em um banco sob uma árvore florida.
“Posso sentar?”, perguntou Rafael. “Claro.” Ele sentou ao lado dela, mas manteve uma distância respeitosa. Marina notou e decidiu ir direto ao ponto. “Rafael, preciso te perguntar uma coisa.” “Pergunta? Por que você mantém distância de mim?” Rafael olhou para ela surpreso. “Como assim? Você me ajudou, me trouxe até aqui. Jantamos todas as noites, conversamos por horas, mas toda vez que parece que vai acontecer alguma coisa entre a gente, você se afasta.
Por quê? Rafael suspirou e olhou as flores acima deles. Porque você acabou de sair de um relacionamento ruim? Porque está vulnerável. E eu não quero ser o cara que se aproveitou disso. Marina sentiu o peito apertar com a honestidade dele. E se eu te disser que não é isso? Como pode ter certeza? Faz menos de uma semana.
Eu sei, mas também sei o que sinto. E não é gratidão, Rafael, é outra coisa. Rafael se virou para ela, os olhos sérios. Marina, eu também sinto algo desde o terceiro dia, mas não quero que depois você se arrependa. Não quero que daqui a dois meses você olhe para trás e pense que tomou uma decisão errada porque estava machucada. Marina pegou na mão dele.
Dessa vez foi ela quem tomou a iniciativa. E se eu te disser que vou me dar um tempo, que não estou te pedindo para começarmos um relacionamento amanhã. Só estou dizendo que gostaria de continuar te vendo, te conhecendo melhor, sem pressa. Rafael olhou para a mão dela, segurando a dele. Depois sorriu. Isso eu posso fazer. Ficaram sentados ali por mais uma hora e meia conversando sobre o que cada um queria.
Rafael disse que adoraria que Marina o visitasse no porto de vez em quando. Marina disse que precisava voltar ao trabalho na segunda, mas que os fins de semana estaria livre. Combinaram ir devagar, construir algo sólido. Naquela noite, jantaram no terraço do hotel. A comida era simples, queijos portugueses, presunto e pão caseiro.
Mas a conversa foi a melhor que tinham tido. Ram, contaram histórias antigas, fizeram planos para o futuro. Depois do jantar, Rafael acompanhou Marina até a porta do quarto dela. Ficaram parados por um momento sem saber o que fazer. “Posso te beijar?”, perguntou Rafael baixinho. Marina sorriu. Pode. O beijo foi suave, gentil, cheio de promessa.
Quando se separaram, Marina tinha os olhos brilhando. Boa noite, Marina. Boa noite, Rafael. No dia seguinte, voltaram para o porto. A viagem foi tranquila, cheia de conversas e risadas. Quando chegaram à cidade, Rafael a levou até a casa da mãe. A senhora abriu a porta e abraçou Marina Forte. Minha filha, que saudade. Marina apresentou Rafael para a mãe.
Ele me ajudou quando mais precisei. A mãe olhou para ele com gratidão. Obrigada por cuidar da minha filha. Rafael sorriu. Foi um prazer. Nos dias seguintes, Marina voltou à rotina de professora. Os alunos perguntaram sobre o casamento e ela simplesmente disse que não aconteceu. Alguns ficaram curiosos, mas ela não deu detalhes.
Aos poucos, o assunto esfriou. Rafael ligava todas as noites. Conversavam por horas sobre tudo e nada. Nos fins de semana, ele passava para buscá-la e saíam para jantar, para o cinema, para caminhar pelo parque da cidade. Tudo era simples, mas era real. Dois meses depois, Marina estava na casa da mãe quando recebeu uma mensagem de Thago. Marina, preciso falar com você.
Por favor, me dá uma chance de explicar. Ela olhou para a mensagem por um bom tempo, depois respondeu: “Não há nada para explicar, Thago. Eu segui em frente. Você devia fazer o mesmo. Bloqueou ele de novo e se sentiu livre pela primeira vez desde o dia da igreja. Naquela noite, quando Rafael passou para buscá-la para jantar, ela contou sobre a mensagem de Thago.
“E como você se sentiu?”, perguntou ele. “Nada, não senti nada. E isso está bem?” Rafael sorriu e pegou na mão dela. Tenho orgulho de você. Marina encostou a cabeça no ombro dele enquanto dirigiam pela cidade iluminada. Não sabia o que o futuro traria, mas pela primeira vez em muito tempo não tinha medo de descobrir. Quatro meses depois da fuga da igreja, Marina estava em um lugar que nuncaimaginou, feliz.
Rafael tinha se tornado parte fundamental da vida dela. Viam-se sempre que podiam, e o relacionamento entre os dois crescia a cada dia, sólido e verdadeiro. Não havia pressa, não havia pressões, só estavam eles dois se conhecendo. Em uma tarde de sexta-feira, Rafael ligou para Marina com uma novidade. “Tenho uma surpresa para você”, disse com a voz animada.
“Que tipo de surpresa? É segredo, mas preciso que você esteja livre amanhã o dia todo. Marina riu. Está bem, estou livre. No sábado de manhã, Rafael passou para buscá-la cedo. Ela entrou no carro curiosa. Para onde vamos? Já vai ver. Dirigiram por quase 3 horas até chegarem a uma vila pequena chamada Lamego, famosa pelos vinhos.
Rafael parou em frente a uma adega antiga com paredes de pedra e uma placa de madeira que dizia adega Mendes. Marina olhou para ele surpresa. Essa é a sua empresa? Era do meu pai, agora é minha, respondeu Rafael. Quero te mostrar. Entraram e Rafael a guiou pelos diferentes espaços, as áreas de fermentação, os barris de envelhecimento, a sala de engarrafamento.
Explicava cada passo com paixão e Marina via o orgulho nos olhos dele. No final do passeio, chegaram a um escritório pequeno com uma mesa de madeira e fotos antigas nas paredes. Rafael apontou para uma foto de um homem sorridente segurando uma garrafa de vinho. Esse era o meu pai. Ele começou tudo isso com as próprias mãos. Marina olhou para a foto com carinho.
Você é parecido com ele? Dizem que sim. Morreu há 12 anos, mas ainda sinto falta dele todos os dias. Quando descobri que a minha sócia estava roubando, pensei em desistir. Achei que não era forte o suficiente para manter isso sozinho, mas depois lembrei dele, de tudo o que construiu e decidi que não ia deixar que tudo se perdesse.
Marina pegou na mão dele. Ele teria orgulho de você. Rafael sorriu. Obrigado por dizer isso. Almoçaram em um restaurante da vila e depois voltaram para o porto. No caminho, Rafael ficou quieto, pensativo. Marina notou: “No que você está pensando?”, perguntou. “Em como a vida é estranha. Se você não tivesse fugido da igreja, se eu não tivesse passado por aquela rua, nunca teríamos nos conhecido.” Marina acenou.
Eu também penso nisso. E sabe o que é mais estranho? Não me arrependo. Devia estar triste pelo que aconteceu com o Thago. Mas não estou. Estou grata. Grata? Porque isso me trouxe até você? Rafael olhou para ela com ternura. Marina, há uma coisa que preciso te perguntar. O quê? parou o carro em um mirante com vista para a cidade, virou-se para ela e disse: “Sei que ainda é cedo, sei que você precisa de tempo, mas quero que saiba que estou aqui.
De verdade, não vou a lugar nenhum.” Marina sentiu os olhos encherem de lágrimas. Eu também estou aqui, Rafael, e já não tenho medo. Beijaram-se ali, com a cidade se estendendo aos pés deles, cheia de luzes e possibilidades. Nos meses seguintes, o relacionamento dos dois se aprofundou ainda mais.
Marina conheceu os amigos de Rafael. Ele conheceu os colegas de trabalho dela. Passaram o Natal juntos. Celebraram o aniversário dela com uma viagem à praia do Algarve. Tudo era leve, era natural. Em uma noite de junho, quase meses depois do dia da igreja, estavam jantando no apartamento de Rafael. Marina tinha ajudado a cozinhar e a mesa estava cheia de pratos deliciosos.
Depois do jantar, Rafael a puxou para o sofá. “Lembra quando nos conhecemos?”, perguntou. “Como vou esquecer? Estava correndo pela rua de vestido de noiva.” Rafael riu. E eu te disse para entrar no carro. A decisão mais louca que tomei. Mas olha até onde chegamos. Marina sorriu e encostou a cabeça no ombro dele. Chegamos longe. Rafael ficou em silêncio por um momento.
Depois disse: “Marina, eu te amo”. Ela levantou a cabeça e olhou para ele. Era a primeira vez que ele dizia. Os olhos dele estavam sérios, sinceros. Eu também te amo”, respondeu com voz firme. Beijaram-se e Marina sentiu que tinha encontrado o que procurava. Não era perfeito, não era um conto de fadas. Era real, era construído, era escolhido todos os dias.
Naquela noite, antes de dormir, Marina pensou em tudo o que tinha acontecido. O casamento que não aconteceu, a corrida pela rua, o carro preto, o apartamento, o jantares, as conversas. Cada passo tinha sido necessário para chegar ali e percebeu algo importante. Às vezes as coisas não saem como a gente planeja, mas isso não significa que saíram errado.
Às vezes, o universo tem planos melhores do que a gente poderia imaginar. M.















