A Mãe do Milionário não Lembrava Mais de Nada — até que a Faxineira Pobre fez algo que mudou tudo


Rosa Oliveira fez uma pausa por momentos, observando a imponente mansão do Zanato, erguer-se diante dela como uma montanha de mármore e vidro. 45 anos de vida, dois filhos criados sozinha depois de o marido abandonou-a e agora ali estava ela, prestes a entrar num mundo que só conhecia pelos programas de televisão.
No bolso do uniforme azul desbotado, os dedos calejados tocaram no papel amassado, uma receita médica que guardava há do anos desde que perdeu a mãe. Donepesila, 5 mg. Estava escrito na letra médica. O último medicamento que não conseguiu comprar a tempo, o último suspiro de esperança antes de ver a dona Rosa definhar no leito do hospital público sem reconhecer a própria filha.
“Vai correr tudo bem”, sussurrou para si mesma, como fazia todas as manhãs desde que decidiu recomeçar a vida. O anúncio na internet era simples: “Precisa-se de empregada de limpeza para mansão em Alphaville. Experiência com idosos será diferencial.” Ela mentiu na entrevista por telefone, disse que tinha experiência profissional, mas não mentiu sobre o amor que sentia por pessoas da terceira idade depois de cuidar da própria mãe até ao fim.
Agora, subindo os degraus de mármore que conduziam à entrada dos fundos, Rosa carregava mais do que materiais de limpeza na mala. carregava a esperança de que aquele trabalho fosse diferente dos outros, que naquela casa ela encontrasse não só um emprego, mas talvez um propósito para a dor que carregava ao peito desde que viu a sua mãe partir sem conseguir dizer adeus.
É o seu primeiro dia como empregada de limpeza na casa de Diogo Zanato, um dos homens mais ricos do Brasil. Proprietário de uma rede de hospitais, construiu um império médico que vale biliões. Mas todo este dinheiro não consegue comprar o que ele mais precisa, a cura para a doença da sua mãe. Você é a nova empregada de limpeza? Uma voz fria interrompe os pensamentos de Rosa.
É a dona Neusa Pereira, a governanta da casa há 20 anos, uma mulher de 50 anos com uma postura militar e olhar severo. Sim, senhora. Sou a Rosa Oliveira. Espero que tenha lido as regras. Nesta casa não se tolera desleixo. Rosa confirma com a cabeça, lembrando a extensa lista de regras que recebeu. Não falar com a patroa sobre assuntos pessoais, não mexer em objetos pessoais, não fazer barulho nos corredores.
Manter sempre descrição absoluta. A senora Azira está no quarto dela. É proibido incomodá-la. Ela tem problemas de saúde. A Rosa sabe do que se trata. Alzheimer em fase avançada, leu sobre a doença quando a contrataram. Pode começar pela sala principal e lembre-se, silêncio absoluto. Posa começa a trabalhar, mas não consegue tirar da mente a cruel coincidência da vida.
Há dois anos, perdeu a mãe pela mesma doença que agora aflige a mãe do seu novo patrão. A Dona Rosa Oliveira, uma mulher simples que trabalhou a vida inteira como costureira, morreu sem reconhecer a própria filha nos últimos meses. Durante a limpeza da sala, Rosa ouve um barulho vindo do segundo andar, uma voz idosa gritando desesperada: “Onde estão vocês? Porque me abandonaram?” A Dona Neusa aparece rapidamente, ignore os gritos.
A senora Azira fica confusa, por vezes. Mas Rosa conhece bem esses gritos. São os mesmos que a sua mãe dava nos momentos de maior confusão. Gritos de medo, de abandono, de uma mente que se perdeu no tempo. Alguém cuida dela durante estes episódios? A enfermeira particular. Mas hoje é folga dela.
E como é que ela fica? A Dona Neusa olha para Rosa com impaciência. Isto não é da a sua conta. Continue o trabalho. Mas Rosa não consegue concentrar-se. Os gritos de Azira ecoam pela casa como um pedido desesperado de socorro. É como se fosse sua própria mãe a gritar. No meio da manhã, o Diogo chega a casa. É um homem de 40 anos, alto, cabelo grisalho, fato impecável, mas com uma expressão cansada que todo o sucesso profissional não consegue disfarçar.
“Como ela está hoje?”, pergunta à dona Neusa agitada. Está a gritar desde cedo. Diogo suspira. A enfermeira chegou apenas à tarde. E até lá. Ela fica no quarto, é mais seguro. Rosa observa a conversa escondida. Vê a dor no rosto de Diogo. É a mesma dor que sentiu ao ver a mãe deteriorar-se dia após dia. Diogo sobe para ver a mãe.
Rosa ouve quando ele entra no quarto. Olá, mãe. Sou eu, o Diogo, seu filho. Filho? Eu não tenho um filho. Quem é você? Sai do meu quarto. Mãe, por favor, sou eu. Mentiroso. O meu filho é pequeno, tem 7 anos. Você é um estranho. Rosa sente uma pontada no peito. Azira está a reviver memórias antigas quando O Diogo era criança. Não me toca. Ajuda.
Há um estranho no meu quarto. Diogo desce as escadas derrotado. A sua própria mãe já não o reconhece. Senr. Diogo. A Dona Neusa aproxima-se. O senhor quer que eu chame o Dr. Henrique para aumentar os sedativos? Não. Ela já toma remédio a mais. Mas assim ela não descansa e eu não quero que ela se torne um vegetal.
Diogo sai de casa rapidamente, como se ficar ali fosse insuportável. Durante a tarde, a Rosa trabalha no primeiro andar quando se ouviu um estrondo vindo do segundo. Alguma coisa caiu. A Dona Neusa estava no mercado. Não tinha ninguém na casa para além de Rosa e Azira. Contrariando as ordens, Rosa sobe para verificar.
encontra a porta do quarto de Alzira entreaberta. “Socorro! Ajuda!” A voz idosa grita lá dentro. Rosa empurra a porta e vê um cena que a faz correr. Azira, uma senhora de 75 anos, magra e frágil, está caída no chão junto a uma estante tombada. Ela tentou apanhar alguma coisa na prateleira alta e deitou tudo abaixo. Meu Deus! Rosa corre para ajudá-la.
Não chegue perto de mim. Quem é você? Meu nome é Rosa. Vim ajudar a senhora. Ajudar? Toda a gente quer me fazer mal. Rosa ajoelha-se devagar. Ninguém vai fazer mal à senhora. A senhora está machucada? Azira olha para Rosa com desconfiança, mas algo na voz dela a tranquiliza um pouco. A minha perna dói. Rosa examina cuidadosamente.
Não parece haver fratura, apenas um hematoma. Vou ajudar a senhora a levantar-se. Está bem. Você parece-se com alguém que eu conhecia. Com quem? Não me lembro. Não me lembro de nada mais. Rosa sente o coração apertar. É exatamente o que a sua mãe dizia nos últimos meses de vida. Com cuidado, ela ajuda a Zira a levantar-se e a sentar-se na cama. Obrigada. Azira sussurra. De nada.
A senhora quer um copo de água? Quero vai buscar água e quando regressa encontra Azira a olhar para uma foto antiga na mesinha de cabeceira. Este menino, conheço-o ele? É uma foto do Diogo criança sorrindo ao lado da jovem mãe. É o seu filho, a dona Azira. O meu filho? Os olhos dela se enchem de lágrimas.
Onde ele está? Porque não me vem ver? Ele vem sim. Esteve aqui esta manhã. Mentira. Ninguém me vem ver. Todo o mundo me abandonou. Rosa senta-se ao lado de Azira na cama. Dona Azira, o seu filho ama-a muito. Ele vem todos os dias. Como você sabe? Porque vejo a dor nos olhos dele. É a dor de quem ama alguém que está a sofrer.
Azira olha para Rosa com atenção. Tem filhos? Tenho dois filhos já crescidos. E a sua mãe, Rosa hesita. A minha mãe morreu há dois anos. De quê? Da mesma coisa que a senhora tem. Azira fica em silêncio durante um momento. Então compreende? Entendo. Sim. É terrível não me lembrar das coisas. É como se eu estivesse a desaparecer aos poucos. Rosa sente os olhos marejarem.
Dona Azira, a senhora não está a desaparecer, está só confusa. Mas eu Não me lembro do meu filho adulto, só lembro-me dele pequeno. Então vamos exercitar essa memória. Quer que eu conte como ele é agora? Azira faz que sim com a cabeça, como uma criança curiosa. É um homem alto, bonito, médico como o seu pai.
O meu marido era médico. Era sim. e o seu filho seguiu os passos dele. Ele é casado? Não sei, mas sei que ele te ama muito. Azira sorri timidamente. Você é gentil. Como é o seu nome mesmo? Rosa. Rosa. Nome bonito. Nesse momento, a dona Neusa regressa do mercado e encontra Rosa no quarto de Azira.
O que está aqui a fazer? Eu não o mandei ficar longe da senorazira? Ela caiu. Estava magoada. Caiu como? Rosa explica sobre a estante tombada e o hematoma na perna. Devia ter me ligado não subir aqui. A senhora não estava em casa, por isso deveria ter ligado pro senor Diogo. A Dona Azira precisava de ajuda imediata. Azira observa a discussão em silêncio, agarrada ao braço da Rosa. Não grites com a Rosa.
Ela me ajudou. Dona Neusa fica surpreendida. Azira raramente defende alguém. Está bem, dona Azira, mas a Rosa precisa de voltar ao trabalho. Ela pode ficar mais um pouquinho? Não pode. Ela tem serviço. Rosa levanta-se. Eu volto depois para ver como a senhora está. Promete? Prometo.
À noite, quando o Diogo regressa do trabalho, a dona Neusa conta sobre o acidente. Azira caiu. Caiu, mas a empregada de limpeza nova ajudou-a. Que fachineira? a Rosa. Ela desobedeceu às ordens e subiu para socorrer a sua mãe. Diogo fica pensativo. E como é que a minha mãe reagiu? Estranhamente bem.
Até defendeu a empregada de limpeza quando eu Fui repreendê-la. A minha mãe defendeu alguém? Defendeu e pediu à rapariga voltar depois. Diogo fica surpreendido. Há meses que Azira não demonstra afeto por ninguém. Onde está essa fachineira agora? Terminou o expediente e foi embora. Como é que ela se chama mesmo? Rosa. Rosa Oliveira.
No dia seguinte, Diogo decide chegar mais cedo a casa para conhecer pessoalmente a Rosa. Ele a encontra a aspirar o tapete da sala com cuidado para não fazer barulho. Você é a Rosa. Rosa assusta-se e desliga o aspirador rapidamente. Sim, senhor. Desculpa pelo barulho. Não há problema. Quero agradecer-te por teres ajudado a minha mãe ontem. Não tem de agradecer.
Qualquer pessoa faria a mesma coisa. O Diogo observa a Rosa. Há algo de familiar nela, uma tranquilidade que o deixa à vontade. A Dona Neusa disse que a minha mãe gostou de ti. Ela é uma senhora muito meiga. Doce? O Diogo ri-se amargo. Ela não me reconhece há seis meses, mas reconhece o amor. Eu vejo nos olhos dela.
Como pode ver isso? Porque passei pela mesma situação com minha mãe. Diogo fica interessado. Sua mãe tinha Alzheimer também. Tinha. Morreu há dois anos. Como foi o processo? Rosa hesita, não sabe se deve falar sobre assuntos pessoais com o patrão. Pode falar, Diogo encoraja. Eu preciso de perceber o que a minha mãe está passando.
No início, ela esquecia-se de coisas pequenas, depois deixou de me reconhecer, mas nos momentos lúcidos ainda me chamava de filha. E no final, no final ela estava em paz, como se tivesse virado para casa. O Diogo sente os olhos marejarem. Acha que a minha mãe está sofrendo? Acho que ela está confusa, mas não necessariamente sofrendo. Como eu posso ajudá-la? Tenha paciência.
Fale com ela mesmo quando ela não responder. Toque na mão dela. O carinho não se esquece. Diogo observa Rosa com admiração. Esta mulher simples entende a sua mãe melhor que todos os médicos especialistas que contratou. Rosa, posso pedir-te um favor? Claro. Pode falar com a minha mãe às vezes, quando tiver tempo.
O senhor tem a certeza? Dona Neusa disse que é proibido. Esqueça as proibições. A minha mãe precisa de companhia humana, não só de medicamentos. A a partir desse dia, Rosa passa a incluir visitas à Azira na sua rotina de trabalho. Todos os dias, depois de terminar a limpeza, ela sobe para falar com o senhora. Olá, dona Azira. Sou eu, a Rosa.
Rosa, voltou? Voltei, sim. Como a senhora está hoje? Confusa. Não me lembro onde coloquei os meus brincos. Que brincos? Os de pérola que o meu marido me deu no nosso casamento. A Rosa olha na toucador e encontra os brincos. Estão aqui, dona Azira. Ah, que bom. Esses brincos são muito importantes. Por quê? Por porque ara para e fica perdida? Eu já não me lembro. Não faz mal.
O importante é que são bonitos. Rosa ajuda Azira a colocar os brincos. Agora a senhora está elegante. Azira sorri como uma menina. Obrigada, querida. Durante as conversas, Rosa utiliza técnicas que aprendeu cuidando da própria mãe. Ela traz fotos antigas, música da época da juventude de Azira, perfumes que despertam memórias.
A Dona Azira reconhece esta música? Rosa coloca uma valsa dos anos 60 no rádio antigo do quarto. Eu conheço essa música. Como é que ela se chama? Não me lembro do nome, mas lembro-me que dançava com o meu marido. Quer dançar comigo? Posso? Rosa estende a mão e as duas dançam lentamente no meio do quarto. Auzira fecha os olhos e por momentos, parece estar de volta aos 20 anos.
Meu marido dançava muito bem, sussurra ela. Deve estar a dançar com a senhora agora lá do céu. Você acha? Tenho certeza. Estas sessões de terapia improvisada fazem bem à ara. Ela fica mais calma, menos agitada, mais disposta a comer. Diogo nota a melhoria imediatamente. Rosa, o que estás fazer com a minha mãe? Ela está diferente. Só falo com ela.
Relembro coisas boas do passado. E funciona. Funciona. A memória emocional é a última a perder-se. Como aprendeu isso? cuidar da minha mãe e ler sobre a doença. Diogo fica surpreendido. Você leu sobre o Alzheimer? Li tudo o que pude encontrar. Queria perceber o que a minha mãe estava a passar e o que descobriu. Que o amor é o melhor remédio, não cura, mas alivia.
Durante três semanas, a vida na mansão flui tranquila. Azira tem as suas crises, mas são menos frequentes. Ela espera pelas visitas de Rosa, como uma criança espera pelo recreio, mas nem todos ficam felizes com esta mudança. Dout. Patrícia Mendonça, a enfermeira particular de Azira, não gosta nada da interferência de Rosa. Senr.
Diogo, preciso falar com o senhor. Sobre o quê? sobre a fachineira que está a se intrometendo-se no cuidado da sua mãe. A A Rosa não está a intrometer-se, está fazendo companhia. Ela não tem formação médica, pode estar a prejudicar o tratamento. Como assim? Estimulação excessiva pode ser contraproducente para doentes de Alzheimer.
Diogo franze a testa. Mas a minha mãe está melhor por enquanto, mas pode ser apenas uma fase. Dout. A Patrícia é uma mulher de 40 anos, licenciada em enfermagem geriátrica com 20 anos de experiência. Ela trabalha com famílias ricas há muito tempo e mantém sempre distância profissional dos doentes.
Para ela, Azira é apenas mais um caso clínico. Uma mulher rica com demência que necessita de cuidados técnicos, não de carinho. Senr. Diogo, recomendo que limite o contacto da fachineira com a doente. Por quê? Porque ela pode criar falsas esperanças. O Alzheimer é uma doença progressiva, não tem cura. Eu sei disso, mas se a minha mãe está mais feliz, a felicidade é relativa em casos de demência.
O importante é controlo médico. Diogo fica dividido. De um lado, vê a mãe melhor com cor-de-rosa. Do outro, a enfermeira diplomada está questionando essa melhoria. Deixe-me pensar no assunto. Pense logo. A interferência leiga pode complicar o quadro. Nessa mesma noite, três amigas da Dra. Patrícia vem visitá-la à mansão.
Todas as enfermeiras especializadas em geriatria e todas com preconceitos bem definidos sobre gente simples cuidar de doentes ricos. Patrícia, soube que está a ter problemas com empregada a meter-se no seu trabalho. Diz a enfermeira Sandra. Sim, estou. Uma fachineira que pensa que percebe de Alzheimer. Que absurdo, comenta a enfermeira Lúcia.
Pessoas sem estudo querendo brincar aos médicos. Exato. Concorda a enfermeira Rosa. Isso é perigoso para o doente. E o que você vai fazer? Pergunta a Sandra. Vou mostrar para o filho da doente que esta interferência é prejudicial. Como? D. A Patrícia sorri maldosamente. Vou criar uma situação que prove como é perigoso deixar os leigos cuidarem de doentes mentais.
Que tipo de situação? Vou provocar uma crise na doente quando a empregada de limpeza estiver presente. Assim vai parecer que ela causou a crise. Isto não é muito cruel. É necessário. Tem de mostrar os riscos. As quatro enfermeiras engendram um plano para desacreditar Rosa. Na segunda-feira seguinte, a Dra.
Patrícia chega mais cedo à mansão. Ela sabe que a Rosa sempre visita a Azira depois do almoço. Dona Azira, vou mudar-lhe os medicamentos hoje. Trocar porquê? Ordem médica, doutora. Patrícia substitui os calmantes de Azira por estimulantes suaves. Não é nada perigoso, mas vai deixar a senhora agitada. Tome aqui. Azira engole os comprimidos sem suspeitar de nada.
Uma hora depois, quando Rosa sobe para a visita diária, encontra Azira irrequieta e confusa. A Dona Azira, como a senhora está? Nervosa, muito nervosa. Tem gente estranha na minha casa. Não tem gente estranha. Sou eu, a Rosa. Rosa? Eu não Não conheço nenhuma Rosa. Rosa fica surpreendida há semanas que Azira a reconhece perfeitamente.
Dona Azira, sou sua amiga. A gente conversa todos os dias. Mentira, és uma estranha. Sai do meu quarto. Azira começa a gritar e a tirar almofadas em cor-de-rosa. Socorro, tenho uma ladra no meu quarto. Ela quer roubar-me os brincos. Rosa tenta acalmar ara, mas a situação piora. Dona Azira, por favor, acalme-se.
Não me toque. Ajuda, polícia. Dra. Patrícia aparece a correr, fingindo estar surpresa. O que está a acontecer aqui? Não sei. Rosa responde desesperada. Ela estava bem, de repente ficou assim. Dona Azira, sou eu, a enfermeira Patrícia. Patrícia, graças a Deus. Tira essa mulher do meu quarto. Calma, calma, vou tirá-la daqui. A Dra.
A Patrícia finge aplicar um calmante em Azira, mas é só soro fisiológico. Pronto, agora a senhora vai ficar melhor. Patrícia empurra Rosa para fora do quarto. O que fez com ela? Nada. Eu só entrei para conversar como sempre. Ela estava calma antes de chegares. Mas eu não não fiz nada de diferente. Deve ter feito alguma coisa para a deixar assim.
Rosa está perdida, não entende o que aconteceu. Quando o Diogo chega a casa, A Dra. Patrícia já elaborou o relatório. Senr. Diogo, tivemos um incidente grave hoje. Que incidente? A sua mãe teve uma crise de agressividade depois de a empregada de limpeza entrou no quarto. Crise como? gritou, atirou coisas, teve um surto completo. Diogo fica preocupado.
A que provocou isso? Aparentemente é a presença da empregada de limpeza, mas ela sempre fica calma com a rosa. Pode ter sido acumulação de estímulos. Eu avisei que a estimulação excessiva é perigosa. Diogo sobe para ver a mãe. Encontra-a dopada, a dormir profundamente. Como ela está agora? sedada, foi necessário para controlar a agitação.
E a Rosa, onde está? Terminou o expediente e foi embora. Acho melhor afastá-la do cuidado da sua mãe. Diogo fica dividido. A crise foi real. Viu Azira dopada e prostrada. Acha que foi culpa da Rosa? Não posso afirmar, mas a coincidência é suspeita. No dia seguinte, Diogo chama Rosa para conversar. Rosa, o Dr. A Patrícia contou-me sobre ontem.
Senhor Diogo, eu não fiz nada de diferente. Dona A Azira teve uma crise do nada. E você não tem ideia do que provocou? Não tenho. Ela reconheceu-me na semana passada. Ontem já nem sabia quem era. A enfermeira acha que pode ter sido estimulação excessiva. Rosa fica magoada. O senhor acha que eu estou prejudicando a dona Azira? Não sei o que pensar.
Ela estava melhor, agora tinha uma crise terrível. Senr. Diogo, estas as crises fazem parte da doença. A minha mãe também tinha, mas a Dr. ª Patrícia disse que pode ser culpa do excesso de visitas. E o senhor acredita nela? Diogo hesita. É profissional formada. Rosa sente o coração apertar. E eu sou apenas uma fachineira ignorante. Não é isso? É sim.
O senhor está a duvidar de mim. não quero que deixe de trabalhar aqui. Só Quero que evite visitar a minha mãe por uns dias para ver se ela melhora sem mim. É. Rosa baixa a cabeça. Está bem, senhor. Nos próximos dias, Rosa trabalha na casa, evitando o segundo andar. Não visita mais ara, não conversa com ela, mantém a distância e o resultado é devastador.
Sem as visitas de Rosa, Azira regride rapidamente. Volta a ficar agitada, confusa, agressiva. Para de comer direito, não dorme bem. Grita a noite toda. Onde está a Rosa? Onde está minha amiga? Ela pergunta várias vezes por dia. Que rosa? A Dra. Patrícia finge não saber. A rapariga que conversa comigo, ela desapareceu.
Não sei de quem a senhora está a falar. Azira chora como uma criança abandonada. Todo o mundo vai embora. Toda a gente me abandona. Diogo percebe que a mãe está pior do que antes. Dr. Patrícia, a minha mãe está muito agitada. É normal, a doença está progredindo. Mas ela estava melhor na semana passada. Pode ter sido melhor a temporária. Alzheimer tem oscilações.
E agora o que fazemos? Aumento a medicação. Dout. Patrícia duplica a dose de calmantes. Azira fica dopada o dia todo, mas pelo menos pára de gritar. Pronto, agora ela fica calma. O Diogo olha para a mãe que parece um zombie na cama. Não está calma, está anestesiada. É o que podemos fazer no atual estádio da doença. Não gosto de a ver assim.
É melhor do que vê-la sofrer, mas Diogo não se convence. Há algo de errado nesta situação. Durante uma semana, ele observa a deterioração da mãe. Ela não reage a nada, não sorri, não conversa, apenas existe. Mãe, ele tenta falar com ela. Sou eu, o Diogo. Azira olha-o com os olhos vazios, dopados pelos medicamentos.
Mãe, a senhora lembra-se da Rosa, a empregada de limpeza que conversava com a senhora? Por momentos, algo brilha nos olhos de Azira. Rosa, ela Ela abandonou-me também. Não abandonou, mãe. Eu que pedi para ela se manter longe. Por quê? Porque achei que estava a fazer mal para a senhora.
Azira faz força para se concentrar. A rosa faz-me bem. Como assim? Ela faz-me lembrar. Lembrar do quê? De quando eu era gente? A frase da mãe atinge Diogo como uma bofetada na cara. Posa fazia Azira sentir-se gente, não apenas um caso médico. Mãe, a senhora queres que chame a Rosa? Quero, por favor, quero a minha amiga.
O Diogo decide investigar melhor o que se passou na crise de há uma semana. Ele chama a dona Neusa para conversar. Neusa, você viu a crise que a minha mãe teve na segunda passada? Vi sim, senhor. Como foi exatamente? A Dona Azira estava bem de manhã. Almoçou normal, até sorriu quando a Rosa passou no corredor.
E depois, à tarde, tomou o medicamento com o Dr. Patrícia e logo ficou agitada. Diogo franze a testa. Ela tomou medicação antes da crise? Tomou sim. A médica disse que era troca de medicação. Troca? Eu não autorizei qualquer troca. O Diogo fica desconfiado. Ele confere com o médico responsável. Dr. Ferreira, o Sr. mudou a medicação da minha mãe na semana passada? Não.
A medicação dela está estável há dois meses. A enfermeira disse que trocou por ordem médica. Não foi ordem minha. Diogo sente raiva subir. Patrícia mentiu sobre a troca de medicamentos. Ele decide confrontá-la. Doutora Patrícia, porque é que trocou os medicamentos da minha mãe sem autorização médica? Patrícia fica nervosa.
Eu achei necessário para o bem dela. Que remédio deu? Um estimulante ligeiro. Por quê? Para mostrar que a empregada de limpeza estava causando problemas. Como assim? Patrícia percebe que se incriminou. Eu queria proteger a sua mãe de interferências leigas. Interferências? Você provocou uma crise na minha mãe de propósito.
Foi pelo bem dela. Pelo bem dela? Você torturou uma idosa com demência. Eu só queria mostrar os riscos. Os riscos? O único risco aqui é você. O Diogo está furioso. Está demitida. Suma da minha casa. Senr. Diogo. Eu sou profissional formada. Profissional? Você é uma criminosa. Patrícia sai da mansão humilhada e derrotada.
Diogo procura imediatamente Rosa. Rosa, preciso falar contigo. Sim, senhor. Descobri que a Dr. ª Patrícia mentiu. Ela provocou a crise da minha mãe de propósito. Rosa fica chocada. Como assim? Ela deu estimulantes à minha mãe ficar agitada e depois culpou-o. Por que razão ela faria isso? Preconceito. Ela não aceitava que uma fachineira conseguisse ajudar onde uma enfermeira formada falhava.
sente alívio e tristeza ao mesmo tempo. E agora? Agora quero que volte a cuidar da minha mãe, se quiser. Claro que quero. Dona Azira faz falta para mim também. Quando Rosa regressa ao quarto da Azira, a senhora está dopada, mas os seus olhos iluminam-se ao vê-la. Rosa, voltou? Voltei, sim, dona Azira. Não vou embora mais.
Pensei que tinha-me abandonado. Jamais. Eu estava presa, mas agora estou livre para cuidar da senhora. A rosa reduz gradualmente a medicação de Azira, com autorização médica. Em poucos dias, ela volta a ser a pessoa que era antes. Rosa, onde se estava? Resolvi uns problemas, mas agora Vou ficar aqui com a senhora. Que bom.
Fico muito triste quando as pessoas vão embora. Já ninguém vai embora, dona Azira. Diogo observa a transformação da mãe e fica emocionado. Rosa, não sei como te agradecer. Não precisa de me agradecer, Senr. Diogo. Cuidar dela é um privilégio. Por quê? Porque ela faz-me lembrar a minha mãe e me ensina que o amor não tem prazo de validade.
Como assim? Mesmo esquecendo das coisas, a dona Azira ainda sabe amar. Isso é lindo. O Diogo nunca tinha pensado nisso dessa forma. Rosa, posso fazer-te uma proposta? Que proposta? Quero que sejas a cuidadora oficial da minha mãe. Não fachineira, cuidadora. Mas eu não tenho diploma. Tem algo melhor. Tem coração e o salário? Três vezes mais que empregada de limpeza. Você merece.
Rosa fica emocionada. Aceito. Muito obrigada. Nos meses seguintes, a vida de Alzira melhora drasticamente. A Rosa desenvolve uma rotina de estímulos cognitivos que atrasam a progressão da doença. Dona Azira, vamos fazer exercícios de memória. Vamos. Como é o nome do seu filho? Diogo. Diogo Zanato. Muito bem.
E qual é a profissão dele? médico como o seu pai. Perfeito. A senhora lembra-se do nome do seu marido? Roberto. Doutor Roberto Zanato. Excelente. Vamos tentar lembrar-nos de mais coisas. Rosa utiliza fotografias, música, perfumes e objetos pessoais para estimular a memória de Azira. Não consegue reverter a doença, mas consegue estabilizá-la.
Senr. Diogo, o Dr. Ferreira comenta numa consulta. Os exames da sua mãe mostram estabilização surpreendente. Como assim? A progressão da doença parou. Ela não está a melhorar, mas também não está a piorar. Isso é possível? É raro, mas possível. A estimulação cognitiva adequada pode retardar a degeneração e a responsável por esta estimulação é a Rosa.
Então, ela está a fazer um trabalho excepcional. Diogo está orgulhoso de ter tomado a decisão certa, mas nem todos os mostram-se felizes com o sucesso de Rosa. Helena Zanato, irmã de Diogo, fica indignada quando descobre que uma ex-faxineira está a cuidar da mãe. Diogo, soube que promoveu uma empregada doméstica.
Promovi a rosa para cuidadora da nossa mãe. Uma faxineira cuidar da mãe. Uma pessoa competente cuidando de quem precisa. Diogo, isto é constrangedor. O que vão pensar as pessoas? Vão pensar que priorizo o bem-estar da minha mãe acima dos preconceitos. Mas ela não tem formação, tem experiência e dedicação. Helena fica furiosa.
Vou falar com a nossa mãe sobre isso. Pode conversar. Ela vai-te dizer que a Rosa é a melhor coisa que aconteceu na vida dela. Helena sobe para o quarto da mãe, determinada a criar problemas. Mãe, sou eu, a Helena. Azira olha para ela sem reconhecer. Quem é você? Sou sua filha, Helena. Não tenho filha. Tenho apenas um filho.
Helena fica magoada, mas insiste. Mãe, preciso de falar sobre esta mulher que está a cuidar da senhora. Que mulher? A Rosa. O rosto de Alzira ilumina-se. Rosa, ela é o meu anjo da guarda. Anjo da guarda? Ela cuida de mim, conversa comigo, faz-me lembrar coisas boas. Mas mãe, ela é apenas uma empregada doméstica.
Empregada doméstica? Azira fica confusa. A Rosa é minha amiga. Amiga? A minha melhor amiga, a única que não me abandona. Helena percebe que não vai conseguir convencer a mãe a dispensar Rosa. Mãe, a senhora não acha estranho uma empregada de limpeza a cuidar da senhora? Faxineira? A Rosa não é fachineira, é cuidadora. Mas antes era empregada de limpeza.
Não me importo o que ela era. Importo com o que ela é agora. Helena sai do quarto derrotada. À saída, ela encontra Rosa no corredor. És a tal Rosa? Sim, senhora. Sou a Rosa Oliveira. Sou a Helena, irmã do Diogo. Muito prazer, dona Helena. Helena observa Rosa com desdém. Soube que convenceste o meu irmão a te promover. Eu não convenci ninguém.
Ele ofereceu-me o cargo. E você aceitou assim de cara lavada? Aceitei porque adoro cuidar da dona Azira. Amor interesseiro, certo? Rosa fica magoada. Não é interesseiro, é verdadeiro. Claro, uma fachineira que ama uma milionária. Que conveniente. A Dona Helena, com todo o respeito, a senhora não me conhece. Conheço sim.
Conheço muito bem as pessoas como você, gente como eu, oportunista, que se aproveita de doente para se dar bem na vida. A Rosa sente raiva, mas se controla. A senhora está enganada sobre mim. Estou é certa e vou provar ao meu irmão. Helena vai-se embora, deixando ameaças no ar. Nessa noite, ela liga para amigas influentes para espalhar rumores sobre Rosa.
Marina, não vai acreditar no que o meu irmão fez. O que foi? Promoveu uma fachineira para a cuidadora da nossa mãe. Que absurdo. E o pior é que ela o está a manipular através da doença da minha mãe. Como assim? finge que ama a minha mãe para conseguir promoção e aumento. Que situação constrangedora. Exato.
E agora toda a gente vai falar que os anato perderam o bom senso. Em poucas horas, a notícia espalha-se pelos círculos sociais da elite paulista. Todos comentam a faxineira que virou cuidadora da família Zanato. Souberam da confusão na família Zanato? Que confusão? O filho promoveu uma empregada doméstica. Promoveu para quê? Para cuidar da mãe que tem Alzheimer.
Que situação mais estranha. Dizem que ela está a aproveitar-se da situação. Os boatos chegam aos ouvidos de Diogo através de colegas médicos. Diogo, soube que está com problemas familiares. Que problemas? Com a cuidadora da sua mãe. Não tenho problemas com a Rosa. Mas as pessoas estão a dizer que ela se aproveitou-se da situação.
Que situação? da doença da sua mãe para conseguir promoção. Diogo fica irritado. As as pessoas falam demais e sabem de menos. Mas não acha arriscado confiar em ex-fachineira? Arriscado é julgar as pessoas sem conhecê-las. Diogo chega a casa determinado a acabar com as más-línguas. Ele chama Helena para conversar. Helena, soube que anda a espalhar boatos sobre a rosa.
Não estou a espalhar boatos, estou a partilhar preocupações. Que preocupações? Sobre esta mulher que está a aproveitar-se da nossa família. Como é que ela se está a aproveitar? Diogo, abra os olhos. Ela era empregada de limpeza e agora é cuidadora. Conseguiu um aumento substancial fingindo que ama a nossa mãe. Ela não está a fingir.
Como você pode ter a certeza? Porque eu vejo a dedicação dela, vejo como a nossa mãe melhora com ela. A nossa mãe está doente, Diogo. Não há como melhorar. Pode não ter cura, mas pode ter qualidade de vida. E pensa que uma ex-faxineira pode proporcionar isso? A Rosa proporciona todos os dias. Helena percebe que precisa de usar outra estratégia.
Se não consegue convencer o irmão, vai tentar sabotar Rosa diretamente. Na semana seguinte, ela chega à mansão quando O Diogo está a viajar a trabalho. Vai diretamente para o quarto da mãe. Mãe, sou Helena. Quem? Sua filha. Não conheço você. Helena fica frustrada, mas insiste. Mãe, a senhora confia na Rosa? Rosa, claro que confio.
Mas a senhora sabe que ela só cuida da senhora por dinheiro? Azira fica confusa. Dinheiro? Sim, ela ganha para cuidar da senhora. Eu não entendo. A Rosa não é sua amiga de verdade, é uma empregada paga. Empregada doméstica? A informação confunde Azira. Ela sempre pensava que a Rosa cuidava dela por amizade.
Ela mentiu-me? Não mentiu, mas também não é amiga verdadeira. Azira fica muito triste. Depois ela vai embora quando parar de ganhar? Provavelmente quando a Rosa chega para a visita da tarde, encontra ara chorando. Dona Azira, o aconteceu? Você É paga para cuidar de mim. Rosa hesita. Como explicar o trabalho remunerado para uma pessoa com demência? Eu trabalho aqui, sim.
Assim, não somos amigas? Claro que somos amigas, mas tu ganha dinheiro para isso. Rosa percebe que alguém plantou essa dúvida na mente de Azira. Dona Azira, ouve-me bem. É verdade que trabalho aqui e ganho salário, mas também é verdade que adoro a senhora como se fosse minha mãe. Como assim? Eu posso ganhar dinheiro e amar a senhora ao mesmo tempo.
Uma coisa não exclui a outra. Mas se não ganhasse, ainda cuidaria de mim. Rosa olha nos olhos de Azira. Sim, mesmo que não ganhasse nada, eu trataria da senhora. Por quê? Porque a senhora é especial para mim. Porque cuidar da senhora também me faz bem. Faz bem como? Faz-me sentir útil, faz-me lembrar da minha mãe, faz-me feliz.
Azira para de chorar. Então não me vai abandonar jamais. Enquanto a senhora quiser, eu vou estar aqui para sempre. Para sempre. Azira sorri e abraça Rosa. Obrigada por ser minha amiga. Obrigada por me deixarem ser sua filha do coração. Helena, que escutou a conversa da porta, fica ainda mais revoltada.
Não conseguiu destruir o vínculo entre Rosa e Azira. Quando Diogo regresso da viagem, Helena faz uma última tentativa. Diogo, precisamos de falar sobre o futuro. Que futuro? Da nossa mãe? A doença vai piorar. Ela vai precisar de cuidados médicos especializados. E daí? A Rosa não tem formação para cuidados médicos avançados. Quando chegar a altura, contratamos um enfermeiro também. Diogo, seja realista.
A nossa mãe precisa de uma clínica especializada. Uma clínica? Quer internar a nossa mãe? Quando a doença avançar, não vai ter escolha. Tem sempre escolha. E a minha escolha é cuidar dela em casa. Com uma ex-faxineira, com quem for necessário para a manter bem. Helena percebe que perdeu a batalha.
Diogo não vai abrir mão de rosa. Está bem, Diogo, mas quando tiver problemas, não venha chorar comigo. Não vai dar problema. Helena vai-se embora, furiosa, e não volta mais à mansão. Um ano depois, Azira continua estável sob os cuidados de Rosa. Ela tem dias melhores e piores, mas reconhece sempre a sua cuidadora favorita.
Rosa, vais ficar comigo hoje? Vou ficar sim, dona Azira. E amanhã? Amanhã também. E quando eu morrer, a pergunta apanha a Rosa de surpresa. Por que razão a senhora está pensando nisso? Porque eu sei que estou doente e sei que um dia esquecerei tudo. A Dona Azira, quando isso acontecer, vais cuidar de mim mesmo assim? Vou mesmo que já não me lembre de ti.
Mesmo assim. Por quê? Porque o amor não precisa de ser lembrado para existir. Azira sorri com lágrimas nos olhos. Obrigada por me amar. Obrigada por me ensinares que família não é só sangue. Naquela noite, Diogo encontra Rosa a chorar no jardim. Rosa, está tudo bem? A Dona Azira fez-me uma pergunta hoje.
Que pergunta? Se eu vou cuidar dela mesmo quando ela não lembrar mais de mim. E você vai? Vou. Mas é triste pensar nisso. Por quê? Porque ela é a mãe que eu nunca mais pensei que ia ter. O Diogo fica emocionado. Rosa, salvou a minha mãe. Não salvei, apenas cuidei. Salvou sim. Salvou-a de morrer em vida. Ela me salvou também.
Como assim? Ensinou-me que nunca é tarde para amar e ser amada. Dois anos depois, Azira piora. Ela para de falar, de comer sozinha, de reconhecer as pessoas. Mas quando Rosa entra no quarto, ela ainda sorri. Dona Azira, sou eu, a Rosa. Azira não responde com palavras, mas aperta a mão da Rosa. Eu sei que a senhora me reconhece no coração.
A Rosa cuida de Azira com a mesma dedicação de sempre. Dá banho, penteando o cabelo, conversa mesmo sem receber resposta. Hoje o dia está bonito, dona Azira. O sol está a brilhar no jardim. Azira não responde, mas os seus olhos acompanham rosa pela sala. Vou colocar aquela música que a senhora gosta. Rosa liga uma valsa antiga.
Azira fecha os olhos e, por um momento, parece estar em paz. A senhora está a recordar quando dançava com o seu marido? Uma lágrima escorre pelo rosto de Azira. Eu sei que sim. As memórias do coração não se perdem. Diogo observa de longe e fica emocionado com a dedicação da Rosa. Como consegue conseguir o quê? cuidar dela com tanto amor mesmo quando ela já não responde.
Porque ela ainda está aqui dentro. Rosa toca o peito. A dona Azira, que eu conheci ainda vive no coração dela. E isso basta? Isso basta. Três meses depois, numa manhã de domingo, Azira não acorda. Morre a dormir em paz na sua cama, com cor-de-rosa segurando a sua mão. Vai com Deus, dona Azira.
Obrigada por me ter deixado cuidar da senhora. O Diogo chega e encontra a Rosa a chorar ao lado da mãe. Como está? Triste, mas em paz. Ela não sofreu. Rosa, não sei como te agradecer tudo o que fez pela minha mãe. Não precisa de me agradecer. Cuidar dela foi um presente para mim também. Por quê? Porque me ensinou que amar é cuidar e que cuidar é amar.
No funeral de Azira, centenas de pessoas comparecem. Médicos, empresários, amigos da família. Mas quem está mais emocionada é a Rosa, que chora como se tivesse perdido a própria mãe. Helena aparece no velório e aproxima-se de Rosa. Rosa, quero-te pedir desculpa. Porquê, dona Helena? Por ter duvidado de si, por ter achado que era interesseira.
Não precisa se desculpar. Preciso sim. Você amou nossa mãe de verdade. Eu vi como tu cuidou dela até ao fim. Ela merecia todo o amor do mundo e você deu esse amor para ela. Helena abraça Rosa com lágrimas nos olhos. Obrigada por ter sido a filha que não soube ser. Depois do funeral, Diogo chama Rosa para conversar.
Rosa, agora que a minha mãe se foi, já não tem motivo para ficar aqui. Rosa sente o coração apertar. Vai ser despedida. Compreendo, Senr. Diogo. Espera. Deixa-me terminar. Você não tem motivo para ficar aqui como cuidadora. Entendi. Mas tem razão para ficar como parte da família. A Rosa não entende. Como assim? Quero que continue a viver aqui, não como criada, mas como família. Senr.
O Diogo, a minha mãe sempre disse que eras como uma filha para ela. Agora é como uma irmã para mim. Rosa chora emocionada. Eu não sei o que dizer. Diga que aceita fazer parte oficial da família Zanato. Aceito com muito amor. Um ano depois, Rosa abriu um centro de cuidados a idosos com Alzheimer. O Diogo financiou o projeto e ela administra.
O Centro Aziras Anato atende famílias de todas as classes sociais, oferecendo cuidados humanizados a pessoas com demência. O que aprenderam aqui? Rosa pergunta a um grupo de familiares em formação. Que amor é o melhor remédio? Responde uma senhora. E que cuidar é uma honra, não uma obrigação, acrescenta um senhor. Exato.
E nunca se esqueçam, a pessoa que amam ainda está ali dentro. Só precisa de paciência para ser encontrada. Na parede do centro, uma placa homenageia ao Zirato, em memória de uma mulher que ensinou que memórias do coração nunca se perdem. Posa olha para a placa todos os dias e sorri.
Obrigada, dona Azira, por terme ensinado que família é quem cuida com amor. E assim, uma pobre fachineira que guardava o segredo de um coração generoso transformou não só a vida de uma família rica, mas de centenas de outras famílias que descobriram que cuidar com amor é o maior presente que podemos dar a quem amamos. O Diogo visita o centro todas as semanas e repete sempre para a Rosa: “Obrigado por terme ensinado que o valor de uma pessoa não está no diploma, mas no tamanho do coração.
” E a Rosa responde sempre: “Obrigada por me ter dado a hipótese de conhecer a dona Azira. Ela mudou a minha vida para sempre. No final, descobriram que não importa de onde viemos ou quanto dinheiro temos. O que importa é a capacidade de amar e cuidar uns dos outros, porque o amor não tem classe social, não tem preço e nunca expira. Gostou desta história? Você achou que Rosa mereceu o reconhecimento que recebeu? Conta-me nos comentários.
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Um grande abraço e até à próxima. M.















